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VOLUME PRIMEmO 



MAIO— 1878 



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ÀRCHIVO m iCOUS 



PUBLICACAO DESTIKADA A VULGARISAgAO DOS ELEMENTOS IHDISPEHSAVEIS 
PARA TODOS OS RAMOS DA 



jjatirria §i?!imana 



Q^'TftgL/'l^ 



r I - MHIfl - 1878 

"V^ol. I^rimeiro 



a^'HWu^ 



Uba de S. Miguel 
( Acores ) 



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ARCHIVO DOS ACORES 



rc»^rs5:52-Lis%^ 



laiv&osofSfJL® 



O jomal caracterisa a civìIisd<^ao do» povos. 

Por este meio irradia a imprensa toda a sua imtnenisa luz 
de progresso. 

A' rapidez das concepQoes é preciso corresponder a 
promptìdSo da publicidade. A cìrcula9ao das idéas deve egua- 
lar a £8icilidade com que se opera todo o movimento. 

jornal em politica é athleta justeando sem desean(;o 
com a palavrà- e vencendo com o argumento; é sentinella 
sempre àlerta pelos direitos dos povos; ó a revoluqao per- 
manente pelo triumpho da justi^a. 

E as mais solidas e duradouras conquistas na sciencia do 
governo sao deridas 4 revolu^ao que tem por armas de com- 
bate a palavra esclarecida na discussao dos principios. 

Nas multiplices ramifica^Oes das sciencias, das lettras ^ 
das artes, o jornal tem a cumprir egual missao. E' revolu- 
•cionario comò na politica, porque a ac9ao do progresso exer- 
ce-se da mesma forma na esphera de todos os conhecimentos 
liumanos. 

Nao sao as terras aQorianas as que tem dado menor con- 
tingente de publlca(joe8 jornalisticas desde que se inaugurou 
o regimen liberal. Prova isto que nos temos sabido aprovei- 
tar do meio civilisador que a imprensa UQS faculta. 

Voi. I-N,° 1-1878. 1 

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2 JLRCmVO DOS AgORES» 

Mas tem liavido urna lacuna grande no nosso jornalìsmo, 
que a publica9ao do ARCHIVO DOS A^ORES vae tentar 
preepcher. 

Occupando-se muitos espirltos illustrados em inyestiga- 
^oes e estudos de historia a9oriana, tornava-se indispensavel 
consugrar urna publicaQSo a repositorio de todas essas lucu- 
bra<;oe8. A isso é destinado o ARCHIVO. 

N'estas palavras llie teriamos feito o programma; am- 
plial-o-hemos todavia, dizendo que o firn d'està publica9ao 
8©rà : 

rectificar a historia a9oriana em vista de documentos coe- 
vòs, nas partes em que todos os chronistas a adulteraram, ' 
pela falta de critica com que usaram d'elles, ou se referiram 
a factos, erros que posteriormente se foram reproduzindo 
com a mesma falta de reflexào ; 

fazer conhecidos documentos unicos importantissimos, 
disperso» ou avulaos, evitando que de todo se aniquilem com 
o andar dos tempos ; 

rounir nao so os manuscriptos de que houver conbeci- 
mento^ existentes nas bibliothecas publicas e particulares, 
nacionaes e estrangeiras, mas o que anda dessiminado por 
livros e jornaes, que possa interessar à historia d'este archi- 
pelago, — jornaes e livros jà hoje raros uns,.e outros de diffi- 
cil acquisÌ9ao pelo seu eie vado pre9o; 

proporcionar assim aos estudiosos elementos para esela- 
recidas lucubra93es historicas, difficuldade immensa com que 
até agoTa se tem lutado 

— pelo isolamento em que os a9orianos se acham dos cen- 
trosmais civilisados onde as bibliothecas publicas e archi vos 
particulares possuem subsidios valiosos; t 

— pela falta de collec90es pubhcas e pobreza das biblio- 
thecas a9oriana8, onde se possam fazer consultas; e pelo 
grande dispendio de tempo e de dinheiro a quem desejar ob- 
ter copias de documentos dos archivos nacionaes ou estran- 
. geiros, ou adquirir o grande numero de publica96es pelas 
quaes se acham espalhados estudos e noticias sobre a historia 
d'este archipelago. 



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ARCHIVO J50S À90RES S 

O ARCHIVO nSo sera publica^ao recitativa, Daas, utif 
quanto, o dever na espilerà d'eefte programma, Apesar d'islo, 
quando seja compativel com as dimensSes dos escriptos desti- 
nados a cada numero, terà urna sec^So de VARIEDADES, 
subordinada ainda ao pensamento do seu programma, o que 
poderà ser a parte mais amena d'està publica9ao. 

Nao mira a fazer a historia d'este archipelago pelòs pro- 
cessos que hoje nao póde deixar de seguir quem se dedica a 
este genero de trabalhos, mas simplesmente a reunir os ma- 
teriaes para futures obréii'òs erguerem à civilisa9ao esse mo- 
numento» 

Quando o complemento d'alguns escriptos exìgiv fac-si- 
miles ou estampas, dal-as-hemos tambem. 

que nao poderemos é ob servar precedencias chronolo- 
gicas na escolha das materias. Sairao à propor9ao que se fo- 
rem apromptando os documentos, artigos ou memorias, qual- 
quer que seja assumpto ou a epocha a que se refiram. 

Nao tentamos uma emprezaespeculativa. Antes sendo jà 
impoVtante o capital empregado na acquisi<;ao de boa copia 
de trabalhos que successivamente se irao dando à luz, con- 
tamos ainda com um grande deficit n'esta publica9ao. Espe- 
ramos que seja mui limitado numero de assignaturas, e nao 
obstante faremos de todos os numeros edÌ9ao avultada, pa- 
ra a generalisarmos por nacionaes e estrangeiros que consi- 
derarmos no caso de apreciar e reconhecer a utilidade do 
ARCHI VO5 e para pòdermos guardar collec95es que se facul- 
tem mais tarde aos investigadores que as procurarem. 

Apostolos d'urna boa idèa, achamo-nos dispostos a gran- 
des sacrificios para realisal-a. 

Compensar-nos-ha a satisfa9ao de havermos prestado ser- 
VÌ90 valioso às terras a9oriana8, 

E corno n'este empenho poderemos ser ajudados por mui- 
tos cultores das lettras, por possuidores de documentos, ma- 
nuscriptos, livros ou jornaes raros tratando de assumptos que 
possani aqui ter cabida, a todos pedimos auxilio a fini de que 
o ARCHIVO seja tao completo quanto possi vel. 

Nao s^rd dos meuos agradecidos servÌ90 de so nos indi- 



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4 ABCHiyO 006 AgOBES 

carem a existencia do que puder Rproveitar-nos, No em- 
prego do» melos para adquirir nao bavera mesquiuhez da 
nossa parte. 



A K£DÀcgXo« 



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COLLECgiO 



DE 



DOCUMENTOS 



RELATIVOS AS ILHAS DOS AgORES. 



Extrahidos do Archivo Nacional 
da Torre de Tombo, & . . 



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i^ECHIVO DOS JigòRES 



CARTA DE D. AFFONSO V, 

Concedendo licenza a sea Uo D. Henriiiae tara povoar as sele 
Ubas dos Acores de 2 d« Jnllio de 1439— 

Dom AffonsOf etc. A quaatos esto carta virem fazemos sa* 
ber que o infante D. Heniique meu tio nos envìou dizer que 
elle mandàra lan^ar ovelhas nas sete ilhas dos A9ore8 e que 
se nos^aprouvesse que as mandarla povoar. — E porque a iiós 
dello praz Ihe damos logar e licen<;a que as mande povoar. E 
porem mandamos aos nossos védores da fazenda, corregedo* 
res, juizes, h ju&tiqas, e a outros quaesquer que esto houve- 
rem de ver que Ihas leixem mandar povoar e Ihe nSo ponliam 
sobre elio embargo, e al nSo fa^ades. Dada em a cidade de 
Lisboa 2 dias de Julho. Eirei o mandou com autoridade da 
Senhora rainlia sua madre comò sua tutor e curador que é, e 
com acordo do infante D. Fedro seu tio defensor por elle dos 
ditos reinos e senhorios. Pais Rois a fez escrever e sobescre- 
veu por sua mào. Anno do nascimento de nosso Senbor Jesus 
Christo de mil e HIJ XXXIX, (1439). 

(Cliancellaria deD. Affondo V,L. 19/, 14) na Torre 
de Tomhó). 

CARTA DE D. AFFONSO V, 

Isentando os moradores dos Acores de pagaren dizioa por S 
annos-^de S d'Abrtl de Mi. 

D. Affonso, etc. A quantos està carta virem fazemos sa> 
ber que nós querendo fazer gra^a e merce a Gonzalo Velho, 
commendador das ilhas dos Acores, e a todos os povoadores 
que èstam e vivem nas ditas ilhas, da feitura desta nossa carta 
até cinco annos cumpridos pelo do Infante D. Henrique meu 
multo prezado e amado tio que nol-o pedio* Temos por bem 

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6 ARCHiyO DOS igOBEÀ 

e queremos qiie em o dito tempo nao paguem dizima neni 
poi tagem nenhuma de qviaes quer cousas que das ditas ilhas 
tragam a estes nossos reinos, com tanto que as nSo tragam 
d'algama outra parte. E porem mandamos a quaesquer nos- 
sos officiaes^ a quem perteneer e està carta far mostrada que 
Ihe nao consintam levar a dita dizima e portagem nem fa9am 
por eHo outra alguma sem razao: e a nós praz de Iha quitar- 
moB em o dito tèmpo comto dito ó, e al nao fa<jaes; Dada em 
a cidade de Lisboa em 5 d'abril. Por autoridade do senhor 
infante D. Fedro, tutor e curador do dito senhor rei, regedor 
com a ajuda de Deus, defensor por elle de seua reinos e se- 
jihorios. Diogo Lopesafez anno -do nascimento de nosso se- 
nhor Jesus Christo de mil IIIJCRIIJ, (1443). V 

' (Ckancellaria de D, Affonso V} L. 27 /. 107 verso ^ na 
Torre de Tombo). 

CARTA DE D. APFONSO Vy 

Isenlando os moradores ài liba de S. Higiiel, da di^a de iodos 
0^ generos prodmidos Ha dita iifia— de 2(1 d'AbriI de 1447— 

Dom AfFonso etc. A quantos està carta virem fazemo» 
saber que nós querendo fazer gra^a e merce ao infante D. Fe- 
dro meu muito prezado e amado tio e padjre, nosso curador, e 
curador e regedór por rios de nosso» reinos e «enhorios, por 
ter azo delle poder melhor encaminhar comò a sua ilha de 
Sau Miguel seja bem povoada: Teraos por berne quitamOs d'és- 
te dia para todo sempre a todoUos m^oradores que ora vivem e 
moram, ou (1) morarem d'aqui em diante em a dita ilha a di- 
zima de todo o pao, e vinho e pesoados e madeirae legumes 
e todallas outras cousas que neUa houverém e trouverem a es- 
tes nossos reinos porqualquer guiza. E porem mandamos 
aos nossos vedoires, e provedores da hossa fazenda, e couta^ 



(1) Nò 2,^ L,® do3 Mypticos estd-»-^— e n vez^ do— ou — 

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IRCmVO DO» AgORES 7 

\dores e almoxnrifes, e aos recebedores (1) <hi dita dizima, e a our 
tros quaest^uer oflSciaes e pessoas a que o conhecimento dest^ 
pertencer e està carta ou o (2) traslado della ^m publica for- 
ma feita por autoridade de justicja for mofitrada que hajam a»- 
sim por quite a dita dizima aos moradoreg da dita ilha para 
sempre corno dito é: E os nao constranjam nem demandem por 
ella, e Ihes-cumpram e gnardem e fa^jam bem cumprir e guar- 
dar està carta comò em ella é contheudo sem outro embargo 
que Ihe sobre elio seja posto. E em testimunho desto por sua 
guarda e seguran^a Ihe mandamos dar està carta assiguada 
por nós^ e assellada com o nosso sello de chumbo. Dada em 
a nossa cidade de Lisboa 20 dias d'àbril, Pero de Lisboa a 
fez, anno do senhor Jesus Christo de 1447. — ^Lopo Affonso 
a (3) fez escrever — 

(Livro das Ilhas-^f. 26 verso^ — ^ Livro 2.- dos Misti-- 
cosf. 196 verso na Torre de Tomba — ). 

— Kti— 

CARTA DE D. AFFONSO V, 

Concedendo licenca a sei tio o InFanle D. Henrique pars povosr 
as sete iihas dos Acores de 10 de Rarco de 1449— 

Dom AfFonso etc. A quantos està carta virem faze^mos sa- 
ber que o infante D. Henrique meu muito prezado e amado 
tio nos enviou dizer que elle mandàra lauQar oveliias nàs se- 
te ilhas dos A9ores, e que se nos aprouvesse que as mandaria 
povoar. E porque a nós dello praz Ihe damos legar e licenza 
que as mande povoar. E porem mandamos aos nossos vedo-, 
res da fazenda, corregedores, juizes, justi^as, e a outros quaes* 
quer que esto houverem de ver que Ihàs leixem mandar po- 
voar e Ihe nao ponham sobre èlio embargo e al nao fa<jades. 



(1) e rendeiros — accrescenta o dito livro 2i® dos Mysticos- 

(2) — — nao traz o L.® 2.® dos Mysticos. 

(3) ^0 2.° L.^ dos Mysticos està— ea^o em vei de— a — 



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S AfiCHITO DOS AgORE9 

Dada em Saiitarem^lO dias de niar^o, eirei o mandon, Euy' 
Dias a fez, anno do Senbor de mil IIIJC RIX (1449). 

{Livro 20 de D. Af forno F. /. 37 t;eaw, e no Ia ^^ 
Mistkosf. 36 verso). 



'Està carta de 1449 combinada com à oatra Igaal na subst ancia' 
^atada de 1430 (atraz a paginas 5) leva-nos a erer qiie està de 
1439 é verdadeira porque està no registo d'aquelle anno seguida & 
piecedida de dezehaa e dezenas do documentos datados de 1439, — 
Por este lado o documento é verdadeiro e authentico, e legivel sem cou- 
sa que duvida fa9a, tanto mais quanto o feche do mandado pela Rai* 
Bha com accordo do infante D* Fedro vae d'harmonia com o que à\z^ 
JoSo Fedro Ribeiro nas 8tta8=Dis9erta9Ses=s 

Entretanto a carta datada de 1449 tambem tem caracter de 
genuina, parecendo comtudo oppor-so à 4)rimeira pelo facto da dìffo- 
ren$a de data. Mas tudo diz que ambaa s^o verdadeii*a3 e que se po-^ 
dem accordar en.tre si. A redac9lo d'ambaa i&o differe na substancia 
mas tSo sómente nas datas e seus logares, e no encerramento. A segunda 
ainda que o nlo declare, é evidentemente Gonfìrma9llo da primeira passada 
na menoridade do rei. A segunda é jà dada pelo rei na sua maioridade e 
quando assumia todo o exercicio independente da autoridade real. 
Azuràra, (1) e Barros &-^citarara o segundo documento de 1449 porque 
talvez nSo conheceram o primeiro a que no segundo se nSo alludio. Fara 
o Livro dos Mystioos longe de se copiar o primeiro de 1439 — so se co- 
piou segundo de 1449, — e de tudo isso nasceu o erro emq uè tem 
cahido todos os historiadores que successivamente se tem copiado uns 
aos outros sobre o descubrimento dos A9ores, sem quererem ou podo- 
rem investigar na t)rigem as fontes da hossa historia. 

Suppdr sete das Ilhas dos Agores jà descubertas em 1439 vae jà 
d'accordo . com o documento de 1443 que as dà a Gonyalo Veiho, com 
o de 1447 que isenta de dizima a ilha de S- Miguel &, o que se nao- 
déra partindo do documento de 1449 — 

{Nota do sr. José de Torres, que extraio estes documentos é 
0$ seguintes do Archivo Nacional da Torre de Tombo). 

(1) Adiante se reproduzirà o que diz Azuràra^ bem comò, Diega 
Gomes de Cintra, e Valentim Fernandes, a respeito dos Ajores. Da 
testemiinho de todos estes prìmeiros historiadores, se deduzirao pou- 
cos, mas solidos principios, em que de futuro se assente a historia da 
descobrimento do Archipelago A5oriano= 

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AftCHIVO DOS A^OEi» 



CARTA DE D. AfTONSO V, 

Peli qoal Taz doario da \M do Corvo, « seu tio D. AlFe&so, dBquff 
de Bra^^anca, conde de BareelloS) dada em fivora a 20 de Ja- 
neiro de I4S&— 

Don Affonso, etCr A quantos està carta virem fazemo» 
saber que nós vendo e considerando o grande divido que comr 
ziesco ìia Don Affonso, duque de Bragan^a, e conde de Bar-^ 
cellos, meu multo presado e ama;do tio e os inuitos e singula- 
res servi^os que nos ha feilos e ao diante esperamos que no» 
fa^a: e querendo^lhe fazer gra<ja e merce, de nosso mota 
proprio, livre vontade, certa sciencìa, poder absoluto sem 
nol-o elle pedindo nem outrem por elle; temos por bem e fa- 
zemos-llie simples, pura, livre doa<;ao, d'este dia para , toda 
sempre, para elle e para seu^berdeiros ou successores, da ilha 
por nome chamada do Corvo, que a hajam e possuam toda e 
cada parte d'ella por sua cousa propria, isenta, di^mo a 
Deus, com todo o que ao presente em ella ha, e ao diante 
houver, e com todas suas entradas e sahidas, rendas e direi- 
tos reaes, foros, e tributos, e impo»Ì95es, montes rotos e por 
romper, rocios e pacìgos, arvores, e fontes, e rios, e pescarla» 
doces e salgadas, e eomtodalas outras cousas que nos em ella 
pertenijam e pertencer possam por qualquer guisa que seja, er 
em qualquer tempo; assim despovoada ccnA ella ora é, ou vin- 
do a ser povoada. E llies damos todo sonhorio e sugeigao da 
dita ilha e moradores della; e toda jurisdi(;ao civel e crime^ 
mèro mixto imperìq, reaalvando somente a nós e a nossos sue- 
cessores e corca real, que oa moradores (la dita Uba, quando 
a Deus aprouver que se povoe, faqam guerra e paz por nossa 
mandado e nao possa seralheada nem vir salvo a nosso natu- 
rai, ei se corra a moeda de nossos reinos. E porem raandamo» 
aos védores da nossa fazenda, contadores, almoxarifes, corre- 
gedores, juizes, e justÌ9as, officiaes e possoas, e a outi*od 
quaesquer que esto houverem de ver a que està carta for 
mostrada que leixem ao dito meu tio tomai' posse da dita ilha 

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lo iBcmvo fica xgoéÈS 

por si ou por qnem Ihe pronver e Iha leixem liaver, lograr, e 
possuir d'aqui em diante com todalas renda^ é direitos della 
pela guisa que dito ó sem outro embargo qne sobre elio po- 
nham. E em testimanho dello Ihe manaanoos dar està carta, 
assigaada por nós, e assellada do nosso sello de chumbo, para 
a ter para sua guarda. Dada em a cidade de Evora 20 dias de 
Janeiro. Ruy Dias a fez anno do nascimento de nosso Se- 
nhor J. C. 1453. E eu Martim Gii a fiz escrever e aqui 
sobscrevi. — 

(Livro 3.® dos Misticosf. &9na Torre de Tombo^ Acka- 
se fambem no tomo 3.® dos Provas da Historia Genealogica da 
Casa Beai Portugueza por D. Antonio Gaetano de Souza a pa-* 
ginas 500 com alguns variantes de ortographia), 

CARTA DE D. AFFONSO V, 

D« 2 i« Setembro d« I46ft, ceniirmando a doacao rdta, em eart» 
de 22 de Agosto do mesmo aono, pelo Inrante D. Henri^fle, a 
D. Fernando, scn filho adoptiYo, das Uhas de JesBt Chrìsto e 
Graeìosa— 

D„„ Affo„»"WV quanto, es.a carta vir.» fc^ìn,» «. 
ber que o infante Don Fernando meu multo prezado e amado 
irmao nos enviou mostrar urna carta do infante Don Henri- 
que meu muito prezado e amado tio, da qual o theor tal é: 

Eu o Infante Don Henrique regedor e governador da or- 
dem da Cavàllaria de nosso senhor Jesus Christo, duque de 
Vìzeu, e Senhor da Covilhan. — Fa^o saber a quantos està mi- 
nha carta virem que o Senhor Infante Don Fernando (1) 
meu inuito prezado e amado filho me disse que seu desejo era 
com esperan^a do servilo que a Deus com sua gra^a e a el- 



(1) No Livro 3.® dos Mysticos a f . 56 — 56 verso — e 58 verso està 
©ste documento com as segumtes variaijtes=iwfa7iite mm muito jpre^ 
%ado. . . . sem o nome de D. Fernando. 



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rei meu senhor intendia poder fazer, e a si mesmo protei to^ 
de mandar povoar algtimas ilhas; e que a miin prouvesse da» 
Bainhas que tenho, que ora estao por povoar Ih^. dar alguma* 
d'ellas. E esguardando eu quanta com grande rasào' sou.theu* 
do a todo o que em mira seja e bem possa fazer-lhe cumprir 
fteu bom piazer e bonesto requerimento, por bem, bonra^ e 
acrescehtameuto seu, e de seus^ filhos, meus muitp amados ne- 
tos: de meu motu proprio^ lìvre vontade, eeyta seiencia, po- 
der absoliito^ ILic fa^o livro, pura, irrevogavel doa<;§Lo entro 
vivos valedoira deste dia para todo sempre, e aos ditos fìlb<^| 
netos, e a todolos. outros seus desceudentes que naturalmente 
por linha ladina direita màseulina por gra^a de Deus d'elle 
descenderem, de duas das ditas minhas ilhas; convem a sabev 
da ilha de Jesus Christo, e da ilba Graciosa^ com todas suas 
rendas e perteh9a8 e com todolos outros direitos e jurisdi^ao del^ 
las, eivel e crime, méroj mixto^ imperio, assim e tao comprida- 
mente corno as eu tenlK) epossuo, resalvando para mim comò 
administrador e governador qi^ie assim sou da dita Ordem, e 
mestres ou.governadores que depois de mim d'ella fofem, a 
espèritualidade d'ambàs as ditas ilhàs, por a.qual a.dit^k Or- 
dem por sempre bavera de todo oque Deus em as ditagi ilbas 
der de vinte, ùm, que é a razao (1) de meio dìzim.Q;,e eu e a 
dita ordem e mestres e governadores que d'ella forem ^men- 
te termos (2) cargo poet .em cada uma das dita» ilhas vigario^ 
que cadaum (3) tenba por mim e a dita Ordem cargo de as 
reg^^e (4) administrar no espiritual: os quaes yigarios pero 
dito meu filho e seus descèndentei^ sérào. presentadotì a.as di- 
tas vigararias e confirmados em, ellas por mim e aquelleg; quQ 
depois de mim forem governadores ou mestres da dita Ordem 
com (5) babito d'ella que receberao^ aos quaes .yigarioa por 
mim e a dita Ordem sera ordeoado, por .aquello. que a espir 
ritualidade de vin^e^ um, assim for dado, cousa'em ,que se 
mantenba (6) E outro meio dizimo que fica assim a respeito 

(1). . .que é a respeito de meio, . . (2). . .semente ter^rms Qargo. . . 
(3). . .cada uma tenha. . . (4). . .reger e ministrar. . . (5). . .com o h^ 
bita, , . (6).\ .mantenham. .^ ' , . . 



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12 AftOHlVO DOS AgOH£S 

de vinte, um, me praz que haja o dito meu filho, e seus des- 
cendentes, para si e supportamento d'alguns clerigos que Ihe 
prouver e estar (1) nas ditas ilhas alem dos ditos (2) dois 
vigarios. E porem me praz e por a presente Ihe dou logar que 
por si ou (3) quem Ihe prouver possa tornar e haver para si 
a posse (4) corporal possÌ9ào das ditas duas ilhas de Jesus 
Christo, e da Graciosa, havendo-as, e possuindo, (5) fazendo 
d'ellas e em ellas corno Ihe mais prouver e por seu serviQO e 
proveito intender, corno de sua cousa propria sem outro ne- 
nhum embargo que Ihe sobre elio seja posto, porquantò èu 
Ihe fafo assim d^ellas doa^ao o mais firmemente que ser pos-* 
sa, (6) resalvando assim para mini e à dita Ordem a espiri* 
tualidade d'eUas; e demitto de mim a posse e senhorio que 
até ora das ditas duas ilhas tive, e de direito devia ter e ha* 
▼er, e a ponho em o dito meu filho, e seus descendentes e 
herdeiros* E quero e me praz que por bem d'està doa(jao que 
4i8sim Ihe fa^o haja todo o mais firmemente que ser possa; e 
pe^o por merce a ekei meu senhor que assim Ihas queira con- 
firmar com quaes quer liberdades, e fianquezas que por bem 
tiver. E por certidao d'esto n[iandei dar està minha carta ao 
dito meu filho assignada por mim, e assellada do sello das 
minhas armas. Feita em a minha Villa de Villar do Infante 
22 dias d'Agosto. Joao de Moraes a fez, anno do nascimento 
de nosso senhor Jesus Christo de 1460 annos. — 

Pedindo-nos por merce que Ihe confiimassemos a dita car* 
ta e houvessemos por bem que elle houvesse as ditas Ilhas 
com todalas gra^as, privilegios, franquezas, (7) liberdades, 
que as o dito Infante Don Henrique possuia, e nós Ihas ti- 
tihamos outorgadas; do que a nós muito praz. E queremoa 
que o dito infante me^ irmSo haja as ditas ilhas, assim e tao 
comprìdamente corno as havia o dito infante Don Henrique, 
e por nós Ihe (8) eram outorgadas. — E por firmeza e segu- 



gi). . .estarem. . . (2). . .ctos dois vigarios, • . (3). . .por si ou por 
quem, . . (4). • -a posse e corporal. . . (5) . . .possuindo e fazendo. . . 
(6), . .que ser pode'y resalvàndo. . • (7). . .franquezas e liberdades. . • 
(8). . .e por nós eram outorgadas. . • - 



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ÀECHIVO DOS JL^ORES 13 

ran<;a d'esfo, Ihe mandamos dar està, assignada por nossa 
maò, e assellada com o nosso sello. — Dada em a nossa cidade 
de Lisl)oa 2 dias de Septembro. Jorge Machado a fez, anno 
do nascimento de nosso senhor Jesus Christo de 1460 annos. 
Livro 2.^ dos Misticosf. 155 verso — 156 — Diz-se que 
este documento tdmhem està na chancellaina de D. Affonso V\ 
Livro l.V- 118— ^ 

O Infante Don Henrìque adoptou por filho, seu sobrinho e afilhado 
infante Don Fernando, por AlvarA feito e assignado por elle em ^t- 
tt&ùxm aos 7 de Mar^ de 1436, instituindo-o por seu uniyersikl her« 
deiro de bens moveis e de raiz, excepto a ter$a da alma — 

No mesmo dia, e no iQosmo legar, eirei Dom Daarte por seu alya^- 
rà de sua mSo feito e assignado confirma o alvarà antecedente que 
perfilhaya seu filho o infante Don Fernando — 

Em Lisboa a 23 dias de novembre de mil quatro centos cincoonta 
e um, eonfirma Don Affonso Y os dous alvaràs antecedentes. Faz a 
confirmasSo Jorge Machado — 

Livro 2.^ dos Mysticos f. 1556—156 vèrso e 183.— Z. 1.^ àk 
D. Affonso Vy /• 118 ver^o,— e L. 12 do mesmo D. Affonso F, /. 12. 

(Nota do sr. José de Torres). 

D. Àfibnso V fez doagSo A Ordem Militar de .Christo das ierras do 
Ultramar adquiridas é por adquirir para todo o sempre por carta 
passada em Lisboa aos 7 dias de Junho de 1454. 

O originai desta carta està no cartorio da casa de Braganga corno 
diz D. Antonio Gaetano de Scusa no tomo l.^pag. 555 das Pro vas da 
Historia Genealogica da Casa Beai Portugueza^ onde se acba impressa^ 



As Bulas do Papa Nicolào V e Calixto III que confirmaram « 
doa9So de D. AiflEbnso V & Ordem de Christo de toda a jurisdij^p es- 
piritual nas ierras descvbertas e por descubrir no uUramar, acham-a© 
igualmente impressas no tomo 1.^ das Provas de Historia Genealogica 
a paginas 446. 

A Buia de Calixto III é datada de 3 dos idus de Marjo do anno 
da Encama9ao do Senhor de 1455, e reproduz por extenso a anterior 
de Nicolào V. 

Xisto IV confirmou o mesmo dominio espiritual da Ordem de Chris- 
to em todas as possessSes ultramarinas na Buia datada de 21- de Ju« 
nho de 1481. N'esta Buia se acham especificadas as Ukas dos Aqo^ 
res e das Flores, 

{Provas da JSistQria Geìieahgica, Tomo l.* paginas 456). 

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14 Aìtcmvo DOS ÀgòRÉà 

CARTA ÓE D. AFFÒNSÓ V, 

De 3 de Dezembro de 1460 pel» qaal Tez doac^io ao forante D. Fer* 
Dando, das iihas de S* Jor^e, de Jesus Ghristo, Graciosa, S. Ili- 
gnel e Santa Maria, das ilhas da iiladeira o Torto Santo e ou- 
Iras— 

Don Affonso, eie. A quantos està carta virem fazemos sar 
"ber que considerando nós as muìtas virtudes do infante D. 
Fernando meit muito prezado e amàdo iru^ao, e aos singula- 
res servÌ90S que com milita lealdade nòs sompi^ fez, e ao dìan- 
te esperamos d'elle receber; e de si esguardando ao grande 
amor e singular afifeÌ9ào que a elle temos e às razoes que nps 
movem a o muito amar e Ihe fazermos muitas merces, e o 
a<5rescentarmos segundo requer.a.grandeza do seu estado,. e 
nos obriga o grande divìdo que com elle tèmos; da nossa li- 
vre vontade, certa sciencia, póder absoluto, sem nol-o elle pe- 
dir, nem outrem por elle, temos por bem e fazemos-lhe merce 
das illms s. (1) da ilha de Madeira — e da illia do Porto Santo — - 
e da ilha Deserta — e da ilha de San-Luiz — -. e da ilha de San 
Diniz — e da ilha de San-Jorge — e da illm de San-Thomaz — 
e da ilha de Santa-Iria — -e da ilha de Jesus Christo — e da 
ilha Graciosa — e da ilha deSan-Miguel — e da ilha de San- 
ta Maria— Q^ da ilha de San-Jacob — e de Filippé- — e da 
ilha de las Mayas — e da ilha de San-Christovao — e da ilha 
Lana — com todalàs rendas, direitos e juri^dìijoes que a nós 
ora em ellas pertence e de direito devemos de haver, assìm 
comò as de nós hj^yia o infante D. Henrique meu tio que 
Deus haja^2) E qneremos que o dito infante meu irmao em sua 
vida, e depois delle, um seu fillio maior varao hajam as ditas 
iìhas s. a da Madeira — e a do PortorSanto — e a Dezerta — 9 
de San-Luiz — e de San-Diniz — e a de San-Jorge — e a de San- 
Thomaz — e a de Santa-Iria^— 6 a de Jesus Christo — e a dà 

(1) s* qtier dizer — a saber. 

(2) Por està carta se ve qiiè o Infante D. Henrique raorrèo ent 
14Q0 Q nào em 1463 corno disseram muitos historiadoros. 



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ÀUCHiVo DOS xgoùM 15 

Graciosa — e a de San-Migud—e a de Sanìa- Maria — é a de 
San-Jacob — e Filippe — e de las Mayas — e de San-Ohristovao^ 
— e a Lana — em suas vidas corno dito é^^ssim e tao coìnpii- 
damente corno as nós podemos dar, a as tinha e havia o dito 
infante meu tio que Deus haja, com todos seus difeitos e- juris^ 
di^oes, e assim corno Ihe eram outorgadas por nossas doacjSes, 
as quaes nos praz serem por nósenossos successores oumpridaa 
e guardadas ao dito infante meu iraiao, eao dito seu filho, de 
pois d'elle, corno dito é; E promettemos por nossafé real, e 
mandamos a todos nossos herdeiros e successores que depoi« 
de nós quando a Deus aprouver, vierem a ser reis destcs x^ei- 
nos, que deixem haver livremente as ditas ilhas ao dito infan- 
te meu multo prezado e amado irmao em sua vida, e depois 
delle ao dito seu filho corno por nós em està carta Ihe sào ^u*- 
torgadas, sem Ihe poerem em elio duvida alguma, porque às- 
sim é nossa mei'cé, òem embargo de quaes quer leis, grosas, 
opiniSes de doutores, e outras nossas ordena95es, que digam 
que as taes cousas devem ser sempre da corea de nossos rei- 
nos e nao dadas algumas pessoas, as quaes todas poa* està car- 
ta havemos por annuladas eoaQas e de nenhum yalon E que- 
remos que està se cumpra e guarde corno em ella é contheu- 
do. Dada em a nossa cidade de Evora 3 dias do mez de de- 
«embro. Jorge Machado a fez anno do nascimento de nesso 
Senhor Jesus Christo de 1460 — 

(Livro 3.® dos Mysticos f. 58 verso). 

CARTA DE D. AFFONSO V, 

De 13 de Jalbo de 1474 pela qnal eonOrma o cargo de capitiio dona- 
tario da lilla de Santa Maria, Feito por D. Beatriz comò talora 
de sen GIbo, a Joao Soares de Sonsa, em carta de 12 de Haio 
do dito anno- 
Don Affonso etc. A quantos està carta vireni fazemos «a- 

ber que por Joao Soares cavalleiro da Casa do duque de Vi- 



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IB ABCmvO DOS ACORES 

seu meu muito amado e prezado sobiinho nos hi mostrada 
4ima carta siguada por a infanta D. Beatriz minha muito ama* 
^ e prezada irman pela qual fazia saber que ella em nome do 
^ìto «eu filho e corno sua tutor e curador que d'elle «ra ella 
^ava canego ao dito Joao Soaies da ilha de Santa Maria, que 
«elle fosse capitào della; e isto assim e pela^uisa que o era em 
^ sua ilha da Madeira Joao Gon^alves, ila qual caita o theor 
4 este ^ue se adiant« 8egue.=te 

Eu a Infanta D. Beatriz, tutor e curador do senhor Du- 
^ue meu filho, etc. FaQo saber a quanto» està minha vi- 
rem e o conhecimento -d'elio pertencer qua eu dou cargo a 
JToao Soares, cavalleiro de sua casa, nà ilha de Santa Ma- 
ina, que elle seja capitao em ella assim e pela guisa que 
o é em a sua ilha da Madeii^ Joao Oon9alyes; e que elle 
a mantenha pelo dito senhor em justi^ e em direito, e mor- 
^*endo elle, 4\, mim praz que seu filho primeiro cu segundo te^ 
«ha. este car^o p^la guisa suso dita, e assim de descendente 
^m descendente por linha direita; e sendo em tal ed ade o di- 
to seti filho que a nao possa reger que o dito senhor ou seus 
hei'deiros poei^ fai quem ^ reja ató que elle seja em tal eda- 
de para a. reger. E me praz que elles tenham em està sobre- 
dita terra a jurisdi<;So por o dito senhor meu fllho do civel e 
<5rime, resalvando morte ou talh^mento de membro, que por 
^ippella^ao venha ao dito senhor. Porem sem embargo da dita 
jurisdÌ9ao me praz, que os mandados todosdo dito senhor e 
ijorrei^ao, sejam hi compridos a-ssim corno em coisa sua pro- 
pria. Outro si me praz que o dito Joao Soares haja para si 
todos OS moinhos^ue houver em està ilha de que llie assim 
dou cargo, e q«e ninguem nao fa^a hi moinho senSo elle ou 
<juem a elle aprouver, e em isto se nao intenda mó de bra90, 
que a fa§a quem quizer, nao moendo outrem nella, e nao fa- 
•^am hi atafona. Item me praz que todolos fornos de pao em 
-que Jiouver poya sejam seos; e porem nSo èmbargue quem 
Quizer fazer fornalha pai^a seu pào que a faija, e nao para ou- 
ttro nem nenhupf! — Item me praz que tendo elle sai para ven- 
der que o nao possa hi vender outrem; dando elle a razSo de 
«neio real de prata o alqneire, e mais nao; e quando o nSo ti- 



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AftcpLYp DOS Agomss 17 

Yw que o'y«ndam ob 4i^ ilha.é i9ua|yoii|a4i9fiQ^ !^^Q elle te- 
nha. Otiti-Q m mft(pmz^,que dertodfffP q)9§fÌK)uv<^-v de «renda na 
dita ìllia o dUq f^QbQir,.qj^e.eU^,l)iyÈ&:d$ .^.umi^e que o ditp, 
a^uhor.,had^.baveL\4^m a dita., ilhf^,^ oo^tJuHxd? »o -fq^al qjuer 
pam ella mandai £^er^ E.ppr ej|t^ mesmf^, guisa me praz que^ 
luyil està repda seur.fi]hp ou .^iil^pase^ déscei^dpiite de linh^ 
direita que o dito cargo tiyeir^ Ideili ix^e pr^z,que;je]jie,:pos8a, 
dar por suas caj^tas a:fer;ra.^ata.ill^a:fói\rf^,pdLQ.^^^^^ da d^tjEi/ 
ìl^a a, queuv }be {^x^my^, com ta^ «cqBdiijaQ qu.e aquelle a quQ. 
der,,a dita terra aaproyeite.até, cinca.aDuos, e nao i^ aprpvei- 
tando qqe9.pos8adas'ia.<)ut^*ein, e Seppia q;ie ap^oTeitada for 
8« a leixar por aproveitar até outrofs *ciiico ai^Bos qiae isso ii^ies*- 
mp a posila dar a putrem. £ isto nSp ^ixiJt^ai^gue ao dito senhor 
que se faouver. terra p9!^a apri^veitar que nao seJ9 dada que a 
possa dia^-' a qnefa si^^ moroe^fpr. < E.s^ss^n^; nos pra^if quei a^. de 
seu fillio, ou heixLeirosjOt^^sqexidpiil^ j^^^^ di^o, pargo ti-f 
verem* £ mais me praz que os viàinlios possam vender suas 
herdades aproveitadas a quexnJUe4)rouver. £ se se quizerem 
ir de urna illia para outra que se vSo sem Ihe poerem nenhum 
embargo. £ se^zfrMiiiileiiaip BÌigv[^ihpm^jsf fm cada uma 
das ditas ilhas que mereQa de ser aQoutado, e fugìr para ou- 
tra illm-Fq^iejf/^a ii^j^^g^f^ o^^^ pmaj^|ifip!. ^.requeridci 
for :p piidér, wr;pi?pz9 ;p^j;^,^J^j^eFjdg^^ 
reitò. Óutro si me praz que os mora^^^^Sj^a diiÀ 
veitem dos gados bravos que em ella andarem segundb Ihes 
prdenarÀ p ditp JpSo S^a^nqs eps que. 4^po^ii^ ell«/pqr p dito 
nenlior espor. p?u^ );ipr4^V9>*;<^r Wff^ tiv.W^J. resalvUindo os giv- 
dos que;andare9i);nas4Ìhas p^ ^n; putrp99 lpgai)es c^aclos que 
p dito se^b9lio hi Jianc^; J^ i^p.ine^mp me pfaz'que os! ga^ps 
max][^pj^, p^ifi as^mrepc)^ pn^^fP«u-|e;. cppjo c^ trwen-, 

do-os ; poi; m5o que, pa^i ^am; dam»0| ^^ sOj o. fiz/^i:en). que p^^-j 
gwm seu dono.r--)P^il^ iBqa a cijja^e de Év.ora a. 12 dws à^ 
u>aio^,Alvfirp £anes/v.^ez,ran^ (^p^n^s^p. aei^lipr ^esius/Obris*. 

tpdel.47^n' :r:;- ! ;.:^1JI :ì |/oni;v:-<-MV|ii:' > r.v). :; t 

^ , PedijDwioTrfpa p ditp.JpaorjSpai^^kqveJUe^jCjpnfo 
asBiaxepor.aipQBejj^'a^quareni.eUa^ 

elicer jB p.edir,re,pQr Ihe.c^ <jllc*fazermo^ g^a^ii.c merce, coiu 
Voi. I^N.^ 1—1878. ' ■ Por^&T^ 

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oùtòri^ t t^éé^iiièk^^' ^ò prtnisipé iiiett 'éobre/todoii liittitO 

dita' aàrià tósitti è tSó iké&ató«tote -éttnib ée éiil tèlla éontemi 
E^rém 'iilàiidMòé'àtbdalos ìMk)f ii^éèédór^i jnìttìé'e 
jifèti^ìis, offifeìa^^^péàso^ à-qtiè ó;(MÌnhécìfcefttó'd%srfb pét^^^^ 
tteiiceàr, é'eStà éiilid fbr tóbèttàdtoqtté Iha ci!ictiprath e ^£u^déM 
è fa9à^l ^ùtìpftr'è-guaMàt^ cèmò sé étù «Ila éòùtein islem duf 
viHa ùèiii étìbat^cfué i^^ potìham porcjtré às^* 

sim é'nbsjsa'iiierèe. E étìi tèstimiaih'a duèllo Ite tiiandairios dar 
éi»tà caii;cl adsijgfiada por TidsV eaBdelteda de nóàso'Belìò pén*' 
dente: Bada éiii hMìIÌA de Sftnttóèm à i» dito de Jiilho. Pero^ 
dePàJvaafe^. Atìhódéll4T4" - 

(Litro dds Mmf.'l. Na Ì\)rrè de Tambù. E3ta ìódr^ 
ta vè^ efn i^ctoò^d— -SÀu0Ài)fes *à Tèèra, Uvra Ut capii). 
£111; e Ootdem^^ Hìstokia iNstìLA^rA^ pr^eifa edic^^ pag'-i 
^it, tendo 'àtlùté de tmép^ ^ 



f'' .:.:,: o;;v i 



De Ì2« de Me iK t^7Ìpt «)iM ^«MrÉtfl ìifét^a ÌTèflA per D. Bea- 

Bòin Affòfisb |K>r gWi^à de IMfà rèi de Pwttigal e dbs 
Algàtvfes, d'Aquefm é dè'^y.lem^iÉhài* ém AfficaV ètc. Fazemòs 
^bèr qtie'Rùy<Sk>n<jafves da Càtóara, càvfQImfÒ'da Casa do* 
dtiqué de ViiB^eù; ttieuintìitb àinlaì^^ jh-itì3tó>v^ prézado sóbriiiho^ 
ni6s diisse tòmo Ihé jtòlr^a fòtìirte 'I>(^^ e 

t«tbr, m riómè^àèir,: èra fòita/dttk^Scf dà capiCaliìia dà flha de 
Siin-Miè^,pàA;s^c'nìpftl, pHijà eHe é^^S fitóccèssói^eis q^^ 
pòfe d'éHèA^eitJifaj'éoìta ftnWjtó ciH^Ì è crime e com cei^ 

tos direitcs na ditadoa9So contheudos; Pedindo-nos poir inet- 
6é qtìé por qùjintó XicMà de tioàSòs tótios, 

qiie Ibé qTiizedséùiò» tìòtìfirmar a dita idpàtjao 'coirio tféUa é 
coùlbeado; e que se por dia Infante ser tutor/a dita^doàijao 

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nSòì ivaliay ^tnzpsBémofi suppirir <bdo d^ito iqfm eiitt élla ein, 
por quftlquer guka que foBS6:4-^ nósTendò e coniftdemiidb o' 
f^ue 1108 i^ssmi; disia e pedia, e pelea feiHài^oi^ (|Uid delle tenlioa' 
rjepebidos o eiJperamoB ao diante i^oeber^ e quei^end^ie ftaer^ 
gm^ e merpé^ cpnL eoBseiitimeiiÉD do prìncipe m^u ifilho^ te-' 
mdNS por; i»«»i appravamoa^ e oonfirmamoa a d|t» doai^ftt^ eo^ 
mo em dila 4 conthendo^ e posto que ella aeja feita pc^li dita^ 
Infante tutor do dito eea fiOio^^àiiilSis j^ass q\ie TaUia «otiid aé' 
por ifliie festa fosse sendo de edade eompiiiAa*^' B porem miàn* 
damoB a todolos juizea é ya^t^ffSLsà^ ndBaos feiuw^ e «enli^rioé^ 
que a gmardem e cumi^and como^ con ella é eont^udo. E que-' 
remos qoe nòssas.cartids^ recadoa^ e mamdado» ae^Hqapram e 
guàrdem na dita ilha^ assim em tempo do dito Buy Qon^al-* 
ve», fìomxi de seuàaiM;ceé6ca*ee) por a supevioridade.que déidi^^ 
reito temoN^na dita ilfaà« Bada em Santarelli a i^iiite dlad dd' 
mez de maio. Joào André a fez, anno do nascimento de aoseo* 
aiBuholp Jc$àa Ghriato de 1474--;^ i ^ ^ * •. 

.: ,\ \'/ ■•^■-., .-'..»'...', .• '■ • ' • .^^ '.•'•■'\, .^\ :- 

Està carta foi coniirmada por D< JqSo JI poit /^tra fej^pjirJSerm. 
nSo de Hespanha na villa d'Aorantes, aos 2 dias do mez d'Agosto de 
1483>.e ambae ^^firma<jlas por 9;Uti*a de. >I)^.Haii<ateVfeita por Jffrge 
Aftbinjo 4pi Évora aos 6 de. Maio de ì49'if'-TTo^a8 iia Torre de ^ùv^^' 
bò Livido 'das lìhas f. 52, ' 

CARTA RE D. AFFOÌfSO V, 

^e 20 de Maio de I47i regiiliHiA» « sicclo de Hiy Goncalvets da 
Canari la «ajiUaiiki da ilJia de & lìguel— i 

Bem ■A^nso', etc. (1) A quantos està nossa carta vi- 
rem fazemos saber que nós confirmamos ora a Ruy Gon<;aI- 
ves da Camaia cavalleiro da casa do Duque de Yizeu meu 



(1) Este mesmo documento esti no Livro das Ilhas A f. 26 aonde 
&3.Q estam as palavras-r-^ quantos està nos$a carta tirem. 

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30 MKmivo DOS AgoBw 

molto (1) amado e presado fiobrmhp, a doac^ que Ihe da ilha 
de Sam Miguel foi feita pela infanta D. Beatrìz^ emnome 
delle eoiliQ' sua tutor; E por quanto poderà eer que (2) iio sen 
£^H^cimtotp elle nao terd filho legìtimo a que a dita ilha baja- 
do ficar^ipor (3) fazermos mercé por oa servi^os que delle re- 
^ cebemofi^ è eq[^ramo8 ao idiante receber, com consentimento 
do prìncipe mieu filho; temo» por bem e nos praz^ qué nao t^i-^ 
do elle aoijiidmpo derapi (4) £alledniento filno legitimo què a 
dita, ilha (5) : hija de herdar ^ ^ que qualquer eeu filho naturai 
que elle nomear ém aeu testamento, a dita ilha aquelle a bajay 
e depOis delle seua desteendentes por linha direita segimdo a 
ordeuan^a das outras terras da coroa do reinò. E porque està 
é noasa vontadelhe maudamos dar està nossa carta assigna- 
dji p0r nósy e. assellada do nosso sello pendente. Dada em 
S4afcat'em'a:2Q;(6) de Maio. Joaò Ahdr^ a fez, (7) de mi! qua- 
tto cgntòs detentore, quatro. ' . ;. 
(Livro das Ilhas^ f. 11 versò. Veja^setaTnbwi £;'24 
de D. Joào llf. 62 verso e 63.— i. 21 de D. Joào Illf. 76. 
'^L:S7:4e'D.Manoetlf.lb:)" ' 

••'Està carta fot òònórraada poj^'^outra de D. JoSo II feita por Fqr- 
nSò de àospàùna' om'Abrantòs àos 2 dias do xnez d^Àgosto de l4Bé. 



(1) Livro das Ilhas a f. 26 traz prezado e amado. 

(2) « / «* A/£' ^ traz lao tempo dejeu fallecimento. 

(3) « ' « a f . 26 traz por Ihé fazermos. 

(4) « ,« a f . 26 traz^^n^amento. ... , . j » ., 
(5y «» ' - ; « a f . 26 traz dei)a herdarr -' '*'■ 

(6) « €^: à%2Q'ii^3,z 20 diaa dò vàen'éi^'^^ 

(7) € € a f. 26 traz anno de 74. 

^ :, . ... {^otq9d0$r»Jo$éde^Torfei}. 



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ABCraVO DOS ACORI» 21 

CAR!M DE D. JOÀO III/ 

DoatS* dfts ilbas das Flwes « Génr» e NI Milranrio pir 
D. Joio HI e D. Itiael a nms pessaas— 

Dom JoSo etc. A quantos està minha mrta virem £^o 
saber qué pìor p^rte de Gon^^lo de Sousa^ fidalgO:deminbA 
caza fiUK> de Fero d'Affonstca me foi apresentado «ma minha 
carta passada pda diaticellariada qual o theor de verbo a 
v^bo é o seguinte: (1) 

: Dom Joao por. gra^a de Deus rei de Portngal e dos Àl-^ 
garres, d'aq^em e d'alem mar em Àfrica^ senlior de G-uiné, e 
da conquista, navega^So e commercio da Elhiopia, Arabia, 
Persia^ e da India. — A quantos està miùha carta virem fa<;o 
saber que pw parte de Pero < d'Affonseca, fidalgo da minba 
casa, escrivao da minha (2), fazenda filho mais velho de JoSo 
d'Affonseca que Deus perdoe^ me foi apresentada uma carta 
deirei meu senhor é padre que santa gloria haja, de que o 
theor tal é: ' 

Dom Manoel por gra^a de Deus rei de Portagal e dos Al^ 
garves, d'aquem e d^dem liiar em Africa, sénhor de Gniné, e 
da ccmquista navegafSo e commercio da Ethiopia, Arabia, 
Persia e da India. A quantos està no^sa carta virem faze- 
.mos sabér^que por parte de JoSo d'Affonseca, escrifvfio de 
nòssà faz^ida e chancellarìa nos foi apresentado o ttaslada 
em pubGca fonna de urna carta deirei D. Afforco tneirtio'que^ 
Deus haja, eassim um assignado de Buy Teilesdo nesso 
conselho, de que o theor de todo tal é: (3) 

Dom Affohso por gra^a de Deus rei de Portugal e dos Al* 
garves, d'aquem e d'alem mar em Africa. A qtiantos «sta nos- 
sa carta virem fazemos saber que esguardando nós corno Fer- 
nSo Telles do nosso Conselho, e governador da casa da prìn* 



(1) D'aqni em diante esti tambem na chanceUaria de D. Joao III 
Livro 14 f. 147 CQm as variantes sèguintes : - - 

(2). . ,da minha chanceUaria^ , . . (3) i . .de que o traslado taV^ 

e • » m 



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£S2 ABCHPrO DOS A9OBB0 

ceza minha multo preeàda.e.tÉuàda fflhài^òd tem feitos mm-- 
t08 e assignados 8ervi<;os e a nossos reino», e de corno seu de- 
8ejo;etfvafEiMl4^ l^ìi sfmpr^ e,é oàsd mi fiaseriùàtHà aeralo co- 
mo no8 feito lem trobAlhandi)^ 4i9iópt)^ déno^'aetiirir grande- 
mente, assim nas partea d'Africa corno em quaesquer cu- 
traa {l)4iimmB emque o enearvegamcni^.é ell^ aentioiqdd era 
Biadai sem^, folgandodelhò a^ai*dòar emftodaliaacousas 
.qm^ pud^nnoàiede o acredcentareNde (2) Ifae.fòìzer wierc&yor 
aQme9o die pagA e remunera^. de 8ei]is9elrvÌ90fif a nó& pras^ 
que indo elle ou mandando seus navioéìOU: bomens nas piùte» 
4<? mar ocisaQo;, òu algùem qiié por seu: mandado a ìséù va, 
ìh^ fazern^» (3^ mercé, pura e in*evogavèl doa^ap para todo 
iftempre, ooino- log^o de feito faeeioo») de quaesquer iljuie qoè 
el]^. aohari ou aquelles a que; a«i alle ^ mandar busbar novaineù'- 
te e escolher para ais ha ver (4) de jEtiandar povów, nfio» sendo 
poU. (d) 9A taed ilhas nas psurtes de Guiné; a'qual merce 
Ib^ M9Ìm .'faziemos oom oatorga e prra»menta do principe mea 
8ob^e todps fnuito ainado e pres&ado (6) filho^ com pora: e irre^ 
vogavel doa9ao, entre vivos valedoura com direito hardatoaria 
para elle e todos sena herdeirós que delle déMsenderem e as- 
8Ìm e tSo compridamerite corno reUaa a ivSs pertencerém, e de 
dkeito (7) pertenfiei: de^àm. As quaea.ilbas.lhe aMam damo» 
com ;tQ4Q](09 frmot^s^ ^idreitoft, e tributo» 4ue.em éllaa agora leé 
BÓs pette^oer (^) e em qualquer. outro tempo 9' nós' pode^ 
rìa (9) perteocer, depois que povoadjas. £>ifeni, sem a nós fi^ 
e^ cQ^siìii.algtt^Qii; e corno ae come^ai^eiii de povdar. logolhe 
fasen^oft'mer<>^ de todà a jurbdi^So civel e.orime:^ nierb (10) 
mixto imperio, com todalas pésaoas que ém eU^ inorài'raa & 
pDVoai^n^,;re6er.vando pitt*a nò» «Smenie alidada de' m^Dirté ou 
talbameato de membro no& feitos crimés, porquanto quere-^ 



(1). • .em quaesquer cousas» . • (2). . .acrescentar e Ihe* • . (3). . .Ihe 
fazemos merce. . . (4). . .escolher para as eUe de mandar povoan . • 
(&)• • 4n&o (fendo jpwem oé- tciee ittaè^ « < (G)> • it^re^tefSàs mùito pre- 
$ado e amado. . . (J). . .e de direito a fuk devam... • (8). • «tf nésper- 
ten^e e em. . . . (9). . .à nós poderiam perteneer. . , , (10), . .mevo e 
fnixto • • • 



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mo9i e aos .press i^pe em^tod^rO. «l-wan qW^I <M)rm0 oiiiaiie die 
iiaja todo sem 9up^oii|diidiq alg^ih^ J^ .p^l^s (l)!homeoft te- 
r^m maia raffio de; asirem^ pqYOfir a QÓilipr4^ 4|ae todolCM qw 
forem yÌ6Ì|^o»:e mpradprea^oi aifiditaa* }lhaa;li#ja|in todplos 
priyilegioS) libie]?dfidea efra^^f^M q^e ppr n^flNoa aateoesr 
iBorea sao à»àQ^^ oonc^didps e oulorgadoa ao^t viaii^s 'e\ mo^ 
nidorQB 4i^ i)bà da Mf^deirai q9a.ora é daDtnqfié de .Yiseu 
in^q.inìÈikaainfi^c^ e:pi?e2ado;(2) sobciphp^ das <|ttae8 querer 
mos rque goàem. q« visinhos ek;tiK)rad9re8^ em ellae^, faaemdp 
Qfsrtp deus privìlegioa da cUtailha da Minora por póbti^a esr 
erìptura. £ por eata presentf»; dsmo$ Ueeo^» e logar ao dito 
Fei-nSoì Tì^Uea a queiawQi: fiuKemoe mefcb-di^» ditagilhaa e. a 
seua herdeiros que pb$w dw forai ^ao&^qtt^B ella» fereia ibot 
rar e aproveitar o qual forai que^ elle.oa o^^dites (3) semi 
berdeiros aseim der^ queremo0 que m^ firme e ya^Mt eoino 
se por. 908 Ihe (4).£3tr dada eoutorgado e por elle ae^ 
r|U) (5) obrig^doB todoK os juiaee e: juati^as et.f^BGiaes e pea-* 
aoae a fìts^rem (^) cpnatlraDger oa rooradorea e poyoadpre^ 
dellaa oomo oe coaatKaqg^iam (7) pov leia e ord^^^S^ poai 
aas, quo por aaaiin ter noaaa autorìdade, nSo menoa.vi* 
gor (8) antoridade deve ter e haver^e qixeremoa q^e tenha 
corno se por iióif.fóra(di)feito.: E^prem mandapioa apanoa- 
aoa juizea, jnati^aa, .offie]4^a e peaapaa de qunlquer . offlcioi ctu 
dignidade quhe^ja (10)/que naaditaajilhaaie direitOB (ll)del< 
h&y em qusdqupr «^mpp que (12) ae. aproveil«reiii) ii*o «e in- 
troo^ettain de eK^^at^ar^m tl'aito algitta (IrS) qjae p dito Fer^ 
nSp Teltea oii:se]adJiei*dp)rpav e ntoradoret^e viaiollicia daa di-, 
tadiilhaa £zerem por api^i prov^ibo^rponquenpó^.lnevcé e vtìtin 
tade 4,lÌTrei)a/^M^.ellea>/)e api^veitai'tti) de todo o qiie della» 



(1) . . .E por OS hornens. . . (2) . . . mutto presado 4 amado. . • 
(3). . .eUe ou setis herdeiros. . . (4). . .por nós fosse dado. . . -(6). ..a- 
pordk sejam obn^ig^s^^^ («)> . ,« fie^soitìt à/faztr.. . (7). ..t&mo 
OS conktrangeram j5>or, • . (8). ...v^ « wetoridack.' • (©)• . -jpar. rOs 
fosss feito, . ;, . ( 10) * * ; dignidade fue sejam ' que^ nw dttas. . • . 
(U). • .ilò(is e desertos dellas.,..: (12;. ...^iMÌ^r tempo se ùproveita- 
remi . . (13). . Arato algum. em o dito. . . ^ 

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24 iaiOHn^ -dob A^ó&Ed^ 

e em ellas hoaverem, eni qiiaecKitier partes què por bem tìrev 
rem com ellès. E por esto^ln-èéente Ihe damos antorìdade que 
por si OH por quétn Ibe aprouvér pòssa dellas filhar posse coiv 
poral, real; e àctual cada qiie elle qaizer e por bem tiver sem 
Ihe Acerca della (1) ser posto embargo oU torva^So alguma 
por (2) pennella que sèja, pórquanto- d'agora para sempre tì- 
ramos e deiHitdmoi^ de nós todo séiihoi-ió adsiin de direito 
corno ufil où proveitoso qtie nella (8) ao pi^sente tempii, cu pò- 
derif&mos ao depms'^tiÉft', e t^do pomosetrespassamose muda- 
mos DO <Kto FérlìSo Telles e setis Mccessores, corno em i^ima 
dito e deélarado tetnon^ E éticOmmendainos e mandamosa to^ 
dolos nossos (4) herdeiros e sncòessores qitte.depoisde ndd vie* 
rem qne inteiratuente e seni contendifiÉ'leixem ao dito FernSò 
Telles e seus snccessores hàverj e ter^ e possuir as ditas ilhaa 
que elle assim achar, oti aquelles porqm as elle mandar bus* 
car, sem contradi^So Hlguma e aqueltes qùe assim isfo compri-* 
rem inteiraniente (6) bs^am a ben^So de Deus e a no8sa,=Ott* 
tre sìm nos pra» e i^uerehios que >o dito'Femao Telles tenha e 
faaja, e assim seus succéssores/as ilhas qùe cbamam das Flo- 
res , (6) que pouco ha que achàra (T) Diogù de Teive , e 
Jo5o de Teive seu filho, e elle ditoTemRo Telles ora bouve 
por ura centrato que fez ceto o dito Jòfto de Teive filho do 
dito Diego de Teive que as ditas ilhas achou e tinha, e isto 
niaquella foiina e't^m aquellas G0ndii;5és e tnaiieira que aff 
elle houve do dito JoSo de Teive, e que ficaram" por morte 
do dito seu pae è no dito contrato é conthe«do/e mais com 
todoloà outròs privilegios; gra9a8, liberdades, jurisdi^ao, do- 
minio, è senhcrrio, mero; mixtb imperio e algada com que Ihe^ 
nós damos estas que assim de novo bade buscar, (8) segun- 
do nesta nossa doa<;ao acima é declarado e contheudo. Dada 
emanossa villa de £stremoza28 dias do mez de Janeiro, Pera 



(1) « « . ZAe àcerca dello -. ser^ • . (2) . * *por festoa gue 9pja. . . 
(3). . .que nellas ao presente. . • (4). . .a todolos nossos sobre herdei^ 
ras , . . (5) . . . qtie tissim isto comprirem hajam a . . . {6) ... e» iVias 
ime se chamam as foreirasy , . , (7) . . . que acharam Hiogo ; . • 
;8). • .novo hade buscar e segundó nesta. • • 



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iBcaiya vòs aqobes 25 

Bentes a fes^ anno de Nossò Senhor Jesus Ghrìsto de 
1475 (1). E en Pero d'^Alca^ova cavaleiro da casa do dito 
senltór, e eÀcrìvSo de sua fazenda, quo està fiz escrcver e 
aqui ftubscreri. 

i«»Senfaor. Sfinba mae qtie Deus^ hi^a tin&a vendidas aa 
flhab que'se chaniam das Flores eom sea ìlheu a JoSo d'Àffon- 
seca, na 4^àl Yeiida èu c(Hisenti. E por alguns iettradpa me 
dizerém agora qtie està ilha perténee a mim s&j e pei*tencen-^ 
do a mtm que térà nella dii*eito meu filbo FemSo Télles, e 
por quanto eu bey està Tenda por boa e proveitosa para mira 
e para èlle beijareì as niSos a V, S. por elle ser toénor de 
edade dar logar a isso, no qùe rèceberei merce. Feìto (^) em 
Lisboa ali dias d'agosto de 505. 

sss^Pedindo'^nos o dito Jo5o d^Affonseca por merce, que 
por quanto elle tinha compradas as ditas ilhas das Flores a^ 
I>. Maria de Vilfaenà e Ruy Telles, e assim a seus herdeiros 
della. Ibé coiifirmassemos, coiicedessemos e ontorgassemos, a 
elle e a seus descendentes a dita carta de doa<;&o feita ao di- 
to FemSk) Telles pdo dito senhor rei D. Affonso e a (3) tres- 
passassemos n'elles, e (4) assim e pela guisa e maneira que 
se nella contém. E visto por nós seu requerimento e que- 
rendo-lhe fazèr g^racja e merce, de nosso moto proprio, certa 
sciencia (5) podeif real e (6) absoluto teanos por bem e Ihe 
cònfirmamos, concedemos e outorgamos a dita carta, e a tres* 
passamos nelle e em seùs berdéiros, e Ihe fazemos de todo doa- 
<;So e merce para sempre, vista a venda que das ditas ilha» 
Mie fòi feita, e o consentimento do dito Ruy Teltes, que em 
séu home e de seu filho Fernao Telles por sepmenor de eda- 
de a issò deu; e isto aìssim e pela guisa, e clàusulas, condii 
^des, eidèclara^Ses ém a dita carta contheudas, e supprimos 
nisso qnalqucf defeito ou solemnidade que de facto (7) ou 
de direfto em ella podesse intèrvir, sem embargo de quae$ 



(1). • ,de 1474, (2). . .Escripto em . Lisboa, . . (3). . * Affonso e 
trespassassemos . . . (4). . .nellès, nèsim pela guisa, . . (5). . .de nosso 
moto proprio y e poder. . . (6). . ,real absoluto temos, . • (7). . .gue de 



feito ou de diretto. 



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^6 AEcmya Dos aj^obì:^ 

qpier leasy degjtetQs (l)'cms ,,oja wnonÌQQB,.ou @^ or^ejia^Sw 
gj'oss^s, opiniqe^ de d.outor?iflf,. csLj^Jt>nlf>^ .,d^ qp^-ttq^,.^ qji^ejGK 
quer. putras cousas que eip^poii^tfajua disto by I^j^ .(>u.;pi^sa . 
liaver, porque todo hàlvemos por annuUado e de n^jpJwni^jyjij'T 
gor.eior^a^ e qicsremQs e j»andwP3.qu6 est» <^j:|;fii.ein todo 
e poi: <f9de se. cumpra e gu^xà^ixi^tfi^^ JpSq . 

d'Affopsecaf ea.si^us.BpcQfssQfea Qop^QineJ^ 9Qm 

Ihe.nisfip sex jfOBiaL dix^dà^ n^^ 

é nQ3sa|meim E em testi^wijip;^^ ppr.fiirméswVf^® .tado lUe 
iiifindàfppa dar està parta .ppr;QÓ$ jiasign^dis^ ^Ji^f^ada-.de 
riosso. sello peii^^te, JDada/eii. j^isbógj.a^^ W^V^Q*-^ 

Gssijg^r l^-oiz a fezvAnn»<>^ JèsiA»,jQ|^^^^ 

1^04 Wnos, •'-«;' . ■, ,.K^,' ,;;/r r ^. . • ; . 

, . Pedindo-w>? o (3) dito Pe|-o d/ÀffoinseQj^ . :ftiie , ppr,< jquanta 
, elle era o fillio maÌ9. yelho 49: ^^ J'^9; d'A^^^epa^ jc. 4si. elle? 
\inlia a dita iiha das Flpres. e UÌieu, por suoces^ak^,, e ìhe fora 
julgada por seiiteo^ja da mìnha BèlaQàQ da Ci^a jda Supplii 
ca9ao pelo juiz. dps : jijeus feitos e , pelos ,(4;) ojatroa desem- 
bargadores. que por mevv^manda^o. ponbec^ram ^^ f^^ 
i^obre iàso se ti^atàra .entee e|le p.sua may eirpiiap?,, Ihaconr 
firmasse corno se nella coritmha. É visto por jpgdm seu reque- 
pimento e a sent^n^fi que.mp.apresentpupcprque aditarilha e 
ilheu lì^9 foraiiifi j.uìgado^ e por . Ibe fazer gi*a^. e mercé :t;enha 
pòi\)b^iu e.rpe praz de Iheconfiruiar a dita. c?^rta, 4^ do 
corno de feito por està confirmp e b^i^ppy cpnfirnp^a assipi e 
pela maneira, t^ com to|dal£^8..cm:|i3ub\3,.;e pflSJid^ 
^ioes na ditacartj^ C5pntbei;idas;,eqi|^^9j^ 
taeintodo e.ppjr jto^d^ ,»e p^^?apra^'!e, gfiaijd^^ ijp.ditp. Perx3>. 
d'Affp^is^a e. a s^us successpres .conìpj.se^flellajj^S) coi^tem^ 
sem Ihe nisso gprl'po^tp dui»;i(|va pe^) emb^^gp ^Igui^i po^Q^ 
assim é minlià, inercé. EJ eflqt; tejstinjiUi^^o^ e;fi^|flézar.de tftàQ lUe 
juaadei dar., .est^. .é9.i-ta X^) t.ppr wjq[|,,aasigpja4a; e,]aù 
sello pendente. Dada em a minha 



da do meu sello pendente. Dada em a minba cidade de Lis- 

(l)...7ew, direiios cims.J. (2) . . /c^nomcòs , ar^ena^Qes,. • *• 
(3). . , Pedindo-me o dito (4). V.« por òutros^ . . (5). . ,como mila s^ 
cóntem, ... (6)- • -dar està por mim, , . y 



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A»C2HPrO DCM A^ORES 27 

boa a 6 dias do mess d'agosto. Francisco AI^rèB a fez — anno 
de nosso senlior Jesus Christo de 1528 — ^E eu DamiSo Dia» 
a fiz esére ver. (1) 

E por <iuanto o dito Pero d'Affonseca, é fallecidó, e por 
seu fallecimento a dita ilha i ilheu vinha a JoSo de Souza seu 
àlko maié velho, o qual antes de tirar carta de confirma^So 
falleceu logo após o dito seu pae, por onde a dita ilha e ilhea 
ficaram vagos para eu disso poder fazer mercé a quem me 
prouvesse; havendo eu respeito ao mui assignado servilo quo 
Manoel de Sousa fidalgo de minha casa, estando ^capitao na 
cidade de Dio fez na morte delrd de Cambaia segundo se 
largamente contem em outra carta porque fiz doa^So e merce 
ao dito Gonzalo de Scasa de juro e herdade da ilha de Santo 
AntÌLo por ser sobrinko do dito Manoel de Souza filho de sua 
ìrman I>. Violante mulher do dito Pero d'Affonseca e elle Ma* 
noel de Sousa nSo ter filho nem filha, nem irmaos, nem ou- 
tros alguns parentes a que seus servi^os se pudessem galar- 
doar senSo ao dito Gonzalo de Sousa; havendo tambem res- 
peito aos servÌ90s que o dito Pero d'Affonseca me tem feitos 
na guerra d'Afnca e em outras partes me praz e bei por bem 
de novamente fazer doa<;ào e merce de meu proprio moto, 
certa sciencia, poder real e absoluto ao dito Gonzalo de Sou- 
za para elle e todos os que delle descenderem por linha direi- 
ta masculina segundo forma da lei mental da dita ilha das 
Flores^ e jlheu, com todalas rendas, foros, ti*ibutos, privile- 
gios, e iiberdades, jurisdi^ào mero e mixto unperio assim e na 
maneira em què a tinha o dito Però d'Affonseca pai segundo 
forma da dita carta de que acìma vae^o traslado. Mando a 
todolòs meus eorregedores, juizes, e justi^as, oiBciaes e pes- 
soas, ja quem està cai*ta for mostrada e o conhecim^nto d'ella 
pertencer que mettàm o dito Gonzalo de Sousa em posse da 
dita flha e ilheu .e leixem a elle e a $eus descendentes a que a 
dita ilha e ilheu houver de vir segundo forma desta carta, 
usar da jurisdÌ9ao que se nella contem, e Ihe leixem arreca- 

(1) A té aqui a parte que se a;cha na C3iancéllaria de D. JoSo ni 
Livro 14 f. 147. 



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28 AJRCfflVO DOS AgOBES 

dar,. po93uu\ e logt^Xj e Iiaver as ditiis r^ndas rdcllas corno 
pela dita carta Ihas tenlio concedidas, e,em todo llia cumpram 
e guardem corno se nella contem. Dada em Lisboa aos 12 
dìas de Janeiro, Pero da Costa a fez anno do nascimento de 
nossQ senlior Jesus Cbristo de 1548 — . 

(Torre de Tombo-^ChcmceUariaxle D. Jo!U) III-^Li- 
vrd 70/. 30e3Ì> .',..• 

A doa$So de D. Affonso V a Fernab -Tolloa, dada em Estreraoz 9 
28 de Janeiro de 1475, veni tran§cripta no livro das ilhaà a f . 5 ver- 
so com pequenas inexactidCes. As mais notaveis sSo ter copista, 
quando falla da doa^So da ìha das Flores .corno dtas -À ebaneellaris 
originai de D. Joao.III,- posto— iw foreircts — em ve», da» Flores nil 
data pSr-*-1474 — quando na chancollaria de D. JoSo III om duas pary 
tes, livros 14 e 70, é datada de 1475. O erro està sem contestagSo 
no livro 7 f. 93 de 1>. Àffonso V onde està rcgistada a primeira doa- 
fSo) porque sondo o documento anteriòr de 1475, e o postorror, de 
1476, nao ó de presumir que estivesse int^calado um r^sto de 1474. 
Foi por acaso erro do officiai, e daqui pasaoii pai*a o Livro das ilhas* 
Alem disse as confìrma9ioc3 eram feitas con\,Qs diploinaa originaes i 
vista, e as duas do D. Jb2o III trazera 1475. 

(Notas do sr. José de Torres^. 

V -SENTENgA/ 

Eotre partes^Pcro GoncalY^s e Antilo Hartins Homenit capilSo da 
Praia, nar iiha Terceira, profòrida a 17 de Marco de 1483. 

Eu o Dnqné ctc. facjo saber a vós men ouvidor em a nii- 
nha Ilha Tèrceira de Jesus xpo". ... da dita ilha e a outros 
quaesqtier Juizes e Justigas e officiaes e pessoas a qiiie ò co- 
nlieciihento dejjtò pertencer e està carta de Sentenza for* . . . 
rriostrada; que perante mi se tractou um feito por processo 
ordenado, autre partes à s; (1) Pero Cron9alves naturai do 
Reino de Galliza, morador na cidade d'Ourense, corno autor' 



(1) s. a saber. 

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ÀHCmVO DOS A^OKES^ 29 

diurna; parte, ^ AfttSò Martihs,' capitaoj to^ 

liba. • . . ; parte da: Pjràìàf Còtnò réu èa; outi'a, aprèséhtq.ndo ò 

dito autor contrà a dito rea libèllo . esìcripto ...... èmf comò 

èra verdàdè que Jacome dé'Bniges créado iquefoi dò Infante 
DiHennquè què^^ D.^ àja, fora càzadtj coni Iriez g'onsalves' 
«uarinulhér por'palavras de presènte segundo mandaménto da 
santa Igrfeja de Roma déntro ii^ ciàaile de Oiirensé e viveroni 
ambo» em ca»a mantlietìdos em ySiefàma de tóarido e riiù- 
Ifa^/ È df^pois na'cidade do Pòrto por'espà^b' de vinte annòs* 
cobìendo arùma messa, dcórmìndo eni Urna Caìiia iiòmeandd-se' 
por mimdo e ella por snamulber e jiòr taes eram bavidos e 
oonhe<jud<>3 tóas dìtas ciàades daqiielles qiie o?i/cònbet5Ìam. E 
que vivendo as^ o dito Jacome de Bruges éom a dita Inez 
Q-lz. sua miìlher anibos juntamehtè èomo marìdo còm sua mo- ' 
Ihéi» d'antre elles vieraa nasder elle dito Pero Gori^alves, autor, 
o qual elles criatam e mandaram crìaif poi* seù filbo lidimo é' 
dB ligttimo: màtiimòui^ e por tafFo lioméàvào e 'cbarnàvao e 
èra cor]fhe<judo detodòà* aquellès/'qitè^^'f. i'I ; e^(jue sendb as- 
siìn vivo o dito Jaeóme de Bruges seù pàé,'b'dltò Suor. IfFàii- 
te dom àtiriqué llie 'fezera mèi-èb da capitdMà 9a dita Uba tèr- 
c^ira da; dita parte-dàPróìa para elltì e'para seùs dèscenden- 
tes, por èn-éita ^e'r^am, asmni pela gùtisaqué'jtinbasid^ó féifà 
merce a Joham G-lz; Zat-co e aTristam seus cavalléiro's e ca- 
pitaes da tìha da madeJra. ^E qué assim ò dito Sìtior. Iffante^ 
deu a ditailhà ào dito Jàcome* de'Brugeà^sèu: pàe, elle a ^co- 
mé^ara-logd de povòrar e aproveitar e elle cfotho capitSo della 
avia OS diréitós e rèiidas què a' elle pértencia segdndò òrde-* 
natica dò dito Shor; liffànté e assf a lógròu e possuio:em quan- 
to foi vìvb^e corno èapitàin llié obedeòlàtri ós inóradòròs da 
dita *I!ba àa dita sua capitania da Praia. E què o dito Jaco- 
me de Bmjges seù pde se finàra dà vlda deste inùridò podia 
aver cito annósi poùcò mais ou menos stBiiitésttàdb por bùjò fai-* 
leciìnentoeUe àùtoi' comd'sèu fi^fao lidimo é:bérdeìro quelie 
varam pertfefieìa a dita ca-pitahia, qùal aóbàvaém ppssè^o dito 
reu e se ènvékt&aÉ'dé possè.d'elfa setìanenhaniiStuld ném llie 
pertéticer jpkj^t* dirdfò è Iha ocupava' éèin^ Ite qùèl-er leixar 
corno a quem de*dìmtàmehtcf'p\^rfencr^'^tìeàiudx) o ditoiutor* . 

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ZÙ àSLomro Dos AgoRss 

contra o dito reu^ por bem, do que dito tmha declarasse elle 
ser filho lidlmo do dito Jacome de Bruges e por seu fallecir 
mento Ihe pertenoer a dita capitania da Praia assi e pela gui-* 
za que o dito seu p^e avia e possuia^ e por minha Sentali;», 
condenasse o dito reu que abrìsse mao e leixasse a dita eapV* 
tania a elle autoi* a quem direitamente pertenda e o coi^de^ 
nas»e nas custas, a qual libello foi julgado que procedia e 
mandado ao dito reu que o contestasse, pelo qual foi con^te^ta^ 
do dizeildo que elle ouvira dizer que o dito Jacome de Bruges 
fora capitam em a dita parte da Praia e por seu fallecimento 
por nom aver filho lidimo varam que a dita capitania ouvesso 
herdar, a Iffanta minha Sen/ fizera d'ella merce a JoSo Yas^ 
Corte Real fidalgo de minha casa, sendo Alvaro Martins pàe 
delle reu de pòsse da capitania d^Angra por espa^o de annos 
e tempos e que estando assi em a dita pòsse comò herdeiro, ; 
por o dito Jacome de Bruges o dito Alvaro Martins seu pàe 
delle reu, requerera a a dita Iffanta minha ^/ que se parr> 
tissem as ditaa capitanìas^para levar tanto um comò outrp, e 
que a dita Senhora por escuzar debates antre elles mandara 
que se partisse e mandàra ao dito Joào Yaz que escolh^se 
corno herdeiro do dito Jacome de Bruges, e elle escolhera a 
parte d'Andra que p pie d'dle reu tinha povorado aviado^e 
ànno^j e que feita assi a dita partilha o dito seu pàe ficàrae^i 
posse da dita capitania da Praia que fora do dito Jacome da 
Bruges, da qual capitania foi logo mettidp de pòsse por car- 
ta da dita mmha Sen/ e a lograra em sua vida e por seu fai*, 
lecimento, elle corno seu filho legitimo maior que era a viera: 
a herdar. • • ^* * e estava della de posse pelo titulo e maneira 
que dito tinha. A qual contesta^ao Ihe &i recebidae manda-' 
do assi o autor corno reu que cada um fizesse certo docpn-* 
theudo em seus artigos sobre os quaes foram tiradas inqt^iri^ 
95es e dadas certas escrìpturas em ajuda de sua prova e fo- 
ram acabadas e abertas e puviicadas e ouveram vista d'c^llas 
èm tanto que o feito foi concluso, o qual visto por mi mandei 
ao dito autor qqe, • .... a calta de doagam que, f^ra feita pe^ 
lo dito IfFante don anrìque ap dito Jacome de Bruges d'aqueU 
la parte; . . . « . ^e bem assim as confirma^oeg dei-Rei meu 

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AflCftlVo riòSA^ORèS ài 



Snò/i e "dòia iftàùtés^peiliùe aùt: : J 



n •:.:.•'• n^]?; 



t,,.%-.- • U:na-\^ /if^ .n^Tf f/fto.qrue-.ipsp.wiewiQ ijilw^ .s^itisfe» e.S6 
rafisocftt ;tanto.^d^mii.>.;;4'. i^^v. ; ^ ; ; 4 w . .o atie tildo visto* por 
mim com os do mcu,deseinbftrga^ Actìrdei qne visto, . ,,. . . 
, . :. ;•. VV.l . '.--\ . .fitPSs'feé a^^^^^ doa^aò pe- 

lo d^iiio J^ftJ^?^ § ieofl^fiii^Sfjs,, , , . ,^.f •.^tisfazer a.cousa {lign- 
ina, posto o que Ihe para elio fdsseiQ j^^D^d/^^P^iiitos tQi:.^ 
mosv.. Xj^'ì oontva ellér pdd^ditQ autor pedidos ^ se fòsse ein 
pa2 e fòasé sètó cust^« iks«a o que se pelo<iitó feito\ mostra- 
ra, e porera vp^ in^p4o que ^assi Iiuns e outrps cùmpraes Sem 
outro n^ufei^pa ^oibwgQ^ I)s^ a Rlfi^ Villa dé.Ì|^ufa.a; 
4^s^e^^Ì!d ^a^d^iiw fjez. Auno 

do tiastiimiento de nòsso-Snor. 'Jesqs Xpo; de mirequatr<> 
centtoà'oitemta é:%es J[l ' 

• ..•7:1 ■«.,-.-,•-> V.--- ••;■•, 9 P«"a»e. ....... , 

Porqne mandaèsi4i^>l^A^^^ an^'^f^Q^x^^ da ilha 

«èitsèìrsl 'ptìtr- é^^toltttò €0 ^qté -éòritrà .* ;- v Vpo*^Jéfste^ff altero pedi- 
dò e sèiv^'-ètn^ j^feii'fiStó'^èom tìlo^^ s^^^ 

de^dar>Pfaia':cÌa^Vicéfìi/aj ^mterprM^óio :eioopiad(\ pvio$r^Ih\^ 
JoQjo Teixeira Soùreè] éàiìha 4éS.^ ^ (^n àusciliò Upè^.' 

1^ èo7t',}fQrrm - ;. i r> li,;. ^■.\.\ . 

'ir, "i.'ì i;r)8 o'" ■■': ì:>.i'":> ':ìì ohir: : '> •. - '• ':• •' ••; 'j • ;; •., '■;'..: 
. .■ / r-'-j j •.! j ",.i •: .yrnrmi^-'- ' :;r r^I :/ • ' i ' y.r • ' :•. ' '• . • 

A sentenQa acimae assignada por D. Diogo, Duque'de vizéu; de- 
cimo mestre quo foi da Ordem de Christo, e corno tal Ihe pertencia a 
jui70dk^Io tempora^ e espi^itual dsis iUias dos A9ore8. Era filKp'5o in- 
f&trte'D/-Fói^ntìnaàf a qùèmó ih'fHVrtei DÌ ttenric^ué ^erfiltoù'é itdópiotu 
D. Diogo foi assassinado por D. Joao II a^ 23 d» Maio de 1464. 



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32 ABCmVO DOS USQIXBS 

Este mesmò confirmou a donatario da JE^raia a AniSo Martin9 {lOr. 
Carta de 26 de Màrjo de 14S3, (1) 

Da sentenza, adma podem dèrduiJNse €onsGqnbtrci)BÌ8 itiiik>Hatìtes 
tsomo aSo — a incelata epoeha da morte de Jaeome- de Bruges — sobre 
que lem kavido opioiSes muita jeneontcadasj . e bom-asàm a epooba' 
itambem incolta da fiinda^Se d'Àngra/ « , • i . ;.: 

Pero Gengalves dsz: que «e» poie Jcecmne de Bruges iinha morride 
jpodia ccoer aito annos pauco mais ou menoe. r ; 

Antìio Martins diz^: jftie uu pae Alvàtó MotHins iinha ^méto d 
parie d-Angta uvìa dote anf^s, • ^ . 

Falta conhecer a. epoeha em qae eltes affirmaram w, factos acima 
drtos que podmam ser allegados em eeus. Vazoado8 muito tempo ante» 
da data da sentenza. 

Di-se porem urna circumstaneia e coincidencià favoravel k roso- 
htfSlo do problema, Alvaro Martins morreu eto 1482 e fedendo a de- 
manda proposta centra sèu £lho AntSo Martins claraiiiénte se dedus 
que foi intentada poiico iempo antes da data* da sentenza lunitaodo-dò 
a sua duragao a um anno aproximadaraénte.; Deduéii^do poid de 1,483 
data da scnten9a os oito annos allegados por Pero Gfon9aIves acha-se 
'que a morte de Jacome de Bruges teve lógar por 1475* 

Deduzindo igualmente de 1483, os doze annos, de que falla AntSo 
Martins aoba-se qutAngra foi povòadapar 147 ì. ' . : f^: ; "^ 

Sendo està *mat^*if indifferente para o resultado do.l^tigiQ ^^"^Cfi^ 
merecer toda a fé os dizeres das partes refferizvio-se a sei^a^paes e a 
factos tao récentés; .- ., ... 

O padre Manuel Luiz Maldonado diz que o desappareciraentò''do 
Jacome de Bruges teve legar por 1466, e apezaf da exactidSo'com 
que'^escreveu, por nSo ter visto, ou nSo ter podido ler o documentò^ 
otraz transcripto, antecipou nove aifios aquelle facto,. 

ISm relagao ao auctor Pero Qon9alves foi a sua existencia comple- 
tamente descohhecida por .todos os historiadorés terceirenses, que aliaz 
tomaram nota da descendencia dò Jacome de Bruges e trataram de 
seu filho Qabriel de Bruges, easado na tlha do^ Fayal sepci gera>^. 
{So. 

Se alem disse se notar a insistencia eom que Pero Gongalvee pre- 
tendeu provar a sua legitimidade e o estado de càsado de seu pae Ja- 
come de Bruges com sua mae Ignez Gon9alves, a falta de prova do 
que allegou, póde concluir-se que, ou era totalmente infundada a sua 
allBga93o, oupelom^nos ilìigitimp o seu nascimento* 



•) 



(1) Impressa a paginas 503 do Tomo primeiro dos Ànnaes ,dA iUift 
Terceira, por F. F. Drumond. ' .1 



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ARCHIVO DOS A90RE«' S$ 

fSe se considerar genuina e authentica a carta do doagSo feita pelo» 
infante D. Henrique om 12 àe Maryo de 145© (,1) pela qtfal foi con- 
eedida ao dito Jaconre de Bruges a successSlo de sua filha na capita- 
nia, por nSo ter filho varSo, com oerteza se chegarà & oonelus&o ex- 
posta no paragrapho anterior. Ha porem quemr duvide d^a* authentici*- 
dade d'està doaySo: 1.** por estabelecer urna ex-cep9au unica e 
destesada à ler mental de 8^ d'Alxril de 1434, quo estabeleceu- a pevcr- 
BRO d coroa sempre que caducasse a linha varonil, lei que o infante D.> 
Henrique ulto podia deixar de respeitar popquaato niella se determina' 
que so por gra9a espeeial do rei passa a femea succeder; 2.° por nSo 
se achar a dita carta registada nas chancellarias^ ainda hoje existen- 
tes na Torre^ de Tombo; 3?* porque e registo d'aquella. carta feito no 
livro do tombo da Villa da IVaia eni> data muito posteriop, fbi. à vista 
nSo do originai, mas d'urna copia particular apresentada pelos interes- 
sados e acompanhada d'urna justifica9Slo em que se allega vay> e se dea 
por provado, que o originai tinha sido queimado por pessSa de casa de 
mn dos donatarios d^ Praia, descendente d'Alvaro Martins Homem. 

Deve, porém, kesiiar-se em' ehegar a està extrema conclusSio at- 
tendendo ao que se encontra nos preambulos das cartas^ da doa99o' 
— a Alvaro Martins e a JoSla Vaz Corte Real, das- duas capitanias da- 
iiha Tercefra,. (2) onde se diz^— ^«r morrido Jacome de Bruges, ter fi^ 
eado devoluta a capilama, e ncto ter Jicadò filho varào legitimo, — as- 
Ber95es de I>. Bèatriz tal'vez fiHias mais d'urna vaga tradÌ92LO do qua 
de documento autlientieo paesado pelo infante D. Honrique n'outra* 
epocha e n'outro logar. , 

Acreditando o que allegoa Pera Gongalves, Jacome do Bruges se- 
ria creado^ do Infante D, Henrique, e teria vivido em Ourense, e de^- 
pois 20 arnios na cidade do Porlo antes de vir para a Terceira, e bem^ 
assim que unicamente Ihe fora dada a parte da Praia e nSo toda a ilhai 
Tercoira, corno geraknente se a^redita- 

(1) Imipressa na Historia Insidana do padre Antonio^ Cordoiro, pa- 
ginas 243 da primeira edic9ao» 

(2) A carta do doa9ao a Alvaro Martins, foi dada a 17 de Feve»- 
reiro de 1474, e a de Joào Vaz Corte Real a 2 d^Abril do mesmo an- 
ao — ambas em\nome de D. Bèatriz, mSe e tutora do duque D. Dio^ 
go; estao impressas no tomo primeiro dos Aùnaes da Ilha Terceira, ar 
paginas 490 e 493. 



Voi I-N.^ 1—18781 ^ S , 

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84 ARCHIVO DOS AgOBES 



CARTA DE D. MANUEL, 

De S de Maio de 1497 conGrfflando o centrato de casamento de Mo 
Rodrignes da Camara Cibo de Bny Goncalves da Gamara, com D. 
Ignez, Dama da Inrante D. Beatrìz-^feito a 26 de Jnlho de 1483 — 

Dom Manuel, etc. A quantos està no«sa carta virem faze- 
mos saber^ que por jparte de Ruy Goncalves da Camara, Ca- 
pitao da ilha de San Miguel, nos foram apresentados uns apon- 
tamentos em forma de contrato feitós e outórgados per a In- 
fante minha inulto araada e prezada madre dos quaes o théor 
é este que se ao diante segue. 

Estes sSo OS apontamentos, condiQoes, e coiisas, què fo- 
rum apontadas e concertadas e assentadas pola Infante nossa 
senhora com Euy Gon<jalves da Camara fidalgo da casa do 
duque nosào senhór, e capitao por elle da sua ilha de San-Mi- 
guel, sobre o casamento que a dita Senhora espella ora de fa- 
zer prazendo a Deus, segundp està fallado e tratado entre 
Joao Rodrigues da Camara, filho delle dito capitSo, e D. Ig- 
nez^ donzella da dita senhora. 

Primeiramente foi concertado per a dita senhora fazendo- 
se o dito casamento entre os sobreditos que ella promettia 
comò de feito se obrigou, de dar em dote de casamento A dita 
D. Ignez, sua donzella, duas mil coroas, a rasao de cento e 
vinte a coroa segundo se sohem de pagar em estes reinos, das 
quaes prometteu de Ihe dar logo padrao ségundo ordenan9a 
de sua fazenda, porqùe haja de ver sua ten9a ou pagamento 
deste Janeiro que vem da era de 84 em diante. 

E tambem disse. que Ihe dava e desembargaria seus cor- 
regimentos segundo sua ordenan^a, e segundo ella costuma 
de OS dar a semelhantes mulh^res. 

Item dito Ruy Goncalves disse logo à dita Senhora, que 
elle compràra a capitania da iìha de Sam-Miguel com condì- 
9ao que nao havendo filho ou filha lidimos que elle pudesse 
nomear ao tempo de seu fallecimento o seu successor e her- 
deiro à dita capitania um seu filho bastardo qual elle quizes- 



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AECmVO DOS igoRKi S5 

«e segando era contheudo em oaita que sua senhoria Ihe dé- 
ra e autorgara em liome e corno tutor do dito senhor Duque 
BQU fillio. E que porem por o dito casamento se fazer, e acer- 
tar logo desd'agora iiomeava, e havia por nomeado pai*a o 
tempo de seu fallecimento na successao e heran^a da dita ca* 
pitania a elle dito JóKo Rodrigues, seu fillio bastardo, nao ha- 
vendo elle onti'o filho ou filha lidimòs, e que por està nova- 
980 que assim fazia ao dito JoSo Roiz havia por excluidos to- 
dolos outros seus filhòsbastardos, e promettia de nunca no- 
mear nenhum delles para haver de impedir nem contradizer 
està nomea^So, que ora assim fazia ao dito Joao Roiz e pedia 
por merce a elles ditos senhores que desd'agora houvessem 
lego por outorgada e oonfirmada a dita successSo nelle dito 
Joao Roiz, com està condÌ9ao que nao fa^a prejuizo aos filhos 
lidimos se ao diante Deus Ihos quizesse dar, porque em tal 
caso Ihes nao queria, nem erasuatengao de Ihes tirar seu di- 
reito. 

Item disse mais o dito Ruy Gon^alves, capitao, que sen- 
do caso que elle ao diante haja, ou possa haver alguns filhos 
lidimos per que a successao da dita capitania possa ser impe- 
dida, e de feito por sua morte nao venha a elle dito Joao 
Roiz, em tal caso a elle dito capitao praz que o dito Joao 
Roiz, seu filho haja por contentamento e satisfa^ao da dita 
capitania oitocentos mil reìs brancós da moeda ora corrente, 
que é outro tanto pre^o quanto por ella deu a Joao Soares, 
de que a houve comprada, por os quaes cito centos mil reis 
elle obrigava todos seus bens moveis e de raiz, havidos, e por 
haver, e Ih^ praz que por elles haja cumprimento de pago, e 
nao abastando seiis bens para o que dito é, dice que Ihe apra- 
zia e Qutorgava que todo o que assim fallecesse. houvesse e 
pudesse haver por às rendas dà dita capitania, em tal caso fir 
cariam a seu filho ou filhas lidimos. E este comprimente de 
pago se entenderà de Ihe ser feita per as ditas rendas, tanto 
que o dito seu filho lidimo for em posse da dita capitania e 
d'outra guisa nao, às quaes rendas Ihe seriam entam entre- 
gues no pre<jo que raiaoadamente valer e dellas nao sera desa-- 
poderado ató primeiramente ser pago de todo comprimento 

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36 AECmVO DOS AgORES . 

da dita somma pedindo por merce aos dilos senhorés qne ero- 
torgasse e confirmasse assim por mais seguran9a do dito Joaa 
Boiz. 

E outro sim dice mais o 4ita capitao que seoAù caso que 
ao tempo do seu Éallecimento ficassem alguns seus filhos li- 
dimos que a dita capitania hpuvessem de succeder se a esse 
tempo OS ditos seus filhos lidimos.fossem entao pequena eda- 
de que fosse necessario 4 dita capitania ser encarregada ou- 
tra pessoa por alguin tempo, que a elle dito capitao aprazia 
que em tal caso a tivesse e a regesse e governasse e houvesse 
as rendas e prós della o dito Joao Roiz seu filho prazendo 
d'isso ao dito senhor; e que porem ILe pede por merce que 
des'agora Iho outorgue assim,e confiiine e haja por bem de a 
elle ter assim até a ser em. edade aquelle seu filho lidimo que 
a houver de succeder corno dito é. 

E disse mais o dito Ruy GonQalves, capìtSo, que por 
quanto poderia' ser caso que esse seu filho cu filha lidimo, que 
por sua morte holivesse de succeder & dita capitania poderia 
fallecer da vida deste mundo ante de haver filho que a dita 
capitania succedesse, que neste caso pedia por merce aos di- 
tos senhorés que a outorgassem e confirmassem a dita capita- 
nia ao dito Joao Roiz a Uie vir assim por morte do dito filho 
ou filha lidimo, e que nao^casse herdeiro, 

Item disse o dito Ruy Gon(jalves capitao que nao haven- 
do elle filho nem filha lidimos que hajam de herdar a dita ca- 
pitania, sendo caso que o dito Joao Roiz morresse primeiro 
que elle dito seu pae, e delle dito Joao Roiz ficasse àlgum fi- 
lho lidimo, posto que elle dito Ruy Gon^alves capitao podes- 
se nomear algum outro filho bastardo segundo a condi^ào j4 
dita que elle des'agora para entao dà seu prazimento que ha- 
ja de succeder e herdar o dito seu neto a dita capitania que 
em tal tempo ficasse, e pede por merce aos ditos senhorés que 
o queiram e confinnem assim. 

E mais disse ìogo o dito Ruy Gon^alves, capitao, que to- 
das estas coisas que assim outorgava para successao da dita 
capitania haver de vir ao dito Joao Roiz, e depois delle a seu 
filho, que por seu resguardo elle declara logo, que sendo caso 



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AUCHIVO DOS ÀpoRfiS 37 

<|Ue dito Joào Eok faHecesse^ ^ isso mesmo o filho que del- 
le ficasse, fallecendo ambos em Vida delle dito Ruy Gron9al- 
ve», capitao^ que elle em tal caso possa nomear outro seii fi- 
lho bastai'do para sùcoessSo da dita capitanine segando a for- 
ma da merce que IHe é feita, e Ihe nao fa^a prejuiso o que as- 
sim tem feito para usar da mercei e todo o que é contheudo 
nas cartas da sua oapitania» 

Item disse mais o dito Ruy Gomjalves, capitao, por quian- 
to està capitania ou pagamento della segundo é jà apontado 
nao Ila de vir ao dito Joao Roix seu filho senao por seu falle- 
cimento^ que a elle capitao aprazia e promettia e seg^rava de 
dar em cad^ um anno quarenta mil reis branoosj desta moeda 
ora coiTente a elle dito Joao Roiz seu filho e à dita D. Ignez 
sua mulher para ajuda e supportamento dos encargos do dito 
casamento e supprimento de suas despezas o qual pagamento 
dos ditofi quai-enta mil reìs Ihos farà e se obriga de fazer em 
cada um^anno juntamente ou em duas pagas déntro em cada 
um dos ditos annos, e por a dita paga Ihe sei: mais certa Ihe . 
obrigava todos seus bens e rendas delles e em especial as ren- 
das da sua quinta que tem no Funchal para que haja de ha- 
ver pagamento inteiro dos ditos quarenta mil reis em cada 
um anno, e come^arà de os haver este anno que ora vem em 
que cometa a era de 1484. 

E disse que por este outorgava e mandava a qualquer 
ren^eiro ou rendeiros que pelos annos fossem da dita sua 
quinta que pague em cada um anno de sèus arrendamentos 
• OS ditos quarenta mil reis ao dito Jóao Roiz seu filho e have- 
rem delle seus conhecimentos; e que por elles se obrigava de 
Ihe levar em conta todo o que se mostrar que èlle ou seu prò- 
curador recebeu em seu nome. E quando a dita quinta arreu- 
dada nao for asi mesmo se obriga que por si ou seu feitor Ihe 
seja feito todo comprimento.de pago assim em cada um anno 
pelas rendas e novidades della sob pena de Ihe pagar em do- 
bro todo o que se mostrar que em cada um dos annos Ihe fi- 
cou por pagar. 

E disse logo o dito capitao que por sua declara9ao apon- 
tava que vindoa dita capitania a ejle Joao Roiz por via desta 



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38 ABCBIVO DOS AgOREd 

nomea^So que Ihe assim faz, que seus bìens nem Iierdeiros niLo 
fiquem mais . obrigados a Ihe haver de cumprir os ditos oìt<> 
cento^ mil rais porque para a dita successSo > qu pagamento 
da dita somma de dinheiro ha por desobrigados e Uvr^ seus 
bens de todo. o que dito é, 

E outro sim disse o dito capitSo que elle e sua mulher 
eram devedores e obrigados em du^entos e cincoenta mil reie 
por algumas cousas suas que vénder am, e. que porem pro- 
raettia e se obrigava de Ihos mui bem pagar em dous annoa 
primeiros seguintes, alem das outras cousas que ora tinha 
dito que^lhe farla, e que ao diapte com a gra9a de Deus es^ 
perava de fazer, 

Item disse logo o dito J.oad Roiz da Camara filho do dito 
capitao que a elle aprazia comò de feito prouve de prometter 
e outorgar e dar por arrhas e em nome de aiThasAdita D. 
Ignez sua mulher duas mil eorpas de pre90 de cento e vinte 
reis a corea, as quaes Ihe promettia e dava por honra de seu 
linhagem e de sua pessoa, e queria e outorgava que as vences- 
se fallecendo elle primeiro que ella da vida deste mundo 
quer delle fìquem fìlhofi quer nao. 

E disse o dito Joao Roiz que Ihe aprazia è outorgava que 
ella dita D. Ignez sua mulher fosse sempre certa e segura de 
haver por seu fallecimento delle todo seu dote assim do que 
a dita senhora Infante Ihe dà, e todo o que della recebe comò 
o que bade haver por sua lidima que por morte de seu pae e 
sua mae Ihe pertencia à^ haver por direito, e que por maior 
seguranQa de todo o dito casamento, que assim comsigo traz 
e assim das arrhas qi\e Ihe promettidas tem.no caso que as 
haja de vencer elle dito Joao Roiz obrigava todos seus bens 
moveis e de raiz, havidos e por haver, e Ihe aprazia e outor- 
gava, que todo seu dote e arrhas no caso, que as vencesse 
houvesse ella e seus herdeiros por ellès, e que Ihe aprazia 
que em tal caso ella pudesse escolher em todos os bens que 
ficassem, aquelles de que mais contente fosse, e a dita esco- 
Iha ficasse nella e a seu prazer, com tal condiQao que esses 
bens que ella ante quizesse escolher para com ella ficarem 
fossem avaliados por dous ou trez homens bons, e que seja 



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àRtJmVO DOS AgORES 3à 

dado jùratnento e os avaliem e ponliam naquelle precjo quQ 
razoadamento valerem^ no qual pre90 os ella tomarà, e por 
elles Ihe sera assìm feito còmprìmenfo de pago de todo o 
qua dito é. v : 

Outro Ì3Ìm disse mais o dito JoSò Roiz qUe Ihe aprazia e 
outorgava que alem do : dito doteean-has a dita D. Ignez sua 
mulherMio avesse e pudesse haver a metade de todolos bens 
qùe aìmfoos compraBsein,.àcquerissem, e houvessem por qual* 
qiier modo è maxieira depois de ambos serem recebidos por 
palavras de présente de matrimonio entre elles consumado, 

Item disse o dito Joao Roiz da Camara que sendo caso 
qtìe elle fallerà primeiroi que ella> dita D. Igriez sua mulher, 
qu© Ihe apraz, è assim o òutó*ga^p ha jfxor bem que ella haja 
e fique com todas suas joias d'oiro e de prata, càdeas, aneis^ 
firmaés, pedras de valia, e vestidos ^^ì sua pessòa, e com toda 
rotìpa e corregimento'de casa, as quàes cousas todas, e cada 
urna dellàs disse o dito Jòao Roiz que Ihe dava livremente e 
leixava e nao queria que «€^s herdeiros com ella partissem 
nem pudessem partir^ mas que todo livremente ficasse a ella 
dita sua mùlher • alem das ^isas soltfeditas. 

Os qfciàes^ apontaméntos e condi^Qes todos juntamente, e 
cada uma per si forara vistas 4 examinadas por a dita senhora 
Infante, e por o-dito Ruy Gon^alves, capitao, e por o dito 
JoSo Roiz séu fìlhov « sendo a dita senhora concertada com 
ellesy è assim: elles coni sua senhoria o outorgaram e conseri* 
tiram e houveram por firniè e valioso e prometteram de cum- 
prir. assim. èm todo comò aqùié contheudo. E mandou a dita 
senhora coiri :acordo e prazimerito dos sobneditos que se es- 
crevesse todo e se assentasse aqui para sua senhoria, e os so- 
breditos pae*e fiihoo àésignarem, e depois ser mostrado ao 
dito serihori duque e o vèr e outorgar e confirmar em todas 
aquellas. cousas e jpartes que a sua senhoria principalmente 
perten<jesseni> e assim por as outras e todas se fazerem com 
Ben prazer. 

E depois^ d'istó assim assentado por declara9ao d'uma du- 
vida que sobrevéiu disse, a dita senhora infante^ e o dito Joao 
Roiz que posto que em cima em um capitulo aponte que fi- 

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40 ABcmvo DOS AyoRi:s 

<cando filho lidìmo «m edàde qtie nao possa reger que Ihe hajA 
•de ser dado ca«^o e governane da dita ilha e que por elio 
haja de ha ver 4»s rei^as da capi tamia e prós duella, etc. qu« 
hao por l>ein e declaram que em tal caso haja somente o dito 
Joào Roiz «metade da dita reiida, o tempo que a dita capita^ 
nia reger e governar^ e que a outra metade haja o dito filho 
lidimo para sua manten^^a. As quaes cousas foram assim con- 
certadas por a dita ^senhora e .os sobreditos em a villa ^e Es- 
tremoz aos 26 dias do mez de Julho* Alyai-o Mendes o fez, 
^nno do nascimento de uosso senhor Jesus Ofaristo de 1483 
annos. ^ 

E alem desto nos apresèntou mai^ urna confirma^ào dos 
dìtos apontamentos, do duquc D. Diogo meu irmao que Deus 
haja da qual o theor 4 este que se ao diante segue. 

Eu o Duque D. Diogo, regedor e govemador da Ordem 
da cavallarìa do Mestrado de nosso Senhor Jesus Christo, Du- 
^ue de Viseu e de Beja, senhor da Covilhan^ e de Moura, 
« das ilhas da Madeira, e dos A^^ores, e Cabo Verde, Condes- 
tavel em esses reìnos d'elrei meu senhor% Fa^o saber aos que 
està mìnha confirma<jao virem, que a Infante minha senhora 
me mandou mostrai* estes apontamentos ttn forma de centra- 
to^ que sua senhoria fez coni Ruy Gonijalves da Camara, fi- 
dalgo de minha casa, e capitao por mim da minha ilha de 
San-Miguel; e com Joao Roiz da Camara seu filho, fidalgo 
de minha casa, e sobre o casamento que por concerto da dita 
Infante minha senhora e do dito Ruy Gonijalves capitao, foi 
firmado e concertado entre o dito Joào Roiz, e D. Ignez da 
Silveira, donzella da dita senhora:-^e porque a dita senhora 
me requereu que confirmasse o dito centrato e apontamen^ 
tos por ella feitos, por que alguns d'elles que a mim princi- 
palmente pertenciam, assim corno àcerca da capitania e suc- 
cessao della, para haver de vir ao dito Joao Roiz por nomea* 
^ao que Ihe ora faz o dito capitao seu pae; e assim outras al- 
gumas condÌ93es que sao apontadas entre elles: — as quaes to- 
das vistas por mim, e todalas cousas nos ditos apontamentos 
postas e assentadas, a mim apraz por comprir o requerimen^ 
to da dita senhora^ e por favorecer o dito casamento, e fazer 

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AlUmiVO DOS xgoREA 41 

ìteteTcè &8 pnrtes a que o dito cazo pertencem de outorgar e 
oonfiimar e liayer por outorgado e affirmado todalas cousaa 
postaa noa dito» apontamentoa, assim corno por a dita minha 
«enhora « por o& sobreditos 43ao postas e assentadas, e por el« 
le» assignadas; e as oonfirmo ^ approvo e qnero e mando que 
s8e cumpram em todo eomo a dita senhora quer o ha por beni 
4e fazer, porque assim é minha merce. Por segnran^a dos 
«obreditos Ihe dei està. confirma^So por mim assignada e as- 
«ellada do meu sello. Feita em a villa d'Estremoz a 26 dias 
do mez de Julbo Alvaro Mendes a fez, anno do nascimento 
de nosso senhor Jesus Christo de 1483 annoe. 

Pedindo^nos por merce o dito Ruy Gon^alves que Ihe 
confii-massemos e approvassemos todo o em cima- contheudo. 
E visto por Jiós seu requeiimento, querendo^lhe fazer gra^a e 
merce temos por bem e Iha confirmamos e approvamos. E po- 
rem mandamos a todolos nossos corregedores, juizes, e justi- 
9as, officìaes e pessoas a que o conhecimento d'esto pei:ten- 
«er, por qualquer guisa que seja que o cumpram, e guardem, 
e fa^am em todo bem cumprìr e guardar està nossa carta de 
:confìrma9llo e approva9ao, assim e pela guisa que em ella é 
<5ontheudo, e nao vao nem consintam ir centra ella em al- 
luma maneira, por quanto assim é nossa merce. . Dada em a 
cidade d'Evora aos 5 dias do mez de Maio, Jorge Affonso a 
fez, anno do nascimento de nosso senhor Jesus Christo de 
1497 annos. 

(Livro das Uhasf. 52 verso — 55.) 

— )e<— 

CARTA DE D. MANOEL, 

De qnitacSo a Estevao Eannes e AntoDio E9pinola> em 29 de 
Jutilio de \m— 

Dom Mance], etc. A quantos està nossa carta de quita<;ao 
virem, fazemos saber qua nós mandamos ora tornar conta em 
I10SSÌ3, fazenda por Gii Alvares coùtador de nossa casa a Eà- 



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42 ABcmyo Dos AgoRES 

teyao Ei^nn^i^, e^ntottìo Espinola^ rendeiros que foram das 
£L03saQ ilhas de Sam Miguel^ Santa Marìa^ Fayal, Gracìosa, e 
San Jorge, osannos de ;1494, e 1495 que tiveram arrenda- 
das por um conto e trezentos mil reis;. - . . . • dje> que nos as- 
film eraiB obrigados dar conta oom eatrega. . . . . • ellear dei- 
ram raaào e reoado, e jlDostraram conno os tinham despezo^ 
por nos£K)S^; desembargos que n'^Ués . despachamos, que né«- 
nhuma.coqaa nos fioaram dev^adòv . « .:. ; Por taiUo os damos 
por quites e livrea deste dia. para to&o sempre que heiri elles 
nem sèu^.herdeirospossam aerimais citadós nem-demandadòs 
por nenhuns dos ditoa din3ieiros;em contesa xiem fóra d'elles, 
por quanto de todo deitàm> cbnta.com entrega conoro dito é. 
Pada em Lisboa a 29 diasde Juniio-^Gil Alvares a fez, an* 
«IO de noaso senhob Jesus Christo de 1499.» ... . ; 
{Livro das Elias f. 64 versOé) 



AsoraissSes judica^as porv «. ^ « dkiam fe^peito a renda» da Uba 

da Madeira, capitaxùa do Machico. :., . , , ': 

. {Nota do sr. José de Torres.) 

■■■ ■ '■-'. :■■*' ' — >e<— ^ ■ ; • 

CARTA DE D. MANOEL, 

Pela qnal manda tirar os bens a Pedr'ilvares, e Joao Goncahes, e Es- 
tevao rires, e daks a Rny Fernandes d'Alpoim, por irregulari- 
dades praticadas na Ilha de Santa Maria, os dois primeiros corno 
encarregados Ja capitania dà m^snia liba, e o tercelro corno Juiz, 
de 19 de Fevereiro de ISOI— ^ 

Don Manoel, etc. A qùantos està nossa carta virem faze- 
inos saber que a nós disseram ora que um Pedr' Alvares, e 
Joao Gongalves, moradores em a nossa ilha de Santa Maria 
foram encajrregados da capitania della (72a) auzencia de. Joao 
Spares, capi tao, os quaes em tendo ò dito catgo levavam 



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ABCHIVO DOS A90BBS 45 

I 

prestan^as, dadivas^ e servirò» das partes qne perante elles re- 
queriam isua justipa:— jiZice^ d'um Bento Rois à<ÀB moios de tri^ 
go e de Alvaro Mendes 5 moios e 5 òu 6:000 reis, e assim d'ou- 
tras pessoas levavam outras dadivas d« caine, pescado, e ser- 
VÌ90 de suas pessoas em suas herdades: — e bem assim um Es- 
tevam Pires em sendo juÌ2 na dita ilha fizera urna casa nSo 
tendo para isso licenza nossa pela qual razSo se assim é, comò 
a nós disseram, por bem de nossas ordena^Oes, e defezas sobre 
taes casos feitas os sobreditós Pedr'Alvares, e Joao Gon<;aN 
ves incorreram em pena de perderem para nÓB suas faiiondas; 
e dito,E8rt;ev£lo Pires as casas qae assim £ez; e todo com di- 
reito podemos dar a quem nossa merce for. E ora qoérendo 
nós fazer gra^a e merce a Ruy Femandes d'Alpoim nesso es- 
cudeiró temòs por bem e fazemós-lhe das fazendas e casa doil 
sobreditós, ìnèrce quanto com direito Ihas dar podemos. E po^ 
rem màndamos a todolos nossos corregedores^ juizes, e justi- 
9as a que està noesa carta for mostrada e o conhecìmento 
della pertencer que sendo perante elles citados e ouvidos OS 
eobreditos saibam dello certo tirando sobre elio inquiri<;3o ju- 
dicial, e indo pelo feito em diante corno é ordenado, achando 
que assim é comò a nós disseram, ^ que pela dita rasao elles 
perdem para nós suas fiizendas e casa, o julguem assim por 
sua 8enten9a difiiiitiva, dando appella9So e aggravo és partes 
nos casos que o direito outorga, guardando accada um cum- 
pridamente seu direito: e querendo os sobreditós estar pela 
dita sentenza fa^am logo metter em posse de. todo ao dito 
Ruy Fernandes, o qua! tanto que for em pòsse dellas farà de 
todo o que Ihe aprouver^ corno de sua cousa propria, por 
quanto nós Ike fazemos de todo merce na maneira que dito € 
e isto se a jà primeir amente a outremf nàd temos feita^ por 
nossa carta: o qual Ruy Fernandes entregou a Pero da Mot- 
ta recebedor do dinbeiro extràbrdinario em nossa corte 2 mil 
reis que é o dizirào eie 20 inil que disse que todo poderia va»- 
ler, OS qiiaes sobre elle iicam carregadòsem reoeita, segun- 
do vimos por seu conbecim^ntò feito pelo e^crivSo de seu 
cargo: porem sendo caso qne mais valha nSo Ihe sera en- 
tregue até nao mostrar proviislLO d^e nossa fazenfla de corno 

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44 ABCHIYO DOS AgOBEfl 

pagou dizimo do quo msds valer. — Dada em Lisboa a Id* * 
dias de Fevereiro, Yicente Carneiro a fez anno de 1501 an- 

DOS. 

(Livìv das Elias f. 65.) 

' CARTA DE D. MANOEL, 

Pela qoal roiieita villa mu o Berne de S. Sebastiio, a aldeia do Por" 
ta do Judett na Uba Tereeira, en 12 de Fevereiro^de iS02— 

Don Manoéli etc. A quantos est^ nossa carta virem fasse- 
mos $aber que esguajrdando nÓ8 o logar do Porto do Judeu quo 
é situado na nossa iiha Terceira de Jesus Christo, da paiate 
d'Angra^ ser tao azado e conveniente para se nelle fazer urna 
grande povoa9ao com o termo que determinamos de Ihe ficar; 
,€i corno por ser tao longe da dita villa d'Angra nSo poderd 
ser della assim governada e regida em justÌ9a corno a nosso 
8^rvi<;o e bem dos moradores delle cumpre, pelo qual ainda 
leixarà de mais crescer em a povoagao e se ennobrecer tanto 
conjo faria sendo villa e ahi tendo seus oiìiciaes e justÌ9a na 
terra segundo costume das outras villas de nossos reinos e 
senhorios porque haverem de ir por as cousas da Justi^a ca- 
da dia tao longe Ihe seria grande oppressao comò ora é e até 
aqi;i foi, e assim mesmo perdimento de suas fazendas. £ que- 
rendo nó^ a esto prover de maneira que se fa^a comò a servi- 
lo de Deus e nosso^ e bem dos mpradores do Porto do Judeu, 
e assim de todolos outros que em seu termo ficarem perten- 
ce: nós, de nosso mota proprio sem nol-o elles requererem, 
nem outrem em.seus nomes, temos por bem e fazemos do di- 
to logar do Porto do Judeu villa que se chame de San Sebasr 
tìao, a tiramos e desmembi:amos de der do termo da dita vil- 
la d'Angra e de sua jm-isdi^ao comò até ora foi, e Ihe damos 
por termo da parte do levante pela Ribeira secca, assim co- 
rno partem as capitania^ até outra banda do norte, e da parte 
do poente pelo Biscoito das Féteuas linha direita até outra 



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ÀBCmVO DOS A^ORlBd 45 

banda do norie, de tnaneira qne fleja de mar a mar t3o largo 
na parte do norte corno é na parte do 8ul. E havemos por 
bem que d'aquì em diante seja villa e fa9a seus officìaes na 
maneira que os fazem as outras villas semelliantes a ella: e 
mais nSto obede^am & dita villa d'Angra coiyio ^eu termo, por 
que de toda sugei^So que \he por elio tinha os havemos por 
livres e desobrigados. E mandanios o nosso capitSo e offi- 
ciaes da dita ilha Terceira da parte d'Àngra que os hajam 
dello por escuzos e mais os nSo constranjam corno a moràdo* 
res do seu termo, pois o nSo sSo por os fazermos jurisdi^ao 
sobre sì. E queremos e determinamos que d'aqui em diante o 
, dito Porto seja villa de San SebastiSo assim comò o é a dita 
villa d'Angra. E praz-nos que fiquem em todalas visinhan- 
^as comedias, logramenios, e liberdades que até ora tinham 
corno a dita villa d'Angra e logares outros comarcSosj e 
quaesquer outros privilegios que até ora tivessem por ser ter- * 
mo da dita villa porque nisso nSo innovamos cousa aignma, 
somente na jurisdi^ao; e queremos que usem e visinhem comò 
até aqui fizeram assim nas aguas, ervas, e pacigos, (1) lenhas 
e cortar de madeira; corno em todolos outros bons usos e cos- 
tumes, e vÌ8Ìnhan<;as comò dito é. E o capitao da dita villa 
d'Angra terd na dita villa de San SebastiSo que ora novamen- 
te fazemos e assim em seus termos aquella propria jurisdif So 
que o até aqui teve e tem na dita villa d'Angra e seus ter- 
mos, e assim a cadéa e todal-as outras liberdades que até aqui 
teve. E porem mandamos ao dito capitSo, juizes e justi^as da 
dita villa e moradqres della, e a outros quaesquer oflSciaés e 
pessoas a que està nossa carta for mostrada e o conhecimen- 
to della pertencep- que hajam d'aqui em diante o dito Porto 
do Judeu por villa de San Sebastiao, corno dito é, com os ter- 
mos aqui declarados, e Ihe cumpram e guardem e fai^am mui 
inteìramente cumprir e guardar està nossa carta corno nella 
é contheudo, porque nós a fazemos villa e queremos que o 
seja, e se para elio aqui fallecem outras clausulas e solenmi- 



(1) Pastos? ... 

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46 AB0HF70 jyQS A^RE» 

dades de dìmtp^ n^ ^s havemod ft<!j[m: por pQstas e etprèsaa^ 
e dedaradas: e se alguns jdxt**', .(2). ou leis, ou Ordena9oea 
ahi ha ^ue contila josto fallata ^s liayfìinòs doetiroa do qi^e idito 
é por nenhjumas^^Q tiramos toda for^a ^e vi^ory nao hayendo 
contra isso Ipgar corno dito é* E Ihe mandamoà dar està xkon- 
sa carta pqr nós ^assignada e asseUada de' nesso -seJlo -pendere 
te. Dada ein a nossa cidade de Lisboa aoa 12 dias do mea d.^ 
Fevereif o- ,Lopo Mexia a fez ahno do NHscimeato de Nesso 
SénhoriJesusi Christo de 1502. " - r / ' 

CARTA. DE D, MANOEL, 

PeJa qoal fai elevade a villa eo» o nmt & S^ Seba^o, o lofar d« 
Rjbeìra ^e kt\ Jaao, da Uha Térceira, eiB'23 de marco de 
iSQS^flcaado de DeHhp effetto a carta de 42^ de lewreiro de 
ISOi, (|ae liDba elevado^ a villa con or dito flome 4) logar do: Por- 
lo do Jiide».^ — 

Don Manoel, etc. A iquanfcòs està nossa carta virem faze- 
itìos sàbér que esguardando nÓB o logat da Ribeira de frei 
Joao, qiie é situado na nossa ilha: 5ìerceÌ0a de: Jeans Christov 
da parte d'Augra, sér tao azado e conveniènte para se nelle 
fazer nma. grande povoa^So com o tenaao que determihamo^ 
de Iheficar;, assim por ser j4muitó povoado^ corno por ter 
urna muito boa fonte . dentro no dito logar; e assim mesmo a 
egreja do orago^de San Sebàstiao e estar no meio da esbrada 
entre a villa da Praia^ e.dè Angi-a. E corno por ser tao longe 
da dita villa d'Angra nao poderi, >assimr ser della governada e 
regida em justi<ja corno a nos^^o servilo e bem dos moradore» 
delle cumpre;^pelo qual aindalèixa de mais crescer na povoà- 



(2) decretos? direitos? 

{Notas do sr^ José de Torres.) 



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^So, e sé ennobrecer tanto comò farìa sendo* villa, e hi tetidò 
seus officiaes, e juati^as na terra, segiHido eofìtùMe d-cmtt'àa 
villas de nodfios r^inos e «enhorios, porqne haverem de ir ca- 
da dia tao longe pelas^sou^as da justi^a Ihe sèria grande op-^ 
pressao, corno, ora é ató aqui foi, e isso mesmo perdimento de 
siias feusendas: £ querendo nós a isto provar de maileira que 
se fa^a corno a servilo de Dens e nosso bem e dò» moradores 
do dito legar da Ribeira de frei-JoSo, e asgim de todolos ou- 
tros que em seu termo ficarem^ pertence: nós de nossò pro- 
prio motu, sem nol-o elles requererem, nem outrem étti seus 
nomes*' — Temos por bem e fazemos do dito legar da Ribeira 
de frei-Joao villa que se chance de San Sebastiào sem embar- 
go d'antes desta nossa cai^ termos por ou:tra feita, e querer- 
mos que se fizesae no Porto do Judeu, o que entSo fizétìaos 
por nao sermos dello tao inteiramente informado corno ora so- 
mos, nem termos tambem sabido corno agora quanto melhbr ' 
é fazeimos villa o dito legar da Ribeira de frei Joao por nini- 
tos respeitos. qual legar da Ribeira de frei JoSLo queremos 
que sejavilla, e se .chanie de San SebastiSo corno dito é, e a 
tiramos e désmembramos de ser do termo da dita villa d'Anì- 
gra e de sua jurisdÌ9ao tjomo até ora foi. E Ihe damos poi: ter* 
mo da paite de levante pek Ribeira secca, assim corno parte 
as capitanias até outra banda do norte: e da parte do ponen- 
te pelo l^iscoito das Feteiras, linha direita até outra banda do 
Borte de maneira que seja de mar a mar tao largo da parte 
do norte, corno é na parte do sul. E havemós por bem que 
d'aqui a diante seja villa e fa^a seus officiaes na maneira que 
OS fazem as ouiras semelhantes nossas villas semelhantes a el- 
la: e mais nao obede9am à dita villa d'Angra corno seu termo 
porque de toda sogei^ao que Ihe por elio tinha os havemos 
por livres e desembargados. E mandamos ao nosso capitào e 
officiaes da dita ilha Terceira da parte d'Angra, que os hajam 
dello por ejscuzos e mais os nao constranjam corno moradores 
•de seu termo pois ò nao sao. E os fazemos jurisdi^ao sobre 
ei^ e queremos e determinamos que d'aqui em diante p dito 
logar da Ribeii^a de frei Joao seja villa de San Sehastiao e as^ 
sim corno o é a dita Villa d'Angra. E praz-nos que fique em 

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48 ARCBcnro dos a^osxs ♦ 

toda^ks vis^LQhàBQas, eomedra»(l)^e logiramentoB, e liber<rad'é£r 
qua elle ora tinha com a dita villa d'Augiu e logares outro» 
comareao&, e quaesqueir outro» privUegìos q«ue até- CKra tivesse 
por ser termo da dita villa, porque nis&K> nao* inmovamos coli- 
sa algua somente na jurisdì^aok E queveaios que usem e vi- 
siuhem eoiuo até aqui &&eram, e^ssim nas aguas e ervas.e- 
pacigos> e lenhasy e Gortar de madeira corno em todoloe outro»- 
bons US09 e costumes e visinhan^a» corno dito é. £ o eapitao 
da dita villa d'Angra terd na dita villa de San S^bftstiao a 
que ora iK>vamente fazjemos, e as8Ìu> em seus termos* aquella 
propria jmisdiQao que ora até aq«ii teve e tem na dita vili» 
d'Angra e seiis termos, e assim a cadea, e todalas outras li- 
berdades que até aqui teve. E porem^ nvandaaiios ao dito ea- 
pitao, e juizea, e justi^as da dita viUa e moradore» della e a» 
outros quaesquer of&ciaes e pessoas a que està nossa carta 
for mostrada e o conhecimento della pertepcer que: haja da- 
qui em diante o dito logar da Ribeira de irei Joaa por villa 
de San Sebfistiao corno dito é, con> os termos aqui declara- 
dos; e Ihe guardem e cumpram e fa(;am mui inteiramente 
cumprir e guardar està nossa carta comò nella é contheudo^ 
porque nós a fazemos. villa e queremos que o seja*. E se par» 
elio aqui fallecem outras clausulas e solemnidades^ d^ direito^ 
nós Ihas liavemos aqui por postas e expressas e declai*adas;, 
e se alguns decretos e leis, au ordena^Qes ahi ha que cen- 
tra esto fa^am, os havemos àcerca do que dito é por ne- 
nhums e Ihe tiramos toda for^a e vigor nao- haveado centra 
este logar corno dito é. E por sua segiiran^a e eertidào Ihe 
mandamos dar està nossa cai*ta por nós assignada e assella- 
da do nesso sello pendente. Dada em Lisboa a 23 dias ào 
mez de mar^o. Affonso Mexia a fez anno de 1503 an- 
nos. (2). 

(Litro das Ilhasf. 83—84.) 



(1) pastos. 

(2) Vem com mùitas inexactid5es tios Annaes da Ilhg, Terceira. 
por F. F, Drumond— Tomo primeiro, paginas 506. 

{Notas do sr. José de Torres.) 



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JLlKCfitTO-IMS k^VÈA 49 



CARTA DE D. MANOEL, 

De qnitacSo a Joi* de larvio, ^s reoiinentos qw reeebei 
eoie ajnoxarife da ilha U Savia Natia, ms aaios de i49(l— 
9l--l^-^93<^fft— e 97, passtda a 3 de Jaitétfo de 
1505— ^ ^ 

' D<m Mànpel., etc. A quantos està ndssa carta de qiiìta<;3o 
\\xtia fazemoa 8j^bw q^ie aó» mand A mo fr-^ra tornar eonta » 
JoSo de MarySo, eacitdeiro de nossa casa, e-alrnoxarife da 
uo^saShadaiSanta Maviar de tode^^quereeekeu e despendeu 
OS anno» de S|0|,e 9|, e 92., e 93^ e 96, e 97, $obre o quài se 
mostra carre^ar por Uvro do jieii esciivSa ter recebido oÌ9 di- 
tos seis anpod, de dinheiro 1$3.953, e 368 moios e 31 alqAei- 
res de tngo,.e 516 quìntaeis e 1 arirobae ineia d'urzellac s. 
3>»340; reaes, e 53 moios e 9 ijquei'rès e meio de, trigo, e 98 
qiiinta^s d'u^*B^£^Ua o anno de 90: — 11.900, e 43 moioae 58 
akpieires de trigo no anno de 9l5 — e 25.615 reis, e 79 moios 
e 5 alqueires de trìgo, jq 87 quintaes' de unsella, no anno de 
92:— e 32:810 reis,^ e 94 nioioa e' 40. alqiie.irea e^sMio de in^ 
go, no anno de 93: — e 60.245 reis, e 97 moios e 38 alqueires 
ée ti-igo, e 302<^qttintaes e daas arrobas e mela d'urs^ella no» 
anno de 96: — e^os 20quintaes d^urzella no anno de 97: — o^ 
qual dinheiro, trigo» ourzella qne assim recebeu, o dito al- 
moi^itife OS dìtoa seb annos se mostra todo despender por 
alvaràs'e desemfoargos, em pagamento do apaiihar da di< 
ta ivraella, é em ontras despezas que Ihe ordenadamente fo- 
rum levadas em conta segando compridamente é contheu- 
do na recada<;ao da dita cónta por virtude do qual damos 
por quite e livre o dito aImoxai*ife da conta sobredita que 
nunca pelos ditos dinheiros, trigo, e urzella, por nós, nem 
nossos officiaes, elle nem seus herdeiros em nenhum tempo 
possam ser requerìdos nem demandados porquanto de todo 
deu boa conta com entrega corno dito é. È por firmeza 
dello Ihe mandamos dar està nossa carta por nós assigna- 
da e assellada de nosso sello pendente. Dada em Lisboa 

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Voi. I-<N.^ 1—1878. ^.., ,, , 

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50 



ASCHITO DQS. A9ORJE8 



aos 3 dias do mez de Janeiro. JoSo Montes a fez anno de 
1505 annos. .•! i'i ' i . » 

{lÀvro das Ilha$f. 38.) 



■V 



plNHEIRO 



TRIGO 



I ■ «■ ■ ■ ^ ■' 

res. 



URZELU 



i i n . 



1490..;;. 

X^v jL • * •' • •* 

U92 

. 1493 

-•U9« 

1497^ . i ... 

Soinma(l). . 



3^340' 
ll^dOO 
35|615 
32I8IO 
60^245 



133$910 



moto* 



58 
43 
79. 
94 
97 



368 



9 
68 

5 
40 
38 



31 



gwfr' 



qwn- 
taet 



2 
2 



98 
87 

302' 

20 



507 



OTTO* 

bas 



ài/2 



2 1/2 



(1) O total do dinheiro que vem mencipoaclo na, ^ita9So nSo <H)mr> 
bitta còm às addi98es eiuprai que n'ella^m^esma se especiilcfun. Ha naa 
addi{^9e8 pàt*a meiioié '43 ^rèis. 

.0 total do trìgo mia ^céf to coià as addijSea. 
.;. O toffil df^ urzoUa fem de mais que as addi$8es 8 quihtaes-e d ar- 
rpbas.— J^ntretantp .oBte» totafO» pareoorOie^ serem ©kactosi^ A discor* 
dàbcia prò velo talVez de esquecer^ no trasiado de fazor mentilo 4'al*' 
guma parcella. " \ ,$ 

(^ota do sr. José de Torres.) 



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ÀBcmvo B^OS igoUEB » &1 



CARTA DE D* MANOEL, 

et mtnU a FraiRHn etrli<i* e IhNMiMt Yiikl^ r«iieirt8 ias 
: ìlbis il« Atareb ms Irs iéms UHm a ISK^uéllà tf 2 de 

Dom Maiioel, etc. A quantos eflita/nosi^ oartft de ^i^<;ao 

yìrem fazenKMsl saber, qne nÒs maiìdÀtnof ora toipnat* éònta A 

Francisoò Gardtrchó e a Francisco Pinhol teu patceiro, «i*- 

-deiros.qoe foram das nossas illias dos A<;ore8 6è tres annoéi 

passados que coine9arani por S. Jofto Baptiìta do fintio dò 

502 e acabaram por outro tal dia do anno de 505; £ pelò 

contrato e arrendamento que cam* nosco fizeram se niiòstra 

cUes nos sereni obrigados de dar e pagar 15.000 arrobas 

d^assucar de urna cozedura por todólos ditos trez atln'os, A 

rasao de 5^000 arrobas d'assucar por anno; aìs ^uaeg 15.0ÒO 

arróbas d'aasnear sé mostra elles entregareni e diispebderenl 

todas òrdènadamènte, qtie Cousa algàma Ibes nftó fiiQoii por 

^spender segnndo se viu pela recfuclal^Sb da dita conta que 

foi vista e acabada por nossos offictaès «m noésa fasenda, por 

bem do qnal dàmos por qnites e lìvrés deste dia pai*a todo 

sempre ao dito Francisco CarduckO) e Francisco Knho), é a 

todos seus hérdeiros ascendentes e descendentes qne por elles 

vieremv.das dita» 15.000 arrobas d'amucar que pe^t eDas, 

nem coisa que a està conta perten^a nSo ^ssam wr mais de^ 

matìdados em nossa fazenda^ contoS) nem fora d^lles, poi^ 

qmnto nos assim deram boa conta com.^iiirega corno dito é» 

E poreih mandamóB àos Veadores de nossa faz^da è a todoi^ 

nossos officiaes a que o caso perténcer qne assim o cumpràm 

e giiardem e &9am cumprir e guardar^ còrno nesta nossd 

carta de quita^ao é cotithendo, a qual Ihe diandamos dar pa^ 

ra sua guarda e nossa lembran^a, assignada por nós e aèsel* 

lada de riosso sello penfLente. Dada em Abrantes a 2 diasf de 

Junho;. Joao de Boiros a fe^, ainno do nascimento de Dosso 

senkor Jesus Chrìsto de 1507 annos. 

(Livi d&s Jlhasy f. IM verso.) 

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^ ^KOJQyo I>OS AQ!DBBa 



CUATAS^ DB; D. BIANOEli., 



.1 vSdftiibro d€jB(l7( e^iiililrjMfléKfriiesne flnfi* m (Hlió sies- 
te, D. Alvaro Goulinho, em 3 d'Agosto de Ì&Ì9^ ': 

Bo^ Maiioel^^ eto^ A qfu^atositNsita'nossa iiarta H^rem fazé« 
mP9 fiabasr que por parte de D.AIviurp Oodtiiiho, £Uio de D. 
]f:eYnitndo Qoutinlid^ tiMto maredbal,' que Deus h^a^ nosfbi 
ma apreaentada umu Botoa carta por.nés assigiiàdae assella^ 
^ de tQowìo MUo:{Mndente de.que o thoorde verbaa verb^ 

T '':^iP!9n« Ma&oel Jior^^tk^a de Deus rei de Portngal e Aoà AU 
gatv^% d-àquéfiì e d'àlem tnàr em Africa^ Senhor de Guiné, e 
ida o^nqiitftta, navegaijaò e coiumercio da £tiuo|fia, Arabia, 
Persia e4a India;^^A qu^rtrtos esta^ noésa casrtà virem fiis»^^ 
mos baiber que^eaguardandf» non sslos miaito» continuados set^ 
v.ÌQoai^ temo» racdoido^ de D. Fernando Goutinhò, do nos^- 
' 90 coBselho, tnai^echid de Hosfiòs.^einos, e aos qiie ab diante 
^peramoa i^eebw, eassim seus merecimentos; querendo-Ihos 
gnl^rdoar em algutna parte oomo em nós cabb, é por Ihe &^ 
^evnio^ grilla « vmrcé temos por bem e Ihe fazemos doaqSo e 
m^ce d'aqni em ^ante^ da capìtania da nossà ilha Graciosa^ 
que* é &À9 ilbas dfoa A^es^ ^anu elle e todos sens herdeiros e 
d^soeiiidentesy a qiial a'goravftgo^ por ^tecimento deDuarto 
Correa, qde a «de nds tinba: e qiieremòs e nos praz qiie èlle a 
gpve^t'ne e m^-ntenha par nésem ju8tÌ9a em sua vidaye depoìd 
de^seii fall^iinéiitoK» seti filfao vaiato Iddimo-quet^ihora de 
9PU falIecimQntO'fiQar; eassim d'abi em diente -de de&eenden-f 
te em deaoepdeaEite por linha direi4ia masc^linia, a^sim co;no 
ap§ QapitSea daittia da^ Madeira teife por suas il^artas e doa^* 
9d^ esendooditó seu'iilhoquetao tempo de seu fallecimen* 
td.aaeim fioar em tàLidodelqikè a nioipossa iége^Tj nós o^ nòs- 
SOS ^neeesaores^'poseniKtB jxttìm, qiìem a fejà até querelle ser& 
em edade para reger. T ''* • ' 

Item nos praz qne «He tenhà jurisdi^So na^dìta ilha, por 

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m^ 



MioonK) BOB AQomm A^ 

uós^ em iiósfio nome, ào clvel e oi-iibe, t^8aiv»i|do morte ou 
taUiamento de membra pòvque dieio viró np^liaii^è aggrft* 
vo pam ]ióa% Fomn sena embargo da clìifeajurMdÌ4}lk> q«udre«M 
(]^0 todw QO8a6fi0an4adoB.Bqam^4dri CH*ttp^^ «Mim-como> 
em nosaaMOOiim proprifi. 

OuttQ 8im U08 pr«2 qua oi.dfto maredwd e 8M8 deMen-' 
dente» haj^mi para si todolw moinbos de pto qite >lioiit>er nà 
dita ilha de. que Ibe damoe cargo, t qo» Ainguetn nSo fe^a' 
ahi moinhos aomente elki^oa i^iiem Ike aprouver. Isto^ nao ee 
eatenderà em inóé de brai|^ porque m faró quem quieer nfio 
moendo de outrem.. Isia memo nSo teré nmgfiiem atàfomis 
salvo elle qu qaem; IJjie prouTer» 

IbBm no0 praz que haja de todalas sevrai d'agua qiie> Ahi 
fistereitt' dei cada urna um mareo deprate, oa em^ cada? nm aiK 
00 seu oeiici Talor^ ou duas taboas bada, semana daa qiie*8e hi"- 
sieKrarem paigando porem o dìzimo a nòe de« tpdalaa d^taa isfer «^ 
ras. £ Ì8to haja ta]»bf m o dito marechal d^ <|iialqner UMMiiho^ 
que se fizer, tirando vieiros de ferrarias ou outFoer me-' 
taes.(l): 

Item.nos prai que todos 08 fomoa de pfio em« que bduver^ 
poiaserao seus. E pareu queosi quker lazer fwoalbasF para 
seu pao :podetI-a8*ha fazer, e nSa pw»^ outro nenhum. 

Iteca noe praz qu^endb elle 8al para vender, que o^ afte- 
possa v.ekid£r ouiareniy somenie elle, dando a rasSo de méio^ 
roal de pratapov ^ueire^ ou epia direit» ralia e mai^i n8o< 
K quando onak) ti ver que osda^dità illha o po88»in vender à 
sua v(»itade tité querelle o tenha. 

Outro sim noa pdraz qme dei todo que hi houverttiM die ren*- 
da na dita ilka, qùe elle bajf diedez um de todas nossas ren- 
dasi e.dir6Ìlio% q«e s& oontem no fiivaè que para elio maudtf- 
mos fazer. £. pela dita maneira nos praz que teX^ renda lìà-* 
java OS seus descendéntesipor linba dnreita, que a dita ea|)i*^ 
tauiajiouverem deiterdar^ e o d^to cargo' tiveitem. 

(1) Tiiiha & xnargem/uraa nata ^or'Ietra estranha e posteHor, ^c^ 
dfeia==^A^'e«ra Uka nent'tèa agua nem tènhci, 

(^Noéa do -ir, J^eé de Torres,) 

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54 àMcsmo DOS ikgonE^ 

M It^ni ^o$,^Bt qne elle possEt dar por Buas cartas a terrai 
da dita ilhà forra pelò. forai a quem Ihe aprouver éom taleòìi^ 
di^So q^oe a pessoa a qiiem^ derem a tal terra àpròveite até 
ciotao, mu(Af e tsAo ., ^^Nrovéìtaiid^ qw. a pema 4ar at ootrem^ e 
depois que aproveìtada for e a leixar.por aproveitar até ou-^- 
ti;^^GÌ|^o luinosì qoe tsao mej»mo a possa dar, nSb embai^an- 
do pprem qu0:Se h^utev-ièrra por aproveitar :qae nfio 'Seja 
darà qu^m uossa aieiroe Sor. E assiin nos pi*a2 qué deein oe 
ditos seus descendentes 4pJù i o dito cargo tiverem, ^ 

Item nos praz.que os visinho» da. dita illia possam v^ 
der siias.lierdades aproveitadad a quem Ihes prouvef; 

Item nos praz que os ditos visiahos possam matar os ga- 
4fliS: bff^vos na dita lilba,^ seni haverlii outi;a diefeza nei» lièen- 
9a dordito <$ap^tao^ resalvaado algum logarcerifado >em que 
^ja lan^ado pel^tsmihidrio; e issoaBesnlo nos qiie^oa gados 
xnatiQOs passam por itoda a ilfaa tmeendo-os com gu^rda^ que 
nSo £aM;am damno, e se;0 fixei^m (|ue o pàgiiemaieu dono, e 
ascoiinaa segando asposturas do concellio. 

Das quaes rendas e direi tos Ihe fazemos a dita doà^ao e 
meroe^^a^^sim e pelli uianeira que e€a està carta é ^onteudo^ e 
ellas a imSìs pertencein, eao diaiìte pertenqer podem por quàl- 
quer guisa que seja: e as iinha e pos&oia o dito Duarte Gor^ 
rea»' e mellipr^ se as elle; éom direito poder iiaven E porem 
mandamos aos juizes é^officiaes e povo da dita ilfaa, e a 
quaesqueii outra^^ pessoàs a que esta'nossa carta £Gtr:mosti*a* 
da,* e o conliecimsento dellai pertencer, . que liajam d'àqui em 
dianté o dito marechal por capitSo* da dita ilha, e assiin a 
seus descendentes, e Ihe lobede^àm e cun^pram nini intéira- 
n^eate seus mandados que elle pw beni de justi^a e govei^ 
naii9a delift niandar; e^ o méttam em posse da9'ditas rendas e 
direitos e cpu^as outras ^ Ihas lèixem ter e poesudr segundo 
foima desta doa^aoy sem duvidancffio embargo algum, que Ibe 
a elio ponhi^m porquc assim é nossamiercé. E por sua guar- 
da e firmeza dello Ihe mandamos dar està nossa carta por 
nós assignada e assellada do nosso seUo. Dada em a villa 
d'Àbrantes a 28 dia» do mez de Septembro. Gaspar Roiz a 
fez, anno de nosso senhor Jesu^ Christo de 1507. 



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ASeHFirO DOS ACORES 5& 

rPedindo-nos o dito D. Alvairo por merce, qne por quanto 
elle era filho var2o do dito D< Fernando a qne a suocesefto dii 
dita ilba vinha direitamente Ihe confirmaMeuiòs e hoiivessemoa 
por confirmada nelle a dita carta. E risto por nde seii di2er è 
pedii*, bavendo rtopeito aos ip[uito8 servi^oe qne do dito ffen 
pae temoe f eeebidos, e a àeué mereeimentoé^ e aoe que ao dian^ 
te do dito D. Alvaro eaperamos rcMber: e querendo-lhe faaer 
gra9a erinercet teou>a.por bem e Ihà confirmamos e bavemos 
por Qonfirmada.awsim e tfto inteirameiitè corno se nella t»n*^ 
teni^ E porem aiandamaft aos Juiaése Josti^as ^ offieiaes e po^ 
vo da dita ilba, e qnaesquer outras pessoas* a quera està for 
mostrada eo conbedmoento deUa pertencer qne o bajam d'a« 
qni em dìante por eapitfta da dita ilba e Ihe obede^am eni to- 
do e oumpram e guardem inteirameiitè seus ^mandados qne 
por bem de Juati^a e go^ernan^a della inan&u^ e o mettam 
em posse das readas e jurisdl^ao da dita ilba assim e pela 
guisa que Ihe ftodo. deanos e outorgamóSf comò O' dito seu paè 
tpdo bavia.e possuia^ e melhor sé ocom direito^ mèlhor o de^ 
ve poBsuir, sem dovida nem €pnti*adi^ que Ibe nisso sej^ 
posto, pocque assinié uossi^ merce. Dada em a villa de San-* 
taifem a^ dias.do mes-d 'Agosto, anno do nascimento de nofr< 
so sei^or Jesu3 Christo.de 1510 annos. Antonio Oromesa 
imi : 

(Xfwoifas i/Àos/. 180-^181.)^ 

'•.'■■••: -^KW— 

GAETA DE D. MANOEL, 

Cenlnuindo a utét i'm eertos iiaUes ii ilba le S. Ni|;iel fen 
ta ^r Joao d'Arobio a Joio Aftfase, eii 13 le Déz^nbra de 
IS08- 

DomManoel etc. A qnantos està nossa carta virem fazemos 
saber, qne nos disse ora ura Jo5o Alfonso morador na nossa 
ilha de San-Mìguel que elle compràra na dita ilba a um Joao 
d'Arobio e a sua molber um peda9o de terra feita que daria 



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56 ASCRIVO DOS A{!ORES 

tres mioios em semeadum ponco ìnàib cm menos doiii otif ro5 
pedali» de matto manitihoy pot piie^o de'^kicoeDta mil rei», ^ 
quo ao toiopo 4o. fezer da cartài ée vra^a a nmlher do^ àH^ 
JoSo jd.'Arobk> fora pepante o Jnia distendo qne ella dav^a Buti 
diitorgà nai dita vepdai e que por na dita Hiui hAo hssv&t ta- 
beli^ pruvrieo semente o dito Jofto d'Arobtò que entao tintia 
cargo de escrivfio da Ganiara eUe fizém a dita outérg^ peran-»^ 
te o dito Juis e teattmunhas que presente» estavaa»^ ais^ qxiaec^ 
aesignUi-am pela dita sua mulber, e que feito todo asi^, o-dtto 
Joio^ d'Arobio ae foi d'ahi a no^e leguas onde ttm tabelliflo 
pruvioo estai^a) eom a dita outorga que de sua ma(> levavsi 
ieita e assignada pelo ditO; Jais e tèstnminhas, e niandàM fì^ 
zer a dita aarta de venda ao ditO' tabelliflo tendo jà ad dito^ 
tempo reoehido o dinbeiro da dita veada; e que lutverà ora 
sete ou oito atmos que eUe dito JoSo Affonso estafVa ein pOiK 
se ^as ditaa terras e as tìnlia aproreitaditd e que agora a mu-* 
Iher do dito Joao d'Arobeo reclama a dita venifo è a <}t(ei^ de&r 
laser poi^ ootntenipla^ao do dito seu marido: pedindó-nos quo 
por quanto ba oito annod qae elle està em -poÉm d^ilstòy 
e por élla naa vir reqiierer até aqni o que dito é^ éos eincd 
annoa dan^sa oiniena^So* serem ][>aesado8, Ihe fàzemod' diis^ 
ditas terrasi,. quo assi rompèu è aproveitóu, ao^rùe porqtie & 
feit^ Itll^soltasse {f aitasse?) por direito se achar que a dka^ 
compra é uenhuma, da qital eodsa^ se isssi é ft tiós prà9 de Ihe 
fazermos das ditas terras que rompeu e aproveitou mercé 
quanto nos com direito pertenceB^e Ibas dar podemos. E po- 
rem mandamos etc. em foima. Dada em Evora aos 12 dias 
de dezembro, ElRei o inandou poi» D. Pedrb de Castro etc. 
Jorge Rodrigues a fez, anno de mil quinhentos e oito an- 
noi* '• < ': .V • ■ : •••..•■• i.. w ■ 



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AftCttlfo bOS ACORE* 57 



CARTA DE D. MANOEL, 

CMlrlkiMb Mfevs tfaflàs itlt^m tai$ ifiias Teiteira e de S. Jorge, 
a YiSHiat Enes Corte ittiil, tm 18 de Novetnbro de 4S10— 

Dòn MaiYoély etc, A ^liànfod èdt* nossa carta virem faze- 
*i()S Babe)^ qtief a hòs p^ax por algutis jùstos réspeitos que nos: 
à èlio mOfVem c^mfirtnarnios corno de feitò por està confiima- 
mm deste dia |>*rà todo ftetrif)Ye a, Vasque Eanes Corte Real 
èù nósso cotiselhò, nosto Vèador è alcalde mor de Tavììa, ca- 
^«S^ dslÀ ilhais de San-Jorge, e da Térèeìra dà parte d'Angia, 
e à l^tis filhdd tddahis terrai que éllès tem nas diias ilhas e 
tótóm ad qaé Ihe forfeM dadàs pélos' seus Ouvicìores, de ses- 
H^arfa as q^Héé dles, é cada tim délled, possàm tapìàr e apro- 
visitar tiaquéllas cousas que élles qtiiserem e Ihes màis prou- 
téVj e cótiio maii!( proteitò receberém sem Ihe riisso ser posta 
dui^ida nem értibargo algum porque assim é nossà merce.^ E 
fior sua gharda e &rmeza dello Ilie mandamos dar està nossa 
cèitiia por nÓB assignada e asséllada de nosso sello pendente. 
Dà^a étìt Alnteirim à 18 dias de tiovembio. (jràspar Roiz a 
fez anno de 1510. E isto derà ^quellas terras que elle esti- 
vfei* età posse. 

(Livró das Èhas /. IQS i)érsò.) 

CARtA DE D. MANOEL, 

HiDdando dar, en eonlmnari orna lenca, ao GapllSo ftuy Goncalves 
da Gamara, da iiha de 8. Niguél p&f morte dèsiia mSé 0^ Igiiez, 
dada a i de Setembro de l§ll— 

D. Manoel, etc. A quanto» està nossa carta virem faze- 
mos saber que Ruy Goncalves da Camarà fidalgo da nossa 
casa, e capitao da nossa ilha de San Miguel nos disse, ora, 
coni D. Ignez sua mae tinha de nós um padrào de 2.000, co- 

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58 ARGUIVO DOS AgORES 

roas que houve de seu casamento da Infante minila Madre 
que Deus liaja, pelas quaes ^vki c»da anno 20.000 i-eis de 
ten^a obrigatoria, e Ihe eram assentados e pago» por elles na 
clita illia 25 moio|f de trj^p, .p^r caftfi g^ràlskìtMS^^fJ^f^ 
reis o moio, e que o ann^Q^ p^s^ado .^oi.yindo a dita sua, mae 
da dita ilha para està cidadé morrera no mar com quatro fi- 
Ihos e filhas e se perderà hi o dito padrao qtie trai^ia oc^nsi* 
go: pedindo-nos que llie manddssemos. dar outro com. «alv^ 
para elle liaver as ditas duas mil coroas^ e a ten9a dellas^por 
quanto nao ficdra outro berdeiro da dita sua mae^ salvo, elle^ 
e um filho que era frade^ o qual tinha renuneiado toda suik 
lìeran9a na dita sua niae, CQm coneentipiento do mosteira 
d'Alcobacja donde elle assi é frade. E visto por nós sea re- 
querimento, e assi visto comò a dita ten^a auda assentada noi 
livro da nossa fazenda, e querjendp-lhe fazer grai;a e merce^ 
temos por bem e nos praz dello e qijeremos que ò dito Ruy> 
Gon^alves tenha e haja de nós des primeìi-o dia ^e }Skiìe\r^ 
que vira da era de mil e quinliexitos e do^e em diante deai^is 
iiùl reis de ten9a separados emquantothe nao forem pagas.aSr 
ditas 2:000 còroas. E porem se em algum tempo o. dito pa- 
drao parecer, nao sera valioso e se romperà; E assinpt se poe- 
lao verbas nos livros da nossiA fazenda comp -este padrao foi 
dado com salva ao dito capi tao. E porem mandamos aos vear 
dores da nossa fazenda que Ihe fa^am assestar as ditàs 2.000 
coroas em os nossos livros della, e dar carta de ten^à delles 
para logar onde Ihe sejam bem pagas. E para guarda e nos- 
sa lembran9a Ihe mandamos dar està nossa carta assignada. 
Dada em a nossa cìdade de Lisboa ao 1.^ de^septembro. Jor- 
ge Fernandes a fez anno de nosso_ senhor Jesus Christo de 
mil quinhentos e onze. . ,., . . , 

{Livro dàs Ilha^f. 18^ verso.) . , 



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MìS&rfb t>OB ài^OSSé SSt 



S. linid; M l»4e Jiib*4e ISI3— 

Dom Mattoni ete; A<q[uantos està nossà <uifta rirem fàze- 
mog saber qoe haTèn^ò qós respéìto aos servi^oèr qne temos^ 
veeebidjos ée Henriifoe de Bètteneor 0dalgo da no&aa casa, e' 
aasiaos ^ttcftó^ diente delle esperatnos recèdei*; è querehdo- 
Ihe' ftizer gra^a e meree^ t&mos por bein e nos praz de Ihe ùir- 
asei^ doa^ e mf t«ee de i^dlquer fazenda de rais^oe farhou- 
verem a nessaùlha de San Miguel que anida nao for dada a^ 
erutraÀ^pefBSoasi daqfaal Uie fazemos tnèrce asti e tSo iiiteira^ 
mente comò a nós perfeence. E porem ttiandamos ao lìossa 
oontador da dita ilha, e a quaesqoer oufroa nossos offieiaes e 
pessoas a que o eonlieeim^ito disto pertencer que s»iibam cela- 
to a dita &zenda nossa de raiz que ainda na dita ilba estiver 
por dar/ e teda àquellà que aeharem desta calidade &9am 
metter em posse odito H^irique de Bettencor, ò qual tanto* 
que em posse que della fo^ fai*à da dita fìtzenda é em cofmo de 
sua cousa propria nem duvida^nem embargc^ qùe Ihè nella 
seja posto, porque assi è nossa mercé. Ì>ada em Lisboa a 19^ 
de julho Jorge Diàs a fez, de mil e quinhentos e ti'eze an- 
nos. Dos quaes bens Ihe &zerÉios merce para elle e seus ber- 
deiros e ì»uccessores, e estes bens serfto aqueHes que uós ti- 
nhamos ìia dita illiA sendo Duque. 

{lÀvro das Ilhds f. \bhwr$o.) 
. « • • •■,•'•■•• 



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6^ ilKIBi^ I>9ft li<SQm» 



OAB/TA' DE P., l|AJJOia;i,i 

Qo^i M^noeL Qto« A qua^tos; Qft^ i^SjSfi c^rtot iì^qìr l^ze- 

dp |i(x>rfleatQ, teifPGi^ da vilU de Yjlla-&a»^r-4iì nQ^« ì^ 
San Miguel iiao pode a^BÌm ser goyei-nadoetireigi^o eio j^udti^at 
p^k. dita yiU^r assicB oomaa ^oijf^A ^fdi^vigaelbtem doa jxÌQrad<&pe9: 
d^Ù^ cwnpr^ {K)]? Q dito logar esitiafc Sjste legu^^da dita ^il}a. 
ap i{u,e»ps,qao^dQf6S:da.ditp liiaìte. r^e}>e]p.tnìiita^^i:e9Sfk>/ 
eia ìrem ai:^lla poUas coisas da jjiistiQa "^noir Qa(»o. d^s mau». e&r 
ii^bos ^ rib^iras q^ 1^ dor d^,l<>gar;é dila.yiUaf e deB i^ 
havendo i^s^o uxe^mo r^^sp^ito aot g^to e d^fi^ez^, q^^ ftsitiié si^ 
fiji^era^, noa dittos. ca^iihoa^ Urrn^ qm 9^rQyéiAwm, e a 
coma a. dìtff Ipgar. ys^ e^. mwìtQ moflcrQSGÌiaehJ^ dp qite 3Ch 
hia a 3er,, no^sp^^senh^cff fifeja; Iquiifado^ e ì^i^, de dref oer i^aia a 
dita poToapao e se eB&o][>]^cei? tainto ìbomb a fai*4 se^o v411a 
e^^nda acjua ofiigif^es ^1 jit^tì^ fk^ t^tSkMgxiisk^Oi co»t«ii»e das 
outia^ yìUa^de n<;>^£iQ^ r^jlaoe^^ potque l^ar^nda de ir poW- 
coueas d0 justi^a as dìtaiEi .set^ legaaa óomo dito, é. se Ihe^ ìar 
gi^de opp&*e&§^a è peifdijpoii^Qto de suas? fànendas: e querend^of 
uós aelloproyer de maindra que^se. fa^a ^qoìeio cun^pre a sisr- 
vìqo de Deus e.];u)fifH?> e a b^i» d<|)a moradores do dko: logai? 
do Nordeste e seuliuìite; de, nossoi mQturprpprìo aemncto^- 
les requererem ou outreui pe^^ eU^s t^mos pojr .b^m e fezemos 
o dito logar do Nordeste villa e a desmeuibramos de ser do 
termo da dita villa de Villa.-fi?afnca^e de sua jurisdi(j%o corno 
até aqui foi, e Ihe damos por termo aquella terra quo, ella ti- 
nha por limite e havemos por bem que d'aqui em diante seja 
villa e fa^am seus officiaes na maneira que os as outras vìUas 
comarcans a ella fazem; e mais nao obede9am &. dita villa de 
Villa-franca corno seu termo porque de toda sugeicjSo que Ihe 
por elio tinham os havemos por livres e desobrigados; e manda- 
mos aos moradores da dita villa de Villa-franca que os hajam 



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dello por escuzos e os nao constranjam mais corno a rnorado- 
tes de seu termo |)Oi*qaé querèm^ÒB qàe d'aqiti em diante a di- 
ta villa seja regida e governada por seus officiaes comò as 
oatras^ViOai 6&àiiilhda»tes A elifi. 'E porem por sérjà todo uxn 
ficaram em visinha»^à,^ ile iHm Jo|paì^ para outro se nao paga* 
rà portagem nem outro direito se nao comò se até aqui fazia^ 
'e pras-mos q^e Ihes *iiqtiem inteiifiinientd todas Visiaiiélì<;aS| 
ooBiediaé, e iogiTamentofii e^ libèrdades qne até agora ttnliaiìi 
oòm OS iogstres conoarcftos'e qnaesq^er outros privilegio» qu« 
até lagoia tfvedse por set termo; da dita' villia, porqtie por ag4)*- 
ra «HOT feita villa,.' nao sec& msao de llie serem dimijsfipdi98 anr 
tes aoresoe^iitadofiv £ pwem maadauxios^os morad^es das di- 
tas viUas, e a qiìaeaquér outttMs juizes^ jnsti^as, officàats e pe»- 
soas a qiae està, nossa parta/ dbr mostiiida e o ooDhecimento 
della peitencer que a cumpiram « j^nardem, e fa<;am inteira- 
mente cumprir e guardar sepi nQohum embargo que a elio 
pbnk^my:poit][«6.aéBÌm éiiossaanerceevóntade de fazer o di^- 
to logsa* vflla comò dito é^ <d quersmo» qtue a^sim sèja; e se 
para elio aqui fallec^ algumas olausulas e scdeinfaidades de 
direìtOf nós as ha^emos^ aqui porpostas e especifioadas, «^e 
algviinas leis ou direitds hi 2ia qué eontra esto sejam nós as 
hav^nios por menhumas e queremos que n&o iiajàm logar con^- 
tra està nierce que Ihe assim'fóéexiìos, e p<[^r oertidSo e (firme^ 
ea dello Ihe niandatnoai dar esfea* earta por nós assiguada 
e assdllada do nodèo sello ponderate. Dada em Lisboa a 18 
dias de Julho^ì Qà6pdrrRpdrigue9 à fbs^ de cdxI e quinhentos 
é quaionce an&os. È edto^ nol^ pras assillai se? de urna villa é. 
ontralia aeteJeguaS) eseno diix> logaìr èiseu: limite ha ses^ 



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S2 «ABCBivo DOS Aigosim 



CARTA DE D. MANOEL^ - 

Mmnh a Viila i pmm i'kf^t et Pai la lUia de S. lif lel) 
aÌ8 4eJiiliaiel8IS- 

Bom Mfinoel, eie. A qnantos està noesà carta l3r mostra^ 
«la fazemM saber qoe pela informalo que temos da povoa* 
^ao que é, e «ada dia M acresùenta no logar d'Agua-de-^pàu 
4a noBfla Uba de. San Mìgudl por onde 6e Ifae deve faeer toda 
meitsé qn€ seja rasao^ e por isso a de nós recebér ea moiado* 
^es do dito logar, temos por bem, e queremoB, e nos pras que 
d'aqui^ em diante pai*a sempre «eja villa, e se poasa o dito lo^ 
igar d^Agua de Pau chamar villa^ e que haja nella juiaes or- 
dinaiios corno por bem de noasa ordena^ao 08< ha nas outrad 
villas da dita ilha, e as appella^oes dos juises da dita villa 
ii'So ao capitSo da dita ilha ou a seu ouvidor; e daipos-lhe do 
termo do limite que até agora teve e esteve em posse meìa 
legna ao redor de todallas bandas, e esto com tal entendimen* 
io que sem embargo de assim terem o dito termo sempre vi*' 
«inliem e se logrem em toda boa visinhan^a e logradoiro eotii 
a villa de Villa-franca e logares com que até agora vistnhavam 
Hsendò teraio da dita villa de Villa-franca assim comò até aqui 
fizéra, aem entreos moradores da dita villa e das ontras e seus 
logares è àldeas liayer mudàntja nem differenza alguma; oa 
ijuaes: moradores db dito iogar d'Aglia do Pau serSo òbrigadoer 
de &zerem às suas proprias custas e despezas a cadea da dita 
villa e mantel-a. Porem hotificamos assim ao capitfio da dita 
liba, e a todas as nossas justi^as della^ e a quaesquer ontvos noch 
SOS officiaes, e pessoas a quem està nossa carta for òiostrada, 
e o conhecimeuto della pertencer por qualquer guisa e manei- 
ra que seja; e Ihe mandamos que d'aqni em diante Ihe cba- 
niem villa e Ibe leixem ter os juizes e officiaes segundo os as 
" outras villas da dita ilha teni, e os leixem usar da jurìsdi^ao 
que por direito devem e podem conio o fazem em as outras 
villas. Portanto nós a fazemos assim villa e Ihe outorgamos 
està merce corno dito é. E por està maudamos ao corregedor 

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AItCkiVO DOS igORÉS 63 

que ora anda na dita iiha que va fazer a demarcasse entre as 
ditas villad e Ihe de o dito termo da dita meia legua e man* 
dem tanchar o» marcòs para o diante se saber por onde parte 
o termo da <dita villa. t)ada ém a nossa cidade de Lisboa a 
28 dias do mez de Jtilho, Antonio Paes a fez, de 1515,— E 
posto que digti qne as appella^Ses de ante os Juizes da dita 
villa irSo ou ao capitSo òu a seii ouvidor, mandamos que v3o 
onde forem as das outras villas da dita ilha etc. 
{Livro das llkasf. 201 verso:) 

— >e<— 

CARTA DE D. MANOÈL, 

Besiniitfniidd w It^ares das Feteiras— Hosteiros— Capciias e Fc« 
■aes, do eaneeliio de Viila-Fraitca, e noindo-os ào de Poula Del- 
gada da ilha de S. Miguel, em 8 d'Agosto de ISIS— 

Dom Manoel, etc. A quantos està nossa carta virem faze- 
mos saber, que nos enviaram ora dizer os moradore» das Fei- 
teiras, Mosteiro, e das Capellas, e dos .Fonhaes da nossa ilha 
de San-Mìguel que por os ditos logares òerem da jurisdÌ9ao da 
villa de Villa fi-anca, e delles a ella haver grande distancia 
de caminho, recebiam gmnde fiidiga e oppressao em serem a 
ella subditos e sogeitos: pedindo-nos por mercé que nos doe- 
oemos do seu cati^acjò e oppressao e houvessemos por bem de 
mandarmos que fossem da jui isdicjao dà villa de Ponta delgàdìa 
que dos' ditos logareis é màis ' visinha e comarcàn. E visto por 
nós seu dizer epedir havendo respeìtò a seu descan<jo e meno» 
fadjga, é d^s hi por Hie frtaermós merce; ternos por bem, què» 
remo» e nos praz que ós ditos logares das Feiteiras, Mostei- 
ro, Capellas, Fonhaes sejìam d'aqui por alante da juridi^ao dò 
Ponta*delgada assim comò o sao de villa Franca porque nós 
o« desmembramos da dita villa Franca se assim é que o mais 
longe delles nSo paàsam de quatro leguas da dita villa de 
Ponta-delgàda, Porem o ìiotificamos assim aos juizes, e offi- 
ciaes das ditas villas j e Ihe mandamos que hajam d'aqui por 

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$4 «SUC»ITO P03 À^ORES 

diapte OS sobreditos logares por da jurisditfao da viliii dt$ t^^^ 
tarDdgada, asdm e pela m^n^ira que ^té aqui forapt dQ Villa 
fìanca porque nòs 03 tiramos e de«o]>ngamo8( e dfeamembra^ 
1^109 da sua jurìsdiQ^o corno dito é, e Ihe cninpradàa e guarderà 
f» fa<;am mui inteir^mente omoprìr e gus^dar eeta tio^sa carta 
cojoao se nella contem porque assìm é no9W merce» Dad^ era. 
Xiisboa aos 8 dias d'agosto^ Affondo Mcg&ia a fet^i 9Jaflo de milr 
€ quinhentos e quinze aunos.^ 

(lÀvro da$ Mas f. 200.} 

— YSH'-^ 
CARTA DE D- MANOEL, 

ftei^Huinda a eapilajiia da Uba (te San Hiffoel a Bay (iMffttv«sr et 
Camara, qiie Ibe bavia sida lìr9da por ama seBlet^a»— eii 22 
d'Agosto de ISIS-- 

Doxn Manoel, A quanto» està nossa carta virem fasemos 
saber que havendo nós respeito aos servìijos que temos rece^ 
l;^ìdos de Ruy Gon^alves da Camara fidalgo de ì^ossa casa e 
Qapitào da no93Ct ilha de San Miguel^ e aos que ao diante es- 
' peramos receber, querendo-lhe fazer gra9a e merce temos por 
bem e por està o toruanios e restituimcs & jurisdÌ9ao da dita 
iUha de San Miguel de que por sentenza foi priyado, e quere*- 
Uìos e iK)s praz que sem embargo da dita fienten9a elle d'aqui 
^m diante use inteiraniente da dita jurisdi^ao corno a tem por 
»uas doa9oes e poderes dados por nós. e por os rei» antecesso*- 
res, SQndo por nós confìrmadas, assim e oomo- de: tudo usava 
^nte.da dada da dita senten9^ e de por ella a ter perdida Cfomoi 
dito é.. E porem a uotifiGamos assim a todolos juize»^ jus4Ì9as, 
qfficiaes das viUatf e l{>gares da dita ilha, e a outras quaesquer 
pessoas a. que està nossa carta foi: mostrada, e o co»becimenta 
della pertencer, e llie mandamos que d'aqui em dianée em to- 
do obede9am ao dito capitao segundo seus pod^es e doa95es, 
^ Q elles de direito devem £azer,^e o fa2(iam ante da dita, sen- 
1fen9a, porquanto nós por està o torof^mos a restituir a todo 



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- Asomvo DOS k^oìtm ff& 

«ofiio d'àntè tìnha, Mèìm corno se a dita setitétt^a nSo fora 
dada; e em tudo etiii^pram està nossà carta coino sé em éllai 
contetn, pói'qute/ài^sim ohàvemòs por bém; aqtial Ihe liìàiida-^ 
mol» dar por nós assignada e assèlladit coni nòsèo sella p^en« 
dentei Dada em a nossa cidade de Lisboa a 22 dial^ ^o inez 
46 Agosto. André Pires a fez anno de 1515 annòà* 
(Livro das llkas f. 161.) 

^ - — WW— 

CARTA DE D. MANOEL, 

Fazendo doacao de eerla terra uà liba Graeiosa a Goncalo Roiz, eu 
U d'OnlBbrd de 1515- \ 

Don Manoel, etc. Fazemos saber a qnantos està nossa 
«arta virem que a nós disseram ora que trazendo Gaspar de 
Buarcos e D. Filippa sua mulher demanda com una Pero Este- 
ves que entao era morador na ilha Graciosa sobre urna terra 
<que estava na dita ilha onde chamam o porto da Cruz, e pen- 
dendo o feito em nossa córte o dito Pero Esteves a vendeva a 
iim Antao Eanes nlorador na dita ilha, e Iha trespassou e met- 
teu em posse della; e que por assim alhear a dita terra sendo 
letigiosa pov bem de nossas Ordena<j6es assira o vendedor 
corno o comprador perdiana a dita terra oii a \*alia della para 
nós, e com direito podiamos della fazer mercé a quem nps a- 
prouvesse; pelo qual se assim é comò a nós disseram queren- 
do.Jìós fazèr gra^a e merce a Gonzalo Roiz — temos por bem 
}he fazermos merce da dita terra ou sua valia, e Iha damos 
quanto a nós cóm direito pertence e Iha dar podemos. E pò- 
rem mandamos ao nosso contador na dita illm é a quaesquei* 
outros nossòs officiaes ou pessoas a qué pertencer sendo o so^ 
bredito Antao Eanes e Pero Esteves citados perante elles è 
ouvidos com o dito Gonzalo Roiz sàibam dello ò certo ptìr in- 
quiri^jao judicial, e indo pelo feito em diante corno é ordena- 
do, achando qùe assim é comò a nós disseram, e què por o 
dito Pero Esteves vendedor vender a dita terra ao dito An* 

Voi. I-N.*^ 1—1878. 5 

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06 XBcmvo BOB AgoBfis 

top Eanes,j Bando letigiosa^ a perdem para tìó^i^ ou dua valia 
por bem de nossa» Ordena^oes e defezas em tal caao feìtas^ e. 
que com direito podemos della £sizer merce a quem, aqs apreur: 
vesse, Q julguem assìm por sua sentenza defenitiva^ dando 
appella^ao às parte^ no caso que o direito outorga, e queren^- 
do elles estar pela dita sentenza fa9am lego . eatregar a dita 
terra ao dito Gron9alo^Roiz, e o mettam em pos€fe della, ou 
de sua direita parte, e Ihe deixem fazer della corno de sua 
cousa propria, porquanto nós Ihe fazeinos mercé della corno 
dito é. Dada em Lisboa ali dias d'outubro. ElRei o man- 
dou pelo barao d'Alyito etc. àp sbij cpuselho^e Védor de sua 
fazenda. Diogo Vaz a fez de mil quinhentos e quinze. qual 
pagqu dois mi! e cem reis de septic^o, de quinz^ mil que dis- 
se que valla, e se mais valer s^ deipasia se arrecadarà para nós. 
E està merce Ihe fazemos se jà a outra pessoa primeiro a 
i;iao temos feita. : ^ , 

(Livro. das Mhas. /. 155 verso;) . . : .- 

CARTA PÉ P- MAN 

Fazendo mercè das saboarias braneas e prelas d« iiha de San Kiguel» 
a He&riqne de Betteocoort, em 30 d'Outubro de 1^7, saboariiis 
que mesmo tiuba cofly»rad« ao Capitai» im Soaresr-r 

Don Manoel, etc^ A quantos està uossa carta virem faze- 
mos saber qMe querendo nos f^-zer gra^ e merce a Henrique 
de Bettencourt, fidalgo de liossa casa, temps por bem e Ihg 
fazemos mercé das uossas. saboarias branoas e pvetas.da nos- 
saìlba. de, San Miguel, assim e pel^ maneira que as tinha q 
possufa J^ao 3oares capitao da ilha de Santa Maria por nos- 
sas ca^t^] ^ qual as prouye vender e traspassar ao dito Hen- 
rique de Bettencourt por nosso. alvarà de licenza, que Ibe pa- 
ra elio dèmos Q qual nos foi ao assi^nar desta apresentado, e 
assim mesmo uma carta de venda do dito Joao Soares que 
parecia ser feita e assignada em a nossa cidade de Lisboa 



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AftCHIVO D06 ÀigOìiBB 6? 

BOB 12 dias do me2 de Julho desta era presente de 1617 annos 
por Luiz Fernànde^ publìco TabielliSo na dita cidade. E pò- 
rem mandàmos ao nosso oontador ^as ììhM dos Ai^ores, e ao 
almoeharife da dita iUia, e officiaes outros e pessoas a que està 
noBsa ciarta fot mostrada e o conbecimento della pertencer, 
qne mettam em posse das ditas saboarias a Henrìque de Bet-* 
tenconrt ou a seu certo reciùio, e Ihàs leixem ter, logicar, e pos- 
«uir e arrecadàr para si e fesser i^enda ddlas o que Ihe aprou-^ 
ver sena diivida nem embargo algum que Ihe a elio poBkam^ 
«ssim e pela maneira que as tinba e ha via e arrecadava ò di^ 
4o Joào Soares, e melhor se com direito as elle lueìhof puder 
ter; haver, e arrecadafi*. E i)or està nossa carta Ihe deferì* 
demos e mandaHìos que nènhaisa péssoa fa^a sabSo na dita 
ilha, nem o traga a ella de fora, nem. o venda senSo qiiem ti- 
ver logar e liceh<;a do dito Henrique de Betteiicourl. E man- 
damos por està ao capitao, sob pena de quem o contrario fi- 
ser pagar mil reìs de, pena por cada vez que nisso'for achado; 
OS quaes toil reis ser^o ametade para quem quer que o acu- 
«ar, e a outra metade para o dito Henrique de Bettencourt; 
E mandamós por està ao capitSo, contador, e officiaes da dita 
ìlha de San Miguel que assim o cumpram e fa^ am ctimprir. 
E por sua guarda e nossa lembran^ Ihe mandamós dar- està 
nossa carta por nós assignada e assellada doiiosi^o sello pen* 
<lente.; Dada em Almeirii^i a 30 dias d'Outubix). Alvaro Neto 
Afe2vdel517'. • 

(Livro das Mhasf. 163 versa*) 

CARTA DE D. MANOEL, 

fela qoal faz mmè Aos kns de Laiz dalvao, aios fitbos de Ttoiné 
Lopes, assKssinado par aquelle, dada a 41 de Juniio de 4S20^ 

Don Manoel, etc, A quantos està nossa carta virem fazé- 
mos saber que Simao Lopes d'Almeida, morador em a nossa 
Hha de San Miguel nos disse que um Luiz Galvao morador 

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68 iltctiivo DOS Àgoltjàd 

em: a Ponta-delgada da ditarillià, maibu a Thoifté Lòp^S dètt 
irrnSo, de proposito e setti pW*t[ué'; do qììÉl mordo, ficàram 
cinco filhos e fìlhas que tem em sua casa, 6 os ciià oomo fi-* 
Ihos, por serem menores, E por quanto por beiri de nossa Or* 
dena^ao o dito matador perdia sua fazenda para os ditos oi- 
phàps, e OS doìs aunos que Ihe dàmos de tempo para 'dem:atH 
darem o dito matador pela, dita £tzend& eram passados por 
asaina serem menoreè nos pedia por merce que Ihe dessemoa 
para isso mais tempo; e assim nos prouvesse fazer-lhe merce 
da parte que sua mae tinha na dita fazenda^ e què j& nao ti^ 
nha direito por Ihe prescrever o tempo. E visto por uós seu 
requerimento praz-nos dello se afisìm é ©omo nos o dito Simao 
Lopes disse; e havemos por bem dar mais aos dito» orphaos 
dois annos alem do tempo que é passado os qua^s se come^a- 
rao dafeitura desta carta em diante para no dito tempo accu- 
sarem e demandarem o dito Lùiz Galvao assim pela sua me^ 
tade copio pela metade de sua mae de que Iha tambem faze^ 
mos mero§ «e nisso uSo tem direito, por. Ihe passar o tempo 
corno nos o dito Simào Lopes disse: da qual fazenda Ihe aS' 
sim fazemos merce quanto com direito Iha dar podemós se as- 
sim é que saperde para os ditos orphaos e sua mae, por beto 
da dita morte, e de nossas Ordena9oes àcercà dello feitas, E 
porem mandamos a todòlos corregedores, juizes e justi^as da 
dita ilha de S.an Miguel e de quaesquer outras ilhasa que es- 
to pertencer que sendo o dito Luiz Gralvao e partes a qu.e es- 
to tocar citados e ouvidos com os ditoa orphaos ou a seu abas- 
tante procurador saibam dello o certo tirando sobre isso in- 
quiri<;ao judicial, e indo pelo feito em diante corno é ordena- 
do, e achando que assim é corno nos disse o dito Simao Lo- 
pes, e que por bem da dita n;iorte e de nossas ordenaijoes & 
cerca dello feitas o dito matador perde sua fazenda para os 
ditoB^ orphaos e sua mae, o julguem assim por sua ^enten9à 
defenitiva dando appella9ao e aggravo às paites nos casos em 
que couber sem embargo do tempo dos dous annos ser passa- 
do, poi; que sem embargo disso Ihe damos raaisoutros* dois 
annos para o demandarem corno dito é. E querendo as ditas 
partes estai* por a dita senten9a mandamos que toda a fazen^ 



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Ancmvò i>os AgotiÉs 6 9 

da qiie o dito Luiz Galvao perde por este caso se entregue 
aos ditos orphaos- o'u a àeu tutor à bora reckdo, porque nós o 
havemos assira por bem, e Ihe fazeraos da metade de sua mae 
tambem mercé corno dito é; da qtial metade pagaramf de se- 
ptimo quatro mil e duzentos e oitenta e sete reis ao recebedor 
ida chancellaria sobre que €oram carregados em receita por 
«eu escrivao segundo paireceu por feeùs assignados; e isto de 
30:000 reis que diz que valia a metade da fazenda do dito 
matador que pertencia a sua mae. E porem valendo mais a 
demazia se arrecadarà para nós. Dada em Evora aos 11 dias 
do mez de Junlio. ElReì o mandou pelo conde de Vimioso, 
Vedor de sua fazenda. Jòrge Fernande^ a fez, anno de nesso 
senlior Jesus Christo de 1520 annos. 
(Livìvdasllhasf.UQ.) 

■ — JG«— 
^ CARTA DE D. MANOEL, 

Pela ^nal raz doaeao d« ana casa na ilha do Fayal, a Gaspar Car- 
dos«, m 6 d'Ontubro de iUl— 

Dora Manoel etc. A quantos està nossa carta virem faze- 
mos saber que Graspar Cardoso, mo90 da <5amara do principe 
xi\eu muito amado e prezado fillio nos enviou dizer que na 
ilha do Fayal foram tomadas a irai Jordào Gon9alves, carre- 
teiro de frigo, umas casas para nós o anno de quinhentos e 
treze, por ciuco Èail reis- em «que fora condénmado por nos 
furtar trigo nosso dos dizimos, em o acarretandò; e que esta- 
Tam postas em o livrò dos nossos proprio»; pedindo-nos quo 
Ihe fizessemoa d'ellas merce, ò^que a nós praz de Ihe fazer- 
mos dellas merce sem embargo de estarem assentadas em o 
livrodòs nossos proprios. E porem mandamos ao nosso con- 
tador, etc. em forma.- Dada em Lisboa a seis' dias d'Outubro, 
André Rodrigues a feiz, de mil e quinhentos e dezasete^ '■■' 
{lÀvro duB Ilhasf. 229 vèrso.) 



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70 ABomvo D09 AgoiOES 



CARTA DE D. MANOEL, 

Danda & Per» Gametio, certos b«a$ eaBflscftdos a Jaeoiie MkkVr 
eu 19 d« Maio de ISIl- 

Dom Manoel, eto. A qiiantos està nossa carta virem faze- 
mos »aber que p. nós disserain ùra corno una Jacome Kibeiro 
que ara aiiida por eserivap d'aute. o. corregedor pom al9ada 
nas: noissas ilba9 do^À^ores sendo elle assim officiai compra- 
ra e venderà trigo i^a dita ilha^ e. que bem assim comprài-a 
certa rai^, o qua! trigo ^eriam seteata moioa, o ;qae por bem 
de nossas ordenaQoes nao ppdia fazer por assim ser officiai, e 
que per bem dello perdia o dito trigo e de raiz.para nós, e- 
nós coni direito podiamos fazer merce de todo a quem nos 
prouvesse; pollo qual se assim é corno a nós disseram, e que- 
rendo nós fazer gracja e merce a Pei'O Camello fidalgo de nos- 
sa casa temos por bem, e lUe fa^emos ìnerce do dito trigo, e 
raiz que assim comprou e vendeu, e Ilio damos quanto a nò» 
pertence e com direito Iho dar.podemos» E porem maaidamo^ 
ao contador das ditas ilha^, etc, etn forma,, — Dada em Lisboa 
aos 19 dias de maio, Vicente Fernande&a fez, de mil e qui- 
nJientos e dezasete. . . 

(Livro dasIU/.asfp 230.) 

CAUTA DE D. aiANQEL, 

Fazendo doacHo de 2 iiheos praxiflios da iJha Graei^isflt a Handos 
Furtade dfi neBdoDca-T-eui 2S d'Agosto de ISii^ 

Dom Manoel, etc. A quantps eata lapss^ carta virem fa*- 
zetnos saber que por parte: de Mundaa Furtado de Mendon^ 
morador na ilha Graciosa inos foi dito que junto da dita ilha 
estam dous ilheus, meia legua della, pouco^ maÌ8 ou menos, de- 
volutos, em que se nao fazem nenhum proveito, os quaes por 



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AftCmVO DOS AgORES ?i 

assim estarem seni ser de ninguem e hos pertencerem, nos pe- 
dia por merce que Ihos dessemos para os aproveitar de cria- 
9oes de cabras, è do que Ihé bem viesse, e que das ditas ca- 
brai e quaesquer outràs crea<joes^ rendas, e proveito que nel- 
ies houvesfee no» pagarla os dù-eitos que houvessemos por 
bem. E visto por nós seu dizer e pedir, se assira é corno diz, 
que 08 ditos dois ilheos nSo sao de ninguem e nos pertencem 
para livremente dellés podermos dispér, a nós praz querendo- 
Ihe fazer gra^a e merce de Ihos' dar, e per està presente da- 
tìios para em elles se aproveitar de crea^oes e do que Ihe bem 
vier, com tal eJondi<jao e entendimento que de todallas cria- 
^oes, rendas e proveitos que nelles houver elle seja obrigado 
de nos pagar em cada um anno dois dizimos, se. de cada dez 
coisas duas, e de vintej quatro, e d'ahi para cima e para bai- 
xo, soldo à livra, a este respeito. Porem o iiotificamos assim 
ao nosso oontador e almoxàrife da dita; ilha, e a quaesquef 
outros nossos officìjaes a que està nossa carta fòr mostrada, e 
o conheeimento della pertencer, que o mettam de posse dos 
ditos ilbeos, ao dito Mundos Furtado, e o leixem delles apro- 
veitar nas ditas crea<j6es e no que Ihe bem vier, arrecadando 
delle para nós os ditos doita dizimos da manéira qtie dito é, 
porque ò assim havemos por bem, e por sua guarda e nossa 
lembran^a Ihe niandàrmos dar està carta por nós assignada e 
ass^llada do nosso sello pwdente. Dada em Evora a 23^ dias 
d'Agosto, Antonio Affònso la fez; de mil quinhentos e desano- 
ve. E isto sera em dias de sua vida. 
(Livro das llhaìs/. 230 verso.) 



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72 ABCHIYO DOS ÀgOREfiI 



CARTA DE D. MANOEL, 

Tirando nma vìiiha a 4lfar« da FoDle, Jdìi da iiha de Saeta tmtt 
e Tazendo mercé della a (ero Menezes— eiD 2S de Nevoubr» 
de 1519— 

Dom Manoel etc, A.quantos està nossa carta viremfaze- 
mas saber qiie a nós disseram ora oomo um Alvaro da Fonte 
morador na iIha do Porto de Santa Maria em sendo juiz da di- 
ta ilha fizéra urna viuha no pé do pico do Figueiral, e que por 
bem de assim fazer de novo sendo Jnìz a perdia para nós, e 
nós podiamos della fazer merce, a quem nos aprouvesse; e ora 
querendo ijiós fazer gra^a e merce a Pero Menezes morador 
na dita ilha temos por bem, e Ihe fazemos da dita vinha mer- 
ce, se assim é corno nos disseram, e se por bem do- que dito é 
para nós perde^ e Iha com direito dar podemos. E porem 
niandamos a todoUos nossos corregedores, juis^es e justi^as, a 
que està nossa carta for inostrada, e o conheoimento della 
pertencer, que sendo perante elles citado o dito Alvaro da 
Fonte o ou9am com o dito Pero Menezes, e saibam dello 
o certo por inquirÌ9ao judicial e indo pelo feito em jiiante co- 
rno é ordenado, e achando que assim é; o julgnem assim poir 
sua genten9a definitiva d.ando appella^ào e aggravo às par- 
tes, nos casos em que couber, e querendo as ditas partes es- 
tar por sua senten9a sem appellar nem aggravair mettam em 
posse da dita vinha ao dito Pero Menezes e Ihe leixem ter e 
lograr e fazer della o que Ihe bem vier, porquanto nós faze- 
mos della merce corno dito -é, yallendo quatro mil reis que 
disse que valleria, e valendo mais se venderà a dita vinha a 
quem por ella mais der^ e do dito preQO bavera o dito Pera 
Menezes os ditos quatro mil reis, de que pagou quinbentos e 
setenta e um reis, e o mais se aiTccadarà para nós. — Dada em 
E vera aos 25 dias de novembre, André Dias a fez, de mil e? 
quinbentos e dezanove annos. 
(Livìv das Ilhasf, 234.) 



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ABCSnVO DOS AgOBSS 13^ 



CARIBA A EL-RET,. 

Kfe Concaio Vu Coidiflho, Capitao da ilba de H. Nignei,— em a de 

Jolbo de iSOS— 

Senhor. — Em 29 do mez pnssado ti ve da Terceira utna 
carta da iuqui«idor Jeronymo Teixeii-a, que-utn barco daillia.- 
do Fayal dera com a Ilha Nova ao sul oitenta legna», e que 
isto era certoy e tivéra o Mestre de campo aviso, e o Bispo, 0^ 
que tambem me constou por outras cartasy mas- que a barco 
nao 3ur^*a por eausa de urna tm*m«nta, que, querendo-o fa>- 
zer, llie déra, e nao a poder soffrer por ser estroucado. Pelo- 
qual me pai^eeu que estava eu obrigado a tornar a mandar 
là conforme a ordem e provisao que V. M, me mandou em^ 
agosto de &1 feita no mes& de julho do dito anno, que posto- 
que entao a executei parece que n3o foi Deus servido de des- 
cobrir a terra, As&ini tornei urna naveta Escoceza que neste 
porto estava carregada de trìgo e dentro em doi» dias a ar- 
mei e negociei (?) ì)otando-lbe a earga fora que sabbado 3 do 
presente a despachei com pessoas de confian^a e em oompa- 
nhia a chalupa da nau de Indias para correr os portos com o 
regìraento e ordem cuja copia sera com està: permitta Deus 
descobril-a conforme uo desejo que tenho "de servir a V. M. 
Guido sem falta queos do Fayal nao mentem porqne sSo pes- 
soas honradas e assim parece que chegou a bora que Deus^ 
jquer que està terrd se povóe, Estou determìnado aclmndo- 
se mandar logo outras embarca^5es, e alguma gente que là 
£ique« V. M. me avise do que mais é servido que nisto fa9ay 
povque a continua<jao deste descobrimento de nenliuma parte 
se pode ordenar melhor que desta ilba, porque lan^arà de ^i 
muita^ gente, e fica mais perto da Nova e do Reino, porque 
inda que o Fayal della està em igual distancia e menor al- 
g'uma cousa, é terra pequena e longe do reino, e sugeita a 
corsarios. 

. Jà avisei por muitas vezes a V. M» dos roubos que os cor- 
eanos faziam nos navios que para està ilhà vìnbam, junto a 

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74 .AKCSEnVO DOS AgORES 

terra, e corno no tempo db conde de Villa-franca tomaram 
muìtos furtos nos portos e os mais debaixo da fortaleza desta 
cidade; e que para isto nao acontecer seria de grande effeito 
haver duas galeotas que defendessem està costa, e nSo tive 
resposta de V. M. E inda que depois que estou neste cargo 
nao se me tomou navio algum, pretendendo muitad vezes os 
corsarios, davam-me tantas de inquieta^oes na guarda e vigia 
delles por os portos desta ilha todos «erem abertos, que deter- 
minei com parecer dos capitates fazer um bergantim que ser- 
visse nao somente de assegurar os portos, mas de defender os 
navios que a elles viessem, das lanclias, que sao as com que 
OS corsarios os tomam; e assim o puz por obra: e porque na 
imposÌ9ao de dous por cento nao havia dinheiro me empenhei 
para isso e em mez e meio o conciai e lanceì ao mar em 14 
de junho. E' de oito bancos, e joga dois ber^os por proa e le- 
va 30 soldados; e logo se mostrou o effeito delle porque o mes- 
mo dia mandai armar a urna lancha d^um galeao inglez que 
aqui andava, e por a gente ainda nao ser pratica a nao tomou, 
mas deu-lhe tal ca9a que pouco nao ficou. Logo em 17 sal- 
vou urna caravella carregada de gente e dinheiro que vinha 
de Angra de que tive aviso que vinlia e estava quatro leguas 
d'aqui em calmaria, e à vista doladrSo que trazia duas lanchas 
fora, — Ibe deu cabo e a metteu neste pòrto, pelo qnal o la- 
drao se foi vendo que nao podia fazer damno senao com a 
lancha, e este Ihe era tirado. E assim se salvaram dous na- 
vios um do Brazil, outro de Cabo Verde que vieram d^ahi a 
dous ou tres dias, e, se falta, Ihe caiam nas màos. Fiz este 
bergantim à conta dos dous por cento: 4 mesma conta tam- 
bem comprei trinta e tantos quintaes de polvora de modo que 
jà nao ténho necessidadé de V. M. me mandar prover della 
desse reino, porque tive tal ordem, que de Flandres me veiu 
muita, e alem da que tomei para a fortaleza, òutrà muita que 
està repartida por os mercadores que se vende a sei» vintens 
por todas as partes da ilha. Canija-me so o bergantim porque 
nao ha poder com a gente de remo que se embarque, e assim 
cada vez que bade sahir fora é necessario ir eu 4 ribeira, e 
nao aproveita pagar-lhes muito b«m, porque nos dous por 



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MRCBtyO DOS A9OBE8 75- 

eento, andando bem govemados, ha para tudo. E' necessario^ 
que V. M. me mande urna Provisao para q«e possa obrigar a 
gente para o dito bergantim, comò se faz na ilha da Madeira 
pagando-Ihe seu soldo; e assim mais tem necessidade de um 
Patrao pratico, que cà nao lia^ 

De outra cousa ha nesta ilha grandissima necessidade as- 
Mm paitt 08 navios della, comò e muito mais para os que veni- 
re mar era fora; que é o concerto do ilheu de Villa-franca, so- 
bre que j4 os annos passados escrevi a V. M,, e sera poùco de 
eusto porqxie eu' me atrevo com trez mil cruzados fortifical-o,. 
e este sem serem da &zenda de V. M. senào dos dous por 
cento: posto que por ser dinlieiro junto sera necessario della 
se emprestarem e depois ìr-se pagando^ porque o sitio do 
ilheu é tal que pouca fabrica ha mister: artilheria temos cà; 
soldados pódeir urna esquadra cada mez revezar-se, e assim 
OS bombard^icOB. So sera necessario ordenado para o capitào, 
escrivSo^ e despenseirae capellSo que dos dous por cento se 
pode dar* e quanto à £abrìea eu me obrigarei a fazella com os 
trez mil cruzados. V» M. veja a importancia disto que é mui 
grande, poi^que sera fazer um porto nestas ilhas^ que denatu- 
reza é mai*avilboso^ dentro abrigado a todosos ventosy e fora 
aos mais^ e capaz dentro de navios de até 80 toneladasy e fo- 
ra de todo o porte; e eu fico que depois de fortificado se haja 
V. IL por mui bem ser vide. V. M. me fa<ja merce mahdar-me 
responder a iato, e ao mais desta carta, pois tudo é seu servi- 
lo, que scxmente pretendo fazer. 

Nosso Si\ guarde a V. M. com o aereseentamento de vida 
e estado que seus vassallos desejamos e havemos mister, 

Em Penta delgada a 5 de julho de 93 (159a) Gonzalo (1) 
Vaz Goutinho — 

(Torre do Tombe— Corpo Chronologico — Parte 1 /, Ma- 
f> 112-— Itec. 136— iV^.^ successivo lò012—Adderece=z^A EU 
Rei nosso senhor — da capitào da illu» de San Miguel^=) 

(1) Na tonre ciò tomba téom sempre lido — Lòuren90 — eti fui o pri- 
meiro que li — Gonyalo — e là convenceram-se de que eu acertei. 

(Nota do àr, José de Torres*) 

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76 ABCHivo DOS Agata» 

CARTA DE D- PHILIPPE, 
A» Jaiz de f<fra da Uba de S. lignei, de 14 de FeYereiro de ia<7— 

• 

Dom Philippe per gra^a de Deus Rey de portngal e dos 
Algarves &;* Fa^o saber a vos Ld:° P.^^.a.® seca (1) Teixeira 
juis de fora da ilha de Sao miguel q, eu sau inforraado q. 
Dom manoel da camera, conde de Villa franca, do men con- 
celLo, Alcajde moor, capitao e govemador ' dessa ilha com 
vosco juntamente fes bum esciito per q. vós e elle vos obligas- 
tes per meu servisso e credito da republc* a averdes e alcan- 
^ardes de mjm Provizao pera effeìto de serem Jiniados os mo- 
radores dessa cidade de Ponta delgada^ e seu termo encontia 
de cento e trinta mil reis pera com elles se faser pagamento a 
Luiz Correa, morador na dita cidade, por outros tantos que 
pagou aos mestres estrangeiros q, forao com suas naus en so- 
corro à Ilha de santa maria à conta q. por assento feito na 
camera da dita cidade se acordou dar-se-lhe de frete pela so- 
bredita joniada: e querendo gratificarvos o zello com que vós 
e o dito conde nisto vos ouvestes ey por ]t>em q.: na forma da 
ordena^ao fa9aes lanqar finta pellos moradores dessa dita ci-^ 
dade e seu termo de contia de cem mil rew, e o$ trinta q, faltaa 
p:* complimento da dita obliga^ao faraom per conta do dito 
Conde visto obligar-se elle no contrato a pagar o q. Ihe cou- 
besse, e por finta se Ihe nao poder lan9ar nada por sua qua- 
lidade e izen9ao de semelhantes iìntas e òonfiar delle q. acei- 
taraa pagar a dita contia pera cousa tam pia. Eirei nosso 
Snr. o mandou per os Doutores Luis da gama Pereira e Luis 
niachado de gouvea, do seu concelho e seus desembargadores 
do Pa^o: manoel camelo a fes en Lisboa a catorze de feverei- 
ro de 1617, manoel fagundes a fes escrever. Luiz da gàma 
Pereira — Luis machado de gouvea. 

(Archivo da Camara Munidpal de Ponta Delgada^ LJ^ 
velho do Tombo da imposigào dos dois por cento^f. 185.), 



(1) Licenciado Fedro Affonseca. 

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HISTORIADORES DO SECULO XV. 



Diogo Gomes de Cinira. 

Ikeseobrlineiito da» llhas do» A^ares. 



Na BIblÌ(ytìieca Real e Nacional de Munich existe um Codice portu- 
guez N,® 2? com o titulo de — Collecgào de Belagdes de- Valentim Fer- 
'ìAandA8 J.247n)ab^— contendo reIa98eQ de vario» auctores, sobre as desco- 
bortas dos portaguezea até aQ anno de 1508; entre ellas ha urna, em 
latim, escrìpta por Diogo Goraes d© Ci atra contendo ps seguintes cbl- 
pitulost—Z?6 prima inventione Gumeae, — De Insulis primo inventia in 
mare occidentis^ — e finalmente, — De inventione insularum de Agores, 
que adiante se segue, acompanhada da tradac9ao portugueza. 

A respeito deste valioso Codice escrereu em 1845 o Dr, Schmel* 
ler, Blblit)thecario da Bibliotheca Real de Munich^ urna interessante 
Memoria em que dà circunistanciadas noticias do Codice, seus possui- 
dpres e anctores. A narrativa de Diogo Gomes, acha-se ali reproduzi- 
da na integi*a. O Dr. Schmeller tambem extrahio urna copia do ma- 
nuscripto^ que foi emviada para Lisboa e existe na< BibUotheca da 
Ajuda. 

Diogo Gomes ibi pavegador nos mares d'Africa desde o tempo do 
Infante jD. Etenrique até 1463. Descobrio a Ilha de Santliiago, de Ca- 
bo Verde, de que foi Donatario o seu companheiro Antonio de Noi li, 
por chegar a Lisboa com a noticia da descoberta, antes de Diogo Go- 
mes, que ventos contrarios fizeram arrìbar aos Agores. Foi Almoxa- 
rife do Palacio de Cintra. Por carta de D. Affoiiso V, de 26 de Marjo 
de 1466, Servio o cargo de Juiz das causas e feitorias coutadas de Cin- 
tra, até 25 de Junho de 1482; foi Fidalgo Cavalleiro da Casa Real 
por catta de 17 de Dezembro de 1440. (1) Tratando das Ilhas da Ma- 
deira e de S. Miguel, falla- do Donatario d'està, Ruy Gon9alves da 
Camara^ o que indica ter escripto, depois de 1474 em qae este com- 
prou a Capitani^ de S. Miguel a JoSo Soares, Dpn^^tario de Santa 
Maria e de S. Miguel. 

Pedo assim ajaizar^se, que a seguinte e singella narra^^to de Dio- 
go Gomès foi escripta um èeculo aproximadameiite antes das Sauda^ 
de3 da Terra do Dr, Gaspar Fruttuoso. 

. (1) Citada Memx^ria do Dr. Schmeller pag 70, nota * * 

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¥8 lEcmvo DOS AgonES 



De ìnvefilione insotarom de Acores. 

Tempore quodam Infans Dotninus Henrìcus, cupiens scire 
partes extraneas oceani occidentis, si invenirent inaulas an ter- 
ram firniam ultra descriptìon^m Tolomei, misit caravelas ad 
qiiaerendum terras. Qui fuerunt, et vìderunt terram in occi- 
dente ultra Caput finis terrai per 300 leucas, videntesque 
quod essent insulae, intraverunt in primam, et invenerunt eam 
inliabitatam, et ambulante» per eam invenerunt multofs astu- 
res «eu a<joi*es et multas aves, fueruntque ad Becundam, (juae 
nunc vocatur insula Sancii JUichaeiis^ qua^ simiJiter érat inha-' 
bitata, habens etiam multas aves et a^jores, ubi etiam ihvene- 
runt plures aquas calidas naturale^ se. ex sulfure. Illìc vide- 
runt aliam ìnsulam, quae nun<5 vocatur lUia Terceyra^ quae 
sic erat; ut insula Sancti Michaelis, piena arboribus et avium 
€t multi ai^ores. Et invenei-unt ibi prope aliam ìnsulam, quae 
nunc vocatur Ilha de FayaL Et immediate aliam Insulara 
duarum leucarum de insula Fayal, quae nunc vocatur Mha do 
Picoj quae insula est quidam mons septem leucarum ciltitudi^ 
nis, sic quod jnhabitant^s modo multociens accendunt lumi^ 
na putantes esse noctem, et vident solem in vertice monti», 
Qiiae naves reversae sunt Portugaliam nuntiantes domino 
^ìiova. Qui valde gavisus e^U e. 



De insula Sanclae Htrin* 

Infans Dominus Henricus misit quemdam militcm nomi- 
ne Gonzalo Velho^ quem supra nominavimus de inventione 
Ouineae, prò capitaneo illarum caravelarum, quae portabant 
animalia domestica, quae mittebantur in singulas insulas. Et 
venientes ad prin^am, quae vocabatur insula de {xongalo Ve- 
Ihoy quae nunc Sancta Maria vocatur, miserunt illic de ani- 
malibus se. porcos, vaccas, aves etc,, de quibus nunc ibi est 
maxima multitudo. In ista insula habitavit miles ille per tem- 
pus aliquod, 

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ASCmVO DOS AQOS£S 79 

(TRADUC920) 

Deseobriueito das Ukas d«s Acores. 

Em certo tempo o Infante D. Henrique desejando desco- 
brir logares desconhecidos no Oceano occidental coni o intuito 
de rèconhecer se existiam Ilhas ou Terras firmes alem das 
descriptas por Ptolomeu, juandou caravellas em busca des- 
tas terras^ Partiram e viram terra ao occidente trezentas le- 
goas alem do c8Lbo=^Finis Terraey=e vendo que eram Ilhas 
entraram na pritneira, acharam-n'a desliabitada, e andando 
por ella encontraram muitos milhafres ou a^dres, e outras 
aves; e passando à segunda qué lioje se cbama a Jlha de S. Mp- 
ffuelj que igualmente estava desbabitada, acbaram muitas aves 
e milbafres, assim corno abundantes nascèntes d'agoas quen- 
tes sulphureas. D'ali yiramoutra liba que na actualidade se 
cb^ma llha Terceira^ a qual à similban^a da ilba de S. Mi- 
guel, estava, cbeia d'arvores, aves, e muitos a<jóres. Pouco de- 
poìs descobrìram outra Ilba^ que agora se cbama llha do 
FayaU Em seguida outra, a duas leguas de distancia d'està, 
que se cbama boje em dia iZ/ta do PicOy ilba està quetem um 
monte de sete legoas de eleva^ao, de sorte que muitas vezes os 
babitantes accendem luzes acbando ser noite, quando appa- 
rece ainda a luz do sol no vertice da montanba. Aquellas ca- 
ravellas vol^ram a Portugal a communicar ao referido Infante 
as descobertaa que tinbam feito, com o que elle folgou mui- 
tissimo. 

llha de Santa Maria. 

O Infante D. Henrique mandou certo cavalleiro por nome 
Gonqalo VelhOy de quem jà fallàmos, tratando da descoberta 
de Guiné, para capitanear as caravellas que conduzìam ani- 
maes domesticos, que se distribuiram por cada urna das Hhas. 

E cbegando à primeira que se cbamava a llha de Gon- 
i}alo Velho^ e boje Santa Maria^ lan9aram ali animaes taes 
comò — porcos vaccas, aves, etc, de que boje Id, ba uma gran- 
de quantidade. N'esta ilba babitou o referido capitao por al- 
gum tempo. 



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^ft AìlCmvO D0« A^OBSS 



De iDsnla Saneti lieb««ìisi* 

Fnerùnt ultra ad insulam Sanctt Michaelis^ mìserant ibi 
tsimiliter porcos vaccas, oves etc, de quibiis ibi est masima 
multitudo, ut et ad Por^w^aZeawi deducuìit omni anno. Simi- 
liter et de tritieo est ibi tanta copia, ut omnibus annis nàvés 
illuc transeunt et trìticum in Portùgaliam ducunt. In ista est 
nianc capitaneus Sodoricus Gonqalez iv^ter Johcmms Gongalez 
capitanei de insula de Madera. Post non multum tempus In- 
Jans Z>. Peti^s frater Infaniis Domini Eenrid petiit a suo 
fratre insulam istam, quod sibi data fuit in temporalibus, et 
spiritualibus quod sic remansit ut ceteraé insulae Ch^dini 
Christi^ dans quaelibet de omnibus unam decimam, quod 
summus pontifex Eugenius papa confirmavit, et ubi fecit 
mentionem, quod omnes insulae invetitae in mari oceano es- 
sent Domini Infanti^ et Oìyìinis Ckristi. Qui Infans Dominus 
Petrus ilio tempore erat regens regni Portugaliae, qui misit. 
liomines illuc populare insulam istam, et nnsit ibi multos tro- 
tones equos de Alemania, ubi modo sunt in copia magna/ 
Et invenerunt illic multos porcos, qui generati fuerant ab 
inVentione prima usque tuiMj temporis. Ibi est mons magnua 
plenus igne, qui in aestate apparet tamquam carbo vivus, et 
in hieme videtur fumus magnus. Ibi etiam in ^^na planitia 
maxima est ter4'a quasi cinis semper buUiens, et quidquid 
in istam terram projiciunt consumitur immediate. 

— }<2«— 



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▲RCHn'O DOS AgORES 81 



Uba de S. Miguel. 

Passaram-se d^ali & Ilha de S. Miguel] lan^aram n'ella 
igualmente porcos, vaccas e ovelhas, de que La hoje urna 
tao grande quantidade que as exportam durante todo o anilo 
para Portugal. Tambena ha ali tanta abuudancia de trìgo 
que exportam muitos navios carregado» d'elle para Portugal. 
N'esta Ilha habita agora o capitào Ruy Gon9alve8 ìrmao de 
Joao Gonijalves, capitào da Ilha da Madeira. Pouco tempo 
depois o Infante D. Pedro irmào do Infante D, Henrique, pé- 
dio-lhe està Ilha, que Ihe foi dada para a dirìgir nas cousas 
temporaes^ e nas espirituaes e que ficasse pertencendo à or-^ 
dem de Christo corno as outras, pagando todas dizimo de seus 
productos, o que o Summo Pontifice Eugenio confirmou, de- 
^larando que todas as Ilhas achadas no mar Oceano fossem 
do Sr. Infante e da Ordom de Christo. O Infante Dom Pe- 
dro que èra n'aquelle tempo regente de Portugal, mandou 
homens para povoar aquella Ilha, e juntamente cavallos tro- 
tadores d^Allemanha, e d'elles ha ali urna grande abundancia* 
Là acharam muìtos porcos que tìnham sido procreados desde 
a primeira descoberta até este t«mpo. N'ella ha um grande 
monte cheio de fogo que no estio apparece corno um carvSo 
exn braza e no inverno lan^a um grande fumo. Tambem ali ha 
uma grandissima planìcie de terra, corno cinza, sempre a fer- 
ver, e tudo quanto lan9am n'esta terra consóme-se immedia- 
tamente. ' 

— K»~ . 



Voi I-N.M-~1878. ;-•'.' - e 

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82 ARCHIVO DOS AgOBEE 

Yerdadeira origem do nome da Illa d« S. fiiguel e epocha de sea 

descobrìffleoto. 

Aonde fall^em verdades, prevalecevi enganos* 

A historia da descoberta da ilha de S. Miguel^ corno Be' 
acha escripta, contrasta coni a das outi^a ilhas do Ai^hìpela- 
go A^oriano^ pela precisao das datas^ circumstanoias da sua 
descoberta e primeira colonisa^ao. A respeito de todas as ou- 
tras^ pouco ou nadaì se sabe; trevas impenetraveis, encobrem 
aos curiosos o conhecimentQ exacto de tudo o que respeita aa 
tempo e circumstancias das respectivas descobertas. 
r . Surgiram estas illias do ^eio das agoas do oceano, appa- 
i^eceudo à vista dos audazes j)ilotos= portuguezes^ sem que al- 
guem lanQasse ao papel, comò e quando foram encontradas ! 

As ttmos. callejadas pelos cabos das car^vellas, e pelo uso 
das armas de guerra, estavam desafeitas da penna. So pela* 
palavra.se narravam os successos d'estas e d'outms emprezas 
maritimas» 

encontro de desertas ilhas èra achado de pouca monta» 
Sem indigènas que se pudessem escravizar e por em alinoe^ 
da,, sem minas de curo ou de pedi'as preciosas, sem offerece- 
cerem immediatam^ite producto algum veiidavel, devia en- 
tScparecer de somenos importancia tal descoberta em com- 
para.9ao. das feitas nas costas d'Afiica, aonde os especuladores 
nacionaes e estrangeiros iam saciar a sede das riquezasj atro» 
co mesmo de ac95es de expolìaQao, barbi^ìdade e vanda- 
lismo. 

As ilhas do Archipelago A9oriano, cobertas de esplendida 
vegeta9ao, com solo uberrimo reclamando o paciente traba- 
Ibo do colono, deveriam parecer menos importantes, e cbamar 
pouco a atten^ao dos especuladores. Sem os attractivos ma- 
glcos das riquezas da afamada India, .sem os productos nao~ 
pouco apreciados das plagas Africanas, — os A9ores jazeram 
por muitos annos esquecidos e despovoados. 

Desde 1432, anno da descoberta da ilha de Santa Maria, 

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«Bcmva DOS xqo^ìsb 83 

^tó 1444 ou 1445 em que a de S. Miguel fbi prìncipiada a 
<K>lonÌ2&c^r, a existencià dos A^ores quasi passou desaperce-. 
bida. 

E corno a verdade n3p soffre dissimula^ao, for9oso é^en- 
volver a d^seoberta da ilha de S. Miguel no denso véo que 
€obre a descoberta de suas oompanheiras; repudiando: assinX' 
o& outopeis com que até ha pouco se adornava? sua primitiva 
d^scoberla. 

Cada anno que correr, mais difficultarà. o apparecinìentcl 
da verdade, mas até que melfaor^s luzes proporcionem ibeioi 
de apurar o conhecìmento dos fectos, devemos corarigir o que 
até aqui se tem dito, com todas as apparencìas de. realidade., 

Ha trez seculos, disse o benemerito Dr. Glaspar Fructuo- 
80, (1) que a ilha de S. Miguol, assim se chamàra porque 
Frey Qon<jalo Velho a achàra — qos 8 de maio de 1444 dia do 
^pparedmento do archanjo S. Miguel^ principe da egreja. . . . 
e que por apparecer em tal dia efestay Ihefoi pósto este no* 
me de felicissima solate. 

Tratando dasegunda viagemAmesma ilha diz: — sahiram 

em terra na Povoaqào e nella desembarcou (a gente) ^»i 

dia da dedicando do Archanjo S. Miguel a 29 de Septembro 
do mesmo anno, (1444). 

O padre Antonio Cordeiro(2) diz o mesmo que o-Dr. Ghas* 
par Fructuoso, (a quem segue) com a differenza porem de 
affiliar que a segunda viagem foi no anno de 1445, quando, 
pelo contrario o Di\ Fructuoso diz: dò mesmo anno^ corno» 
acima se yé. Aqui,. conio enimuitas outras partes, foi Cordei^ 
ro pouco fiel iia reproduczap dosdìiseres do Di\ Fructuoso — ^ 
attribuindo-lhe J)hrazes que nao «acreveo, propagando assim 
erros so filhos da pouca.reflexao com que o extrac'lou; 

Posteriormente todos OS escriptor^s. tem repetidq — a mes* 

ma versao. — • •- 

Parece que o Dr. Fructuoso applicou aqui, a quasi con- 



(1) No Livro 4.** cap. 1 e 2, das suas Saudades da Terra. 

(2) Na Histovia Insulana no: Lijro V cap. 1 e IL 

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&4 ARCmVO DOS A^ORÈ» 

stante norma, séguida pelo» pilotos d'entSo, de baptizarèitì ttH 
terras que descobriaói com os nomes do santo do dia^ em que 
pela primeira vez as viam. 

Apezar da reconhecida boa fé do dosso priitieiro historia-' 
dor, o Dr. Gaspar Fructuoso enganou-se nao s6 ila origera 
do nome, mas ainda na epocha do descobriniento. 

D'està ultima assercjSo sSo evidentes provas as tress car- 
tas de doa9ao de D. Affonso V com datas de 1439, 1443, e 
1447. Està ultima mostra bem que a ilha de 8. Miguel per- 
tencia ao Infante D. Fedro — Tutor e curador de D. Affon- 
so V, na sua meijoridade, facto que desconhecéó o Dr. Gas- 
par Fructuoso. 

Gomes Eaimes de Azuràra, mais bem informado, dÌ2: (l) 
fE na era de 1445 annos mandou o Iffante a hun cavallei- 
tro, que se cliama Gonzalo Velho, commendador que era na 
€ Ordem de Xp5, que fosse povoar outras duas ilhas que estam 
f affastadas d'aquellas {da Madeira e Porto Santo) CLXX le- 
tgoas ao noroeste; e bua daquestas comecjou o iffante dom 
• Fedro de mandar povorai- com prazimento de seu irmao, e 
tseguyusse sua morte em breve, pelo qual foi despois ao iffan- 
«te dom Henrique; e a està poserà o iffante dom Fedro nome 
ta ilha de Sam Miguel, pela singular deva^om que elle sem- 
«pre ouvera em aquelle santo.» 

Fara provar a devo9ao do Infante D. Fedro pelo Archan- 
jo S. Miguel, vejamos o que diz Frei Luiz de Sousa, (2) des- 
crevendo a Capella Real do Convento de Nossa Senhora da 
Victoria no logar da Batalha. A respeìto da sepultnra do In- 
fante D. Fedro diz: — t A' outra parte se vem humas'balan- 
% (jas e de mistura com ellas algims ramos, de que pendem 
tumas bolotas comò de azinheìra, e huma letra Franceza de 
tuma so palavra (inehe-^Bizir — Ainda que dizem que are- 
i zao das balan9as era deya<;ao particular, que tinha este In- 



(1) No cap, 83 da Chronica do Descobrimento e Conquista de 
Ouiné. 

(2) Na Chronica de ,S. Domi^gos^ Parte 1.* Livro 6, cap. 15. 

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IRCHIVO nOS ACORE« ^85-, 

t fante coitì o Archanjo S. Miguel por certo milàgre, que se 
tlhe (ittribuìo em seu nacimento.» 

Devenios recordar ainda qne.o Archanjo S. Miguel é sem- 
pre representado coni umas balan^jas na mao esquerda e urna 
espada flamejante na dìreita, 

O testemunho de Diogo Gonies de Cintra na sua laconi- 
ca descrip^ao da. Illm de S. Miguel tambem confirma, que es- 
tà pertenceu ao Infante D. Fedro Regente do Reino, que a 
mandou povoar de homens e de aiiimaes domesticos. 

Valentina Fernandes, diz o mesmo que Azuràra, de querai 
talvez extrahio o que escreveo na sua Noticia da$ ilhas dos 
Aqores^ escripta eni 1507, (1) 

Eni vista de tao uniformes dizeres dos historiadores e dos 
docuinentos que precederam muitos annos, o nosso Dr. Gas- 
par Fructuoso, nào é licito duvidar de que a verdadeira ori- 
gem do nome, foi a devo<jao do Infante D. Pedio pelo Archan- 
jo S. Miguel. 

A extensa narrativa do Dr, Fructuoso so se póde acceitar 
corno relativa à vinda dos primeiros colono», de vendo repu- 
diar-se as notaveis coincidencias relativas.aos dias em que a 
egreja reza de S. Miguel, 

Baseando-se em.vagas tradiccjoes, confundio talvez o des- 
embarque dos primeiros colonos com a primeira vinda de 
Frei Gon<jt\lo Velho. Julga ter havido entre um e outro suc- 
cesso, o breve espa90 de alguns mezes, quando pelo contrario 
medearam muitos annos. 

Colonizar sete ilhas longinquas, ainda na actualidade se- 
ria empreza diflScil, quanto mais n'aquella epocha ! 

Para a descoberta de' muitas ilhas dos A^ores bastaria 
urna primavera ou quando multa duas; para as povoar, diz 
a bòa razao, que seriam necessarios muitos annos, constantes 
esfor^os e despezns. A tonelagem insignificante das embar- 
ca9oes do seculo XV, os perigos da navega9ao, o atrazo da 



(1) A Noticia de Valentin) Fernandes, ha de ser impressa n'um 
dos numeros seguintes. 



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86 ARCHI vo DOS AgoKm 

nautica na infancia, so por si bastariam para retardar o tmas^ 
porte de pessoas, d'animaes, de semente^, d% viveres, de in* 
strumehtos'e de todos os outros objecto» indispensaveis à vi- 
da, mesmo dos mais frugaes e ìntrepidos colonizadores ! 

Tudo faz crér, que Frey G.on<jalo Velho, cruzando no mar 
dos A9ore8 descobriria nao so Santa Maria mas^ ainda S. Mi - 
guel, perfeitamente visivel d'aquella ìlha nos dias clarod« 
Achadas estas duas primeiras, e>tam jimtas, deverkt buscar 
outras nas parageius visinhas. Nao conhecendo a direc9ao qua 
bavia tornar, gastarìa sem duvida muito tempo em baldadaa 
earreiras^ e talvez so no seguinte anno recome^aria a empre- 
za. Logo porem que o acaso o encaminliasse na direc^So de 
Oésbe, o apparecimento da ìiha Terceira, devia animàl-o a 
progredir aìem d'ella, e por pouco que o fizesse devia ver e 
descobrir todas as outras, com exolusào das Flores e do Cor- 
vo^ que por demòf arem mais àffastadas escapaiìam a suas* 
pesquizas. 

E' està a marcha rasoavel que se pode suppòr, houve na 
descoberta do Archipelago A9oriano, marcha que eAé certo- 
ponto se acha con&madà pelo que atraz se ve na rela^ao de 
Diogo Gomes, a paginas 78 e 79; e pelo dizer de Martinv 
Behaim em uriia das notas do seu afamado Globo de Nu* 
rembèrg, que adiante se reproduzirao. 

E.doC: 



-K»- 



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VAAIEDÀDES 



OS ALLMENDS NA SUISSA 

Propriedide fflonicìpal comd iogradouro eomnon. 
I 

Quem, 8ob a impressao das con8Ìdera<;oes dolorosas que 
provoca o estado da condÌ9ào social na quasi totalidade dos 
poYOs, laD9ar a vista e dirigir o estudo para a varìada e ao 
mesiuo tempo sìmples organisaqao administrativa da Suissa, 
acharà ahi o modelo das verdadeiras in8tituÌ9oes deniocrati- 
cas, gai-antindo ao8 povos, desde as mais remotas epocas, o 
goso da liberdade, da egualdade, da ordem e da felicidade, 
até onde à condÌ9ao bumana é dado fruir a piena posse do 
bem*estar. 

Dizem OS bistorìadores, os eociologos e os economistas 
que as democracias antigas decaìram porque nunca souberam 
concìHar a egualdade dos direitos politicos dos cidadaos com 
a des^gualdade das condÌ96es sociaes doa individuos. 

Nas democracias modernas revela-se com o mesmo syro- 
ptoma o fundamentado receio de egual catastrophe. À revolu- 
9ao franceza, essa grande enxancipadora do hòmem moderno, 
apezai* das suas nobres idéas geratrizes do direito e da liber* 
dade cojitemporanea, peccou por considerar o bomem em 
abstracto,-^— e reconhecendo-lhe theoricamente todos os direi- 
tos naturaes, abolindo todos os privilegios de casta, nao con^ 
seguìu cimentar os fundaméntos da sociedade civil, economi- 
ca e politica em bases perduraveis que, creando ao par da li- 
berdade das faculdades a egualdade das condÌ9des, resolves- 



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88 ' ÀECfflVO DOS AgOEÈS 

sera de vez a questào social aìnda hoje cei'cadn de obscuricta' 
des e cortada de abysmos. 

Na Suissa, ao par do homem revestido de todos os sen» 
inalienaveis direitos, existe a provincia coni a» suas liberda- 
des tradiccionaes, a comraiina eom a sua propriedade indivi- 
sa^ todas as suas outras regalias. homem alli, longe de 
poder perder-se corno naufrago no seìo da sociedade, tem di- 
reìto a reclamar urna parte do solo da patria onde exer9a a 
sua actividade, obedecendo à lei do traballio e provendo à sua 
subsistencia. 

Duas instituÌ95es existem alli desde tempos immemoriaes: 
a autonomia dos municipios e a propriedade communal. Os 
seus homeiis politicos tem-se colligado para manter a primei- 
ra e os econo mistas sao unanimes em defender a segunda co- 
rno urna dàs mais seguras garantias da liberdade e do bem- - 
estar dos seus concidadaos, dizendo que existindo ìntactas 
essas instituÌ95es desde tantos seculos, e coexistindo sempre 
com ellas a maxima liberdade, egualdade e ordem entre o 
povo helvetico, tem esses factos para elle a coordeita9ao de^ 
causa e effeito, sobretudo entre as classes laboriosas do cam- 
po que na propriedade commum, nos bens communaes, acham 
sempre uma fonte de prosperidade, senao de riquezas. 

Sem profundar muito este facto, que hoje quasi se tornou 
exclusivo da exemplar republica alpina, mas corno elle foi 
das instituÌ96es primitivas de todos os povos e apezar de prò- 
fundamente destruido pelo tempo ainda hoje alguns vestigios 
se encontram da sua existencia, é, sobre curioso, util exami- 
nar o seu modo de ser entre os cantoes suissos por isso que 
facil sera a accommoda9ao dos principios que o regera & 
transforma9ao de tanta charneca inutil, de tanto baldioim- 
productivo, que ainda hoje possuem nao poucos municipios 
nossos, de pastagem communi de uns rachiticos gados em lo- ; 
gradouro verdadeiramente efficaz para os municipes pobres e | 
para a riqueza territoriah | 

E' o que vamos fazer, tornando por base um trabalho do | 

distincto professor belga e notavel homem de letras^ Emilio 
de Laveleyje, que estudou a fundo as condÌ95es da proprieda- i 

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-A 



ARCtìlVO DOS ACÓRtS B9 

de^ primitiva das communas lielveticas e a sua organisa^ao 
ao par das franquias municipaes no nossb tempo^ 

II 

Pode apresentar-se corno o typo da mais perfeita demo- 
cracia o i-egimen admìnistrativo da Suissa. A' lìberdade da 
cidadào corrisponde alli a piena autonomia do municipio^ Ao 
par do tao pteconisado self-government da administra<jao in- 
gleza tem existido desde as mais remotas epocas, e ainda se 
mantem nos'nossos dias o iownship helvetico, um modelo de 
vida politica e administrativa perfeitamenté respeitadas e in- 
dependentes. 

Sem entrarmos na mìnuciosa investiga9ao da forma por- 
que essa autonomia communal mais' clava se revela nos can- 
tOes de Uri, de Schwytz, de Glafis, dos dois Appenzells e 
de ambos os Unterwaldens por meio do governo directo do 
povo, notaremos, corno fei^ao que mais prende com o nosso firn, 
que o municipio suisso nao é sómente urna instìtuicjao politica 
e administrativa, mas que é tambem urna instituÌ9So econo- 
mica. Se, comò em toda a parte, custeia as despezas da in- 
struc<;ao, do culto, da policia, da via^ao e outros muitos eh- 
cargos d'administra<jao geral; tambem assegura aos cidadaos 
o goso da propriedade, garantindo aos pobres os meios de se 
manterem na liberdade e na independencìa. \ 

Desde ha dois mil annos segue a Suissa a evolu(;ao do' 
progresso social, mas conservando comò dissemos, sempre iri- 
tactas as suas duas instituÌ9oefi primordiaes, a communa e a 
propriedade municipal. 

Segundo as tradic^Ses da prlmeira, reunem-se ao ar livre 
OS cidadaos de maior^edade n'um dia de primavera em cada 
anno e ahi, à semelhan9a das decisoes da Germania primiti- 
va no campo de maioy votam' a legisla9ao communal e no- 
meiam o funccionalismo encarregado de Ihe dar execu9ao. 
Para a maioria dos cantoes o poder centrai, o Estado so tem 
por missao fiscalisar contra as depreda93es o patrimonio he- 
reditario da communa, manter a obediencia às leis geraes da 

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90 IBCmVO DOS AgOKEg 

harmonia cantonal e garantir pelo r^&peito do» tratado? a 
observancia das boas rela96es internacionaes. 

Pela segunda é distribuìda a lotaQao dos terreno» munici- 
paes pelos trabalhadores da communa, de sorte que na capi- 
ta(jao se comprehenda, até onde a natureza dos terrenos o 
permitte, urna gleba de jnatta para explora^ao de lenha ou 
madeira» de construc^So, urna de pastagem para alimento dos 
gados no verao, outra de terra lavradia para generos alimen- 
ticios e por vezes um lote de terreno turfoso para forneci- 
mento d^esse conibustivel. Este usufrueto iemporario, e, 
quando multo, vitalicio, é corno que uva jus possessionis seme- 
Ihante ao que tinha o cidadào romano sobre o affer puhlicus, 
continuando o dominium a perteiicer à collectividade, 

E' da institui^ao pnmordial de todos os povos este regi- 
nien» Diz-se muitas vezes que as sociedades debutaram pela 
realeza patriarclial, mas é um engano que provem de so se 
profundarem as tradiijoes da Grecia heroica. Ao princìpio o 
regimen pastoni permittia o gozo em commum das pastagens 
e das ilorestas indivisas; mais tarde a necessidade das cultu- 
ras produziu a sua repartÌ9ao temporaria por quinhoes, que de 
tempos a tempos se ampliavam ou subdividiam conforme o 
numero dos novos chefes de familia o pedia; por firn o subido 
gran de poder que alguns d'estes adquiriram foi pouco a pou- 
qo, por urna apropria^ào violenta, transformando a partilha 
commum em transmissao hereditaria. O feudalismo trouxe a 
extincQao quasi completa d'esse regimen, e hoje raros vestigios 
se encontram d'esses baveres communs n'alguns poucos bens^ 
municipaes que em torno das velhas tradic9oes d'alguns mu- 
nicipios ruraes ainda exlstem, aridas devezas que so servem 
de triste pastagem a raros e rachiticos rebanhos. 

Nos alpestres cantoes suissos, por onde o feudalismo per- 
passou sem lan9ar raizes em solo que Ihe era rebelde, tendo 
jà de todo desapparecido antes ainda do fim da meia edade, 
é onde so existe em pieno vigor aquella in8tituÌ9ao das so- 
ciedades primitivas; a co-existencia da propriedade particular 
nao annullou alli a propriedade communal. 

Chama-se alli Allmend aos predios do municipio que este 



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ARCHIVO DOS AgOREB . 91 

eede & explora^ao do& cidadaos do concelbo. Como os seus li- 
mites sao sempre acauhados perante o numero da'popula9ao, 
é o allmend explorado segando os processos agricolas mais 
racionaes e perfeitos. D'aqui uni valor crescènte para ò ter- 
reno e urna progressiva prosperidade para o cidadao. 

Para os terrenos, porque as terras cultivadas do allmend 
chegam a arrendar-se por 250 e 300 francos ó hectare; para 
o cidadao, pórque individuos que n'outros paizes teriam a vi- 
da miseravel do pi-oletario, explorara na Suissa uni tracto do 
terreno qu^ Ihes fornece os meios de subsistencia. Assim em 
Stanz no baixo Unterwald cabera a cada usufructuario 1:400 
Ma/ter^ que correspondem a 45 ares de terreno; na coramuna 
de Buche do cantao de Saint-Gali tem elles 1:500 klafters, 
quasi melo hèctare de terra lavradia coni um quinhao de matta 
onde exploram conibustìvel e de baldio era que apascentam 
OS gàdos, isto alem do terreno que a municìpalidade reserva 
para cdm o seu rendimento custear toda& as despezas da admi- 
nistraQao. N'uma communa do Oberland de Saint-Gali, em 
Wartau/ chegam a caber em partilha aos liabitantes 2:500 
klafters, ou 80 aras de terreno. 

valor e extensao d^estes terrenos é enorme. Assim em 
Obwald no cantao d'Unterwalden, para 13:000 habitantes, 
ha allmend no valor de 11.350:000 francos; na cidade de So- 
leure, cantSo do mesmo nome, està a propriedadè divìdida em 
6:409 quinboes florestaes, de 3G aras cada um, em 1:041 lo- 
tes eguaes de pastageìn e 136 de terra» araveis, dando para 
5:500 habitantes uni valor que se considera superior a 6 mi- 
Ihoes de francos. No cantao de Schaffliausen a propriedadè 
collectiva é um ter^o do territorio do cantao, e nos cantoes- 
d'Uri, de Zug e de Schwytz sao ainda os allmends de urna 
extensao considera vel. 

Vamos tornar mais completo este trabalho esbo^ando ra- 
pidamente a parte regulamentar por meio da qual se concilia 
o respeito pela tradi<jao com as prescrip^Ses policiaes, por for- 
ma que a boa ordém em tao difficil distribuÌ9ao de haveres 
seja sempre escrupulosamente mantida» 



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92 ARCinVO DOS AgORE» 

III 

Èm quanto a popula9ao era poiico extensa com rela<jaa ao 
territorio, nao se sentili a necessidade de regalar o compas- 
cuo e toda a mais explora^ao em commum do allmend can- 
tonale 

Do secalo XV em dlante é qua apparecem os prinieiros 
regulamentos sobre o assumpto, e d'entao para cà formam el- 
les, com todo» os casos julgados por contesta^oes &ubmettida» 
às assembleas populares^ parte importante do» archivos com- 
munaes, decisoes està» que, corno* as 6y-Zaw5 inglezas, ou o» 
julgamentos das assembleas dos poldevs na HoUanda, sao fei- 
tas cumprir pelos tribunaes. 

A exploracjao actual do allmend varia diurna j>ara outra 
communa. As condÌ96es da popula(jSo ex)s systemas d'admi- 
nistra9ao iiifluem no regimen regulamentar dando-lhe aspe- 
ctos diversos, todavia o doutor Becker, illustrado ecclesiasti- 
co do cantao de Glaris, no seu livro Die Allmeinde redua 
todo esse corpo de vaiiadissimas praxes a tres typos princi- 
paes de classificaijao representados pela regulamenta^ao nos 
tres cantoes de Uri, de Glaris e do Valais. 

Uri, — N^este cantao, segundo as tradi(joes primitìvas, a 
territorio coAmiim nao anda snjeito às circumscrip9oes politi- 
cas ou administrativas. Nao ha alli outra demarca9ao senno a 
que a nalureza tra9ou dividindo o cantao eni dois districtos^ 
o de Uri e o de Useren, pela garganta profunda de Schoel- 
lenen, cujo fundo abysmo serve de leito à corrente espumosa 
do Reuss. 

Nao havendo no districto de Uri arfolamento dos terrenos 
do compascuo, calculou-se era 1852 que bavera extensao de 
pastagem para a cria9ao de 5:417 vaccas de leite, o que divi- 
dido pelas 2:700 familias usufructuarias dava a cada urna di- 
reito à comida de verao para duas vaccas. Mas a essa por9ao 
de pasto tem cada familia direito, esteja em que locai do dis- 
tricto que for, de sorte que alli o allmend nao é da locali da- 
de — é cantonal e d'uso geral para o povo. 



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À&cìàivo DOS ÀCOUM ss 

A parte florestal foi lem 1865 avaliada em 4 milhoes de 
fi-ancos, o que dava à explora^ao de cada familia iim capital 
de 1:300 frantìos. Para Be formar jniao sobre a distribui<jào 
das sUas lenhas e mndebas p^los habitantes, vamos referir o 
modo poixjue ella se effectuou ìqo «lludido anno em urna po- 
voatjSo perto d'Atd*orf, que pode servir de typo dessas repar- 
tÌ96es. 

A' prìmeira classe dos nsufruxìtuarios, no numero de 120, 
eouberam seis grandes pinlieiix)s, corno proprietarios cujo mo- 
vimento domestico exige maior consumo do combustivel; a 
SBgunda classe, composta de 30 cidadaos, comprehendia os 
que faziam corno os pi-ecedentes, gasto de lenha em lume, 
aquecer forno, etc, mas nao erara proprietarios, tendo por isso 
quatro pinheiros; a terceira classe, que nao passava de nove 
cidadaos, era das pessoas sós, sem proprìedade nem familia, 
éis quaes couberam tres pinheiros em partilha; a. quarta clas- 
se, formada por 36 pessoas, compunlia-se dos que nao tinliam 
lar proprio, recebendo para o fogo do inverno so dois pinhei- 
ros. D'estas 194 pessoas, 52 tiveram urna repartÌ9ao de 178 
grandes arvores de <5onstruc<jao para reparos e novas edifica- 
95es- N^este facto està o segiedo das elegantes construcQoes 
de madeira, d'esses formoso» chalet^ que a classe dos cultiva- 
dores habita na Suissa e que no resto do mundo so os ricos 
podem possuir. E' o allmend, é a floresta communal que os 
construe e que os manteni, 

O districto d'Uri tem aìnda 400 hectares de terra lavra- 
dìa, que dao a cada familia urna horta de 14 aras, de sorte 
que todos os legumes, fructos, linho para uso domestico e mui- 
tos outros generos de prìmeira necessidade sao fornecidos à 
familia usufructuaria jiclo allmend. 

Um ligeiro senao tem ennodoado a puresa d'està insti» 
tuiijào no districto referido. principio que pisside a estas 
partilhas da pastagem, do bosque e do chao aravel tem sido 
sempre — a cada um seguhdo as suas necessidades. Mas o la- 
vrador que cria 30 vaccas tem no pasto 60 Kuhessen (comi- 
da que em rateio cabe a cada cabe<ja de gado), o casal que 
tem repara(;,oes custosas a fazer recebe rìquissimos lotes de 

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94 ÀRCHIVO DOS AgofeES 

madeira, e o pequeno trabalhador so tera uas molhos da le* 
nha e urna nesga de pasto; egualdade, ha-a so na reparti^ao 
da terra lavradia* D'aqui a limita^ao ao numero de 30 cabe- 
Qas de gado, que ninguem pode exceder em pastos do alimend; 
mas as rivalidades e as invejas de ve« em quando fazem explp- 
silo, à semelhaiKja das luctas a que na Roma antiga dava ori- 
geni entre patricios e plebeus a exploracjao do ager publicus^ 
As opinioes mais sensatas dos arbitros d'estas questoes incli- 
nam-se para um augmento do allmend cultivado, de maueira 
que as vantagens que tem o lavrador rico no goso das pasta- 
gens seja equilibrada para o cultivador por urna maior parti- 
]ha de terreno aravel. Este systema aproxiniarà entao a ex- 
plora^ao do terreno municipal do segundo typo de usufructo 
que passamos a expor, 

Glaris. — N'este cantao a propri^dade collectiva é demar-' 
cada pelas circumscrip96es administrativas, urna grande par- 
te de cujas despesas é custeada pelas rendas dos bens com- 
munaes, 

Os terrenos de pastagem sao postos em pr^<;a pelo muni- 
cipio e arrendados a quem mais offerecer, o^que é contrario, 
às antigas tradi^oes do allmend, mas so se pratica para acu- 
dir às urgencias do cofre municipal. 

Quanto d distribui(;ao das lenbas e madeiras dos bosques 
communaeSjUmas municipalidades vendenj, tambem empra^a 
o direito aos seus cortes, outras fazem delle urna distribuiQao 
entre os habitantes segundo principios analogos aos que. aci- 
ma expuzemos, porem mediante uma remunera^ao estabele-. 
cida, A folhagem secca. dessas florestas é distribuida entre os 
liàbitantes para camas do gado e é tal a avidez com que elles 
a recolhem, para abasteci mento das provisoes de inverno^ que 
mio poucos casos fàtaes se dao entre os que se ariiscam pe-. 
las encostas abruptas das regioes montanhosas a recolher em 
vertiginosas alturas esses preciosos detritos florestaes. 

No que bastante se esmeram todas as oommuuas de Gla- 
ris é em fornecer aos cidadaos desvalidos porgao ^ufficiente , 
de terreno aravel. As lota93ea d'este variam de 10 a 30 ai^as 



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AiEfecmvó DOS A90RES 95 

por faniilia, conforme a^ extensao dos bens communaes. Cada 
urna o» conserva por esi)a<;o de 10 a 20 e 30 annos, findo o 
qual OS lotes sao de novo niedidos, e repartidos segundo as 
exigencias da populaijao, Nada mais bello, nem que mclhor 
i*evele os assiduos cuidados do trabalhador rural, do que es- 
sas paix^ellas de terreno que em torno das habita<;oes se tor- 
nami em vei*dadeiros jardins liorticolas, 

N'algumas conimunas o municipio tem urna pequenissima 
poroso de terreno communi para repartir, Formam-se entao 
sociedades, às vezes de trinta compartes, que adquirem ter- 
ras para repartirem entre si conforme numero d'ac<j5es com 
qne entrou cada um, Essas corpora^Oes sao adminìstradas 
segundo os principios do allmend, e sao verdadeiros typos de 
associa^oes cooperativas de produc^ao applicados & agricul- 
tufa. Ao lado d'ellas prosperam jà em muitas communas da 
Suissa as sociedades cooperativas de consumo, completando 
assim uni quadro exemplar de vida economica, de mutuo au- 
silio e de harmonia social. 

Valais.-— Rara é a communa d'este cantào que nao seja 
rica de extensos bosques, pastagens, vinhedos e terras de cul- 
tura. Comò no Uri o numero de cabe^as de gado, que o la- 
vrador apascenta no allmend, corresponde ao que de invernò 
pode manter em . estabula9ao, A lenha porem e as madeiras 
d'obra dividem-se entre os co-usufructuarios por lota^Ses ti- 
radas à sorte, 

E' aqui onde na maxima pureza ainda se encontram as 
singelas rela(j5es sociaes dos tempos patriarcliaes. 

Os vinhedos da communa sao explorados entre todos od 
flctis habitantes, bem corno n^àlgùmas localidades as terras de 
pSOé N'alguns pontos a propriedade collectiva é dividida 
pelo processo da tiragem à sorte entre os liabitantes necessi- 
tad<^ da communa, qne assim tèm urna parcella de teneno 
que Ihes garante a subsistencia; ma« na maioria das cir- 
exmiserip9oes municipaes, tirada do rendimento .do allmend 
explorado em conimumuma parte do capital, que é emprega-^ 
da. na-acqnisiijao de queijos, applicam o remanescente ao ous- 



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^ AflCrilVO DOS AgOBES 

teio de banquetes cordiaes que celebram em cada anno as 
produc9oes beneficas da vinha e do cereal, à semelbaiKja das 
merendas em commum de Sparta e de Creta, ou dos àgapes 
fraternaes dos prirueiros qiiatro seoulps do cbristianismo. ^ 

Verdadeira fraternidade é està de que tanto se blasona 
hoje na theoria das institiiiQoes liberaes, mas que na pratica 
é o unico ex^mplo conhecido entre as tradÌ9Ses populares da 
Europa. E quando a ceremonia da ceia entre os primeiros 
christàos se reduziu por toda a parte a um frio symbolo de 
ceremonial liturgico, vamos ainda encontral-a viva, na forcja 
piena de urna confraternisa^ao tocante, entre Os modeatos ha- 
bitantes dos Alpes, onde o frio, dos gelos nao logrou apagar 
em cora9oes de lieroes o amor da patria e a fraternidade dos 
<joncidadaos ì 

Taes sao os tres typos genericos em que se conglobala to- 
dos OS systemas do usufructo em commum nas variadas admi- 
nistra^oes do allmend Suissio. N'estes breves tra^os se resu- 
mé a simples mas vasta engrenagem de um machinismo, que 
a tempo e seni esfor90 distribue por alguns milhOes de ho- 
mens um valor immenso e uma vastidao enorme de proprie- 
dades. 

Alguns tra9os mais sobre as ìncontestaveis vantagens d'es- 
tà instituÌ9ào pratica e util, e tei-emos completado o ligeiro 
quadro que d'elle nos propuzemos a bosquejar. 

IV 

Emilio de Laveleye nao hesita em affirmar serem de tal al- 
cance estas reminiscencias das epocas primitivas implantadas 
lioje ainda entre as popula9oes helveticas, que entende dever- 
se-lhes attribuir a longa e gloriosa dura9ao da democracic^ na 
Suissa, 

Razoes de ordem politica e economica concorrem para 
confirmar essa opiniao. ... ... : 

Primeir^mente^ comò os usufructuarios tomam todos par- 
te na administra9ao collectiva do allmend, reunindo-se todoÉ 
òs annos para assistir à prejita9ao das contas, intervir aas de- 



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ìiWa^oes qiie os casos accorrentes exìjani, nomear os delega* 
dos qiie durante o intervallo dus assembleai exercem os car- 
gos que 08 servi<jos da administratjao reclauietn, discutir e fi- 
nalisar todos os actos em que a actjao municipal possa intei*- 
vir nos ihteresses dos cxploradores doallaiend, — essa inge- 
vencia torna-se uni verdadeiro aprendi^ado da vida politicH 
que iiiieia os eidadàos na gereneia dos negocios publieos, dan- 
do-lhes sobre o regimen reprasentativo noi^es essencìaes em 
todo pai2 onde existe o suffragio univei'saL Assim tani- 
hem no townshipy o madelo da descentralìsa^jSo administrati- 
va, é que a deniocracfa americana tem fii*mada« as tsuas nuiis 
«eguras raizes, 

Em segundo logar, e^a certessi de nsufructo sobre a prò- 
prìedade é urna garantia de seguranga para as classes labo- 
ìiosas, a quetn imnoa falta a «ubsi^encia e de inverno o ear 
lor do fogao, e para a sociedade, à qual assegnra a oi-dem a 
grande somma de interesscs empenhados em a conservar. Em 
quanto nà Inglaterra a alguns milhai^s de proprietarios cor- 
responde o proletariado com milhoes de ìndigentes, na Snissu 
raros sao os que nao tem lume para se aqnecerem^ forràgem 
para sustento de urna vacca e terreno que Ihes produza os ge- 
neros de primeìra nccessidade, — Holzy Alpy und Feld. E' n 
verdadeira propperidade social formada pela somma das pros- 
peridades indinduaes^ 

Depoìs ha aìnda a fixacjao das popìila<joes nos povoados 
ruraes, pelos interesses que as pi-endem à cultura e explcra- 
^^ao do solo. Na Snissa o camponcz tem «a sua aldeia nma 
condì (jao preferì vel aos azares da emigi*a<jào para as grandeti 
cidades em demanda de problematico salario, Tambem nao 
exlstem aK essas immensas cidades babylonicas, onde milha- 
res de creatnras iiumnnas, sem garantia parao presente e 
seni esperan^as para o futuro, se amontoam em bairros insu- 
ìubres, antros do crime, valha-coutos de vadiagem, onde es- 
tao sempre aguerridas, para os tristcs dias du lucta, as pha- 
ìanges da anarchia e da revolta. 

Deve ainda notar-se que a propriedade collectiva fixn 
;iios campos os bracjos diaponiveis dos trabalhadores; as ìk-^ 

VoL I-N.« 1-1878. nr^J..]^ 

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98 ARCHITO DOS Ago&lQl 

dustiias, que nos outros paizes mantam as suas fabrìca^^ noè 
grandes centros de popnla9aOf acbam-^se na Suissa dissemina' 
das pela» povoa^oe» ruraes^ Assitii, quando n^um d'esse» ra- 
fìios da Imniana activid^de o trabalho escasseia, repòe e outro 
a falta e restabelece-se o equilibrio; e em quanto na maior 
parte dos paize» os operarios so vivem de urna occupa^ao 
unica, na Suissa prende-os um la^o duplo ao chao em que 
nasceram. D'aqui urna duplicada prosperidade, e habitos dar 
ordeni» tradi^Ses de hamioniaf espirito de eonfraternidade 
qiie na organÌ8a<;ao do trabalho nos outros paizes sé nao en- 
contram entre bandos de operarios nomadas sempre em lucta^ 
para augmento de salario e diminui^ao das horas de traballio^ 
com 0% emprezarios industriaes. Finalmente essas gi-andes ri- 
validades de clasees, fomentadas especialmente entre rieos e 
pobres, eijtre os que possuem propriedade e os que nada tem^ 
esse perigo social apontado sempre por todos os publieistas 
eminente» desde Aristoteles até Maekiavel, Montesquieu e 
Proudhon, de todo se evaporam na ditosa org^nisa^ao da de* 
mocracia helvetica. 

Os allmends suissos, distrìbninda por todos os cidadaos 
urna quota parte da propriedade collectiva, evitam que a de^ 
segualdade das condi^des se tome absoluta, obstruindo assiin 

fundo abysmo que na maioria dos estados traz divididas a» 
classes superiores das inferiores; e tornando impossiveis essa» 

1 ivalidades, que por vezes n'^outros paizes degeneram em lu- 
cta entre os pobres e os ricos, e que sao o perigo e a ruina 
das instituÌ95e8 democraticas , garantem a ordem por essa 
admiravel distiibui^ao da proprìedade com a qual se Éaa 
pode ser ncm muito rieo, .nem tambem milito pobre. tNa 
Suissa, — diz E. de Laveleye, — nùnca a propriedade esteve 
amca^ada: por quem. o seria ella/ scudo todos pioprieia- 
rios?» 

Que resultados admiraveis nao daria nas nossas eolonia» 
de Africa e Asia a applica<;ao d'este systema à povoa9ào da» 
suas grandes extensoes de territorio, tao aproveitavel ecmo 
até boje abandonado l 



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ÀKCJHiyo DOS AgORM 99 

Tetnos visto fazer concessSea d'elle a particulares para 
«xplora9So individuai de urna cultura ou de urna industria. 
Ainda nSo vimos estudar-se a fundo e praticamente a sua 
concesHao a colonos lavradores e industriaes, que adquirindo. 
para si um futuro elevassem tambem o nivel das nossas pos- 
«essSes do ultramar, ao exemplo das recentes funda<;Ses colo- 
niaes por emigrantes alsacio-lorennos na Argelìa. 

Muito ha a esperar da recente expediijao geograpliìca por- 
tugueza à Africa austral, se a par da exacta fixa^ao dos nos- 
SOS limites, e das descobertas scientificas e geographicas, se di- 
rigir a attenijaò dos audaciosos exploradores ptira as localidar 
des ónde todas as condÌ9oes se combinein para aconselhar a 
funda^ao de urna cplonisa9ao methodica, à qiial se deve dar 
a organisa9ao da propriedade do allmend suisso, o mais util de 
quantos systemas se possam adoptai* n'um i-egimen colonia!. 

Em vez de pelas ruas das nossas grandes cidades se man- 
ter a vagabundagem pela esmola que desijioralisa, abra-se-lhe 
carreira e dé-se-lhe futuro na colonisa9ao do ultiamar. Deri- 
ve-se tambem para là essa corrente caudal da emigra9ao, que 
eaiudo das priva95e8 do lar domestico vae encontrar ria Ame- 
rica OS liorrores da miseria ao par das tristezas do exilio. 

Colonias prosperas, activas, industriosa» poderao elevar 
ainda Portugal da sua decadencia fatai; veja-se o usu-fructua- 
rio laborioso, independente, feliz do allmend suisso, e julgue- 
se à que ponto de florescencia este bello systema, cuidadósa- 
inente esludado e applicado com discrip9ao, poderia- elevar o 
òliao esteril das nossas poasessoes pela lavourà, o seu bom 
nome por urna colonisa9ao modelo, a sua prosperidade pela 
riqueza, a industria e a civilisa9ao ! 

E nós, a9orianos, pensemos tambem um pouco nos males 
que nos vao por casa. 

A febre da emigra9ao tambem se apoderou d'este archi- 
pelago, e todos OS annos là vao 5:500 a 3:000 pessoas & ven- 
tura, das quaes urna duzia regressarà annualmente oom mo- 
destos haveres,, cabendo em partilha às deniais a diziina9ao 
pela febre amarella, as prira^oes dà miseria, o trabaiho, o des- 
àmparo e a fome. 

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100 jlÉCHiyO DOS AgOEESf 

excesso de brago» a que corr esponde urna procnra fra^ 
ca, o angmento crescente no prego d«'\8 subsistencias sem que 
H àrea do traballio cresga de forma a equilibral-o, sao a ex- 
plicagao economica d'esse phenomeno sociaU 

Rasgiiem-se noyos horisontes & applicagao das forgas do 
trabalhador; déem-lhe campos que lavre, industrias que ex- 
plore, charnecas que arj-oteie, e tel-o hao fixado ao solo onde 
reeebeu a rida pela actividade remuneradora, que Ih^a man- 
tem. 

Nao é de momento que pode operar-s^ urna compieta re- 
forma social e economica. O que pode multo beni fazer-se 
desde jd é entiegar à arborisagao, ao apastamento e à cultura 
largos tractos de terreno aìnda inculto, empregando em utili- 
dade nossa tantas forgas vivas, fontes de incalculavel riqueza^ 
que deixamos perder aqui, e d ixamos emigrar para estra- 
iihas terras, pela indolencia .'enlo pela inercia» 

Mais ou menóstodos os municipios d^este arcliipelago saa 
ainda hoje possuidores de vastos baldios abandonados, que 
servem de magra pastagem a raros e enfezados rebanlios. Fa- 
cil seria ti-ansformal-os, segundo as sua» eondigoes especlaes^ 
em mattas, em pastos e terras lavradias- E' um thesouro e»-- 
cM)ndido que està reclamando mao industriosa que o desentra- 
nlie do solo e o aproveite» 

Um emprestimo de alguns contos de reis contraltido pela» 
camaras municipaes dos Agores, e especialmente as do Nor- 
deste e Povoagao em S. Miguel^ permittir-lhes-hia rotear cu 
piantar desde jà algum tracto de terreno, obtendo assim meioa 
deconjurar em parte a crise de faltà de traballio, que actual- 
)i\ente tanto afiBige estes povos, e inìciando o aproveitamentò 
racional d'esses baldios, que ahi jazem estereis quando pode- 
riam garantir a prosperidade das povoa^oes, transformando- 
se em logi-adouros communs segundo a base da propriedade 
coUectiva dos cantoes suissbs. 

De futuro o augmento de valor dos terrenos municipaes^ 
fazendo crescer as rendas do municipio e abrindo largo cam- 
po à exploragao agricola^ redundaria todo em vantagens cer- 
tas para os habitantes do conceiho: — umas directas, porque 



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A]RCHlVO DOS AgOREg . 101 

se gcneralisava UBufructo da propriedade a tantos que nao 
podem de outro modo possuil-a; outras indirectas, porque os 
uielhoramentos geraes se desenvolveriam em propoi^ao com 
o augmento de i iqueza do* Iiaveres mnnicipaes. 

N'esta piiblica9ao destinada a arcliivar todos os documen-' 
tos da historia da vìda insiiìana, todas as aspira9oes consa- 
gradas^ a tornar essa vìda melhor, tem cabìda naturai e3te 
nosso voto. ^ , , 

A crise economica é faci! de transviar-se em perigo sociaL 

Convem que de futuro se saiba que desde que os ponto» 
negros despontaram . no horisonle houve quem, apontando 
para a tempestade, lembrasse um melo facil de conjural-a, 
q^^uem em vista do perigo mostrou urna porta aberta para o 
evitar. 

Compilando estes factos, estd o ARCHIVO no seu posto a 
Qumprir seu dever. 

Gaetano d'Andrade Albuquerque. 

A proposito da dou trina do precedente artigo transcreve- 
mos do recente livro do sr. D. Antonio da Costa, No Minho 
Gap. Xv — IH, um curioso quadro de costuraès diurna aldeia 
d'aquella provincia, onde se encontram vìstigios da organi- 
sa^ao da propriedade commùnal a que nos temos refendo. 

«N3lo temos republica, disse eu? Pois teiQOS mais do querepublica 
n'este alto Minho e nao muito longo do Suajo; temos a commuua. 

E temo! -a de antiquissima data. 

Alem està na margem direita do Lima; a doze kiloii^etros da Pon- 
te da Barca, a freguezia de S. Miguel de Entre os Rios, ao nascente 
com o seu grande morrò jda serra amarella que vae prender com o 
phantasioso Gerez, e do norte protegida pelo serro do Suajo que a tor- 
cila fertilissima attento o abrigo que Ihe dà das vcntanias. Para nadà 
Ihe faltar de silvestre là tem a serra amarolla a avizinhal-a de javalis, 
de lobos e outros animaes daipninbos. 

Aqui principia a corarauna. 
• Na serra anàarella so apascentam, de maio a agosto j os gados dos 
habitantes. em comvium, substituindo-se de tres em tres dias os pasto- 
res, tirados de cada familia,^ para vigiarem o gado e o livrnr'^"^ ^ • 
feras; 



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102 AfecmvO DOS ACORM . 

Tein a còmmuna a sua organisaQSp consti tucional. ÌS' osta: a fte* 
g^ueziàestà dividrda ehi logares (a quo chamareiAes canlt^és), e cada: 
lógar posgtké goTQjriìO seU^ exeiSi^ido por um juÌ2.e:um thesoareiro, pf«-. 
sidente do cant&o. emimatroida fazeoda, E9ca9Ad4 serd dÌ!^Y quo a^. 
eleìgdes. sd fazem por suffragio ijiniyersaL O povoentrega aó j^Ì2 a 
carr«piYa.(busio) para o convocar quando houv^r necessidadejdas de- 
liberà98es. Nà vesperale quèrèr.o juiz consultar ó dcu cantSo, toca 
de noite u gmndié carrapita: Dénovoatocs^de manbE. Ax> chamado 
acode o logar. Os homens com os seus casacos de burel Ayìvadas dei[ 
akul,: cal^de», polainaa^ CQlIe;tefi(:e.barreies dò burel tambem^.aanxHlhe- 
^98 de saias de lSt,'col^tej3.curto8, .lenyos de linbo na. cabota ecabello 
aortado, apresentam-se. com soleimnidade para em assemblèa se discu- 
tirem os. negocios do interesse goral; no terrdiró; ao ar livrO; comò or 
pbvos das ahtigàs Tepublicas. 

As- yeigtia de 84 Miguel estSio dividida» em quiubSea pelaft famìlias^. 
mas estas nSo às cultivam. A cultura e a ceifa; executa-as de um ex* 
tremo 2m> oiitro a. communidade, Teqebendo depois cada familia pres- 
pectivo quinhSo. 

O coìre goral, iste é, o thesouro publico da commùna, tira a sua 
receita da.aYaltadiv y^ba dP.cad^vSo. e das i^ultàs. O excellente car- 
vSo que tiram da urzo é feito em commum pelos habitantes. N3o póde 
o cofre ser aborto senSo na presenyà do poyo e diante do povo é que 
o juIz distribuè dinbmro por occa^iSo de incèndio, morto do ahimal 
bovino, contribaigSes parocbia^s e niqutros caspa dò terminadosi E' uin 
^oitfà de. sopcorrps.mutuQS. Amam-no.todP3 religiosamente^ conio o sol*, 
dado a bandeirado seu regimento. 

A pena maior é a da èxpulaSo da freguezla. Tein chiste. Resu- 
me-se em vikinho Tienhum dar Fumé ao condènniado, iiSo consentir qu© 
VÀ buscar agua à fonte, n!lo fallar com elle, e nem respondèr sequer 
i roaia poqisena pergunta que èlio Ihe faga. O individuo, isolado asaim 
completamettte^ vé-se na necesUidftdè absoluta do emigrar da fregue- 
jBia.. E' a antiquissima pena de morto dos romanos pela interdic9iì(o da 
agua e do fogo, Como porém a communa do S. Miguel se restringo a 
uma simples fregueiia è nSo domina o raurido, a pena do morte limi- 
ta-se à mudàn9a dò logar, e a instituiyào vS se livre do condomnado 
sem pau nem pedra. ' "^ 

Negara està republicasinba de S. Miguel graciosa originalidado, as* 
tiim corno ao quadro germanico dos suagenses, seria faltar à ju3ti9a« 
Mas nlto receie sexo fragii a engrajada communa do alto Minho. As 
gQra9(!;e8 tem-na visto succeder desde tempo imraomorial no naeio de 
paz profunda, executahdo òs seus principios com a boa fé dos coragSes 
puros e com a sinceridadd das roctas intcnjSea.» 



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ERRATA 

A pag. IB, linha 20, aonde se dÌ35=D. Beatriz; eomo tutor de sou 
Alho />• Fernando lea-8e==D. Diogo,= 



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ARGHIVO DOS A(;OB£S 



COLLECgAO DE DOCUMENTOS RELATIVOS 
AS ILHAS DOS AgORES. 



Carta de CoDGrmacào de D. Beatriz da compra da Uba de S. Miguel 

por Rny GoncaKes da €amara, regalando a sac- 

cessao d*este; de IO Marco 1474, 

Eu a yfante D. Beatriz tutor e éurador do S.*"^ Duque 
meu filho: fa90 saber a quantos està minha carta virem e o 
et**. ( conhecimerUo ) della pertencer p' qualquer guisa que se- 
ja, que Ruy Glz. da Camara fidalguo de sua casa veyo a mym 
e me disse que sua ten9ao era pelo sentir por servilo do dito 
S/' e omra e proveito seu, comprara a Joao Soares, Caval- 
leiro da caza do dito S.*"" a capitania da liha de S. Miguel, e 
aproveitar e povoar em tal maneira que se fizesse em ella 
muito proveito dando-lhe eu consentimento à dita compra e 
fazendo-lhe allguma mercé na sucessào della depois de seu fal- 
lecimento, por quanto elle ao presente nao tinha f.® (filho) K- • 
dimo a quem direitamente, e sucessào da dita ilha, por seu 
fallecimento, viesse: e visto por mym seu requerimento consy- 
rando corno a dita ylha des o comeQo de sua povoa9ao até 
o presente he muy mail aproveitada e pouco povoada e con- 
syrando quanto sera servilo e proveito do dito 8/' e bem ^ 
destea reinos e natur^,es delles a dita ilha ser melhor a^ro- 

Vol.1— N.»2— 1878. 1 

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104 ARCHIVO DOS A^ORES 

veitada € povoada pelas muitas mercadorias que dellas pode- 
rao vir, avando^speito à desposi^ao do dito Ruy Glz. que 
per toda» a« razòes é muito bem desposto para fazer povoar 
a dita ilha e a reger e guorernar asy em ju»ti^a,efazer apro- 
veitar, que os proveitos em cima tocados se verao della em 
breve e avendo asy por servilo do dito S." e querendo fazer 
mercé ao dito Ruy Glz. pellos servi^os que tem feitos ao I- 
fante meu S/' que Deus aia e pelo muito d.'' (dinkeiro) que 
por ella dà e na povoa^ao della se espera que despenda, me 
prouve dar consentimento à dita venda e ora ho dito Ruy 
Glz. me trouve bua escritura publica por que mostra ho dito 
Joao Soares, com procuraijao de Beatriz Godins sua molher 
Ihe fazer venda da capitania da dita ilha asy corno a elle 
do dito S.*^ tinha, pedindo-me dito Ruy Glz. que Ihe 
mandasse fazer carta da capitania com aquellas decla- 
ra^»oes e clausulas que por Ihe fazer mei'ce Ihe tinha outor-- 
gadas antes da dita compra e a mym prouve dello e por està 
presente Ihe don carreguo que elle tenha pelo dito S.*' a 
capitania da dita ilha de Sao Miguel e sèja capitao em 
ella asy e pela guisa^que ho he Joao Glz. seu irmao na 
ilha da Madeira, e que elle a mantenha pelo dito 8.* em 
justiija e direito e morrendò elle com V (Jilho) lidimo a 
mym praz que o seu f.* primelro ou segundo tepha o dito 
carreguo pela guisa suso dita e asy dy em diante de des- 
cendente em descendente por linha (divelta) e sendo em 
tal idade o dito seu f.** que nSo possa reger a dita ilha» 
o dito S.*"" ou seus herdeiros porSo hy qnem a reja até "el- 
le ser ém idade para reger. Outro sy me praz que acer- 
tando-se o dito Ruy Glz. nao aver V lidimo e avendo 
f.* lidima que ha dita sua f.* erde por seu fallecimento a 
dita capitania comtanto que élla caze com homem que viva 
conio dito S.*' e p' seu aprazimento sendo pesàoa que a bem 
merecja e convinhavel à omra do dito Ruy Glz. e acertando 
caso elle nao aver fillio nem filha lidima e tendo V* bastar- 
dos me prazerd que eyde a dita capitania por seu falle^ 
cimento hum dos ditos seus f.*' bastardos, o que para el- 
io for mais desposto contanto que viva com o dito S."*, e 

' , Digitizedby VjOOQIC •* 



SCHIVO DOS A90RES 103 

isto somenite por eata ve», avagante do dito Ruy Glz* 
da hy em diaute ficarà ao filhò de sua filha lidima ou 
f,*" lidinfio ou bastardo quali a erdarào. com condiijàQ 
das outras cartas das capitanias das ilhas^ a saber: que an^ 
de sempre no £^ primeiro lidimo barSo daquelle que por 
falleeimento do dito Ruy Glz, a erdar,— rMe pi*atB que elle 
tenha- em a . dita ilha pelo dito S/' em seu nome a jur- 
di<;ào do civel e crime resali vando morte e talhamento. de 
membro de que com apella<jào vira ao dito S/"": porem sem 
embarguo da dita jurcÉ^ào me praz que os mandados todos 
do ditoS***' e coiTei^ào serao ahy compridos a sy comò em 
cousa sua propria. Outro sy me praz .... (segue com 
OS mesm)8 dizeres e condiqSes quA se ackam na carta de dea- 
^ào a Joào Soares^de Santa Maria, corno està a jpag. 16 Uri' 
27 e j^ìiiutes do n*"" 1* d'eslte Archivo; termina com o seguinte e 
especial ttecho:) E por quaato as ditas couzas que a sy vao na 
dita suoessào na illia fóra da ley mental eu outorguei ao di- 
to Ruy GÌ», por todo redondar em servilo do dito S.*' 
meu fillio, Ihe pe90 que elle por fazer o que deve e aver 
minha benQaLo aja està minha carta por boa e a faQa sempre 
comprir e guardar e asy o fa^am seus erdeiros, e das serras 
d'agoa e outros quaesquer engenhos averà ò direìto que 
So OS capitaes da ilha da Madeira. Feita em a Cidade d'E- 
vora X (10) dias de marino, AUvareanes a fez ano do nacy- 
mento de Noso S."" Jeliu Xp.° de mil iiij ^^Lxxiiij (1474) 

Està carta foi confirmada pela de D. Affonso V, de 20 
de Maio^ apag. 18, do JV." Id'este Archiix^jepelaseguinte= 

Carta de D. Diego, de 26 % Jniho H83, confirmando a anterior de 
sua atìie ft. Beatriz. 

Eu ó Duque D. Diogo Regedor e Governador da Or- 
dem e Cavaleria do mestrado de Noso S.*" Jeliu Xp."*, Duque 
deVizeu e de Beja, S.''' da Covilha e de Moura e dasilhasda 
Madeira e das outras dos A^ores e Cabo Verde, Condesta- 



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106 ARCHIVO DOS AgoBEà 

bre destes reinos de El-rei-meu S.** — fa^o saber a qtiantos 
està minila carta de confirm&,9ao virem e o conhecimento della 
pertencer que eu vi està carta da ilha de Sao Miguel que' a 
Ifante minha Sr.* sendo minha tutor e curador, deu a Ruy 
Glz. da Camara fidalguo de minha casa e eapitao da dita 
ilha a qiial cartai vista por mym postò que nella vSo algumas 
clausulas -hao costumàdas nas cartas das capitanias, por 
quanto o a dita minha Sì*.' asy fez pelo settir por meu ser- 
VÌ90 e por conhecer os grandes serviijos e merecimentos do 
dito Ruy Glz.'dos quaes eu muy ynteiramentesamem conhe- 
cimento e que por elles a dita merce è outras maioi-es mere- 
ce, tenho por bem e Ihe confirmo a dita carta com todas Ab 
clausulas e condi^oes em ella contehudas e declaradas, e me 
praz que a sy se cumpra e guardem tao ynteiramentè corno 
nella faz meti^ào, porque a sy he minha merce, e por sua 
guai-da e seguran9a Ihe mandei dai* està carta assignada e 
assellada de meu sello. Feita em Estremós a xxbi (26) dias 
de Julhd, Pero Corea à fez anno de mil iiij^ LxKxiij 
(1483) 

Està carta foi confirmada, a pedido de Bar 6oii9aIye8 da Camara, por 
outra deD. JoàoII, feita por Femao de Hespanha em Abrantes, a 2 d'Agosto 
de 1483. 

meemò rei a pedido do dito Bn^r maddou passar segonda carta, em data 
de 6 d'Abril de 1489, que Jardào Bibeiro fez em Èeja. 

El-réi D. Manuel eonfirmou ao mesmo Bay (3rdii9alTes as doa9ue» antetiofes 
pòT éarta de 6 de Maio de 1497, feita em Eyorapor Jorge^ffonso. 

D. JoSo ili doou e confirmou à capitaria da ilha de S. Mignel, a Manuel da 
Camara, filho de Bny Gon^alves, segando do nome (bisneto de Bny Gon^alves 1.® 
donatario d'està familla) , por carta de 20 de Mar(o de 1536, feita em Erora por 
Ayres Fernandes. 

(Todai €u cartm àcùna èe aeham trasladadds de fd* Éa&do h^ de resisto da 
Alfandega de Ponta Delgada^ruhricado pelo Provedor Francisco de Mariz em 
1568,) 



'^n f àjn^'i\ 



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ABCHIVO DOS A^0R£8 107 

()ril« Kegìa para \ asqoeaiioes Cortereal recebcr SO espadins de 
MTO, e seo recib» em ISOI. 

Nós el-Bey mandamos a yós Gon^o de Sequeira nosso 
thezooreiro moor da casa de Cepta e ao sprìvam de seu offi« 
cyo qae dees a Vaisqueaimes Cortereall fidalgo de nossa casa 
e DOSSO veador della cimquoemta espadiins douro ( 1 ) de que 
Ihe ffazemos mercé. Yós fazelbe deles boo pagamento em tri- 
^o do qne veo de Castela a rezam de mil e quìnliemtos reaes 
o mojo e por este estromento vos seeram levados em despeza. 
Ffeito em Lixboa a XXTI de setembro^ Gaspar Rodrìgues o 
tìez^ de mil e quinhemtos e huum. 

Rey. 

He Terdade que eu receby este dinheiro Deste desembar- 
go conteiido em trìgo segando nele faz men^am, feito o der- 
radeìro dia de setembro de 1601. — Cortereall o baratn. — - 

Oinquoenita espadiis douro de mercé do veador em a ca« 
sa de Cepta pagos em trìgo a rezam de mìI e quinhentos o 
moyo. 

(Arch. Nac, Corpo Chron., Patte 2.% Ma^ 6, Doc. 40. 
Originai). 



%,r i^ Aj^ 



fiepreseniacio da Ganara d« Yilla Fraica sobre o confiicto (tue 
hoire ntre o Corregedar e o ^imdar em ISII« 

Senbor^ Os jidzes oficyàis e homens boons.da calnarra 
de Villa Framqua da vossa ilha de Sam Miguellbeijamos 
(sic) maOs de Vossa Alteaa. Senhor sabera Vossa Alteza que 
todo este imremo padeeemos nesta ilha gramdes oprosOes, 
ipppreMe$) das quaes nam temos em ella quem dellas nosreme^ 

( 1 ) Moeda de caro de D. «ToSo II do yalor de 300 réis 

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108 ABCHiyO DOS A^OSfifi 

dee, no quali deve de aaber VossaAl^ezaquepellas deferren- 
9a« que ho corregedor Ruy Pirefe que ca veo quis ter com ho 
ouvidor daigreja, efle ouvidor escumuagouao dicto corregedor 

dizemdo que podia asol .... porque encorrera 

... . • . maior e por sge ho dicto corregedor 
nam querrer acolher atee aver beneficyo dasolvipam ho dicto 
ouvidw procedeo com ensem^uryas (censuras) eclesyasticas 
atee poer amtredieto em toda està ilha a quali esteve amtre 
dita perto de quatro messes emterrando os finados fora do 
adro e estamdo todoscarrecydos dos ofyeios divinoa sem ter- 
mos quem nos vallese e posto que nós por muitas vezes fesse^ 
semos muitas deligemcyas assy ao ouvidor pera que asolves- 
se ho dicto corregedor e pera elio obrigasemos nossas fazen- 
das a toda pena, elle respomdeo que ho nam podi^ fazer e as- 
sy ho requerem£)s ao dicto corregedor que se recolhesae. por 
tali que por elle nam padecesse este povo^ pois elle era envia- 
do por Vossa Alteza por bemde nós outros e nam para por 
elle recebermos tanto dano %ae hera de nosas almas e corpos, 
ho que elle nunqua quis feszer e com està contumacea nós pa^ 
decemos e ho que hera amtre elles a se poder detreminar 
por direito, nós ho namsabemos e posto quealguns entemde- 
semos que ho dicto corregedor quer bem escumungado quer 
mal avia de hyr buscar beneficyo dasoU .... e 

pello médo e obediencya que temos vara 

nam ous . . . . . niais contra ho dicto coregedor 'e 
leixamos ho tali caso e a emenda disso a Vossa Alteza pois 
tanto dano se recrese dos enconvinientes taes por que cer- 
to nunca 'tali opresam recebemos de capitam e se a elle ho 
tali caso acontecera, he tam desejosso do acrecèntamento des- 
ta ilha, que elle nam leixara estar tres.diasantrediicto, e des- 
te caso pedimos a Vossa Alteza que dee tali detrimina9am 
que da . . . . diante tali se nam fìirga, porquekuma 
boya . . . corno he estaa ilha no meo do mar, homde 
seis messes do anno estamos sem primeiro aver remedio de 
Vossa Alteza, nam ha mester estarmos ho outro tempo escu^ 
mungadoseantreditos,masamtes recebermos muitas liberda* 
des, comò fezeram os princepes^ ^mtre vós que ha santa glo- 

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ABCHIVO DOS AgORES 109 

lya ajam, por que semdo està terra doutrem pederymos a 
Vossa Alteza que nos defemdesse, ora Senhor pois, he tamto 
vosa rezam he que nos defemda Vossa Alteza de tamtas 
oprre^oes e dello nos dèe e mande provisam por nam viver- 
mos em tali eonfusam, qiie nos parreoe que pellocustume em 
que ha jemte estaa em nam h* ha igreja tamto tempo serlheh» 
mào de toraar a ella, e Senhor Vossa Alteza salerà que so- 
mos apresados . * , . pousentadoiya • • . 

• . . €omsyguo esprivaes e meiry- 
nho jenros molh^es e filhos e por bem das aposentadoryas 
€8ta terra recebé apresam por asy està terra estar em muita 
nececydade e proveza e està ilha Senhor estaa multo gasta- 
da pai-que temos feiio em cada huà villa hua igreja que cus- 
ta cada^huà perto de hu milham (1) e outras muitas despesas 
jerraes de nobrycymento da terra do que ho povo estaa a9az 
gastado e nam nos seryem nece9aryas taes apres5es e se 
algum tem pendem9a com ho capitam, e quer corregedor, pa- 
gueo qne o ho povo estaa aseseguado (socegado) em muita jus- 
ti^acomho capitarne estaa avemos mister e nam outro porque 
nos cria corno de quem recebe fruyto, e por tanto pedimos a 
Vosa Alteza- que noUo mande por quénestailha vosfazmais 
servÌ9o que nas part€s dalem e a prova dello veja Vossa Al- 
teza pello crecymento d'està ilha polla quali rezam rogamos 
a Nosso Senhor por acrecentamento de vosso real estado 
com lomgos dias de vossa vida. Feita em Villa Franca do 
Campo aos vynte e hu dias do més de:mar90 Jeronymo Vaz 
ei^privam da camara a sobesprevi ano de mil e quinhentos 
onze annos, Affonso Rodrigues, Pero Aii'es, Jeronymo Vaz, 
Diogo Fernandes uma cruz, Rodrigo Alves, Joham Gon9al- 
res , . . . * 



(Arckivo Nacional, Corpo Ckronologico^ Parte!/ Ma(p 10, 
Doc, 13. Originai.) 



(1) mitham (de rei9 f)ounm conto. 

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110 ARCHIVO DOS AgOBES 

Carla do Gorregedor da Uba de S« Miguel o Bacharel Ruy Pires, a 
Eirei D. MaoBeK de 28 de Marc* im. 

Senhor. Dey conta a Vosa Alteza em ontras duas cartai 
comò achava està terra deeordenada da justii;» (e aai corno oa 
juizes eclesiaetìcos tomavam vosa jnrdii^m e oprefiavam a 
terra) por ver que faziam o que nam podiam &zer, • acudi a 
Ì80 porque via tornar vosa jurdÌ9aiii hum Bertolameu Fer- 
nandeB que aqui he ouvidor pollo vigariomepobricou por es- 
comungnado dizendo que ha tanto tempo que estam em foro 
de o fazer que eu Iho nam pog^ iolher e que por Iho defend^* 
perturbo a jurdÌ9am eclesiastica e sam (sou) escomunguado^ (a 
isto senhor acudì porque vi que nam pertencia a elle e que 
nam, digoe que tomava a jurdicam de Vosa. Alteea) e os 
quasos porque Senhor diz que sam escomunguado por da 
parte de Vosa Alteza Ihe defender que nam fa^a sao estes« 
( aqui o sam christaao d'està igreja tem huum mo^o que se- 
ra de idade de XII annos pouquo mais ou menos he mo^o 
que o serve asi na igreja comò fora e asi a seu pay he mo^o 
que nam anda em autos (hahitos) de creriguo huum christaao 
novoo em sua propria casa por o mo<jo Ihe ser descortes diz 
que holan9ou fora de sua quasa pollos quabellos. Por este 
quaso o demandava o prometor e punha oontra elle libello di- 
zendo que cometera sacrilegio mandeiao promotor da parte de 
Vosa Alteza que nam fizese taaes autos e requeri ao ouvidor 

que nam fizese taaes autos que pera vexar 

voao povoo iB Ihe fazer guastar o seu ( por que se nam dizia 
pessoa eclesiastica salvo se fora o proprio sam christaao ou 
fora moijo do coro o que este nam hera,.pobricou-me por es- 
comunguado. . . 

Tanto senhor que me asi teve pobriquado por escomun- 
guado a capitoa desta ilha por me desejar daqui fora dizendo 
que comò me for Vosa Alteza mandarà vir o capitam para 
ella com huum Gonzalo Vaz e com huum Luis Eanes . . . 

que he o promotor eclesiastico que lae deseja 

tambem daqui fora porque he omem de maao viver e Ihe de- 

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AMSfirrO DOS AyORBft 111 

fendoqae namrpQbeatem^e com huum Bertolamen Fer> 
nandes quediz serlicencìadoqae osaoonsellia do que fa^am 
e OS mete no caminho e (X)ra huum Femam Camello e outro» 
fizeram com lio ouvidor que procedeu contra o povoo oom 
interdictos e grandes escòmunhSes que me evìtasem e nam 
vìesem a meus chamados nem obedecesem ameus mandados, 
fizeram fazer camaras e ajuntamentos pera acordaremqueme 
fizesem retraer e por verem corno individamente e por faser 
suas vontades fiiziam isto, e oomo hei*a tam uecesario o nam 
quiserain &z^, e fizeram por ìnterdicto em toda a ilha 
onde esteve até aguora averi VI ou VII d jas que se ti- 
rou depois que me fizeram asn^oamaras estes requerimentos; 
veja Vosa ^teza os males que tmha fectos pera se &zer 
tanto dp,no e oppressSo ao povo e a mim tanta injuria e toda 
por consélho destes e seu favor. 

A mimSenhortratamrepriquando-meossignos (^moff) hon-» 
deeheguo, ba entrada e saidafae este ouvidor esta^Oes contra 
mi dizendo que com està exeomiinham e huum pequado que se' 
fazia na ilha, se avia de tio verter e os (hens) temporaaes se aviam 
de perder, mandando. chamarlHiumfrade.pregilador que pre- 
^uaseao povoo que me fizesem retraer, e com cruzes cubertas 
viesem sobre mi a que meretraese, e que disese contra mi in- 
digna^Oes por que o povoo se levantàse oontra mi, (isto per 
eonselho da capìtoa e de Oon9alo Vaz e destes soubeo o 
^uardiam é Ihe defendeo que. o ns»n fizese por ìso o nam; 
fez, veja Vosa Alteza as maneiros de desaoatamento que tem' 
nestas ilhas a vosas justÌQas, acuda a iso por que dizem que 
me ham de despoer e à capitoa.que ha de gastar quanta ren-' 
da tem por me laudar o mais ..... homem d ; . . terra 
que nunqua aqui veio, isto mando por inquiri^am a Vosa Al- 
teza, non consinta por fazer o que devo -e o servir: comò 
sempre' fiz cotn muita ' verdade e desejo individamente me 
maltratarem) porque ancia convoquando 03 homéns que ajii- 
A,em e senam que eù me hey de ir e que fiquàrà o capitam. 

O onvidor eclesiastico prende por sacrilegios e manda 
por seu meirinho prender e penhorar por dividas que Ihe 
devem nam pagando e nam cura descomangar^ 



VoUl— N.»2— 1878. ^ ., ^^ 

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Gc^ogle 



112 ABomyo znos A^iraEff 

- It6inrS>enboi^ico&keQi do» feitieeirofie bsprende egat vosas 
qikd.d6ia8< e sei e^ teaiio culpa» daqnelle» que elle prende e por 
08^ Bol»ar em vosa» qimdea» quero^ proceder centra eUe, me 
eaoomufigtia, <e posto que jpor aci oirdena^oes qneara proceder 
eonira eUe, 4iz que. ino nam hade coBBentìr^ pois prìmeira 
tomoli delle conbeeimentcì, e se; Iho ndm entr^uo> me «eoo^ 
mungna. 

: Item devasa sobre os feìtìceiros.e i»rende por sua devasa é 
ìà cartas de segnran^a aoò sQCulare« por estes erÌHiesw 

Item Senhor dìz que had andar seu meìrinh^èonihonìéi)» 
depois do sino d acolJber e que Iho nam po«o tolber e ^ue 
ham de ira3&er armas o£enfiÌTes e defensiveì»» 

Item Senhor diz que os oficifiaes dante elle nana barn de 
responder em fectos Qeitos) civei» nem crimes ealvo perante 
elle sendo seculares e de vosa jfardì^am e qne |>òr dividas e 
contratos. haxn de ser perante elle demandados. 

Item Senhor aquì ha conmiendadores. do habito de San- 
tiagao e algnns delles que ho onveram de Roma^ nam qu^ 
rem responder em nada perante mim e ho ouvidor me e»- 
comnngua ée Ihos «o^tranguotqne respondam {)erante niim 
por que ho trazem por conservaidor, esteLuis Eanesprometor 
he destes e e«tà coìnprendìdo em deyaaas q%ié comia em sua 
quasa bòìs e vaquas porqnos e canneifo^, foy preso e irmeli-» 
éowiyrmàtre (1) tonde ouVeràd avei-livramentodc seus^drknes 
he diqui prametor do v3gario;t'em;!maìs rezam pera roubar a 
terra, por seus fectos foy degradadona vosa oidade de Lisboa 
e condenado q^ n^m tiveeé ofieìo, asi fóy degradado da vosa 
ilha da Madeira, e ask pcxr boguoso e de inonesto Viver fo^ 
laxi^ado da ilha terceira; veja Vosa Alteza. o que ha por nseti 
servilo q[ue se fà^a neste quaso que elle foj o que principiou 
eatesquasos tódos et>s fazia fazer; 

Aqiii Senhor Ibgiram os presos pollo» o esce- 
reiro «o|tair todos, por:peit£|, pera a igreja dest^ valla^por que 
se sairam todò» £o\ necesariohir à igreja tirar ipquirì^am conoi. 
OS omiziadoB poi^se saber a verdade corno fo^am, por ino me 
pobrieou por escomunguiado; defende que és pessoas que esr^ 

{1) Mestre de CbrÌ8U>r 



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XBXmXfO VO& X^KSM 118 

tam nas igrejas se nam tirem sdua testemimlìos neHàs,* lian 
vbm 08 juiaes e testemunhasf temar qperelaa netn antro ne^ 
nhum auto fasser.no adro, por iato os eséomungua e Ihes de^ 
manda gacrilégios; T«ja Vosa Altéza «e o ha por benii asi 
Benhor de&nde quese nam che pessoa n^nbua no adro e 
defende o* 

Os seus oficiaes posto que seculai-es sejatn e asi o» orerìa 
gos nan) querem testemuahar p^ mandado das vosas justi^ 
^as posto que os quasos Bejam civeis, proveja Vosa Alteza a 
isto;» 

Itemr Senlior aqui fogio hun ladmm perà a igrejk por 
sair da igreja a fazer furtos, com ho ouvidor eole8Ìa8ti<^o ti>* 
l'è j hfaà inquirt^am* e entretanto ae tirava com eUe'po< vosas 
lex bo mactdarem' adì ho mafidi^ guoardar na igr^a, agnora 
me pubrìca por iso escomuaguado. 

Item Senhor foy por mim achadò Imam cmriguo com 
Ima mulber quasada tendoa por mancebapubrioamente sen- 
do seu marido ausante e pollo achar infraguantedeiito-e elle 
confesar ella ser quasada ho prendi seado de noite ; perto de 
meìa noite, ao outro dia Ibo mai|idei a eata villa onde elle 
eetava que sam cinque leguoas donde a prendi, soltou o ore** 
riguo e escomungoume a mim pereste caso, £sa o que quer, 
nam ha quem liie va à maao; proveja Yosa Alteza a iste com 
brevidade e ponha cobro nisto que eu me vio (sic) em tanta 
presa descomunhOes que jaa dizia que elle fizese o que 
quisese que eu nam queria mais que dar disto conta 
a Vosa Alteza, nam quer senam trazerme asi^trebulladò con- 
ila justi^a; 'p-ovejame Voaa Alteza que elle diz que tem mais 
jurdi^am que Vosa Alteza e diso Ihe mandei- bùum auto e 
que ine ha. de fazer hir a Portngual, nam deixa d^ conhecer 
senam do qué nam quer, jaa nam-onso Ihe contraditsef nada. 
do que quer fftzer qne loguo me pubrica por éscomnnguado^ 

Aqui Senhor huum pobre homem quasou fcosottj com huà 
aeriddor de hun £rade; por Ihe eometer adliltierio eom >dla, o 
fradédepoidide s^rem quasados, deu huma querela, mandéia 
prènder, por que quérdou, e recdndUou com ella tanto qucf-a sol-i 
tei, se tornon à igreja donde serveofrade, ho ouvidor Qclesi- 



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114 AlfiCiHITO SOS A^B£|B 

Antico IKe maadou tornar quanto ttnlia e dépoaiiar ém oatras 
pessoaB e o frad^ tomou a fasenda que qui» e a mèteo della 
eib sua quasa (casa) della naìgr^a; ho ouvidor mandou prender 
e»te pobre pequador aJem de todo seu mal e ho teve XVII 
dias na quadeìa e por iìm bo mandou soltar e pagou du^^en- 
tos e tantos reaes sem Ihe dizerem de que, namouso tornar a 
iso. Mandei-lhe huà carta.precatoria com ho treslado da que- 
rela para prender o frade, nam quis neiuquer, fazoquequer. 

Os crerigùos tem tanto desacatamento a vosa justi^a que 
apedrejam os homens do meirinho que vani corer os sinos e 
tiramlhos badalos e cortatnlhe as cordas^ proveja^ Vosa Alteza 
a tanta desola^ao. 

Do proprio ouvidor foi querelado com bua molber casada, 
nam ha quem delle facja justi^a e airida teve maneira corno 
OS apartou ambos sendo quasa^os e ella andava abareguada 
por està ilha, soubeo e torneios ambos a juntar. Asi Senbor 
deu outra sentenza d apartamento. antre outros dous quasa- 
do» que avia VII annos que ambo» estavam, isto disese que 
foy por que antes fora sua servidor delle, diz ho mundo des- 
tas cousas, hera bem estar aqui ouvidor letrado e que nam fi- 
zese exorbitancias, nam pooe jaa pena» senam de marquos 
de prata e degredos e lo^uo prende e penhora por elles, prò- 
y»eja Vosa Alteza estas cousas com brevidade porque vai -. em 
tanto orecimento que s^ o nam remedeiar farà este e ob ou- 
tros todo o qìue quiserem posto que conta*a ia justi^a sejae 
contra a vosa jurdi^am. 

Beijarlbe éy Sénhor.as màosfie^prover os auto» que desteg 
quasos mando, e 'mandar com brevidade terminai' todo, seham 
sera necessario eù larguar todoo que ho oUvidor quiser conhe- 
cer* E por que 8enhm' nam deixei de fazer justÌ9a,.aja Vosa 
Alteza por ban a^ senten^Si e mandados que dey serem va* 
lioisas §&m embargup de me ter pobriqtiado por escomun^ 
guado; 

As camaraÀ de^tia ilha fi^ (nomem*) novàménte, por as acbar 
feitas corno nam :deyiam, e andarem muitos paréntès néllas e 
nam su^-em os omens dellajB feìtoa corno deviam ^ os desta Villa 
Franqua tomam eistròmentos, aja Vosa Alteza. por bem, por 



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ÀECHIVO DOS Af GRES 115 

que foratn feitas corno deviam e compria a voso servilo e 
pc^r tirar afei^oes dellas. , . 

*' todo poderoso Deus jprospere è àcrecente ha A^da e 
real estado deVosa Alteza a seii sa&cto sdviijo a:iiaen. Em a 
vosa Villa Franqua da ilha de Sam Miguel aos XXVIII dias 
de iriar9o de 1515 anntìiS. Feittira <Ì€ Vòsa Alteza que suas 
reaaes maàos beijà o bacliarel Ruj Piree* 

Sobre8cnpto=^A el-Rey Noso Seslior (OrigmaL A^ch 
Nctdonal, corpo Chronologico, Fari, i/ Maqo 17/Doc. 96.) 

Os originata boo innivUdligiveis por folta quasi aòeoluta de jMntuagào, ao qve 
se remediou introduzindo-lhe a que acima se encontra, 

Como eepeoimtn da escripta dos priscipios do seculo; dczeseis servìrao 08 doìs 
docmnentOB que acabam de se ler. Lingoagem impropria, orthograpbia barbara, 
fftkas grammaticaes e de ponctna^ao, tomam difficil a leitnra, e quasi sempre 
obscuro o sentido. Apesar de tantos defi[eitQs tem o mereeimento de dar coriosos 
esclareeimentos do modo de viver dos habitantes nVquella-epocha. 

Sendo escript os com quatro annos de Itìteirallo, descrevem as mesttias 
desordens^ occupam-se dos mesmos ajseumptos, cpmo se sómente alguìuas semi* 
nas OS separasse; manifestando assim, quanto eram descurados pela corte, os 
iiegocioB dos A^or^s.' À pèrsistencia de' tS'o graives males, tanto tempo seni reme- 
dio, depoe contra' os,goveii)ado6, e ainda inais contra os goveruantes^ ■ > : /. 

Os multiplices e duradouros conflictos entfe a jurisdi^ào tempora! representa.- 
da pelò 'Cprregedor, e a espiritual pelo Ouvidor, cóm as particularidades aponta- 
das por aqf eUe» na sua mal alinbavada queixa, offerecenrL um (juadrp doà costu* 
mes da epocha, que difficilmente se acbarà n'ouitra parte. 

As exeommunlioes frequèntemente fulminadas por tóro capricho dQ,tèri*ivel 
Ouvi4oc^ Bao podiain deixar de produzif um effeito negativo, fazendo perder .tpdo 
o prestigio àquella arma tremenda do poder espirituaL 

- Assiiii -amiùdadóÉt os golpeìs d'ella, nào adtnira que sé embdtasse f ' / 
• . ' Nào é.menoa para admirar c(>mo casualmente se . eumprio destro :em sete 
annos a prophetica ameaQa do Ouvidor quando di^ia que a terra se lidvia de 
mébeerter e os béns temporaes se haviam àe perder. Subvei*fer é corii tìffeitd 'o mais 
spropriado termo para expiimi^ aihorrivel cat^stiophe que a 22 . de Outuboi^ >d« 
1622 sepultou Villa Franca debaixo da massa dos montes do Raba9al e Lourìgal 
i|ue sób^ eUa désabàranfi; fazendo-a para sempre désàpparecer da superficie da 



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116 ABCHIVO POS A^osasfi 

Carta, de Pero ^elo a Antoiiio Borges, CoDtador da Fazenda, de 9 ' 
d'Ago^ ISSd, sobre «s roadneitos do^ Aeor«t;. 

Pero Neto, Cavalleìio da Casa d'EURei Nosso^ Senhor^ 
almoxarife dos escravos e conquista^ de Guinee Indias e 
Feitor das Ilhas n'esta Cidade de Lisboa — Fa<jo saber a vos 
muito boiurado Senhor Antonio Borges, Malgo da Casa do 
dito SenlKlJo* e aeu contador ém as Ilhas dos A9ores7 que^s 
rendas d'ellas e direitos, foros, tributos, terras e todas outras 
cousas que o dito senbor tem em todas essas Ilhas perten- 
cem e foram ora arrematadas na fazenda do dito Senhor 
pelos senhores Veadores da Étzenda a Diogo Rodrigues Fin- 
to por 4 annos que se come^arao por dia de S. Joao Baptis* 
ta do anno presente e se hSo de acabar por outro tal dia do 
anno de 534, e isto em quanti^ de 40:000^000 réis. por to- 
dos OS ditos 4 annos que vem por anno 10:000|lOOO reis 
com outras condÌ95es segundo verpis largamente pelo dito 
arrendanaento assignado pelos ditosr Senhores Veadores da 
fazenda cònfirmado por Sua Alteza; e porque entre as condi- 
9oes do dito arrendamento uma é que qiierendò o dito Diogo 
Rocii'iguesrweber as ditas rendas de fianca de 5:000^000 
réis, que é a metade dos ditos 10:000^000 reis que paif cada 
anno é obrigado pagar a qual fian9a ha de £iqar d!am anno 
ao^ outro segundo na condi^ao do dito arrendamento vereis; 
e porqu^ p dito Diogo Rodrigues tem satisfeito e. dado fian- 
ca ao restante dos ditos 5:000|l000 réis por o dito senhor 
estar certo e seguro que fica em mejj poder, vo-lo ixotìifico e 
assim aos almoxarìfes e ofiiciaes de todas as Ilhas dos A^o-^ 
res e vos requeiro da parte do dito Senhor e que por assim 
ter dado a dita fian9a Ihe fa^aes acudir com tòdo o rendimen- 
to das rendas e terras e de todas as outras cousas que Ihe 
por bem de seu arrendamento pertencem, e assim a seus fei- 
tores e procuradores que vos sua procuraQao bastante mos- 
trarem, e £a,zer do dito rendimento o que Ihe convier sem Ihe 
nisso ser posta duvida nem embargo algum, antes vos re- 



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ASGHIVO DOS À^OBES 117 

queiro da parte do dito Senlior que Ihe passein certidào para 
todas as ditas Ilhas notìficando corno por ter dado a dita ii- 
an^'l^iÈ.ubtid^im^ómtchloo rendimento das ditas rendas 
corno dito é, o que ass^Ba ouH\pri par ^er servilo do dito Se- 
nhor. Feita a 9 d'Agosto de 1530 — Francisco Fróes, Es- 
crivao da dita feitoria a fez — Pero Neto — Francisco Fróes. 
. ^ • ;.:^ " ' 'j ^ ' ' . j -.. • 
(D'um traslado tirado da propria pelo Tabeliam em Fon- 
ta DèlffitiifayJorge Palha,de Maéedo, a pedidù de Diofiysio 
Borges de SùTnpcm, oqs 20>4e Maio de 1632.) • 

ID'aftte ^tpnio JBioraeB tfac^ epjr. ^., FiiHotuoso aas Saud^uU^ da. J^rra 
tj,* 4. Cap. 33 aonde falla de sua descendencra. Foi feito cavalleiro 'de Cliristo 
com 30i|S000 réis de ten^a, porcai de D. JòSo 3> de 1^2, coùié se>^ a fol. 
Ili v.<» do L;^o 1/* do Beg.*" d'Alf^ndep de P. Delgada. . 

A respeito deste pode -vér-se mais os Annaes da Ilha Terceifa por F. Dru- 
teoiid,^tom; l.« pag. 9Te'623; e Atvhivo Hef^iMieo — Gmetdogtcò pelo Visconde 
de Sanches de Baena;.pag. 32— N.<* 118. . t. , > 

Antomo Borges foi tronco da maior parte das familias deste appellido na 
«ha de S. Migud. ' 



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118 ABCHIVO POS A^OBXS 



CARTAS DOS PROVEDORES DAS'ARMADAS 
NOSAgORTES ., . 

. ' . • • * . . • . ■ •.••fi 

Carta de Pero Annes do Caato a Eirei, de ìì d'Abrii de IS32 

Senkor — ^Eu tenho escripto a V. A. por carta q»e levou 
Manuel G-arcia Mottrato que foe por eapytaxE^. da caravella 
que armey e mandey com a nao Santa Barbora que veo da 
Indya que d'està iìha partyo a 17 de mar<;o que prazerà a 
Nosso Senhor sere, ila a sallvamento porque levou bom tem* 
pò segundo qua cursou (agora notìi ha ao présente riavyo de 
iazenda de V. A. n'esta ilHa) tralloa ha Deus a sallvamento 
corno eu desejo. 

Senhor està Illia Terceyra està tam necesytada de trygo 
corno nunca esteve porque està em condicjam d'allguma gen- 
te allguns dyas nom comerem pam bem que por isso nom 
ham de morrer, porque ha cousas na terra coin que se man- 
teram este pouco tempo que Ihes falecer. Isto senhor causou 
nom aver boa semente porque em term de um moyo de se- 
meadura se semsou moyo e meo em que se llan^ou à terra 
mais quynhentos moyos de trigo do que se custumava Han- 
gar, isto causou està mingoa de trygo que ora ha e tambem 
^emearemse mais terras do que nunca se semearom e segun- 
do ha enforma9am que tenho em todas estas ilhas dos A90- 
res ha isto salino a Ilha de Santa Maria que dyzem ter o 
trygo que Ihe he necesaryo; has novidades n'esta ilha som as 
ervas has milhores que nunca ouve e asy tenho por enfor- 
ma^om que som em todas estas ilhas dos A^ores, se Ihes Deus 
puser o grao segundo estam fundadas, averà n'ellas mais try- 
go do que nunca ouve se V. A. qua mandar armada man- 
dea prover de biscoyto ate todo ho mes de junho porque se 
nom vyer provida nom se Ihe pode qua dar em nem huma 
maneyra porque vay o que atras digo he de junho por dian- 
te averà pam novo em abastan^a trazendo provisam de V. A. 



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ARCmVO DOS A9OBX0 119 

para se dar que estes rendeiros tem em seu arrendamento 
que ùada Ihe toniem vossos oficìaM aitidii que o Y« A. man- 
de, e ìsto senhor he muito prejadiciaU ha seu 8ervÌ9Ò que nom 
lie reeàm poerse a risco hmtta iiao que trac dosentos, treeeib- 
tofi mill crusados de V. A» por dez cruaados que se manda 
dar ha bum rendeirodos que deve a V. A. elhedam certydam 
para Ihe ser levado em conta de seu pagamento e V. A. man* 
da que se £a^*a asy e a condy<^m do seu arrendamento die 
que Ibo nom tomem ainda que ho V. A. mande, isto senhor 
causa he em qne V. A. por seu servi<^ deve niAndar enten- 
der a seus vedores da fasendà pois notor3rAmente he tam des* 
vyado de seu servÌ4;o è provento de sua fieoenda e se com 
coor de vossos oficiaes Ihe tomarem dinheiro comò nom de* 
vem requerem tali condi^om no arrendamento para isso o 
primeyro que hyo mail fz^ serya servilo de V. A. ser tam 
foem castygado que fosse eKempro para os cmtros, e nom tali 
condi^am que tanto he em deservi^o de V. A. e perda de 
^ua fasenda, nem tam pouco senhor cabe em proveyto do 
arrendamento porque nem bum rendeiro nom perde na renda 
d'estas ilbas antes todos ganham e todos dyzem qne perdem 
por fazerem s^us feytos e averem quitas ou esperas de V. A. 
Isto pasa em v(^*d|uie e todo ho mais he fyngydo, a es^s 
ilbas nunca ihes ha de faleoer rendeiros porqne boganho he 
certo e cada vez rendem mais, e milhor serya cada buma ar- 
rendada sobre sy que jiintàmente cotno jà tenho escripto a 
V. A. cujas rayaes màos beyjo d'està Uba Terceyra ha 22 
d'abryll de 1532 — ^Pero Anes do Canto. 

Sobrescripto' — ^A ellrey nosso senhor de Pero Anes do 
Canto. - 

(^Torre do Tomòo, Corpo Chronologico, Parte L% Mago 
48, Dot. 98. Originai.) 



Voli— N.*2— 187a 



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Gbogle 



120 àBUElYO DQS AgORE» 



fitfta i» mt&m i drd de i de SeteBbro de ISSI 

> /S^nbor^ — ^Àyrea da Cunha d^itam moor da araiada de 
V* Ai derta» ilhas andando na paragem dàilha do Corvo^ »e- 
gundo regymento de Y. A-, «m mam^a que n^nlmm navyo 
pasava sem ho yw^ vyerom ter com elle o» navyo* de V. A. 
que vem de Guyne, e a néo Sam B^i;ollameu que bya para 
Indya que toraon da coata do rBrasyll, de que he eapitam 
Diogo Lòpes de Sousa, o^ quaes mandoii yk* a e&te porto 
d^Angra ese yeo apos elleae juntoi^ ordenou corno foesem 
para o reino Beguros^ os quaesi proveo do neeessaryo aoii que 
se mantymento devya da^, e ordenou em htìa caravella d'ai- 
goddeB que isso mesmo vay para o reyno que vem do Cabo 
Verde e nom faz despe^a a Y. A. de ha artylhar, e mandou 
n'ella Jorge de Barrya por eapitam que lÒBse coni ec^s nào» 
para mais sua eeguranQa^ o quaU veo fazer eom tanta dely^ 
gencm e presteza corno nunca qua yy fazer a eapìtajn moory 
eallémdesua boa ordenan^a he deligencia em todo o que 
pertence & guerra e oficio de eapitam mor no dare mandar 
dar dos mantymento» tem tanta temperanza e juBta eomo eu 
fìunca qua vy a eapitam, e me parece que para menoa despe- 
aa ha metade do que hos oiitros eo$ttimam &zer com outra 
tanta gente corno elle traz sem Ihea tyrar nada do ordenado. 
tenho tamaaho prazer de Ihe ver tudo assy bem fazer que me 
nom pude ter que ho nom escrevesée a V. A., e elles barn de 
perdoar e assy Ih'o espero a todosdyzer que aasy corno Iha 
vyr fazer assy ho eyde d'escrever a Y. A., porque tenho eu 
por pecado os que ho mali fyzeremnom io saber V. A.^ poi» 
me n'esta negozeazam meteo, e isso mesmo tenho por peca- 
do aos que ho bem vyr fazer nom ho escrever a Y. A.. Ay- 
resda Ounha, Senhor^verdadeiramente Bendo isto sua propia 
fazenda nom ho poderia fazer milhor do que ho faz por mul- 
to amigo d ella que fosse, 0U90 Ihe dizer e vejo fezer que do 
seu tomem quanto quizerem e que ho de Y. A. ha de ir por 
sua verdadeira e justa ordenan^a, e asy ho faz corno ho diz, 
o que Ihe eu muito louvo, ainda que elle aquy nom estevesse 



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ARCHIVO IMS A^Ottfi 121 

ao tempo do dar dos mantymentos da aamadada mallagueta^ 
porque comò chegouse pat^tyologo para o Corvo, leyxoù re- 
gjmentd e amoestat^des para o allmoxarìfe, do qae devya £a- 
zer, e mandado qae nada isem eti ser presente desse, o qne 
me esqueceo esfcrever a V. A. uà outra carta que Ihe sobre 
isso escrevy; elle, senhor, corno està nào he navyos partyrem 
que veo ordenar comò fossem e sé fyzerem ha velia se ha 
de fazer tambem ha velia caminho do Corvo prassérà a Deus 
que trarà comsygo as naos da Inedia corno eu sey que elle 
deseja, e sobre que tanto traballioue corno eu desejo. As 
reaes mSos de V. A. beyjo d'està Eha Terceyra ha ho pri* 
meiix> de setembro de 1532. Pero Anes do Canto. 

Sobrescripto — ^Para ellrey nosso Senhor de Pero Anes 
do Canto. 

(Torre do J^ombo^ Corpo Chronólogico, Parte 1.% Maqo 
49, Doc. 91. Originai.) 



Q>^T^3L>^ 



Curti do nesiiio t drei^ de 43 de NoTenbre de 4337. 

Senhor — Depois de ter escripto a V. A. do que se passa-^ 
va sobre as provisOes de se fazerem caravellas n'esta ilha, 
se ajuntarom os propyos cullpados que fyzerom a pustura 
contra ha provisam de V. A. com seus parentes e com hum 
vereador e procuràdor do concelho que som muito parentes 
dos cullpados, e escreverom huma carta a V. A. corno quise-* 
rom e non no que he em nome da camara por os outros 
vereadores e juiz dyzerem que nqm avyam d'escrever cousa 
tanto contra servÌ90 de V. A., facjo Ih'o senhor ha saber por* 
que nom crea o que Ihe esorevem as propyas partes cullpa- 
das « otyciaes sospeytos, e mando V. A. aguardar por ^s au- 
tos de seus lyvramentos onde se vera toda ha verdade, he 
bem olhe que as nàos que fycam em Mo^ambique nom as 
pode V. A. sallvar com navyos do reyno, porque Vem em 

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122 JMmiyò dos a^obes 

tempo que noin podeooi de Ila vyr corno se vyo e te ano qne 
y. A. matidou qua quatro catavellaa em busca da nao Gale* 
ga, e tornarom para o reyno sem Ihe aproTeytareniy e se evi 
qua nom acodyra com as caravellas da ilha nom podera ir ao 
reyno, e se asna ilha nom ouvera. nom bo podera fazer, e 
crea V. A. que eu boo som qua ho pelegryùo em Jerosallem 
e quem bo contrayro d'isto procura nom he amigo do servi- 
lo de ¥• A.; porque eu porsaber canto sei^vi^o de V. A. he 
aver carayeUas n'esta ilha. /tetndomevossa alteza coutdda ha ma- 
deira dos meus eerrados em satisfat^om de meus $ervi<ios d'Afry- 
ca, eu OS devassey para se fazerem as dìtas caravellas e fyz 
assento d'isso no lyvro da camara e o assyney; este tamanho 
servÌ9o de V. A. se pode bem fazer sem danu da terra, e ey 
por muito grande engratydam corno Ihe eu dygo aos que 
isto contradyzem, porque se devyam lembfar que ho Infan- 
te Dom Anryque, que Deus tem, de que V. A. he socessor, 
descobryo està ilha ha suas propyas despesas e a povoi-ou 
de gados e depois a deu lyvremente aos moradores que em 
Purtugall nom leyxarom morgados e poys vyvemos no pa- 
trymonio de V, A, nom devyamos ser ingratos, eu, senhor, 
nom trato aquì d'outra cousa salivo do servilo de V. A., por- 
que exi nuhcà fyz caravella nem ha caperò fazer, sómemte por 
ver e saber certo que he muito grande servÌ9o de V. A. has 
aver hy n'esta ilha, e poys os mareantes as querem fazer e 
nom faz prejuizo a terra, nom posso soffirer que se tal cousa 
fa9a contra vosso servÌ90, e pecjo a V. A. que mande h^ocor- 
regedor que hos autos que se fyzerem d'estes que se lyvrom 
mande a vossa allteza por oude saberà a verdade e nom ha 
rela9om porque os que se lyvram tem parentes desembai'ga- 
dores e filhos que vyvem com desemb^gadores. Ha vydav e 
estado de V. A. Deus hacrecente, da Ilha Terceira ha 13 de 
novembro de 1537 — Pero Anes do Canto. 

Sobrescripto — A ellrey nosso senhor de Pero Anes do 
Capto. 

{Torre do Tomho, Corpo Chronol(^co^ Parte 1.% Mago 60, 
Doc. 11. Originai.) 



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À3S&CH2VO DOS A^OftEB , . 123 

Carla «0 wÈtm a tbkhAit 44 de Ifamile ISStt. 

Senhor — Està tei-9a feyra 14 de mayo chegou armada 
de ¥• A» ha sallvaxnento, Deus seja louvado, de quehetìapi- 
tam mor Antonio OoEiea,a està Ilha Teroeyra, e antes de 
«uà ehegada «està feyra 12 d'abHlI me fbe dada hume carta 
de V. 'A. porque me mandava que logo mandasse dous carà- 
vellSes cinqùoenta legoas allem da Ilha do Corvo, o quali 
logo fyz ao sabado 13 do dito mes d'abiill conio a Y* A. te^ 
nho esmpto Uargamente^ ate oje nom som vyndos do Corvo, 
tenho novas que nom ha Ha nenhuns armados porque ha oy- 
to dyas que veo de Ha hum navyo d'Afonso de Torres que veo 
da costa da Mallagiiéta^ que està n'este porto dAngra, sem 
achar na 4ita ilha do Còrvo cosayros nem hào presente ha 
novas d'elles n'estas ilhas que certa seja^ Deus seja louvado, 
ha nao Sam Miguell nom he vynda Deus ha trarà, a mim pa- 
rece que nom party o de Mo^ambique salivo em temilo que 
podesse pasar ho cabo com as naos que com ajuda de Nos- 
so Sanhqr este aiio ham de vyr da Indya para se ajuntar 
com ellas na ilha de Santa Elena e vyr em sua conserva, e 
se ho assy fez foe prudentemente, hos navy osjda Mina ainda 
nom som aquy, Deus, hos trarà. 

Do que me V. A. escreve das rendas eu ajudaiey em to- 
do o que em mim for ao corregedor e nom me de Deus mais 
vyda que em canto for para, servir bem V. A.. Este ano pa- 
sado ouve nesta ilha 15 ou 16 mill quyntaes de pastell, se- 
gundo som informado, nom que vysse os lyvros porque nom 
tyuha comisam para isso, nom scendo d'aver os anos ante» 
d'este arrendamento nem ho primeiro ano d'elle mais que 
dous ou tres mill quyntaes, este ano està semeada a ilha de 
maneyra que parecé que avei-à vynte mill quyntaes, escrevo 
isto para o arrendamento vyndouro. A vyda e estado de V. 
A. Deus acrecente da Ilha Terceyra aos ditos 14 de mayo 
de 1538 — Pero Anes do Canto. 

Sobrescripto— Aellrey nosso senhor de Pero Anes do Canto. 

(Torre do Tombo, Corpo Chronologico, Parte 1.% Mago 60, 
Doc. 168. Originai.) 



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124 ASCRÌVO J>OB A90RE6 

€aii* d» iwsao « clreK d« It de Mriwo ie 1538, 



>Seii}ior — ^A 9 dia» d'este me» de otitubro chegarotn a 
està ilha Terceyra Feraam da Costa e Gome» Paes e Aniy- 
que Esterez e Joham Godinho qiie V. A. qua mandou requa- 
dar 8aa8 rendas ooin seus regyme&tos e com oartas para o 
doGtor Brae Gota corregedor n'esta correi<join d'Angra, e pa- 
ra mìm; ao tempo que elle» ohegarom ho dito corregedor nom 
era n'esta ilha porque se partyo d'aquy para esse reyno ha 
ee ir descuUpar a V. A. de huma culpa que Ihe punham, o * 
quali partyo d'està ilha ha quatro dyas d'este mes de outu^ 
bro^ e por a minha carta dyzer que vysse ha do dito correge* 
dor ha abry e vy o que V. A. maada que se fo^a que he que 
se has ilhas nom fossem aiTendadas que se nom arrendassem 
e se recadass^n para V. A. este 'ano presente e que se com-^ 
prisse o que os ditos Ferufto da Costa, Gomes Paes, Anrique 
Esteves, Joham Godynho trazyam por seus regymentos, as 
illjas, senhor, nom som arrendadas corno jà a V. A. tenho 
esoripto, o corregedor eando partyo leyxou por sy bum ba* 
charell aquy i^orador e oasado, que cliamom Gon<jalo Nùnez^ 
vista a carta de V. A. que vynha parao corregedor fyz ajun* 
tar na allfandega o dito bacharell que ho dito corregedor 
leyxou por ouvidor, e o allmoxarife e escrìpvaes dos contos e 
allmoxarifado e estes cryados de V- A* he Duarte Vaz escri- 
pvao dos contos do reyno que d antes qua estava carregando 
ho trygo para Afryca, aos quaes mostrey a carta de V. A. 
que escreveo ao corregedor em que vem decrarado o que ha 
por seu servy^o que se fa^a dyzendolhes que ho corregedor 
era ido e nom ho podya fazer pois aqui nom estava, qiie me 
parecia servilo de V. A. ho dito bacharell queficou por ouvi* 
dor fyzesse o que fyzera ho dito conegedor se aqui estevera 
e que eu ho ajudarya, asentarom todos que era bem e servi- 
lo de V. A. fyz fazer d'ysso auto e asynarom no todos* 

Isto fyz canto ha aucencia do corregedor. 

Ora responderey ao que dyz a calata que V, A» escreveo 
ao corregedor. 



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ftSDfilVO DOS A^OR£S 125 

Ào qtie Y. A* dii iwu éita oarte que elk coii^egedor oàde 
tio^Mi ouvOT escrìpvSo do allmoxarifado encanegasse hum ta* 
belliào que tescreveasea receyta he deapesa do que os sobre* 
dito» recebeasein, em todoUos lugarnsa <mde ha i^oeby mento 
ha escryvain^do alimoxarì&do; 

E canto ào trygo que avya de ir |)e^«B ÀfHea d'erta tìon* 
tadoryae;c<HTey90Hi 8089. carnegados por Daarte Vass, emvy* 
vani dtia contea doreyno qtwe V, A; ha iso mandou qnflr^aete- 
centos e aetenta e.tres moyos, e paara Maaagam setenta 
moyos qiie Ihe vem por a dita reparty<^iV ^ para Azwaaor 
acon carregados, digos^ecentoa esetentae tres moyos, sifber: 
para o eatao de Guee cento e noventa he oinqno moyos qne 
Ihe veeo pco* ha reparty ^otn do coatte de Peiiella^ he para 
^afymsoip carr^ados qwatrooentos e très moyos, e para 
Ma^igam «etenta moyosque Ihe veto pòi' ardyta rep»rty9om, 
e pai^a Azamor som carregados cento e cinco moyos, que fe>, 
aem ha dita soma dos ditos setecentos setenta e ti^s moyos, 
e para mill cento e defienove moyos, que som reparty dos aos 
dito» lugares segiindo v^tn poriadifìa. repàrty^;n falecem, 
que se ham de carregar, tiresmtoae quartata e seysmoyos^ 
dos quaes se ham de mandar ainda Azamor dusentos e oiten- 
ta e cinco moyos e a ^^fym sesenta e hum moyos, pai*a 6ei*em 
cheos do que Ihe he repartydo por ho regymento do ditocon- 
de, porque ho cabo de Guee e Mazagam ja tem todo ho seu, 
OS quaes se nom earregarom ja oste ano por ser ja muito no 
inverno, porque ja hagoi*a ainda que ouvesse navyos se nom 
pode carregar, saliva em norembro, e para ir na fym de no^ 
vemforo ou em dezembro buscar ha eosta d'Afryca especialL 
mente ()9ifytn^ Hazamor, aque ha de ir ho dito trygo correrà 
risoo, e por isso parece milhor ir para mar^o, em este que se 
cacregcm Duarte Vas ho fez com tanta delegencia que mais 
nom podya ser. 

V. A. manda que ho trygo que mais ouver que ho que se 
ha de carregar para^ Africa se leve ha Lixboa e he muito beni 
se qua nom ouvesse outras necesydades a que se nom pode 
dar remedyo sem se vender do dito trygo e fazer biscoytos 
para as naos da Indya e armadas, este verSo se fez aquy dy- 



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12€ AECHIVO Wy» A(»XE8 

vìda de mantymentos para ae naas da Indya e armadÉi de 
mai» de quatro oentoe mill reìs que oje em dya nom som.pa^ 
goBrf porque »e fez teda a dita dec^esa sem aver kmn vyn* 
lem para ella e os homeoB que tyiìbam bÌBCoytes he TÌnhoé 
para vender coniprandolhos outius pessoas dandolhe lego ho 
dinheiro etnpedyalhe eu a venda dyzendo que ho avya knes- 
ter para vesso Bei^vi(;o, dyayam me q«ie Ihes desse rho dinbei«- 
ro oomo Ihe Os que Ihe mercavora davom respondyalhe que 
seryam pagos, e tornava Ihe todavya ho seu sem dinheiro 
contra snas yontades, noxn som pago» oje ^em dya^ ìsto sabe 
bem Antonio Con*ea, que qua veo por capitam cuor que he 
vyo fasser, eisto que asy tornava contra vontade de seuddor 
nos era por deytar d'aquì as naos da Indya e airmada - que 
allem do risco do porto cada^ya que se. detem em manty- 
mentos e soUdos se faz despesa de mais de eem ^eruzados e 
em cada dez dy^s mill cruzados e tudo isto «e afntyveyta o 
que nom sera nom se fazendo asy porque V* A^ nunea aquy 
tem dinheiro, agora andam has pessoas bradando por as ruas 
e gymendo que Ihe nom pagom tornando lite ho se«i por for-^ 
^ por amor de Deus aja se Uà memorya d'isto. > 

Asy que dygo que pagas as dyridashe mmto bem que 
hofcpygo se leve ha Lixboa. > . 

E aindq. dyrya que este ano que ^em se deve com ajuda 
de Deus esperar que ha de vyr soma de nao» da Indya pois 
vem ho govemador, e tamfoem ha de vyr para map^o ho^sua*- 
vyos de Mo^ambique, e para isto biscoyto hadaver mister; 
porqùetodos vem primeiro que venha ha novydade^e tend^ 
aquy feyto do trygo das vendas o que se ha de comprar por 
dusentos CFUzados nom custara mais de oento, isto tudo vejo 
eu qua e Ila se pode ver se quiserem^ e de nenhuma; oousa 
se pode tyràr dinheiro para eetas despesasr que ménos perda 
fa^a ha fazenda que de trygo, porque vendendose pastell 
para iso he grande perda porque ho. pastell para ser bem 
vendydo ha de sefgranado e nmn em bollos corno ora .està, 
e que ho queyromtyrar dos ramos das meupas lUom pode 
ser porque ainda nom abasÉam para as ordenaryas da see e 
das igrejas, se os rendeiros devem allguma oousa nom .ha 



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émmffo wm XQnsu 187 



en^^eu^am, óra manlde Y^ A. ^er obma isiò ìm deeer e j 
de aobre isto proviaeoni pois esitf oortò qoe aè nom provar 
qae> se ha àe Iperdar em faeeadA qiie os, que i^ om franino 
de mim ja ho nom querem fazer nem eu mais Iho ouÉaray 
l'aquerer. ' 

E o que Vf A. manda das meu^as que ae anretidem pw 
runos e as entradas e saydas das aìlfandegas, ha mayor par- 
te dellas som arrendadas e as que ho ainda nom som se ar* 
rendarom. 

E ysso memnci né poorom em pr^am ai eioitriuiàs e saydas 
das aìlfandegas as quaes até aquy nunca forom arrendadas 
sòbire sy e os rendeyros dM ìlhas as reoebyam e pareceme 
mais servii de V. A. se arra^daxem corno Y. A« manda» 

£ quanto ao pastoU que Y. A* manda que ;ae meta em 
pregam e nom deorara aè em bolloa ao tempo do peaso eant 
do se reoebe dos lavradorea ou depois de ser granado, a mim 
parece servilo, de Y. A. se nom metor a pregam eallVo gra«* 
nado, porque hemuito mais proveyto, pórque hobom paatell 
vali em boUos tresentoa rcis o quyntall, e granado quynhen^ 
tose cinooentaT e seyseentos; quebra em ho garnar ha quarta 
parte ha despesa de ho garnar he pouoa que nom sera vynte 
reÌ9 por quyntall^ ora tyraudo ha quarta parte de seiscentoa 
reis que muitas vezses vikll ho bom pastell fyca lio quyntall 
dos boUos depois de granado tyrando a dita quarta paorte em 
quatrocentos e trìnta reis que he milhor que ho dar a treaen* 
tos em boUos antea de ser granado, e o outro paatell maia 
somenos que vali menos em bollos e granado ho mesmo pro< 
veyio tem e por isso nom se meterà a pregam salivo grana* 
do e nom em bollos e asay irà ho llan^o ila ha fasenda. 

Em todo ho mais que em mim foreu ajudarey estescrya^ 
dos de Y. A. que qua som, ajn^oveytar estàs rendas em todò 
o que poder. 

E se Y. A. logo nom mandar tornar ho doctor Braz Cota 
serya seu servilo mandar qua ho doctor Francisco Toscano 
que està em Sain Miguell que tem &ma de bom homem por- 
que està correi^m corno està nom fyca bem, porque està ba- 
charell tem muitos parentes de sua molher n'eata ilha, ha 

VoL I-N.* 2-1878. P AooIp 

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128 ÌASCBITO BOB A90n» 

vyda e estado de Y* A» Deus acrecente da ilha Teroeyra a 19 
d oatQbro de lóSS-^^Fera Aaes do €imte« 

Sobreaaripto-^-^A ellpe]r nosso senhor de Pera Anes do 
Oantor 

(Torre do Tomho, Corpo Chronologico, Parte i." Mago 65> 
Z)oc. 20. Originai). 



Carta d« «SU* a drei, de 27 i« lai* 4« f S41 

Seiìhor — Em 20 de mayo me foe dado huma carta de 
y. A«: qxie faHa na caravella que se aimou em Sevilha para 
«ostada Mallagneta, lago no mesmo dyaporacbar pasagens 
avìsej todolas ìlfaas do modo qve Y. A. manda que se fy* 
aesse e as pesila» que àvysey foe que no casso se tyvesse 
ho segfedo que ara necesaryo em tali casso, porque noni 
vyndo a diia caravella a està» ilhas nom ser sabydo ho se^ 
gredo no reyno por se nom irem as partes culpadas fora do 
reyno sem castygo; ho trellado das cartas que escrevy a 
todallas ilhas envyo ao conde da Castaneyraque sobre todo» 
Ihe doe a percla da fazenda de Y. A., e a causa porque ho 
escrevy e me pareceo necesaryo foe jJbrque eu nom poso vy- 
gyar somente està ilha Tei*ceira onde estou e està caravella 
nom bade vyr a nem huma d'estas ilhas sem neeesydade de 
mantymentos ou auga e isto ham de tomar em duas oras e 
logo se hyr, he para fazer o que Y. A. manda me pai«eceo ser 
necesaryo ho escrevei- a todalas ilhas da maneyra que dyzem 
as cartas de que envyo o trellado ao dito conde da Castaney^ 
ra que d'ellas darà enforma^om ha Y. A. 

Senhor, ha néo de Joham Babello ateora nomv^oaesta^ 
ilhas, da Indya, comò ha Deus trouverfarey corno Y. A. tem 
mandado. ■ ' 

Senhor, com efirta carta vay outra que leva Braz Pires do 
Canto, meu sobrynho, em que dou conta a Y. A. do que he 
feyto no arrendamento das rendas d'estas ilhas e o estado 
d' ellas e por isso ho nom repito n'esta. 



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ARQmVO 008 i^BEfl 129 

Ho ser^tiyssimo prineepe de oastélla iSEie màudou aqaj 
huma carta que not^oase aos oapitles daa suas n^^ que 
vyéBma das Antylya8,iqHe noni pasasem d'estaa flhas «allvo 
Gom/'muita frota, e n(»& iirào com frota : tam posante que sé 
podesaetD defen^er, em tali caso, que ho ouro e prata qae 
trouTesem lejxaBsem n'estas ilhas, porque tyaha nova de 
armaéos tiiancedés e eBCoroeos; de Y. A« nom tenho d'isto 
nem hum rècadoy poremeu tenho ja avysado dysso todallas 
ìlhas que dem ho dito avysso às naos da Indya se d'ellas our 
verem &Ua. 

Gosayros nom ha ao presente n- estas ilhas nova d'elles, 
Deus seja lourado. « 

A vyda e eatado de Y . A. e da raynha e prìnoepe nossos 
senhores Deus acrecente corno Y. A. deseja e Iie necesarya 
ha pas e asesego e boa goveman^a d'estes reynos a que 
Deus praza sempre estarem no estadcque ora estoni, da ilha 
Terceyra ha 27 denjayo de 1547 — Pt»:o Anes do Canto. 

Sobrescripto-^A ellrey nosiio senhor de Pero Anes do 
Cai^;o. 

Torre do Tombo, Corpo Chronoioffico, ParPe 1^, Maqo 
19, Doc. 36. Originai). 

Csrta do mesiM a «Irei, de IS de Jolb de IS47 

Senhor — Eu tenho escripto a Y.A* corno chegarao a es- 
te pòrto d^Angra ha nào Esperà, de que he capit3k) Louren^o 
Pires de Tavora, com cimquo naos, saber: a em que elle vem 
por capìtao mor e a nao Proli de Ila Mar, de que he capitào 
Jeronimo Freyre, e a nao Gallega, de que he capitSLo Jorge 
de Mendo9a, e o galeào Byscaynho, de que he oapitao Jeroni- 
mo Rodrigues Pe^anha, ha nao Yytoria, de que he capitào 
B^ernao Allvares da Cunha, a dez de julho; ontem, que forSo 
desasete do dito mes, forào de todo providos e despachados 
de todo o que ouverào mister he foy ho capitSo mor d'arma- 
da Manoell de Mendo9a, & dita nao Espera, de que he capitào 

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ISO AUmS^O DOS AQQBU 

morrò 'dito Lourcn^o PbM de TftTora^ he ii'i^a ojvmtoa to- 
dolos oapìtaes da» naoftda India e eomgedar^ oontador e ail*- 
moctarìfe, e eu, e tomou o pareoer de todos sob^e lia pavtida 
d'eiriM cimqHo naos; pareceo^a todos ser servilo de V« A. se 
birem para o reyno por serem cimquo he bem artilhadàse 
bÒQB capitala he eitar haqui Antonio Yaz, irmSo : do* patram^ 
eom liuma caravella d'armada qiie veyo da Mina, he vaiai- em 
SttàconBerva duas naoa armadae do emperador, qne levào 
euro qtie trasem das Àntilhas que se nao atrevetao ir aol»^ 
navios de Sam Tome he Cabo Verde e do Brazyll^que hirom 
iBuito perto de vynte vélas, manda ho dito Manoell de Men^ 
do^a com ellas ho galeao Esperan^a, que he da sua armada^ 
de qoe he capitao Francisco Luis; tenho que yam se^ros 
ainda que aohem otitras vynte vellas de eosayros. Manoell 
de Mendo^a fiqua agoardando por as duas que aìnda nao 
iam vyndas, saber: a nao de JeronimoRabello que éUes eha- 
mao a Nao Nova, de qtte he eapitfto Diogo Rabello, e a nao 
Santo ^Bspiritò, de qne he capitSo !Diogiio Baradas^ he parti- 
das estas naos da India a outro dia dis que ade partir poora a; 
ilha do Oorvo esperar as ditas duae naos, he creo eu quo asy 
o fistrà, por que certo eu à vynte anos que syrvo Y. A. a'esta 
negocea^ao das naos da India he vyeram qua muito bons fi- 
dallgos, amigos do servilo de V. A., mas nem hum ehegou a 
este, he certo, eu Ihe tenho enveja do que Ihe vy fazer que o 
despacho breve d'estas naos elle o fet he a mim tirou de to- 
do trabalho he veio a muito bom tepipo e em boa conjun^ào 
qne eu de minlia doen<;a ajumtada com setemta he qnatro 
anos que ey, n^o estava para tanto corno os anes pasa- 
dos, todo elle hz^ de maneira que eu Ihe tenho muita 
enveja^ que nao abastou ha quintura que trazia e traz. 
no servilo de V. A», mas com sua pessoa e gente de sua «ir- 
Biada eseuBOu muita despesa que se cada hum ano fitzia 4 
eusta da fazenda de Y» A»; esprevo istoasy largo por ser ver- 
dade que tenho eu por peCado turni esprever a Y* A« a ver*- 
dade de qnem o bem serve; este bouìem he^para muito a tódo 
meu entenden , 

Armada da màlagueta nSo he vymda, tràlaha Deus e a» 



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&SQHI¥0 DOS AyOBBft tSt 

naos da India he hirem seguràK he bevi aisompanhadas corno 
ora vani estas que Deus levare a salvamento. 

GoBSiyTO^ n'eeta» ìlhas/nào ha novaB jd'elles: a vyda e es- 
tado de V. A. Deus acrecente, da tlha Terceira a 18 de julho 
de 1547. — Pero Anes do Canto. 

. Aobrescripto — .A ellrey no^o senshor de Peix) Anes do 
Canto. 

(Torre do Tombo, corpo Ckroìiologico, Parte 1.% Ma<;o 
79, Doc. 49. Oìigiiml) 



Carta d» Besmo a eirei, ée 6 de Jaio de IS48. 

Senhor — A està ilha Terceira veo hitma provisom do 
principe de Castella em que Sua Allteza manda que as naaoi* 
que vyerem das Antylyas leyxem^nestas ilhas e pusesem em 
terra a bòni recado ho ouro que trouvessem asy de Sua Al- 
teza corno das partes porque era énformado que em Dìepa 
se fazyam prestes cértas naos de cosayros que as vynham 
agardar a estas ilhas; està provisom foe feita este dezembro 
pasado^ até ho presente nom ha novas dellas n estas ilhas, se 
som saydas, pois aquy nom som, póde ser serem na costa de 
Qiiyné* 

Senhor, meu filho Joham da Syllva he vyndo de Ceyta a 
esa corte, beyjarey as maos de Yosa Allteza sse lembrar de 
meus e seus serviijos e ho mandar despachar, e qando Vosa 
Allteza ho nom poder prover ao presente, quissera por allguns 
jttstos respeytos, em tali caso me fe^a mercé Ihe dar lycentja 
para se vyr, porque eu estou gastado e endyvidado com as 
despesas que até quy com elle tenho feytas e com os outros 
que em Afryca ficàm e nom ho poso ao presente manter na 
corte, e estarà qua allguns dyas até eu poder aver com que 
ho tome ha mandar servir Vosa Allteza porque sse me nom 
engana ho amor paternali tem habylidade pera isso, a vyda e 
estado de Vosa Allteza Deus hacrecente e da raynha he prin- 



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132 ARCSHIV0D08 A^ORES 

eepe nosos senhores, da ilha Terceyra baseys 'de mayo de 
1548 — Ptero Anes do Canto. 

Sobrescripto — A ellrey noso Senhor — De Pero Anesdo 
Canto. 

(Torre do Tambo, Corpo Ckronologioo, Parte 1,% Maco 
92,Doc. 120. Originai.) 



Q^^^Wu^ 



Carta do nesiio a eirei, de 20 de novembro de ISSI 

Senhor — Jobam Martins da Camara, que està leva/ he 
neto do capitani que foe da praya d'està ilha Terceyra, pri- 
mo com irmào do que4io ora he, tem servido Vosa Alteza 
iias armadas que Vosa Alteza n'estas ilhas mandou fazer, foe 
ho ano pasado por capitani de huma caravella com ha néo 
Santa Cruz, d'alcunha o Zambuco,quePeustrouvedaIndya, 
por ser abele para iso, seus serviijós sempre forom por esperar 
Vosa Alteza ho tornar e mandar asentai* em seus ly vros, eie 
tem servÌ90s feytos a V. A. n'estas armadas que se qua fy- 
zerom, porque o merece, rogoume que ho certefycasse aV- A., 
nona Iho pude negar porque he verdade, tem idade e habely- 
dade para servir V. A. na ìndya e em toda parte que se d'el- 
le quizer sèrvyr, mercè Ihe farà e a mim em ho aver por seu 
e o mandar assentar em seus lyvros, pois seus servi^os ho 
merecem e tem pessoa e abelydade para servir: a vyda e esta- 
do de V. A. Deus acrecente, da Ilha Terceyra ha 20 de no- 
vembro de 1551. — Pero Anes do Canto. 

Sobrescripto — A ellrey noso senhor de Pero Anes do 
Canto. 

(Torre do Tombo, Corpo Chroriologico, Parte l.^^^Mago 
87, Doc. 20. Originai.) 



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AKCBIVO DOS H^REB 1S3 



Carta do ■mm a eira, de 4 4e larto de ISS2 

Em quarta feyra, vinte etres de fevereyro, se vyrom d'es* 
la cidade d'Angra desta ilha Terceyra pasar . . . . • v d'este 

porto dnas legoaa d'eie « velas 

saber: hama ga]ea<^a muito compiyda he grande e huma nao 
qne parecìa ser de dnzentas toneladas e fauma zabra e dna» 
caravelas latynas que todas parecerom ser francesas, conio 
de feyto ho erom por o que depoys se vyo, escreveume ho 
ouvydor do capìtào o que pasava, ha huma quynta em que 
moro, que he tres legoas d'està, cidade d'Angra, oomo vy seu 
recado vym logo e por a enformaQom que me derom. asentey 
comìgo serem cosayros, fyzemosnos prestes, pus no porto 
em duas estaneias para defensom d'eie artelharya que n'estu 
cidade estava, em huma espera e hum pedreyro e hum fai- 
cam e em outra hum camelo e hum pedreyro com vygya de 

gente de noute, ao outro 

com galea^a e nào ..,........•.► 

hyam este porto roubar qne 

depois que IheB tomarom o . as alarga- 

rom mays por ja sermos 

certos . . as quaes caravelas toma- 
rom vista da ilha de Sam, Miguel!,, huma era da cidade do 
Porto, de que he mestre hum Joliam Lopes, que vynha da 
ilha da Madeyra para estas ilhas, ha outra era d'està cidade 
d'Angra que hya para ilha de Sam Miguell, de que he mestre 
hum Miguell Femandes, eu mandey deytar por os homens 
d'està cidade hum cento d'espyngardas de Vosa Alteza que 
aquy mandou que estavom na alfandega em garda para o 
tali tempo, derom as caravelas roubadas nova que a dita ga- 

lea<}a e nào e zabra ficavom yn ...*.. . 

do .' p . . . da ilha de Sam Jorge que 

he doze legoas do porto d'està cidade d'Angra que he o paso 



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134 àMmpfo DOS A90RK8 



f 



de todos OS pasos, dìgo de todos os navyos que vera a elle, 
hao domingo vyndoiu'o, que forom vinte e oito dias de feve- 
reìro, vyerom dando ca^a ha huma caravella do Mondego, de 
que era mestre hum Jeronimo Fernandes, que vynha da pes- 
carya do cabo de Qiiee ccm pescado, a qoitl por nom poder 
tornar este porto d'Angra foe ancorar huma legoa e méa 
d'eie ha lìum porto que se chama ho porto do Judeu, ha ga- 
lenica se foe poer sobre eia da parte do mar, aiTedada mea 
legoa, ho mestre he marynheyros com mede se sayrom a ter^ 
ra com aeu fato e oom as velas, ficou ha caravela soo, a nào 
e a Eabra se vynham direitas a este porto d'Angra ^ . . . . 

que tynham rou 

ho mail .... 

quando \'yrom porto ha nao se foe 

4. .... ho capitam, ha zabra 

que estava sem gente 

amarra» e a levou onde estava 

........ ynada ha galea9a, dq)ois d'isto dysem que 

fyaerom synall com huma bandeyra, segundo dyaem que eu 
nom estava la porque estava no porto com artelharya donde 
lìDs enxotey, que pareceo ao mestre da caravela que era para 
Iha dax'em depois que tomassem ho peixe que quisessem, foe 
la em hum batell de pescar com dous homens da terra nom 
tornarom mais e à oje seys dyas que isto aconteceo, eu, Se* 
nhor, tenlio mandado avysar estas ilhas do que aquy pasou 
uté oi-a e asy farey do que ao dyante soceder, a mim pa 

destes rebates mui* 

tos, farse & todo o que fazer, muito aprovei- 

tou ho condestaber que Vossa Alteza qua maDdou, sobre 08 
bombardeyros mande Vossa Alteza prover, porque ditosso 
me achara eu se ty vera haparelho para isso, Iheti ir la mostrar 
onde elles andam estes meus oytenta anos, mas com hum 
bombardeyi'o que he soo ho condestaber que Vossa Alteza 
qua mandou nom se pode mais fia^zer que tyrar hum tyro da 
ten^a, fa^o por està saber o que pasaa Vossa Alteza para pro^ 
vern'iso o que for seu servilo, ouja vyda e estado Deus ha- 
crecente corno eie eterno Deus sabe que he necesaryo a seus 



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subditos, da ilha Terceyra ha quatro de mar^o de 1552. — 
Pero Anes do Canto. 

Sobresoìpto — A ellrey Noso Senhor de Pero Anes do 
Canto. 

Ton^ do Tomba, Corpo Chronologico, Parte i.% Ma^o 
83^ OiK.Ì23. (Jfnffin§d.J 



a^ ' l ft Cu/IS) - 



CarU 4d aesm hétti, de 16 de Agosto de ISS2. 

Seufaor-r*6utenho huioas erdades n^esta ilha Terc^yra 
oude.ohamam Augaalva e lageas, que me parece que darom 
a^uquer oc^oiq se dà tm ilha de Sam Miguell e querya iazer. 
9tì^^ a esperyencia d'yao despeza, e porque nom sey se a^ 
dita» «^dade» terom. nee^sydade d'auga e iia dita comarca ha 
buma ryb^ra que ae ehw^ 1^ By beyra d' Augaalva onde, 
ho eapitao da praya tem suas moendiMÈ^ em que ho povo mpe 
mia pam è. a sraga da dit$t Bybeyra da Augaalva dq)oys que 
pasa do$ ditoe moynhos. piqsa bayxo se vay por a dita By- 
beyra. d/ Augaalva he Bybeyra da» Pedraa ap mar, peijo a 
V. A. me &^a meroe d'auga da dita Bybeyra d'Augaalv^v 
que depoi» que paea por o» dito» moyuhQs se vay perdyda 
ao mW) para regar asditas terras que asy quero fas^ar em oa^ 
naveaes: d'a^^uqueir se as terras para dar o dito a^uquer d'eia 
tyverem uecesydade^ pQrque nom queyi» depoys que eu ty-^ 
vesse feyto gastoBobre a dita esperyencia^ outrapessoa quQ 
no dito lymyte tevesse erdade a pedysse «v Y . A- ^ eu f^car 
6om ho gasto da e^peryeneia e eia eom auga, no que d^ 
¥..A* rec^barey meree, da Uba Terceyra a 16 d'agosto de 
1652 — Pero Anes do Canto» 

SobreescriptO' — A ellrey noj90 senhor de Pero Anes dq 

Qsttt<K 

(Torre4o Tawbo, Corpo ChronologicQ, Parte 1.% Ma^88^ 



Voli— N.«2— 187a ^ _ 

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186 AHOfirro 2H>s ifi^dMM 

Carta do mesoo a elreude 8 de Setenbro de (SS2 

Senhor — Armada que veo este too, màyè etistosa qiie 
proveytosa, fez nmito grande despesa que soo em carnes pa- 
80U de duas mìll arrobas, e fòe sobre iso opresam grande 
nesta ilha que foe necesaryo tornar ho gado da cobra da 
eyra, que andava debulhando ho pam e a» vacas parydas e 
fycavoqi-hos filhos »em ma^s pera ho» tìryar, e ainda os 
d'armada mail contentes, eu Senhor ey medo de gymido de 
povo, està ilha Senliot*'' he pequena e tiòm tem gado pera 
tanto, parece servilo de Vossa Altesa, que mande ao almoxa- 
rife da ilha de Sam Miguell, qtie he ilha grande, qiie em cada 
htim ano no més de mayo que he ho tempo que ho gado 
està gordo, fa^a fa^ér qiiynze pipas de carne que podem le- 
var trynta arrobas por pipa que som quatrocentod e cincoen- 
ta arrobas e aia mande a està ilha pera ha armada, e naos^ da 
Indya e mande ao àlmoxarife da ilha de Sam Jorge que 
pola mesmà manéyra mande em cada hum ano no dicto tem- 
po do me» de mayo dek pipas que som tresentas arrobas e o 
mesmo mande ao àlmoxarife da ilha do Pico e do Fayall 
que he todo hum almoxarifado, que som ilhas que tem gado 
que serom nest^bs quatro ilbas mil tresentas e cineoenta ar- 
robas de ciarne que as dictas quattro ilhas muito bem podem 
dar sem ho syntyrem e mandarem nas a està ilha no dicto 
tempo, e cando ouver necesydade de mays carne entom se 
soprirà ' d'està ilha Terceyra, e cando se nom ouver tanta 
mester a que sobejase hyrya na armada para ho almazem 
que nom avya de custar frete e iiom serya p^a da ■ fazen- 
da porque ho arratel vali qua ha quatro >reis e 14 rio reyno 
me dyzem que vali mays, se Vossà Alteza vyr que lie seu 
servilo mandeo fazer porque nesta ilha nom se pode soprir, 
e crea Vossa Alteza que em nenhum a90ugue desta ilha se 
talba carne por ha nom aver por isto que se 'ora aconteceo 



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poys que sera ao dyante se se nom prover, a vyda e estado 
de Vossa Alteza Deus acrecente da ilha Terceyra ha oyto de 
set0af)iri) dfe X452.^1^r!^,AtvdiyJ$^to. i nnA^i ,;. .:,.:$ 
Sobrescripto — A ellrei Noso Senhor — de Pero Anes do 
Canto. . -, ^ ',..:•• .f ;■;.-. .i 

(;Ti>rré do Tombo, Corpo ChrondogioQ^t .P(^rté 2/y Ma^ 






> l]art»id«mMti«a«lrei, 4el4eOiibikrod«l^3 

Senhor — Vosa Alteza mandou a està ilha Terceyra lan-» 
^r. dspyngaidas e.areabuses em que/n^s fez muito grande 
mercé, esto, senhor, tem necesydade d anadell, nesta cidadc^ 
d'Angra é morador hum Manuell Feraandes Cabrai cavaleira 
homem de bem que fòefilho de> hum dqs- prymeìroft. pavora- 
dores desta ilha e que em tempo, d'està oidadd aer vila . erat 
hum dos que a governava de juiz e vereador, este Manuell 
Femandes Cabrali fousse Afryca a Azamor onde casou,' de- 
pois de despejado Azamor veosse pera està ilha sua natureza, 
vy ve com sua molher n'esta cidade d'Angra mercé Ihe farà 
Vossa Alteza e a mim fazer Ihe mercé do dito oficio porque 
eie éìWtnaaipeifii.iso^ii?vydaté as**do ùé jlV^odsaiAlteimJ^eus 
acrecente, da ilha Teroajit'ftiMWJpritìKdrò d'outubro de 1553. 
— Pero Anes do Canto. ' 

S^fapeserii» -^ A-.i allrey J^osao Sendior de Pero» Aum do 

(T&itre doi TanAù^:Qnìpo>l(Mrvmlog^ 
91,£he.S2. Orinai.} ; : 

• ... . > ...; . ' '• ' . ' li ,r •' ' *'ì 



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188 àMICBPfO DOS A^IORfiB 



Carta ie Aatoiia Kr«s it €«■!• a Elrd le il de Agosto de I5€2. 

Senhor — Oje onze de Agosto trouxe Noso Senhor as 
qiiatro nàos da India que-esperavamos, vem faltas de man- 
tixnento e d augnoa, com milita delygenoia trabalhar^y de 
as prover o mais prestes que poder, he na volta d'efede tra* 
balbo me deu Felype Cerveira bua carta em que me Vosa 
Alteza manda ir a quali comprirey, cpm levar quatro filhos 
que tenbo, e eu e elles, com cada bum seu baralo ao pes* 
eo^o porque se tenbo feito o que nao devya Tosa Alteza me 
mande enforquar e dos filbos fazer sacraficio, Noso Senbor 
acrecente a vydaestado de Tosa Alt«2a Ite éa Baynha Nosa 
Senbora, da ilha a 11 d'agosto de 1562 — Antonio Pires do 
Canto. • 

Sobresorìpto*— A ellrey Noso Senbor de Antonio Pires 
do Canto. 

(Torre do Ibmbo^ Carpo Ckronohguso, Parte 2.% Maqo 
247,Doc. 8. Originai.) 



^X W kj^ . 



Carta de Jtfe de Sfflu de Caito ae Veder da FaieÉki lell, 
deSideiaiedetm 

SexAor. Pola carta q&e a eirey Noso Senhor spiravo e 
treslado da que me spreveo o capy tao Manuel da Camara ve- 
ra Vosa Senboria bo que qua passa, sou de parecer que de- 
ve vir giY>ssa annada em guarda das nàòs da India por que 
me afiraiou bum bomem que veo de Sam Myguel lieste baiv 
co que fora a bordo dese galeam cosairo e que Ibe contàra 
vynte e tantos tyros grossos por banda e que trariia acyma 
de trezentos bomens tres xaretas ja de rageira? sobre cabos 



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4B0HIVO DOS AfOBf» ISd 

qne tynha lan^ados de masto a masto temia tam pouco a 
fortaleza de Ponta Delgada que me afirmaram estes homens 
de récado qite. balravent^on a uumm . de tyro dait^bu» da 
fortaleza; oje depois de chégado ò reoado veo huft néo antre 
OS ìlhéos e a terra e pa^ou ao longod'este porto e corno pasoii 
o Brasili foy na volita de sull sudueste e outra apareceo 
avante da Praya legno ìnviamos o recado ao capytào da 
Pràya e foy hum batelào às ilhas de bayxo; faz o provedor 
Dtiarte Boi^ges o servi^QO delrey Noso Seniior com multa di- 
lyg^neya e vontade premtta Nos«o Senhor que tenlia milkor 
mào ...;.....? e mais ditasnas mercéa e lenibran* 
Qas de Sua Alteza e que nam se Ihe apegue de mym mynha 
mofyna, eu fico iazendo ho que poso, Deus por quem Iie nos 
ajudaré; he necessaryo favorecer elrey Noso Senhor aos ca- 
pifcaea das cempaahyas e jeate désta cidade com liberdades e 
favores por qùe nos nam aconte^ ho que se pratyca em ou* 
tra» parteiB: por outro caravelào que parfeìo d'aquy antoutein 
sprevi largo a elrey Nosq Senhor e a Vosa Senhoria aguora 
nam ha tempo pera mai«. Christo Jesu a muito ilustre pesoa 
de Vosa Senhoria tenha da sua mfio com acrecentamento da 
vyda e estado, d'Angra oje XXII de maio de.l572f bfija as 
mSos de Vosa Senhoria Joham da Sillva do Cantò. 

Sobresoripto. Ao imiito ilustre senhor o Senhor domMar- 
tinho Pereira do conselho d'estado dellrey Noso Senhor e 
vedor de swa &zenda meu senhor de Joham da Sillva do 
Canto. 

(Ihrre da Ibmbo, Co§^ Chranolc^icop Pmi» 1!, Macp 
109, £hc. 12L Orùpnal.) 



q^^iB^p^ 



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140 ARCmVO DOS A9OBK» 



Attestado io Capitan Fraiieisee d» CMnara Paytii em f i|e se relata» 
nrm sueeessos« me tiveram locar m littp da Prava 

mimtìm 

Ceilifico eu Francisco da Camara Paym que- óra sirvo de 
capìtào de toda a gente de pee d'està villa da Praya da ilha 
Tercrìra^ que Luis do Canto naturai da mesma vilia acudio 
com suas arma» a todos os rebate^ que ouve e partìcular* 
mente no anno de 97 estando sobre està ilha cento. e xjuaren- 
ta vellas de inimigos se me veyo logo offerecèr com suas 
armas e me acompanliou em todo o tempo que a dita arma* 
da andou defironte desta ilha e assi mesmo em 21 de feve- 
reiro do anno de 98 tratando de se amotinar os soldados que 
estavào em està villa de presidio me aeompanhou na pra^a 
da dita villa donde estava eom a minha bandsiira jositamen- 
te com as outras dos capitaes hespanhoes e^ o puserào n^a 
boca de hua rua com outros soldados de confian^a, pera re- 
sistirem ao ìmpeto dos soldados amotinados se por aquella 
parte quisessem acometer, e no outro dia seguinte me acom- 
panhou indo n<5«3 em seguimento dos amotinados até que 
tudò se apasiguou', assi mais em o outro anno seguinte tra- 
tando osmesmos soldados de se amotinar, acudiitdo eu à pra* 
9a donde estava o corpo da guarda donde estive toda a noi- 
te com OS capitaes espanhoes pera acudir com a gente portu* 
guesa ao que fosse servilo de Sua Magestade, o dito Luis do 
Canto me acompanhou em toda a dita noute e em todas as 
occasiOes se mostrou zeloso do servilo de Sua. Magèstàdé 
acudindo a todas as trincheiras e paredes que sé faziào pera 
a defensSo da dita ilha e por me ser pedida por sua parte a 
presente Iha passei de minha tetra é sinal oje onze de setem* 
bro de 600 — Francisco da Camara Paym. 

(Seguem os reconhecimentos de trez tabeliàesj 

(Torre do Tombo, Corpo Chroììólogico, Parte 2.% Moup 
298, Doc 220. Originai.) 



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HISTORIADORES DO SECULO XV 



VX,V\AAAnjVlAAA/%**--- 



\^immx $thi&tì 



Registnin bujus operis libri ChronicaruD cum figorls et imaginilNiS 

ab iuitio fflundis (osque ad anuuiH 1492), 

in tfA. maxime, Nuremberg I^SOS 

com 20 + 300 Mhasv 

Obira ootahecida pelo nome de Ohronica de Nuremberg» 



A folhas GCXC se enoontra o trecho relativo és Dhas 
dos A^ores qua adiante segue. 

N'algumas das edic^pes d'està obra apparece urna noti* 
eia apocrypha, que atribue a Martim Behaim o descobri- 
mento da America e dos A^ores, a qtial nao se encontra no 
manusteórìpto originai, ainda hoje esistente no archivo do se- 
nado deNureraberg*/ • 

Na Bibliotheda Nacional de Lisboa existe um exeniplar 
d'està òbra. 



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142 ARCHIVO DOS AgORES 

Heinricus infans videns regni Portugalie fines parvis li- 
mitibus continerì cupiens regnum ampliare oceaniim Iiispa- 
nicum summis viribiis ingreditur suasu et doctrìna cosmogi'a- 
phorum situs teiTe^^t-marìs nosoeneimxi, inventìaque imiltis 
et variÌ8 insulis ab homÌBÌbus iiunquam Wbitàtis. Inter ce- 
teras praeclaram insulam non sine suorum letitia adnavigat, 
non tamen hominibus Iiabitatam sed fontibus irriguam pin- 
gui gleba refertam nemorosam. Incolendis hominibus aptam. 
Ad quam diversa hominum genera colendam immisit. In- 
ter tamen ceteros fi-uctus aptissima est ad procreandum zuc- 
cainam. Quod tanto fenore ibi nunc conficitur ut universa 
Europa zuccaro plus sojido habundet. Nomen insule Madera 
est. Inde zuccarum de Madera. Invenit et alias insulas quam- 
plures quas Iiabitarì baptizarique hominibus fecit ut ìnsula 
Sancti Georii, Fayal, de Pico, quarum unam hominibus al- 
manis ex Flandrìa habitandam concessit Feracem tritici. 

Vendo o infante D. Henrique que o reino de Portugal 
se achava encerrado em estreitos limìtes, e, desejando am- 
plial-o, manda explorar o oceano hispanico com o maior cui- 
dado, sendo instigado a isso pelos cosmographos conhecedo- 
res da situa^ao da terra e do mar. E com effeito foram assim 
descobertas muitas e varias ilhas que nuncalrnviam sidd ha- 
bitadas. Entre tantas outras, foi descoberta com grande con- 
tentamento dos seus uma ilha celeberrima, inhabitada, rega- 
da de ntimerosas ribeiras, de terreno fertìL e óoberta de ex- 
tensos bosques. Dotada de exc^Uente eliùia, a varìada pò-- 
pula^ào que o rei Ihe enviou, propagou-se rabidamente. Pro- 
du0 varios fruotos, principalmente a canna saccbarina^ que 
ti-az 4 ilha conaideraveis lucros, mundando a Europa de 
optimo asducar^ que é conhecido por ìasaucar da Madeira 
(nome da ilha.) mesmo infante fez descobrìr outras ilhas 
em grande numero, corno a de Sao Jorge, Fayal, Pico, tuna 
das quaes fertil em trigo, concedeu aos allemSes de Flaudres 
para a povoarem e cultivarem. 

(trad. por J. P. C.J 



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HISTORIADORES DO SECULO XVI 



tB^atptim J'ciinand^^, ^Ucmà0 



Qus^do de tratóti de Diego Gomee de CSntra (1) disse- 
se que'^ sua Nbticià fa^ia parte de urna Coliecqào de Reld- 
cSes de Valentim Feriiàndes, mannscrìptó exi^tente^na Bi* 
bliòtbeca Beai e Naeionai de Munìcii eom o N.^ 27, agora 
diremos mais alguma coisa do dito manuseripto e d^ Valen- 
tìm Feraandes- » 

Fòi s^ dono o Dr, Ctenrado PeUtinger, (que viveo de 
1465 a 1567) antiquario è bìbliographo distinctOi naturai da 
cidade de Ausgburg na Baviera, aonde fundou urna rica bi- 
blìotheca. A està pertenoia o' voiuitìe de Valentim Feman- 
des, que depois d'ali passou para o locai aonde actualmen^ 
te se acha (2). Volume é todo de lettra igual. 

Valentim Fernandes, AUeniao, naturai de Moravia, (S) 
veio para Portugal na ultima decada do seculo XV; tornou- 
se notavel nos annaes da typographia portugueza pelas beU 



(IJ No 1.® n.«» d*«8te Arcbivo pag. 77. 

?2ì Memoria do Dr. Schemeller:,1845. 

(3; Veja-se Mem. de Antonio Ribeirò dos Santos éoòre as ùrigens da typ. 
em Portugal no Tomo 8,^ pag, 2^ das Mem, de lAUeratura Portugueza pnblicadas 
pela Àoademia Beai das Sciencias, e Dir. Alvaro Roiz d'Azevedo nas notas às 
Saudades da Terra, Fonchal, 1873, pag. 366 e segointes. 

Voi I — N.» 2 — 1878. Digitized by Gt)Ogle 



144 ARCraVO DOS a^ores 

las ediijòes que deo a luz, as mais perfeitas que entao se fize- 
ram em Portugal. Assocìado com o seu compatriota Nicolào 
de Saxonia, publicaram o celebre e raro Livro da Vida de 
Christo em 1495. Em 1496 deo ao prelo a Estoria do mui 
nohre Vespasiano^ em que so apparece o seu nome. Em 1502 
dedicou a D. Manuel Os Livros de Viagens de Marco Paulo, 
de Nicoldo Veneto, e a carta de um geTiovez, que todos ss- 
creifèi^am das Indiai. K'esta obra se intitula^ es^ìudeirp da 
Rainha D. Leonor. (1) Em 1506 associou-se com Joào Fedro 
Bonliomini, mìlanez, que em breve abandonou Valentim Fer- 
nandes. Este deixando de ser impressor, se tornou notarìo 
dos Allemaes e traductor de latim. A collec^ao das suas re- 
laQoes foi toda copiada por elle, e, na maior parte, é obra de 
outros escriptores. Jleunio aquellas rioticìas talvez com o 
intuito, que nao se realisou, de as imprimir. Em 1506 oc- 
cupou-se em copiar a Chronica de Chiiné, comò no fim d'el- 
la diz; a parte relativa aos A^ores foi escripta em 1507 corno 
ali declàra. Mais tarde publieou German Galhai*de em 
1557 um volume Beportorio dos Tempos de Vaientim Fermm- 
des. Eis resumidamente o que se sabe d'Cste allemao, que se 
tornou benemerito das l^tras portuguezas por varios titulos* 

As noticias dos A^ores parece serem tiradas, parte da 
Chronica de Guiné^ de Gomes Annes d'Azurara, e parte das 
dfe Diogo Gòmes de Cintra, comtudo adianta mais Ao que 
aqitelleS) em rela^o a algumas das ilhas do Ardhipélago 
A<;oriano* 

O li.** 7 àsL'^ Rela^Ses de Valetitim Fernandès tem por 
iìtxAó Descrip(^ das Ilhas do ^Atlantico e coiaiprelia^de M 
ilbas Canarias, Madeira, Porto Santo, Selvagéns, A^ores, 
Ilhas de Cabd Verde, de S. Thomé, do Principe e Anno 
IJom; que occupa no volume as folhus 141 a 196. A descrip^ao 
do» A^ores acha-se de folhas 175 a 183 do originai. 

Alera da descrip^So tem 25 mappas representando a 
maior parte das Ilhas de que trata; ós J)rimeiros dezperten- 
cem aos A^ores, de que se fizeram os fac-similes que acom- 

j(l) Viuvadd D. Jpào II, e nSo Ù,^ nudbyer de D. Manuel^ corno alguenci diz, 
por que està so cason em 1518. 



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AECHIVO DOS A9OBSS 14$ 

panliain este numero, sendb para advertir que na primeipa 
estampa, a escalla que niella se acha pertence às ilhas de S; 
Migod e de Santa Maria. O deaenho da Uba das Florei 41 
do Corvo é n'nma escalla dupla da primeira. Os 7 deséiilH^ 
que acrescem, nfto <^atém coisa alguma alem do que sé ve 
nos fac-simìles; sào as mesmas figuras oom dobrada grandeza, 
oonteudo urna so ilha em cada foiba. 



Descrip^ao das llh«s do Atlaatico 
ILHAS DOS AgORES 



f As ylhàs dos a^ores som IX. E jazem coni portu^al s* 
fasaber) com as berlengas I^te e hoeste, porem a ylha dò 
fayal jaz coma rocha de sintra leste hoeste 280 legoas. 

Anno de 1443 ho Iffante dom Anrrique maudou duas ea- 
ravellas para occidente. para buscar se achasseni terra firme 
ou nom. E Qm 270 legoas de !l[iixbóa acharom huma ylbaqae 
agora ae cl^ama de Sancta Maria despovorada com muytos 
atfòres« E viiom outra e forom a ella que agora se chama.de 
Sau Miguel tambem despovorada, e chea d a^ores e assi aehàr 
rom a Tèrceyra e, outras todaa c<MQa muytos a9ores pello 
qual a estas ylbas fìcou o nome dos aj^ores, 

. £ todaa som povoradas ao presente de 1507 a fora à 
ylha do Corvo e das Flores. E avondam em; muyto trigo. € 
cevada e todos outros legumes e de todas fruitasi Elias tem 
muytas agoas e bóas salvante ha ylha de fayal e o Pico e a 



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H$ ARCHivo POS Afumm 

Graciosa som falecidas dagoas por nom seremem tanta avim? 
dan^a corno as outras, porem aba«ta para todo pello qnal 
todas tem cria^am de muy to» gado» e em toda» ha muyto 
paatell e muyta urzella. 

Estas ylhas jazem em vero oceidente e som estas: 

Ylha de sancta maria 

Ylha de sam miguel 

Ylha terceyra 

Ylha de sam Jorge 

Ylha gracìo8£( 

Pico ylha 

Ylha do fayal 

Corvo ylha 

Ylha das flore». 



SsBUMaris Uba 

A mais chegada ylha dos a^ores se chuna santa maria 
he ylha peqnena e redonda. £ t^tn hmnas l^xas quasi em 
méio que se chamamas formigas porque som oytobieos pene- 
dos sobre agoa. 

Jaz està ylha norte rall eom a ylha de sam miguel e ha 
na traves 12 legoas e as formigas qaa»i no meo. 

Anno de 1444 mandou ho Iffante dom amTÌqiie por ca^ 
pitam huum oavalleyro ehamado gonfio velho comendador 
da ordem de christos, a povcarar està ylha e oirtra. £ pos a 
està seu nomem s« ylha de gon^alo velho/ E despoìs dia sua 
morte Ihe poserom noixie ylha de saneta maria. Està capitam 
lan^ou nella porco» e vacas e ovelhas e ci^ras. E viveo nesta 
ylha algnums annos. 



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ABOHf¥D DOS AQQBSft 147 



Sailipnl jlka 

Sam niiguel yllia, foy assi chamada porqua no annù de 
144& ho Iffante dom pedro mandou com aprazimento do 
Iffante dom aj3iique seu. ìmiSo fez povorar e Ihe mandou 
poer nome sam mìguel por singular àevùniam qiie tinb4> ao 
dito sanoto. £ seguio-se sua morte em breve pello qual fioou 
a dita ìlha ao Iffante dom anrique. 

Em està ylha ha lagoas de agoas que fervem, que se me- 
tem nellas alguma ammalia por huam pouoo despaf o sae dy 
cosido que se pode comer. 

Outras agoas ha que nom sam tam queentes em que me- 
tem galinhas que logo som peladas. 

Toda està agoa sabe a enxuffire. 

£ a teira aqui queyma corno se estevesse foguo debaizo* 
E assi està nella huum monte cheo de fogo que no verao pa- 
reoe carvam vivo e no inverno eheo de fumo.E assi emfauum 
campo està terra cinzenta que sempre ferve. E o que nella 
lan^am logo he eonsumido. 

Em està ilha gon9alo velho laniera os annos passados 
poroos, v&eas ovelhas e trotones de alemanha. De todas ani- 
malias ha aqui muytas e de porcos mais. 

Em està ylha nace muyto trygo que levam para portu- 



Naoe nesta ylha muyta ursela. 

Nace nesta ylha muyto pastel que levam para firandes e 
outras teiras. 

Naoem nesta ylha loureyros tamanhos que seis homens 
nom podem abra^ar huma arvore e tam altos qne parecem 
toear os eeos. 

Àlli nace muyto gingc. (gvnja) 



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148 ABCHIVO UOB A90BE8 



TcrcMN yibr 

A ylha terceyra foy asgi ehamada porrne foy aohada 
depoìs das ontras duas s. isaneta maria e ema inigiieL E 
tambeni centra hoeste jaz a terceyra em numei?o. . r . > 

Està ylha tem duas povora^Ses prmcìpaes come vUIa» 
8. aangra e a praya a fora entra» ntuytas casale molate» que 
hapella ylha. ì j . 

Ha nesta ylha grande cria<;ain de vaeas e^poneos.e ove- 
Ihas, de que étzem muyta carne que levam .pa^*a portugal e 
muyto sevo. - 

Nella nace mnyto trygo e cevada e mostarda qite levam 
para portugal* 

Nella nace muyto pastel para tingir pano». £ semeam o 
pastel assi s. em quanto lavram a terra em^m ian^ani sua 
semente e cobremna com o rasto que tem para ysso. E esto 
no mez de fevereyro. E no meyo de mayo come^am^ de sayr 
iblhas assi corno dal&<;a nova as quaes colhemi E amtes> que 
cheguam ao cabo de colher jd onde oome^arom som outras 
taes folhas nadas corno do prymeyro, E assi ò fazem aie o 
mez de setembro ate que cometa a' chovér. Emtam perdem 
as folhas a virtude e coraecjam ai espigar da qual podem: co- 
lher a semente. ! 

E em colhendo as follias no mayo adiante logo as metem 
debaixo de uma pedra de.moo comò azeyte da qual sae o 
9umo ruyn e fica ella com sua propria virtude. E ho que 
se moe de noyte logo pella manhana estam muytos homens 
e &tzem paes redondos e as poem a emxugar e despois de em- 
xutos tornam outra vez a moer em poo* E 4òrnam aquelle 
poo em huma casa e lan9am a agoa e o revolvem» E aqueUe 
chamam granar. E depois ho vendem. . .^ - 



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éBlOrnVO DOS AgORf» 14d 



Elfi està ylha e assi em as outras naee muyta ursella. 
Urselia he huma herva cenno mosco (1) assi nace em penedos 
do mar nom que o mai* toca nella mas que algxunas veses o 
mar a ra^a. E querendo a collier leixam hmim homem em 
cordas Mescer o«t subir para apaahar^ 

Ur^iella solia (2) de valer antes de acbadas estas ylhas 40 
citMsados e agora XV. E dizem que nenhuma coor fina se 
pode fnaer sém està ursella» 



6raei«sa ylba 

(No originai nada se diz d^esta.) 



Pico yHia 

Pico ilha jaz junto com a ylha do fayal s. leste e hoeste 
duasle^oas. 

Està he a terra mais alta de todas as ontras ylhas dos 
a<;ores. E sua montanha he corno p9o der a^ucar. E dizem 
que em certos tempos do anno veem sayr ^xmo dcjle. Aeima 
do pico nom pode subir ninguem por ser a terra muy solta e 
cinzenta. 



1) mttsgo ? 

'2) sohia ou costumava. 



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150 ABCHITO DOS A9OBBB 



Fayii filli 

Fayal ylha ou por outro nomem c^amada yllia dos fra- 
mengos, poi-qtie felipe duque de borgonha casou oom a filha (1) 
delrey dom duarte, irma(2)delrey dora affonso o quinto rey 
de portugal. £m cujo tempo forom àckadas esta« ylha». E 
por rogo da dita senhora os homens que merQoiam morte 
eivel mandou que fossem degradados para està ylha pello 

qual ; (3) Utre homem honrado framengo pedia a 

capitania della e Ihe foy outorgada e confirmada em portu- 
gal, ho qual casou com huuma portug'jesa chamada (4) . . . 

de Maèedo. . E assi povorarom està ylha a a qual 

despois 08 navios de portugal Visitarom e forom morar alli, 
assi que ja acerca a lingoa framenga he nella perdida. (5) 



Corvo ylha 

Corvo ylha pequena com a ylha das flores està quasi pe- 
gada huma com outra, E ambas despovoradas por ser a ter- 
ra muy fragosa.' 

Ha nestas ylhas gados bravos s. vacas e porcos. 

Ha nestas ylhas itiuy boas agoas. E muy tos atvoredòs. 

Estas duas ylhas aynda que som afastadas das outras 
40 legoas tem onome dos a<;ores corno as outras povoradas. 

Ao sul destas ylhas dos a^ores jazem as ylhas do cabo 
verde s. de sanctà maria e de sammìguell ylhas. , 

(V\ alìàs^irma. 
r2ì tia e nào irmS. 
(sS Jobs van Huerter. 
(4ì Beatriz de Macedo. 
_ ^5) Assim jà a lingoa flamenga é niella perdida. 



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AECHIVO DOS A9OEE8 Ifil 

Iste lìvro he ite ratear a saber ée to^e Portugal e das yUias de 
madeyrà e dos acores e de guidee. 

N.^ 8, da CoUec^&o de Valentim Femandes. 

^ Extrao^o do <iue i*efiipeita aoVs A^^oz-eis 

Sabe que o cabo de finygterra coift ajs ylhas de acores s. a 
de sam miguel jaz lesuordestè e hòessudueste. E ha na rota 
250 leguas, 

Sabe que as ylhas dos acjores s. ho fayal e a terceyra ja- 
zem com a Roca leste e lioeste, e toma aquarta do nordeste 
e sudueste. E ha na rota 280 leguas. 

Sabe que a ylha de sam myguel com ho de myna jaz 
leste e hoe8te^ E ha rotai 240 leguas. . 

Sabe que a ylha de màdeyra com sam nilguel s. da pon- 
ta do norte jaz noroeste e sueste. E ha na rota . cemto e [L 
legoas. (150 leguas) 

Scd)e que a ylha de sencta maria e ho porto sanctti jaz 
noroeste^e aueste^ toma a quarta de leste e hoeste. E ha na 
rota CLV legoas, (155 leguas) 

Sabe que a ylha terceyra e 1k> fayal com a ylha da ma- 
deyrà e ho porto aancto jaa. noroeste e sueste. E hyras por 
atQtre ambas. E ha na rota II^iegoa8*(200 leguas) 

*Sabe que as ylhas dos acores eom as canarias jazem 
noroeste e sueste e toma a quarta do norte e sUU s. a palma 
e o ferro e tanarifFe e gram canaria ha na rota 11^ (200) le^ 
goas. E a lani^aiòte IIL^ legoas. (250 leguas) 

Sabe que as ylhas dos a<^res s. a de saiieta marìa e de 
sam miguel com a ylha de sam nicolao ja&em norte suU. E 
ha na rota IIIL^^ legoas. (350 leguas) 

Sabe que ha travesta do cabo verde para a^ ylhas dos 
a9ores he meuos do que fazem todas as c^tas pello qual 
para hyres bóo marinheyro te cumpre que sempre <ies mais 
syngradura do que o navio amda a teu parecer. E ysto 
outroey te cómpre porque «s agóas tyram todos do noroeste, 

Sabe qud rse partlres da ylha dais ilores e q^iseres viv 



Voli— N.«2— ISTS. 

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dooglc 



152 ABCHIVO DOS A9ORE8 

para o &yàl has de vir ao «oli e quarta de saette X I^oas. 
E dally outro camyaho em lessueste. Ha na rota XXX Y^ le- 
guas. 



DONATARIOS 



SA 



^Sm Aa (01^ t pia 

Para nacionaes é estrangeirOB, tem a &miliadfHat3rasido 
objecto de constantes duvidas, de freqnentes vei^^o», e de 
'vaiiadas notieias. 

Àlem do interesse locai, derido à posif So de Capitaes 
Donatarìos, tem-se manifestado em ^ diVersaa épocaa mn 
grande interesse por tudo quanto respeita a està funìHa, pelò 
duplo motivO) de estimnlar a atteni^ de seas eompatriotas^ 
e de se ter unido a ella, o celebre cosmograplio Martim de 
Bobemia. 

Os flamengos nSo deixam passar em sileirào o nome de 
Jdbs Yan Httertoer, sen conterraneo, chefeda numerosa colo* 
nia flamenga que principìou a colonisa^So das Illias do 
Fayal e do Pico. 

Os i^emSes interessados em collocar o seo Martim Bebaam 
em alto pedestal, nSo se pouparam a estudos, uns sinceros^ 
oùtros filhos d'um mal entendido patriotismo, afim de iUua- 
trar o nome d'este sabio, naturai de Nuremberg, casado com 
uma filha do 1.^ Donatario Jobs Yan Huerter* Uns e outros 
lamentam a falta de esclarecimentòs sobre està iunilia. 



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ASC«IVO DOS A^BSS 163 

Muitos escrìptorefi estrangeiroe teip dito e repetido, que 
Jobs Yan Huerter foi desoobrìdor do Fayal e Pico, alguiui 
dào està honra a seu genro Martim Behaim, outros a Josiié 
Vau der Berg, por ignorarem que o mesmo Behaim no seu 
Globo de NurmAerg diz o contrario, e i^&nna que foram des- 
cobertas pelo» portuguezes em 1431. 

Por sereni flamengos os prìmeiros colonos que vieram 
para o Fayal e Pico, se chamaram estas por algum tempo, 
Ilhas — ^Flamengas ou Flandrìcas. 

Entre os naciovaes, o academico Sebastiao Francisco de 
Mondo Trìgoso,' na sua Memoria sabre Martini de JSohemia^ (1) 
tratandp dos Donatarìos do Fayal, davlda e hesita no modo 
de conciliar as diversas notimas que encontrou. que tem 
sempre offerecido maior duvida, é a vei*dadeira serie dos Do- 
natarios, sendo {)ara quasi todos duvidosa. a «xistencia do 
segimdo, do mesmo nome do prìmeiro. 

O prìmeiro Donatario das Ilhas do Favai e do Pico, foi 
Jobs VanHuertei- (2), Senhor de Moerkichen (3) em Flandres, 
M090 Fidalgo da. casa de D. Joào II (4j, Capitam e Gover- 
nador das mesmas ilhas, t^ìo para o Fayal em 1466 (5), 
acompanhado de uma numerosa colonia de Flamengos, em 
que se contavam muitos seus . proximos parente». Era filbo 
de Leam de Hutra (6) senhor de varias terras em Flandres 
e Ballio de Vuy vendale (?). Obteve a Capitania das ilhas por 
ii^uenda da Infanta D« lasabel, filha de D. JoSoI, casada 



(1) No 8.® volume das Memoriaa de Litleratura Portu^iesa^ publicadas 
pela Aeadémia Beai d«e Seiencias de Lisboa. - ^ 

(2) Assim Ibe cbama seu genro Murtim-Beh^kioì, ci0a lip^So é a mais aa- 
torisada, no meio da extraordinaria confusalo, què se encontra em todos os anto- 
res qae tem escripto o nome d^este individuo. Assim nao aò no nome de baptismo, 
mas no de famiUa, e até na particula, se acham as seguintos variantes = Job, 
Jobs, Jobst, Jobsten, Jobster, Jós, José, Josse, Jost, Joz, Jooz, Joze, Jacob, JolU>, 
Jodocus, e Jorge. Vqn e. Van, Huerta, Huerter^ Huter, Hutter, Hutra, Dutra, 
d^Utra, de Utre, d'Ultra, Dultra ! f ! . 

(3) Moerkerken, diz Humboldt, no Examen Cntique T.* 1 p. 276, aonde 
tambem acrescenta, que era senhor de llabruek. 

(i) Documento n.* 5. 

(5) Como affirma seu genro Martim Behaim. 

(6) Documento n.« 2. 



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354 AfiCRFO BOS A^efRES 

còm Pflippe III, Dnque deBorgonha e Concte FIandi'e»(l). Ga- 
soli em Lisboa com nmà dama do pa<;o, Beatm de Macedo 
(2) de quem teve os iilhos que se segaem. Moireo por 1495 
corno dÌ2 sua yiuva em sen testamento; e»ta falleceu trìnta 
e seìs annos depoìs em lb31. Devia »er muito mai» nova 
que seu marìdo, e talvea casada alguns anno» depoi» da vin* 
da d'elle para o Fayal: Ibi sepultada Ba ermida de Santa 
Cruz, de Porto Pim, prìmeira que se edificou n^aqnella ilha. 
Tiveram filhos e filhas seguintes: . ««^ . , 

— Job» de Hvtka 2.® do nome, e 2f Capitao 
Donatario, casado com Izabel Cortereal, fiShà de Joào 
Vaz Cortereal 1.^ CapitSo Donatalo d^Angi*a, e de 
sua mulher Mcùria Abarea. 

— Fbancisgo de Hutba fallec^ em vida de sua mae, 
e em ci;^a sepultura ella mandou que a enterrassem. 

— Febnao de Macedo (ou Nuno, segundo outros) 
que casou na Ilha de S. Miguel com Anna Oon^al- 
ves Botdho, filha de Gonidio Vaz Botelho, eoin nia- 
merosa descendencia, até ao presente. 

— JOANWA DB Macsdo que easòu prìmeira vez, em 
1486 com Martim Behaim, ou de Boheniìa, naturai 
da Cidade de Nui:embarg^ filko d'outro do mesmo 
nome, Consellieìro da dita Cidade e de sua mulher 
Agnés Schopper de Schoppershof, e segunda vez com 
D* Henrìque de Noroi^ha, da Uha da Madeira de 
que falla sua mae no Codecilio. (3) 

r-r- EozA DE Macedo mulher de Domìngos Homem, 
filho de Antam Martins Homem, 2.^ Cs^itSo Dona- 
tario da ViUa da Praya. (4) 



(1) Qne oiitros qnerem, foade Alta Donatarìa do Fayàl e PicO; sem fonda- 
mento mansiTel, 

72^ E nSo Izabel, comò Barros e ontros Ihe chamam. 

f3) Martim Behaim, filho de Joanna de Macedo, em nma sua carta^ escripta 
em LisDoaalS de Agosto de 1518, asentìoMignelde Behaim, diz «qne os seus 
paxentes e oe de sua mSe a tinham easado com mn fnlano da Uha da Madeira, 
por ter ficado viuva ainda muito nova». Vide Ghillan^ — Memoria sabre Martm 
^eAaH9, Nmremheig 18&S, emallemSo. 

(4) É o Padre Antonio Cordeixo qne o diz na Hisioria InatUcmà, a chrono- 
già porem leva a Bospeitar, que Rosa seria filha de Jobs, 2.* do nome. 



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JJEEOHITO DOS' A^SSS ^ 155. 

- — LsABEii DE Macbdo^ mtilher de Francisco da 
SUveira filho de Guilhelmo Van der Haagefi, Flamen* 
gOy conheoido pelo nome de Guilberme da Silveira, 
e de sua mulher Morgarida d'Azanibaja: (I) com 
niuita degceìide&cia até ao presente. 

— Catharina. fallecida em vkia de sua màe, e 
, . pelea, ^seres do teatamento, pai^ece ter sahido do 

Fayal, e ter lierdeiros. 
-^ JosiM!!^ DE HcTRA ( quo algttns dizeni ser fi- 

Iha illegkìiiiii) oasou com Diogo Feitiandes, da Ilha 

da Madeira^ eom muìta descendencia eai varias ilhas 

dos Aijope». 
JoBS DE HuTRA foi segundo Capìtào Donatario das 
Uba» do Fayal e do Pico, por Carta de D* l^famiel de 81 de 
Maio de ld09 (2) confimiada por D. Joao III em ontra 
de 22 de Outubro de 1628. Foi Escndeiro Fidalgo da 
Casa de -D. Joao III cìmb 1000 rs. de moradia. (3) Sua mu- 
lher Izabel Cortereal falleceu com testamento feito na Horta 
em 1534. Jobs de Hntra goveraoti a sua Capitania durante 
o longo espa^o de cincoenta e quatto annos^ oontando-se da 
data da morte de seu pàe, ou pelo menos quarenta, que 
medeiamde 1509 a 1549, em qtie morivo, com testamento 
feito e approv^do pelo tabelliao da Horta, Franoiaco Rodri- 
gues, aos 16 de Mar<;o do mesmo anno. N'este testamento 
manda que o enterrem na egreja de Santiago, defironte de 
suas moradas, e à mesma deixon sua ter^a. D'estes nasceram: 
— - 1.^ Manuel de Hutra Cortereal 3.® Capitào 

Donatario. 

— 2.* D. Francisca Cortereal fimdadora da Ca- 
pella do Anjo Cnstodio na egreja de S. Francisco, da 
Horta. Fe2 testamento approvado a 29 4e Dezembro 
de 1538, na approvalo do qualapparece Heytùr R(h 



g 



(V\ Atcmibuja dfi corto aaeiiiU) é flameogo. 

(2) Està data mostra a evidencia, a impossibilidade, de ser està carta 
para o 1.* Jobs, falleeido em 1495. 

(3) Yeja-se pag. 880 do Tomo 2.» das ProwM da Ì£i$iC9Ìm €tméalo^ca da 
Com JRealy por D. Antonio Gaetano de Som». 



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156 ARCHIVO DOS A^OKEB 

dviffim Mmarido qvs se diz ser da dita D. Fraiimcait. 
N'este testamento allude a actos da vida de sen pae^ 
pouco lisongeiros para a memoria e costumes d'elle. 
Mano£:l. de Hutra Cortkreal succedeo a seu pàe e foi 
terceiro Capitao Donatario das Ilhas do Fayal e do Pico, 
por Carta de D. Joao III de 16 de Julho de 1550. Casou 
no Fayal coni Catharina Vìcente, e estando està ainda viva, 
casou em Lisboa coni urna dama do pagode quem ti vera urna 
filha. O segundo casamento foi feito por temor, que Jhe ins- 
pirava a authorìdade i*eal. Com reeeios do merécido castig^o, 
por incoiTer no crime de bigamia, se finou em Lisboa pouco 
tempo depois. Da primeira mullier Catharina Vicente, nasce- 
ram: 

— Gaspar sTm Hutra Cortkreal primeiro filho 
pei*tendeo succeder na Capitania, mas nada conse- 
g«io por ter sobrevivido pouco tempo a seu pàe. 
Casou em Lisboa com urna D. Elisa, da qual houve 
urna filha, que morreo de poucos annos. 

— Jerontmo de JIutra Cortereal filho segundo. 

— Salvador de Hutra Corte Real, que mor- 
reo solteiro. 

— D. Catharina de 8. Salvador^ fundadora da 
egreja e convento de 8. Francisco, na Honta, aonde 
professou em 1608 e mon*eo a 2 de Setembro de 1617. 

— D. Antonia morreo solteira. 

— D. Barbara Corte Real, que instituio a Ca- 
pella de N. S. do Rozario, na dita egreja de 8. Fran- 
cisco. 

Jeronymo de Hutra fillio de Manoel de Hutia, foi M090 
Fidalgo da Casa de lìlippe H em 1588 (1); proseguio no in- 
tento de succeder na Capitanìa, de seus antepassados, mas 
apesar de obter sentenza a seu favor (2) a 6 de 8etembro 
de 1571, osta foi derogada por outra de 1580, que o Marquez 
de Castello Rodrigo deveo mais, ao favor, que A sua justi^a. 

(1) Documento N.<> 5 e Pravità da HUtoria Genealogica por D. Antonio 
C. de l^usar— ^.* 6.*pag651 aonde sedie que tinha 700 rs. de moradia. 

(2) Exifltena Torre do Tombo, Gkivcta 15, Ma^o 16, N.« 5. 



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iUtCHIVO DOS AgOBES 157 

Jeronymo foi einfim reintegiBcLo por Carta de Filippe II de 
15 de Junho de 1582 (1). Foi portanto^ o quarto Capitào 
Doiiatario d^esta familìa, mas o sexto na ordem de siicces- 
aao, porque durante o «pleito, foi quarto Donatario D. Alvaro 
de Castro, e quinto D. Francisco de Mascai*enhas Viso-Rei 
da India e Condeda Villa da Horta. Jeronymo de Hutra 
Cortereal casou em Lisboa com D. Margarìda de Azevedo* 
filha de Affònso Figueira, da qual houve um iilho de nome 
— ^Luiz de HutCB' Cortereal, qi^ mon*eo na India, e urna filha 
ofaamada D. Luzia Corteraal, que foi mulher dePedro Coelho 
da Silva. 

Por morte.de Jeronymo, 6.* Donatario, vagou a Capita* 
nia e foi dada à D. Manuel de Moura, Conde de Lumiares, 
porOarta de 16 de Deeembro de 1614 (2). Por morte d'este 
7.^ Donfirf»rìo, passou a Ci^itania a Rodrigo SanchesFarinha, 
por Csurta de D. Fedro II, i-egente, de 16 de Fevereiro 1680 
(3). Passando assim a estranbos, que nunca vieram aos 
A^res, e por ter caducado a linha primogenita, terminare* 
mòs estas breves notas aecresoentando, qtie em todas as illias 
doa A^cdres ha numerosos deseendentes d'eirta familia, e se 
a pott9ao'd'elles, é menos eminente a isso devem, sem duvida, 
a «uà conaerva^ao até à actualidade. 

(1) Autooio Louren^o da Silveira Macedo=£rt»tona das Quaùro IthoMy qut 
formam o DUtrtcto da KortcL 1871. T.* 1. pag. 865, e Htstona Insukma do *a- 
dre Cordeiro. L.« 8. Cap.« 3 § 90. 

(2) Na dtadii Htgtoria daa Quatto Ilhas T.« !.• pag. 878. 

(3) Citada ffùtoria das Quafro Hhas T.» 1. pag. 487. 



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I5S ABCHIVO DOS A^ORES 

< Boeumento n."" 1) ^ 

CARTAS 

ìk ìì. naRuel, (le Doarao a Joz de lliitra emfSOO— de contirmt^fao 
ao mesHO, por D. Joao HI em iS28; eide coBÌirina(ao pr 
este Reii a NaHiiel ii« Hutra Corterfat, en 



D. Joam etc. A quamtus està minlia Carta virein ta<jo 
saber, qne por parte de Manuel Dtitra Cortereull^ tìlho mais 
velho de Jooz Dutra que foy capitam das' Ilkas do Fayall è 
Piquo, me foy apresentada htiutiia tmnha Ga^rta per inim 
asynada e pai^da polla diamcelam, da qnaì <| theoi* de veiv 
ho a verbo hee o seguinte— -D- Joajml per grn^ de Deas Rey 
de Purtngall e dos AHgartieB» daiquem e daalem> mar, em 
Africa 8nr. de Guinee e da oomqaìsta, naiiegai(a»m,€onnei*ok> 
Dethiopia, Arabia, Persya, e da India, etc. A quanto^' està 
miiiha Carta virem ftaijo saber que por' patate àe JooH' Dtttra 
capitSo das Ulias do Faj^aìl e Piqtio me foy apretg^tìtada 
limima Carta del-Rey meii Siiir. e padre, que sfunta gioria 
aja, de que o theor tali hee— dom Manuel per gra<;a de Deos 
Rey de Purtngall e dos AUgaxues daaquem daalcm mar, em 
Affrica Sur. de Guinee e da comquista^ nauega^aom, comeiv 
ciò Dethiopia, Arabia, Persya, e da India.. A quamtus està 
nossa Carta virem ffazemos saber, que Jooz Hutrà capitào 
por noos das nosas Illias do Fayall e Piquo, nos emuyou 
ora dizer corno nos Ihe tinharaos^eita doacjaom e merceedas 
ditas capitanias, asy e polla maneira que temos dadas as ca- 
pìtanias das outras nossas Ilhas, sem em sua doa(;aom de- 
crarar particularmente as cousas que por ellas bade aver, 
pedindonos por merce que Ihe mandasemos daar dello ìiossa 
Carta, com decrara^ao de todallas cousas que aas ditas capi- 
tanias pertemcem, da qual cousa a noos apraz, e per està 
persemte nosa Carta queremos que elle tenha e aja de noos 
as ditas capitanias, e as gouerne per noos, e mamtenha em 



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ÈXGSmO ]>Q8 J^BBft 159 

Jasti^a em. sua uyday e àsy despoìs <k seH ffallecimentooseu 
i&lfao ma3^r baraoaoi lidimo, ou segmìdo se taU £>r, e asy 
de descemdemte &n desc^ndexnte per lì&ha direita inaseoli* 
na, asy corno os capitaaenB da lUia da madeira a tem per 
suas Gai*las; e semdo em tali idade o dito seu filho qu« a 
naom posa regeryBoos poreoaos qu6m a reja atHe qae elle 
seja em idade pei-a as r^er. Item nos ptaae que elle tenha 
em as sobreditas Ilhas JardÌ9aom por noos^ do duel e crime j 
resallauamdo m^e ou talhameato de membro que desto 
venha apdia^aom cu i^raito p^ra noos: porem sem erabar- 
gtio d^ dita Jm*di<^om, a* noos praa& qne todos nosos mao^ 
dadas et óórrèà^ftom se^a hj coniprida, asy corno em nosa 
oausa propria: outro sy nos praai^ que o dito Jooz Duixà aja 
pera sy- todolLos moynhos de paom que ouuernas ditasllhàs^ 
do qual Ihe asy damo» o eai^reguo, e. que uinguem naomfa9a 
hy moynbos, soomente elle ont quem Ihe a elle aprouaer: e 
esto naom «e.emtemda em moo de braQO^ que fia^ quem 
quizer maom moemdb a e»itrem; nem atafona a uaom. teuh^ 
(Hitremy soomaute elle ■• ou quem a elle a{H*04iuer^ Item iios 
pmaz que aja de ^todalbs serras daguoa que^se hy fiserea!, 
de cada huma.huum niarquo de prata^ou em cadahuùm axt-. 
no ^Bu justo "v^aUor, ou duaa tauoas eada somanna dast quo 
hy oostumarem sermr, paganido porem o diztmo.a nos de 
todaUas ditifò ^serras, seguudo paguam das outras cousas,. 
quamdo sellar a dita aerra. E esto aja tambem o dito Joois 
Dutra de qualquep moynho que se xlas cUtas Ilhas fizer, ti- 
mmdo vieiroB de ferrarìas ou outios métàis* Item noos praai^ 
que todollosiffornos de paom em que otiuer paom de poya 
sejaom fStsaSj ponent nom embargue que qiiem quiza: fazer 
fomalbas péra seu. paom, que as £&9a e iiaom pera outro 
nenhuum.4t^n nos praaz que temdo elle aaall p6sm vemder^ 
que o naom pòsa vemder outrem senao eUe^ : damdo eUe a re-^ 
zaom de m^ resdl de prata o allqueire, ou^sua dita vallya e 
mais naom; e quamdo o nai^n tiuer que os^ da dita Hfaa o pò-, 
saom Tcndar a sua Tomtade athee que a elle tenha: outro sy 
nos praaz que de todo o que noos hy ouuermos de remdanas 
ditas Hhas que elle haja de dez huuoi de todas nosas remdas 



Voli— N.« 2— 1878. 

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160 ARCHIVO DOS Ag&KEM 

e^Breitos queseuugtem, (1) no forali que pera dk> manida- 
mog fezer; e per està g«nisa nos praaz qae a|a sen filho està 
remda^ cu outro deseemdente per linlia dinita que o ditaear* 
regxio tìuer. Item nos praaz que elle posa daar'per suas Car* 
tas a terra das ditas Ilhas forra per o forali a quem^tiie 
aprouuer, com tali comdÌ9aom que ao que derem a dita terra 
a aproveite atbe cimquo annos, e naom aproueitamdo que a 
posa daar a outrem; e despds que aproveitada for e a kixar 
por aj^roueitar ale outros oìmquo aunos, que y«o mesmo o 
posaotn daar; e isto nom entbargue que se hy ouuer tersa 
pera aproueitar que naom* seja dada, que nos a pomnos daar 
a queu uosa merce for; e asy nos praaz oom ha de seu filho 
ùxk erdei^os descemdemtes que o dito earrego tÌTerem. Item 
nos praaz que OS vezbilios posaom vemder suae heràades 
aproueitadas a quem Uie aprouuer: outro sy nos praaz que 
OS guados brauos possom matar os vezinkos das cUtas Ilhas 
sem aver hy outra defeza, per licem^a do dito capitaoin, 
resaUuamdo allguum lugar cerrado que seja lamico por 
senhorto. E yso mesmo nos praaz que os guados mamsos 
paa^aom per todas as Ilhas trazemdoos com guarda que 
naom éi^am mail, e se o fizerem que o-^pi^em a seu donno, 
e as coymas segundo as posturas dos Gomselfaos* E por sua 
guarda e nosa Iembran9a Ihe mandapios daar est» Carta per 
noos asinada e aselada do noso sello: e porem mamdamos a 
todóUos nossos offieìaes e pesoas a que està nosa Carta for 
mostrada, e canhecimento della pertencer, que asy cumpraom 
e guai'dem e fe<;faom cumprìr e guardar polla guisa qim se 
nella conte», sem a elio porem duuida nem embarguo por- 
que asy hee nosa merce. Dada em Evora a SI dias do mies 
de mayo Afornso Figudra a fez de 1509 annos. Pedimdo-me 
o dito Jooz Dutra que Ihe confirmase a dita carta, e visto 
per mim seu requerìmento, e querendo Ihe £ftzer gra^a e 
m»ce, tenho per bem e Iha confirmo, e mamdo que se cum* 
pra e guarde asy e da maneira que nella se contem. Ayres 
Femandes a fez em Lisboa a. 22 dias doutulHt) de 1528 an- 



(1) Se eontem; assim se léna Hitttorìa das Quairo Ilha$, 

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nog. Pedindo o dito Manuell Dutra Cortereall que por quan- 
to o dito Jooz Dutra issali. pay" ^ra foiètcìdo, e elle era o filho 
mais velilo baraom lidimo, que por seu fallecimento ficara e 
qpe'iji^ direito subcadia àsditas caqpijtamas do Fajr^le Piq^iP) 
oùue&se por bem de Ihe mamdar daar dpljo sua doa^aom; e 
visto seu rèijiicrimentò Ihe mandeì dar està Carta polla quali 
quero e me apraaz que o dito* Sl^ntiel Dutra tenha e aja as 
cUtàs Capìtaoias do Fayal e Piquo com sua Jurdi^aom rem- 
daa:é>diceitos^ asy e dit ntaneira que as iiiiha^ ò cbÈko.^sefà pai 
pda dita minha darta qiae iieat^ vai ttellad» e ee^iidla >o(Mì^ 
tem: e. mando a todollos corregedorJ6S9^0llljadeMs^ ojcuMs^ 
JQtaikt^as, òfficìiaes^ e passoas.^ que «tar. carta for ^raiostrada e 
o «DiihMSta^nto {NESteneer que ascf o cufflprào e gijiardèm :e 
fa^m<3nteivamenÉe eumprin e ^aA^daréemdimiiéaqiie a elk> 
se^ -{Misto. Snaeì^ Reihel a £e2 em Lisboa) Jkl& àias da mes 
jolhó aaao dO' iiadeìnuMito dd :no8sor iSrar. Jama^OImstO: ié 
ISèO e eu QamiUo Dias o fiz escrever* ^ ì 

Marmiidas do vobi^tm 8*^ fiog. 390 ntì^ 
ée>IitteiaÉara Portaagtiiwa^ pablvsadoB pela Acaékmia Iò$al 
éssiSoimeias, cor^oinm os origòfimf^ na Tórre^ do Tomb^j 
(3Mfudlari&deB;Joaoia^^ ) . 

' AMì.Cartb»de^ MQ9 e ISóQfòram iàpressas w>^ T.^M%pè 
S3di€A48'dafSk9t<mB, das Quatro Ilhas'Qiie Formam o Dise 
trìcto. da ifiertay jpor: Aniorm^ Louretè^ da S&veirà Miùse^ 
d&sf, 18x1 1, irasladmiesvlm Lwrmde Arehwo da'Clam€Bta^Mu'^ 
nidpd daiJfforta^ cmn v&ri^itnJl^ waito qne pret^ 

jtuiif^m:a Bewtià^, erUmiOS qtòaes avulta a'mmdtmqa^foa^ datc^ 
firn em ^mz de 1600 deve ser 1S09. /t . , v: , . 

ii «.fiM»^ tfiai^ iet^off GO^totf impressas mi Vida; da Martkn 
BùhaìmpdoDr. Fi Wq. GbOlanp. Jfmenéer^) ISSS.fJShn 



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162 àaaemfo ms a^ossì 



(]>Mii]iimt0n.'''9) 

Kitraeto de na Cari* de IKa^* de Ihtri, de Randres etf 1527, à 

sa ^M Jobs de Heira, 2/ CapiUa da Uba d* 

f «jat e Re** 

* Be huma Carta autentica qve cohie^ serfettaemo jmmei^ 
ro de Jnlfao do anno de mil quinhestos- vinte e sete, entre o 
mmB consta o segninte: 

f£ pera qne Tejamos a gera^Sa e umilia do» de Hnters 
fio JSeino de Portn^ chamadoa*— de Hcitra -^ ^ e comò este 
cognome, on appdUdo proe^d^ nio dos ìnfimos sento dos 
mayoieg, goyernadorea e Senhorea da terra de Yuyreik' 
dali (?); consta de.dirersas autentioascàrtas patentes» È pori- 
meiramente consta de Imma carta patoiÉte sellada com sete 
sellos, qne no aimo da Incarna^ de Nosso Senhor Jesus 
Christo de lail teestatos dncoenta e dois |>leBedia no- dito 
Ajuntamento fbndal com os mais oon^paidiebos seoa doso»* 
tiros jtiizoa feiidaiSf Henrique de Hot» p^na deéerminar as 
causas qne entao havia; 6 idem disto se laa^mMbQio namesma 
carta patente de Baldovino de Huiate e deLncas de Hìitra e de 
Bertoloonm de Hutra; o qnal Hugo Hirisa ioi Scabino 
(J&ihmn f) do sobredito territorio de Franco, corno consta 
poi" outras eartas patentes selladas eom sete sellos feitaà aos 
vinte e nm dias do mea de Jnniio do anno do SenhfMP de mil 
e tresentos e sessenta e cìnco. Dqms disto snceederam 
mnitos ontros da mesma gera^ao cofoo ccNlista por outras 
oartas patentes selladas eom aete sefios feitas aos vinte oito 
diàs dò mez de Setembro do anno do.Sexkbor de mil coatro 
centos sessenta e nove annos. A saber: Nicolau de Hutta qoe 
era senhor de imi senhorio Feudal chamado Aghebrone, (?) que 
tinha do dito Senhor de Yuy vendali, e tambem de Diego de 
Hntra seu filho e de entro Nicolau de Hutra filho de Bertho- 
lomeu de Hutra e tambem de Leao de Hutra que entSo era 
Ballio, e presidente pelo Illustrìssimo e Poderosissimo Prin- 



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ARCHiVO DOS ACOBS8 163 

cìpe Senhor Adolpho de Cleves, pai do moderao Senhor Phi- 
lippe, da sua curia e cQnscdbo tob: Vuytrendali, e de todos 09 
mais feudos a elle sujeitos, o qua! foi avo de todos os que 
deste cognome e appelHdo de Hutr»,. sSo hoje vivos, o qua! 
Lefto de Hutra finalmente succedeo no acima dito senhorio e 
feudo de Aghebrane, que se estende sobre certa comarca de 
terra em que ha muitos visìnhos e moradores. Etem omesmo 
Senhor de Aghebrone poder de instìtuir Ballioou Govemadòr 
com sete Escabinos ( JEkch/BtoÌMf ) ou. ^ei^adores, que em seu 
nome administram justi<;a aos moradores do dito senhorio de 
Aghebrone. Este dito Leao de Hutra, nosso avo e vosso, teve 
de sua legitima mulher cinco filhos e huma filha, dos quaes 
o primeìro bc chamou Berthplomeu, o oijUro Balde^vinos, os 
mais Diogo, Job e Vieente, a filha se chamoiu Josina, todos 
do cognome e apellido de seu pai, a saber — d'Hutra; Berr 
tholomeu d^Hutra o mais, velho, o priineii-o dos irpiàos, de* 
pois da mot-te. de seu pai succedou uos feudos e senhorios 
de Agbebixiiie; o qual se deu a guenae exercitou 9^ armas 
em servi^ dos Priueipes, militaì^ò debaixo da obediencia 
dos Duques Philippe e Carlos. seu filbo; e porque nSo foi 
oasado, e pello conseguinte nào teve filhos legitimosy por isso 
depois da morte do dito Bertholc^iieu de Hutra tio nosso de 
todos, Baldevino de Hutra, meu pai e vosso tip, suecedeu 
no jé dito feudo e senhorio, e. delle denoto succedi eu afiràs 
dilx> Diogo de Hutra no mesmo feudo e senhorio de Aghe* 
home (^^c^; comò largamente consta da repai*ti<;ào e fee do 
feudo, que fiz ao Illtistrìssimo Sephor meu Senhor Phelippe de 
Cleres, de Marck, Ravestein, Yuyvendajii, conforme as caj> 
taa patentes.feitas aos denoito dins do mes de fevereiro do 
atano do Senhor de mil coatro centos nove^tf^e dois». As 
quaes cartas, papeis^ patentes atrés ditas sendo mostraids^s^ 
vistas e ouVidas etc; Foi passado instKim^to em- Villa de 
Orta.do Fayal pelo Tab^^ Jo&o Annes ^m si^te de xfkw^o 
de mil quinhentos coreuta e nove. 

(Padre Manoel Luin; MMtmado — Phenix Angrense, mù^ 
nuscripto medito^ a fi. 216 v., do voi, gemalogico). 



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164 ASCRIVO DOS' A^OREft 

Doettmtnt» n/ 8 
TESTAMENTO 



* L 



Eealriz de Nacedo, vkiva d« Capila^ J«s Dulra, feito «o/Fiyal: 
a Ì4 de AbrH d« 1827 

Em nome de Jesus Christo e d« SantisHiitiaiVii^getn Sua 
Madi'e Amen. Saibam quantos este instrumento .de iesta^ 
mento vii'em, que no Anno dò Nascimeiìto de No8«o denhor 
Jegu8 Christo de mrl quinhentos e vinte e sete annosvem fMS 
vinte e qttatro dias do mez d'Abrii do dito anno em o lemi^ 
te de Porto Pìm d'està Villa do Fayal, em as casas da Se^ 
nhora Beatriz de Macedo, Capitoa dadita- Ilha^ em presene 
9a de mim publico'Tabelltàò abaixo nomc^ado e das t^temu* 
nhas que ao diantiB sao escriptas, ahi appareeei» présente a 
dita Beatrie de Macédo, Capitoa, a\A enferma d'urna enfer* 
midad^ que Ihe Nosso Senhw aprouveo de dar, em todo o 
seu' sizo naturai e b6a memoria que Ihe Deus den^ sq^imdo a 
mim TabelliSo parece, e por sua meroé foi dito que por des- 
carrego de sua consciencia ella ordenara comò defeito òrde- 
nou e mandou sérieito seu testaménto em a maneira sc^iti^ 
te: ' ^ * ■ • ' . ? 

Primeirainente disse que Jos Dutra, CapitSo, que fot da 
dita Dha seu marido que Detw tem, a delxou por hardeira' e 
testamenteira de nua ter^a, e bavera trinta e dois annospmi)(^ 
co mais Ott menos que o CapitSo seu marido é £eUlecido! da 
Vida presènte, convem a saber: que fisessem da dita sua 
t^^^a coìno ella dita Senhora Beatriz de Maeedo, Capitoa; 
querìa que Ihe fi^ssem por sua alma; e porque ella dita Se-' 
nhora nSo tem feito nem cumprìdo quanto deve a sua cenS'* 
eiencia, ella quer e manda que toda a dita ter9ado dito Ca* 
pitSo seu marido seja viva; e estejaeài seu vigor por descar* 
rego de sua consciencia, dà e Ihe apraz de dar as terras de 



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Ascaiyo DOS av<hw» 165 

Castello firaocO) que traz Martim Henrìques, e « outra que 
traz entre ambog os Caminhós^ 9»nde tem suas casas e a»* 
sdento com o mais que se achiu* por direito que suas sSo que 
Ihe foram dadas em paga e arras de dote e casamento que 
o dito Oapitào seu mando promettéo por urna e8crìptm*a pu- 
blica, e asAim da» tenti» que ora traz Gon<;alo Nunes, que 
partem d'urna banda com terras que foram de JoSo Gomes 
Cabrito, com Alvaix> Feniande» Celleiro, domar até ao ca* 
mìnho que vàe para o Algar, e iato por ella dita Senhora 
vender umas terra» que jazem nas grotan, que cahira a ter(;a 
do dito <JapitSk) que Deus tem, nào sabendo ella que era da 
dita terrai e por ella dita Senhora oomer as renda» da dita 
ten^ trìnta e doi» anno», pouco mai» ou meno», que tudo iato 
deixa que sempre seja vivo por alma* do dito OapilSo e sua 
da dita Senhora^ e/ que 8^Qftpi*e ella dita Senhora seja sdmi- 
nistradora e herdeira em quaato viver, corno pelo dito tes* 
tam^i^ do dito Capitao, que Deos ìem^ é dado e outorgado, 
e por também a dita terra que o dito Gon<;alo Nunes traz, 
cahira a tltta ter^ e outra terra que jaz no Capello que 
outro sim cahio em ter^ a do dito Capitào que Deus tem, se- 
gundo eséi no inventario da partilha ,à^ seus herdeiros, e 
iq[ue tudo Ihe apraz que sempre renda pela alma do dito Ca* 
pitik) e sua d'eUa dita Senhora. * 

Mandou ella dita Senhora que quimdo Deos a{m>m^r 
de levar a sua alma desta vida presente^ que o seu qorpo 
seja enterrado na Igreja de Santa Chniz na cova onde ^ 
Francisco Dutta, seu filho. 

Mandou que ao dia de seu enterramento Ihe vistam 
um habito da Ordem de S* Francisco, em.que wé, o seu 
còrpo, e se pagarà outro novo aos Padre» da. dita Ordem* 

Mais mandou que ao proprio dia de seu f^teiramento 
Ibe dirSo urna missa cantada com seu officio inteiro de nove 
Iti^ese darao de offerta à dita missa dois saccos de tidgo 
e uma arroba de pescado se o. ahi houver, e ùm^ cametro 
e um àtmude de vinho. 

Mais mandou que ao dito dia Ihe digam ciuco misaas 
da» ohagas, rezadas. 



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166 AROHJVO DOS A^ORfiS 

Mais maiìdÀti que aos cito dias Ihe digam urna nmsà 
eantada eom um officio de seis lÌQdes e de offerta ontro tan* 
to corno o dia do enterramento e com oatms ciaco miasas 
rezadas das chagas. 

MaÌ8 mandoù que ao mez e ao anno Ihe fa^am outros 
tanto» officio» com mia» missas, segundo aos oito dias com 
as misBas das^hagas, comò dito é. 

Mandou que das renda» da dita teresa do dito c^pitao 
8eu marido, que dito tem segundo està dedarada, que. se 
cantem cada semana quatro missas, rezadas à segonda-feira 
uma missa de requien, e 4 quarta-feira ama missa do 'Ebjr» 
rito Santo, à Sexta^feira uma missa das Ohagas, e no' sab^ 
bado outra de Nossa Senhora, e estas por alma do Ba Capi- 
tao seu marido, e pela sua d'eiltt dita Senhora. . • 

Maodou que o que mais reoianesoer das ditasrendas de 
eada um anno se gastarào mit Igrcja de> Smxtn (^uz em 
que se faSo de cantar as ditai^ missas, e aqudlas eousas qroa 
para a dita Igreja mais necessario (fo^J de nsaomrarque seja 
sempre reparada de bem e melhor porque fa^a devo9ao de 
Hianeira q«e seja sempre a servilo e louvor de:iDeosi 

Mais mandou a dita Senbora que do qir^ sob^ar das di^ 
tas' rendas se gastem em pobres prinoìpalaaente em algtu^ 
seus parentes d'ella dita Senhora e do dito OapitSo^ e-aquelles 
que mais necessidades tiverem, segundo seu testameirteiro 
vir que o hào mister^ e se'for o gosto que a hi houver dos di- 
to» supplicantes alguma orphào para casar que a ajudem 
com o que poderem das dita» renda», perque todo é servii 
90 de Deus. 

Mais m^iiindou a dita Senhora que sendo baso que depoi» 
que a dita Igreja de Santa Oruis ser feita e acabada* d'ahi 
por diante em cada um anno se deem para as oImi^s da San- 
ta Misericordia e hospital mìl rei» por alma do dito^ seu 
marido e sua d'ella dita Senhora do que remanesoer das di^ 
tas raftdas de cada nam anno. 

Mais disse a dita Senhora que ella devia as 4mda8 se^ 
guàntee segando o dedàra e msuada que se paguem qae o 
Capitao que Deus tem deixou em testamento .que pa^assem 



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qim foi firn SfUCf^Q} ]S|i«riv#»>qìie foi d#. l'iiippe Dptnte I*r 

mostra por um escripto — a'N ^ffon^t fl#W«B8W» 

ole^tee^ à-nm nftvio, o qv^ §^ f^%F por weFdftdft pop jw-an^en- 
^ s^i <»u ^ aiw, iPuWifii' i»(H'%4pji^ eoi. l^i^bost ^-! J^^» 4«H 

escravo mulato, filhf» d^. MftgéftlgB», qiji» é.4fv4i|a. Sephora- 
J>..Jpftbeh-rs-flifeis » Y»ftl»Btft CWJJlft, pm P|*si«fei <!?¥? dea 
finlrfU^8e«)|$svi||<>CT-t-4SQ4ttrÌ9 Few*»?* oirt?o H»» «W 
^f$i4« »«i ii»tìiQ fi w«iQ 4^ strigo 4q §eu serpigo q>ie ì^^ !«?• 

4ie»to qn» 4^^<^i 4^ i|R^f9 ^laòo mii veie .9^ ^m^^o ^^i» 
efn4>M m9 àfr 4ws «(HjrpsqHe Ifeg ven4<?B dg j^qis; rrr-ft ^o% 
«b» ^miuM^s mU i^ tpe^enliiiis |»i^ q^S 1^ l^pfe§ti;)i), oi;te? 
fìWtp%«C!Ìa, e#f| (mifi|ii0nt<)g«9}s-, ,, . i r7rT§(^aiih%EJpft I^eàtp* 

«ini.iH«)» pv^bma qv>fmfm^v i^^Mm qoe $q ^ost^i^Ffipi' pqr 
«|gpn»!fpqi)émi»0oto» do di^ «(9u sa^dq qi^e Peu& tiepf Q %fr 
^id'^ dila a^nÌMira, Q Bo ^g<)iiHit pf3«§pa §$é à qu^njia 4? 
^isnt^ai*^ jUVPK qu§ U^e gU» (iGVft» B|»»4ft qVft 1J»'!PS Pf- 
giKBiaa,- .;:,•■.. 

I ' . DIS90 * deì0lAi»Ni ft di44^^h0v^ qjjp |^k|, ^em 4ft4o ^ Fer* 
ngo &4rai«, wu.ot'^idft, !»m fìhm ew q«e eìli? t§nj spt^s c^^afi 
^.ie»i»dtì, ^.p4 4^ m<»U> qimmfiéfiì: de q40 1^ teq^ lecito 
da§9^ P<H' wn» Jpwji^ya, p^rqqct .elifl^ 4ife gei)J)oiJ\ Ih'o 
diati» pov muit0 mrvi<iQ^i^m lhfil^t§ tìl»bp» 9<w 4escw?jegp d^ 
^PA mmsei^ooia; « p^ e i^(^mm«»è% »^ f^f^ li^dmrQ? 
ni» biilf^ pQiA »lhf f)pr<mmto 4Ìè o tuta h«gi |i)€a%p}4pi ^ 
4Ì8fl9 6 d»c]M^q ^Ift dil^ 30i»hQr% q^» g^eni^va e d§ feitp 
ardami p<H? mi i^s^agmi^^m p ft4pnnMtFft4p'? 4» »»» ^tow^ 
« Pftpellas »pbredi|ft«i m m mi filfet>>)^<?§ Pft*??^ C^pitl^o d'eatfi 
Qha, A« qual pad» <i «i|(HHttTQ^4ft qii^ t^rod caire^o de \h^ 



Vol.1 — N.»2— 1878. 

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C?oogl( 



Ì68 ASCHIVO DOS IQORÉS 

fazer ctiinpnr o dito sea testamento Begttiido por ella é de-^ 
clarado, e admìnistrai' as ditas capellas em quanto Ihe N<w^ 
so Senfaor der vida le por seu !fisineGÌinento deixaró por adilit 
nistrador das dìtas capellas p^ssoa oq pessodB que Ibe paré^ 
(fa qiie d'isso tem bom cuidado, de maneira que sempre fa^ 
ìnteiramente ciimprido todò o por ella aqui declarado segun^ 
do atraz faz men^Sov 

Mais mandou ella dita Benhora que das ditas rèndiMi cb 
dita ter<^ o dito testamenteiro Imja em Gada mn <^ affìtto do 
seu traballio da dita adniinistraQSrO quatro mois de trigo, as* 
simelle comò qualquer que aò^ diante fbr. 

Mais disse a dita Senhora tesfadora que ella tem lan^ado 
cónta em isna fazenda que liàvei-à trinta e trefs annos pouM 
mais OH menos que odito Capitilo seu marido que Detts tem 
é fallecido e sempre cornerà a renda de sua ter^a, as^m de 
gado vàccum, ovelhas, poreos, egoas, qvie tudo poderid' ren* 
der eìn cada um anno quarenta mil reis, com as ienfas da 
dita ter^a, e pòi* descarrego de sna consciencia élla aleni éo 
que dito tem e tòmado por a tei^i^ do dito €ii^itaa(|Qe Dette 
tem, ella obrigamais toda a Ma ter^ d'ella dita Benhom 
para as ditas rendas que tem com todas e quantas digo e 
gastadàs corno dito é, e assim toda outra tanta fetsenda sua 
de l'aiz ({né de direito Ibe pertence em i^ua vida qtie loda 
deixa e dia para cumprimento da satisliBK^ dà dkater^a 
do dito seti marido que Deus tem, a qual dita Stobora 
Capitoa disse que ella se achava jà. tSo £i^a e de tal soi*te 
que ella se nSò atrevia a administrar nenèiuma èomsa da dita 
fazenda por tanto ella Ibe aprazià e de feito aprouve de io- 
ga dar lugàr e de feito deu todo o seu onmprido podè^ e man- 
dado éspeciàl ao'dito Jos Dntra, Capitfto s^i filbd que po»- 
sa tornar posse de toda a dita fazenda etenba logo* a admi- 
ììistra^So duella para sempre e isto com tanto qne em raa vida 
d'ella dita Sénbora Ihe à& e entrega suas rendas para a admi- 
nistra^ao e gasto psira todd o seu ovdena^do, e ella dita Oi^m- 
toa receberà e bavera & sua mSo tddas as* rendas e fìtz^ida 
para todo o seu poder e mandar fazer segundo Ibe bem pa- 
recer e péde e encomihenda as justit^ que logo mettam de 



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Asceivo DOS A9OBS0 169 

posse da dit&.&^enda ao dito Seniior seu filho Capitao, parsi, 
que o melhor possa fa^er e. adniiuistrar todo o que compoe.a 
dita, ^senda <pi.e ella dita Senhoradà e é da dita ter^a do 
dito Seohor Gapkfto e as rendas hav^ em sua vida ella dita 
Senhora para, ella as gastar por alma do dito Senlior Capi- 
tao seu marido que Deus temi e d'ahi avante se farà depqis 
de Bea falleòimento o qli6 ella attass deisia ordenado no dito 
testamento coQlo dito* é. i, i 

E mais disse e declarou a dita Senhora que posto o caso 
que se nào achem as terras que ora trac Grondalo Nunes que 
sejam da dita t^^a que ella todavia as die deixafpara!a dita 
^i{^ do dito.seu mando que. Deus tera, segando jà dito» tem 
por seu^desoars^o de sua consciencia e por as^im o sentir 
ser bem .^ deyjer fazer por se. achar d'elle enearragiida aasim 
o^ bDuve>por hem: de faaer e ordinar o dito testamento s^gun- 
do.por olla é deelarado e wdenado. 

(Disse nM^is a dita Beuhoiu.qHe se outco aJgum testainento 
ou aedula tivesèe em algum tempo feitaa todas bavia e hon^re 
por: revogadas, sómente quer que este so valha e outix) 
fì«nhum nUo por assim ser sua vontade para sempre corno 
dito é, . 

K depois, d'istoem os vinte e oito dias do mez de Jullio 
do dito anno de 1527, em as casas de Fernào Orarcia, crea- 
do da dita S^^nhora BeaUiz de Macedo, em presenta de mim 
TabelUao abaixo nomeado apparecao a >dita Senhora Capi- 
toat e por sua mèree foi dito quo bavia j4 dias que ella fise- 
i?a S6U testamento e o tinha feirtoaqui em este livro, e por 
quando .0 nao tinba assignado segundo oumpria, e ora ella se 
aobava mal disposta e muito fìraca^ ella o tornava a oonfir- 
lanar e de feito. confirmou e houyje por bom e bem >feitp e 
quer e mandarne em todo se guarde ,e cumpra segundo epi 
eUé atraz é declaiado por assim ha ver todo por. bona, firme e 
Villoso paia sempre e assim confirmou estando epi todo. o 
seu si^o naturai e boa memoria que'lhe Nosso Senhòr Deos 
àm. s^undo a miot Tabelliao parece e por Ihe todo assim 
aprouv^r tambem assim o outorgou e mandou àssim sw ifeito 
comò dito é. Testemunhas que presentes estavam Antonio 

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190 Aiimito MS A^tnau 

ifaiidG&j Lmit^fi^o AffdHi^t^v ]Èi^i(dèirOf è Fedro GodinliorD 
G^àiiiètelrdf ibdtìh ìì'éBtà Yilk fiidiaddte^^ è cf ntf o»; e eli DÌ€P 

ÀjiixieBto da ^mW» lìeairiz de Maoéda, Capitoa t«ilia (l'e»ta Itha 
do FayaK de 13 de Feweirè i* UM. 

; £m «[dine dd Btm mmn.^^i^hmn qtMititésie adittìeit- 
«d dd t^tfttHèHK) d tthit^ia irtÉrtddg é ^sejd, tl%it6 din pam 

3éém GhfiiM^f de 1581r ftois 18 dias ib wm de Fererràii 
dd ditontifi^^ it'eMa Dhtl do i^Hynl, n^ littiii^ de PcKrtd Phtii 
eM ili (^^$» ésA Béifhdra Beatria de Maoèdd draà t^iura^ Oa^ 
pitoa que hi da dita Ilha^ em p#eeèik;a de àlìlfi pitblicd Tà^ 
bélHHd &bai]id t^fìiettddf e ^m t^ti^ttiihad a^ idknti» efaferi- 
pfi^B^ ahi eètatìdd a ditft SenhdrA B^sMb de Maeedo éèitada 
«!»1 ttnià mttì» mfefùÈ^ da eufòitnidAde (^tie MbMd 3enhw 
Ihe^uiìfr dm'f eibtddd d ébì% siw naturai que Ihd Nc^mèmi Sim 
nhor Deos deo, e segundo a mim TabeUiào parece; e p&r èl- 
te AìtA Befibdi-ft fei ditd t|ae eMatidd bora jÀ n& d^ràdeiro 
atfigo dà mòrte Begiiddo Ihe parece, é é^tihdd etia Ù^ik 
èiépoÉi^a/|^i eianperata na ifiAd' de Ndsb^ £mbdr thm de Ihe 
l^VAi* ^ MH Mina d'ei^ta presente! e pm eUa nftd sabe^d^ diÀ 
»^A il born qantidd a ISo^ia Berfbd^ J^iie Ghiìite npiazeÉiit 
de a ietftf, e pdi^ eli» dase^oairi'égai- dtia c&niietetieiii d'aqudi^ 
liii» e6Ui#te dn qne )be pài^eda i»6^ eneàrre^afia ella ordinava 
e de Mìo wàmab e mmnàM hkét nma^tàav^ó ti'e^e adi- 
fii^td de teMiMento alemda^ qte jé dìtei tmba em seti testai 
iiientd que jà fettto tiiìba^ etn a iftaneirti seguiitte:^ 

Fifli»eii-#Dfetfte dii&(e qué ella enedin&ri^diità à ;dtia aitila 
à ìiéém-^rihm Jmnu €^8td e^é Yìrgeni Bttftttt Mm^^ l^ànta 
Médk*e Nm»à Sénb^ia^ qM £Ua emfe tddds ol^ SitótM e Sftf^ 
t»i^dà ddrtc dds QédB gejam pò^ ella ro^^ràdres e Ihe apre- 
§éiitèfii sitd tilma tinte -a ime de Koesd Beiihdr Je^a^ ChHeto 
ftifien* 



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Atiefitìro MS Jkfdfttft i7i 

Dim» è «kcla^tt Sk cUtft SkèfaliMn qiid «dia titikii dMi t^Mà^ 
in(^«d fDitd è òrdèKAdò, qtte està ^rt po4«l de fiiiiii Tàl^elllad 
e pdf qt)«il«o ^r fiitiìtd» \-kx6é mb Mqueretà qtte eu Ih'o 
CbOfltrasse p«tn, d Vei* « saber «ottlo titihtl tltaA «kaa d&hdrai:^- 
d», qtte tiUtt«à péàtsté mf agoni ttSt» 6 {torqtMitt» feta hirit- 
ttt pAfte do dito t«dtiitiiett«d ella via e achata mia altba it- 
nittitd eticarPegtida ètn al^tuHs eóttsa» q«ie dia d«ixara ik- 
dfei-ftdd d qttd Ih'a •gttftégKttt de 0t<a i5diiiM^i)<éia pdrtitbtd dia 
a tdi-fliita e utmm ohi li de«ìtat^i^ èni a tnètidita ^egUitite: 

^M» a dftfi Seftbdfo Beatt ih de MàtSdà&i qui» quanto é 
fitt pai4« em q«ld dia db d^itarA a» (>iiM terraH) «« qm tta» 
Matiiili HtttHqiie») è Màm ad dtitMs de eiitfe ds ca^nteiM 
cidtd ad tMd« t«i«a» qttè Attmìtk HO ditd feilM&ebtd qti« dél- 
n» pél» A t&ti^ do «r. Capitilo seU mttHdd que I>ett» teoi) el- 
la ddfttt e«le6lat«m qtM «Uà Mo dsve tanto A t«l^ do dito 
Oapititf 8<a pnatìdo^ p<M* qttimto dia t«ti gaktadit tt dlttt «ti» 
ter^a em maitas missas e esmolas qne tMfi tiiaiidadd dltséf e 
d«Mlii8.pda àhMà dd dito Sètili^r C^piUto qtld aMHtt tt»H gas- 
taào «offi Bdan fiifaaa qttd fioA^afli of^^Uu» e4ado etti MUs Sa* 
«àtbefitMpd^ihe iU$t^4idlaD pdttea faadldà) qtiè ttidd 
^tHbttln d Éizia d géstftva dtt dita tet^ pot Ihd pftree^r ser 
bètttt e il»f i^d dd D«d8| iS pdf àéMbOtt&gé ùA ttliiitt do dito 
Ot^itao «ditto bdje dt» dift &té m piieftditd fa<ia mìhj^é pot 
Éita tàktk ddlte OapHSd t> qdd«lla podld^ pèld bue Ihd pfifeéc 
l!^>rdftde^aliien«é q^é nfió devia ttttìtd & ^ta tefi^ dd dk» 
Oapitào corno no dito te«iathdtitd ditd titilla ptUfA qiid sdfl-^ 
{^ ikoMm itietiiofia pela akfia dd ditd bit Cdpitào »ett Itdarìdo 
eofidin |)eki alMftde SodOtiié (1>)DM1«^ sèUirMddd ditd Ca- 
pito) qtid X>do0 tetti) d ds^tii ^oÀ Sd faidt- Hàntll C^i m afeD" 
DM- de hiMf a Igfdja «om tltua cMà prtta d OttitdUftd^ dla^ 
dita gétitaM-tt qner è Ihd ftp«a% qnd as teriii^ qdo ^a t^a^: 
An&a Yiéeiitd^ tnttllitfr qne foi dd Gdb^d Nikieé^ t}ud,0djain 
tMt«a dAd tdslfdai A'UlìUi ^ tai^ ft ditft Ifrdjtt dd SUlMa C^» 
€ a dit» daiia pì^a oQapdiaOf è d^< de Hata dttc^àiài a 
dita I^a ^ ctMtt d'«y p^ ^htd todfì» «s rèhda» qtìè #^- 



(1) SfctìóViib (?) 

/ 

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172 AACIUVO DO&^C^BKl 

derem as ditìiH terras e a ditd I^eja reparada hònestaméntef 
todo o mais das ditale rendas quer e manda qua ne digam 
em mÌ88aB.pdas almat do dito Gapitiio seu marìdo e de Bo^ 
donis Dutra seu irmao, e. aasim pelad'eUa.dita.Senhora e 
iato para «emitte, as quaes missas aerào repartidas alando 
seu testamonteiro vir que m dìtas rendas abraogerem em 
cada um anno, e poi' aquelles dias que elle vii: que rnsln de^ 
vo^ao Ihe parecer, e segundo no dito testionento jà dito te^bo 
com todo das ditas rendas ella testadova maoda que. em cada 
um anno se deem para as obraa da Santa Misericordia» mil 
reis para os pobres do hospital e dos que a dita Misericordia 
tem e^m carrego e isto pela do dito Capitao, e com ì»U> disse 
ella testadora que com quanto n'esta paorte do encargo da.di^ 
ta, terra do dito Capitao ella se bavìa. por desenoarregadu 
pelo que dito tem, e que quanto é>s mais tenras e fazenda que 
se achar por seu falledmei^to quer e manda, que o.h^^japni 
seivs hei'deiros lidimos. 

Disse e declarou ella dita S^hora testadara:queq«anto 
à sua ter(;a ella a tem dado a D. Henrique, seu genro pivr 
casar com sua fiUia D*. Joanna^ dlla testadora Ijbct à&: a dita 
ter^a em dote e casamento, por quanto a dita s^a filba P* 
Joanna, Ihe prometteu a ella dita Senhora arsua ter^ della 
dita D« Joanna, por tanto; dia doadora^deixa a- dita sua ter-* 
c;a ao dito D. Henrique seu genro, e. per tanto quer j^ manda 
que Ihe seja dada e entregue segundo por éireitO' a devam 
porlh'a assim ser promettida e dada* 

Disse mais ella dita testadoror que alem da^^ta i^a ei^ 
la deu em dote des^sam^nto ao dito D. Heniriqua de- Noror 
uba, seu genro, em sua vida; d'ella testadora quforei^a wi 
reis da renda de Porto Pim^ e mais quinte m(^io«^; de tr^o 
em. cada um anno^ os quaes quauenta mil reis e quinae moìoa 
de trigo Ihe ella doad^a logo deu e dooii em dot^ e easat 
Bfiento com teuQao da llie nunca Ihe serem dedooooiados nas 
partilhas nem <em i^ueabum ^tempo^ ponquaato ao tempo 4o 
dito casamento quando elle dito D, Henrique casou com a 
dita sua filha, Concordia de Macedo Ihe mandava outro ca* 
samento, e pelo encargo do matrimonio e casamento que logo 



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ARCHIVO 1*8 AtORfcS . 1^8 

t> dito i^tì genix) ieve e tem corn a dita Buà filha ìbe dooa e 
deti Ofii dito» quarenta mil kìb e qninze tnoios do trig^ em 
cada um anno em sua vida d'ella testadora corno dito é, e 
poDto o caso qiie no contraete do dito dote senSo declare tao 
ititeimmente conio devera siia vontade d'ella dita e as9im da 
dita sua filha, sempre foi e é de lego haver os dites quarenfa 
mii reis e qitintse moios de trigo em logar dos usnlructos da 
tìtia Udtmfa e ter9a, por a nao poder haver senSo depois da 
«nàmort^e d'ella -d<>ad^a^ e por etooai^o do cSto matrim<ymo 
Ifa'as liavia e houve por dadas d» ditas reùdas e trigo, cojno 
dito é.' 

Bièse e manda ellft dita iSénhoitii qne assim se'cuùipi*a, e 
manda a sens filhos e herdeiros qne nas bum partilhaa se 
ttie nSo sc^atn descontadois poi* verdadrà^aìuente assitn ser 
sua ten(jfto em verdade ser tal corno- dito é e por nSo haver 
dtivìda aittc OS ditos herddros assim o déclarava comò dito é. 

SHsse mais ella dita Senfaora testadora que dos dìtos 
moios de tri^o que Ih^ assitn prometten ao dito D. Henri- 
qne ém dote de casamento, corno dito é, ella por suas neces- 
sidades tornava tres aìinos os ditos moie» de trigo, ^ qne de- 
via óra aò dito seu genro quarenta e cinco moios de tiigo, 
os^ qnaes ella manda que Ihc sejam pagos sem duvida alguma 
que Ihe a elle seja posto, o que todoaòsim dizia e deelaravà 
por descargo de sua alma e consciencia, porque o nSo fazen- 
do assim sua» alma o sentia ser encarregada còrno dito tém. 

Mais disse a dita testadora qnè ella tivera e tem até no 
presente sempre em seu poder um quinhào de terra que era 
de Oatharìna de Macedo sua filha, que Santa Gloria haja, do 
qnal quinhao que era da sua lidima que vale o mesmo que 
ligitima da parte de seu Pai o CapiitSo que Deos tem, ella 
doadora sempre recebera a renda d'ella que sSo em cada uni 
anno cinco moios e meio de trìgo, os qnaes ella testadora 
gastàra comò devia verdadeiramente desde o tempo que se 
fizeram as partilhas até ao presente, sómente que Ihe man- 
derà quarenta moios de trìgo em sua vida da dita Catharìna 
de Macedo sua filha, dos quaes nao eram lembrados quàntos 
eram porem que esses que se acharem por direito que Ihe 



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})ifl^ pu^i» A (ifta^ 3è||t)<«l» qiie qi}«kn^4) é o qm «qui 4i(o 
ttsn» Q b»vìqi pfu: b(3^, ben» fp}te, fiiW© ^ vailifwp p^» flPIRppe 

p«p 9mtn se? w» vQnt*k4e fl àfmnf^go 4d siia f^tmBoidOQif' e 
qiie qnm^ ftp nw» qwd Ufi 4itó «ej» tMiUHento qne e}]» ff#è 
tem que em tQ4o q q^ elfe ten» 4it€» ^epi 4ft oa^w q?l$ fel- 
1* 4» 4Uft tei"^ do dito »r. Colite «e^ i^i^Aq p to4<>«.flMÌ8 
qu^ é 4^^c»rgQ 4is P(IA f»mmmm ^ ffm & adui^a^sl:»»^ 
aegundo direito que o dito seu testaiuénteiro e adini]^9t|.'j|r 

ilof 4py« hftvfiV, ^% Q l»¥iii <8 howii» p^ hpm ^ b^m feito, 
I20IQ t$4f> qm mm vm^. ^^^ f^to (2) e daoku'^ b^h)»^ 

ftluwk, e<^a*o jé 4iW tep»» § ft«»«Hi ft i»»»4a» ser feito e ^a^ 
«»tqi«gou, T^ai^mnobAs qm fv^a^ntm fovam » P«#d Ba- 

ypruSQ Cbrpw), .crea4o dft dit» ^Rhw» e lìKpjpe FerBftnd08, 
sili&ùatfi .e A&tonio hìm, mmtì^ ù» (^FftYeJU 4<> S^Nibor 
C!ftpit|a e ^i;)iaiiAr Fe>n)w4#s, flaorftipy ph ^Ote 4ftP Flores, 
e^li»x^ sr» n'estor lih^ e «mtt'o»; « pi» jfH?^" Bodrignds, Ta- 
WliSft qnp fiutp eiiprevi. 

Uovt9t, afoihQ» 9Q, ostò, èmsladadi) o HstmnmtQ (idna,) 



»lf-. 



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ABCffiVO BOS AgÓKBS 

( Doetimento n.'^ 4 ) 



in 



MACEDO 
A PRIMEI- 
RÀ CÀPt- 
TOA. . 



A^gim se lia mhre sua sepultura na Ermida de Santa Cruz 
de Fbftb 'l^idi; *^Mi' citizaB, ismnWb à eampa, jifaMìsftraM^fepois 
p^^i^TH^ltat^db^'JN^.r^r da» Afigiiftràfi'do dkp fogap;! quando 
<^ta igreja se edefieòu de hovo, por mandado do Bi^po d,'An- 
^rà/D/lh-; Louren^o de Cal&tro, de '*30 de Agósto de Ì676. 

Tamira, capitàf Mùr do Faytd.) » - :* 

4 • ■■■■AwWWWI»' » * . . ' *Ì , ' 4 



'■-l'' 



IEI|«$iiAteti«bii.o5) 



€ertidào do foro que peileiicìa a Hìeroiiimo Pvtra Corte Real <te ìì 

Do La vro seis da tnatriciila^ foUiad aedsenta e seia, anda 
Uieronimb Dutra Oortereal, tiaplitSo ^GoTe^n^Àpv dm ilka^ 
do Fayal e Pico, fillio de JCaoitel Ddtra Cortereàl 6 bisneto 
de Job Dutra, Capitao e Grov^rnador .qi^€^ Ibi das ditag ilhas, 
com sete centos reis d^ nioradia pdrmes de mo^o'fidalgo e 
alqueìre de ce vada por dia, que he o foro e moradia que o 
dito seu visavo tinlm por Al vara feito a quinae 4e Outubro 
de mtenta e eoatrq. Certifico assìm èra Lisboa a vinte sette 
de julhò de mìl seis centos e dois. — Barnabé TopeteSoto* 
mayon 

(Manuscrìpto )& citado — Phenix An^remefol. 276 a.) 

V0Ll-N.-2-187a Digit,zedbv@OOgle 



176 Ascmvo DOS a^orés 



VARIEDADES 



Programma da procissXo que se fez em Ponta Delgada 
aos 15 de novembbo de 1761. 

Trin^* 4M • Seiad» da Caaara da eidadc de P«Dta Ddgada da 
Illa de 8. ligael eensa^ rerereate ae pitroeinie de Maria 8aa- 
tlssima Immacidada e gloriosa padroeira do Reino de Pertagal 
ea deaenstraca» de sei plaosivei e iiceaparavel gese, de felì- 
eissiao aaseiaeile de SereaissiÉe Senher D. Jezé segnde, tthe 
de D. Maria I, nesso augusto prìncipe, sendo Yereadores Pedre 
Borges de BeUeneonrt, Pedre Jaeeae Rapeze, Franeisee Diego 
da Caaara, e proeurador iMeiì» ReSeDo Borges. 

DarSo principio a està pompa triumphante tona cairota 
(1) vistosamente omada de ramos e flores, òccùpada por oito 
dan^arìns qnatro vestidos dB-damMCo verde àgaloado de 
prata, e os mais de damasco vermelho agaloado de ouro, 
que ao som de varìos instrumeiiitos sahindo do carro (2) nos 
sitios mais publkos da Cìdude formaxaò nmà dan9a qne 
com ó labirintho das volfàs sirvakn de enleio & vista, e com 
o sonoro das vozes entoas'So para récreio dos ouvidos as le- 
tras segùintes em bem ordenada solfe: 



(1^ Boa» veeea qaebroU «ite ouro^ e se apertou con 9 corda8,d«» TialnlioB 
da ru9La*ond6 fakoii.À* cnatn da Camara sahio o Monte Parnasio, cem 8 lumphas. 
NSo dan^aram. véstido daa nimpfaàd foi comò poderam. 

Està t as seguimU» notas fóram feitas d margem do manuscripto por te$t€^ 
fjiunka oecular* > 

(2) N3o sahlram do earro. 



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À9CBIY0 DOS A90BK8 17 7 

l."* di eiUidinieiilo kontto, 2."" Oi aliclo fN «amid 

Ie sabre Imnaia es ndifwi, . munàt aoleiuim . 

akmdM lise ìit icU, si Ikeja afimr baros 

que Q Ibaurà l« Sakraai fie is UHunari I. jttmM. 

^."^ h aver fie o« ve la» ditta, 4.^ Da deseja qie sa fusia, 
fie^;lo ipie resista elsal, j^ie eia laai vaiar, . 

aa ay niagnaa caaia vas, .para alabardes nyar, 

que as Ihamara I. Perejjriaa. qua as Uiaaari I. jasè Asfisla. 

T0D08 

. Pues si el lor nMuidino 
es nombre tao divino 
Bepitanle canores 
Gom dulces Instromeiitos 
e seguindo Ics dulces a sentos 
digaelemgenhohumaao. 

• le® que viva el 'eoberano ^ 

todQ$ e el afecto amorosso 
2.** cjue viva el generoso 

, todos diga el anior mas fino 
5,^ qqe viva. el peregrino 

todos. e porque diga todo 
. el desejo que aspira a ser prìmero 
. . viva Jose, de Pedro, el Herdent). ( 1 ) 

Logo a eBpa90 Competente irà a fama (2) montada em 
um aob^bo cavallo, ornada de pnecioftos vestidos ' e phima- 
gens que levarà nSo so em* forma 4^ aeas para dfimondtraQao 
da sua velocidade, mas na cabe^a em um bem flamante pe-- 
uacho^ levarà na mSo direita um pendSo^ou trofeo de seda 
briUENca em que se vèja eserij^o -oom letms; de euro* — Fide- 
lissimus Rex LazUanorum, (ymnium regum potentissimits — irà 



ri^ Nao se sabe o que cantaram. 
(2; Feita por Gaspar de Medeiros. 



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178 AftOntO DOS AQGttS» 

està figura precedila de muiibs clarins, que a impulsos do 
alento pelas vozes do metal forte, publiqtiem aleg^res este 
aplauso e acompanhado de doze archeiros riao so para 
maior luttti'e mas para desilo do vulgo; fevarà pendente do 
bra<jo direito um clarim de prata ficando livre o esquerdo 
pai'a as redea»; e tias pàragens que pareoer mais cohvenien-te 
e mais publicas deiitai)do de tocar os (^arins e càlandOHse os 
sinos, cantare eomvoàpreeeptivel a seguiiìte letra — Printeps 
dat^m e$i nohis^ omneà genies servient éL . 

^ Devem seguir à fama dois reis de armas a cavallo, vesti- 
dos segundo o que representam embra^ando o que for à. mao 
direita um escudo rieamie^:é ctt'uadó twù as armas de Portu* 
gal, orladas com està letiia— :6^' Aoo $igno vinces — ;o da 
mSo esquerda levarà outro escudo com as armas da Austria 

— ^Hespanha — è Parma. (1) ^ ' 

... ) 

Aos reis d'aitnasse^ seguirla 'urna figtìra que represente o 
reino de Portugal (2) montada em ura soberbo cavallo com 
guami^Ses ricas, deve ir vestido d antiga, eom ^eapa curta, 
manteo emrocado, e seus bigddes, espada larga pendente 
d'um talabarte a tiracol; servido de seis^creados de pé^ cada 
um vestido no mod^* que se tsisa iìos dominios que estao su- 
geitos ao reino; chapeo pequeno com suas plumas, e joia no 
botao: levarà embra9ado um ^scudo em campo azul omado 
da maior preciomdade com a Imagem de Maria Santissima 
na sua Concei^So; e esita letra — Vene^nt mihi omnia bona 
pariter cara ilio. 

A America segue a Portugal n'este trìumpfao comò n'elle 
tSp iiiteresiada) ìri està figura em «im* palafi'em cóm arreios 
fyreciosod e de bom^ giusto, vestida de ricas galas mas pelo 
«stilo do paiz, acompanhada d'alguns ereados de pé que do 
modo possivel representem os seus nacionaes, e urna targe 



{\\ Feita por José Ferreira e 4 compaidieifos. 
(2) Feita por -André Diogo; seni ommIos* 



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AMBITO DOS A^OKES 17S 

coiTft a ìetini fie^gmnte-^Stiòfecit poptUos^ et tfentes sub pedi- 
bus. (1) 

Depoii» da Àìnerìca ira. a Aziapelo mcauH) estila, sé coni a 
differe^a no vestìdo qu« levaró ounfoi-nie o uso do seu |>aÌ5q 
e a aaixìoial que deve sor o qiie nasce uà siiaaegiào, e em 
ama targe a ietra segtiiute: — Re^es iharsis et imulce mxm^^ni 

Dejpois da Asia irà a Africa pelo mesmo escilo so com a 
differeni^ iko veatido^ qua levare eonfoime o uso -do se» paiz 
e o animai que deve fier o que imsee na sua ì-egiào, e uma 
targe com a letra seguiate — Regnabit supefdomvm Agar. . v 
et e9%t monarcka Tìicucwmsecc pì^ophM. Isid(»% et CassaTidìw. (3) 

Depois da Africa irà a Ethiopiapelo mesmo estilo so com 
a differen<;a no vestido que levare conforme o uso do seu 
paiz, e o animai que deve ser o que nasce na sua regiao, e 
urna targe oom à letra seguiate — Coram Uh proddenf 
Aeìhiopes — ex p$alm. 11. 

Continuai^ o t^iumpho um ms^nifico carro trìumphante 
omado artificiosamente, com as ìnsignias, armas^ e instru- 
mentos belicos^^m que se deixem ver os mais &mozos Ca* 
pitaes da antiga Luzitania e os de Portugal, e a um lado uma 
targe com estas letras -^ /»^6r celUbéros forimòni sunt, qvÀ 
Luzitani appellantur ----hoiivor que deu aos portuguezes — 
Diodoro Siculo. (4) 

A este cfirro segxdrà outro em forma de nào em que se 
veja OS tns^es Argcmautas Portuguezes que Tencendo tni^ 
possiveis levaram o Nome de Jesus e seu a terras tflo remo^^ 



fl\ Pelo commandante. 

(2^ Lniz Francisco. N2o foi animai. 

ÌBS Antonio Zimbrìlo. NIo foi animai. 

(4) Dado a George Lety e 7 eonpanbeiros; nao o fiseram. 



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fi 80 ABCHIVO DOS A^OREff 

tas; na tàrge se verao estad letras: — Por /ìmire$. ìmnca cTan^r 
tes navegados passaram alem de Taprobana. (1) 

térceiro carro, que deve der sem duvìda de melhor ar- 
ohitectura de sorte que represente ik> plaao um e&m^ em 
que se vejam di«tiiietamente dcns exercitos oec^pados eom 
suas tendas, linbas e eireumYala90e8 divisandé-se pelos es* 
tandartes ser um de portuguezes outro de iBOuros; e no es- 
espaldar decentemente coUocada urna imagem de Christo 
Crucificado, ao pé da qnal se veja ajoélliado D. Affonso Hen- 
riques, 1.*^ de Portugaly o^ivindo da. bocca do S^ior-^ Volo 
in semine Jìio Imperium mihi ^afófór«-r-eaonde melhor se 
acommodar urna targe com oste epìgraimtta& 

Dum sacer Alphond gliscit sub pectore Mavors^ 
Mahometojsque ferro térritot in se duces. 
Ante nirum roseo fiacus micat osthere . Gìmstus^ 
ffisperiam^t LyUam Barbaanis Imian agi^ 
Ismar in Alphonsvm rapitur totmUlibus wnvm^ ; . 
In ténuem Lysiam tot cumulantu/r opesj 
At rex quinque fugai Reges Rege auspice Christo, 
Lysiadmnsignis tndnera quinque rfibent^ 
Mcoritur^ plagisque orucem Puer Lysiìé^adit . 
Namque huic nascènt feri pia doma Dtm, 
quam signata beat Lysice cicatrida princega 
, . Quam bene .extant propria vulnera sacro ^ch^jd (9) (2) 

ultimo caiTo sera o mais pomposo « de ìarte, feito do 
maior primor, representarà o globo da terra fingido com 
muita propriedade; e> no espaldar se ibimarà um tfa^oiio vis- 
tesamente ordemnado sobre o qual se.ywà o retirato de sua 
altera debaixo d'um primorol^ do^el^ em ao^ào. de dominar 
todo o orbe, com està letra ao pé — Siluit teiera iìi conspectu 
ejus; — e no logar aonde melhor accommodar urna targe com 



(1) A George Quent e 7 companlieii^iw» 

(2) Feito por Beroardo GiHxiee, sem «ompanbeiirQS.. 



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IRCHtVO DOS AgORKff 181 

««*a l&ttfk — Jozephus secundHs pnnc^ hizitanorwm — ,e 
bgo este epigiwnma: 

Prisca mùM mvmsfertwr mgnata lapillk 
Et Imtosfestos annmnsrat éies, 
Ut primvm^ muguste^ prmo^i sol fmfyis ce talw 
Aur^ermi placido prottdit orejubar, 
Protinus (Btkerea Tnommewtum Jingi m àn'ce 
Sidus magnammi regia clava Jovis, 
' LcBta novis ^us pingit ma fioribus arva 
Océanus gemmis littora ctmcta beat. 
Fortunate Infa/nSy quem secum sidera signanty 
Floribtis et gemmds terra fretumque nótant. 
Tu dtò victum orbem Oiristo donabis at iUe 
Pro meritis dcòU cetkera serd w/a. (1) 

IrSo de guarda a «uà alteza de um e outro lado do carro 
24 cavalleiros que dévem è^r do' còrpo da tìbbreza com \ es- 
tidos uniformes e espadcis nas mSos. (2) 

Em ultimo logar as Irmandades, communidades e clero 
levando cada urna o seu andor de santos todos da casa real e 
portuguezes, e no ultimo logar immediato ao palio o da Vir- 
gem Santissima da ConceÌ9ào guamecido primorosamente 
das mais ricas flore» e preciosas pedras servindo-lhe de pea* 
nha a lua sobre um dragào, vestida de gala similhante ao 
sol e na cabe^a por corca ou diadema doze brilhantes estrel- 
las deixando-se ver por entre as flores e mais omatos do an- 
dofr em varias targes os louVores da Senhora nestaia letiiàs — 
Dommus eastodit te ab omm m<do nom prò te helios (?) con* 
stUìUus est — Primogemta amte onmem creaturomi skut lUmni 
inter èpinojs-^^lhimpergressa est vmwrsas**^vuiii&da non e^ 
trite — Tu ghHa Jmisahm. {S} 



(1) Feito por José Nunes de Carvalho, sem compantieiros. 

(2) Quem acompanboa foram 24 soldados com silabardas por despreso dos 
da obriga^So— do corpo da nobreza — » . > t 

(3) Yarios andores feitos notoonveiitos d'està Cidade à sua costa. 



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1H2 ARCUIVO 0OS A^OBSi 

Para eoroa ile tao ju»tirve plauBÌvel jubìlo e mnior gitm- 
♦leza é magestade d'este triumpho eoronrà està ae^o o -mys- 
terio do amor qiie venevamos no Saìitissimo Sacramento do 
aitar precedidode ministi^^s è€c)e»ia8tì^O0 o^mais auctorisa- 
do8 do clero e religiòes com pluviae» e toehaa na» iii%0d;( 1 ) 
e no meio uni còro de anjo9 tocando ymiw instruntentos^ 
mas com a maioi* gravidack e moed8tia,(2) qiial a6 deye ao 
J?>enhor a quem avSSJKte, * 



Finis. 



Inperits do Espirilo Santo 
I 



Xést Doint de vgrìtable valeur 
qne eelle qui prend sa 8oui*ce 
ila^s la I^eligiosu et .cloins . la 
piété. 



nABBft4,ò»y , 



É oi>ìNlAO unanime entra todos q» estadistas, que non 
}>aÌ2es mais eultoa nao so sao auètorisadod, male até manti- 
do8 a expensas do governo, os diTeitimentos pvibUcofi^ corno 
vehiculos pnra a ei^isa^ao, e «oeiabilidade dbspovoi»;e para 
que estes depois das diarias fadigas gosein m>i folgares \ét 
dos momentos, que os reanimem aos futuros trabalhos. 



(lì Os Anjos nada levaram nas màos» 

(2) Sem mufticà aO Biiittif»iino Sacramento. 

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iitCHIVO DOS A90B£6 183 

Asfolias aoTEspirito Santo, com quanto paì^e^am ter tido 
«ma origem pagan no druidismo^ ou na supersticjao grega^ to» 
davia ella$ foram introduzìdas em Portugal e nas Ilhas dos 
Atpres com a maior devoQao e piedade. 

Antes de estabelecidos entre nós os Imperios do JEepirifo 
SantOj tinhamos as folias denominadas do Bispo Innocente; ^ 
as qnaes tambem foram solemnisadas em Fran9a, e eram an? 
nualmente com esplendor festejadas em S. Martinho de Touvk 
E posto que condemnadas no anno de 1260, todavia aìnda 
no seculo XVII as tivemos com grande pompa na cathedra! 
de Lisboa. 

Qelebravam-se desde vesperas, na segunda Oitava do 
Natal, e o menino do còro, mais novo, recebia o Bago-pontir 
ficai, presidindo depois a toda a solemnidade do dia seguinr 
te, chegando até a lanQar ben9So8. 

Segando alguns historiadores, e documento» que temo» 
à vista, foi posteriormente estabelecido o primeiro Imperio do 
Espirito Scmto^ com as suas populares folias, tendo tido seu 
principio na Villa d'Alemquer^ e sendo seus fundadores a 
Rainha Santa Izabel e el-Bei D. Diniz. 

douto Bispo do Porto, Fefnàm Coif éa de Lacerda, o 
elegante historiador da Santa Rainha assim se express^! 
« Depois de haver edificado em Alemquer urna Igreja ao 
Espirito SantOy no primeiro anno em que se fez a solemnidar 
de da coroaqào do Imperador, e com todo o luzimento, nS^ 
s6 chamou a nobreza para tornar parte neste Imperio^ que el- 
la tao piedosamente acabava de erigir, mas tambem convoi- 
cou pessoas de diversas jerarcUias . . /. Tanto que o ornatto 
da Igreja esteyè posto em sua. perfeÌ9ao, se disse n'ella, conji 
assistencia dos Rei^ e da Córte, urna missa officiadà eoi^ 
toda a solemnidade, e acabado o sacrosanto sacrificio, char 
mando os Reis a nobreza mais^ qualificada^ e parte da hò% 
gente da Villa, e seus contoitrnoB, que tinha assistido naquelr 
le religioso acto, Ihes enoommendou aquella casa, o que elleg 
tiveram por grande honra. ... e agradecidos às reaes re^- 
commendaQoes, porque os Reis, quando poem encargos com 
rogos, faziam mercés com os. rogos^ Ihes responderam, que 

V0l.I^N.-2-1878. DigitzedbyOòOgle 



184 ARCHltO DOS A9ORÈS 

elles promettìam, que por servÌ9o de Deos, e de S. A. trata- 
liam da conserva9ào d'aquella casa. . . Estìmaram os Reìs 
està pìedosa promessa da nobreza, e do povo, em que o povo 
igualoii a generosidade da nobreza . . . Ajuntaram-se as pes- 
soas, a quenl os Reis tìnham encommendado a Igreja . . . , e 
erigiram urna confraria (a primeira) em louvor do JEspirito 
Santo^ a que fizeram liberaes* doa^Oes. » (Hist. da Vida de 
Santa Izabel Raìnha de Portugal, pag. 185 e segg.) 

O Sabio D. Rodrigo da Cunha nos deixou urna pequena 
descrip<jao desta festividade, nos seguintes termos : — t No 
dia do Espirito Santo estava na Igreja de S. Francisco, em 
throno de baixo do docel, o chamado Imperador^ com coróa 
real na cabe^a depois de a offerecer no aitar, corda que a 
mesma Rainha Santa Izabel doou para tal acto: alem desta 
coróa havia mais duas. O Imperador era servido por pessoas 
nobres: e estando o successor do Reino em Alemquer, era o 
Pagem que levava a coróa da Igreja do Espirito Santo para 
a deS. Francisco. No Sabbado, vespera da festa, cercavam' 
a dita Villa com um rólo de céra bentfi, desde S. Francisco 
até à Igreja do Espirito Santo^ vindo em procissSo d'aquella 
para està Igreja. ( Hist. Eccl. da Igreja de Lisboa, Part. 2. 
Cap. 27.) 

Mais detidamente escrevera sobre este assumpto o Sera- 
^fico chronista Francisco Manuel Esperan9a. Escutemos este 
chronogi*apho. 

f No domingo pela manhSa entrava na Igreja do Conven- 
go de S. Francisco o que havia de servir de Imperador^ as- 
«istido de dois reis, e seguido de nobreza e povo, com tres 
pagens, que Ihes levavam as coróas (urna das quaes era a 
que deixou para a festa a mesma Santa Rainha) e sendo 
^stas oflEerecidas no aitar, um Religioso com vestes sacerdo- 
taes corcava com estas aos tres suppostos noonarchas, que 
assim coroados acompanhavam a procissSo — A' tarde sahia 
o Imperador da Igreja do Espirito Santo, com muitas festas, 
tròmbetas, e multidào de gente, com ftanas verdés nas mSos, 
e dois pagens adiante com a corca, e outro com o estoque; e 
asdim entrava na Igreja de S. Francisco. — O Sacristao ahi 



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AECHIVO DOS A^ORES 185 

dava ramilhctes a nobres, que dani^avaim cova duas donzel- 
lai^ honestissimas, que acompanhavani o Imperador, uà qua- 
lìdade de Damas, a titulo de se Ihes dar parte do dote para 
casamento. — Està mimica era precedida de nova coroa9ào : 
depois voltava o Imperador & Igreja do Espirito Santo, e 14 
depunha a coróa nas màos de um Sacerdote — Nos dois do- 
mingos s^uintes continuava a festa, e no ultimo durava 
muito pela noite, e por isso se Ihe chamavam domingo dos 
fqgareosj em consequencia das luzes. — As vesperas eram so-» 
lemnìssimas, e depois d'ellas se fazia urna aparatosa precisi^ 
sào, chamada da candèa^ de quem a mosma Santa Rainha 
foi autora; e sahia de S. Francisco acompanhada do um 
homem com umas madeixas de céra, de que ficava ardendo 
urna ponta no Aitar, e o mais se estendia pela Villa até che* 
gar à Igreja de Triana. — Determinou a Santa Rainha, que 
n'esta Igreja se enrolasse para servir nos officios diviqps 
missas; porém depois vieram a repartir a candea pelas Igrer 
jas da Villa, faj^endorse a procissap com a candea adiante até 
à Igreja do Espirito Santo, e là se benzia a carne o pap} 
qu,e no dia seguinte se havia de gastar no bódo . • ^ » ( Hist, 
^eraf. Gap. 37.) 

Nos reinados subsequentes nao ficou està festividade ex-t 
elusiva da Villa d'Alemquei-; ella se foi solemnisando n'outraìn 
Villas e Cidades, na córte dos.nossos Reis e, na capital da 
monarchia, no continente e no ultramar, nos Conventos e 
nos Tribun^ies. 

Por Alvarà de 25 de Setembro de 1666 fora confirmadd 
o conjpromisso da nova Conf varia do Espirìto Santo da Casa 
da Supplicaqào. E por Assento de 28 d- Abril de 1750 se de- 
terminou, que OS Advogados do Numero^ e os que tivessem 
Portarla concorressena para, a festa do^spirito Santo (Synop* 
Chronol. Tom. 2 pag- 120.) 

O author da Demonstraqào, Sistoinca da^ Parochia de -JT* 
S. dos Martyres de Lisboa^ seguindo quasi textualmente os 
precedentes chronistas, vai de acórdo com o Padre Graqay e 
nos dà urna idea dos sumptuosos Imperios que se faziam na 
VUla de Ca^caes^ e em Minas Geraes; aonde, segundo diz o 

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186 ABCHIVO DOS AgOB£A 

escriptor, era verdadeirameiite um absoluto desperdicio a 
despeza que se fazia — No Rio de Janeiro os Imperio^ do 
Espìrito Santo sao feitos com o maior luzimento. 

Sabemos que em Portugal contìnua a fazer-se com pom- 
pa o Imperio de CoUares, em que muìtas vezes serve de Im- 
perador um membrudo saloio: bem corno é pompozissimo em 
Lisboa o Imperio da Freguezia da Lapa^ aonde é Imperador 
um menino, que, em remotos tempos, fazia gra^as, dava ti- 
tulos, e comprava degredos menores, corno nos assevera um 
erudito archeologo* 

As Freiras da Esperan<;a, em Lisboa, tem, ( ou tiveram ) 
um privilegio^ que nos disseram concedido em tempo d'el-Rei 
D. Fedro li, do peditorìo para e^ta festa. Cometa elle desde 
a Pascoa, por hómens, à imita^ào dos 'Folides que ha n'estas 
ilhas, a quem as ditas Religiosas o vendem até à epoca do 
Espirito Santo; e andam pedindo pelas portas com bandeìra.8, 
e gaitas de foUes; e em outro tempo (ainda em nossos dias) 
tambem levavam tambor, o que ora està prohibido, nSo sa- 
bemos o fundamento. 

A devo9fto dos povos pelo Espirìto Santo nao fera s6 em 
Portugal que levàra a sua solemnidade ao mór esplendon 
Se urna Santa Raìnha estabelecéra entre Portuguezes os 
fmpenos do Espirito Santo^ e as suas folias; um Rei christia- 
uissimo crìàra em Franca urna ordem e milida do Espirito 
Santo. 

Em 31 de Dezembro de 1578 -Hewng^i^e /// institulra em 
Fran9a a ordem e milida denominada do Eypwito SantOj 
para memorar tres grandes acontecimentos no dia do Pente* 
costes^ que elle nSo podia ser indifferente: — O seu nasci-» 
mento; a sua posse da corèa da Polonia; e a sua 'eleva<;ao ao 
throno da Franca. A ordem era composta de cem cavalleìros, 
que uzavam de urna cruz de Otero, laiMjada ao pescoso, e pen- 
dente de urna fita azul celeste. 



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. J0CBITO DOS Jk^OSSS IST 



II 



A corca e scettro cxaltermw 
Ilo girande J5*ptWte Scmto^ 
Cora iÌ6ToCÌ£»iino canto 
De Deus o nome invoquemo»? 
Pela coròa ei^ereiin>», 
Ber coroados na gloria^ 
Temos no sceptro a memoria 
Do poder qne eile em nós tem> 
Por este sceptro ae ebtem 
Dos ìnimigos Victoria. 



J. ^ Sv 



À RAtNHA Santa Izabel cercada das gi'andezHS>f do fausti)^ 
e d'abastafìQa ìnherente & magestade^ nSo se olvidara do« 
pobres, d'essa parte desgra<^da dos seus «ubditos^ que co*^ 
bertos dos humildes andrajoé, e coni a escudella aguaida^ 
vam o pao da charidade óe portaiias dos conventos e itiostei<- 
ros* 

Para essa classe des valida passavaim desapercebidos os 
festìns do anno que os deixàra; beni comò os do anno que 
era vindo: mas a piedosa Soberana, amante do seu povo^ 
quiz que os pobres tambem uài dia se banqucteassem^ qui» 
que tivess^n um dia jubiloso, um dia de festa vei'dadeira- 
mente popular, e no qual entre os canticos da Igi^eja resplan* 
decesse a cfuitidade^ està vìrtude social, que eleva a ReligiSo 
do Cruxificado sobi-e todas as outras* ^ 

A religiosa rainha praticando està virtude a exemplifica- 
va; descendo do dourado solio esmolava os neeessitados àH 
portas do seu palacio; sobre a rossagancia da pui'pura ella 
leva o rega9o de pao que pessoalmente distribue aos pobres. 

Historiadores referetìi, que elRei D. Diniz encontrando a 
augusta esposa em urna d'estas occasiòes, Ihe perguntàra, 

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18$ ASCHiyO DOS AC0RE8 

qiie tinha occulto no regalo, ao que ella respondera — Bosas 
Senhor,^ Rosas em Janeiro, replicou elBei, corno é possivel ? 

E descobrindo a raìnha o regalo, appareceram rosas. 
Ilist. Ger. de Port. por D. A. de Lemo» Tom 4 pag-. 136.) 

Aos nobresj aos abastados, e aos plebeos a Santa rainha 
houve por niuito recommendado, que continuassem a festa 
do Espirito Santo y e o hòdo aospobres'^ por quanto este acto 
charitativo era proprio de portuguezes, pois que.de portugue- 
zes sempre fora a religiosìdade urna das suas fei^Ses mais 
camcteristicas. 

Estes principios passando inaltei'avelmente de dynastia 
em dynastia fizeratn com qlie o egregio Infante D, Henrique, 
depois dos primeiros deseobrimentos das Ilhas dos A^ores, a 
elle devidos, concedendo a Donataria dellas recommendasse 
aos seus povoadores -^ « que tratassem de povoal-as compes- 
soas da Fé.CcUholica, ( Vid. Hist. Ins. do Padre Cordeiro.) 

E nao ha para duvidar, que taes eram os sentimentos das 
familias que povoaram ajs ilhas d'este arcbipeìago; suas fun- 
da96es e in8tituÌ96es piedosas de sobra o provam. 

É pois verosimil, que os Imperios do JEspiri^o Santo nSo 
tbssem estabelecidos nestas ilhas mnitos annos depois dog 
primeiros da sua coloni sa^ao. Sabemos que sendo um dog 
primeiros capitàes Donatarios da lUia de Santa Maria, Pedro 
Soarès de Souza, jà aji se faziam estas festividades contri- 
buindo elle nao pouco para o bódo aos pobre»; e mais tarde 
edificaram urna Ermida ao Espirito Santo, que boje e Paro- 
chia. Sabemos que em Angra, ( sendo ainda Villa ) j4 pelos 
anuos de 1492 se fazia um esplendido Imperio^ entfio deno- 
minado dos nobres^ tendo urna Ermidinha com a invocagao 
«do lispiriio Sanio^ e d porta d'està davam o bódo; superin- 
tendendo éepois nesta festividàde a Santa Casa da Misei'i- 
«x)rdia, Sabeaios por documento do anno de 1523, que mui- 
tos annos antes deste havia Imperios na Villa da Praia da 
ilba Terceira com- grande bódo, sahindo o Imperador da 
.Casa da Misericordia da dita Villa. n 

Na carencia porem de documentos, que nos provem em 
4jue epoca se estabeleceram os imperios do Espirito Santo na 



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AKCHH^O DOS A^W^B 189 

ilha de S, Miguel, posto qxye provHvel seja que coinc^assem 
em Villa Franca do Campo, por ter sido a primeira Villa 
desta ilha, apenas podei-emos marcar o anno em que se es- 
tabeleccu o primeiro ImpeiTO na Cidade de Ponta Delgada, 
o qaal tomou a denomina^ao de Impeì'io dos noh^ee^ porque 
tiobres crani os que o erigiram. 

Do seguinte Assento se exhibe a origem do supracìtado 
Imperio; e de outros iirefragaveis docnmentos niostraremos 
as vicissitudes por que passàra; porem, vencendo todas^ elle 
chegou a nossos dias com o esplendor proprio de quem o 
mantinha. 

f Em OS quinee dias do me» de Novenibro deste presente 
anno de 1665, em o Consistono da Santa Casa da Miscricoi'^ 
dia^ estando etn mesa redonda o lioenciado Antonio Pacheco 
Ozorio, Provedor, e Conselheiros, se propo» pelos devotos 
do Espirito Santo^ a devo9ao que tinham de que houvesse 
Irmandade em està Cidade, corno em todas as ilhas hdy e em o 
Reino, elegendo imperador, e mordomos e mais pessoas para 
o tal ministerio: e que pediam ao Senlior Provedor, e Conse- 
Iheiros Ihes teoncedessem licen<;a para na Igreja desta Santa 
Casa se fieesse: O que ouvido pelo Provedor, e Consellieiro» 
tieram a licen<ja pedida; em fé de que ivi, éste assento, que 
assignaram comigo Escrivao JoSo Alvares Lordelo, — O Pro- 
vedor — Ozorio — rDuarte NeumSo Sanches. — Manoel Pa- 
checo de Mollo. — Francisco Rodrigues Can-asco. — » (1) 

Confeccionaram o compromìsso, e impetraram a licen<;a 
do E^m.** Bispo; mas, por motivos, talvèz de difficil explica- 
^So, so dito annos depois é que teve lugar a primeim corca- 
fjSo, em 9 d'Abril de 1673, 

Este anno^ calamitozissimo para a illia de S. Miguel, pela 
mortifera epidemia, que levài*a à sepultura ccntenares de 
pessoas de todos os sexos o idades, avirou o ferver e devo- 



(1) Extraliimos està Hoticia de Um livro antigo mie tem por titolo = Lìvro 
dos assentos que se fazem n^esta Santa Casa da Misericordia para mdhor servilo 
d*eUa^ na forma do Coropromisso feito em o anno de 1663, sendo Provedor o 
ExmJ^ Sr, Conde da Villa da Kibeira Grande D. Manuel da Camara &. Està o 
citado documento a f. 18. 



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190 JIRCHIVO DOS 1(*C[SC9 

i;a.o do» devotos do Esph^o Santo, e o que nao verifiearatt 
em annos, effeituarani em poueos dia», estabeleeendo defilai- 
tivamente o seu Imperio na Cidade de Ponta Delgada, 

Como Ì8to acontecei^a nol-o refere escriptor fidedigtio. 
Eia aqui o que elle escrevera. tO aniK> de. 1673 ^ mais in- 
lansto que hcmve n'e»ta Cidade de Parità Delgada para o& 
seu» moradoreB, foi o que Il»e ficou o noiae, por antonoinazia 
—0 anno das doencas^ pelas muita» que hoave, etSo mortaes 
que causavam grande trabalbo aos vivos entenar og mortos* 
que da» doen^as niorriam, que eram tantos, que naO caben- 
do nas sepultura» de dentro das Igi'eja», o» «epultavam jà 
pelo» adros djellas; e eram tanto» os enfermos, a que visitava 
o Santissimo Viatico, que sahindo das Igreja» pela manhàa 
muito cedo, »em que fosse a casa determinada, entrava em 
tantas, que sempre se recolhia de tarde, se j4 nao era de 
iioute ..... Foi executado este doloroso castigo da Mao Di- 
vina pelo tempo da quaresma: e vendo-se os moradore» desta 
Cidade un» castigados, e todos ameaijados (que »upposto 
bem o mereciam pela» suas culpas, comtudo para, o senti- 
mento mui pesadp ) recorreram a querer aplacar a Divina 
Justiija com procissoes, e ladainhas de preces, e outras devo- 
fjoes: e sem embargo de nào cessarem de por estes meios con- 
tinuamente pediiem a Deos miseiicordia, continuava a espa- 
da da sua justi^a em cortar os fios da vida a mais de vinte 
pessoas cada dia^ com agudissimas pontadas, que era a qua- 
lidade das mortifera» enfermidades. » 

• Neata tao espantosa Gonsterna9ao recorreram o^ ^e^soas 
ììiais nobres d^esta Cidade^ à Terceira Pessoa da Santissima 
Trindade, o Divino Espirito SantOj e ae alistaram em nume*- 
rosa Irmandade, lazendo o Imperio da Misericordia, a que o 
vulgo com razào chamou o Irrwerio dos npbres; porque se 
pelas melliores obras se alcan9a a melhor nobreza, é certo 
que està illustre Irmandade fez uma das melhores, e por isso 
ficou sendo da melhor nobreza, porque com se ìrmanarem 
com o divino amor os que jà eram Lmaos da Misericordia, 
conseguiram està do recto juiz para os aiflictos, e angustia- 
dos moradores desta Cidade. — Foi tao estupenda a mara- 



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ABCmVO DOS A90RE8 191 

vilhft, coiii qtìè o Espirilo Sahto levantou o àssòutè da ago- 
nisante Cidade que a todos foi manifesta. — * Ohegòu o pri^ 
meiro Sabbado depois'da Pascoa, vespéra do primeiro dò- 
mingo do Espirito Santo, e mesmo foi ouvir-Ȏ pelas ruas 
o taiUbór da folia do Espiritò Santo, que o seu tòm afugen- 
tar as malignas enfermidades em tal forma qne se observòU 
que nenhuma pessoa màis ^'ellals adoeceu; e o grande nu- 
mero das que até aquelk ponto estavam doentes, e as tnais 
nos paroxismoB da morte todas cobraram alentos de vida, e 
em breve tempo todas convalesc»am sem que coéstàsse mor- 
rer d'aqueUas doen^as d'aquelle dia por diante nenhuma^es* 
j^òa, sondo atéesse mui raras as que d'ellas esòaparam eom 
TÌda«» 

f Bara maior testeniunho d'este portento, permittiò o divi-, 
no Espirito. Sxmcto que na Segunda feira da Pascoela, can- 
tando-se Missa do Espirito Sancto no aitar de S. Boque na 
Matriz desta Cidade, em àc^o de gra^as, e fazendó-se festa 
e seiTTiao, a tudo quiz assistìsse urna pomba, forma em que se. 
pinta està divina pessoa, que stando & vista de todòs, pòu- 
zada parte do tempo sobrie o pulpito , e parte ^obre. o friso 
de urna casella, a tudo asairftìo e, dèpois de tudó èoncluzo, sa- 
hio por urna fresta da dita Igreja, -que podendo ser isto aca- 
zo, é para sé fazer cazo, e grande reparo que nuncà se fisse 
naquella Igreja nem antes, nem dépois semèlhante pomba. 
Em memoria deste successo se celebra todos òs annos urna 
missa cantada no dito aitar de S. Roque em o dito dia, a que 
nos prìmeiros annos se ajuntava grande numero de assisten- 
tes ( Està é a festa denoniinada da Pombinha. ) Em signal de 
agradecimento de tao grande mercé continuara.m com gran- 
de devo^Sò aquellefe nobres e primeiros Irmaos o Imperio, 
que em memoria della erigiram. » ( 1 ) 

Quatro lustros durou o imperio, coroa9ao, bódo, e festa 
do Espirito Santo, da maneira a mais pomposa; porem, senao 



por 



(1) Copiàmos textualmente estas noticias de um livro manuscripto que tem 
titmo — Liyjo qne ha de servir dos assentos das pessoas que sentarem por 
Irmaos do Spirito Santo, e sortes que sahirem no Imperio, que notamente se erige 
na casa Santa da Misericordia este anno de 1732. Vide f . 1 a 5 

Voi. I - N.« 2 - 1878. Dig,,ed by ©OOgle 



192 ARCHTVO DOS A^OBBS 

por qué diminuirà o ferver da devo^, esquecidos da origeni 
do Imperio, cremò» que abuso», excesi^os, e ostentosòs capri- 
ch^s obBtoram à continua^ao do aparato com que originaria- 
mente se fiizìa està festiridade. Assim nos induz a crer os a»- 
^enfos exarados em 20 de Janeiio de 1693, e 10 de Maio de 
1730. 

e Em Jimta de 20 de Janeiro deste presente anno de 
1693 se propoz que moiTera olmperador do Espirìto Sancto, 
e qué vista a falta provessem os Srs. corno se havia haver na 
fun9ao do Imperio: e resolveram todos, que nSo houvesse 
Imu^rador, e que so fosse a corda, o sceptro em um prato de 
pr«la, que o levaria sempre um InnSo entre varas, comò hia 
o Imperador, que sera o que saliio por Trinchante, e semjare 
sàHIr4 désta casa, e nella se recolherà: e no dia dio S|>irito 
Sento, se fdoA o mesmo throno, e nelle um aitar, e nelle a di- 
ta coì^a 6 sceptro: e as esmolas, ou pensOes, que se tirarem 
se repartirao pelas mezas, para se dar de corner aos pobi'es, 
para o que fiz efete termo, que todos assignaram comigo Es* 
erivao dà casa no presente anno o escrevL Francisco Munis 
Bapozo. — O Conde- •— Antonio Borges da Costa. — André 
Dia» de Medeiros* — André da Ponte de Soùza. — Antonio 
Martina Macliado. — Luiz Pereira. — Jordao Jacome Baipozò. 
— Antonio Femabdes Teixeira. — Gaspar de Medeìros da 
Oamara. — ' > (Estào mais dezoito assignaturas de outros Ir- 
maos, que assistiram a està Junta Geral. ) 

Voltaremos ao assumpto, que o tempo em que vem a lu- 
me é o mais proprio. 

J5. J. Senna Freitas. 

(Revista dos Agores, tomo i.% pag. 18 e 86.) 



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ARCHIVO DOS A^ORES 193 



Mar de Baga. 



Àssim chamou, André Bianco no seu — Mappa de 1436 — 
ao mar de sargasso, a oeste dos A9ores. O Barao d'Hum- 
boldt ( 1 ) diz, que o nome de Boga se deriva do da Villa de 
Vago», ao sul d' Aveiro, outróra muito florescente, e que por 
isso tem aigùns ( 2 ) querido traduzir aquella expressao por 
— mar fì'equentado pdos maritimos de Vagos. — 

Os portuguezes porem nao precizam procurar muito para 
conhecer a verdadeii'a significalo da palavra haga, sem que 
eare^am derivai*^ de nenhuma outra. Baga, segundo Moraes, 
sigtiifica — ^ fructos miudos similhantes a bagos de uva, qìie 
duo OS murtas^ loureiros, & ; o nome pois, de mar de baga, é 
mmtto apropriado pela similhan^^, que as vesiculas das algas 
ìnaritimas, tem com os bagos d'uva. As liastes d'estas plantas 
pai*tindo do iundo do mar attingem a sua supei-ficie em vir- 
tude d'estas dita, que comò pequenas boias as fazem emer- 
gir, e ao mesmo tempo Ihe servem de suporte, no seu compri- 
mento de muitos centenares de metros. 

A similhan^a é perfeita nas especies/wct^s natafis^ e fucus 
bacciferus, de que é formado pela maior parte o mar de sar- 
gasso. 

O mesmo autor diz a pag, 91, que os Portuguezes tam- 
bem chamavani ao sargasso — uva do mar e uva dos tropicos — 
o que confirma o acima exposto, e encaminha o espirito, & con- 
clusSo, que os portuguezes jd antes de 1436 tìnham navegado 
até ao mar de Baga! So assim Ihe podiam por um nome por- 
tuguez ! 



(lì Tòmo m pag. 88 do Examen Critiqut. 
(2) Formakom, Nautica dti Venetsiani pag. 48. 



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194 ARCHIVO DOS AgOSES 



Brazocs dlraias das Ilbas de Sr ligiel e Tereeirar 

Francisco Coellio, Rey d^armas da India, no seu Thozotc- 
ro da Nóbrezaj volume de peTgaimnho cm folio existente na 
Torre do Tonibo — a foL 10 diz ; 

ArMAS da IlHA de B. M|6U£1« 

A saber em campo de prata, xxm S. Miguel ^om a eèpàda le- 
vantada e na mào esqiierda a balan^a da justifa^ beando 
aos pés Satanazr 

Arh AS DA Ilha Terceika 

Urna crtiz^ rermelha ( cruz de cliristo) em! campo de pra- 
ta^ com doig A^ores um de cada lado da baee da eruzr 

Em 1584 a Camara da Cidade ^* Angra UBara de xm sello circnlaf de 43 
mìnìmetros de diametro, tendo no centro fima cruz corno a da ordem de ennsto, 
ff na orla — DA SIDADE d'Angya^ 



• -»'v^A;V^AAA>X'^AA/w%- r 



EXPEDIENTE 

O AiiCHI VO DO^ A.^OB.£!S cmeoutrou ett^ »e^ 
\km eollegfciis ciò Joi^Aàltemo o mate fSa^oirftyel aoollilr 
tiientOf e de inulto» recet>eti llsozug^eliras defnoiicsti:*a« 
9oe» de l>pa coiii!rcLtei*siicla.de« 

f^€iltax4a, a am d^vei* se delxzasse eie consi^i^ai* a 
expi*esrs&o do matto qae os i-edaetofes desta ìpal>li« 
cà^ao se' aeliàm veeoitlieeidos aos eolles^as dos Ajqì>^ 
ires e do Ooiitiaente tK^r" aetos de delieadesa. qae so- 
t>i*eiiiodo penlioi-aiu Ramato jpoder^Lo sex* eiSMiueeldos* 

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ARGmVO DOS ADORES 



Francisco Afibnso de Cliaves e Mello, 
e seus escriptos. 



Registamos hoje nas paginas do ARGUIVO a noticia de Francisco 
Àffonso de Chaves e Mello, a quem, por seus escriptos, pertence dis- 
tincto legar entre os iìtterato$ A^orianos. 

Era naturai de Ponta-Delgada, nasceo em 1685, e morreo em 174!. 
Adminìstrou os vinculos que usufruio seu bisneto Francisco Affonso 
da Costa Chaves e Mello, urna das nossas illustra^oes patrias, que foi 
Governador CivìI d'este Districto, e Deputado às Cortes pela liha de 
S. Miguel em 1834, e n'outras legislaturas posteriores. 

Fo! Capitao de Ordenan^as em Rasto-de-Cào, Juiz e Contador da 
Fazénda Real em Pont^rDelgada. 

Seus escriptos tor^m'^ Margarita Aninmda — ou biographia da Ve- 
neravel Margarida de/chaves, que seguio de uma — Descripfào da 
llha de S. Miguel — pu^licados n'um so volume em Lisboa em 1723. 

É uma publica^ao de reconhecido merito, que se vae tornando ra- 
ra, e é do nosso dever archivar aqui para commodo dos leitores. (1) 



{IJ Em louvor e obzequio no mitor Ike faram dedicados os seg^ùntes mnetos, im- 
piessos no principio da volmne : 



SONETO 

De Fedro Borges de Nedeiros do Canio. Àmigo do 
Autor. 

Este Thesoui^o occulto, descuberto 
vejo agora por vessa mào acliadOj 
Se até aqui o mundo o vie fechado, 
Por vós illustre Chave o \é aberto. 

Que discursando em ludo com acerto, 
Fazeis ser vesso estylle sublimade, 
E se illustraes, perque sois illustrado 
Merece ser illustre e vesso affecto. 

Por vessa penna veja e mundo escrita 
A virtude mais rara, e descuberta, 
E que a Uba fei coucba, em que se cria. 

niustrada em virtude a Margarita 
Por vossa màe cem preza tàe discreta, 
Que vesso mesmo lustre a illustraria. 

Voi. I— N.«3— 1879. 



SONETO 

Do Padre Fedro Soares de Mello. Tio do 
Autor 

De Sàe Miguel ne campo escendida, 
Achastes Chaves, uma Margarita, 
Que cem vesso valer mais se acredita, 
Para sahir ne pre^e mais subida. 

Per sangue, e per virtude cenhecida 
Em tede e mundo brìllia por bemdita; 
Perem sende por vessa màe escrita; 
Parece fica mais esclarecida. 

Negociader festes diligente 

Ne buscar desta Perela um Athlaiite: 

Cem letras e cem zelo muito ardente. 

Unico seis sem entro semelharite 
Vinde a descebrir uè Occidentt» 
Oriente de luzes tàe brilhante. 

i 



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196 ARCHI VO DOS ACORES 

Està obra revela iic^utor variada erudicjao, 'e vaj<to estudo dos 
classicos do seu' tempo, e dos' dois seculos ahteriores; pois- seu estylo 
correcto e vernaculo, participa muito da linguagem em qiie escreve- 
ram Fr. Luiz de Souza, Jacinto Freire, Bernardes, e outros talentos 
que'floresceram de 1500 até ao tempo do autor. 

Era trisneto de Leonor de Ghaves, irnia da Veueravel Margarida de 
Chaves. 

Seria iitil transcrever aqui a obra completa; mas iiSo o permit- 
tiudo OS limites marcados ao ARGUIVO, vamos dar em synopse a ex- 
tensa biographia da Veueravel Margarida de Ghaves,' escripta pelo au- 
tor, e, iia sua integra, a DescripQao da Illia de S. Miguel corno ell<* 
a escreveo e publicou, sem alteragao alguma. (1) Prevenipios desde jà 
nossos leitores de que, n'esta Descripgao da Uba de S. ^Miguel, em 
refereucia ao nome e descoberta, ha hgeiras inexactidoes historicas e 
chronologicas, a que porventura nao attenderam os escriptores con- 
sultados pelo autor, mas jà rectificados n'este ARGHIVO a paginas 8i 
no artigo intitulado: — Vcrdadeira (higem do nmne da liba de S. Mi- 
guel, e epoca do seti descohrmento, — devido a penna do sr. Dr. Ernes- 
to do Ganto. 

Seguindo portanto a narrativa do nosso eximio escriptor, jjassa- 
mos a recopilar a paite que elle intitula:-r-i4 Margarita armnada. Idea 
Mmvl, Politica, e Historica dos Tres Estados, Dincursada na Vida da 
Veneravel Margarida de Chaves, 

Entre os heroes, que, em M60, immortalisaram seus nomes con- 
(|uistando aos mouros dominios de Hespanha, existiram dois irmàos, 
que tomaram e realisaram a empreza de libertar d'aquelle jugo a vil- 
la de Ghaves em Portugal: foram Garcia Lopes e Ruy Lopes, que. 
para si e seus descendentes, tomaram o brazào e'appellido de Chares, 
Do mais mòco d'estes dois irmàos descendeo Affonso Anes de Ghaves, 
que da refenda villa velo a està ilha em 1524, e casou com Magdale- 
na Fernandes, de illustre linhagem. Sao estes os paes de Margarida 
de Ghaves, que nasceo em 1530 em uma casa, que depois foi substi- 
tuida pelo teinplo da Santa Gasa da Misericordia, na rua d'este nonif^, 
entre as ruas do Aljube, e Valvenie n'esta cidade. (2) 

(^reada e educada por seus piedosos paes na moral santa do Evan- 
gelho, e nos preceitos da Egreja, possuio-se tanto seu coiagào d'a- 
quella celeste doutrina, que todos os actos da sua vida desde o beici» 
a recommendam corno o mais privilegiado e frisante exemplar da pra- 
tica austera de todas as virtudes sublimes do Ghristianismo, nos tres 
estados por que passou: de donzella, de dama casada, e de viuva. In- 
do que autor da sua biographia diffusa e minuciosamente refeie 



(1) Exceplo na ortograpliia, em que se substituiram os— yy— por— li— , al- 
j(un8 acceiitos, etc. 

(2) Anlra-se ali hoje edificado o .palacele da farailia Bea Saudc. 



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ARCfilVO DOS ACORES 197 

*le Ukìos OS actos da sua vida sem mancha, é quanto humanamente 
[HMie santificar mn nome protegido pelo cec? com urna fé viva, espe- 
ranga Arme, e caridàde ardente n'uma escala maraviihosa. 
. Nutria, pronunciada dedicagao pela vida monastica, e para està a 
aUrahiam os seus mais ardentes desejos; porem, mais por ol)ediencia 
a seus paes do que por impulso proprio do seu corafao, desposou 
aos li annos Antonio Jorge Correa, fidalgo da cidade do Porto, des- 
candente dos Souzas, e Corréas de Portugal. D'este matrimonio nas- 
ceram tres filhos, e urna filha. 

Na idade de 26 annos, e 12 de casada, enviuvou; e acceitando es- 
le estado com heroica resignagao e conformidade, moldadas pelas ins- 
j>iraeoes^ do Christianismo, tomou a peito a educagao de seus filhos, 
jà doalrinando-os na religiao santa que exemplarmente professou, e jà 
inaiidand(M)s cursar a Universidade de Coimbra, depois de estudos 
preliifìinares. Conservou em sua companhia a fdha por nome Maria 
Correa, de[)ois religiosa no mosteiro de Santo André d'està Cidade, 
r,aiii nome d^ Madre Maria da Trindade, fiel imitadora das virtudes 
maternas. 

Dos lìlhos que cursaram à Universidade, formaram-se em Canones 
Manoel Jorge Correa, abbade de N.* S.* da Atalaya em Pinbel, Bis- 
pado de Viseu; e Goncallo Correa de Souza, que, juntamente com 
aquelle seu irmào, activamente promoveu depois a beatitìcafào de sua 
virtuosa mae. 

Morreo em 8 de Setembro de 1575 mm o jubilo e tranquiilidade 
de quem entrevé o ceo corno premio de uma vida pura. Sic trans it 
jmtm ! 

Seis annos depois, em 1581, veio a està ilba o jesuita Padre Fran- 
cisco d'Araujo; e ouvindo a notavel historia de data tao recente, que 
no publico corria, das- virtudes d'està Veneravel Matrona, reqibereo a 
D. Pedro de Castillio, ent3o Bispo d'estas ilhas, summario sobre sua 
Vida exemplar; ao que o Bispo deferio, encarregando dessa diligencìa 
Deao da Sé, Luiz de Figueiredo de Lemos, entao visitador em S. Mi- 
guel, illustre filbo da Uba de Santa Maria, e mais tarde Bispo do Firn- 
chal. Comegou o inquerito n'esse mesmo anno, mas foi interrompido 
e suspenso, porque o Bispo largou a Diocese para ir occupar um eie- 
vado cargo em Lisboa. 

Seu sucxnessor, D. Manoel de Gouvéa, mandou continuar o summa- 
rio a requerimento do filho da Veneravel o Licenciado Manoel Jorge 
Correa; e concluido este, se Ihe juntou um, levantado em Coimbra pelo 
Dr. Fr. Antonio de S. Domingos por commissao do Cabido da mesma 
Cidade Sède vacante, e outro, levantado pelo Bispo de Viseu D. Joao 
(le Bragaufa, e ambos promovidos pelo mesmo Licenciado. Conclusos 
OS autos, e ouvidas todas as competencias e autoridades na materia 
segundo o estylo, sentenciou o refendo Bispo d'Angra em 27 de Mar- 
co de 1586, julgando a santidade de Margarida de Chaves; e mandan- 



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198 ARCHIVO DOS AfORES 

(lo dar d'este documento copias authenticas a seu filho Manoel Jor- 
ge Correa, a firn de eoin ellas reqiierer ao Papa Xìsto 5.^ a canoiùsa- 
Qao de sua mae. 

Comecaram entao a niover-se e einpenhar-$e alias inlluencias a 
expensas do Licenaado Manoel Jorge Correa para a beatificaQao que 
pretendia; porem, é notavel a serie de personagens de alta cathego- 
ria, que o terceiro filho da Veneravel o Ltcenciado Gonzalo Correa de 
Souza, fez interessar n'este empenho, nao so para obter a valiosa in- 
tercessao do Cardeal Alberto, Archiduque d'Austria, senao tambem 
para conseguir para si poderosas r(fcommenda<;;5es em Portugal e Ro- 
nja, onde pessoalmente foi promover e advogar està pretensSo. 

Para com o Cardeal Alberto, em seu patrocinio e da sua cauza, 
no Reino, e junto da Sé Apostolica, conseguio interessar todos. os Bis- 
pos de Portugal, das ilhas, Cabido de Coimbra Sède vacaMe, Camaras, 
corpora^s de beniflcencia, titulares, grandes de ambos os sexos, da 
Peninsula e outras [)Otencias. Foram quarenta e seis as recommenda- 
coes de tao variadas e influentes origens, coroadas pela resolufao de 
Filippe III, decretando em t6H que se jiuitasse o requerimento a ou* 
tros feitos para identicas beatiflcagoes, e que o Provedor Cerai d'ellas 
solicitasse tambem està em Portugal e Roma, observadas as forma- 
lidades devidas. Por sua parte, escreveu ao Papa Paulo 5.®, aos seus 
representantes, e agentes junto da Curia Romana, empenhando*se pelo 
feliz exito desta canonisa^So, e recommendando o filho da Veneravel, 
requerente n'esta pretensao. 

Patrocinado assim este negocio, apresentou-se em Roma o Licen- 
ciado Gonzalo Correa de Souza a solicitar o boni exito das suas as- 
pira^oes, tao malogradas, que nunca obtiveram resoluQao aiguma; e 
fél-o com tao ferrenha tenacìdade, que D. Francisco Manoel de Mello, 
na sua Carta de Guia de Cmadm, diz que, tendo o Papa Paulo 5.® en- 
tregue a causa da beatiflcacao de Margarida de Chaves a certo Car- 
deal, este andava tao temeroso do requerente, filho da Veneravel, que, 
em vendo, fugia d'elle; e succedendo um dia chegar a faliar4he, o 
Cardeal multo enfadado respondeu-lhe : « Senhor, nào nos mncemm 
em provm de santidade de rossa màe; pnwai sónumte qm vos soffreu, e 
Papa a dedarara Ioga por santa,y> , 

As pertinazes instancias do interessado, e a lista das recomraen- 
dagoes de que usou, justificam està resposta. 

Aqui concluimos o extracto da biographia da Veneravel Margarida 
de Chaves, e das infructiferas diltgencias empregadas para a sua ca- 
nonisàQ5o. Segue a — Descripmo da Ilha de S. Miguel — na sua integra, 
comò a promettémos. 

- J. P. d'Aìjieida.. 



^=^C.-^'S>-E>=^ — 



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ARCHI VO DOS AfORES 499 



DESCRigAO DA ILHA. DE S. MIOUEL. 



Como nas leis do priinor he o mesmo o prometter, que o execu- 
tar, nao he razao que falte ao que prometti no principio da Vida d'es- 
tà animada Margarita, que foi o rezervar para este lugar a descri^ao 
desta famosa Itha de S. Miguel; e corno jà dei noticià do seu desco- 
brìjmento, por nao tornar a repetir o que fica escrito, (i) trato se- 
mente agora das suas povoagoes, e casos notaveis, que nella tem suc- 
cedido. 

He a Cidade de Ponta-Delgada a <cabe(a de toda a liha; toma o 
nome de ttma ponta, que a terra lan?a ao mar da parte do Sul, seis 
iegoas distante da dos Mosteiros, que fica ao Noroeste, -e doze da Vil- 
la do Nordeste, que fica na ponta de Leste. No principio da sua erec- 
<;ao foi lugar^ e comò o sitio fosse bom, foi crescendo nos moradores, 



(1) A parte a que o autm^ se f efere impressa de pagìnas 3 a 7 da Vida da Ve- 
nermrl, é a seffuinte: 

Creou Author da natureza a famosa Ilha de S. Miguel no Oceano Occiden- 
tal, eui altura de trinta e oito graos e meio, distante de Setuval 230 iegoas^ que 
Ihe fica a Leste, e 790 das Vìrgineas, que Ibe ficao ao Ceste. He renhida opmiào 
entre os geographos, a que parte do mando pertence, e deixadsm as varias opi- 
TìiOfts, que n^ta materia ha, a mim me parece servir de padrao, e diviza, que 
separa os fins da Europ dos dsi America, porque se fizermos dois globos, em 
qu^ dìvidamos o munao, bum que contenna em si a America, e o outro as 
mais partes do mundo, acharemos que fica està famosa Ilha, ou ameno Vergei de 
Fiora debaixo da linha espherica, que divide a Europa da America, comò darà, 
e evidentemente se ve de todos os globos terrestes, ou mais mappas geraes de 
todo mundo: querendo Deos, que so està tertil, e populosa Ilha fosse a aue dì- 
vidisse e demarcasse a estas duas partes do universo; corre de Sueste a Noroes- 
te. Tem de longitude dezoito iegoas, e de latitude em partes cince, e na mais an- 
gusta duas. 

Foi descuberta por Frey Gonzalo Veiiio, Commendador de Almouroi e Capi- 
tao da Uba de Santa Maria,lpor mandado do Infante D. Henrique fìlho de EiRey 
D. Joao Primeiro deste nome, governarido estes Reinos de Portugai o Infante D 
Pedro na menorìdade de seu sobrìnho ElRey D. Affonso Y, no anno de 1444 em 
8 de Maio, dia do apparecimento do Archanjo S. Miguel, e sendo acaso neste dia, 
parece foi providencia, e altissima providencia da Divina Sabedoria, pois tendo 
creado està Uba para Princesa das outras Qhas suas circumvisinhas, quiz, que o 
seu descobrimento fosse no dia do Wncepe da milicia celeste, para que toman- 
do delle o nome, ihe servisse este de estimulo para desempenbo *da sua prima- 
ria, e superìoridade às mais Ilhas circumvisinhas. 

Tomaram terra os liossos Argonautas, e novos descobridores no iugai*, aon- 



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2(H) ARCHIVO DOS AfORES 

(|ue senclo jà iniiitos a seu requerimento a fez Villa no anno de 1499 
EIRey Dom Manoel de feliz memoria, e por se perder a Provisao re- 
novou mesmo Rei a mercé em 28 de Maio de 1507; em 12 de Ju- 
nho de 1«^28 mandou passar a Alfandega de Villa Franca para ade, 
Ponta-Delgada por ser porto de maior negocio. Foi o primeiro Juiz do 
mar, e Contador qiie houve na liha — Diogo Nunes Botelho. 

ÉIRey Dom Joao III de seu motu proprio a fez Cidade estando em 
Almeirim, de cuja mercé mandou passar Alvarà em 2 de Abril de 
154(5 e ElRey Dom Feìippe o Prudente [)rimeiro em Portugal atten- 
dendo aos servifos, que Ihe haviao feito llies concedeo os privilegios 
da Cidade do Porto por Alvarà passado em 12 de Dezembrode 1582. 
Ile lioje mui populosa; tem 1874 moradas, tres Conventos de Religio- 
SOS, quatro Mosteiros de Freiras, e tres ReC/Olhimentos, vinte e oito 
Igrejas vAmi as tres Freguezias. Nella habitao 7300 alma s de confissao 
Seculares, Clerigos Presl»yteros 82, dos quaes sao tres Canonistas, e 
vinte Theologos Prégadores. Nos tres ('.onventos de Religiosos 90, de 
que sao 32 Prégadoies. Religiosas professai, e recolhidas 489 que to- 
(las fazem o nmnero de 7961 pessoan, excepto as que nao sao de con- 
fìssao, que passao de 1500. As casas estào muito reedificadaK, e a 
maior parte he feita ao estylo moderno da anpiitetura. Nesta Cidade 
assistem os Excellentissimos Condes da Ribeira Grande donatarios de 
loda a liba, e na sua ausencia os Governadores, que elles poem para 
governo militar, e os Ouvidores Geraes para 4) Crime, e Givel. 

Em quanto Villa tbi governada no Givel poi* Juizes ordinarios, boje 



de agora se chaina a Povoagào, que fica ao Sul duas le^^^oas (listante da pontu do 
Nordest^, desemharcando elitre duas doces, e <;ri stalli iias ribeiras, que coni sua- 
ve murmuì^eo de suas c^oiTcntes t'orniavain liuiua capella, (jue c^m solfa natunil 
e musica alteruada ihe decantavam parabeiis a sua vimla, e entoavum saivas à 
sua cliegada, serviiido-lbe as agigautadas arvores, por «mire as quaes soavam es- 
tas citaras de prata, de verde pavilbào, que os exiniia das iu(*ienìencias do sol. 
Disse a primeira niissa o Capetiào da nau em hum lufiar, aonde lioje està huma 
ermida de Santa Barbara, e de|X)is de eorrennu parte da Illia t>or mar, por Ihe 
ser im|)ossivel o fazerem-no por terra, jior eausa do espesso arvorcdo, tornarani 
a largar as vellas ao vento, e sulcando esse vasto imperio de Neptuiio cìim mar 
bonanca, e maKì de rozas, ehegaram a Sajjivs porto do Reino do Algarve coni a 
alegre nova, e plauzivei notieia do deseobrimento da nova, e desejada Uba, e pa- 
ra testenmnbo da verdade do dito deseobrimento, levaram imns ramos de arvo- 
res, e outras couzas da terra. Recebeo a nova o Infante rom demonstraeòes de 
fiosto, e jubilos de alejfria, e a todos saptisfez (*oni j)i*emio8 eguaes aos seus me- 
recimentos. Pre[Knada a jarente para vir fK)voar a nova terra, partiram alegres, e 
elie^aram si'irunda vez ao mesmo j)orto, em que da primeira tinham desembar- 
eado, coni t'eiiz viji^rem dia da dedicaijào do Archanjo S. Mij^'uel: querendo Deos 
coni estes acasos darnos a entender a sua altissima providen<^ia. Nesta parte 
principiaram a povoar. Xfio relato coni mais individuaeao todas as cir<;umstan- 
cias que houve no descobrimento desta liha até «e chegar totalmente a cultivar 
e povoar; e so escrevo o que basta para virem os estranbos no conh«»cimento, do 
que he està singular madre perola, em que foi gérada anossa prt^ciosa, e ani- 
mada Margarita. 



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ARCHIYO DOS AgORE^ 2(M 

lem Juìz de fora, que juntamente he Corregedor da Ilha de Saula Ma- 
ria por Aharà de ElRey Doni Sebastiao passado eni !^S de Jaaeìio de 
4572. primeiro Juiz que veio à Ilha foi o Doutor Loureugo Correa, 
Teni OS mais Ministros necessarios para o Crime, e Civél. 

('om igual, ou maior primor he assistida no espiritual. No princi- 
pio foram estas Hhas govemadas no espiritual pelo D. Frior de Tho- 
mar por serem sugeitas a Ordem de Christo. Continuou este governo 
até anno de 1514 em que o Papa Leao X, a peticao de ElRey Doni 
Manoel em 12 de Junho sentou Sé na Cidade do Fimchal da Ilha da 
Madeira, e sugeitou e&tas Ilhas àquelle Bispado. Papa Paulo IH as 
separou d'elle a instancia de ElRey D. Joao o Ili sentando Sé Mesta 
Ilha de S. Miguel por ser a maior e de maior povo Christao, |)oreni 
home urna equivocagao nas palavras da Bulla, que dizem vertidas no 
nosso idioma «Sentava Sé Episcopal na Ilha de S. Miguel em hum lugar 
chamado Angra, em que estava urna Igreja do Salvador». E conio este 
fosse na Ilha Terceira valendo-se da equivoca^ao do nome do lugai', 
nella sentaram Sé Episcopal em 27 de Outubro de 1534. Xeni hoje 
de renda este Bispado tres mil cruzados, dos (juaes Ihe paga ElRey 
dois a trigo a.rezao de 33()0 por moio, que importam 242 moios 25 
alqueires, e hum oitavo, e quatrocentos mil reis a dinheiro. 

Tem havido neste Bispado 19 Bispos. primeiro foi Dom Agosti- 
iiho Ribeiro naturai de Braga, Religioso de Santo Eloy; deste Bispado 
Ibi promovido ao de Lamego, aonde morreo. 

segundo foi Dom Rodrigo Mnheiro, que nao veio ao Bispado, 
[)orem mandou a Dom Balthesar de Sousa Bispo 4e Anel, que deu or- 
(lens nesta Ilha de S. Miguel em 21 de Novembro de 1549 e renun- 
ciando o Bispado, o fizeram Bispo do Porto. 

terceiro Ibi Dom Jorge de Santiago Religioso Dominic>o,, este 
mandou ElRey Dom Joao HI, ao Concilio Tridentino, e depois de as- 
sistir às primeiras sessoes voltou para o Reino, e foi feito BisjK) des- 
tas Ilhas no anno de 1551. Pelo Espirito Santo do mesmo anno fez 
Synodo em Angra, por cujas Constituigoes se governa este Bispado; 
foi a (ilorte faze)las imprimir, e voltando faleceo em Angra em 2G de 
Outubro de 1561. Està se[)ultado na Sé. 

quarto foi Dom Manoel de Almada Doutor em Canones, que 
nào veio às Ilhas, e renunciou o Bispado para sei* capellao da Raiuha 
Dona Catharina. 

quinto foi Dom Nuno Alvares Pereira Doutor em Theologia, veio 
a Angra no anno de 1568 e morreo em 20 de Agosto de 1570. Està 
sepultado na Sé. 

sexto Ibi Dom Gaspar de Farla Doutor em (lanones. Em 8 de 
Setembro de 1573 disse a primeira Missa de l^ontiflcal na Matriz de 
S. Sebastiao da Cidade de Ponta-Delgada. 

setimo foi Dom Pedro de Castilho Licenciado em Canones, e 
Mestre em Artes, Deputado do Santo Officio em Coimbra: veio a An- 



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202 AKCfllYO BdS A(:OBES 

gra, e largando o Bispado foi para Lislìoa aonde foi Vice-Rey, e depois 
Bispo de Leiria. 

oitavo foi Dom Manoel de Gouvea irmào do grande Mestre de 
Espirito Padre Ignacio da Companhia de JESUS. Està sepultado na 
Sé de Angra. 

nono foi D. Jeronymo Teixeira Cabrai Licenciado em Canones, 
depois de viver alguns annos neste Bispado foi promovido ao de Mi- 
randa. 

decimo foi D. Agostinho Ribeiro Licenciado em Canones, gran- 
de Prégador, e naturai do BraziI: veio para este Bispado de Bispo de 
Céuta. Està sepultado na Sé de Angra. 

undecimo foi Dom Fedro da Costa Doutor em Theologia; fale- 
ceo em S. Miguel em 9 de Setembro de 1625. Està sepultado na ca- 
pella maior da Matriz de S. Sebastjao. 

duodecimo foi Dom Joao Pimenta de Abreu Doutor em Theolo- 
gia; faleceo em S. Miguel em 28 de Setembro de 1632. Està sepul- 
tado na Matriz de S. Sebastiao. 

decimo terceiro foi D. Frei Antonio da Resurreieao Religioso Do- 
minico de grande virtude, e Lente de Prima de theologia na Univer- 
fiidade de Coimbra; faleceo em S. Miguel em Quarta feira de Trevas 
oito de AbriI de 1636. E por estar occtipada a capella maior, o se- 
pultaram na do Santissimo Sacramento. No anno de 1652 faleceo Iza- 
bel Nunes, e comò tivesse direito para se enterrar na sepultura em 
(|ue estava o Bispo, mudaram os seus ossos para a capella maior para 
tumulo dos mtros Bispos com toda a pompa, e solemnidade; naquel- 
la noite ouviram huns homens, que passavam pelo adro, hmna maidi- 
ca muito sua ve na Igreja, adrairados com a novidadechamaram ao 
Thesoùreiro, e vindo ouvio a musica, porém nao achou pessoa alguma 
na Igreja, e pela suavidade della julgaram serem os Anjos, que vie- 
ram applaudir a trasladacao dos ossos daquelle Bispo, a quem na ter- 
ra pelas suas raras virtudes veneravam por Santo. 

decimo quarto foi D. Pedro de Sousa da casa de Castello me- 
Ihor, que morreo em Lisboa antes de se sagrar. 

decimo quinto foi D. Frei Louren^o de Castro Frade Dominico 
Doutor em Theologia: deste Bispado foi promovido ao de Miranda. 

dècimo sexto foi D. Frei Joao dos Prazeres Frade Franciscano 
da Provincia de Enxobregas; viveo poucx> tempo no Bispado, està se- 
pultado na Sé de Angra. 

decimo setimo foi D. Frei Clemente Vieira Religioso de Santo 
Agostinho Doutor em Theologia, e Lente em Coimbra; faleceo em S. 
Miguel em 24 de Setembro de 1692. Està sepultado jia credencia da 
capella maior da parte do Evangelho do convento de nossa Seiihora 
da Graga 

decimo oitavo foi D. Antonio Vieira Leitao naturai de Lisboa, 
Prior que foi de Santo Estevao de Alfama, e Dezembargador da Le- 



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ARCHIVO DOS ACORES 203 

gacia. Viveo perto de vinte annos neste Bispado com opiniao de gran- 
des virtodes; morreo erri 22 de Maio de 1714 na Villa das Véllas da 
Iltia de S. Jorge. Està sepultado ria capella maior do convento de re- 
ligiosas professas da mesma ilha; com o seu costumado zelo teve ef- 
feito sua fandagao, pondo Ihe a denominag-ao de N. Senhora do Rosa- 
lio, de quem foi sempre muito particular devoto. 

decimo nono foi D. Joao de Brito de Vasconcellos naturai de 
Lamego; nao veio ao Bispado, e mandou por Governador delle ao Deào, 
Provizor, e Vigano Geral da Sé de Angra. Faleceo em Lamego em 30 
de Dezembro de 1718. 

Como OS Bispos assistem a maior parte do tempo li^ cidade de An- 
gra, lem nesta Ouvidores do Ecclesiastico pagos por ElRey;' até o an- 
no de 1698 ha via hum so Ouvidor, porém Bispo D. Antonio Vieira 
vendo a opress5o que as partes padeciao nos seus requerimentos, a 
dividio em tres Ouvidorias: a de Ponta Delgada, Villa Franca, e Villa 
da Ribeira Grande, dizendo que so està Ilha per si necessitava de hum 
Bispo, pois mais tempo Ihe levavam os negocios della, que os das ou- 
tras todas deste Bispado. 

A Ouvidoria de Ponta-Delgada he a principal, tem 14 Freguezias 
com tres curados annexos a ellas; contém todas 17754 pessoas de 
confìssao seculares, e Sacerdotes Presbyteros 152 entre os quaes se 
contam 40 Theologos Prégadores; porém para proceder com toda a 
clareza, individuarei cada huma de per si. • 

Tem està cidade tres freguezias; foi a primeira a do Principe dos 
ApQstolos S. Pedro, fica à parte de Leste. Tem Vigario, dois Cm^as, 
TheSoureiro, Organista, e oito Beneficiados. Consta de 422 fogos, e 
1596 almas de confìssao. No seu destrito fica o convento de nossa 
Senhora da Graggi, e ciuco Ermidasi^ cujos Oragos nomearei no fim, 
e de todas as mais da Ilha. 

Foi crescendo o povo, e erigiram segunda Freguezia em huma 
Ermida do Martyr S. Sebastiào; comò o povo o tomou por padroeiro, 
e seu advogado no tempo da peste, que entrou nesta Ilha no anno de 
1523 e continuou até o de 1531 determinaram fazer-lhe hum sum- 
ptuoso Tempio, para cuja fabrica mandaram vir (tàìciaes do Beino, 
portadas, e colunas de marmore. He està Igreja a Matriz principal de 
toda a Ilha, e o mais sumptuoso Tempio deste Bispado. Tem 12 Be- 
neficiados, Vigario, dois Curas, Mestre da Capella, Organista, e The- 
soureiro. A torre em todas as Ilhas a nao ha semelhante, tem 140 
palmos de alto com sete sinòs de extremada grandeza. Consta està 
Freguezia de 833 fogos, e 3388 almas de confìssao. No seu destrito 
ficam OS Mosteiros de S. Joao, e Santo André; os Recolhimentos de 
Santa Barbara, e Santa Anna, e o Collegio dos Padres da Companhia, 
e dez Erraidas. 

A terceira Freguezia he a do Patriarca S. Joseph, a quem he an- 
nexo Curado de nossa Senhora da Saude, fica para a parte do Ceste. 

Voi. I— N."3— 1879. ^2 

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iOi AKCHIYO DOS AfORES 

Foi este Freguezia creada pelo Bispo D. Fedro de Castilho na Ermida 
de Santa Clara, della correo varias até o anno de 1714 em que mira- 
culosaniente se acabou o novo Tempio, que hoje he Paroquia. Tem 
Vigario, Cura, Thesoureiro, e seis Beneficiados. Consta de 624 fogos, 
e 2388 alnias de conflssao. No seu destrito ficam os Mosteiros de 
nossa Senhora da Esparanga, e da ConceigSo, o Recolhimento da Trin- 
dade, e o convento dos Religiosos de S. Francisco, e nove Errai- 
das. 

convento dos Religiosos de S. Francisco he o mais sumptuoso 
de todos, fica no firn da Cidade para o Poente; tem hum raagestoso 
Tempio do Orago de nossa Senhora da. Conceicao, foi o seu fundador o 
Padre Frey Gongalo de JESUS, Padre mais digno da Provincia, e na- 
turai desta cidade. Lanrou-se a primeira pedra no dia oitavo de San- 
to Antonio do anno de 1709 e era 25 de Junho de 1714 se disse a 
primeira Missa. Gastaram-se mais de cento e vinte mil cruzados na 
sua fabrica. 

convento foi fundado no anno de 1525 por Frei Vasco de Taveira, 
Frade Claustral, mandado a està Ilha pelo Custodio da cidade do Por- 
to, a quera eram sugeitos alguns conventos, que havia nestas Ilhas. 
Offereceram-lhe os moradores da terra tres sitios para fundarem-o 
Convento: hum «tonde hoje està a Ermida de nossa Senhora da Boa 
nova; outro onde existe o pago do Excellentissimo Condé da Ribeira 
Grande, o terceiro onde hoje està o convento, que naquelle tempo era 
huma Erraida da Camera, de N. Senhora da Conceigao. sitio em que 
estava a Igreja veiha, e parte do convento deu Jeronimo do Quental, 
e em que està hoje a Igreja, e a cerca. Dona Guimar de Sa. 

Foi este convento, e os mais das Ihas governados por Commissa- 
rios dos Claustraes do Porto até o anno de 1550 fera que foi eleito 
por Custodio destas Ilhas na cidade do Porto o Padre Frei Francisco de 
Moraes; a este succederam outros, cujos capitulos se celebraram neste 
convento de Ponta Delgada comò casa capitular de toda a Custodia. 
No anno de 1566 se extinguiram os Claustraes por Breve de Pio V e 
entraram os Observantes; foram governados por Commissarios da Pro- 
vincia de Portugal até o anno de 1570 em que se levantou no Porto 
huma Custodia de Observantes, e tiraram os conventos destas Ilhas 
da obediencia da Provincia de Portugal. Por elles foram governados 
até anno de 1584 em que por Patente do Reverendissimo Padre Ge- 
ral Frey Francisco Gonzaga se annexaram os conventos das Ilhas a 
Provincia dos Algarves, por cttjos Commissarios foram governados até 
anno de 1594 em que se fez Custodia nestas Ilhas com subordina- 
gao à mesma Provincia. Celebrou-se o primeiro Capitulo neste conven- 
to de Ponta-Delgada, em que sahio por Custodio o Padre Frei Anto- 
nio de S. Luiz. 

Continuou neste governo até o anno de 1640 em que foi feita Pro- 
vincia por Breve de Urbano VIII passado em 20 de Novembro. Cele- 



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ARCHIVO DOS AfORES 205 

hrou-se o primeiro Capitulo Provincial neste convento em 29 de Ju- 
mbo de 1641 sahio por Provincial o Padre Fr. Matheus da Conceigao 
Leitor jubilado, e naturai da Ilha dàs Flores. No anno de 1717 se se- 
pararam os conventos desta Ilha, e da de Santa Maria, e por Breve 
do Papa Clemente XI se erigio nova Custodia de nossa Senhora da 
(]onceicao separada da Provincia de Angra com subordinàgao ao Re- 
verendissimo Geral. Celebrou-se o primeiro Capitulo neste convento 
em 15 de Agosto de 1717 sahindo por Custodio o Padre Frei Ma- 
theus do Venciraento naturai da Villa da Ribeira Grande desta mesma 
Ilha. Residem neste convento ordinariamente sessenta e quatro Reli^ 
giosos, dos quaes sao quatro Lentes actuaesde Theologia especulativa. 
segundo convento que se ftmdou nesta cidade foi o Collegio de to- 
dos OS Santos dos Padres da Companhia de JESUS. Deu parte do si- 
tio para o convento Joào Lopes Henriques naturai da cidade do Porto e 
as terl'as que hoje possuem no logar da Fajam, a outra parte Manoel da 
Costa cidadao desta cidade. Deram os Senadores da Camera posse 
deste Collegio ao Padre Fernando Guerreiro naturai do Alemtejo em 
Janeiro de 1591. No primeiro de Novembre de 1592 se deu principio 
a Igreja velha, e no de 1625 se principiou a nova Igreja, que hoje 
existe, acabou-se no de 1666 sendo Reitor o Padre Manoel Soares: he 
Tempio mais bem paramentado, e de maior accio que ha nas Ilhas. 
Residem neste Collegio ordinariamente dezaseis Religiosos, dos quaes 
sao dois Mestres de Humanidades, e bum Lente de Theologia Moral, 
que he o Prefeito do pateo. Tpdos sao Religiosos de muita virtude, e 
letras. 

terceiro convento he o dos Religiosos de Santo Agostinho. Veio 
a està Ilha o Padre Mestre Frei Jeronimo de Mesquita com outros Re- 
ligiosos da sua familia arribados por causa dos tempos em bum navio 
era que navegavam para a cidade de Angra. e achando nesta ao Pa- 
dre Frei Braz Soares da mesma Ordem, fazendo vida mais de Anjo, 
que de homem, logo se agregou a elles, e comò nao podiam estar sem 
convento Ihes offereceo o Licencìado Antonio de Frias, Padròeiro dos 
Mosteiros de Santo André, e S. Joao, huma Ermida de Santa Anna, 
que fica ao Norte do Collegio da Companhia de JESUS. Em 25 de Ju- 
Iho de 1606 tomaram posse della, e ahi residiram até o de 1618 
em que passaram para o convento em que hoje existem, cujo sitio 
Ihes deu o Doutor Manoel Sanches de Almada Vigario Geral deste Bis- 
pado pela singular devo^ao que tìnha a estes Religiosos. No anno de 
1680 se acabou o convento. Residem nelle dez Religiosos, dos quaes 
sao dois Lentes. hum de Artes, e outro de Theologia especulativa, em 
cujas aulas estudam trinta e oito estudantes seculares. 

Dos quatro conventos de Religiosas professas, que ha nesta cidade; 
que teve primeiro a sua ftinda^ao he o de nossa Senhora da Espe- 
ranca da obediencia dos Religiosos de Sr- Francisco. Està contiguo ao 
seu convento. Foi fundado pelo povo, e nobreza desta cidade no tem- 



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206 ARCHIVO DOS AfORES 

po que era Villa para se recolherem as Religiosas do convento de Val 
de Cabassos, que nao tinham ido para o de Villa Franca. Entraram 
nelle em Domingo de Pascoa da Resurreicao 23, de Abril do anno de 
1541. A Presidente que veio fundar este convento foi a Madre Ma- 
ria do Espirito Santo filha de André AfTonso de Paiva, e de Violante 
Coelha. He o convento mais numeroso, que tem a cidade; consta de 
cento e duas Religiosas professas, e cincoenta e sete Novi^as, pupillas, 
e servas; tem annualmente de renda duzentos e setenta moios de tri- 
go, e duzentos e treze mil e vinte reis a dinheiro. 

convento de Santo André foi fundado por Diogo Vaz Carreiro, e 
sua mulher Beatriz Rodrigues no anno de 1567 sem letras Apostoli- 
cas, nem mais ordem que a de suas vontades. Dotaram-lhe alem da 
Igreja, dormitorìos, e mais officinas, setenta moios de trigo de renda 
annual com obrigag^io de duas capellas de Missas, e de sustentarem 
sempre vivas quatorze parentas suas, Freiras professas no mesmo 
Mosteiro, sete da parte do Padroeiro, e sete da Padroeira. 

Como nao tinham fllhos nomearam o padroado em seu sobrinho o 
Licenciado Antonio de Frias. As primeiras Religiosas que fundaram 
este convento foram as do Mosteiro de JESUS da Villa da Ribeira 
Grande, do qual havia quatro annos que tinham sahido em 28 de Ju- 
nho de 1563 por causa de huns grandes tremores de terra, que Ihe 
arruinaram o convento; humas recolheram-se no Mosteiro da Esperan- 
ga, e asque nao couberam nelle estiveram estes annos em casa de 
seus parentes, e depois de acabado este novo Mosteiro se recolheram 
nelle em 23 de Margo de 1567. Como eram da obediencia dos Reli- 
giosos de S. Francisco, elles Ihes administraram os Sacramentos até 4 
de Abril de 1583 em que as recebeo na sua obediencia o Bispo D. 
Pedro de Castilho. 

Em 9 de Maio de 1577 tornaram para o seu convento da Ribeira 
Grande por estar jà reediflcado, deixando neste vinte e quatro Religio- 
sas professas, e doze novigas. 

Como este convento foi fundado sem Bulla Apostolica, o Licencia- 
do Antonio de Frias a impetrou do Papa Gregorio XIII em treze de 
Junho do anno decimo terceiro do seu Pontificado, e falecendo o dito 
Pontifice antes de chegar a està Ilha o Breve, a Santidade de Sixto V 
corroborou a mesma graga em 15 de Maio de 1585 no primeiro anno 
do seu Pontificado, o que tudo consta da Bulla» da fundagao d'este 
.Mosteiro. Foi creado conforme a virtude do Breve com vinte e oito 
Freiras professas, hoje porem tem sessenta lugares fixos, e alguns 
supranumerarios. Existem hoje sessenta e duas Freiras professas; pu- 
pillas, novicas, e servas vìnte e nove. Tem de renda annual duzentos 
e sessenta moios de trigo, e cento e oitenta e ciuco mil reis a dinhei- 
ro. A Igreja he a melhor de todos os Mostéiros de Freiras por ser 
assim a capella, comò o tecto, e grades do coro de obra de talha dou- 
rada. 



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ARCHIVO DOS AfORES 207 

terceiro convento, qiie se fundou nesta cidade he o de S. Jòao 
Ante Portam Latinam. Foi *o seu fundador Manoel Martins Soares, e 
sua niulhèr Maria Jacome Rapóza. Tiverara estes duas filhas herdei- 
ras de sèus bens, e corno ellas desprezassem os do mundo para logra- 
rem os do ceo por meio da clausura de huma Religiao, fez seu pai 
homa Igreja de S. Joao Ante Portam Latinam para com ella fundar 
hum Mosteiro de Religiosas. / 

Estando no principio da obra o levou Deos para si, e nos ùltimos 
parocismos da vida recommendou a sua mulher continuasse a obra. 
Quem duvidarà que a morte de Manoel Martins Soares daria gosto ao 
demonio, por ver que huma empreza de tanta importancia, corno a de 
fundar hum convento, em que comò em jardini de odoriferas flores se 
havia de entreter o Divino Esposo, ficava a disposigao de huma mu- 
lher, cujo sexo he por natureza fragil, e so tem firmeza em ser mu- 
davel ? Nao ihe durou multo tempo este gosto; porque està varonil 
mulher escreveò ao Bispo Dom Jeronymo Teixeira Cabrai quizesse fa- 
vorecer està santa obra, e tomar debaixo de sua obediencia as Reli- 
giosas deste novo Mosteiro. Acceitou o Bispo a offerta, e vindo a està 
Uha fez escrRura de dote ao convento de trinta'^ moios de renda an- 
nuaes, e vinte e ciuco cruzados a dinhèiro, com obrigagao de Ihe sus- 
teutarem seis parentas Freiras professas, tres da parte de seu man- 
do, e tres da sua; e que ella, e suas filhas seriam as Padroeiras em 
quanto nao professassem, e professando seria o Licenciado Antonio de 
Frias, e por sua morte quem fosse Padroeiro do Mosteiro de Santo 
André, e o mais que consta da doagao feita nas notas de Francisco 
Lobo a dez de Agosto de 1602; suas fllhas flzeram doa^ao ao mesmo 
Mosteiro de seus bens, e importarla tudo quanto Ihe deram naquelle 
tempo quinze mil cruzados. 

Depois de aceilas pelo Bispo as doagoes, e de tomar posse do Mos- 
teiro em 6 de Setembro de 1602 tirou do de S. André desta cidade 
ciuco Religiosas de singulares prendas, e virtudes para fundadoras, 
deste Mosteiro, e para instruirem com o seu exemplo no caminho da 
virtude a estas novas plantas. Elegeo por Abbade^a a Madre Anna da 
Madre de Deos, Irma da Padroeira, por Vigaria da casa, e Mestra das 
novieas a Madre Beatriz da Encarnacao, por Yigaria do còro a Ma^dre 
Maria de Santa Clara, e por Porteiras, e Rodeiras as Madres Maria da 
Encarna^jao, e Maria da Trindade filha da Veneravel matrona Mar- 
garida de Chaves, que depois de viver n'este convento alguns annos 
tornou a ir para o de Santo André, e nelle acabou a vida em 7 de 
Dezembro de 1634 com opiniao de Berna venturada. 

Como este convento foi ftindado so com licenza do Bispo e sem 
Bulla Apostolica, depois de estarem nelle Religiosas professas alcan- 
garam no anno de 1616 da Santidade de Paulo V Bulla da sua funda- 
Cao. Dao obediencia ao Bispo, e no tempo de Sede Vacante ao De5o 
da Sé do Salvador da cidade de Angra. Tem este Mosteiro o numero 



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208 ARCHIVO DOS AfORES 

de setenta Religiosas professas, hoje porém existera sómente sessen- 
ta e seis, e novigas, pupillas, e servas quarenla. Tem annualmente de 
renda duzentos moios de Irigo, e cento e sessenta mil r^eis a di- 
nheiro. ' ' 

ultimo Mosteiro de Religiosas qùe se ftindou nesta cidade he o 
de nossa Senhora da ConceifSo, foram seus fundadores os Reverendos 
Vigarios Francisco, e Joao de Andrade Albuquerque, Depois de terem 
licenga do Ordinario alcan<;aram Bulla da Sé Apostolica. A 8 de Se- 
tembro de 1664 se langou a primeira pedra na obra do Mosteiro, que 
se erigio no sitio das casas, em que nascéram os fundadores. Em 3 
de Agosto de 1671 às oito horas da manha sahiram do Mosteiro de 
nossa Senhora da Esperanga as Madres Margarida da Conceicao, e Iza- 
bel do Espirito S^nto, irmaas dos fundadores, e do de Santo André a 
Madre Anna tie S. Miguel com tres sobrinhas pupillas a Madre Maria 
da Roza, que actualmente he abbadega neste convento, Anna da Pie- 
dade, e Margarida de S. Joseph, filhas de seu irmSo Manoel de Medei- 
ros. Estas foram as fundadoras do convento sendo a primeira abba- 
deca na fórma do Breve a Madre Izabel do Espirito Santo. 

Dotaram os fundadores a este Mosteiro trinta moios de trigo de 
renda annual, e vinte e ciuco mil reis a dinheiro com obrigagao de 
Ihe sustentarem dez parentas suas Freiras professas; e tem mais o 
Padroeiro a regalia de poder recolher huma filha sua em Itigar supra- 
numerario estando cheios os dez do padroado. Tem este Mosteiro <]ua- 
renta e quatro religiosas professas; pupillas, novigas, e servas quinze; 
de renda a trigo cento e sete moios, e a dinheiro cento e trinta mil 
reis. 

Alem dos quatro Mosteiros de Religiosas professas, ha nesta cidade 
tres recolhimentos de Donzellas; o mais numeroso he o de Santa Bar- 
bara, foi fimdado por Roque Teixeira no anno de 1662, tem quarenta 
e nove recolhidas andam em habito branco, e dao obediencia aos Re- 
ligiosos de Santo Agostinho. 

segundo he o de Santa Anna. Foi fundado pelo licenciado An- 
tonio de Frias, nelle assistiram os Rcligiosos de Santo Agostinho des- 
de anno de 1606 até o de 1618 hoje tem doze recolhidas, e quatro 
servas, a quem deixaram os fundadores rendas para seu sustento. Dào 
obediencia ao Ordinario. 

Recolhimento da Trindade he da mesma obediencia; foi fundado 
por Antonio de Sa. tem hoje nove recolhidas. 

A Casa Santa da Miseria)rdia desta cidade he a mais rica de todas 
as Ilhas. Depois de instituida na Corte de Lisboa a Irmandade da 
Misericordia no anno de 1498 pelo Padre Frei Miguel de Contreiras 
Religioso da Santissima Trindade naturai do Reino de Valenca, e con- 
fessor da Rainha Dona Leonor mulher de El-Rey D. Joao IL cresceu 
no povo desta cidade, quando Villa, a devo(jSo, e ftindaram està San- 
ta Casa. Nào me foi possivel saber o anno em que se principiou, nem 



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ARCHIVO DOS Af GRES 209 

quem foi o seu fundador, e so se sabe que vindo Alfonso Annes, Ca- 
valleiro do habito 4e S. Lazaro, bisavò da- Veneravel Margarida de 
Chaves, a e^ta Ilha com sua mulher Catharina Annes da Gasa dos In- 
farites; e fazendo assento no lugar dos Mosteiros deu o sitio em que 
se fundou o Hospital, e a primeira Igreja; de que fez à sua custa a 
capella maior com seu corrucheo, e he a capella de S. Joao Baptista, 
que hoje existe junta ao Consistono desta S^ta Casa. 

Dom Diogo Pinheiro Doutor in utroque jure, sendo Vigario Ce- 
rai pelo Dom Prior de Thomar, e governando as Igrejas destas Ilhas 
livrou a desta Santa Casa da jurisdigio dos Parochos no anno de 1513. 
El-Rey Dom Manoel Ihe concedeo os privilegios que tinha concedido a 
Misericordia de Lisboa era 25 de Julho de 1513 comò consta da Pro- 
vizao na primeira foiba do livro do tombo desta Santa Casa. Foi pri- 
meiro Fregùezia, a cuja porta se tiravam os pelouros da Camera em 
primeiro de Janeiro. 
, Como a Igreja era tao pequena, que nao passava do portao por 
onde hoje se entra para o pateo da Sacristia^ e Hospital, aonde aca- 
bava a rua, que vinha de nossa Senhora da Ajuda, Barao Jacòme sen- 
do Provedor desta Santa Casa querendo fazer o novo, e magestoso 
Tempio, que hoje existe, fez troca por outras casas das em que nas- 
ceo a Veneravel Margarida de Chaves em cujo sitio se principiou a 
Igreja no anno de 1569. He hum magestoso Tempio, todo de abobeda, e 
de tao singular pianta, que he o mais vistoso de todos os das Ilhas, es- 
pecialmente em Quinta feira maior; e so nelle parece estar Deos Sa- 
cramentado com o maior respeito, e veneragao, que se Ihe póde dar 
na terra. Tem um capellao maior que he o Vigario do Hospital, e seis 
Capellaes menores, Thesoureiro, Organista, e quatro moQos da capel- 
la com becas azues. 

Tem annualmente de renda trezentos e quarenta e nove moios, e 
nove alqueires de trigo, e trezentos e noventa e dois mil duzentos e 
cincoenta reis a dinheiro, e duzentas e quarenta e sete gallinhas. Neste 
computo entram as rendas das muitas administragoes que administra, 
e tocam sómente a Casa para satisfa^ao dos legados, e sustento de vin- 
te e quatro pobres, que continuamente sustenta de portas a dentro, e 
dos enfermos, que se vao curar ao Hospital com os quintos das admi- 
nistracoes cento b setenta e tres moios, e dois alqueires e melo de 
trigo, e trezentos e dois mil quinhentos e oitenta reis a dinheiro, e 
duzentas e quarenta e sete gallinhas. As rendas das administragoes 
$ao consignadas para dotes de Freiras, e cazar orfans, e outras obras 
pias. Nao trato de cada uma de per si, porqué alem de me nao im- 
portar expender as vontades dos testadores, seria hum processo 
mui dilatado para a minha brevidade. 

castello desta cidade fica junto ao convento de Sao Francisco; 
gastaram-se na sua fabrica reis 36:672?51542, dos quaes foram reis 
12:037^340, dos dois por cento que se pagavam do contraete do pas- 



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210 ARCfllVO DOS AfORES 

te!, que desta llha se carregava, e o mais foi a custa dos moradores 
della. 

Porto fica ao pé do adro da Matriz de Sào Sebastiào; nào cabem 
nelle embarcagoes de mais de quarenta toiielladas; tem bum admira- 
vel cais em que com todo o tempo se desembarca a pé enxuto. 

primeiro lugar/que fica contiguo à cidade era distancia de bum 
quarto de legoa para a parte de Leste é o de Rasto de Cào da Fre- 
guezia de S. Roque com Vigano, Cura, e Thesoureiro; a Igreja é a de 
maior rendimento para o Vigario de todas as Ilhas. Tem 339 fogos, 
e mil e trezentas e quarenta e duas pessoas de confissao. 

Mais adiante pouco mais de legoa e meia està a Villa da Lagoa. 

Foi lugar até o anno de 1522 em que ElRey Dom Joao III a fez 
Villa por Alvarà passado em 22 de Abril do dito anno; tem Capitao 
maior para o governo militar comò todas as mais Villas nesta liba, e 
foi primeiro que teve Antonio de Paria Maia. 

Tem duas freguezias com seiscentos e ciuco fogos, e duas mil tre- 
zentas e qualorze almas de confissao; a Matriz he a de Santa Cruz, 
tem quatro Beneficiados, Cura, Vigario, Thesoureiro, Organista, e Mes- 
tre da Capella. primeiro Vigario que teve foi o Padre Joao de Evo- 
ra. A outra Freguezia he de nossa Senhora do Rozario, tem sóraente 
Cura, Vigano, e Thesoureiro; foi està Igreja fimdada por Alvaro Lo- 
pes no anno de 1593 e o primeiro Vigario foi o Padre Joào de Gou- 
vea. 

Ha nesta Villa um convento de Recolletos Capuchos, de que he 
Padroeiro o Excellentissimo Conde da Ribeira Grande; principiou-se a 
obra em 22 de Outubro de 1641 sendo Provincial, desta Provincia, 
e primeiro que nella houve o Padre Mestre Jubilado Frei Matheus 
da ConceiQao naturai da llha das Flores. 

Pouco mais de huma legoa a caminho de Sueste està a Villa de 
Agoa de Pào, acima de huma ponta, que vulgarmente se chama a Pen- 
ta da Gale. ElRey Dom Manoel a fez Villa por Alvarà passado em 28 
de Julho de 1515. Nesta Villa viveo gente multo nobre; tem huma so 
Freguezia do Orago de nossa Senhora dos Anjós com quatro Benefi- 
ciados trezentos e trinta e quatro fogos, e mil cento e noventa e qua- 
tro almas de confissao. Foi o seu primeiro Vigario o Padre Frei Joao 
da Ordem de Christo. ^ 

Em pouca distancia desta Villa junto ao mar està a Recolleta de 
nossa/^enhora da ConceiQao do Val de Cabagos, primeiro foi con- 
vento de Religiosas, e para que de tudo de noticia com verdade, 
e individuapao tomemos as agoas na primeira fonte de que mana- 
ram. 

Depois de subvertida Villa Franca do Campo andando acezo^ na 
Uba mal contagioso da peste, que prihcipiou a 4 de JuUio de 1523 
bavia um nobre varao chamado Jorge da Motta, Cavalleiro do habito 
de Aviz, que escapou da subversao daquella Villa em huma sua quin- 



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ARCHIVO DOS A€ORES, 2'H 

ta em que estava huma sua Ermida de S. Joào Baptista, que hoje 
existe: foi este duas vezes casado, e do priineiro matrimonio teve 
huma filila chamada Petronilha da Motta, que depois se chamou Ma-, 
ria de JESUS, dotada de grandes prendas, e virtudes. Succedeo pois 
neste tempo chegar à(|uelia Villa huma mulher naturai de Ponte de 
Lima chamada Maria dos Anjos, e travando particular amizade coni 
Maria de JESUS, determinaram servir a Deos no estado de Religiosas 
em huma Ermida de Santa Clara, que està em Ponta Delgada^ para 
cujo fim sahiram huma noite de casa de seu Pai coni quatro meninas 
suas irmàas; chegando ao cume da ladeira do Pizao, e vendo no Val 
de GabaQos huma Ermida de nossa Senhora da Conceigao (e foi a pri- 
meira que na Uha houve desta invocagao) Ihes inspirou Deos que alli 
fizessem morada. 

Desceram ao Valle, e eutraram na Ermida; vindo dahi a huns dias 
Pai buscallas, nao foi possivel acabar com as duas Marias que sa- 
hissem da Ermida, e assim triste voltou para Villa Franca com as 
quatro filhas menores. Viveram as duas companheiras na Ermida seis 
mezes, com tanto recolhimento, comò se estivessem em clausura, nao 
tendo outra mais que a de urna cortina. Os moradores de Agoa de 
Pào Ihe ministravam o sustento, e a sua custa Ihe fizeram huma casa, 
era que se recolheram em vespera da Pascoa da ResurreiQào daquelle 
anno com as quatro meninas suaS irmàas, que no mesmo dia vieram 
de Villa Franca. A estas se ajuntaram outras, e todas viviam santa e 
religiosamente. 

Ruy Gongalves da Camera, Capitao donatario desta Ilha, levado 
do zello e devogao tomou a seu cargo aquella casa das novas Religio- 
sas sendo seu Padroeiro, para o que mandou \ir Bulla de Roma com 
seus privilegios, e f|pz sua morada com toda a sua familia junto a Er- 
mida. 

Estando jà o Mosteiro com Bulla Apostolica, Abbade^a, Freiras 
professas, sendo vinte e sete entre Freiras, e novicas, passados dez 
annos que ahi viviam, comò o Mosteiro estava junto ao mar, e em lu- 
gar despovoado, temendo os moradores da terra aos Francezes liere- 
jes, e corsarios que naquelles tempos infestavam estes mares, reque- 
reram que as mudassem daquelle Mosteiro, e com effeito foram de- 
zoito entre professas e novigas a fundar o Mosteiro de Santo André 
de Villa Franca. Ficar^m ainda seis Religiosas professas, e tres novi- 
cas, que em 23 de Abril de 1541 entraram por fundadoras no Mos- 
teiro de nossa Senhora da Esperanga da cidade de Ponta Delgada. 

Ficou dezerto o Mosteiro, e so nelle habitou hum Ermitao até o an- 
no de 1633 em que o Bispo D. Joao Pimenta de Abreu deu licenga 
aos Ermitas de nossa Senhora da Consolagào do Valle das Furnas p^ra 
viverera nelle guardando os estatutos que Ihes tinha posto, por se ha- 
ver subvertido o convento que tinham naquelle Valle com o fogo que 
assolou em 2 de Setembro do anno de 1630. Nesla Recolleta residem 

Voi. I—iN." 3—1879. 3 

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212 ARCBIVO DOS ACORES 

hoje tres Sacerdotes, e cinco Irinaos Leigos, vestem roupetas paidas 
do trage da dos Padres da Companhia. lugar he muito vistoso, e 
mui particular pelo retiro para a OragSo; aonde tem vivido muitas 
pessoas de raras virtudes. Nesta Villa de Agoa de Pào acaba o distriti) 
da Ouvidoria da cidade para a parte de Leste. 

Ao Norte da cidade em distancia de huma milha està o iugar da 
Faja Freguezia de nossa Senhora dos Anjos com cento e cincoenta e 
cinco fogos e quinhentas e setenta e sete almas de confissao. Duas 
legoas ao Norte junto ao mar daquella parte està situado o lugar das 
Gapellas Freguezia de nossa Senhora da Apresentagào com cento e oi- 
tenta e oito fogos, e setecentas e trinta e duas pessoas. Para a parte 
do Deste da cidade em distancia de meia legoa fica o lugar da Relva 
Freguezia de nossa Senhora das Neves com quatrocentos e sessenta e 
hum fogos, e mil setecentas e sessenta e nove alnias de Confissào. 
Daqui corre a Costa ao Noroeste, e segue-se o lugar das Feteiras Fre- 
guezia de Santa Luzia; tem quatro centos e sessenta e dois fogos, e 
seiscentas e sessenta almas de Confissào. Depois deste fica o lugar 
de Candelaria Freguezia de nossa Senhora das Candéas; tem cento e 
dez fogos, e quatrocentas e quarenta e seis pessoas. Segue-se o lu- 
gar dos Ginetes Freguezia de S. Sebastiao, a cuja Igrqja he annexo o 
Curado de JESUS Maria Joseph do lugar da Vargem; tem ambos du- 
zentos e quarenta e tres fogos, e novecentas e cincoenta e sete alnias 
de Confissào. Na ultima ponta da llha ao Noroeste a que se chama 
dos Mosteiros, fica o lugar do mesmo nome; o Drago da Freguezia he 
nossa Senhora da Concei?ao; consta de cento e vinte e oito fogos, e 
quatrocentas e noventa e quatro almas de Confissào. 

A segunda Duvidoria Ecclesiastica he a de Villa Franca .do Campo; 
comprehende nove Freguezias no seu destricto, em que se contam dois 
mil duzentos e noventa fogos, e oito mil seiscentas e oi tenta e oito al- 
mas de Confissào; Clerigos Presbyteros quarenta, dos quaes sao seis 
Theoiogos Prégadores. 

Villa Franca fica a Leste da cidade de Ponta Delgada em cinco le- 
goas de distancia; foi a primeira Villa que houve na llha; quem a fi- 
zesse Villa, e em que tempo, se ignora por ficar tudo debaixo da ter- 
ra quando se subverteo a Villa. Chama-se Franca porque se nao pa- 
gava nella tributo algum mais que os dizimos, e do Campo por estar 
situada em uma planicie mui raza, e para dar cabal noticia tratarei da 
sua primeira fundagào. 

Depois de tomarem posse desta llha em 29 de Setembro de 1444 
OS novos povoadores, e edificarem o lugar da Povoagào vieram cor- 
rendo a llha para a parte do Deste, e achando hum campo mui plano 
e cem hum Ilhéo hum quarto de legoa ao mar da parte do Sul, que 
formava hum bom porto, levados da commodidade do sitio edificaram 
nelle està Villa. 

Ruy Goncalves da Camera, terceiro donatario da llha, vindo a ella 



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ARCHIVO DOS ACORES 213 

edificou no campo, em que hoje està o adro da, Igreja das Freiras, 
bum sumptuoso Tempio ao Archanjo S. Miguel, te ÌFoi o seu primeiro 
Vigario hum Frade de Thomar, por serem na^juelle tempo estas llhas 
sufraganeas a Ordem de Christo, e o Dom Prior de Thomar corno seu 
Vigario Geral Ihe poz logo Parocho; o segundo foi Frei Estevam, e o 
terceiro Frei Siraào Godinho, que era juntamente Ouvidor do Eccle- 
siastico no tempo que se subverteo a Villa. 

Com a serenidade dos ares, singularidade, e abundancia dos frutos 
(que so no arrebalde de Agoa-dalto havia quatro engenhos do mais 
singular assucar que ha em todo o mundó) cresceo eiii tanta opulen- 
ta a Villa que se tinha por pobre quem nao possuia doze mil cruza- 
dos, nao havendo quem por necessitado chegasse a huma porta a pedir 
huma esmola. 

Succedeo pois neste tempo vir a està Uba arribado o Padre Frei 
Alfonso de Toledo Castelhano de nagao, e parente dos Duques de Al- 
va, e vendo ser està Uba hum rascunho do Paraiso terreal, e que os 
seus habitadores totalmente esquecidos de renderem a Deos as gra^as 
pelas delicias, em que os tinha collocado, se tinham entregue a todo 
genero de vicios, qual outro Jonas aos Ninivit^s, os come^ou a ex- 
hortar a que fizessem penitencias por suas culpas, para que Deos os 
nao castigasse. A todas as suas exhorta^oes cerraram os ouvidos; 
porque tinham os cora^oes tao obstinados comò o de Pharaó, e trata- 
ram so de calumnìar ao servo de Deos levantando-lhe testemunhos 
falsos; outros fazendo zombarla do que Ihes pregava diziam: «Comamos 
as nossas gallinhas, porque diz o Frade que havemos de morrer àma- 
nhàa.» 

Vendo Deos o pouco que aquelle obstinado povo se aproveitaya 
dos seus auxilios, e das admoesta^oes que pelo seu servo Ihe fazia, 
dezembainhou contra elle a espada da sua divina justiga em huma noi- 
te de. huma Terga para a Quarta feira, duas horas depóis da mela 
noi te, a 22 de Outubro do anno de 1522 e com hum grande tremor de 
terra arrazou a Villa, e fazendo com elle correr um pico chamado o 
Pico da Cruz, subverteo toda a Villa, e com ella perto de quatro mil 
almas. No arrebalde que fica va aonde hoje existe a Villa, que^ he ao 
poente da ribeira, que corre junto ao Mosteiro das Freiras, escaparam 
algumas casas, e huma Ermida de Santa Catharina, e nellas setenta 
pessoas, entre as quaes se contou o servo de Deos o Padre Frei Alfon- 
so de Toledo, que se retirou para elle, e descangou aquella noite em 
casa de hum estalajadeiro chamado o Bago. 

Acodiram os do arrebalde, e mais povo da Uba a ver o castigo, 
com que Deos tinha punido os moradores daquella Villa, e nao viram 
della vestigio algum mais que um campo razo. donatario Ruy Gon- 
Calves da Camera, que havia escapado com a mulher e hum filho, na 
quinta do Cabouco da Villa da Lagoa, foi com as reliquias do povo em 
procissào ao lugar em que estava a Igreja Matriz, e mandando cavar 



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214 ARCHIYO DOS ACORES 

contra o sitio eni que estava a Capella maior, acharam o Sacrario, 
e dentro delle hum cofre pequew aberto em que estava o Santissi- 
mo Sacramento, mas nao o acharam nelle. Foi para todos a auzen- 
cia do Senhor Sacramentado o sinal da maior miseria, pois conside- 
ravam os tinha desamparado. 

Huma mulher chamada Constancia Vicente, que escapou do casti- 
go estando fiando a roda, cora o estrondo della nào sentio o terremo- 
to, ouvindo huma campainha, e rumor de huma Procissao levantando- 
se para ver se era o Santissimo Viatico, que hia a algum enfermo se 
Ihe apagou de repente a luz,, e passando para outia casa a achou 
abatida o que Ihe servio de obstaculo para nào ver a Procissao, que 
se póde crer a fariam os Anjos levando o Sacramento para o Sacrario 
de outra Igreja. Nào relato coni mais extencào este castigo, assim 
porque muitos Escritores o tem relatado, comò por ser so o meu in- 
tento dar com brevidade noticias verdadeiras de toda a llha. 

Ainda que no tempo em que se subverteo Villa Franca havia jà 
nesta llha seis Villas, de gue ella era a cabega, corno os que escaparam 
estavam muito agradados do sitio, valeram-se da piedade de ElRey 
D. Joào III que no primeiro de Fevereiro de 1534 Ihes mandou pas- 
sar Alvarà para edifìcarem nova Villa, logrando os privilegios dos Ci- 
dadàos da Cidade do Porto, que logravam os da primeira Villa. Edifi- 
cou-se na parte em que hoje existe, que era o arrebalde, a imitafào da 
primeira. 

Erigiram novo Tempio ao Archanjo Sào Miguel, que he hoje a Ma- 
triz; tem Vigario/ dois Curas, Mestre da Capella, Organista, Thesou- 
reiro e oito Beneficiados com quinlieutos e quar^ta e nove fogos, em 
que habitam duas mil e noventa e duas almas de confissào, e seis 
Ermidas no seu destrito. A segunda Freguezia desta Villa he a do 
Apostolo S. Pedro; foi primeiro em S. Lazaro, porem o Bispo D. Je- 
ronymo Teixeira Cabrai a passou para està Igreja; tem semente ,Viga- 
rio, Cura, e Thesoureiro com duzentos e sessenta e quatro fogos, e 
setecentas e dez pessoas. Da Casa da Misericordia desta Villa nao 
pude conseguir noticia por quem, e em que anno, foi fundada; tem de 
renda cento e vinte moios de trigo, e dois mil quinhentos e oitenta 
e seis a dinheiro. 

convento dos Religiosos de S. Francisco da primeira Villa era ao 
pé do monte de nossa Senhora da Paz, e comò este ficou subvertido 
cx)m dezanove Religiosos, no anno de 1S25 mandou o Custodio da Pro- 
vincia do Porto ao Padre Frei Diogo Borges para ftindar' novo conven- 
to. Este elegeo o sitio, em que hoje existe. que era huma Ermida de 
nossa Senhora do Rosapio, que o povo tinha feito havia pouco tempo 
por a terem tomado por sua advogada: està Ermida serve hoje de Ca- 
pitulo, porque se fundou depois novo Tempio. convento fica à en- 
trada da Villa da parte do Occidente; he muito alegre, tem trinta Re- 
ligiosos, e actualmente huma cadeira de Filosofia. 



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ARCHIVO DOS ACORES 215 

No firn da Villa ao Nascente fica o Mosteiro das Religiosas de Sali- 
li André, e o adro està no campo em que ibi a Mati iz, que se sub- 
erteo. Està Igreja fundou-à André Gongalves Sampayo, chamado o 
lODgro, para nella dar sepultura a seus Pais que morreram na sub- 
ersào da Villa; e comò as Religiosas que viviam no Mosteiro de Val 
e Cabacos eram todas desta Villa com o temor dos Francezes corsa- 
bs, pediram a seus Pais as levassero para Villa Fianca, aonde funda- 
irn este Mosteiro dando-lhes André Goncalves Sampayo a Igreja, e 
io de Arreda o sitio. e ajuda de custo para o Mosteiro. As Religio- 
s que foram fiindar foi a Madre Maria de JESUS por Abbadega 
idez companheiras professas. e sete novigas. 
Recolhidas neste novo Mosteiro viveram vinte annos guardando a 
imeira regra seni possuiiem rendas, nem em commum, nem em 
rlicular, sustentando-se sóniente de esmolas. e conio estas Ihe fal- 
sem impetraram seus Pais Bulla Apostolica para possuirem rendas. 
(fi neste tempo trezentos moios de trigo, e dois niil novecentos e 
enta a dinheiro annualmente. 

Este Mosteiro era da obediencia dos Claustrais do Porto, e para 
tìrarem da sua obediencia Ihes alcangaram André Gongalves Sam- 
jo, e Diogo Nunes, e Jorge Nunes filhos de Nuno^Gongalves (o pri- 
eirohomeni que nasceo nesta Uba) em 16 de Julbo de 1533 do ISun- 
de Portugal e legado a Latere do Papa Clemente VII Breve para 
era obediencia aos Obsei vantes da Provincia de Portugal. Tem este 
teteiro noventa e sete Religiosas professas, e oitenta e tres novigas, 
pilas e sersas; tem tambenì mais està Villa huma c'adeira de Latim, 
^ prove Ordinario com renda particular, que Ihe dà Sua Mages- 
le. 

primeiro lugar do destricto desta Ouvidoria he o de Ponta da 
ir^a, fica a Leste da Villa, tem duzentos e vinte e dois fogos, e no- 
centas e tres alraas de confissào; o Orago da Freguezia he nossa Se- 
Dra da Piedade. Segue-se o lugar da Povoagao, que foi o primeiro 
houve na Ilha; tem duzentos e noventa fogos, e mil cento e vinte 
uas almas de confissao, o Orago da Igreja he de nossa Senhora da 
dre de Deos. lugar do Fayal Freguezia de nossa Senhora da 
i?a tem cento e cincoenta e tres fogos, e quinhentas e noventa pes- 
te; a està freguezia he annexo o Cui ado da Igreja de nossa Senho- 
de Penha de Franga do lugar de Agoa Retorta. 
A Villa do Nordeste he a primeira povoagao. que ha nesta Uba na 
Ila de Leste principio della, e a primeira parte, que véem as em- 
"cafoes que vem do Reino; os antigos Ihe puzeram este nome por 
na ponta da liba ao Nascente. Foi no principio tao abundante, e 
seus moradores tao abastados, que passando por està parte no an- 
ele 1514 humas Nàos que vinham da India, os seus moradores as 
»veram gratuitamente de todo o necessario. Chegando a^ Lisboa de- 
testa noticia a ElRey D. Manoel, que em remuneragao do obze- 

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216 ARCHIYO DOS ACORES 

quio, que Ihe haviam feito, a fez Villa por Alvarà passado em 18 d 
Julho de 1514. A Matriz desta Villa he do Orago de S. Jorge; tei 
Mestre da Capella, e quatro Beneficiados coni os mais parochos m 
tumados de todas as Freguezias; consta de trezentos e trinta e qd 
tro fogos, e mil trezentas e quarenta e nove pessoas. 

Ha nesta Villa hnm Convento de Recolletos Capuchos; foi fundai 
em huma Ermida de S. Sebastiào que havia na Villa, sendo o si 
fundador o Padre Frei Fedro da Conceigào, que da Villa da Lagi 
veio por Patente do Padre Frei Matheus da Conceicao, primeiro Pr 
vincial desta Provincia; e em 19 de Margo de 1642 se langou api 
meira pedra no licerce do Convento. 

Houve nesta Villa hum homem muito rico que deixou quarenl 
moios de trigo, a que chamam Monte de Piedade, para se repartìre 
pelo povo com obrigapao de o tornarem no verào dando mais me 
oitavo em cada alqueire para os custos dos celeiros; està hoje e 
quarenta e ciuco raoios, com que todos os annos reraedeam os poY( 
a sua necessidade repondo-o no tempo das colheitas. 

Voltando a Costa para o Norte segue-se o lugar do Nordestinli 
Freguezia do Apostolo S. Pedro, a que he annexo o curado de iwss 
Senhora do Amparo do lugar da Algarvia: constam de cento e (M 
ta e nove fogos, e setecentas e quarenta e oito pessoas. Depois àesis 
correndo a Costa ao Oeste està o lugar da Achada Freguezia de noss 
Senhora da Annunciacào, tem cento e trinta e nove fogos, e quinh^ 
tas e sessenta e seis almas de Conflssao. ultimo lugar desta Ouv 
doria he o dà Achadinha Freguezia de nossa Senhora do ^losariC 
consta de cento e cincoenta fogos, e seiscentas e oito pessoas. 

A terceira Ouvidoria do Ecclesiastico he a da Villa da Ribeira Graa 
de, consta de dez Freguezias o seu destricto, em que se contam qui 
tro mil e vinte e sete fogos, e quinze mil e vinte e sete pessoas sea 
lares, e Clerigos Presbyteros setenta. Està està Villa situada no me 
da Ilha junto ao mar da parte do Nolte, poi em nao tem porto de mi 
por ser a costa incapaz de dezembarque: toma o nome de huma grai 
de Ribeira, que corre pelo meio della; foi no principio lugar sufrag 
neo a Villa Franca, e a requerimento de Lopo de Ayres, seu natura 
a fez Villa ElRey D. Manoel por Alvarà passado em 4 de Àgo^ 
de 1507. 

He està Villa a maior de todas as desta liba, e de gente de graw 
de industria nos tractos de mercancia. Tem duas Freguezias, que eoa 
stam de mil quatrocentos e vinte e (|uatro fogos, e ciuco mil e sel^ffi 
ta e seis almas de confissilo alem dos (Clerigos Presbyteros que sa 
nesta Ouvidoria setenta, dos quaes sao nove Theologos Prégadores,^ 
hum Canonista. A primeira Freguezia he a da Matriz de nossa SeuWj 
ra da Estrella: tem Vigario. dois Curas, Thesoureiro, Organista, Mei 
tre da Capella e dez Beneficiados. a quem he annexo o Curado ^ 
Igreja do Salvador do lugar da Rìbeirinha; foi o seu primeiro Vigarfl 



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ARCHIVO DOS AgORES 217 

-Padre Rodrigo Annes. A segunda Freguezia he a de nossa Senhora 
Conceicào; tem sómente Vigario e Cura, creou-a o Bispo D. Anto- 
) Vieira Leitào, e foi o seu primeiro Vigarió o Padre Matliias Nunes 
[turai da mesma Villa. 

convento de S. .Francisco desta Villa fica a entrada della da par- 
do Poente, foi fundado eni huma Ermida de nossa Senhora de Gua- 
ilupe, que havia feito no anno de 1591 Gongalo Alvares, hortelao e 
a mulher Ignez Pires, e ella deu a Ermida, e o sitio para o Con- 
ato, para cuja fiinda^ao alcancaram os moradores da Villa, Patente 
1 Reverendissimo -Cerai Frei Archanjelo de Massana em 29.de Maio 
1606 mandando com pena de excommunhào, que nenhum dos seus 
bditos impedisse a fundagao do convento. Senado da Villa a acei- 
f em 3 de Novembro do mesmo anno. Neste dia entraram os Reli- 
isos na Ermida sendo o seu Presidente o Padre Fi ei Manoel de SSo 
irtinho. He hoje convento de trinta Religiosos, e a terceira casa des- 
Custodia. 

OMosteiro de JESUS desta Villa foi fundado no anno de 1536 por 
fAro Rodrigues da Camera, e sua mulher D. Margarida Bitancurt 
tócasas em que'moravam para Recolhimento de Donzellas pobres, e 
jnradas; dotaram-lhe dezoito moios de trigo de renda annual, e du- 
aitos cruzados a dinheiro sem obrigagao alguma. Em 8 de Feverei- 
de 1543 se alcancou a Bulla de sua fundagao, e no de 1555 se aca- 
fi a Igreja, e o Mosteiro. Vieram por fundadoras duas Religiosas fl- 
as de D. Joao de Noronha da IM da Madeira chamadas D. Joanna 
I Cruz, e D. Catharina de JESUS, que da sua patria tinham vindo 
ndar o Mosteiro da Villa da Praia da Ilha Terceira, donde vieram 
n este. 

. Passados quatro annos tornaram a ir para o Mosteiro da Praia, e 
io para este por Abbadega a Madre Maria de Christo do Mosteiro de 
illa Franca, e da creagao do de Val de Cabagos. Em 23 de Junho 
e 1563 se arruinou este Mosteiro com hum grande tremor de terra, 
por nao ficar capaz de habitarem nelle as Religiosas se foram para 
cidade de Ponta-Delgada, aonde assistiram humas no Mosteiro de 
m Senhora da Esperanga, e outras em casas particulares, até que 
^acabou o Mosteiro de Santo André, em que entraram por fundado- 
tóem 25 de Margo de 1567 tornou-se a reedificar o Mosteiro, e de 9 
BMaio até 8 de Agosto de 1577 vieram por tres vezes para o seu 
tovento treze Religiosas, das que tinham sahido delle, e ficaram qua- 
no Mosteiro de Santo André, e as mais faleceram no decurso da- 
lelle tempo. Tem este Mosteiro cento e nove Religiosas professas; 
Bvi?as, pupillas e servas, setenta e ciuco, e de renda a trigo duzen- 
9s e trinta e sete moios e 40 (alqueires) e a dinheiro dois contos no- 
eceatos e setenta e seis mil reis. 
A Casa Santa da Misericordia desta Villa tem 55 moios 19 {alquei- 
de trigo de renda, e cincoenta e seis mil e quarenta reis a di- 

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218 ARCHiVO DOS AgOttES 

funJada pelo Senado, e povo da Villa no anno de 1^92 em huma E 
mida do Espirito Santo janto a praga aonde hoje existe. 

Tem mais està Villa luun Hospicio de Religiosos da Companhia i 
JESUS com lumia Cadeira de Theologia Moral, e outra de Latim qt 
prove Ordinario com renda particiilar. Ha tambem nesta Villa hun 
grande fabrica de pannOvS de iam, e outra de meias de tliear, lodas ( 
primeira sorte feitas a casta do Excellentissimo Conde da Ribeii 
D. Luiz da Camera. 

Ao Sul desta Villa ao pé de huma serra estào humas caldeiras ( 
agoa mui calida, e continuamente fervente, em que os enferrnos toma 
banhos por serem médicinaes as a^goas dos mineraes; nestas se fabi 
caram dentro de seis mezes no anno de 15G9 mil e seiscentos e tn 
quintais de pedra hume; Ibi o Mestre desta fobrica Joao de Torra 
Aragonez de nagao, e conio Ihe nao acharam conta se extinguio a £ 
brica. 

primeiro lugar do distrito desta Ouvidoria para a parte do Poei 
te he da Ribeira seca Freguezia do Apostolo Sào Fedro; tem trezej 
tos e sessenta e bum fogos, e mil trezentas e oitenta e tres almas ( 
Confissào. Depois deste està o lugar de Rabo de Peixe Freguezia i 
Bom JESUS, a que he annexo o Curado de nossa Senhora da Boa Ta 
gem do higar das Callietas; constam de quatrocentos e oitenta fcgo 
e mil oitocentas e ciuco almas de Conflssao. lugar dos Fenaes Fra 
guezia. de nossa Senhora da Luz; tem quatrocentos e sessenta e M 
fogos, e mil setecentas e setenta e tres pessoas. Junto a este Iug3 
fica das Gapellas (jue pertence à Ouvidoria de Ponta-Delgada, e pei 
to de duas legoas ao Occidente està o lugar de Santo Antonio Fregae 
zia do mesmo Santo, consta de duzentos e cincoenta e sete fogos, 
novecentas e sessenta e sete almas de Confissào. Em huma ponta 
que a terra lanija ao Norte peito da dos Mosteiros, que he o lira da 
liha, està o lugar da Bretanha Freguezia de nossa Senhora da Ajada 
a que he annexo o Curado de nossa Senhora do Filar da grota d( 
Joao Bom: consta de duzentos e vinte e seis fogos, e oitocentas e se:? 
senta pessoas: neste lugar se finalisa o distrito desta Ouvidoria part 
està parte. 

Ao Nascente da Villa da Ribeira Grande fica o lugar do Porto For- 
moso freguezia de nossa Senhora da Graga; consta de duzentos e quatr(> 
fogos. e setecentas e sessenta e seis almas de Confìssao. Depois des* 
te està lugar da Maia Freguezia do Espirito Santo: he este lugar o 
mais bem situado dos desta Uba, e capaz de ser Villa; tem està Fnìi 
guezia dois Curados que Ihe sào annexos, o da Igreja de nossa Se- 
nhora do Rosari(j da Lojfiiba. e o de nossa Senhora da Alegria do lii- 
gar das Furnas: constam de trezentos e setenta e dois logos, e mil 
quatrocentas e oitenta e oìto almas de Confìssao. 

Este (iUrado de nossa Senhora da Alegria he no Valle das Fuinasv 
fica i>o meio da llha entre a Costa do Norte, e do Sul; tres legoas 



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ARCHIVO DOS AgOUES 219 

Nordesle de Villa Franca; he lodo cercado de altissimas ro(ihas, terà 
hunia legoa no fundo do Valle. Para a parte do Poente he verdadei- 
ramente hum rascimho do Paraiso terreal regado coin sete ribeiras de 
salutiferas agoas, entre as quaes ha hnma de agoa (juente, e muito 
medicinal; para a parte porem do Nascente he hmna verdadeira repre- 
senta^ao do Inferno, porcjue tem humas caldeiras de polme. agoa e en- 
xofre, tao horrendas, qiie nao ha outra cousa coni qne se comparem. 
calor he tao activo, que se Ihe lancareni dentro qnalquer animai, no 
espaQO de meio quarto de hora o consumirà totalmente; nao deixando 
delle outio sinal, mais que os ossos. Nestas caldeiras ha multo enxo- 
fre e caparrosa; do enxofre se tira muitp, da caparrosa nao, por se 
nfio saber fàbricar; ha tambem salitre. A parte do Sudueste dividida 
do Valle coni hmna ribanceha està huma grande lagoa, que terà de 
loagitude duas milhas, e Imma de latitude. 

Neste Valle ao pé da rocha, em que hoje existem humas peque- 
iias casas feitas no tufo ao picào, a que chamara lapas, estava huma 
Erraida de nossa Senhora da Consolacào, para a ipial vieram fazer Vi- 
da Eremitica no anno de 16Ì4 os Padres Diogo da Madre de Deos, e 
Manoel>da Annuncia(;no, o piimeiio naturai da cidade de Faro, e o se- 
gando de Evora Cidade, guiados pelo Padre Luiz Ferreira, naturai des- 
ia Uba, Entraram no Valle no mez de Maio daquelle anno, e conio se 
Ihe forani agiegando mais companheiros fizeram convento; as cettas 
em que habitavam eram as L'ipas, ou furnas, que exislem no tufo da 
l'ocha. A^jui viveram dezaseis annos coni raro exemplo de virtudes 
guaidando estatutos em fò» ina de Religlào. A dois de Setembro *do 
;!:ino de 1630 rebentou o fogo neste Valle, que todo o destruio, e os 
Eremitas fugindo ao castigo se recolheram iia Igreja do Salvador da 
Ribeirinha, aonde liabitaram dois annos; passados elles, foram para o 
Valle de Cabagos da Villa de Agoa de Pào, aónde hoje residem. 

ultimo lugar desta Ouvidoria para a parte de Leste he o dos 
Fenaes da Maia, Freguezia dos Santos Reys Magos; tem duzentos e 
quarenta e dois fogos, e noveceiitas e nove almas de (^onfissao. Neste 
lugar ha hum convento de Religiosos de S. Francisco, (jue fez Lazaro 
Rodi igues Estrella, naturai da Villa da Uibcira Grande. Principiou-se 
110 anno de 1681 sendo o seu fundador o Padre Frei Domìrigos de Sào 
Diogo, Custodio actuai naquelle tempo desta Provincia. A Freguezia 
deste lugar he annexo o Curado da Igreja do Apostolo S3o Pedro da 
Lomba 

Tenho descrito coni a maior brevidade, e clareza possivel todas as 
povoacoes desta Iltia, resta agora expender os Oragos de todos os 
Templos consagrados a Deos, que nella ha. Sào estes cento e oitenta 
e Cina), entre os quaes se contam trinta e tres Parochias, dez Cura- 
«los annexos a e!las, dezasete Igrejas de Religiosos e Religiosas, e 
oMito e vinte ciuco .Ermidas, cujus Oragos sào os seguintes: 

A Matriz do Martyr S, Sebastiào na cidade de Ponta-Delgada pa- 

Vol. I— N."3--1879. 4 



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220 ARCHI VO DOS ACORES 

droeiro de toda a liha, em cujo districto estao as seguintes Igrejas: 
A Igreja de S. Joào Ante Portam Latinam, do MOv^teiro das mes- 
mas Religiosas. A Igreja de Santo André, Mosteiro de Religiosas.. A 
Igreja de Santa Barbara, Recolhimento de Donzellas. A Igreja de 
Santa Anna, Recolhimento das mesmas. A Igreja de todos os Santos, 
da Companhia de JESUS. A Igreja do Espirito Santo, da Santa Casa 
da Misericordia. N. Senbora da Boa Morte. N. Senhora da Ajuda. 
S. Joao de Deos. S. Bento. S Joao Baptista. Santa Margarida. 
Santo Antonio. S. Matheus. S. Braz. Ecce Homo. 

A Parocliial do Apostolo S. Fedro . 

A Igreja de Santo Agostinho, dos mesmos Religiosos. N. Senho- 
ra Madre de Deos. N. Senhora da Boa Nova. N. Senhora do Am- 
paro. N. Senhora da Natividade. S. Goncalo. 

A Parochial do Patriaroha S. Joseph 

A Igreja de N. Senhora da Conceigao, dos Religiosos de S. Fran- 
cisco. A igreja de N. Senhora da Esperanga, Mosteiro de Freiras. 
A Igreja de N. Senhora da Concei?ao, das mesmas.* A Santissima 
Trindade, Recolhimento de Donzellas. N. Senhora do Desterro. Nos- 
sa Senhora da Assumpgao. S. Pedro Gon^alves. Santa Luzia. San- 
ta Barbara, na Fortaleza Real. Santa Clara. N. Senhora da Victo- 
ria. N. Senhora do Bom Despacho. N. Senhora da Piedade. N. Se- 
nhora da Saude, dirado de Santa Catharina de Sena 

No lugar da PajS 

A Parochial de N. Senhora dos Anjos. N. Senhora da Encarnagao. 
N. Senhora do Loreto. N. Senhora do Egypto. N. Senhora da Pena. 
N. Senhpra do Pilar. N. Senhora da Conceigao, N. Senhora das So- 
ledades. 

No lugar de Rasto de OSLo 

A Parochial de S. Roque. N. Senbora de Belem. N. Senho- 
ra da Rosa. N. Senhora da Gloria. N. Senhora do Livramento. 
N. Senhora das Almas. JESUS Maria Joseph. Santa Theresa. Nos- 
sa Senhora das Necessidades. Santa Margarida. Santa Maria Ma- 
gdalena. Santa Rosa de Viterbo. S. Caetano. N. Senhora de Pe- 
nha de Franga. 



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ARCBIYO DOS ACORES 221 



Na Villa da Lagóa 

A Matriz de Santa Cruz. A Parochial de N. Senhora do Rosario. 
N. Seiihora das Necessidades. N. Senhora de Penlia de Franca. Nos- 
sa Senhora do Populo. N. Senhora das Mercés. N. Senhora da Guia. 
N. Senltora da Misericordia. N. Senhora do Cabo. N. Senhora dos 
Reuiedios. Espirilo Santo. S. Sebastiào. S. Fedro. Santa Barba- 
ra. 

Na Villa de Agoa de Pào 

A Matriz de N. Senhora dos Anjos. N. Senhora da Coneeicao da 
Callonra. N. Senhora do Monserrate. N. Senhora da Natividade. A 
Santissima Trindade. S. Fedro. Santiago. 

Em Villa Franca do vCampo 

A Matriz do Archanjo S. Miguel. A Farochial do Apostolo S. Fe- 
(ho. A Igreja de N. Senhora do Rozario, no Convento dos Reiigiosos 
de S. Francisco. A Igreja de Sauto André, Mosteiro de Religiosas. 
A Igreja do Espirito Santo, na Casa da Misericordia. JESUS Maria 
Joseph. N. Senhora da Natividade. N. Senliora do Desterio. Nos- 
sa Senhora da Vida. N. Senhoia da Victoria. N. Senhora da Faz. 
S. Lazaro. Santo Amaro. Santa Catliarina. S. Be»to. S. Fedro 
Gon^alves. 

No Ingar da Ponta da Garga 

A Farochial de N. Senhora da Fiedade. Almas Santas. S. Faulo. 

No lugar da Povoagào 

A Farochial de N. Senhora Mae de Deos. Santa Barbara. 

No lugar do Faial 

A Farochial de N. Senhora da Graga. N. Senhoia de Fenha de 
Franca, Curado. 

Na Villa do Nordeste 

. A Matriz de S. Jorge. A Igreja de Santo Antonio dos Recolelos. 
N. Senhora M5e de Deos. N. Senhora do Rosario. N. Senhora de 
Nazareth. 



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222 ARCHIVO DOS ACORES 

No lugar do Nordestinho 

A Paroc!)iaI do Apostolo S. Pedro. N. Senhoia do Amparo, Cu- 
rado. Santo Antonio. N. Senhora do Pianto, (Pronto) miraculoza. 

No lugar da Achada 

A Parochial de N. Senhora da Annun6iagào. 

No lugar da Adiadinha 

A Parochial de N. Senhora do Rosario. 

No lugar dos Fenaes da Maia 

A Parochial dos Santos Reys Magos. A Igreja de N. Senhora da 
Ajuda, dos Religiosos de S. Francisco. N. Senhora da Ajuda. S. Pe- 
dro, Cnrado. 

No lugar da Maia 

A Parochial. do Espirito Santo. N. Senhora do Rosario, Curado. 
N. Senhora da Alegria, Curado. S. Pedro. N. Senhora do Rosario. 
S. Sebastiào. Santa Catharina. 

No logar do Porto Formoso 

A Parochial de N. Senhora da GraQa. N. Senhora do Resgate. 
S. Braz. 

Na Villa da RIbeira Grande 

A Matriz de Nossa Senhora da Estrella. A Parochial de N. Senho- 
ra da ConceiQao. A Igreja do Salvador, Curado. A Igreja de JESUS, 
Mosteiro de Freiras. N. Senhora de Guadelupe dos Religiosos de 
S. Francisco. A Igreja do E^pirito Santo, na Casa da Misericordia. 
N. Senhora do Rosario. N. Senhora da Caridade. N. Senhora da 
Salvagao, N. Senhora do Vencimento. Nossa Senhora das Pressas. 
(Preces?) N. Senhora da ConceiQao. Santo André. S. Sebastiiìo. 
Santa Luzia. S. Pedro Goncalves. 

No lugar da Ribeira Secca 

A Parochial do Apostolo S. Pedro, A Mae de Deos. N. Senhora 

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ARCHIVO DOS ACORES 223 

da Saude. N. Senhora da Quletacao. JESUS Maria Joseph. Santa 
Barbara. 

No lugar de Rabo de Peixe 

A Parochial do Bom JESUS. N. Senhora da Boa Viagem, Cura- 
do. N. Senhora do Rosario. N. Senhora dos Prazeres. S. Sebas- 
tiao. 

No lugar dos Penaes 

A Parochial de N. Senhora da Luz. N. Senhora das Candeias. 
S, Pedro. S. Jeronymo. S. Vicente Ferreira. 

No lugar das Capellas 

A Parochial de N. Senhora da Apresenlacao. N. Senhora da Na- 
tividade. N. Senhora da Gonceicao. Santa Anna. Anjo da Guarda. 

No lugar de Santo Antonio 

A Parochial do mesmo Santo. N. Senhora M5e de Deos. N. Se- 
nhora do Rosario. Santa Barbara. 

No lugar da Bretanha 

A Parochial de Nossa Senhora d'Ajuda. N. Senhora do Pilar, Gu- 
rado. 

No lugar dos Mosteiros 
A Parochial de N. Senhora da Gonceicao. S. Lazaro. 

No lugar dos Ginetes 
A Parochial de S. Sebastiao. JESUS Maria Joseph, Gurado. 

No lugar de Candellaria 
A Parochial de N. Senhora das Gandeias. N. Senhora do Soccorro. 

No lugar das Feteiras 
A Parochial de Santa Luzia. 



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224 ARCHIVO DOS AfORES 



No lugar da Relva 

A Parochial de Nossa Seóhora das Neves. Nossa Senhora da Af- 
flic(;.3[o. N. Senhora da Victoria. S. Joseph. 

« 

Os fogos de toda està IHia fazem o numero de 10:917 e as pessoas 
que OS habitam sao 41:518 excepto os.menores de sete annos, que 
passam de dez mil. 

Neste numero entram os duzentos homens do prezidio do Castello 
pagos a* eusta dos moradores da Ilha. 

A gente de armas he. dividida em cento e vinte conipanhias, que 
constam de 10:058 homens, exceptuando deste numero os OfTiciaes, e 
reduzindo a numepo certo todos os seus habitadores, assim seculares 
comò Ecclesiasticos, Religìosos e Religiosas, fazem o de 42:911, a sa- 
ber, 41:518 seculares. Clerigos Presbyteros 262. Religiosos F^anci^- 
canos 179. Gracianos 9. Jesuitas 16. Religiosas 853. Recolhidas 74. 
Nào entram neste numero os menores de sete annos, que passam de 
dez mil. 

Nao he sòmente està Ilha a mais populosa, mas tambem a mais 
abundante de todas estas ilhas suas circumvisinhas, tendo so a quinta 
parte de terras lavradias, e vinhas, que as mais sao montes e serras 
altissimas. Dà hum anno por outro doze mil moios de trigo, e quasi 
outros tantos de milho. De vinho perto de ciuco mii pipas, e de toda 
a casta de legumes em muita abundancia. 

Produz todo o genero de fructas, especialmente laranjas da China, 
cujas arvores ^ao tao grandes, e copiosas de fructo, (jue ha muitas, 
que dao cada anno mais de seis mil laranjas muito gradas, sumaren- 
tas e de gosto mui singular. Destas se tem navegado para Franga e 
Inglaterra, e se podem tódos os annos carregar muitas embarcagoes 
a fora a muita quantidade, que se gasta na terra; e para certeza des- 
ta verdade, darei noticia do que rendem os dizimos desta Ilha. 

No anno de 1717 que n5o foi dos mais abundantes, nem dos mais 
estereis, renderam para Sua Magestade os dizimos de trigo 1:134 
moios 55 alqueires e o das Miussas a dinheiro 10:400}51900 reis. Gasta 
ElRey cada anno com os Clerigos Prebendados e mais filhos da foiba, 
861 moios e 30 alqueires de trigo, e em dinheiro 4:544j5833 reis, e os 
mais sobejos ficam para Sua Magestade dispender comò Grào Mestre 
da Ordem de Christo. 

Nao so he muito abundante em todo o genero de fiuctos, come 
tenho dito; mas tambem tem mineraes de pedra hume, caparrosa, sa- 
litre, enxofre, ouro e prata. Os primeiros todos sabem que os ha; os 
ultimos dois, em que póde haver duvida confirmarei com quem tirou 
prata e ouro delles. 

Domingos Dias de Sousa, Syndico que foi das Religiosas de Sante 



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ARCBIVO DOS A.5ORES 223 

André desta cidade, abrindose na cerca das mesmas Religiosas ali- 
ceree de huma Ermida, vio no firn delle Immas aréas gradas que lu- 
ziam comò prata, tirou hunias, e hindo a Lisboa Ihas apuraram e ti- 
raram dellas prata com que fez duas colheres. O Padre Antonio de 
Frias, Vigario que foi de S. Roque do lugar de Rasto de Gao, de 
huma ribanceira desta liba, tirou humas aréas de ouro de que fez 
bum annel. (1) 

Parece-me que nao tenho faltado com noticia alguma memoravel 
desta liba e nao be razao que falte com a dosfogos que nella bouve 
e com bum catalogo das pessoas, que nella viveram e morreram com 
opiniao de bemaventuradas; vamos com a primeira e servirà de rema- 
te e coroa desta obra a noticia das pessoas que nesta Uba floresceram 
em raras virtudes. 

Em 25 de Junbo de 1563 tremeo tao extraordinariamente a terra, 
que OS moradores de Villa Franca, temendo outra subveràao, comò a 
de que jà fiz men?ao, se embarcaram nos navios, que estavam no 
porto, e nelles andaram alguns dias, até que rebentou fogo aonde 
hoje se cbama a Lagoa do Fogo, legando grandes pedras e ainda com 
ter este elemento por onde respirar, nao cessaram os tremores. Em 
doìs de Julbo rebentou fogo no pico do Sapateiro e laudando buma 
ribeira de ardente polme, se foi meter no mar da parte do Norie no 
lugar da Ribeira Secca, deixando illeza a Ermida de S. Pedro, que 
hoje be Parocbia. No mesmo dia respirou por outra boca no pico Arde, 
que nestes tempos ainda conserva mesmo nome e se cultiva. Em 
7 do mez vaporou por outra boca, da qual manaram duas ribeiras de 
fogo; buma correo para a parte da Villa da Lagoa destruindo as ter- 
ras do Rego d'Agoa, a outra encaminbou sua corrente para Norte, e 
queimou as terras do lugar de Rabo de Peixe convertendo-as em pe- 
dras queìmadas, e sem embargo de correrem tao lentas estas ribeiras, 
que biam diante os Cegadores tirando as paveas de trigo, fez perda de 
tres mil moios, e de trezentos mil cruzados nas terras que destruio. 

Em 2 de Setembro de 1630, na hoite de bmua Terga para a Quar- 
ta feira, às dez boras, comegou a tremer a terra com tao grande furia, 
que em varios lugares se arruinaram muitos edificios e no da Povoa- 
cao entrou no mar a terra noventa bracas. Às duas boras depois da 
meia noite rebentou fogo no Valle das Furnas ao pé de bum monte, 
onde se cbama a Lagoa secca; langou buma grande ribeira, que asso- 
lou todos OS montes e valles visinhos queimando quantidade de ma- 
deiras, com cujas cinzas se cobrio ar de buma espessa nuvem, que 
espalhando-se cobrio toda a Uba de cìnza, e nas parte^ mais visinhas 
ao fogo, da altura de buma langa. Morreram noventa pessoas, que 
andavam nos matos, por nao Ibe dar a ligeireza do fogo lugar de sa- 
birem delles. As ribeiras levaram ao mar tanta quantidade de pedras 



(4) No.^ AgorcH nao ha mina alguma d*estes metaes. 

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22G ARGUIVO DOS A^;ORES 

pomes, qiie impedirara a passagera a huns barcos qiie vinham da liha 
de Santa Maria 

No' firn de Junho de 1638 houve nesta Ilha tao grandes tremores 
de terra, que todos julgavam a queria Deos subvei ter. A 3 de Jiilho 
rebeiitou o fogo no mar, Imma legoa distante do pico das Camarinhas 
do lugar dos Ginetes, e foi tao grande a actividade, que vencendo ao 
Elemento da agoa, que naquella parte era de altura de quarenta bra- 
Qas, lan^u com a sua furia do centro do mar tanta quantidadc de pe- 
dras que fez naquella parte bum grande monte, que com a furia das 
tempestades se arrazou dahi a muitos annos. 

A 10 de Outubro de 1652 principiou a tremer a teri'a e com mais ve- 
hemencia no lugar de Rasto de Cao e na Villa da Lagoa continuaram 
até 19 do mez e ao occaso do Sol daquelle dia rebeniou o fogo ao Nor- 
deste do lugar de Rasto de Cao junto ao pico de Joào Ramos; Ibi tanta 
a quantidade de pedras que lan^ou, que lizeram um grande monte. 

Em Dezembro de 1C82 houve outros ti'em'ores de terra; os mais 
excessivos foram em dia de Sapta Luzfa. Rebentou o fogo no* mar en- 
tre està ilha e a Terceira, donde foi visto da Vitìa da Praia e um bal- 
co que vinha para està, nào pode passar por aquelia parte por estar 
mar coalbado de pedras pomes. Nas praias desta Uba sabio multa 
quantidade de peixe morto. 

Em 13 de Novembre de 1707, às duas boras dopois da meia noite, 
caliio huma bomba de agoa nas terras que ficam ao Norte do Reco- 
Ibimento de Santa Anna e correndo para o mar, parte dellas arroiu- 
bou OS muros da cerca dos Reverendos Padies da Companbia de 
JESUS e entrando pela sua Sacbristia encbeo a Igreja em altura de 
ciuco palmos de agoa; outra ribeira correo pela jua d Agoa. derribou 
algumas casas e innundou outras, em que morreram trinta e nove 
pessoas e maior fora o dano se as agoas se nao recolhessem ao (colle- 
gio, evitando maior mina està divisào. 

Em 14 de Novembro de 1713 principiou a tremer amiudadas ve- 
zes a terra e com maior vebemencia paia a penta do Noroeste da Ilhn, 
aonde nos lugares dos Mosteiros, Ginetes e Candellaria cabiram as 
Igrejas e a maior parte das casas; continuaram os tremores até 8 de 
Dezembro a noite, em que de Imma rocba das Sete Cidades que ti; 
ca ao Norte do lugar dos Ginetes, rebentou buina ribeira de lodo, 
(jue correndo paia o mar nao fez dano algum. 

Estes foram os castigos de que tive noticia. com (pie. Deos tem 
ameagado os nioradores desta liba tornando a mesma terra e os seus 
mineraes por instrumeiilo da sua ira, e maior fora o rigor com que v'- 
bràra contra nos a espada da sua Divina Justiga, se nào attenderà, 
ser està Uba patria de tantos Santos e virtuosos Varóes que com e 
seus rogos pacificaram a sua ira e com as suas virtudes eniiobrect 
ram e exaltaram a sua patria. 

(No poi'iììiO iV." se continaarà com o catahi/o a (jue o ar^U/r sc' refeìe.) 



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DOCimiE^TOS BELATIYDS AS ILHAS DOS ACORES 



Ordem Regia de ISOS, para se entregarem certos paramentos ao Vi- 

sitador >'as€o AOboso, destinados &s egrejas dos A(ores, 

e conta da eotrega. 

Luis de Goes, mandamos vos que dees dezoyto toalhas francezas 
pera aitar, e olamda pera quatorze corporaes, pera as igrejas das 
ilhas dos A^ores, e emtregares ludo a Vasco Afonso, vigairo de Ma- 
chiquo, que ora tem cargo de visitador delas, pera Ihas emviar; e per 
este e seu conhecimento vos sera ludo levado em despesa. (*) 

Sprito (escripto) em Lisboa a v de junho, Gaspar Roiz o fez, de v*^ 
e cinquo (1505). 

Rey . . . 



Recebeo o dito Vasco Afonso» vigairo de Machico, de Luis de Goes, 
thesoureiro, trinta varas de toalhas, a saber: dezoito varas (e) terga, 
davaliagani de|cemto (e) dez reis (a) vara. E onze varas (e) duas ter- 
cas de cemto (^)jquiiize reis (a) vara. E cinquo varas dolainda de 
dozentos reis (a) vara. Em Lixboa a xxv (25) de junho de i v^ e 
cinquo (1505). 

JoRGE Correa 

(Arch. Noe. Corp. chron. Parte i.^ Mag. 5, Doc. 27:) 



(•) Substituiram-se, n'este e se^intes documentos, algumas minusculas por 
maiusculas, e bem assim se introauzio a ponctuagào necessaria, para maior cla- 
reza. 

Voli— N« 3—1879. 5 

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228 ARCHIVO DOS ACOHES 

Ordeiu Regia de <S23 a Antonio Borges, sobrc a compra de Iri^o era 
S. Miguel, para as IVacas d* Africa. 

Antonio Borges, nós eli Rey vos eniviamos niuito saudar: pellas 
cartas qiie sprevestes aos veedores de nosa fazemda, vimos a diligen- 
cia que laa lazees nas cousas de nosso senii(;o e cargo a que fostes, e 
ouvemos dello prazer; pellas quaes , cartas llie daveis conta que avia 
laa booa nouidade este ano e desposicao pera vermos de laa pao ern 
abastanca, pera os nosos lugares daileni; e que valila a mill Rs. o 
moio do triguo, e a dozentos e sesenta o da ceuada, oferecendo vos 
pera com toda diligencia nos seiuirdes nisso. conio sempre flzestes. 
E a este tempo tinliamos hordenado de emviai'^Iaa sete navios e eni 
cada hum delles huum noso criado, pera com toda diligencia compra- 
rem mais pao que podesem, atee trezentos niois cada huum, e o le- 
uarem em ties viagens aos nosos lugares e cidades d'Azamor, Maza- 
gao, Qafim, Samta Cniz; indo os ditos caualeiros nos mesmos navios 
e viagees, pera com mais diligencia e cuidado se fazerem as viagees 
e emtregas do dito pao, corno de feito ouuemos por beni que fosem e 
laa verees por suas provisoes e nosos Regimemtos, que leuao, o que 
sprevestes ao barao em bua carta e a doni Pedio em outra. 

E porque se bya espedindo o verao e os mandavamos partir de- 
presa, Sem byrem armados e pello risquo que corrìa o dinheiro ue- 
cesareo pera compra do dito pao, ouuemos por escusado leuarem no, 
porque fazemos fundamento de o emviar da(|uy a tres meses, pouquo 
mais ou menos, em hum navio àrmado; e demos a cada huum delles 
comisao e autoridade per noso alluaraa peia comprareni o dito pao 
com vosquo, ou com o contador, corregedor ou allmox®. ; e o piego 
que custar, com seu conliecimento publico. em que o decrare e o tie- 
lado do dito alluara, ficamos de pagar a seus donos. Fello qual vos en- 
comendamos e mandamos (|ue vós ajudes aos ditos nosos criados, a 
aviarem e comprarem o dito pao, e o leuarem aos ditos nosos lugares 
dalem, s. : trezeutos moios cada huum, que foi orgado que os ditos lu- 
gares aviam mester; os (juaes os leuarao per a repartigam e horde- 
nanca (|ue de caa leuao e no conto deste dito pao Ihe emtregarees os 
cfAx'^ {170) moios de triguo dos propiios que escieuestes que laa es- 
tnuao do rendimento da fazenda, (jue foy d Afonso Royz; e poi* està 
inandamos ao noso allniox.^, em cnjo poder forem, que volos emtie- 
guem e cobrem voso conhecimento e o trelado desta pei*a sua conta; 
eesto cumpra asy seni nenhua duuida que a iso ponha. 

Item outro sy avemos por beni que os dozentos e trinità mill Rs., 
que dizeis que tèndes e fezestes na fazenda de Joije Dias, (|ue vendes- 
tes, OS comprees e empreguees no dito trigno, pera os ditos luga- 
res. 



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AnCHIVO DOS ACORES 229 

Item avemos por bein qne o allmox/ eiu CHja mao estaiii os do- 
zeiitos mill Rs, qiie se fizerào dos spravos (escravoa) (|ue se hy venile- 
ram, vollos emtregue pera compra do dito pao, pera o qiial vay com 
cste noso mandado pera vos fazer delles emtregua. 

Item alem do pào cjue se montar nese dinheiro, fjue tendes, e vos 
mandamos entregar, vos encomendamos que trabalhees davjar e com- 
prar com OS ditos nosos criados, o qne mais for necesario pera con- 
pra dos dous mill, (ein darò) que hordenamos que ieuem 

aos ditos lugares, buscando o asy fiado porque logo liyrà dinheiro 
pera elle. 

Item porque nam somos certo de vos este noso recado laa achar, 
por espreverdes que the fini dagosto estarees laa sem partir, avemos 
por noso ser\ico que sendo vós partido, està uosa carta seja emtre- 
gue ao comtador Martini Vaaz, ou ao corregedor Antonio de Macedo, 
e qualquer delles que asy hy esteuer sendo primeiro o contador, e 
nao estando hy, ent5o seja o corregedor, ajam està por sua e cobrem 
ha sua mao os ditos dozentos mill Reis, dos spravos, e os clxx moios 
de triguo, dos propios e os entreguem aos ditos nosos criados e co- 
brem seus conhecimentos, pera sua guarda e Ihe dem em todo o que 
poderem o milhor avyamento que for posyuel, empregando os di- 
tos «e Rs. (200^000) em triguo, que Ihe emtregarao com estoutro dos 
propios, e OS ajudem a averem o mais pao Bado que poderem the 
contia que asy hào de carregar e leuar pera os ditos lugares; e em 
todo ajam està carta i)or sua e cumpram e facam o que a vós por ella 
mandamos fazer: e posto que diga que primeiro està obra fa^a o cor- 
regedor que comtador; sera primeiro o comtador por ser cousa que 
toca a seu cairego. 

Item sprever nos eis loguo pello primeiro navio que de llaa partir 
pera caa, o que niso farees sobre o aviamento deste pao hyr aos ditos 
lugares dalem com toda presteza, comò a noso seiTifo compre: e todo 
conlheudo nesta carta mandamos que inteiramente cumpra o dito 
contador ou corregedor, na sobredita maneira; e este aviso nos spre- 
vey per duas ou tres vias dos prymeiros navios que vierem, pera sa- 
bermos o que se faz e compre de sprever e venham as cartas emde- 
rencadas ao conde de Vimioso. 

E por està vos mandamos que a cada bum dos ditos caualeiros ' 
requeiraes que vos mostrem seus Regimentos que de nos leuao, nos 
quaes nós Ihe mandamos que o fagam asy. Sprito em Thomar a xvj 
(16) daguosto, Manuel] da Costa o fez, de mill b.*' xxuj. (1528) 

Item Porque pera o c^omto de dous mill e duzemtos e vimte e dous 
moios que estes quatro lugnares ào mister ftizemdo estas sete cara- 
vellas tres viajees cada bua a rezam de cem moios por viajem, fale- 
cem cemto e vimte e dous moios; vos mandamos que se per vemtura 
algSas caravellas forem mores de cimquoenta toneis, e por eles achar- 
des que se posa leuar estes cemto e vimte e dous moios mais, que 



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230 ARCHIVO DOS ACORES 

asy se faga; e.nam podemdo, que fretees alguum iiavio pera os leuar, 
e nam no achamdo, por està mamdamos a quallfjuer dos sobreditos 
nosos caualeiros da guarda que vyrdes que o milhor pode fazer, faga 
mais hua viagem e avisar nos heis qual he, e isto seni embarguo de 
Ihe dizermos em seu Regimento que fagam ties sonienite. 

E mais do resguardo dos capitaes de Caflm, Azamor e Samta 
Cruz, a vimte moyos cada huum, sasenta moios; os quaes com os 
cemto e virate e dous que sam mais da carregua das tres viages, de 
cem moios a cada cara vela, fares leuar pela sobredita maneira: e eu 
Afonso Mexia o sobsprevy. 

E posto que em cyma dizemos que vao estes sete caualeiros com 
sete navios, s. : cada huum com seu; parecenos myllior aviamento leua- 
rem loguo juntamente os mais navios que podesem pera loguo c;irre- 
garem jumto, e leuarem per hua soo viajem, se ser poder, e navios 
leuarem pera iso, o que aviam de fazer nas tres viajes. Emcomenda- 
mos vos que a deligemcia que vos mandamos fazer nas ditas tres via- 
jes, fagaes por Ihe daar em hua, ou nas que poderem carregar o dito 
pam, e fazer o compri memto da carga que queremos que ieuem se- 
gundo se em cyma comthem, e cada huum delles vos dyrà os navios 
que lena a seu carguo e vos mostrarà per certidao de Nuno Roiz, 
veedor de nosa fazenda, no Alegarue, ou do allx.® (almoxarife) de Se- 
tuuell, quantos e quyjandos sào os navios que Ihe deram, e fazemos 
fumdamemto demviar jumtos tamtos navios por nos parecer que o pam 
sera jà emcarrado e fora das eyras^ ou a maior parte, e que sera por 
elio mais lygeyro de carregar, e estarà mais à mao; e se com todo 
esto vos parecer e llaa consultardes e achardes que sera mais noso 
servilo irem allgus destes navios com allgus dos cavalleiros que nel- 
ies vaao fazer a carga, a liha Terceira, ou a outra desas dos Agores, 
asy por parecer que llaa se acharà o dito pam mais em abastamga ou 
barato, ou que se pode fazer a carga delle com mais presteza, e que 
irà mais breue da tali Ilha aos lugares dallem, pera que os taes na- 
vios vaào repartidos, asy se faga, e queremos que vaào à dita Ilha os 
que pera elio asemtardes com os mesmos cavalleiros que deuem hyr, 
e com OS sobreditos nossos oficiaes, a que sprevemos que ajudem a 
daar todo fauor e avyamento; e mandamos ao caualleiro ou cauallei- 
ros, que pera tali ida forem hordenados, que com rauita deligemcia 
fagao e Ieuem consyguo as cartas que ha cada huum mandamos 
aquy daar pera as darem aos nosos almoxarifes e contadores. que llaa 
ouuer, pera em todo os ajudarem a seu despacho, e isto seja horde- 
nado e comcrohido com a mais deligemcia que poder seer, e lembra- 
mos vos, que o pam que vós per nosa vìa, e os ditos cavalleiros pella 
sua, comprardes queremos que seja enixuto e l30om e desta novidade 
deste anno presemte, e nam do pasado, olhamdo que nam tenha mes- 
tura do mào e veiho, porque temos sabydo (jue o pam d huum anno 
pera outro desas ilhas he tam mascabado, que nani he pera fazer del- 



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ARGUIVO DOS ACORES 231 

le fumdameato; e por tanto sereis todos avisados de o nam comprar* 
des inda que mais barato vollo dera. 

^ Rey . . . 

ho Conde 

(Em baixo) Pera Amt.^ Borjes sobre a compra do pam. 

(Ardi. Nac. Corp. Ckron. Pan. i.^ Mag. 29, Doc. 120.) 



■— ■aCT'- g'g» ' gS — - 



Carla a El-Beì pelo Dr. Loiz da Guarda, Gorregedor dos Acores 

em <S48, sobre a arribada à liba das Flores, de om oavio em 

qoe vinham doas caixas dooro da Mina 

Senhor 

Ao porto desta cidade veo te» bua nào de Vilado Conde per nome 
Nosa Senhora da Misericordia em que vinha por mestre dela Marquos 
Aluares, e nela vinhao Dieguo Alvarez e Christouao Fernandes, mes- 
tre e piloto do navio Esmerilhao, que era na mina e asi outras pes- 
soas que vinhao no dito nauio e deram nona que o dito nauio por nào 
vir pera nauegar arribara a iiha de Sani Tome, e que ahi por mandado 
do capitào da dita ilha se meteram o capitào e escrivao com a maes 
gente do dito nauio com dous cofres douro de V. A. na dita nào, e 
que a dita nào abrira no mar de maneira que com agoa, per muitas 
vezes cuidaram de se perder, e que chegando à ilha das Flores pare- 
cera bem* a todos que os ditos capitào e escrivao saisem com os ditos 
cofres na Villa de Santa Cruz, onde sairam, e que la flquapam; Pedre 
Anes do Canto e eu, fomos loguo à dita nào onde fizemos as diligen- 
cias necesarias e parecenos maes seruiQo de V. A. esperaremos pola 
armada que ha de vir busquar as nàos da Indea pera hir pellos ditos 
cofres que mandaremos daqui por elles, asi por se escusar gasto, corno 
por se dizer nesta ilha que de Diepa de Franga he salda grande armada 
e nao se sabe pera onde, pello qual eu pasei hua carta pera os juizes da 
dita vila em que Ihe mando que tanto que Ihe for apresentada, loguo 
aposentem- aos ditos capitào e escrivao com os ditos cofres em casa 
do maes riquo homem que ouuer na dita villa e onde maes seguros 
posam estar e que notifiquasem aos ditoscapitào e escriuào que se 
nao embarquasem em nauio nenhum com os ditos cofies nem sem elles 
ale nào vir a dita armada que hiria por elles e que se o contrairo qui- 



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232 AHCHiVO DOS ACORES 

zesein fazer que eltes Juizes Ilio nao consontLseni; escreiio isto a V. A. 
peri que saiba a deligeiicia que uiso se fez. Noso Senhor acreceute 
OS dìas de vida a V. A. com jimita saude. 

Desta cidade dAugra, oje xxi de -Maio de 1348 annos. 

DOCTOU Luis DA Gl'Al»DA 

Sobrescripto — A El Rei noso Senhor 
do c.^' das lUias dos Acores. 

(Arck, Nac. Corp, Cliron, Part. i:\ Mac. 80, Doc 116.) 



-^=<5-~£i>-'aK^— 



Carta a El-Rei por Gaspar do Rogo Raldaya, ei» <Soi fazendo 
varios pedidos e qiieixas do Dr. Jfanoel Alvares 

Senhor 
«I 

capitam Manoel da Ganiara me niandou da parte de V. A. que 
seruise nesta cidade, donde sou morador, de capitam de companhya de 
n^ {200) honies, comforme ao Regymento que de V. A. tem, e porque 
ho RegjTOento diz que eie mande fazer dous Ij uros de deferencas de 
pesoas darcabuzes pera cyma, comforme a sua ordenacam, e que os 
que nam ouverem d entrar nela, eie capitam faca com eles alardo hua 
vez no anno, eu me escusaua por ter (pie lio carego nam he de meu 
foro. 

Alegando que sam {soti) de V. A. e dos principaes he onrados de to- 
da a ilha, seruyndo me senpre de dous cavalos e mula, que tmiho conti- 
nos,tendo grmas dobradas de cavalo e pee, comò eie capitào sabia, e o 
mesmo heram meus irmaos, tres que tenho e fdhos, e (pie por seriiy- 
CO de V. A. com eles e meus criados e seus, he {e) caseyros e forei- 
ros emcabecados, que >iuem em minhas eidades, ajuntaria \f homès 
em que entrasem cento de cavalo, (|ue folgasem ser por mym manda- 
dos quando eie capitam nam estiuese na terra. E estando, fose adayll, 
e que me dese carego com eles de bum sytio da (^osta, e portos do 
mar de mais perigo. E que com hos de (lavalo he de pe faria mais 
senigo, que ser capitam de soldados, cousa (jue nunca tyz; pera que 
entrando contrairos (?) na terra, com os de cavalo tornando os arca- 
buzeiros besteiros nas ancas, com mais breuidade seriam prouidos 
que ha pee. 

E por capitam me dizer que nam tynha prouysao pera gente de 



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AHGHIVO DOS AGOftES 233 

cavalo, e (|ne de nonliua calidade avia de escusar alguem, que da par- 
te de V. A. me niaiidaua que seruyse o carego coni quatro miUreis 
dordenado por ano, e que asy o averia por beni e V. A. leuaua gosto. 
Eu ho aceitey, e regeitey ho òrdenado e que ho queria sei uir seni eie, 
coni gastar de niinha fazenda o cpie fose necesario, sendo V. A. diso 
seruydo. 

E logo tanto que ho capitani niandou lanf-ar pregoees que toda pe- 
soa de qualquer calydade que fose, se fose ao canpo que se diz da 
C()ncei(;ani (1) coni as armas (|ue tiueseni pera se esprevereni, e fazer 
alardo da soma. Eu coni nieus iimàos e lìlhos solteyros dous, ajun- 
tanios cento e vynte honies criados e caseiros nosos coni arcabuzes, 
espingardas, hestas, lancas eni ordenaii^a coni hua bandeira de mi- 
nhas ainias e atanibor pelas mas pera anymar os iiomes que o mes- 
nio fyzeseni, isto poi' vezes, fny dar vista ao capitani oferecendo nos 
pera seruico de V. A. (|uando de nós se quyzese seruyr. 

Pec^ a V. A. que me fata merce do olicio de hadayll desta yllia, 
peT%-j|ue syrua coni os de cavalo, pois ha muitos na terra que de- 
les se serveni, e que lio sabem beni fazer,^como dyrà o doutor Ma- 
nuel Alvarez deles e de mim a V. A. que todos nos desafiou por bum 
cartel! seu, sendo mantedor, com prego posto, pera coni eie corerem 
tres careyras, cada avintureyro, tomando juize^ pera julgarem comfoi- 
me ao desafyo, de penas (?) corpo, langa; e se enfornie se sam pera 
seruir no ofycio (jue pego de vantagem do carego (|ue ora o capitani 
me ocupj a pee. 

E poys a V. A. dcy està conta pareceo me rezani pelo que vay a 
sua concyencya, dyzer Ihe o grande clamor, (jue vai de grandes e pe- 
(juenos iiesta terra dos agrauos (pie noia nos tem feito o doutor Ma- 
nuel Aluarez, com o carego e conifianga ([ue V. A. dele confyou, pera 
as avaliacoes das fazendas dos moiadores, pera os xxx (30^000) cru- 
zados da tbrtaleza, artelharia e munigrio. E a desomanidade e crueza 
qne fez e niandou fazer contra nó^, residindo sempre nesta cidade, 
mandando^rear de area, que nao custaua poua) a trazer, tres ruas 
principaés e de mais vezinhanfa, i)era nelas corer careiras de'canas 
cada dia fora de tempo aos dias santos e de fazer, mandando trazer 
por bum seu, o corde! e argola, e mandando a por às janelas donde po- 
dese dar milhor vista, até que se sintio lio agrauo que os moradores 
recebiam e se avoreceram, hocupando jiera sy que leua cada dia de 
seu òrdenado quinhentos rais, afora aposentadoria de duas casas que 
eie doutor ocupa, sobradadas, coni Ihe fazerem portaes pera se seruir 
de liua peia outra^, podendo se agasalhar em bua soo, com quatro nio- 
cos <iue traz de uu (4^S(^0) reis, hocupa as duas que valem de ren- 



(1) Deve e!ìteii(ler-.<e o campo de S. Francisco, convento da iiivocarào de 
N. Seiihora da Coiiceigao, pois o inosteiro em que estào actualmentt? as Vepar- 
tigOes publicas, ainda mo existia n'aquoUa epoclia. 



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234 ARCHIVO DOS ACORES 

da xii {12^000) reis por anno, e por eie doutor nam querer roupa pera 
cama de sua pesoa, desp.^* que sam obrigados a dar, senam cobritores 
de panos finos e enfronhados, Ihe pagani nu viu^ (4^800) reis por 
anno, que somam xvi viu^ reis, (16^800) leuando mais a muitas pé- 
soas que Ihe deram muitas vaquas, porcos, carneiros, mei, mantey- 
ga, infmidade de capoees, galinhas, que lodo paga o pouo. 

Tanto que eie doutor a està iiha cliegou, afirmou que valia cìn- 
quo contos douro, que parece que asy o dyrya a V. A. , ou a quem 
Iho disese, trazendo prouisam que em cada lugar, que fose, escolliese 
dous homes onrados, afazendados, de boas conciencias, sem sup.** fsus- 
peita, gite fizessemj as avaIyaQoes das fazendas, e nesta cidade que he 
todo da ylha, escolhesse outras duas pesoas da propia calydade, 
que fosem dela naturaes e moradores, pera q seruisem hum de te- 
soureiro e outro desprivam, e que tanto que seruisem os ofycios, 
eie doutor o fyzese saber. a V. A. pera os prouer de mantimento pera 
eles; ho que eie doutor fez pelo contrayro, porque avendo muitos nes- 
ta cidade e criados seus, escolheo os mais siispeitos que ha em toda 
a ylha, seus amigos em estreita amizade, e homes que em todo fyze- 
ram e guizaram o que eie doutor mandaua, e asi o dyram grandes e 
pequenos de que vai grandisymo clamor. 

E foram os avalyadores hum Francisco d Aruda que he rendeiro 
encabecado dele doutor, he que viue em suas terras d arendamento 
de que Ihe paga grosa renda de trigo cada anno, e seu procurador 
abastante, e faz suas cousas e o seme mais que criado. E tanto que, 
quando eie doutor a està cidade chegou, por Ihe nam poderem dar as 
casas que pedia, se agasalhou em sua casa com os seus, e amigos, 
que em sua companhya vinham, bem xx dias, e o banqueteou a eie 
doutor a sua custa, comò que fose conde; de que vay grande clamor 
porque logo se dise, que ho dito seu rendeiro avya de ser o esco- 
lliido. 

outro foy hum Gaspar Ferreira, homem multo pobre he que tem 
vyndido e e mpen hado sua fazenda por mais do que vali, de. que paga 
cada anno lxxx (80&000) reis em dinheiro e tantos toucynhos, os 
quaes ditos homes por serem amigos comò sam delle doutor, cuidan- 
do que em avalyarem as fazendas por mais altos precos do que^ nun- 
ca foram, em mais ametade a 3.* e 4.* parte a chegar)^am aos cyn- 
quo contos douro, comtudo nam chegaram a cx)nto e meo douro, de 
que vay grande clamor. 

esprivam que eie doutor tene intylygencìa e rogou, que se fyze- 
se, eie e o capitam para o carego, he seu sobrynho multo pobre e 
pouco auto (apio) pera o carego, e que nada sabe fazer, naturai do 
Algarue, e de poucos dias casado no Nordeste, dez legoas desta cida- 
de, com multo pouco que Ihe deram em casamento, e pela enforma- 
Cam que ha V. A. deu, que ho dito seu sobrynho hera auto e natu- 
rali e morador, V. A. agora o proveo de xx {20&000) reis cada anno 



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ARCHIVO DOS ACORES 235 

d€ ordenado, coni o dito ofycio. E outros xx reis ao tysoureiro qne 
sani corenta mil reis. 

Parece que se ouuei a queui a V. A. dysera que pera recebedor 
esprivam do carego battana seu almoxarife, e esprivam dos contos ou 
alinoxarìfado, que sam pesoas muito honradas e de mais autoridade 
do que o sobrinho do doutor, os quaes a mór parie do anno nani teni 
que fazer, e se contentaram seruir os ditos ofycios com doze niil reis, 
repartidos per ambos, desta maneira so aproueitarani vynte e oilo niil 
reis cada^ anno, que mais leuam o dito tysoureyro e esprivam, e que 
V. A. ho ouuera por seu seruigo, por ser comò he a custa do pouo. 

E tanto que eie doutor tene feito seu sobrinho esprivam, logo re- 
colheo OS lyurosli sua casa, porque quiz, e por o dito seu sobrynho 
nam ser comò he pera nada, e nam saber fazer seu oflcio, os_ quaes 
lyuros sam de recepta e despesa, fez os lan?amentos e contas, pasou 
roees, aluaràs, prouisoes por sua letra, pera os juizes, meyrinho, al- 
caides de toda a yiha, sacadores, tabeliaes, com roles he ytees da so- 
ma e contya, porque os moradores avyam de ser requeridos, pelos 
quaes mandaua, que dentro em tres dias pagasem ho contendo nas 
suas prouisoes, de sua letra ludo, e que nam pagando, dentro neles 
hos avya por condenados em bum tanto, e fosem presos, e da prisam 
pagasem; dando Ihes os moradores à pynhora seus moues, bois, va- 
quas e o que tinham, eie doutor mandaua que Ihos nam tomasem, se- 
nam que os leuasem a cadea, vyndo se as pessoas agrauar a eie dou- 
tor, dos agrauos que Ihe faziam, de asy os mandar prender, e na ava- 
lyaQam ser mais do que suas fazendas valyam. Ihes respondia, que se 
fosem e pagasem, que nam avya de ryscar seus lyuros que tinha fei- 
tos, com outras palauras, de que as partes pasmauam, por nele dou- 
tor nam acharem outra rezam, e por o recurso ser no reino, e os 
mais deles pobres, se toruauam a suas fazendas, e o que valya dez, o 
dauam por cynquo, por se nam verem presos. Eie doutor grangeou 
està fazenda e recebymento comò cousa sua, e comprou niuitos moios 
de trìgo de renda e fazendas, que qua Ihe fiquam sem aver capitam 
nem outra pesoa, que ha mào ihe fose a cousa nenhua, isto a pesoas 
pobres e vyuuas, de que vai grande clamor e se aqueixam de condy- 
coes, que Ihe meteo nas esprituras. 

Eie doutor JVIanuel Aluarez por Ihe eu nam querer largar cynquo 
moios de trigo de foro, que me he obrigado pagar cada anno, bua fa- 
zenda que eie comprou a Mfìndo de Vasconcellos e por eu requerer a 
]iistii:a que Ihe mandase amostrar minhas esprituras de obrygagàm 
por hunì t.*"" (tabelliào), e citar, eie doutor respondeo que nam res- 
pondia nada, que era desembargador. e que o fose demandar a corte. 

E com desgosto que de mym teve me avaliou co m os avalyado 
res que tia sua vontaae escolheo, jninha fazenda em xxiu (23:000) 
cnizados de que me coube pagar ii^'n nii« lxxx (202^80) reis, man- 
dnndo me que pagaso a terga parte do primeiro pagamento dentro em 

Voi. I— N.«3 — 1879. 6 

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2*i6 AKCHIVO IU)S ACOIJKS 

trcs (lias, e quo nam pagando Ibse proso da maneira que tiuha mau- 
dado. corno fozia a i]iiem eie (pieria. nani trazondo pera yso do V. A. 
tal pronisani, dando Ihe a pynlHMa xxxvi inoios de trigo pera quo os 
niandase vender, que [»ao menos valyani cem mil reis. eie dontor os 
nam qiiis tornar, ante pasoii ahiaras de sna k^tra para os jnizes, alraydo 
e ofyciaes, quv me piendesem (' losoin tmscar à ponsada ooino nialloitoi 
mnitas vezes, tcwlo a tìm de me injm-iar'. Vai me dey a prysam <londo 
estive preso mais de xxx dias sf^n f^lh) mmrd qnerer aceitar o frigi» 
(]ue (lana a pinlìoia, atè que |)ao(ioy. K vyndo perante ole douloi* re- 
ipierer minila justica, dizendo crs ond)argos (jné tinlia a nam pagar p()r 
daas vyas: cpie heram, (|ue eu era ]>rofos(» (\ noyre do ahylo de (Ihristo. 
do ann% de 1529 pera qua, e por o se»* eia <*scnso de pagar ti'oJMito. 
sysa, portagem, ném ontra oustumagom. segmido constarla da «-onsoj- 
natoria e privylogios do santo padre conjlyrnìados por V. A., quo Ilio 
amostrei, os <|uaes eie dontor dise (pnV narri sahia ler jior nam m^v la- 
tino, e a outia rezam era quando V. A. nam fose diso seruido, qiu' on 
fora |>or etes lomiados mais avaliado <l<> quo minila fazenda valva e 
por tanto me desagrauase, e por* nam qiirror Ihe f'yz i*e(iueiim<Mit() r 
tyrana lumi estromento em (|no digo mais consas de sen seiiiiciL 

Kle dontor, porque eu o jram fiiase, em voz de me respondor corno 
jidgador, pos por seu desparlio, quo pidia no dontor Rui (lago. i|m' 
me nam dose des[)aclio ao tal estromenlo, sonr mandar pedir a V. A. 
lina carta que sobre mim Ihe es|)revera, pohricando ([ue em todo me 
avia de danar. com outias mnitas palamas injnriosas a geito quo me 
(leiYlese de (pie me semine gnardoy por o ter por sagi'ado, pois irazii» 
de V. A. carego que traz e sempio Ilio faloy e l'espondi comò jnlga- 
d(ir e bem ensynado, comò el(^ dira, tndo ysfo a lini (|ue nam manda- 
se meu estromento, e ])or o capitani sor com ole dontor hunha e car- 
ne, e grande seu amigo, e (pie Ilio avya do acndir a elle dontoi* C(h 
migo, estando na fym de c(Tai* o (»stroniont(», saltou romigoo capitani 
Manuel f(fu Camara ) e ]M)r liMinos e rogos me mandou (pio nani (»n- 
sase de o seguyr, e mandou chamar o fabeliam (pie o tynha e Ilio tomon. 
eu por ver asi o caso pasar nam tiivy o itito estormento o lyco asi 
desg(\«;toso, restando ])resente a todo o capilam Joam Fernandos de 
Grado, ipie he toda bondade e ontros, ostando em termos d(^ so oom- 
certar com o treslado, e me rogon o capitani ([ne fose amigo doto don- 
tor que fose, eu o nam (piis aceitar, e dist^ (pio havia osta dospi'ovoi 
a V. A. peia (pie se V. A. fose sornido Ihe fazor certo de todo o ([uc 
nosta digo, e conio elle doutor fez osta torca conu» cousa sua. couk» 
acima digo. som o (Capitani noni ontra posoa Ilio hyr a mao, noni (hi- 
sarom Ilio tomar conta da jm'di(;am (|no tomon em ([uanto a(piy ^'s- 
teue. 

K poi'que qiiantos estormentos dante .ole dOutor Manuel Alnaros as 
[)artes tyraram de agrauos i\ue Ilio fez nas avaly.'u;òes, mais do «pie 
valiam snas fazondas, a tenja ([uarta [mrte, veni desagravados pelo 



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AìuiHJVo i)0:> A<;0HKS 2;ì7 

doiilor Rui Gago, e que se iijgain oulras poi' outras pesoas conu) Iby 
(|ne lirou Manuel Piros d Almnda, (pie ja osta provido por eie dou- 
tor e outros avalyadores (jiie toinaii seni suspeita, Ihe ahateiani niil 
crnzados, e agora està pronido Aiidié Gonsaluez de Saiupayo. e poi- 
ole doutor ver que quanto tem ledo se ha de desmanehar por sei- asy 
juslira, depois que V. A. Ihe uiauduu que se tose, eslaiido delerniiua- 
do se hyr na armada, lietuu agora hua caiaueUa e nella meteo i)ecas 
de aitelharia das que Y. A. mantlou que se entregasejn ao ahnoxe- 
rife. e que nós paganios seni aver qneni Ihe Ionie diso conta, |)or re- 
zam de o capitani o nani querer fazer e as lena, e dizeni que leva a 
carego suas cousas para la as negociar (M)in V. A. 

ISein menos Ihe tomarani conta de hua [)rysani que fez a hi^n Rui 
Baj'hosa da Silva, sendo (^vdalgo e de boa casta, muito pohre na cadea 
desta cidade, porque se achou no jiorto vyndo hum pescador ein huni 
batell (jue trazia hum peixe, [lor nome garoupa, que ho mais valia dez 
rcis, nani vyndo outra, liny Barhosa mandou ao pescador tendo oficio 
pera yso, que ha dese a hum comprador do capitani Manuel da Ca- 
mara. e por o pescador Jhe dizei* que ha avya de dar ao dito Ma- 
nuel Aluarez, e mandar que ha des(» ao capitào, e leuando a |M)r dizi- 
mo o dito doutor, conio leiioii, man^lou por sy fazer hum auto contra 
dit(> Kuy Barbosa e pason aluara aos juizes, feito por sua letra que 
ho prendesem e metesem na cadea, conio de feit^) meteram, mandan- 
do |»or seus aluaràs aos lalieliàes que disesem na follia: donde o cny- 
tado" esteue preso e gastou .sua pol)j'eza l>eni xvi ou x\ dias, e i)or 
sua sentenca julgou que ho dito Ruy Barbosa fose emi^iazarlo ao Bei- 
no, e depois mandou pasar aluaià que fose solto asynando no limo 
da caceragem, e por o capitani sei conio he seu amigo, e Ruy Barbo- 
."^ii s(M- prone e ver que lias juslicas nani acudiam a iso e Ihe nani 
hiani à mao, nani tirou estoinienlo e pagou as custas e se leixou es- 
iar. ^mlindo eu o treslado desl«*s autos. pera acostar ao estormento 
ijuefyraua, ao tabeliam deles, o doutor Manuel Aluares os recolheo e 
OS ìVMu queria dar senam que hos I'osìmu tresladar em sua casa e os 
tene até que ho capitao atalhou ao caso, de (}ue vai grande clainoi". 

K tambem por me parecer que ha inposycao dos dous poi' cento 
«|uc V. A. manda por no a^nquare e pastell, (|ue seria por enforma- 
r,\u\ que heyria desta illia, e (pie o que Iha deu nani Ihe dalia (*onta 
do (|ue pasa acerqua do traballio e des]>esas com (|ue se faz, o quis a 
V. A. i\heì\ pera descarego de sua conciencia. e ilo clamor (]ne vai 

do ))OUO. 

V. A. saliera que o pastel custa a fazer ao laurador a perto de in*' 
rcis ^->vy<> ns*. o (/uwìalj em Jndlos, dos (juaes paga alein da sayda dizimo 
vyiiteiia para V. A., agora avendo de pagtr os dous por cento nani 
averà (|uem ho fìica, S(» nani for pesoa perdyda que queira fogyr, corno 
jà agora fazem muitos seni pagai* os dous por cento, porque a tali 
»'iìiposy(;am de forga ha de fycar aos lauradores, ponpie ja agoVa quan- 



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à38 AHCHIVO DOS ACORES 

do OS mercadores o comprarem ha de ser foro pera e!es, e pela ne- 
cessydade que tem de venderem nam ham de poder fazer ali, e os la- 
uradores fycam perdidos, e os mercadores escandylyzados pelas saydas, 
pelo que core rysco ho fazerem, de que V. A. recebe perda e se per- 
derà Irato. E o mesmo sera do a^uquare que se faz com mor des- 
peza aos que nelle até agora se meteram, de que vai grande cla- 
mor, e mais agora que, a segundo este anno respondem as canas e os 
agros (?) e nouydades sam desbaratados ey medo que ho larguem e 
se nam metani tantos neles comò detriminauam e faziam andamen- 
to, pelo pouco proueito que nele se faz e mais com os dous por 
cento. 

Parece que seria rezao que a emposygam se fezes e antes no vinho 
e carne que rende agora nesta cidade cada anno iilx (260$) reis, que 
se cortasem mais as midydas do vinho e aleuantase a carne, ou se en- 
tendese no termo desta cydade que nam paga até agora, e que o vi- 
nho fose contado pelo de Lixboa que he o noso padram, a qual empo- 
sygam V. A. tem concedido pera a igreia e auga e cays, que o sobejo 
seja pera as despesas, e se nam gaste em outra cousa senam no pera 
agora, e c)m os ofyciaes da companhia seruirem seus ofyc4osde graija 
comò todos faram ahastaria. E se nam que juntamente pelas fazen- 
das se fizese e se tirase hua vez juntamente e se pusese o dinheiro 
em mao de mercadores que vyuem com iso, e do ganho se pagaseni 
que V. A. ordena, e o dinheiro andase vyuo, isto porque se atalha- 
se nam aver a tali imposi^am de dous por cento, de que lodo o pouo 
clama e. se aqueixa, e creo que ho mesmo espreuem os da camara a 
V. A. Noso Senhor acrecente seu reali estado com muitos dias de Vi- 
da, comò por seu pouo he desejado amen. Desta cidade de Ponta Del- 
gada, ylha de Sam Miguell a xn d abryll de 1554 anos. 

Gaspar do Rkgo Baldaia 

Sdhrescn'pto : Pera El Rei noso senhor. 

(Arch, Nac, Corp. Chrop. Pari, i.^ Mar. 92, Doc. Sò.J 



Capitào Gaspar tlo Rcgo Baklayji foi pae de Francisco do Rogo e Sa, a quem 
D. Sebastuìo chaniou «Grao Capitào» pelos muitos e bons sorvigos prostados cen- 
tra OS corsarios que infesta va m os mares dos A^ores, os quaes sào relatados pelo 
Doutor Gaspar Fructuoso no Gap. 22, do L.» 4. das Smidmes da Terra. 
documento acinia, fornece alguns esclarecimentos curiosos sobre os valores do 
pastel, trigo, peix^i, renda das casas, orderìados e de aigum dos rendimentos pu- 
hlicos. Nào sào menos dignas de ulten(;ào as reflexOes sobre conlribuiyóes es])e- 
cialmenle as destinadas as despt^as de construc^tào do Castello de S. Braz, seu 
armamento e munigòes. Quando a Carta foi (iscripta, o nadrào das medidas de li- 
quidos, em S. Miguel, era i^nial ao dv, Lisboa; parecendo que a cultura do assu- 
car come(;.ava a declinar. 



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ARCHIVO DOS ACOHES 239 



CaHa a El-Rei por Fiiippe Maciiado de IVovaes, Corregedor de Lei- 
ria, em IS8S, commuiiicando noticias sobre os estragos que fa- 
ziani OS corsarios inglezes em S. Miguel e outras partes 

Senhor 

Oje ti (leste outiibro cliegou a este porto de Peniche {aonét?) es- ■ 
tou, hua carauela delle e vinha d Aueiro, e enformando me do mestre 
ine disse que en Aueiro auia nouas que erào tomadas dos ingreses onze 
nàos de bacalhào que vinham da Terra Noua com outras de Viana e 
Lesa, e cjue huns marinheiros das onze escaparao {sic) em um balel, di- 
serào eu Aueiro que a armada se partirà %^ feira 21 deste, da ria 
de Vigo en galiza ande se forao recolher com o vendaual dos dias pa- 
sados, e na mesma carauella achei hum marinheiro por nome Gii Me- 
na, de Cizimbra, que me disse auia 25 dias partirà da liba de Sao Mi- 
guel en hum nauio d Aueiro, e antes de partir doze dias, uieram an- 
corar ha ilha duas nàos ingresas e queimarao e botarao a traues ciu- 
co nauios, que acharao no porto, de partes, entre os quaes era ho en 
que vinha por marinheiro, e asini mais que estando ancorada bua nào 
bisquainha debaixo da fortaleza da ilha, a abalroarao de noite has 
duas ingressas, e Ihe matarao muita gente e asini da que Ihe socoreo 
da terra, e que hos niesmos ingrezes diserào ao mesmo Gii Mena e a 
outros, que se fossem ([ue antes de ciuco dias auiani de uii- 40 nàos 
ha mesma ilha. E o que se presume he ipie parte desta armada que 
dizem tomar as rias de galiza foi com ho tempo contrailo, tambem to- 
marao has 2 ingresas na ilha hum nauio d escrauos que vinha do Rio 
e OS pozerao em resgate. Pareceu me ser necessario fazelo saber a 
V. M/^ pera prover comò fosse seu seruigo; a gente deste porto e dos 
higares que a elle podem acodir, tenho aduertida e postas uigias en 
terra nos lugares acomodados, que vigiào ho mar de dia e noite com 
barcas que todos os dias mando, mas estao hos homés desapercebi- 
dos das armas algus e a terra mal prouida de poluora, mas obrigo 
aos tindeiros lerem na fortaleza ha continoa uigia e auerà nella tres 
ou 4 quintais de poluora; deve V. M.*^^ mandar milhor prouer della 
pera que auendo algua cousa, que Deus nao permitta, nao falte noso 
S.^"*; ho real estado de V. M.**" prospere per m/'^'' annos. 

Peniche ha 27 de outubro 85. 

Do C/"^ de Leiria PmijPK Machado Novais. 

(Sobrescripto): A El Ilei noso suor. 

Do C/^' da Gomarca de Leiria 
(Anh, Nac. Corp, C/inm. Pari. L\ Mac, 112, Doc, r,.) 



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HISTORIADORES DO SECULO XT 



6onus (Sannes (U* |l^itrara 

OHRONICA DO DESOOBRIMENTO E CONQUISTA 

DE GUINÈ 

Kfieripla por mandado ^v KIR<*^y O. AfToiijao V (1) 

(Extractos do quo r('S])eita aos Ayores) 

CAPITOLLO 11.^ 

ENVOCAGOM DO AUTOH 



Ja quisera fazer firn deste capitollo, se uoiii vira viir a iimltidom 
(los navyos coni as vellas altas, carregados das isllias (|iie tu j)()voras- 
te Jio grande mar Oceyano, braadando que os aguardasse, ca me (|ue- 
ryam mostrar corno noni devyani ficar fora do registo <la(iu<'st(\<. 
E mostraromme suas grandes abogoaryas, e os s(*us valles todos 
clieos dagucar, de que espargiam muyto pello numdo. E trazyam por 
testemunho de sua grande abastanca, todollos moradoi-es do regno do 
Algarve. Pregunta, disserom elles, quando soubeiom estas geìites 
qne cousa era avondanga de pam, senom dei)ois (pie o nosso pi'incipe 
povohou as illias desertas, em que nom avya outra povoracom senom 
allymaiyas monteses! E mostraromme as grandes fìlhas das (V)lmeas, 
cheas denxames, de que trazem grandes carregas (U\ mei e de cera 
para o nosso regno; e as grandes alturas dascasas, (\m) se vaao ao 
ceco, rpie se fezerom e.fazem coni a madeira daquellas partes. 

(Pag. 14.) 



(1) Fiol mente trasladada do nianu.^c'rinto ori^niial coiitiMiiporanoo, (|uc si» con- 
serva na Bibliotheca Real do Paris, e dada pela ])i'ini(iira voz (ì luz por delipen- 
cia do Viscondo da (^ari'oira, Enviado Extraordinario (» Ministro PI(Mnf)()t(Mìriario 



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AHCIUVO DOS ACOHES 241 



CAWTOLLO V^ 



NO (jrAI. FALLA SO.MAinAMEME DAS COl'SAS NOTAVEES QIE IFFANTK 
DOM HEMIIOIE FEZ POH SERVICO DE DEUS E HONKA DO REGNO. 



Klle fez povoai* no grajide- mar Occiaiio cinquo ilhas, (1) as qiiaaes 
ao leuipo da coniposìconi deste livro, estavain eiii lezoada povoragom, 
specialiiiente a iiha da Madeira, e assy desta corno das outras, seiiti- 
roiii OS nossos regnos iiuiy grandes proveitos, scilicet, de pam, e afii- 
(|uer, e mei, e cera, e madeira, e outras muytas cousas, de que iiom 
tara soomente o mosso r(*guo, mas ainda os estranlios ouverom e hani 
grandes proveitos. ...... (Pf^ff- '^OJ, 



Fez outiossy nmy grandes acrecentamentos na ordem de Xpus, 
( Clivisto), de cnja cavallarya foe regedor e governador por autorida- 
de do srto Padre, ca Ihe dea lodo o spritual das ilhas, e no regno 
coinprou terras de que fez novas comendas, a fora casas e herdades 
(jiie ànnexon aa dieta ordem. E acrecentou no convento duas mny 
fremosas crastas, e liuQ coro alto coni nmytos e ricos ornamentos, que 

llìp ofereceo pera sua servenlya 

(Pag. SI). 

CAPITOLLO XVIir . 

COMO LANCAKOTE REQIEREO LICENCA AO IFFANTE PERA IR COM SEIS 
NAVYOS A GUINEE. 

A condicom da plebe, comò diz Titollivyo, semi)re he prasmaiem de 
gi-andes feitos, principalmente nos comecos; e eslo me parece que seja 



(ie S. M. F. «a Corte de Franca, procedida de urna iutroduccao e illustrada coni 
al^unias notas pelo Visconde de Santareni. . . Paris J. P. Aillaud, 1841. 

No fini da Chronica diz o Autor, que se acabou de copiai* aos 18 de Feverei- 
ro de 1453, todavia n'ella so se relatani factos M, 1448. 

Xa Bii)[iotlieca Real de Madiùd existe urna outra copia manuscripta com a i ri- 
ti icacao de=l^ — 22== volume em folio com 160 foliias escriptas e outras mais 
«MU branco. Ha ainda outra copia na Bibliothcca jSacàonal e Real de Munick 
Ila colleccao manuscripta de Valentin! Fernandes = Cod. Hisp. 27. = , copia 
<jue Valeii'tim Fernandes acaf)0U de oscrcvcr em Portugal aos 14 de Nov(».nd)ro 

(i(» lelOG. 

Sao bi'ev(»s e mui laconicas as noticias dos Acores, mas attendendo a epoca 
<Mn que o autor escreveo, mui proxima da coionisagao, pouco mais se po<lia dizer; 
iipczar de tudo, o seu testemunlio é de grande valor e de toda a autoridade. 

(I) Pi'ovavelnKMite Porto Santo, Madeira, Santa Maria, S. Miguel e Terceira. 



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Ì42 ARCHI VO DOS A(;OBES 

pollo couheciineiito que noni ham das fiins A (|ual consa me 

parece que vy bem sperimentada nas obras deste nosso principe, ca 
logo no comeco da povoiacom das ilhas, traziani as gentes antre sy 
tam grandes murmuros. corno se em aquello se gastasse algua parie 
de sua fazenda, e fundando sobre elio suas duvydìis, corriam per suas 
departigooes, alaa que poinham o feito em bua ympossybilidade tam 
estreita, pella qua! julgavam que nunca podya viir a firn. Mas despois 
(jue Iffante comegou de as povorar. dando caminho a as gentes couìo 
aproveitassem a terra, e os fruitos come(;arom de viir pera o regno 
em muyto mayor avondanfa, byamsse ja callando os primeiros, e coni 

vozes baixas louvavom oque ante pubìicnmente doestavam 

(Pag, lO:^), 

CAPITOLLO LXXXIir. 

COMO FOE POVOADA A ILHA DA MADERA, K ASSY AS OUTRAS ILHAS 
QUE SOM EM AQLELLA PARTE. 

Por quanto eu disse no q^uiuto capitollo desta obra, onde falley das 
cousas specyaaes que o Iffaiite fez por servilo de Deos e honra do 
regno, antre as outras (jue elle tiinha feitas, assy era a povoragom, 
das ilhas, quero aquy fallar brevemente da dieta povoragora, quanto 
mais pois em estes passados capitollos tenlio fallado das ilhas de Ca- 
narea. E foe assy, que em casa do Iffante avya dous scudeiros no- 
bres, de criacom daquelle senhor, bomèes mancebos e pera muyto, os 
quaaes despors da viinda que o Iffante fez do descerco de Cepta, quan- 
do a poderyo daquelles rex mouros teve cercada juntamente, segun- 
do ja dissemos, requereromque os avyasse conio podessem fazer de 
suas honras, come liomr3es que o muyto desejavam, parecendolhes que 
seu tempo era mal despeso se nom trabalhassém algua cousa per seus 
corpos. E veendo Iffante suas boas vontades, Ihes mandou apare- 
lliar bua barella, em que fossem darmada contra os Mouros, encami- 
nhandoos comò fossem em busca de terra de Guinee, aqual elle ja 
tiinba em voontade de mandar buscar (1) E corno Deos querya enca- 
minhar tanto bem pera este i-egno, e ainda pera outras muytas par- 
tes, guyouhos assy que coni tempo contrailo chegarom aa illia (|ue se 
agora chania do Porto Sancto, que he junto com a iiha da Madeira, na* 
qual pode aver sete legoas em roda. E estando assy ally per alguus 
dyas. sguardarom bem a terra, e pareceolbe que serya grande provei- 
to de se povorar. E tornando dally pera o regno, fallarom sobrello 
ao Iffante, contandolhe a Inmdade da terra, e o desejo que tiinbam 



(1) Por està passa^'em se mostra que o Infanti^ tiiilia em vista, desde o come- 
co das expedigOes que aiaudàra aparelliar, o (leÀCobrimeiito da Guiné. Nisto di- 
liMv al^uiJi tanto o A. tlo <^Ui' diz CadaiìiOsto. (NuUi do sr. V. de SaniaremJ. 



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ARCHIVO DOS ApOBES 243 

acerca de sua povoracom; de que ao Iffante muyto prouve, ordenando 
logo corno podessem aver as cousas que Ihe compriam pera se torna- 
rem aa dieta ilha. )E aridando assy em este traballio de se encami- 
narem pera partyr, se ajuntou a sua companha BertoUameu Peres- 
trello, huu fidalgo que era «da casa do iffante dom Joham; os quaaes 
teendo tódas suas cousas prestes, partiram vyagem da dieta ilha. E 
acertousse que antre as cousas que levavam consigo pera langarem na 
dieta ilha, assy era hua coelha, a qual fora dada ao BertoUameu Pé- 
rastrello per huu seu amlgo, indo a coelha prefihe em hua gayolla; e 
acertousse de paryr no mar, e assy levarom todo aa ilha. E seendo 
elles allojados em suas cabanas pera ordenarem suas casas, sóltarom 
aquella coelha com seus filhos pera fazer criacom, os quaes em muy 
breve tempo multiplicarom tanto, que Ihe empacharom a terra, de 
guisa que noni podyam semear nhua cousa que Ihe elles nom stragas- 
sera. E he muyto pera maravilhar,' porque acharom que no anno se- 
guinte que ally chegarom, matarom delles muy muytos, nom fazepdo 
porém niingoa; por cuja rezom leixarom aquella ilha, e passaronse aa 
outra da Madeira, que sera quareenta legoas em cerco, e doze do Por- 
to Sancto, e ally ficarom os dous, scilicet, Joham GUz. e Tristam, e 
BertoUameu PerestreUo «e tornou pera o regno. Està segunda ilha 
acharom boa, specialmente de muy nobres auguas corredyas, que le- 
vam pera regar a qualquer parte que querem; e comegarom ally de 
fazer suas sementeiras muy grandes, de que Ihes vierom muy abasto- 
sas novidades. Des y virom a terra de boos aares e saadya, e de muy- 
tas aves, que logo no coniego tomavam com as maaos, e assy outras 
muytas bondades que acharom na dieta ilha. Fezerom assy todo sa- 
ber ao Iffante, o qual se trabalhou logo de envyar la outras gentes, e 
corregimento de igreja, com seus clerigos, de guisa que em muy bre- 
ve tempo foe grande parte daqueUa terra aproveitada. E eonsiirando 
Iffante comò aquelles dous homees forom comedo de sua povoragom, 
deuUies a prineipal governanga da ilha, scilieet, a Joham Gon^alvez 
Zarco, que era huu nobre homem, o qual fora cavaUeiro no cerco Ide 
Tanger eni hua batalha que ally o Iffante venceo em hua quinta feira, 
daqual a estory a do regno mais compridamente faz mengom; e ja este 
Joham GUz. fora em outras muytas boas cousas, specialmente no de- 
cerco de Cepta, no desbarato dos Mouros qué se fez no dya da che- 
gada; e a. este deuo Iffante a governanga daqueUa ilha donde se cha- 
ma a parte do Funchal; e a outra parte, que se chama do Machito (1), 
deu a Tristam, oqual tambeni fora cavaUeiro em hua cavalgada que se 
fez em Cepta, homem assaz ardido, mas nom tam nobre em todallas 



(1) Compare-se com Barros, Decad. 1, liv. I, f. 6, 7 e 8, edi^^ào de Lisboa 
de 1628. É ae notar que o silencio d'Aznrara àcerca de Roberto Machim e Anna 
(VArfet, parece indicar que este romance se nào tiiiha ainda inventado no tem- 
po do A. (Nota do sr. Visconde de SantaremJ. 

Voi. I— N.^3 — 1879. 7 



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2i44 AtìCHIVO DOS ACORES 

ontras cousas come Joham Gllz. E foe o comeco da povoracom desta 
iiha no anno do nacimenlo de Jlui Xpo de mil e iiij^xx aniios (1420); 
aqiial ao tempo da feitura desta estorya estava em razoada povora- 
(;om, ca avya em ella CL. raoradòresJioO), afora outras gentes que 
hi avya, asy corno mercadores, e homees e molheres solteiros, e map- 
cebos, e moQOs e mo^as, que ja nacerom na dieta ilha, e esso mees- 
mo clerigos e IVades, e outros que va^o e veem por suas mercadaryas 
e' cousas que daquella ilha nom podeiu scusar. 

E na era de mil iiij^.rv. (1446) annos mandou o Iffante a huu caval- 
leiro, que se chama Gongallo Veiho, comendador que era na ordem de 
Xpo, que fosse povoar outras duas ilhas, que estam afastadas daquel- 
las CLxx legoas ao noroeste; e hua daquestas comecou ó itfante dom 
Fedro de mandar povorar com prazimento de seu irmaao. e seguyusse 
sua morte (*) em breve, pello qual fìcou despois ao iffante dom Hen- 
rique; e a està poserà o iffante dom Fedro nome a ilha de Sam Mi- 
guel, pella singular devagom que el sempre ouveia em aquelle san- 
cto (1). 

E tamljem fez o iffante dom Henrique tornar aa ilha do Forto San- 
cto BartoUameu Ferestrello, acjuelle que primeiramente fora a)m Jo 



(. ) O.Infunte D. Pedro niorreo em 20 de Maio de 1449 na bataiha da Alfarrobeira ; foi jxHlant.o 
i-s\(L fiaite escripta depois (J'aqnelle anno, e prò va vel niente (quando se TUiiilia euj limiKi o vnanuscripto 
eni 1453, pois que o autor declara no Gap. 5m e penultimo, tura acal»a(ia de conipòr no anno de 1448. 

(1) Na carta inedita de GaJiriel de Vali;equa l'eita em Malliorca eni 1439, da 
qua! temos um mlgue que iios foi mui geiiei'osainente dado por M. Tmtu, se le a 
seguinte nota escripta no melo das iUias dos Agoi'es: 

« A qnestas illas forati trobadm per Dieqo de Senili, pelot del Rey de PortogaJl 
aii l*an MCCXCXXXU» (segando a rnelhor ìeitura). Transcrevemos està nota em 
razào da data e do nome do descobridor, visto que quanto a data està se contbr- 
nia coin o que diz o Padre/ Freire na vida do infante D. Henrique (p. 319 e 320), 
de que ^òni em 1432 que a iiha de Santa Maria tlos Ac^res lora descoberta por 
Gonealo Velho, e nào por Diego de Senili, comò diz Vnlseqna. De Murr, na sua 
disserta^ào sobre o globo de Martinho de Bohemia ou de Beliain, diz taml)em que 
as illias^dos Armes Ibrào deseobertas em 1432. Todavia soi)re a verdadeira e\x>-- 
ea do descobriìnento dos Acores reina grande confusào entro os AA., e se se com- 
parfio as cartas anterion^s ao anno de 1432, com o que diz o Padre Freire a pag. 
323 àcerca do descobriniento da illia de S. Miguel, (le que a cxistencia desta ilha 
concordava (segando disse o hifante Dom Henrique) com seus antigos mappas, pa- 
rece nue o descobrimento dos Acoi-es tinlia siclo effectuado antes do ((ito anno 
de 1432. 

('oui eireito na carta de Parma (1351) do xiv» seculo se v(^m marcadas estas 
ilhas, e na carta catalan da Bibliodieca Real de Pariz se encoutrào as seguintes 
ilhas no archipelago dos Ac^ores denominadas com os nomes em italiano : 

Insula de CMv'ìnarini (ilha do Corvo). — Le ConUfi. — San Zorzo (S. Jorge). — Li 
Colomlìi.— Instila de Brasil (TcTceira?).— /».w/^ de Sante (Maria?). 

No Atlas inedito da Biiììiotheca PinelU, cuja data se tem llxado entre os an- 
nos de 1380 a 1400, se veni marcadas as ditas ilhas com os nomes seguintes : 

Caprana. — I. di Brazil. — Li CoUnnhi. — /. de la VeìUura. — Sa Zorzi.—Li Coìnbi. 
l. di Cor Cimar ini. 

Na carta de V(dsequa de 1439 acima citada se v(^m marcadas estas ilhas que 



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AHCHIVO DOS ACORES 245 

ham GUz. e com Tristam, que a- fosse povorar; pero com a multidom 
dos coelhos, que caasy som infiindos, nom se pode em ella fazer la- 
vra, soomente se criam ally muytos gaados, e apanhasse sangue de 
dragom, que trazem a vender a este regno^ e assy levam a outras 
muytas partes. E fez lanQar gaado em outra iiha, que està a sete le- 
goas da ilha da Madeira, coni entengom de a mandar povorar comò as 
outras, a qual se chama a ilha Deserta. E destas vii. ilhas (*) as quatro 
som tamanhas comò a da Madeira, e as tres mais pequenas. E por 
acrecentamento da ordem de Xpo, cujo governador o Iffante era ao 
tempo da dita povoracom, deu aa dieta ordem todo o spiritual da ilha 
da Madeira e do Porto Sancto, e todo o spiritual e temporal da outra 
ilha (**) de que fez commendador Gongallo Velho, e mais da ilha de 
Sam Miguel, Ihe leixou o dizemo, e ameetade dos agucaraaes. 



o cosmografo indicou, wsendo 8 em numero, e 3 pequenas. Os nomes sào os se- 
guintes : 

Ilha de Sperta. Gnatnlla. Illa de l'Infeimo. Ylìa de. Fnfdols. Ylla de Osels 
(Uccello). Ylla de Ylla de Coi-p^Mannos. Conigi. 

É para notar que os nomes destas ilhas na carta do cosmografo maDior- 
quino sendo todavìa a mais moderna estao todos alterados, eoi quanto na carta 
catalan feita pelos seus compatriotas 64 annos antes se l(^ra os seguìntes nomes 
dados pelos descobridores portuguezes: Ilha de Corvo, de S. Jorge e de Santa 
Maria, do mesmo modo que se encontrào nas cartas italianas do xiv» seculo. 

Limitamo-cos a indicar estas interessantes particularidades ao leitor, nào sen- 
do urna nota o logar opportuno para discutir este importante ponto da historia 
geografica dos descobrimentos e da cartografìa; tanto mais que seria necessario 
mostrar se as ditas ilhas com os nomes dàdos pelos Portuguezes nos principios 
do seculo XV*», podiào jà existir 40 ou 50 annos antes nas cartas da ultima meta- 
de do seculo xn'*, com os mesmos nomes, ou se as ditas ilhas sao ou nào uma 
addigào posterior à epoca das ditas cartas. ' (Nota do sr. V. de Santarem), 

A favor da prioridade da descoberta dos Acores pelos Portuj^uezea, escrevtK) o sr. José de Tor- 
re» urna exteiisa Memoria na lìevista dos Acores^. I pag. 97 e seg., reproduzlda no Panm^ama T. XI 
(de 1854) papr. 40, aonde concine: que o desénJio das Ilhas dos Acores no Alias da Btòliotheca Pikblli, 
na Carta de Parma e outras do seculo XV devein ter sido addicionados posteriormente d epo- 
ca em que foram feitas e so depois da descoberla portugueza. Exame ininucioso, feito por uro 
habii ODsenador, seria muito para desejar, conio modo de resolver a duvida. 

Em relarao ao que escreveo ValstHjuà— X questas illas foran trobaxUts per IHego de Senili — 
observaremos que aleni dos testemunhos apresentados pelo sr. Visconde de Santaremj pcKle addìtar-se 
o do Dr. Gaspar Fructgoso rauito mais autorìsado, que o Padre Frelre (Candido Luzitano) na vida do 
Infante D. Henrique. 

A respeito de Diego de Senili, lembraremos que costumando os antigos, escrever qua.si sempre os 
nome^ proprios em breve, rauito I)em poderia acont^cer que Valsequa confundisse g." f abreviatura 
- usada para o nome de Goncalo) coni d.** (Diogo), lendo assim o tal nome em noticia que Ihe fosse com- 
municada. 

Sobre o cognome de = Stmill = cumprf3 notar, que ainda hoje em portuguez é svnonymo de = ve- 
lho =alem de ser a traducrilo latina do mesmo adlectivo, pelo que parece que o Diogo de Senili de 
Valsequa, nSo é senào Concaio Velho, com o nome de baptisrao estropiado e o cognome traduzìdo em 
latim. 

(•) Aqui ha vicio no modo de exprimìr do autor pois atraz nàto fallou senào da Madeira, Porto San- 
to, Deserta e S. Miguel. Poderia t^rabem haver lacuna, mas ao menos na copia de Valentim Fernan- 
des nào ha dìQerenca do texto acima. 

(. •) A outra ilha ciyo nome o autor ignorou é a de Santa Maria, de que Concaio Velho foi donatario 
junctamente com a de S. Miguel. 

Para melhor conhecimento da materia, nilo sera ìnutil transcrever o que dìz M. D'Avezac na sua 
obra Iles de L'Afrique, que faz parte da collecc5o publicada por Firrain Dìdot, coro o titulo de 
L'Ùmvers, na segunda parte pag. 36 se encontram os trechos seguintes: 



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ILES DE L'/FBIQUE 



PAR 

M. D'AVEZAC 



Quant aux Acores, les jésuiles Gaspard Fructuoso et Antoine Cor- 
deyro, qui y étaient riés tous deux, et qui en ont écrit des histoires 
détaillées, et roratarien Joseph Freire, auteur d'une biographie de 
i'infant dora Hgnri, devenue classique, s'accordent à piacer la décou- 
verte et la colonisation successive de ces iles, depuis l'année 1431 jus- 
qu'en 1460; et c'est Gon^alve Velho Cabrai à qui Ton fait homieur de 
la rencontre des Formigas en 1431, et de la primière reconnais- 
sance de Sainte-Marie le 15 aoùt 143i, comme de Saint-Michel le 8 
mai 1444.' 

Cependant la carte catalane de Gabriel de Yalsecca, datée de 1^39, 
- et sur laquelle est figure Tarchipel entier des Agores, offre en cet en- 
droit une legende portant que «ces iles furent trouvées par Diegue de 
Séville, pilot du roi de Portugal, en l'année 1427.» (1)-— Cette legende 
ne parait point s'appliquer aux deux iles extrémes de Corvo et de 
Flores, mais seulement a la serie de Saint-George, Fayal, Pico, Ter- 
cére, Saint-Michel et Sainte-Marie, inscrites sous des noms qu'on ne 
retrouve point ailleurs, savoir: illa de Spm'ta, GtiatrUa, ylla de Vlnfer- 
no, ylla de FruydoU, ylla de Osels, plus un nom effacé. 

Le pére Cordeyro a mentionné, au surplus, en ce qui concerne. 
Saint-Michel, une tradition d'aprés laquelle un Grec, surpris à Cadiz 
par une tempéte, vers l'année 1370, plus de soixante et dix ans avant 
la découverte portugaise, avait été emporté jusqu'à cette ile, qu'il ré- 
solut dés lors de coloniser et de se faire concéder; mais ayant voulu 
d'abord en éprouver le climat, il y revint avec beaucoup de bétail, le 
perdit presque aussitòt, et se desista en conséquence de son projet. 

Il est certain que les cartes du quatorzième siede, en remontant 



(1) Aqui ha consideravel differenga no modo de interpretai- a legenda do 
mappa manuscripto de Valsequa, sendo a principal na data, que por ser escri- 
pla em letras romanas, uns leem = MGCCCXXXII, outros tomam o terceiro X 
por um V, do que resulta 1427 em vez de 1432. 



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ARCI^IVO DOS ACORES 247 

jusqu'au portulan médicéen de 1351, nous offrent toiit l'archipel des 
Acores dessiné avec précision et détail, et avec une reinarquable exa- 
ctitude dans le groupement des iles, sauf un défaut general d'orienta- 
tion qui les aligne du nord au sud. au lieu du nord-ouest au sudest. 
Le portulan médicéen ne donne point le nom de chacune des iles, 
mais il leur attribue, par groupe, une appellation commune, comme 
Inside de Cabrerà pour les deux iles de Sainte-Marie et Saint-Michel; 
Inside de Ventura sive de Colombis pour les trois iles de Sainte-Geor- 
ge, Fayal et Pico; et Insule de Corvis marinis, pour les deux iles de 
Corvo et Flores; Tercère seule a sa dénomination propre de insula 
de Brazi, Mais les cartes ullérieures nous offrent une nomenclature 
complète, qui conserve sa physionomie italienne méme sur les cartes 
catalanes de 1375 et de 1400, et qui se retrouve encore sur la carte 
d'André Bianco de 1436, bien que défigurée dans l'inhabile déchiffre- 
ment de Formaléoni. 

Petite et ronde, Saint-Marie apparut comnje un oeuf à ses premiers 
découvreurs, qui l'appelerent en conséquence VUoìw, YOvo, VObo sui- 
vant la lecture douteusement exacte de Formaléoni. Saint-Michel, qui 
leur offrii sans doute des troupeaux de chèvres, (1) regut d'eux le nom 
de Cabrerà, Capraria, òu peut-étre Clmprera, que Formaléoni a lu 
Cìtapesa, 

Tercère, ou la troisième, que les Portugais appelaient aupaiavant 
ile de Jesus ou du Bon Jesus, e^t fameuse par son nom primitif d: In- 
sula de Brazil, où certains réveurs croyaienl trouver, comme dans ce- 
lai d'Antilia., la révélation de quelque notion anticipée de l'Amérique, 
tandis qu'il s'agissait uniquement ici d un bois de teinture qui abon- 
dait dans l'ile comme il abonde sur la terre ferme du Brésil. (2) 

L'ile du Pie offrii sans doni à ses découvreurs abondance de pi- 
geons sauvages, si Fon en juge par la dénomination d'Insula de Co- 
loìubis ou di Colonbi, ou bien simplement li Columbi, inserite sur les 
cartes du quatorzième et du commencement du quinzième siede. (3) 

L'ile Fayal, que ses foréts de hétres ont fait ainsi appeler vers le 
milieu du quinzième siede, avait été visitée plus d'un siede aupara- 
vant, et peut-étre la premiere de toutes, sous l'influence d'une tempé- 
te qui y conduisit accidenlellement quelque vaisseau; c'est du moins 
ce que semble constater le nom qui lui fui primitivement ^)nné, et qui 
se lit uniformémenl Insula de Ventura ou de la Ventura sur toutes les 
cartes anciennes, méme sur celle de Bianco, disons-le hardiment, bien 



(lì Vide a nota de pag. 248. 

(2) Na Terceira nào ha, nein nuncu houve, o pdo brazil, mas tao semente o 
sanguiuho fRhamnus latifoUusJ commum em todas as outras illias agoriaiuis. 
cuja madeira de cor avermelhada, so muito de longe, pode ussimilhar-se ao pad 
brazil. 

(3) Como OS pombos bravos sào communs e abundantes em todas as iihas, 
tanto à do Pico, corno a qualqucr outra, podiam por o nome de /. Colombis. 



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^48 ABCHIVO DOS ACORES 

que la légèreté de Formaléoni ait buiiesquement transformé Ventura 
en Benttifla, comme pour susciter à plaisir les élucubrations des éty- 
mologistes, qiii ne se sont fait faule d'expliquer gravement par l'ara- 
be la billevesée du libraire vénitien. 

Saint-George garde encore sa dénoraination originaire, San Zorzo^ 
San Zorzi ou Sàncto Zorzi, due sans doute au patron du jour où elle 
fut abordée pour la première fois. 

Ce fut probablement l'abondance des lapins qui valut à l'ile de 
Flores son nom primitif de // Conigi, défiguré en Coriios par Forma- 
léoni. Enfin, Colavo, la plus éloignée des A^ores, garde encore, sous 
cette forme, le nom que lui avaient donne les premiers découvreurs, 
lesquels, à raison du nombre d'oiseaux de cette espèce qu'ils y avaient 
rencontrés, l'appelaient Instiìa de Coìtìs mminis ou de Corvi marini^ 
que Formaléoni a lu Corbo ìnarinos sur la carte d'Andrea Bianco. (1) 

Graciosa ne pàraìt sur aucujie de ces cartes. 



(1) Sào algum tanto gratuitas as asser(;Oes do autor, para explicar o nome da 
Ilha de la Ventura, que dà ao Favai, e seni fundameiito a existeneia de coelhos 
na ilha das Flores, necessaria para justifìcar o nome de ConigL e de cabras em 
S. Miguel para Ihe competir o nome de Capraria, pois é beni sahido, que noe Ago- 
res nào se encontrou uni unico quadrupede na epoca da sua descoberta, facto 
que proprio escriptor affirma a pag. 50, d'està niesnia obra, no § Zoologie, em 
que diz: «Les Acores n'ont guère d'autres quadrupedos que ceux qui y ont été 
transportés par l'Iiomme, .... » 



^\ìMr 



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CONSIDERAQOES 

SOBRE A DESOOBERTA DAS ILHAS DAS 

Flores e Corvo 



/t; incerta a epoca do descobrimeiito das diias Illias, das Flores e 
(lo Corvo, situadas no extremo occidental do Archipelago Agoriano. 
Estas ilhas, que das outras se acham tam distanciadas e jazem arabas 
em completo isolamento, sem que das mais vizinhas se possam ver, 
foram sem davida , as ùltimas encontradas pelos navegailores euro- 
peus. 

Pondo de parte a questao, se foram os portuguezes, os primeiros 
descobridores dos Acores, ou se unicamente reconheceram a existen- 
cia dellas, por as acharem deseiìhadas nos mappas e portulanos do se- 
calo xv; sem entrar na analyse do diffidi problema de saber se a sua 
existencia foi conhecida por outros povos e se estes deixaram vesti- 
gios da sua passagem na legendaria estatua da Ilha do Corvo; trata- 
renios sómente da epoca da descoberta e colonisagao portugueza, uni- 
ca proficua aos progressos da geographia, da nautica e da civilisacao. 

Nenhum historiador contemporaneo (1) dà noticia da desc^jberta 
das ilhas das Flores e do Corvo, nem da epoca em que foi feita. 

Dos documentos (2) se deduz, que em 1439 so eram conhecidas 
sete illrtis, e bem assim que este numero nao augmentàra até 1449. (3) 
Apezar de n'estes documentos nao se declararem os nomes das sete 
ilhas, facilmente se entende, que deviam estas ser, as mais proximas 
de Portugal, as que hoje entram nos grupos orientai e centrai dos 
Ayores, isto é, todas menos as duas do Corvo e das Flores. 

Azuràra, na Chronim de Guìné (4) em 1448 ou 49 igualmente nao 
falla senào de 7 ilhas. 



(1) Candido Luzitano (Padre Francisco José Freire na vida do Infante D. Hen- 
rinae, Lishòa 1738 a pag. 319 — diz que a Ilha do Corvo foi descoberta antes de 
4447, mas corno nào cita documento algum ou a origem da noticia, pouco ou 
uenliura credito merece. 

(2) Carta de 1439 na pag. o d'este Arckivo. 

(3) Carta de pag. 7 d'este Archivo. 

(4) Pag. 240 e seguiutes d'este Archivo. 



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±50 ARCHIVO DOS ACORES 

É nà carta de 20 de Janeiro de 1453 (1) que pela primeira vez appa- 
rece nomeada a illia do Corvo. Fica pois entre 1449 e 1453 eom- 
prehendida a data da descobei'ta. Entre estas seguras balisas sera 
mais difficil errar. 

Estao tao proximas as duas ilhas que o descobrimento d'urna im- 
porta necessariamente o da outra. As tres legoas que as separam nào 
permittem a qualquer navegante observar uma, sem que se Ihe apre- 
sente a outra; quando se trata de qualquer dellas, deve dar-se por. 
certo, que a existencia da outra naò podia ser desconhecida. 

Barao de Humboldt (2), citando o manuscripto de Las Casas, 
Historia de Indias, diz: Que foi em Hespanha no Convento d'Arabida, 
que Colando sotibe, da viagem de Fedro Veìasco, naturai de Palos, o 
qual tendo partido do Fayal, depois de ter navegado 150 legoas pam 
Oeste, reconheceo a Ilha das Flores. N'outra parte repete: Jà em 1452 
Fedro Velasco, naturai de Faios, tinha descoberto a ilhota das Floì'es m- 
vegando do Fayal para Oeste, segidndo o vóo de certos passaros, (3) 

Cumpre notar, que està data de 1452, acima citada, està em har- 
monia com a Carta de 20 de Janeiro, de 1453, pois a doagao, forcosa- 
mente é posterior a descoberta, que so podia ter logar no verao cu 
primavera anterior, isto é, em 1452, segundo o costume d'entao, de 
nào navegar durante o inverno. 

Coincidindo assim as datas de origens tao differentes, nem por isso 
deixa de ser difficil conciliar a viagem do hespanhol Fedro Velasco, 
com dominio Portuguez, bem provado pela Carta de doagào de 1453. 
Duas hypotheses se poderiam dar, a primeira, de ser a descoberta pe- 
los portuguezes anterior a viagem de Fedro Velasco; a segunda de an- 
dar elle ao servigo de Fortugal, ou em navio de subdito portuguez; 
qualquer das duas nao repugna à rasao. 

Sao escassas estas noticias, mas parecem ainda assim sufBcientes 
para duvidar da exactidao do que se diz na Carta de 24 de Janeiro de 
1475 (4) em que se le o seguinte ìrecho i^Outro sim nos praz e que- 
remos que ó dito Fernào TcUes tenha e haja, e assim seus successores, as 
ilìms que chamaìn das Flor$s, qm ha pouco achàra Diogo de Teive, (5) 



(i) Carta de pag. 9 d'este Archivo. 

(2) rs'o Examen Critique de la Geographie du Nouveau Monde, ou Hist. de la Geog. 
ed. de Morgand, T. I. p. 268, e T. 3 p. 87; e Tableaux de la Nat. (1863) p. 100. 

(3) Jà Còlonil)0 linlia dito que sabia que a maior parte das ilhas que possuem 
OS poìiugyezes, as descolniram. pelo vóo dos ;}«^.s«ro.s'— Navarrcte Collecion de las 
viages y descobrimentos T. 1." pag. 170. 

(4) A pag. 21 d'este Archivo. 

(5) Este Diogo de Teive, Escudeiro do Infante D. Henrique, contractou em 
1452 com dito Infante estabelecer um engenho d'agoa na liba da Madeira, para 
|)reparar assucar; corno consta do Livro ì.'» da Camara do Funchal, fol. 132. 
Passou depois para a liba Terceiria, com Jacome de Bruges, de quem foi logar te- 
nente. Attribue-se-lbe o desapparecimento d'este, pouco antes de 1474, oào Ihe 
sobrevivendo muito, pois n'esta carta de 1475 se diz ser jà fallecido. 



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ARCHIVO DOS ACORES 251 

e Joào de Teive seti filho, e elle dito Fernào Telles ora houve par um 
contrato que fez com o dito Joào de Teive filho do dito Diogo de Teive 

que OS ditas ilhas achou e tinha, e iato naqmUa forma . que as elle 

fiouve do dito Joào de Teive e qtte ficaram por morte do dito seu pae. 

Tendo medeado vinte e tres annos entre urna e oùtra Carta, pa- 
rece este periodo muito longo, para se Ihe accommodar a phrase=^«fe 
poucoha que achdìSi. =^Em documentos da mesma natureza passados 
em nome do mesmo Rei e pela mesma chancellaria, é difflcil de expli- 
car està antinomia, que mais vem complicar a resolugao e discussao de 
tao òbscuro assumpto. 

Pode conjecturar-se, que o Duque de Bragan^a D. Affonso, nenhuma 
diligencia empregou para a colonisa^ao da ilha do Corvo, deixando-a 
em completo abandono e deserta comò na epoca em que Ihe foi dada. 
Assim se conservou até 1507, (1) em que escreveo Valentim Fernan- 
des. Diogo de Teive nao fez valer seùs direitos de descobridor, mas 
sim seu filho Joao de Teive no contracto particular de venda, em que 
Ihe convìnha occultar qualquer circumstancia desfayoravel, e por isso 
o seu dizer nao póde destruir o que se affirma no documento anterior 
de 1453. 

Diogo, conhecendo a existencia das duas ilhas desertas, poderia ir 
reconhecel-as, e mesmo com seu filho langar n'eltes aljgpm gado, afim 
de poder mais tarde vendel-as comò de facto foram vendiaas. 

Tudo isto, porem, sàio supposi^oes talvez bem longe da realidade, 

É certo todavia que a colonisagào d'estas duas ilhas foi muito tar- 
dia. So quando o desenvolvimento da popula^ao das outras ilhas attin- 
gio certo incremento, se tornou facil a emigra^ao para ali. 

Frey Agostinho Ribeiro, que depois em 1534 foi primeiro Bispo 
d'Angra, ouvindo em Lisboa, narrar a falta absoluta de soccorros es- 
pirituaes, em que viviam os habitantes do Corvo, resolveo-se com de- 
dicagao evangelica, a atravessar o oceano para ir curar de suas al- 
màs, (2) fazendo assim entrar no gremio do catholicismo, aquelles qué 
gradualmente o abandonavam e esqueciam, tornando-se quasi selva- 
gens nos seus costumeVe crengas. 

Os repetidos contractos a que se referem as Cartas regias de 1475, 
1503, 1504 e 1528, (3) mostram.bem a pouca importancia que os do- 
natarios ligavam, a estes solitarios penhascos! 

Na Còsmographia de Fedro Appiano de 1524 so se noméam set^ 
ilhas dos Acores com exclusao das Flores e Corvo, o que demonstra 
quào pouco conhecidas eram ainda entao estas ilhas, dos geographos 
estrangeiros de maior nomeada. 

E. DO Canto. 



Sì 



Vide pag. 150 d'este Archlvo 

Veja-se adiante o extracto do Ceo Aberto na Terra do P.® F. de St." Maria. 
(3) N'este Archivo de pag. 21 a 27. 

Voi. I— N.'» 3—1879. » 8 

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GÈO ABERTO NA'TERRA 



PELO 



f^.^ j^RANCISCO DE ^ANTA JMaRIA ' 

Lisboa— 1697 



UVEO IV, OAPITULO VII 

Vida do Bispo Dofn Agostinho Rìbeiro 

-Extracttì da parte relativa a Hha do Corvo 



Conversa vsi (o Padre Ago^inho Ribeiro) famiiiarmente com certo 
mògo das Ilhas, ò qual Ihe referia por muitas ve^es, a grande falla 
q padecia aquella terra, de qiiem\nsihasse os mysterìos da nossa Sa- 
la Fé, e ministrasse os Sacramenk^; affirmaya q era nella geral a 
ignoranza, e q se perdiao muitas alirtes por falta de Pastor, e de dou- 
trinà: que essas poucas Igrejas q haxia, tinhaS poùcos minislros, e 
esses poucos sem zelo, e sem cuidado: (^e particularmete na liba cha- 
mada do Corvo (tendo jà bastante copia (3^ moradores) havia bua so 
Igrieja; e de presente riao havia nem hu s(>\Sacerdote. Cada palavra 
deslas parecia ao bom Padre, que .era hu brado de Deos, que Ihe fal- 
lava ao ouvido, e o conyidava para tao santa mipresa. Jà à este tem- 
po Ihe havia a morte levado a hum de seus irmaos, ^ ò òUtro era ca- 
sado, e lograva tanlcìs behs da fortuna, que nem\necessitava, ném de- 
pendia dà sua assìstencia. Livre deste embaracoL ^ .P^^ outra parte 
combalido de fortes inspiragoes, Ihe parecia, quìb o^iiegarse a hum 
traballio de tanto merecimeto, era duresa, ou negl^encia seni descul- 
pa. Considerava o grande valor de bua alma, e as muitas que naque - 
las partes se perdiao por falta de doutrina. Quao rtarato comprarla \ 
custa do seu suor, o que o filho de Deos feito homem,\coprou pelo pre ) 
de seu sangue. Considerava finalmente, q procurar atóalvacao dos pr - 
ximos, era o melhor meyo de segurar a sua. Acofrescea, que p^ > 
mesmo tempo se dispunha a voltar para as Ilhas aAuelle seu amig ? 



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ARCHIYO D03 ACORES 253 

qual apertava instaiitemgte, para que fosse em sua companhia, 
prometendpihe conseguir as ordens necei^sa■rias do Arcebispo de Lisboa 
a cuja Diocese pertenciao entao as Ilhas (i) para que na do Corvo 
fosse admittido por Vigano, onde teria p seu zelo, e o seu espirito, 
muilo que obrar, emerecer. Admittio a proposta, e ordenando tudo 
na cpufornaidade della, se embiarcarao para a Uba, e breyeinente se vio 
Padre Agóstinho Ribeyro ^a pòsse da uova Prelasia, e tao nova, que 
elle foi primeiro Pastor de aimas, q houye naquella terra. 

ViviaS alli os hQinjens,< conservando de ChristàQs nao mais que o no- 
me, porque a vida, e ignprancia era de getios: dos mysterios da Fé, 
apenas ae conservava enta*e elleahaa notjcia confflgja; dos Mandamen- 
tos da Ley.de Deos> e da Igreja, neih $e sabia o. numero, nem a cali- 
dade: o uso dos Sacramentos se via de todo, ou despresado, ou esque- 
cido: a dissolu^ao (}os cpstumés era. corno de homes a quera faltava a 
luz dos ezeplos, e Oi freyo dos castigos- Nao desmayou o fervoroso mi- 
nistro do Evangelho.à vista de tanta ignorancia, e deyacidao, antes con- 
fìado.nos auxilios do Geo, se dispoz a desbastar, e a extinguir bua, e 
outra. Comepou a ensìnar a doutrina Christa, comò primeira baze de 
todo o edificio egpiritual: porqiie nem a Fé sem obras tem vida^ nem 
as obras sem Fé merecimento. Fazia todos os dias doutrina nos luga- 
res publico^y.cocprrendo a ella graiidese pequenos, todos co ìgual ne- 
cessidade^ e todos com igual frutto. Era lastima ver homens jà cres- 
cidos, e tal vez velhos, tab faltos de noticias da Fé, comò os meninos; 
mas era gloria ver corno aproyeitavao buns, e outros. Assistiao todos 
alegres, apr^ndiao diligentes, e parecia sahirem de bum carcere de 
escuras trévàs, a bum theatro de brilhantes luzes. Continuava o fervo- 
roso ministro com p exercicio das doutrinas, sendo a copia (Jo frutto 
que calhi^;, bua nova rasao que o animavate em pouco tempo se vio a 
Fé naquella teiTa triunfate da ignorancia, com illustrissima vittoria. 
Tratou logo de persuadir àquellas almas, que importava pouco b bè 
crer, senao se acompanhava do bem obr<£ir. Para este flm tao impor- 
tate se valeo dos rayos da prégagao nao so luminósos, mas,vehemea- 
tes; expondo-se a contrastar com os peccados, empenhando-se em con- 
verter OS peccadores. 

Erao profudas as raizes dos vicios naquelle povo: porq baviao pe- 
gado a vontàde era entendimentos, e cora^oes faltos de Fé e de te- 
mor de Deos, As làscivias, as usuras, os odìos. os homicidips,: os tes- 
temunhos falsos, os roubos, e os sacrilegios^ erao em tanto numero, 
que cabendo na malicia, nao cabiao na arismetica. Aqui se vio o zelo, 
e feryor do servo de Deos: porque com fervor, e zelo admiravel, pre- 
gava quasi todos os dias, afeando as culpas, e exhortado a penitencia 



(1) As ilhas dos Agores nunca pertenceram a Diocese de Lisboa, mas sim a / 
Ordem de Christo com sède em Thomar, e depois ao Arcebispado da ilha da Ma- 
deira, até à erecgào do Bispado d'Angra em 1534. 



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254 ARCHIVO DOS ACORES 

dellas; valeo-se para esle effeito do uso dos Sacramentos, que introdu- 
sio, corno meyo, n3o so opportuno, mas necessario. Confessou a mui- 
tos, que havia trintà annos, (1) e mais, mie n5o se haviao confessado: 
a outros fez lemendar os erros das connssoeà passadas, pela mayor 
parte sacrilegas. Homem houve de vida larga (em |epo, e em costumes) 
que na ultima hora llie confessou, q até àllì'vlyéjhà >iempre Ateista, 
persuadido (corno o nescio de quem falla David) a ;que Mo ha\ia Deos, 
e foi Deos tao niiserìcordioso, que Ihe deu! tempo desè dispor com 
tantfeis luzes da Fé, com tantos actos de arrependìmento, que deixou 
bem fundadas e^peran^as da sua salvagao, com grande alegria, e glo- 
ria do veneravel Padre. Aos q persistiao ha emenda, e des^javSo a 
perfeigao, fazia frequentar o soberano Sacramento da Eucaristfa, comò 
fonte de vida eterna, onde as almas recehem juntamente aleto, e ali- 
mento, dofura, e fortalesa. Introdusio tambem à devo(j5o da Virgem 
Sacratissima, May, e advogada de justos, e peccàdores; e fez com que 
todos OS Domingos, e dias Santos, se Ihe cantasse na Igreja publica- 
mente o Tergo, a que elle nao fallava; sendo sempre grande o concur- 
so, e grande em todos o gosto de assistir, e a devogao em rezar. In- 
ventou tambem procissoes devotas, que se faziao principalmente na 
Quaresma, excitando a penitencia com a memoria da Payxao Sacrosan- 
ta de nosso Redemptor. Entre tantas acgoes piedósas, particularmente 
se aplicava a cultivar os meninos, e mogos, em cujas almas mais fa- 
cilmente se imprime, e mais copiosamente cresce, e fruttifica o ensino, 
e doulrina; nos.grandes, e crescidos se acha pela mayor parte a con- 
traria disposigao dos maos costumes, e dos habitos viciòsos: nos pe- 
quenos falta està disposigao contraria, e sobrao outras de docilidade, 
e brandura, que conduzem para melhor se receber, e abragar o bem, 
e a virtude. A estes poes doutrinava, e instruhia com summo cuidado, 
e vigilancia. Sacrificouse ao trabalho de os ensinar a ler, e à escrever: 
porqué na rudésa, e ignorancia daquella terra, até para este pòuco 
faltava, ou mestre, ou curiosidade. Emfim, que por todos os modos 
foi della o nosso Agostinho hua nova luz, e bum novo Apostolo. 



(1). Trint'annos nào podem eo«tar-se de 1507 em que a ilha estava ainda 
desliabitada, seg-uiido aflirma Valentini Fernandes, e o tempo em que là esteve o 
Padre Agostiiilìo, que foi antes de 1521, visto' no firn do uap. Vili se dizer: que 
fnllàra cóm. Elrey D. Manoel, o qu(i :^ó podia succeder antes de 13 de Dezembro 
de 152i, em que elle morreo. 



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ARCHIVO DOS ACORES 255 

GAPITULO Vili 

Paìte da Ilha para Lisboa: . . . 

- ■ ; * f r 

Raivoso demonio, de ver tao augmentada a Fé, e a rirtude, em 
hua terra, que elle havia pouco dominava com imperio geral, e abso- 
luto; comecou a derramar a ira, e o veneno, por meyo de alguns ho- 
mens perdidos, os quaes, persistindQ ^^flzip^r vida esGandalosa, nao 
queriao, nem pòdiao ver oa reforma àòg TOtros, *HÉa perenne repre- 
hensao da sua pertinacia. Àccrescia, que o Som Padre, eiitendendo, 
que era obrigado a usar da forca, onde naS podia aproveitar a bran- 
dura, desembainhou a espada das censuras Ecclesiasticas, contra al- 
giìs, que nem pela Quaresma se quiserao confessar: porque nao que- 
riao lancar fora, nem de si a culpa, nem de casa a occasiao. Estes 
malditos la<jos com que 0/-demonio prende aos lascivos, involvem pela 
mayor parte nòs tao cégos, que so quando se cortao se desàtao; e q 
cortar sepre se sente: muito mais se os atados, ou presos tem as lir 
gaduras por lisonjas, e as prisoes por delicias. Bem se vio emo nos- 
so caso: porq logo o V. Padre experimentou inimigos, todos aquel- 
les, q desejava emendados; os quaes derramando falsidades, e calum- 
nias, e usando de outras sugestSes poderosas, brevemente tivérao se- 
quito, gra:ndé em numero, mayor em atrevimento. Cbegou este a tan- 
to, que pubicamente o ameaijàrao, dizendo: que se dispusesse, ou a 
deixar a terra, ou a perder a vida. Nao havia alli fórma de governo 
politico, nem ministros de justi^a, cujo poder, e authoridade, repre- 
misse, e castigasse tamanha ousadia, e violencia; muitos.bons (e estes 
erao os mais, cotra o que vulgarraete succede) estayao dispóstos a de- 
fender seu Paètor, rebatendo hua forfa com outra; mas elle consul- 
tado ponto com Deos, resolveo acertadamente, q convinha cortar c5 
a sua ausencia, as occasioes q se devìao temer demayores escanda- 
los, e insultos; e co intento de procurar na Corte o remedio espiri- 
tual daquella terra, cujos moradores amava comò filhos, partio para 
Lisboa, deixado juntamete aos maos alegres, aos bons saudósos: sem 
outro frutto da sua peregrinagao, maiis que os trabalhos padecidos por 
Christo; mas na verdade mais precibsos, que as pedras q com este 
nome sao buscadas, e estimàdas da ignoracia, ou vaidade dos homens. 
Fallou com El-Rey D. Manoel que entao reynava, o qual Ihe no- 
raeott mmistros para a conferencia do negocio a que vinha. Porém 
estes, ou muito remissos, ou muito occupados, nao faziao mais que in- 
terpor dila^oes, costume vulgar das Cortes, onde os pretendéntes sao 
martyres em certo modo, sendo as dilacjoes os martyrios, os ministros 
OS tyranòs. Desenganouse emfìm, de q ga$tava ociosamente o tempo 
naquella pertensao: porque nao era poderoso o seu desvelo a conse- 
guir audiencia dos ministros, quanto mais despacho 



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O MARTYR 



aptìsta ptatWff 



AKGKENSie 



Do consorcio de Christovam Nunes Vieara e Maria Cotta de Maiha, 
riaseeo em 1882 um fiiho, baptisado n^ Sé d'Angra, coni o norae de 
Jo3o, qiie dèpòis se' chamou Joào Baptista Macliado, e a cujo nome, 
(Cora poùco ftìtidamentó, alguns accrescentam— de lavora. — 

Devia eàte |oven por morte de seus progenitores, adtììiaistrar al* 
gumas tercas vmculadas, preferio porem aos ocios da abastan^a, a Vi- 
da mais proficua à Hamaiiidade, de obreiro de Ghristo, na propagaQào 
da sua religi5ò. Desistio de todos os bens terreste^ a favor de sua mae^ 
jà entao viuva, por seu testamento de 1597, em vesperas de partir 
para Portufeal, afim de ir- come^ar sua càrreira evangelica no Collegio 
dos Jésuttas de Cdiiìibra, aonde foi admittido aos 10 d'Abril do mesmo 
anno. .; ' 

InSlruindo-se durante dois annos de noviciado n'aquelle Collegio, ao 
mesnto tempo provou a 'sua voca^So e sepreparou para urna vida cheia 
de perigosi e de santa abnega^ao, qual a de missionario. Reconheicido o 
seu merecimerito è dedicagao, professou no mesiao Collegio^ e n'elle 
se coriservou até ao anno de; 1601, em quo, ppr iiistancias suas, foi 
mandado para a India, cerni outrbs missionariós. 

Eni 6oa fez bs seus estudos de Pliilosophia e ali se achava em 
1605 quan(fo fez a escriptura de doa^So adiante transcrlpta. • 

Foi comptetar a sua instrucQ6o canonica ao Collegio de Macau, es- 
tudando TheoJogia,' até que, terminados os estudos, se dirigio para o 
Japaoem 1609. ........ 

Satisfez aBSinl a princtpal mira de suas mais intimas aspirafoes, 
levado por secreta ini^piracao, de que aquelle paiz seria o thealro de 
sua maìor gloria; alcan?ando n'elle a virente palma do martyrio. 

Ignorando a lingoa japoneza, formoso Ihe foi demorar-se no Colle- 



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^/e^mt/a lìij/Jti^Hf^x, d^cfi/ì^/^^io /wr amar xùt 7? 



cr 



i./^ff c^jjf Ad értJ^ ir *f^ Ti^'i . 



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ARCHIVO DOS ACORES 257 

gio de Arina, até que adquirindo os conhecimentos indispensaveis vi- 
sitou as cidades de Meaco e Fuxkno, exercendo em ambas com ar- 
dente zelo minìsterio apostolico. 

Sendo desterrados eift 1614 todos os missionarios para a cidade 
de Nangazaqui, cedendo àos rogos dos neophitos e às proprias :aspi- 
racoes, n5o obdeceo a proscripeao; flèou occulto nas ilhas de Gotto. 

Despresando porem as necessarias precaugoes, para disfarcjar seu 
ministerio, foi descoberto em Abril de 1617 e logo preso em conformi- 
dade com as ordeos do imperador Hogum^ Esteve recluso* na cidade de 
Omura, no carcere chamàdo Cori, até ao dia 27 de Maio de 1617, em 
que foi decapitado, n'um outeiro fora da cidade. A cabe^a, so ficou se- 
parada do corpo, aò tierceiro golpe d*èspada, prolongando-lhe assim 
a agonia por mais alguns instantes. 

Foi sua morte tao edificante exemplo da fé e caridade evangelica, 
que proprio algoz.se converteo e igualmeiite sonreo o martyrio. 

Eis em breves tra^os, comò viveo e morreo este santo varao, hon- 
ra da humanidade, da patria, e da familia 1 



n 

Aos 7 de Julho de 4867,. foi por S. S. Pio IX, bejitificado q Bem- 
aventurado Joào Baptista Macliado, juntaniente com 204 outros m^ty- 
res, que no Japao derara a Vida pela fé de Christo.^ , 

^0 calei^idario da Diòcese dos A^ores para 1876, foi p^la primeira 
vez fixado o dia 15 de Fevereiro^ com o rito .d«éjt>fca7. ma/>/5, para n'ellé 
festejar a Egreja, Martyr.Terceirense.^ ' - 

Em 30 d'Abril de 1876, na Egreja do Collegio d'Angra, por occa- 
siao de ser alli coUocada uma imagem em vulto do Beato, foi cele- 
brada uma solemne festividade, é na mesma proclamado Protector da 
cidade d'Angra e de toda a Diocese, pelo Rev.® Bispo, ^ ) j < 



m 

Escreveo o Martyr:=?=Tres Cartas de 3 e 17vde Maio, estando no 
carcere. 

Sairam impressas pelo Padre Antonio Franco nas obras abaixo in- 
dicadas. Foram as mesmas traduzidas em latim pelo Padre Mathias 
TaneT; OiXlra carta escripta ao Padre Sebastiao Vieira^ foi igualmente 
reproduzida pelo Padre Antonio Franco. 

Alguns trechos d'estas cartas se acham nà Historia Insulana do 
Padre Antonio Cordeiro. 



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258 ARGHIVO DOS AGOKES 

■ < • . ■ 

Eseriptores e Obras qae tratam do IHartyr Joào Baptista 

Machado. . - 

Padre Antonio de VasGoncellos: — ArmcephalcBoses^idest, Summa Cor 
pila Actorum Regum Luziianim. Antuaerpia 1621,; a pag. M± 

Padre Pedro Morejon :—M^^or/a y relacim de lo siiccedido eh los 
retnos de Japon &, Lisboa 1621. No Livro 2.*" Gap. 12. 

Padre Bartholoraeu Guèrreiro: — Gloriosa Corda de Exforcados Mi- 
giosos da Cómpankia de Jesus mortos pela Fé, Lisboa 1642, na 4.* 
parte, Gap. 38. 

Padre Frey Antonio da Purificagào: — ChronxAogia Monastica Ltizi- 
tana. Lisboa 1642, a pag. 163. 

Philippe Alegambe: — Bihliotheca Scriptorum Societas Jesu, Antu- 
aerpiae 1643, a pag. 568. 

Padre Antonio Francisco Cardim: — Fascictdos a Jàponicis floribus. 
Roma 1646 e a traduc^So em Portuguez feìta pelo proprio aìitor" com 
titulo Elqgios e Ramaikete de Flores, borrifado còm o sangue dm Re* 
ligiosos da Cómpankia de Jesus, a quetn os tyrannos do imperio do Ja- 
pào tiràrant a vida por odio da fé Cathdica, com o cataloge de todos 
OS Reli^iosos e Seculares, que por odio da ntesma fé fofam mortos n'a- 
qtietle imperio até ao anno de 1640. Lisboa 1650. Gom retractos. 

Padre Antcmio Cordeiro:— Na Histoiia Inmlana, Lisboa 1717 Li- 
vro 6, Gap. 44. 

Padre Antonio Franco: — Imagem da Virtude em o Noviciado da 
Cómpankia de Jesus na Córte de Lisboa, Vida do Padre Joào Baptista 
Machado a pag. '336, e no Annus Gioriosus, a pag. 281, Vienna d'Aus- 
tria, 1720. 

Euzebio: — Var. lUust, de la Compan. Tom. 4. pag. 194. 

Jorge Gardoso:— i4gf/o%/o Lusitano, Tom. 3 pag. 364. Lisboa 1652 
a 1666. • , ' 

Abbade Diogo Barbosa:-— BMofAeca Lusitana, Lisboa 1741 a 1759 

Breve Noticia da Vida e Martyrio do Beato Joào Baptista M^f^^ 
do, Angra Typ. da. Virgem Immaculada, 1876. 



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AHCHIVO POS ACOHES 259 



Teslameolo do Nartyr Joào Baptista Machado, ieito ein (8 de 
Harcodel597 



Em nome de Deos Amen. Saibam quantos este iiistrumenlo de tes- 
tamento e ultima vontade deste dia para todo sempre vii em, que es- 
tando eu Joao Baptista Macliado em meu perfeito juizo que Deos me 
deu, s5o por estar d'embarca^ao para a Cidade de Lisboa, e por re- 
cear os perigos de mar quiz fazer està cedula de testamento e decla- 
ragao de minha ultima vontade. 

Prìmeiramente encommendo a minha alma a Deos Nosso Senlior 
que a creou de nada, une Elle queira pelos merecimentos de Nosso Se- 
iihor Jesus Christo, e de sua Sagrada Paixao, se queira lembrar de mi- 
nha alma em todos os dias de minila vida e na hora de minha morte 
para que tomo por minha intercessóra a Virgem Sacratissima Nossa 
Senhora e aos Bemaventurados Apostolos S. Pedro e S. Paulo, e ao 
Bemaventurado S. Joao Baptista, queiram tcxlos rogar por mini a Deos 
Nosso Senhor. 

Mando que sendo Nosso Senhor ser*vido de me levar para si tanto 
que vier à noticia de minha testamenteira que abaixo nomear, me nian- 
de fazer dois officios perfeitos e acabados com ciuco missas rezadas 
em cada uni officio com um quarteiro de trigo de offerta e um almude 
de vinho da terra, e isto por urna so vez em amlK)s os officios. 

Mando que estes meus legados que mando fazer se farào da terca 
parte da fazenda que herdei d^ minha legitima por morte de meu Pae 
que Deos tem, na qual tomo em minha terca na terra que està em Valle 
irle Linhares que traz d'arrendamento Matheus Vaz que direitamente 
me couber assim nos bens de raiz comò uos rendimentos que se acha- 
rem que tenha de minha fazenda dos annos passados até lipje e depois 
de pagos os legados atraz ditos todos os mais remanescentcs da dita 
minha ter^a deixo livremente a minha Mae Maria Cotta de Malha, e 
por sua morte flcarà a dita terga a Manoel do Rego da Silveira e sua 
raolher, e sendo caso que o dito IVIanoel do Rego da Silveira morra e 
sua mulher, cpiero e sou contente que fique a dita terga a D. Catha- 
rina, minha irmaa, e sendo caso que a dita D. Catharina morra, que- 
ro e sou contente que flque a dita terga a D. Barbara minha irmaa, e 
d'alìi em diante irà correndo sua linha direita com obrigagao de man- 
dar dizer aquelles que comerem a dita terga em cada um anno pela 
alma de meu Pae Ghrislovam Nunes Vieira que Deos tem duas mis- 
sas digo seis missas: cónvem a saber duas pelo dia dos finados offer- 

Vol. I— N.« 3— 1879. 9 



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260 ARCHIVO DOS ACORES 

tadas cada urna com um alqueire de trigo e as outras na mais parte 
do anno eni quanto o mundo durar. 

Declaro que minha tia Catharina Nunes Vieira me deixou um ter- 
?o de sua fazenda o qual levando-me Nosso Senhor para si nomeio 
n'elle minha Mae Maria Cotta de Malha porque possa em sua vida co- 
rner OS rendimentos do dito tergo e por sua morte* notnear quem ella 
quizer; e peco a minha M5e Maria Cotta de Malha que pague por mim 
corno eu fizera por ella, a Santo Antonio que està na Villa da Praia no 
Mosteinp do Bemaventurado S. Francisco, vinte e um mil reis que Ihe 
prometti, e estes vinte e um mil réis pagarà em um anno sómente. 
Peco a minha Mae Maria Cotta de Malha que me man(^e dizer emquan- 
to mundo durar ciuco missas a honra do nome de Nossa Senhora, 
e isto cada um anno, por ser està minha ultima e derradeira vontade 
fiz este por minha mao e o assignei por minha mao e este quero que 
se cumpra e guarde e outro nenhum nao, em Angra hoje dezoito de 
Marco de noventa e sete (1597), = Joào Baptista Machado, 

(Fai approvado pelo Tabelliào Antonio Ùongalves RuivoJ, 

Manoel do Reiro da Silveira. /oc/wia; era cunhado do Martyr, por ter casado em Outubro de 1594, 
com D. Maria Gotta. 

VI 

Doa(ào do Nartyr Joao Baptista Nachado a sua màe, em G6a 
a 7 de Dezembro de 460S 

Em nomei de Deos Amen. Saibam quantos este instrumento de 
doai^ào virem que no anno do Nascimento de Nosso Senhor Jesus 
Chrislo de mil seis centos e ciuco aos sete dias do mez de Dezembro 
do dito anno, nesta mui nobre e Leal Cidade de Gòa, no Collegio de 
S. Paulo dos Padres da Companhia, estando ahi presente o irmao Joào 
Baptista, Religioso da mesma Companhia, filho de Christovam Nunes 
Vieira, jà defunto, e de Maria Cotta, moradores na Ilha Terceira na Ci- 
dade de Angra. E logo por elle foi dito a mim Gaspar Martins, Tabel- 
lii5o publico em està dita Cidade e seus termos por ElRei nosso Se- 
nhor, em presenta das testemunhas ao diante nomeadas, que era ver- 
dade que elle por ser Religioso e nao haver mister bens do mundo, e 
outros justos respeitos que o moviam de séu motu proprio, bòa chris- 
tandade e de consentimento do P.^ Francisco da Cunha, Reitor do di- 
to Collegio, fazia e defeito fez pura e irrevogavel doagào à dita sua 
Mae Maria Cotta, dos usufructos da terca que Ihe seu avo Diogo Fer- 
nandes deixou. e do que Ihe ficou por morte de sua tia Catharina Nu- 
nes Vieira e da legitima que Ihe ficou por morte do dito seu Pae Chris- 
,tovam Nunes Vieira; e todas as ditas herancas, ter^a e legitima poderà 
ella Maria Cotta, donataria, haver a sua mào, e tomar posse de ludo e 

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ARCHIVO DOS ACORES • 261 

arrendar e faz^r de tudo conao de Gousa sua, e isto em sua vida del- 
la donataria comtanto que nada do sobredito podere vender, trocar 
nem escambar nera por outra via alhear, e por sua morte della dona- 
taria poderà deixar toda a dita heranga, ter?a e legitimas assim a que 
Ihe ficou por morte do dito defunto seu Pae comò a que Ihe flcar por 
morte della sua Mae, a suas irmaas delle doador, àquellas (jue ella 
donataria julgar em sua^consciencia que tem mais necessidade, e com 
a mesma condic5o que gozarao dos usufructos de tudo em sua vida e 
por sua morte elle doador poderà deixar tudo comò Ihes parecer, e 
promette e se obriga elle doador a nunca em tempo algum por si nem 
por outrem ir contra este instrumento de doacjao em parte nem em 
todo de facto nem de direito nem por respeito que seja antes o cum- 
prir e guardar inteiramente comò nelle se contém sob pena que nao 
cumprindo assim nao sera- ouvido em Juizo nem fora delle em nada 
que .allegar quizer contra està doagao a qual sera recta e solémnè, e 
alem disso pagar às donatarias todas as perdas, custas, damnos q in- 
teresses, que sobre tal caso tiverem e receberem, e tudo isto em jui- 
zo e fora d'elle sem por si elle doador allegar cousa que boa Ihes seja 
nem valha, e para assim o cumprir disse que obrìgava sua pessóa e 
todos seus bens, fazendas moveis e de raiz, havidos e por haver, e em 
testemunbo de verdade que assim o outorgaram, mandaram fazer na 
nota este instrumento de doagao em que elle doador e o dito Padre 
Reitor que sendo tambem presente disse que consentia nesta doacjào, 
assignaram com testemunhas que foram presentes, que, eu Tabelliào 
comò pessóa publica estipulante aceitei em noayè das partes ausentes 
a que toca quanto com direito posso fazer, e em seu favor, e manda- 
ram que das notas Ihes passasse todos os traslados que pedir por 
vias. — Foram testemunhas preseotes Chrysostomo Ferreira, homeni 
da terra, estante nesta cidade — Antonio Baracho, fronteiro estudatìte, 
e Miguel de Bragancja, que mora em Agoa de Lupe, e outros, e eu 
sobredito Gaspar Martlns Tat)eUi3o que este instrumento em minhas 
notas escrevi, aonde a parte e testemunhas ficam assignadas. E dellas 
aquio flz trasladar e sobscrevi e assignei de meu publico signial que 
tal é; de theòr: passei dois por vias e este é o primeiro. Pagou deste 
com nota e caminho duzentos rels. 

Reconhecida a letra e signal publico do Tabelliào acima pelo Licen- 
ciador Francisco Montelro do Villar, do Desembargo d'ElRei, Seu De- 
sembargador, Ouvidor Geral do Civel com Al?ada e Juiz das Justifica- 
Qoes em Góa em 14 de Dezembro de 160S. Pagou 24 reis. Reconhe- 
cida a assignatura do Juiz supra, pelo Tabelliào de notas de Lisboa 
Domingos da Silva, em 27 de Janeiro de 1610. — Pagou 20 rm. 

CO testamento e a doa^m foram fidmente copiados em 1877 dos tras- 
ladm^ em poder do sr. Joàq do Carvalhal da Silveira, da cidade d'An- 
gra). 



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A maxima velpcidade do vento foi de— 
92 kilometros em 27 de Fevereiro de- 1870. 
88 — -- 9 de Abril de 1868. 
61 — — 21 de Junho de 1867. 
75 — — 1 de Novembre de 1867. 

Houveram 43,7 dias de calma durante os 7 annos. 



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DESDE 



A EPOCA DA DESCOBERTA ATÉ AO PRESENTI 



A origeni vulcanica do archipelago dos Acores, é tao ifianifesla, 
que inutil «eria demonslral-o. A forma de seus niontes, a natureza 
das camadas do seu solo, a frequencla das crateras, assim a revelam 
a todos OS olhos, A natureza vulcanica do solo, é devida a grande fer- 
tilidade dos Agores, por ser composta de um mixto de variados eie- 
m^ntos e tao numeroso, corno jàmais se encontram nas formagoes 
d'óutra origem. 

Em compensagao de tao perennes vantagens e de um apieno cli- 
ma, tem OS habitantes d'estas ilhas experimentado taes catàclysmos, 
com perdas de tantas vidas e de fazenda, que na sua historia nao 
póde deixar de apparecer, corno capitulo mui importante, o dos phe- 
nowienos vulcanicos havidos nos quatro seculos e quasi meio, que se 
cohtam depoìs da sua descoberta. 

, quadro completo de todas estas convulsoes naturaes, é sufficien- 
temente expressivo, para convencer da grande instabilidade do solo 
aQoriano, e causar vagas e bem fundadas apprehensoes, que jle futuro 
se repitam novas e terriveis catastrophes. 

Todas as geragoes passadas tem mais ou menos experimentado os 
effeitos desastrosós das erupgoes vulcanicas, e posto que hàbituadas 
às frequentes tempestades maritimas e athmosphericas, nas stìas mais 
grandiosas manifestàgoes, nunca os effeitos d'estas se pódem compa- 
rar aos d'aquellas 1 

céo carregado de negras nuvens prenhes de raios fulminantes, 
as vagas espumantes do oceano agitatìo pelo furacao, o vendaval que 
devasta e innunda a superficie da terra, sao phenomenos vulgares de 
quanto pódem as forgas naturaes em acQào ; nenhum porem d'estes 
terriveis flagellos attinge a magnitude medonha das destruigoes causa- 
das pelas erupQoes vulcanicas. 



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ARCHIVO DOS ACORES 265 

Tantos perigos de variadissimas especies incutem susto e pavor, 
paralysando todas as energias. 

Aquellas imagens do cahos produzem era toda a escala dos seres 
animados um instinctivo panico. NaqueUes raomentos criticos, torna-se 
bem patente o nada da creatura era compara(jao da maravilhosa ener- 
gia da natureza, e incoraparavel omnipotencia do Creador. (1) 

Ao vulcanismo s3o devidas: a formacao de muìtas ilhas surgindo do 
fundo do mar, o levantamento de montanhas, a elevagao e depressSo 
de grandes tractos de terrenos, a forma^ao de crateras igniforas, as 
agoas thermaes, as emanagoes de gazes e vapores, os terreraotos, os 
troYoes subterraneos, as solfatàras, o desabamento de montanhas, as 
fendas na crusta terrestre e bem assira proftmdas alteragoes na na- 
tureza chimica e mineralogica nas suas camadas ! 

Todos estes effeitos e ainda outros correlativos sao devidos a uma 
unica causa ==à acc3o vulcanica. Póde està definir-se comò sendo pro- 
diizida pela infliienda que exercem as camadas inteiyias de um pianeta, 
com elef*a^issima teinperattira, sobre a parte extema da ma cmsta so- 
Mu. No seu sentido mais araplo està ac^ao nSo é um phenomeno lo- 
cai ou accidental. mas sim, ura agente poderosissimo, que constante- 
mente altera e modifica a superficie do globo. 

Nao sao conformes as opinioes dos naturalistas sobre a causa pri- 
mordial da excessiva temperatura das camadas interiores do globo. 
Uns. e rom melhores argumentos, a attribuem ao calor centrai da terra, 
devido a fusao e incandescencia primitiva de todos os seus eleraentos 
consti tutivos, outros repellem està hypothese, e julgam que a reacc5o 
chimica dos mesmos eleraentos actuando uns sobre outros, segundo 
as suas maiores aflinidades, é devido aquelle intenso grào de calorico. 

Todos porem sao conformes era acceitar corno causa immediata da 
ac(jao vulcanica o intenso calorico subterraneo, qualquer que seja a 
sua origem, o qual volatilisando os sólidos, liquidos e os gazes, Ihe 
comraunica uraa forca d'expansao capaz de vencer poderosissimas re- 
sistencias 1 



(1) Barào d'Humboldt faz a segiiinte descripQào dos efTeitos que produzem 
08 tremore» de terra, nas creaturas:— Cette impression ne provieni pas, à mon 
ayis, de ce que les ima^s dea catastrophes doni lliistoire a conserve le souve- 
nir, s'offrent alors én foule à notre imagmation. Ce qui nous saisit, c*est que nous 
perdons tout à coup notre conflance mnée dans la estabilité du sol Dès notre 
enfiince, nous étions habitu('\s au contraste de la mobilile de Teau avec Timmo- 
jjilité de la terre. Le sol vient-il à trembler, ce moment suffit pour détruire 
l experience de tonte la vie. C*est une puissanee inconnue qui se révèle tout à 
coup; le calme de la nature n*était qu'uue illusion, et nous nous sentons rejetés 
violemment dans un chaos de forces destructives. Alors chaque bruii, cbaque 
soufflé d*air excite Tattention; on se défie surtout du sol sur lequel on marcne. 
l-es animaux, principalement les pprcs et les chiens éprouvent cette angoisse; les 
crocodiles de fOrenoque, d'ordinaire aussi muets que nos petits lézards, fuient 
<lu Ut du fleuve et courent on rougissant vers la fóret». 



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266 ARCHIVÓ DOS AGORES 

genio do homem, imitando a natureza, lem conseguido prò- 
duzir eflfeitos dinamicos superiores a muitos milhares de vezes as pro- 
proprias for^as. Cora o instantaneo desenvolvimento dos gazes, pro- 
venientes da combustao da polvora, faz o homem ou estalar e saltar 
OS nmis possantes rochedos, ou partir as balas com o impulso sufficien- 
te pira atravessar os corpos mais resistentes. Servindo-se do vapor 
da agoa, tem transformado todos os ramps da industria humana, con- 
seguindo por este meio, effeitos surprehendentes e maravilhosos I 

Usando da expansao dos gazes, da polvora dispoe de urna enorme 
forca capaz de equilibrar o peso de 25:000 athmospheras, ou de urna 
columna de mercurio que tivesse 18:000 metros de eleva^ao! Por 
meio da agoa aquecida a temperatura de 100.*^, com a pressao ordi- 
naria da atbmosphera, consegue que esta^ reduzida a um volume de 
vapor 1700 vezes maior, produza poderosissimos effeitos mechanicos, 
que augmentam na proporgao da pressao e do calorico; bastando urna 
temperatura de 224** centigrados para que a forca elastica do vapor 
seja igual a de 24 athmospheras, ou ao peso de uma columna de mer- 
curio de 18™ ,24 de altura. 

Sao todavia bem insignificantes os resultados da actividade Im- 
mana comparados com os da natureza, e so servem estes para condu- 
zir espirito a uma mais facil, posto que imperfeita, comprehensao dos 
phenoraenos naturaes. 

Sem entrar mais especificadamente em explica^oes theoricas diffi- 
ceis para aquelles que nàoiestào familiarisados com os principios da 
geologia, tao semente nos occuparemos de algumas generalidades, 
mesmo porque a geologia ainda nao disse a ultima palavra n'este as- 
surapto. A marcha progressiva e constante d'està ^ciencia, dependente 
da de todas as outras sciencias naturaes, por multiplices rela^oes, 
apressarà o momento, em que seja dado a comprehensao humana, 
penetrar os segredos naturaes, que até ao presente se come^am a 
antever. 

A acQào vulcanica tem intermittencias de- actividade, que algumas 
vezes duram muitos seculos. , Wos A^ores, as'ilhas de Santa Maria, 
Graciosa, Flores e Corvo, tem sido isentas de erup^oes, desde a èpo- 
ca da descoberta atè ao presente. 

As erupQoes vnlcanicas sao sempre precedidas de tremores de ter- 
ra, tao frequentes em certas occasioes, que mal se pódem contar, mas 
estes fazem-se sentir muitas vezes, sem serem acompanhados d'a- 
quellas. , 

As soifataras, as aguas thermaes e emanagoes gazozas, sao pheno- 
menos secundarios e os ultimos vestigios das erupt^les; tem sido e sao 
consìderadas comò valvulas de seguranfa, que previnem as explosOes, 
dando sahida permanente aos gazes e vapores, que accumulados as 
produziriam. . ^ 

As materias expellidas pelos vulcoes pódem ser sólidas, liquidas ou 



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ARCHIVO DOS ACORES 267 

gazosas. As sòlidas dividem-se em basaltos, lavas, escorias de varias 
nalurezas e grandezas, e cinzas de éxtrema tenuidade. 

Ha exemplos de erupcoes de lòdo e mesmo de agoa mais ou me- 
DOS pura. Os gazes e vapores aquosos precedem ou acompanliam as 
erupcoes, e sao os ultimos a desapparecer. 

Existem os vulcoes em todas as partes da terra, dispostos em li- 
nhas que contìnuam atravez dos cohtinentes e dos mares; — assim 
desde os Archipelagos dos AfOres e das Canarias até as montanhas 
Celestes na Chiua, se prolonga urna zona de reacQoes vulcanicas, que 
é a mais regular da superficie do globo. (1) 

Leopold Buéh% oc^stóera. as ilbas dos Acores, pela orientagaò do 
Sueste ao Noroeste, nao so de cada ilha, mas ainda de todo o archi- 
pelago, comò fazendo parte da zona que atravessa a Islandia; (2) Hum- 
boldt comò prolonga^ao dos vulc5es da America. (3) 

f A Ilha do Pico, a mais elevada de todas as dos Agores, parece ser 
a principal communicacao do interior do globo com a athmosphera, (4) 
e o vulcao centrai d'este archipelago. 

A observaijao revela luna tal accumulacSo de productos vulcani- 
cos nos A^ores, que certamente, a contar do momento em que os fo- 
gos subterraneos flzeram surgir os primeiros vestigios d'este archi- 
pelago, até estas ilhas attingirem o estado em que actualmente se 
acham, foram necessarios muitos milhares d'annos. (5) 

Tem-se notado que na proximidade do mar ou dos grandes lagos 
a actividade vulcanica é mais intensa, sem que deixe de existir no in- 
terior dos continentes, comò acontece na America. . 

Para facilitar o estudo do vulcanismo nos A^ores, apresentaremos 
por ordem chronologica uma serie de descripQoes dos phenomenos 
vulcanicos, que tem havido nos Agores, desde a època da colonisa^ao 
até ao presente, expurgada de erros propagados, mesmo em obras 
scientiflcas. Nao excluiremos as evidentemente falsas, para que a sua 
ausencia nao pareva lacuna; servindo de prevencào aos incautos as ra- 
soes porque devem excluir-se. 

Preferiremos os docunnentos e nòticias comtemporaneas sempre 
que isso seja possivel. 

Para os successos de 1522 temos as classicas paginas escriptas 
por Frey Luiz de Sousa, com todos os attractivos do seu bello estylo. 

E. DO Canto. 



Ch. Lyell, Principes de Geologie, Part. HI, Chap, 1. 
Mem. mr la nat. des phenom. volcaniques des Iles Canmies, trad. por de 
■e, pag. 88. 

(3) Relation hist. T. l\, p. 4 a 21. 

(4) Alex. NèzìdXì.Prodromede Geologie T. H, p. 335 (Paris 1864) e Bucli. loc. cit. 

(5) F. Fouqué, San Jorge et ses eruptions, na Revue Scientifique de France et 
de VEtranger, II année 1,873, p. 1198. 

Voi. I~N.«3— 1879. /-W) T 

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ANNO DE 1444? 

NAS SETE OIDADES 



Diz o l)r. Gaspar Fructuoso Gap. 2.® do L. 4 das Savdades da 
Terra: ^ 

«Depois de achada a iiha de Sam Miguel, tornando para o re) no os 
seus descobridores, foram pelo mar observando-a em quanto a nào 
perderam de vista ; e notando a sua figura viram que em cada penta 
da sua distancia tinha um pico muito alto ( assira comò foram criados 
para seus extremos, eram na grandeza extremados ) grandemente le- 
vantados, e superiores a todos os montes, que no meio tinha. Mar- 
cou-a por elles o piloto, para ao depois melhor a reconhecer. Chegan- 
do a Sagres. conio tenho dito, e ha vendo o infante feito mercé da 
capitania d'ella a Fr. Goncallo Velho, juntamente coni a da ilha de 
Santa Maria, tornou logo a mandar, ou ao mesmo Fr. Gongallo Velho, 
comò piloto, ou outro piloto seni elle, com outia companhia, a dèitar 
gado, aves e outras cousas necessarias, para provar a ventura da sua 
fertilidade ; tambem mandou sementes de trigo, e legumes. Partirani 
de Sagres, e navegando com prospera viagem cl^egaram a vista d'està 
ilha : vendo-a o piloto, desconheceu-a, por nào ter jà mais que uni pi- 
co na parte do oriente, e faltar-lhe o outro do poente, pelos quaes a 
tinha demarcado. Por que n'este tempo, em quanto foram ao reyno, 
e tornaram, aconteceu leyantar-se o fogo, arrebentando a primeira vez 
sabidan'esta ilha, e arder aquelle alto pico da parte do norte, junto 
à ponta dos Mosteiros, onde agora se chama as Sete Cidades, ou as 
sete concavidades d'elle, das quaes tratarei particularmente. 

«Dizem que o nfiesmo piloto, e os do navio viram no mar multa pe- 
rirà pomes, e troncos de arvores, que daquelle iugar sahiram, sem en- 
tenderem a cauza. Mas ainda que entào e depois foram achados. os si- 
gnaes, e effeitos do fogo; que fez arrebentar e abaixar aquelle pico, 
nao foi visto por nao ser povoada a ilha no tempo, que .elle arreben- 



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ARGUIVO DOS ACOKES 269 

tou: do qual dizia Fedro <5oucalves Delgado, e Uuarte Vaz sea ii mao, 
antigos, e parentes dos primeiros liabitadores, que elles tinham ouvi- 
do a seu pay, que o pilotò, e os primeiros que vierara povoar està 
ilha a desconheceram por nao verem jà o pico, pelo qual a demarca- 
rata por causa do fogo que séni elles o sabereni tinha antes arrebeu- 
lado, sumido, e espalhado aquelle grande pico; comtudo sahiram em 
terra na povoapo, onde a primeira vez haviam desembarado; ceilifì- 
cando-se neste lugar ser està a mesma ilha que antes demarcaram. Ali 
foi primeiro assento que se fez de povoagao de gente nesta ilha; que 
nella desembarcou em dia da Dedicacjào do Arcanjo Sani Miguel a vin- 
te nove de setembro do mesnio anno. Povoando ali primeiro, e ao de- 
pois em oulras partes, chamou-se aquèlle lugai pelo tempo adiaute efu 
respeito das outras povoagoes, a Povoacao Velha. que Ibi grande 
doni de Deos, e vespecial mercé feita a està ilha achar-se no dia do 
appareciraento de Sam Miguel, e tornar-se a achar, e povoar, no dia 
da sua dedicagao, para se dedicar toda a este Santa Arcanjo principe 
da Igreja, e tel-o por seu padioeiro, e patrono, pois é sua chaman- 
dose do seu nome. 

«Morando no mesmo lugar os descobridores nas suas cafuas de pa- 
llia e feno, ouviram quasi por espa^o dum anno tao grande rui<lo. 
l)ramidos, e roncps que dava a teria com grandes tremoies ainda pro- 
cedidos da subversao e fogo do pico antes sumido; que estando lodos 
pasmados, e medrosos sustentando a vida com muìto traballio assen- 
taram toniar para o reyno; mas porfalta deembarca^o, o nao fizeram: 
tiiiha-se ausentado o navio, em que haviam vindo.j» 

Deixando de haver certeza no anno em qu^? Ibi descoberta a ilha 
(le S. Miguel (i) formoso é marcar a erupg-ào, que teve logai* entre a 
primeira e a segunda viagem, urna data incerta e compieliend Ida eli- 
tre OS annos de 1432 a 1444. > 

Sem por em duvida que houvesse uma erupgao nas Sete Cidades. 
ou suas visinlian(;as, em virtude da qnai desapparecesse o pico torna- 
do pelo piloto conio balisa, nao se póde todavia admittir a explicagào 
até agora geralmente seguida, de ser aquella enorme crateia ilevida 
a uma unica erupcao, comò diz o Dr. Gaspar Finctuoso. 

Do alto das cumieiras das Sete (lidades, olhando para o valle obser- 
vam-se muitas crateras^ que nao podiam formar-se senao ,dei)ois de 
existir locai em que se encontram. Como a histoi ia e a tradic^ào nào 
apòntam nenhuma posterior erupgào n'aquellas paràgens, necessark) 
è concluir que o pico dèsapparecido, desde a primeira até à segunda 
viagem dos descobridores, nao foi o que deu origem àquella extensa 
depressao; visivelmente formada em differentes occasirjes. A. forma <ia 
Lagòà revela ainda, que foi formada por duas, senào tres crateras. 

No mappa da Ilha de S. Miguel pelo Capitao Vidal,. da marinha 



(1) N*este Archivo N.° 1 pag. 82. 

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270 ARCHIVO DOS ACORES 

Ingleza, apesar de ser em diminuta escala, se póde verificar a exis- 
tencia das crateras secundarias, a que nos referimos. 

Sendo o Pico da Cruz o ponto culminante da cumieira, e tendo no 
seu apice urna profunda cratera, póde suppor-se que teve legar a 
erupQao alludida. Este, ou outro que ali exislisse, desappareceria em 
parte, mas nunca urna montanba que tivesse por base toda a depres- 
s3o que constitùe o Valle das Sete Cidades. 

Pelas rasoes apontadas, so se póde admittir, que houve urna eru- 
pgao antes de 1444 ou 1443 tìas visinhan^as das Sete Cidades, sem 
que todavia n'essa occasi3o se formasse todo aquelie valle. 



II 

ANNO DE 1522 

ILHA DE S. MIGUEL 

SUBVERSAO DE VILLA FR4NC4 DO CAMPO 



/ 



lye httma prodigio/a calamidade, succedida na Ilha de 5. Miguel; manifejìaào^ 
antes de succedida por hum Religiofo de S. Domingos, 

Hórrendo, e poucas vezes visto successo temos para este capitulo; 
borrendo pela qualidade d'elle, e muito mais por ser antevisto, pré- 
gado, e notificado por hum Religioso. Obriga-me a escrevel-o o Pré- 
gador, que ò notificou, e a terra em que succedeo. A terra ^-^por ser 
da jurisdicao, e parte do Remo de Portugal; o Prégador, porque foi 
Dominico: porque a raz5o, e titulo d'està obra, em que vamos traba- 
Ibando tanto tempo ha, està pedindo, que nao nos fique por dizer na- 
da, de quanto entre nós acharmos de bonra da Ordem. Entre as ilhas 
dos A^ores, que por outro nome se chamao Terceiras, e jazem no mar 
Atlantico em distancia da costa de Portugal de duzentas e oitenta leguas, 
he maior de todàs, e mais rica, a que tem nome de S. Miguel. Foi 
descoberta, comò as mais, por mandado do Infante, e Mestre da Or- 
dem de Christo, D. Henrique filho d'El-Rei Dom Joao I, e povoada com 
a diligencia e brago de hum valente, e industrioso criado seu; cujos 



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ARCHIVO DOS ACORES 271 

descendentes do appelUdo de Gamara possuem hoje o melhor d'ella, 
e entre muito boas villas, que a ilha tem, sao senhoresda que em si- 
tio, e nobreza faz ventagem a todas. Chamao-lhe Villa franca do Campo. 
Florecia està villa pelos annos do Senhor de 1522, em numero, e opu- 
lencìa de moradores, abastados de ludo o que a vida humana estima, 
bons edificios, trato rico, muitos, bons, e baratos mantimentos; mas 
acontecia-lhe, o que de ordinario vemos na abundancia dos bens tem- 
pwaes, que he, nao so descuidarmo-nos de dar gra^as a Deos, que 
d'elles he autor, senao juntarmos a èste descuido muitos vicios e offen- 
sas suas. Aportara na ilha, havia alguns mezes, hum Religioso da Or- 
dem de S. Domingos, cujo nascimento, e patria era Castella, e o nome 
Frei Affonso de Toledo. Dizia-se, que era chegado em sangue aos Du- 
ques d'Alva: q porque succederà achar-se nas alteracoes, que o povo 
por este tempo levantou em sua patria com nome de Communidades, 
desgosto d'ellas o Azera buscar no mar a quietagao, qùe faltava na 
terra. Embarcou-se no primeiro navio, que achou (nap nos consta em 
que porto) quigà que o levava a imaginagao a querer descancar nas 
ilhas Fortunadas, de que nos tempos passados se contavao tantas boas 
venturas, corno seu nome promette. Ou ordepava o Senhor, que sem 
saber, nem determinar para onde hia, fosse para aquella ilha outro 
Jonas coni Ninive; e quasi o foi pelos mesmos passos. Entrando na ter- 
ra, foi o primeiro lugar Ponta Delgada, que hoje tem titulo de cidade, 
e he cabega da Ilha; entao era villa de pouco nome. Passou a outras, 
notou em todas fortuna grande, e vida deliciosa com huma corrente 
de prosperidades nunca vista. Como tinha visto, e lido muito, n5o Ihe 
pareceo estado seguro para gente christaa. Soube logo que nascia 
d'aquellas boas venturas arder toda a ilha em destemperan^a de gula, 
e devassidSo de luxuria; temeo-lhe grande castigo, e come^ou a pro- 
por com fervor a doutrina Evangelica, estranhar os vicios em commum, 
louvar a virtude, confirmar com exemplos, e provas das Letras Sagrà- 
das bém d'està, e o mal d'aquelles. Mas ferindo-lhe cada dia ,as o- 
relhas novas dissoluQoes de todo genero de gente, e mais particular- 
mente dos mais ricos, è poderosos, que erao os moradores de Villa fran- 
ca, amoestava, instava, reprehendia, gostava, e ameagava com castigos 
do Ceo, que julgava nao poderem tardar, onde tudo estava t3o esque- 
cido d'elle. Procedendo assim sem descangar, e vendo os homens sur- 
dos, mais que aspides, para os bons conselhos, comò o peito, e voz 
do Prégador Evangelico costuma a ser orgao do Espirito Santo, in- 
flammou-se hum dia, ou fosse, que Deos n'aquella bora Ihe revelasse, ' 
ou que seu entendimento o tirasse por bom discurso, vistos os muitos 
peccados da terra, e a pouca emenda d'elles; levantou a voz corno hum 
trovao, e apontando com a mao, e olhos para os montes, que tinha 
defronte, rompeo n'estas palavras: Que ha de ser Christaos ? A huma 
voz de Jonas, que ameagou castigo, fez penitencia huma cidade inteira 
de Gentios. E sendo tamanha cidade, que tomava terra de tres dias 



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272 ARCHIVO DOS ACORES ^ 

de caminho, em loda ella nao ficou homem desd'o Rei a té o peao, qae 
se nao vestisse de saco, e Gubrisse a cabe^a de cinza. E em terra de 
gente flel, e Pòrtugueza nào movem, nem penetrao, nem fazem huin 
pequeno abaio n'esses cora^oes os brados do Santo Evangeiho, que 
cada dia ouvis\d'este pulpito? Acudirao, vos afflrmo, as criaturas irra- 
cionaes pela honra de Deos, pois as que tem uso de razao, e vivem 
dos Sacramentos da Igreja, Ihe nao tem o respeito que devem: aquel- 
las serras vingarao suas injurias; aquellas serras digo, se nao mudais 
brevemente a vida, assolarao està ilha, soverterào Imma villa. Acabou 
encommendando com encarecimento, que fizessem penitencia, e ora- 
Coes, pedindo a Deos misericordia, que era so o remedio de escapar 
a sua justa indigna(;5o: e dizem, que fez juntar o povo, e fazer algumas 
procissoes, que acompanhava. Passou a fama da prégacao, e amea- 
50S a Villa franca: devia parecer aos ricos, e poderosos, que era tudo 
contra elles. E foi permissao divina, para nao desviarem castigo, 
que nao so se nSo renderao, nem torharào sobre si, com algum gene- 
ro de emenda, imitando aquelles, de quem diz Profeta: Audite mi- 
dientes et ndite intdligere, ridete insionetn et nolUe cognoscei^e, mas hou- 
ve muitos, que se derao por escandalisados, dizendo, qqe sendo Chris- 
taos, OS levara pela medida dos Gentios. Outros forào com queixas ao 
Ouvldor do Ecclesiastico» que mandasse castigar; e tal ìiavia, que 
punha em pratica' lan^arem-no em terra, comò charlatao. E tanto fi- 
zeram, que Ouvidor mandou notificar c-om rigor, que apparecesse 
em Villa franca, e em sua casa a certo dia. Assira accendia tudo a ira 
divina, e dava pressa às setas de sua justiga. Achamos, que foi Frei 
Alonso a Tilla franca, chamado da primeira vez em i7;de Outubro 
d'este anno era que vamos, de 1522. Pez-lhe Ouvidor perguntas, 
d'onde sabia, que affirmava pregando? Responde, que de certo nenhu- 
ma cousa sabia, nera elle era merecedor de ter revelagoes do Ceo: mas 
que as regras da prudencia, e que lia nas Historias Sagr^das, e 
doutrinas dos Santos, faziao temer, ou antes ter por certo algum 
grande, e extraordinario castigo n'aquella ilha. Porque via peccados 
geraes, e pubFicos correrem a redea solta, e nao via sinal nenhura de 
emenda, nem penitencia. N3o achou Ouvidor em que pegar, com 
resposta singela despedio Frade. Porém jà n'este tempo a 'Divina 
Bondade, que nao quer que pere^a peccador, senao que se arrepen- 
da, e viva, tinha declarado sua determinacao com novo genero de pro 
fecia,pondo-a na lingua dos mininos innocentes. Eseri lo està, que por 
boca dos taes descobre Deos suas verdades, e manifesta a perfeifào 
de seus louvores(l). Por certo se afflrma, que junlos em bandos os 
mininos de Villa franca diziao a huma voz, que estava perlo bum dilu- 
vio, fim de todos, e de tudo. Era voz temerosa, dava-Ilie credito a 
innocencia. Houve alguns tao sisudbs, que os fez ausentar da villa 



(1) Psalm. 

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ARCHIVO DOS ACORES ' 273 

terror d'ella; mas os^mais, que deviao cuidar procedia ludo da préga- 
gao de Frei Alonso, fizerao instancia com o Ouvidor, que o tornasse 
a chamar, e inquirir de novo. E havendo tao póucos dias, que anda- 
na caminho de Ponta Delgada a Villa franca, foi mandado aparecer 
outra vez aos vinte e hum do mez. Mas entretanto reinava tamanha 
cegueira na triste^ terra, que iem lugar de porem os olhos no Geo, e 
pedirem misericordia, era lingua commui», apellidarem-se os amigos, 
e cony)adres, com a voz dos antigos Epicureos (1): Comamos bem, pois 
havemos de acabar cedo, aproveitemo-nos dos nossos capoes cevados, 
morreremos fartos. Obedeceo q Frade ao segando mandado Ecclesias- 
tico, chegou sobre tarde (sao quatro legoas de distenda de bum lugar 
ao outro) a casa do Ouvidor no dia apontado de 2i do mez de Outu- 
bro. Quiz entrar; mandou-lhe dizer o Ouvidor, que no dia seguinte o 
ouviria, e elle tornou palavras formaes aocriado: Diz o Senhor Ouvi- 
dor, que àraanbaa me fallarà, e eu Ihe digo, que pois agora nao quer, 
que póde, amanhaa se quizer, por ventura nao poderà. Palavras forao 
estas, que o calamitoso successo, que as seguio, e verificou logo, deu 
occasiao a ficarem para sempre corno impressas em brónze, na memo- 
ria dos moradores da jiha; com quanto Fr. Alonso fallando depois al- 
gumas vezes na, materia, nunca confessou que as dispera affirmatiya- 
mente; ou fosse por sua modestia, ou porque na verdade Ihe nao com- 
nàunicara Deos ao entendimento a profecia, que Ihe poz na lingua. 



T)efcreve'fe o sitio, que a villa tinha, e o modo porque Jicou sovertida. 

Estava assentada Villa franca em huma* fermosa chaa, d'onde, devia 
tornar o nome, que tem do Campo, ao longo de huma ribeira, que 
corre da serra, que chamao o Pico do Rabagal; ficava-lhe a serra ao 
Norte em distancia de meia legoa, e a ribeira lavava a villa da parte 
do Ponente, fazendo divisao a bum pequeno arrebalde, que hayia na 
outra margem. N'este se recolheo Frei Alonso para, passar a noite. 
Cerrou-se o dia com tempo claro e quieto. Entrou huma noite, qua! 
prometterà o dia, serena e sem vento, Ceo estrelado, por toda a par- 
te desasombrado de nuvens, e tal continuou ale quasi às duas dépois 
da meia noite. N'este ponto, que he quando por toda a parte està o 
sono mais senhor de toda a criatura, e com maior suavidade pren- 
de, engana, e eniea os sentidos para alivìo, e reparo da vida: eis que 
cometa a mover-se a terra com huns abalos, e sacudimentos tao im- 
petuosos, e tao apressados, que se nao véem maiores nas agoas do 
Kiar, quando s3o combatidas de tormenta de ventosi assim se abanat 
va a huma parte e outra, assim soavao roncos medonhos, que nao 
ameagava menos huma cousa e outra, que querer-se desatar, e so- 
li) Tuli. 

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274 ARCHIVO DOS ACORES 

verter no mar loda a ilha. Durou està tempestade tao pouco espago, 
que nao passou de hum Credo, e esse bastou para deixar assolada, e 
sumida debaixo da terra, coni quasi todos seus moradores, a mais so- 
berba, rica, e populosa villa de todas estas ilhas, e qual tiao havia 
em muitas partes da Espanha. Mostrou a luz do dia o miseravel es- 
trago: corno aconteceo tias cidades infames de Palestina, que apoz o 
fogo do Geo, ficarSo n'um momento cobertas de mar, e agoa, sem 
mais se ver sinal, nem rasto de edificìos. Assim desappareceo Villa 
franca o dia de quarta feìra, vinte e dous do mez; obrando n ella o 
tremor, e a terra, o mesmo que n'ellas tinha feito o fogo, e agoa. 
Foi caso, que a fùria do terremoto derrocou todo o genero de edi- 
ficio, sem ficar casa em pé, servindo a mina de primeiro instrumento 
de morte, e sepultura na toi-ga do sono a seus donos. E logo, porque 
nao escapasse nada, quebrou com a mesma forga do tremor, e despe- 
gou das fraldas do Pico, que dissemos tinha ao Norte, huma raonta- 
nha inteira de terra, lodo, e penedia, que comò levada a mao, correo 
sobre a villa, e a cobrio toda até ao mar, e até laudar no porto gran- 
des penedos, que hoje se vem d'elle. 

Emfim, terremoto assolou, e o monte sepultou tudo o que era 
villa, de sorte que flcou toda hum campo raso, sem siiial de casa, 
nem povoagao (grande poder do Altissimo) so da ribeira para a par- 
te do Poente, onde era o arrebalde, corno erao casas baixas, e pe- 
quenas, foi menos o damno do tremor. Porque ainda que cahirao 
humas, e outras ficaram estroncadas, escapou a gente, que seriao 
até setenta almas, e flcou em pé com ellas uma Ermida de Santa Ca- 
tharina. 

Valeu-lhes, para nao peì^ecerera casas, e homens, que o impeto da 
terra, qqe arrebentou do Pico, tomou seu caminho, comò se fòra man- 
dado sobre a villa, e ao longo da ribéira, sem torcer para o arre- 
balde. 

E tal foi, qiie na ilha chamao o diluvio de Villa franca. 

Mas comò o terremoto combateo, e aiballou gerahnente toda a ilha: 
assim nao houve lugar em toda ella, que Beasse isento de trabalho, e 
lagrimas, e cahirao muitas casas. Em algumas acabarao familias in- 
teiras, e nao houve Igreja grande, que ficasse em pé. Acudirao pela 
ihanhaa os poucos, que tinhao escapado no arrebalde, a ver, conside- 
rar, e ptantear a sepultura de seus naturaes; e lembrados tarde das 
santas amoestagoes do Prégador, for3o demandal-o, pasmados, fe cheios 
de medo, e comò esperando o juizo final. Trocou elle a linguagem, e 
OS termos, que usava antes do trabalho: comegou a consolar, aliviar, 
e prometter da parte de Deos grandes misericordias: e para penhor 
d'ellas ordenou duas cousas, que logo tiverao effeito: e ambas durao 
hoje em dia. Foi a primeira, tomarem por advogada de tòda a ilhf, a 
Virgem Purissima do Rosario, e levanlarem-lhe huma casa, que se fez 
com as maos, e trabalho de todos os presentes em breves dias. A se- 



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ARCHIVO DOS ACORES 275 

gunda foi fazerem-lhe voto de acudirem a ella todas as quartas feiras 
com Procissao, e JVIissa, eni memoria d'aquella quarta feira, que a tan- 
ta gente junta foi a ultima da vida. 

Grandes desaventuras se contao, que fizerao o dia infelicissimo 
n'este lugar, e por toda a ilha. Mas nao nos toca a rela^ao. Achara-se 
osta noite em uma quinta, por sua boa ventura, e mercé de Deos, o 
Senhor da villa, e Capitao da ilha, Ruy Gon^alves da Camara. Acudio 
com a pressa, que he de crer; e achando a villa sovertida, e com ella 
hum sumptuoso aposento em que vivia, a primeira cousa em que en- 
tendeo, comò pio e virtuoso, foi hir com as reliquias do povo em huma 
devota Procissao ao lugar da Igreja Matriz, que fora hum magnifico 
tempio, da invocagao do Archanjo S. Miguel, de pouco acabado; e ca- 
vando todos centra o sitio em que fora a Capella mór, proQurou des- 
cubrir o sacrario do Santissimo Sacramento. Foi achado o sacrario; 
porém deu nova occasiao de pranto, grita e lagrimas, porque se achou 
dentro o cofre em que costumao estar as sagradas Hostias, e estando 
inteiro, e so aberto de fechadura, e sem m^is damno, que huma pe- 
quena lasca fora, vio-se nao ter em si cousa alguma, sinal claro de 
maior miseria de todas: pois o era de se ausentar d'elles, e os deixar 
Senhor do Geo, e da terra. Indicios houve, e se contarao, com que o 
raesrao Senhor quiz manifestar mais està ausencia, e que as fez levar 
pelos Anjos a outra Igreja da ilha. Porque se bem todas forao arrui- 
nadas, em nenhuma ficou sacrario enterrado. Capitao Rujr Goncal- 
ves da Camara perdeo na villa toda sua familia, que era multo gran- 
de, e n'ella dpus filhos, e duas filhas, e huma irmaa, sem escapar de 
toda, mais que a parte, que comsigo levara a quinta, que foi sua mo- 
Iher Dona Filippa Coutinha, irmaa de Dom Fernao Coutinho, avo de 
quem isto escrevia, e seu fìlho segundo Manoel da Camara, que era 
minino, ^ depois Ihe succedeo no estado, e foi pai de Ruy Gon§alves 
da Camara, primeiro Conde de Villa' franca. Està relagao colhemos de 
outra mais Jarga, e digna. de se ver, que vimos em mao do Licenciado 
Manoel Se^erim de Farla, Chantre da Sé de Evora; que com multa 
curjosiiJaiìe, e occupacao virtuosa vai fazendo thesouro de antiguida- 
des. TM'ella achamos, que foi o numero dos que acabarao na villa, e 
nos mais lugares n'este dia ciuco mil almas, e nao falla quem meta 
n'esta conta os que matou a peste, que no anno seguinte correo por 
toda a ilha; mas nao parece, que diziem bem. 

• • • • V ^. 

(Fr. Luiz de Soma, Terceira Parte da Historia de S. Domingos 
Liv, II, Cap. 7 e 8, Terceira edifào Lisboa 1866, pag. 123 do VoL IV. 
Nos Annaes de D. Joào III, Lisbqa 1844, do mesmo autor, na pa^g, 46 
semccmtra outra mais resumida relagào da subversào de Villa Franca). 



Voi. I— N.«>3-1879. 11 

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276 ARCHIVO DOS ACORES 



Narragào da mesma catastroplie de villa Franca 
ipelo Dp. Qaspar Pructuoso 

(inedita) 

Deus, que é causa primeira de que tudo depende, quando por 
seus justos e occulto^, e às vezes manifestos juizos quer castigar al- 
gumas das creaturas, que elle criou, toma por instrumentos as causas 
segundas, que s5o os eiementos; e às vezes contra grandes e desafo- 
rados malles cousas pequenas e baixas, corno s3o os bichinhos da ter- 
ra, ou a mesma terra; corno a lomou n'esta ilha de S. Miguel para co- 
brir e assolar a mais populosa villa que n'ella, e em todas as ilhas 
dos Agores n'aquelle tempo havia, chamada Villa Franca do Campo; 
onde residiam os ministros da justi^a ecclesiastica, e secular, e a mais 
nobre gente da ilha tinha suas moradas, e estava o porto principal e 
escala, e ricos e grossos lavradores, e mercadores, o que tudo veio a 
parar em dores, com varios e desastrados cjisos, que em sua subver- 
s5o aconteceram, corno agora direi para com tal e^^emplo ser Deos en- 
grandecido em seu poder, e temido em seu juizo e castigo. 

Em tempo que governava està ilha de S. Miguel o multo illustre 
Ruy Gongalves da Camara quinto capitao d'ella, e segundo de nome 
serVindo de seu Ouvidor Antao Pacheco; e sendo Ouvidor do Eccle- 
siastico Godinho, na era de 1522 annos, a 22 de outubro da dita era 
sendo quarto dia de lua, em uma auarta feira, menos de duas ho- 
ras antemanhS, n3o havendo signaes do ceo, nem da tefra, mais que 
a noticia confusa, e voz e murmurinho do povo mie atràz tenho 
dito, (!) estando o tempo serenissimo sem fazer bafo de vento que en- 
tao era Levante, estando o ceo estrelado e claro sem apparecer nu- 
vem alguma, se sentio em loda a Uhu um grandissimo e espantoso tre- 
mor de terra que durou por espa^o de um credo, em que parecia, 
que OS eiementos, fogo, ar, e agoa peleijavam no centro d'ella, fa- 
zendo-a dar grandes abalos com roncos, e movimentos horrendos comò 
ondas de mar furioso; parecendo a todos os moradores da ilha, que 
se virava o centro d'ella para cima, e que o ceo cahia, e acabado o 
espaijo do credo ou de um pater noster e ave Maria a todo o mais, e 
ainda nao'foi tanto, tornou outra vez a tremer mais brandamente ou- 
tro tanto: a horas de ter^a no mesmo dia tornou a tremer multo rijo 
por pouco. espaco; ao melo dia tremeu outra vez; e a vespera outra; 
do primeiro tremar antes que anianhecesse, mrebentou e qtiebi^ou ffrar"- 
de qnmitidade de terra, correndo por muitos logares dos baixos pai i 



(1) Dr. Fructuoi^o rofere-se ao que conlou no anterior capitulo a respeii ) 
de certas circumstancias que precederain a subversào, as quaes se omittem pt r 
serem as me.^mas jà acima apontadas por Frey Luiz de Souza. 



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ARCHIVO DOS ACORES 277 

OS altos; e doutras partes dos altos para os baixos, principalmente sa- 
bre Villa Franca quebrou grande quantidade de faldra de um monte 
de pé da serra que està sobre ella: e alagando-a e cobrindo-a de ter- 
ra, lodo, e alguns grandes penedos da band^ do norte totalmente a 
subvertera. Em so uma triste noite foram acabadas rauitas vidas, e 
ficou tudo tao coberto, que nem nobres cazas, nem altos edificios, nem 
sumptuosos templos, nem nobres e vulgares pessoas pela manha appa- 
receram, ficando tudo raso e chao sem sinal nem mostra, onde villa 
estivasse; e porqué coni o tremor cahiram os mais dos edificios pri- 
meiro, e a casarìa que acolheo a mais da gente debaixo; depois so- 
brevindo a terra correndo, arrasou tudo: conio raio ligeiro, que desba- 
rata quanto acha mais forte, e duro. Da ribeira para a parte do orien- 
te, onde estava a villa tudo foi assolado, e os moradores todos quasi 
mortos; sómente na mesma ribeira para o ponente escaparam algumas 
casas' d'ellas cahidas onde ficaràm vivas até setenta pessoas > pouco 
mais ou menos, as quaès todas cx)megaram a dar grandes gritos clia- 
mando uns por Deos, e outros por Santa Maria na qual aiflic^ao Ihe foi 
grande consola^ao a presenta e doutrina do Padre Frey Alfonso de 
Toledo, que com elles escapou no mesmo arrebalde, amoestando-os, 
que se confessassem e pedissem a Deos misericordia, pondo por in- 
tercessora a Virgem Nossa Senhora a que fez fazer uma casa da in- 
Yocagao do Rosario, onde depois se fez mosteiro de frades Franciscos: 
porque o qiie estava arriba da villa quasi ào pé da serra foi o primei- 
ro edificio, que se cobrio de terra, onde morreram até 20 pessoas 
entre sacerdotes e choristas e ortelao. Dois homisìados que alli esta- 
vam, sentigdo o tremor fugiram por uma rua abaixo, bradando a gen- 
te que fugisse; um d'elles alcan^ou a terra, è morreo, o outro fugin- 
do mais prestes escapou, e so tres frades escaparam, que foram do 
Mosteiro para a Villa, nao se sabe corno, se por seu pé, se por os le- 
var a terra sobre si até junto, onde agora està o Mosteiro das Preiras, 
e ahi se tiveram em uns dragoeiros derrocados, e cahidos; pouco an- 
tes d'isto havia que eram vindos dois clerigos do Bispado do Algan^e 
fogidos das asperezas do Bispo, que os tratava multo mal; um d'elles 
homem de respeito, e de idade de 50 annos arriba, e o outro mance- 
bo, e se recolheram em uma casa sobre a ribeira, onde ambos pousa- 
vam, e comò nao ficaram murto óobertos de terra os comeram os càes. 

Uma menina de idade de 3 ou 4 annos, que depois foi mulher de 
um FernSo Pires, escapou em cima de uma taboa, nao se sabe comò, 
mas pai e mae e toda a mais gente de casa ficou soterrada e morta. 

Um padre chamado Alvaro Annes, beneficiado na dita Villa tiuha 
uma negra a qual Beando a casa de seu senhor coberta de terra, e 
elle soterrado n'ella, foi saa, e salva, estando na mesma casa, ao barco 
em que havia vindo o barqueiro atraz dito da povoagào, (1) o qual es- 



(1) Vid. a nota na pag. 276. 

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278 ARCHIVO DOS ACORES 

tando varado parece, que o impeto da terra o levou ao mar, e pela 
manha appareceu dentro n'elle, onde se salvom 

Da banda do ponente da Ribeira, onde estava a cadea, foi tambem 
correndo a terra encostando-se a ella, mas nao a derribando, escapa- 
ram os presos, os quaes logo foiam soltos pela gente que acodio. 
Abaixo da cadea morava uma mulher viuva, a qual alevantando-se da 
cama pelo tremor que ouvira, abrindo a porta deu o entulho da terra 
ou barro n'ella, encostando-a a huma das hombreiras da porta: e ain- 
da que a nao cobriu de todo, ali appareceu ao outro dia entalada e 
morta. D'ali foi correndo uma lista de terra ao longo da ribeira onde 
havia mui formosa casaria, a qual tambem toda se destruio, e raorreo 
toda a gente, que n'ellas morava, salvo Estevao Nunes d'Atouguia, e 
um negro seu o qual ouvindo o tremor, se sahiu de uma camara, que 
estava da banda da ribeira por onde bia a maior forga da terra, para 
j salla, e alli, escapou ainda que da mesma salla flcou pouca parte em 
pé. Isto era as costas da Ermida de Santa Catharina. D'alli para o 
ponente onde havia poucas casas escaparam todas e os moradores 
d'ellas, qiie seriam (comò jà disse) setenta almas. 

Capilao Ruy Gon(jalves da Camara, que era ido dois ou tres, oii 
mais dias havia para uma sua quinta do Cavouco com sua mulher 
D. Filipa> e seu filho Manoel da Camara, là escaparao: mas suas ca- 
sas ainda queestavam desta mesma parte da Ribeira chegadas a ella, 
se perderam, e n'ellas Ihe morreram duas filhas D. Hieronyma e 
D. Guiomar, e seu fllho Morgado, e uma sua irma chamada D. Meli- 
eia, e um fllho naturai com muita gente que flcou em casa. 

Escapou tambem Augustinho Imperiai, genovez, e sua mulher AI- 
donga Jacome, sahindo da Camara para a salla; e quantos flcaram nas 
outras cazas morreram. ' Assim que correndo està terra logo no prin- 
cipio assolou a Villa toda em tao breve espaco que se nào pòde nin- 
guem salvar: e tomou grande posse do mar entrando por elle. Fica- 
ram tambem outras duas casas em pé a borda d'elle, porque hia a 
terra cangada, e nao com tanta furia: uma foi a de Ruy Vaz Damiao, 
por causar ali o entulho da terra que corria, cobrindó um dos dois 
sobrados, que a dita casa tinha: a outra era de Joao do Outeiro um dos 
mais ricos homens d'està ilha, que foi sogro de D. Gilianes da Costa: 
mas as camaras e recamaras flcaram mais danmificadas. 

Muitos se acolhiam dos logares onde a terra, que corria, nao che- 
gou, para a igreja de San Miguel principal, cuidando ter n'ella refugio, 
e OS afogou o lodo e polme, que jà ali nào corria com muita pressa e 
ligeiresa, senao com algum vagar: quasi corno foi aqui o biscouto, que 
correo na Villa da Ribeira Grande, e outros biscoutos que correram 
vagarosos. Pelo que parece, que se correrà de dia, tomando a gente 
acordada, que vira por ónde, e para onde fogiu, se salvaram quasi to- 
dos, OS que as casas cahidas nào mataram: mas comò era de noite no 
quarto da modorra, quando dorme, quem de noite às vezes nao póde 



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ARCHIVO DOS ACOHES 279 

Sormir, alcauc^ou tanlos a morte dormindo; e amanheceo-lhe aquella 
noite na outra vida, aos que vigiando pode ser, qiie ficaram ainda vi- 
Yos ii'esta. E nào seria para elles grande mal amanhecer na outra Vi- 
da, ou dormindo acordar eà: se nao houvesse alguns dormentes em 
peccado mortai; que com culpas mortaes amanheceram na noite do in- 
ferno para sempre. 

Està monte donde arrebentou a terra corno sabao, e pedra po- 
mes tùdo misturado, um quarto de legua da Villa que cobrio, coni o 
qual polme sabiram grandes penedos pela concavidade da ribeira por 
onde hia a maior quantidade e enchente d'elle: um dos quaes ficou 
abaixo do mosteiro de S. Francisco que entao havia; de ciijas officinas 
nao ficou figura alguma, nem rasto, e outro penedo multo grande 
atravessou a Villa toda da serra ao mar onde se foi assentar no porto 
antigo, que entao servia entrando pela agua alguns 40 passos; e che- 
gando ao logar onde està posto, e appareceo parte d'elle sobre as 
aguas quasi defronlè da casa que foi de Jorge Furtado; parece que 
nao podia trazer outro caminho senao pela igreja principal, que era 
um sumptuoso tempio do Archanjo S. Miguel que havia ponce tempo 
se acabara, mas em mais pouco acabou de desapparecer de todo. 

"So havia no porto entao 4 ou 5 navios abrigados no ilheo para 
partirem para Portugal, o què foi causa de morrer mais gente alli 
onde se ajuntava de toda a iiha para fazer aquella vìagem. 

Depois de coberta a Villa da terra corrida, e sendo jà dia claro, 
se ajuntavam algumas pessoas' que viviam pelos montes, e nas quin- 
ta» , e OS que flcaram vivos no arrebaMe, espautados todos dos gram 
des tremores, e estrondos que ouviram, e vendo a Villa no estado em 
que estava, pasmavam. Foi um d'elles dar as tristes novas ao Capi-< 
tao Ruy Gongalves, e sua mulhen D. Filippa Coutinha, e a seu filho 
Maiioel da Camara (que estavam na sua quinta do Cavouco tres le- 
guas da dita Villa assolada) que entao seria de 14 annos, comp al- 
guns dizem, o qual capitào com grande tristeza, e maior pressa acii- 
dio logo a ver o que era, e chegando a Grota do Barro, que està per- 
to da Villa nào pode passar por estar arrazada de lodo; pelo que foi 
buscar outro i^asso mais arribà para a serra por onde passou. Che- 
gando à Villa nao vie figura nem signal della, nem os soberbos pa^òs 
de grande casaria, nem filhos e filhas, irma, creados, escravos, escra- 
vas, e a grande familia que ali poucos dias antes tinha deixado. Tudo 
estava coberto de terra, e campo raso que a^pra serve de lavoura, e 
onde estao ricas hortas e muitos pomares. Cliegou neste tempo tam- 
bem à dita Villa o Contador Martini Vaz Bulhao, e outra multa gente 
de todq a ilha. Ajuntando-se com a que ali escapou, todos tao des- 
consolados e tristes comò tal perda a tal tempo requeria; estando pre- 
sente prégador Fr. Affonso de Toledo (que com suas prégaooes foi 
grande alivio e consola^fio para as reliquias do povo, que escaparam) 
'Ile fez fazer a Ermida fio K. Senhora do Rosario, que tomatam por 



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280 ARCHIVO DOS ACORES 

advogada, a qual brevemente fizeràm em poucos dias, e com muitaè 
lagrimas, e devogao, acarretando todos a pedra, madeira e achegos 
necessarios a seus proprios hombros, em a qual se recolhiam, e foi 
sua parochia alguns dias, servindo-lhe d'antes d'ella feita de freguezia 
a Ermida de Santa Catharina, que escapou sem cahi^. Fez tambem o 
dito prégador fazer uro voto a todos, de irem a està casa do Rosario 
com procissao todas as quartas feiras, e dizerem uma missa, que ao 
seu dia dizem; e de que ha confraria em memoria d'aquella quarta 
feira triste dia, indo alli procissoes de noite ou de madrugada, o que 
se cumprio sempre: mas de poucos annos a està parte por alguma^; 
justas e honestas razSes jà cessaram, fazendo-as cada anno no dia em 
toda a ilha. 

Capitao Ruy Gon^alves da Camara ainda que mui sentido com 
a magoa de perder filhos e filhas, parerites e familia, antes de acudir 
a sua casa fez fazer uma procissao em que foi direito com todo o povo 
ao logar em què estiverà à egreja de S. Miguel, onde mandou cavar 
primeiro tanto direito do aitar da capella mór esforgando o povo até que 
OS que cavavam entenderam cavando que primeiro com o tremor fora 
derribada, e depois correrà a terra sobre ella, e sobre a egreja tam- 
bem cahida em pouca altura, e buscando no sacrario o Santissimo Sa- 
cramento nao acharam, senao sómente um pequeno cofre, em que 
estava d'antes e costumava estar, jà aberto, e com uma lasca quebra- 
da; e nao o achando dentro come^aram a dar grandes gritos, e com 
um grande choro derramar muitas lagrimas, nao-sabendo se o levàra 
lodo para o mar ou os anjos para o ceo, pediiido todos a Deus mi- 
^sericordia e perdao de suas culpas, vendo tal maravilha entendendo 
que seus peccados foram causa de seu Deos se ausentar d'elles; e està 
foi para todos os que alli se acharafn a maior e a mais triste de todas 
as magoas. 

Parece que nem a terra que correo levou o Santissimo Sacramen- 
to, pois cofre estava cerrado (ainda que a fechadura aberta, e uma 
lasca pequena d'elle fora) nem os anjos o levaram para o ceo, ou elle 
mesmo subiu là: mas elle se foi ou o levaram os anjos a algum sa- 
crario d'alguma egreja mais perto da dita villa, corno e a egreja da 
villa d'Agoa de Pau, onde conjecturo que o puseram e por alguns si- 
gnaes que algumas pessoas disto viram, comò foi um Fernando Va- 
nhegas, castelhano e outras pessoas, que entao se acharam em villa 
Franca; os quaes estando no arrebalde viram alevantar pelo ar do lo- 
gar onde a egreja matriz estava uma grande claridade, e logo disse- 
ram todos que era o Santissimo Sacramento, que alguns anjos leva- 
riam para o por em algum sacrario d'outra egreja que devia ser, corno 
tenho dito, a da villa d'Agoa de Pau, que estava mais perto. Concor- 
da com isto que aconteceo a uma Constanga Vicente, que foi casada 
duas vezes, a primeira com um Joao Pires de que estava viuva no 
tempo da subvers5o de villa Franca, e a segunda com Jo3o Pequeno, 



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ARCHIVO DOS ACORES 28i 

de que tambem viuvou: a qual estando aquella na mesma villa Fran- 
ca, no sobrado da sua casa Qando à roda, com o som d'ella nao sen- 
tio tremor, e ouvindo rumor de uma procissao, e som de campainha 
cuidou que levavam o Santissimo Sacramento a algum enfermo: cui- 
daiido n'isto com um bafo de vento se ihe apagou a candeia, indo en- 
tao a cosinha para a accender achou-a derrfbada com o tremor que 
ella nao sentio. Depois por nSo acharem o Santo Sacramento no sa- 
crario de villa Franca, quando cavando o buscaram, se suspeitou, que 
aquella procissao e rumor que aqùella mulher ouvira, seria de anjos, 
que levavam para o por em algum sacrario com outras hostias sa- 
gradas, ou.para onde Deos ordenaria e posto que a egreja matriz da 
villa de Agoa de Pan cahio aquella noite, nao houve lesao no sacrario, 
onde Santissimo Sacramento estava nem se achou menos. 

Depois mandou o dito capitao em outras partes; e muitas pessoas 
(le toda a iiha, que alli tinham suas casas, parentes, e amigos e co- 
nhecidos mandaram cada um cavar onde Ihe doia, uns para tirar os 
corpos mortos outros para ver se achavam dinheiro, e alfaias, que ti- 
nham em suas casas; outros para fazer o mesmo aos corpos e fazenda 
de seus parentes e conhecidos; e assim se cavava em muita3 partes 
da villa juntamente cada dia, e a uns achavam mortos pelas ruas e 
outros em suas casas e leitos, entre os quaes stchavam alguns vivos, 
corno foi um Joao Cordeiro, que depois foi beneficiado na freguezia de 
S. Sebastiào na cidade de Ponta Delgada; e um mogo chamado Adao 
se tirou debaixo de ^uma casa, e viveo servindo na casa da Misericor- 
dia da dita cidade muitos annos. 

Em outra casa escapou um Simio Lopes, que esteve dois dias de- 
baixo da madeira da caza ao longo d'uma empena coberto de terra, 
e indo ura seu filho por cima d'ella chorando, ouvindo-o elle chamou 
pelo fìlho a brados, dizendo: Domingos, Domingos, cavando entao àlli 
tiraram e viveo depois muitos annos. 

Cavando e sem cavar acharam muitos homens e mulheres mortos 
e vestidos, uns com um brago alevantado, outros com as cabegas, ou- 
tros com OS pés, parecendo claramente que com o tremor ftigiam 
d'elle, e a terra os tomàra assim fugindo, e os envolvia em si ou 
comsigo da maneira e postura em que os achavam. 

Pae de Nuno d'Athouguia mandou a uns seus escravos que le- 
vava comsigo, que cavassem em um certo logar onde elle tinha sua 
casa e d'antes morava, promettendo alforria ao que Ihe achasse o cofre 
do seu dinheiro, e em poucas enchadadas deram com elle, o que mos- 
tra nao ter multa altura a terra que correo n'aquella parte, ou que 
primeiro cahiram algumas casas com o tremor, que alagados depiois 
com o lodo que sobreveio ficava d'elle pouca grossura sobre ellas, e 
em cima das cousas, que com pouco cavar e menos trabalho se acha- 
vam; (comò se vio depois, d'ali a muitos annos; que cavando para fa- 
zer outra cousa no logar aonde esteve a egreja matriz, em mui pouca 



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282 ARCHIVO DOS ACORES 

altura, quasi a superficie da terra se achou urna caixinha dos fieis de 
Deos, coni alguns ceitìs ferrugentos, que nào havia entao outra coii- 
fraria na freguezia principal; e acharam campas e outras cousas) o 
qua! cofre de Nuno de Athouguia descravaram tendo bem que fazer 
seis hòmens em o levar^ e por tambem estar a terra molle feita raas- 
sapes pela qual senao podia bem andar, e o escrava que primeiro deu 
com cofre, vendo-o em salvo pedio ao senhor que o forrasse corno 
prometterà: ao qua! Ihe respondeo que o dissera zombando; mas im- 
portunado do escravo Ihe deu carta d'alforria. 

Com a pressa de correr a terra uma mulher se apegou em urna 
taboa, e a corrente a levou ao mar, aonde andando na tabda, foi ter a 
um penedo muito grande que a mesma terra levou, que està hoje em 
dia no mar onde estava d'antes o porto da dita villa; e pondo-se sobre 
elle, foi depois um batel de um navio, que no porto estava, a tomal-a, 
e assim se salvou, e achou sobre as liquidas agoas a vida, que na mas- 
sissa terra houvera de perder, se n'ella ficàra. 

Na mesma quarta feira da subversao da villa, que foi de noitè, em 
amanhecendo, entre outras cousas que se acharam viram uma menina 
de dois até tres annos pouco mais ou menos estar sobré umas taboas 
brincando com umas palhas, que parece serem as taboas e as palhas 
da cama em que jazia, quando o tremor veio: e pondo umas taboas 
sobre o lodo por ellas a foram tirar das outras taboas; a qual foi co- 
nhecida por filha d'um homem principal e rico; e depois a deram a 
criar, e casou na mesma villa, que se tornou a reetìificar da outra 
parte da ribeira. 

Em outra casa onde morava um negro casado com uma negra, 
sentindo elle o tremor, se levantou da cama, e fugindo nao appareceu 
mais pelo encravar a corrente da terra. Mas a negra dormindo por 
cima do lodo e polme que corria foi ter junto do mar, uà cama em que 
dormia, e alli acordou quando com as maòs deu no lodo, espantando-se, 
e cuidando que era agoa que chovera na sua cama, mas vendo o que 
era se sahio de gatinhas fora por cima do lodo para onde elle nao 
chegava, e assim escapou. E escapa quando Deos quer a que dor- 
mia e a que dorme; e morre o que vigia e foge, comò morreo o ma- 
rido désta que vigiava: porque comò diz David, se o Senhor nao guar- 
da a cidade, em vao vigia o que a guarda. 

(Dr, Gaspar Fructtwso, Saudades da Terra, L^ 4."^ Gap, 70,) 

(ContintiaJ. 



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ARGHIVO DOS ACORES 

Francisco AfibnBO de Chaves e Mello 

A MARGARITA ANIMADA 

fContinuado de pag. 226) 

Catalogo das pessoas ciae em m» Ml^iiel floreeeram 
em raras %'irtadefl* 



A primeira pessoa, que nesta liha floreceu em virtudes, e a todos 
ensinou o caminho do Geo foi a Veneravel Matrona Margarida de Chor 
ves, argumenlo princìpal desta obra, cujas heroicas acpoes ficam, ex- 
pendidas nella, o seu niaior exemplo seguiram as seguintes Matronas, 
e exemplares religiosos, cujos nomes sao os seguintes. 

Izabel de Miranda filha de Alvaro de Miranda, e de Izabel Luiz, de 
idade de quinze annos tomou o estado conjugal: e viveo outros tantos 
nelle, depois de viuva fez voto de castidade professando terceira e 
mantelata de Santo Agostinho. Obrou em vida alguns prodìgìos sendo 
hum delles sarar repentinamente a huraa religiosa do convento de 
Santo André, que havia tempos estava enferma de lepra, fazendo-lhe 
na parte enferma o Sinai da Cruz com a saliva da boca. Viveo nas ca- 
sas, em que hoje està a Érmida de Nossa Senhora da Ajuda, de que 
foi fundadora. Em 15 de Agosto de 1610 enriquecida de virtudes, e 
merecimentos para lograr a immortalidade da Gloria passou da vida 
temporal para a eterna. Seu corpo foi sepultado na Ermida de Santa 
Anna, aonde naquelle tempo assistiam os religiosos de Santo Agosti- 
nho. No anno de 1618 mudando-se para o novo convento, em que hoje 
vivem trouxeram comsigo o caixao das reliquias desta serva do Senhor, 
e depositaram na Gapella maior da sua Igreja. Bispo destas Bhas 
Dom Jeronymo Teixeira Gabral mandou tirar summario de testemu- 
nhasda sua vida, e milagres, por Provizao passada em 12 de Dezem- 
bro de 1611. 

Izabel da Madre de Deos filha de Rodrigo Vaz Pavao, e de Izabel 
Gon^alves de Araujo foi mantelata de Santo Agostinho, todo o tempo 
de sua vida gastou no santo exercicio da Ora^So mestai, e outras ra- 

YoLI— N.«4— 1879, ,1 

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284 ARCHIVO DOS ACORES 

ras virtudes; faleceo em 21 de Julho/le 163.1. Seu coi:po està sepu!- 
tado no Cruzeiro da Igreja de Santo Agostlnlìo dos mesmos lleli- 
giosos. 

A huHìilde serva de Deos Ltizia dos Avjos, Terceira de S. Fran- 
cisco filha de Fedro Alfonso, e de Luiza Morata; de menina foi nini 
inclinada às obras de caridade, e piedade; crescendo na idade, crescia 
tambem nas virtudes, ainda que na curiosidade, e iiinpeza dos vesti- 
dos nao estava raortificada. Tendo vinte e tres annos, e ouvindo uni 
sermao do Juizo a chamou Deos; de que flcou seu coragao tao ferido 
do Divino amor, e com tal aborrecimento às cousas mundanas. quo 
logo cortou OS cabellos, e depondo as gallas se vestio de luim habito 
pardo, dando-se dalli em diante toda a penitencia, e oracao, em que 
gastava a n(Mte, e dia, nao concedendo discanto algiim a seu coipo, 
senao por mui breve espaco, jà dormitando na terra, jà em hum po- 
bre enxergao. Jejuava o mais do tempo a pào e agoa; tornava tao as- 
peras disciplinas, que suas irmaas Ihe persuadiam nao uzasse de tan- 
to rigor; porque no melhor desfaleceria; ao que a serva de Deos res- 
pondia: Nao sera assim, porque eu tenho as Chagas de JESUS que me 
guiam, e se me representam em tudo o que fago. ellas sào as que mo 
dao animo, e me encaminham, e por isso Ihes fnzia mui particulares 
devoQoes, especialmente a do Lado, da qual sua alma recebia conti- 
nuos favores. 

Sobre tudo foi grande sua humildade, e caridade para com os po- 
bres. Deu-lhe o Senhor parlicular graca para curar enfermos, pois 
aos que tinham chagas ascarosas, limpando-lhas, e fazendo sobre ellas 
Signal da Cniz, invocando o Santissimo nome de .lESUS seni outra 
alguma medicina saravam. Sentia sua alma tanta consolagao, quando 
commungava, que da redundancia della no exterior lodos davam fé. e 
assim dizia muitas vezes: Que quem buscava outras consolacoes mais 
que Santissimo Sacramento nao era verdadeira amante; porque nelle 
se achavam muitas mais das que se podem desejar. Venerava com 
cordeal alFecto o Mysterio da Santissima Trindade alcancando para si, 
e seus devotos avantejados favores. Todos os annos no dia desta fes- 
tividade mandava dizer um.a Missa offertada com tres argolas: e que- 
rendo hum anno fazellas todas iguaes assim no tamanho, comò no 
pezo, cortando a massa em tres partes, pezadas Ihe sahiram tao con- 
formes, que tanto pezava urna comò a outra: e duas conio urna. Rara 
maravilha ! 

Invejoso o commum inimigo dos singulares favores, com que o 
Senhor a engrandecia, Ihe appareceo muitas vezes em horrendas fi- 
guras quebrando-lhe as contas, ou escondendo-lhas. Chegada final- 
mente a hir lograr o incomparavel premio de seus trabalhos Ihe so- 
breveio Imma apoplexia, de que ficou sem falla para as cousas do 
mundOj-e nao p«ra as da satvacSo, pois chamado o confessor com 



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AUCIIIVO DOS ACORES 285 

giandes sinais de conlricSo se confessou, e querendo-lh.e langar veiir 
lozas se Ihe nao achou parte no corpo que nao estivesse feila hunia 
cliaga viva das acerrmias peiiitencias. Recebidos com exlremosa ale- 
glia, e consolagao os uitimos Sacramentos entregou seu puro espirito 
nas maos do Creador em 14 de Fevereiro de 162i Viveo aonde hoje 
està a Éimida de Santa Luzia na freguezia do Martyr Sao Sebastiào, 
fV)i sepultada uà Igreja dos Religiosos de S. Francisco, e assiai com 
grande fundamento podemos crer goza da vizao beatifica: pois na vida 
acredìtou o Geo siia virtude com grandes maraviihas, as «luaes ainda 
lioje obra por meio das cousas de seu uzo. 

Padre Frey Antonio de S. Boaventma Religioso de S. Francisco 
iiatniTìI de Villa Franca, viveo, e morreo neste convento de Ponta Del- 
gada com sinais de predestinado. Seu €orpo foi sepultado no Capitulo 
do mesmo convento em 4 de Dezembro de 1630. 

Padre Prcgador Frey Francisco de S. Fedro fillio de Manoel de 
\ffouseca, e de Beatris de Aguiar naturaes da freguezia de S. Sebas^ 
tiào desta cidade morreo no mesmo convento com opiniào de Beni- 
aventurado em 4 de Junho de 164(5. 

N'este mesmo convento florcceram em relevautes virtudes, e fma- 
lizaraui santamente a vida no anno de 1630 o Padre Frey Apollinario 
de Gaudalupe filho de Pedro Gonfalves, e Beatris Nuncs naturaes do 
lugar da Ril>eira secca» e Frey Antonio de JESUS o Bulhoens filho de 
lleurique Botelho de Mello, e de Beatris Cabiceiras naturaes do lugar 
da Maia em 24 de Abril de 1072. E os Padres Frey Manoel das Cha- 
gas, Frey Calisto da trindade lillios de Antonio de Bruni e Silveira, 
e de Maria de Frias Pimentel naturaes desta cidade. 

Padre Freff Manoel das Entrada^ foi fillio de Domingos Arco, e 
de Joaiina da Cruz naturaes de Campo do Onrique, e moradores na 
Corte dos Cavalleiros termo da Villa das Entradas: estudou no Real 
Collegio da Purifica^ào de Evora; ordenou-se Sacerdote, e foi Vigario 
da Vara de nove viltas do Campo de Onrique; desta occupa^ao passou 
a de Abbade da Igreja de Sào Joao Baptista. Morto seu pai recalheo 
a mae no Mostelro de Santa Martha de Evora, e repartindo pelos po- 
hres trxios os scus bens se meteo Religioso de Santo Antonio no con- 
vento do mesmo Santo da cidade de Evora: deste convento veio para 
de Varatojo, e foi companheiro do Padre Frey Antonio das Chagas. 
Passou a India Orientai: aonde andou oito annos em Missao por varias 
Provincias daquelles Estados convertendo muitas almas a Deos. Da In- 
dia veio a Bahia aonde andou dois annos em Missao em companhia de 
tres Irmaos Religiosos da mesma Ordem; desta parte foi ao Maranhao, 
donde veio a liha Terceira, e finalmente a està; aonde acabando a vi- 



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286 ARGUIVO DOS ACORES 

da a 8 de Dezembro de 1695 das tres para as quatro horas depois da 
meia noite passou sua alma a lograr o premio dos muitos Irabalbos» 
que pelo amor de Deos havia padecido nesta vìda. 

Tres dias esteve seu corpo no Cmzeiro da Igreja/dos Religiosos 
de Sao Francisco desta cidade sem sinal algtim de corrupgào, e mos- 
trando ter as veias de mo, trinta e cinco horas depois de morto o pi- 
caram (por parecer de pessoas doutas) em huma junto a mào, e lan- 
Qou sangue liquido. A maior parte do povo desta Ilha foi venerar o 
seu santo corpo; e tiraram delle muitas reliquias. Passados estes dias 
sepultaram no Cruzéiro da Igreja; depois de estar sagrado o' novo 
Tempio dos mesmos religiosos, msfndou o Padre Frey Gonzalo de 
JESUS abrir a sua sepultura de noite, e n3o se sabe se achou o corpo 
incorrupto, nem o que fez das suas reliquias, nem dos corpos incor- 
ruptos de dois servos de Deos, que estavam na mesma Igreja cujos 
nomes se ignoram. 

A piedade de El-Rei D. Fedro II madou ao Bispo destas Ilhas Doni 
Antonio Vieira Leitao que tirasse sumario de testemunhsrs dos mila- 
gres, que Deos obrou pelas reliquias deste seu sen^o, e nelle se con- 
tém obras maravilhosas da mao do Altissimo. 

Padre Frey Rodrigo de S. Miguel Carrasco foi naturai desta ci- 
dade de Ponta Delgada, tomou p habito de Sao Francisco, em cuja 
Religiao floreceo era letras, e relevantes virtudes. Seus Prelados o 
mandaram para o convento. da cidade de Angra, aonde brilharam suas 
letras, e virtudes entre as dos outros religiosos>, comò o sol entre os 
mais astros. No anno de 1612 passou da vida temporal para a eter- 
na; seu corpo foi sepultado no Capitulo do convento, aonde se achou 
dahi a muitos annos incorrupto. 

Com a mesma opiniao finalizaram a vìda na Villa da Ribeira Gran- 
de OS Padres Frey Antonio da Esperanm filho de Francisco Taveira 
de Neiva, e de Izabel Caldeira, e Frey Domingos da Purificamo am- 
bos Religiosos de Sao Francisco, e Frey Alberto de Santo Antonio 
Carmelita Descalgo. 

Padre Frey Braz Soares Religioso de Santo Agostinho foi ftlha 
de Affonso Annes, e de sua terceira mulher Joanna Soares, e irmao 
do Padre Joao Soares da Costa, que instituhio huma das administra- 
C5es, que administra a Santa Casa da Misericordia desta cidade; to- 
mou u nabito de Sr Domingos nas Felipinas, e querendo os Religiosos 
mais veteranos reformar aquella Provincia, o enviaram a Roma, aonde 
prenderam por calunmias, que Ihe levantaram os seus mesmos Re- 
ligiosos. Fogindo do carcere se lan^ou aos pés do Pontìfice, que o re- 
cebeo com benignidade de pai, e vendo a sua innocencia o fez Visita- 
dor, e Reformador daquella Provincia, de cujo cargo se excusou, e Ihe 



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' ARCHIVO DOS ACORES 287 

pedio licenza para passar para a Religiao de Santo Agostinho, Velo 
depois a està liha, è foi nmitos annos confessor da Veneravel Matrona 
Margaridade Chaves, a queni imitou nas virtndes, e santidade da alma. 
Viveo no convento de Santa Anna, e nelle cheio de meritos para a 
Gloria acabou a \ida em H de Maia de 1613^ tendo ceni annos de 
idade. No anno de 1618 trasladaram sens Religìosos as suas reliquias 
para o novo convento de Santo Agostinho, e as deposìtaram debaixo 
do aitar maior da $ua Igreja. 

Padre Frey Affmso de Toledo castelhano de na(;ao da casa dos 
Duques de Alva; veio à està Ilha arribado qual outro Jonas a Ninive. 
Sahio de Castella fugindo às altera(j6es, que naquelle tempo havia com 
nome de Communidades: viveo alguns annos nesta Ilha, «ervindo a 
todos de exemplar pelo raro de suas virtudes; teve o doni de profeta; 
pois annunciou ao povo desta Ilha o dia em que se havia de subverter 
Villa Franca. Acabou a vida dando evidentes sinais, de que hia gozar 
do eterno descan^o. Seu corpo foi sepultado na Ermida de Nossa Se- 
nhora do Rosario, que hoje he Capitulo do convento dos Religiosos de 
Sao Francisco da mesma Villa, 

Irmao Bento de Goes coadjutor teraporal da Companhia de JESUS, 
foi naturai de Villa Franca; auzentou-se da sua patria a buscar ventu- 
ra (se he que no mundo a ha.) Sentou praca de soldado. e passou a 
India Orientai; aonde , viveo alguns annos tao esquecido da salva<jao, 
que nao fazendo apre^o de perder a Deos o devido respeito, so trata- 
va de acrescentar culpas a culpas; porem corno Deos o tinha destina- 
do para grandes emprezas entrando certo dia em hum Tempio de 
Travancor, Ihe poz diante dos olhos da consideracao suas enormes 
culpas, e fazendo acto reflexo sobre ellas, banhado em lagrimas se 
prostrou com o peito ém terra ante o Aitar da Virgem Santissima. Re- 
presentou a Senhora o pessimo estado.da sua vida, pedindo-lhe Ihe 
alcancasse de seu bembito Fillio perdao de suas culpas. Vendo-o a 
Senhora em tao grande aperto se compadeceo de sua miseria, e o 
Menino Deos que tinha nos brafos, comecou a lan^ar de seus olbos 
duas crystàlinas fontes de lagrimas; admirado opobre soldado do qiie 
via, clamou pelos seus companheiros, que ensopandò um ìmqo na- 
quella preciosa reliquia a repartiram a contenda entre si. 

Bento, jà outro homem, fez voto de entrar na sagrada Religiao da 
Companhia de JESUS, e depois de fazer liuma conflssao geral, tomou 
aroupeta para coadjutor temperai no Collegio de Goa. Nesta Reli- 
giao perseverou vinte aiinos que teve de vida, dando a todos grandes 
exemplds de éxcellentissimas viptudes, e acrescentou ao rebanho da 
Igieja Catholìca hum numero sém numero de almas. Prégou livre- 
wente a Christo Crucifìcado na Corte do Grao Mogor, e em outros 
niuitos retnos, curando enfermidades varias so com o Sinai da Cniz, 



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288 AHCIJiVO DOS ApOUES 

pois iiiflahio Deos nelle tantas euchentes de gra^a, que elle mesmo se 
(lescorihecia dizeiido corno S. Paulo: Viw ego, jani non ego; lirU wù 
in iiie C/tristus. 

Quei endo os Prelados levaiital-o a dignidade de sacerdote o niìu 
conseiritio por se achar iucapaz de receber ein suas niàos a Deos Sa- 
craraeiilado; e corno so zelava o hem das almas, ouviiido fallar na 
(iiistatìdade do Catayo, ainda naquelie tempo iua)guila, pedio aos 
Prelados llie desseni lìcenga para passar àquella Missao. Partio paia 
ella no anno de iG03 canùnhou quatro annos por varios reinos com 
gì andes Irabalhos, e evidentes perigos de vida, tendo muitas vezes a 
morte (Haute dos ollios com os alfanges na garganta. Cliegou tinal- 
mente às portas da China tao enfiaqnecido das forgas, e tao debilitado 
das caraes, que apenas tintia a pelle pegada aos ossos; espcrou por 
licenca para entrai*, e tendo noticla da sua chegada os seus Keligiosos, 
que asslstiafm na Corte de Pe<|uim Ihe enviaram ao Iimao Joao Fei- 
nandes para seu companlieiro. dia antes da sua chegada Iha reve- 
lou DeoM, e (juorendo seguir a jornada o nao adiou capaz. Esteve al- 
guns di«s com elle, e por mais que curou da sua saude lite espirou 
iios brar^s em li de Abril de 1607 tendo 45 annos de idade, niio sera 
suspoitas de veneno, deixando com tao santa vida sinais certos de 
eterno descanco. 

No Mosteiro de Nossa Senliora da Esperanfa desta cidade de Pen- 
ta Delgada floreceo em raras virtudes, e obrou extraoidinarios prodi- 
gios a Beata Soror Ignes ile Santa Iria: foi està serva de Deos natu- 
ra! de Galiza; e vindo a està liha, se recolheo freii a no Mosteiro de 
Val de Caba<;os, donde vero para este, em que enriq.ueci<la de vir- 
tudes passou da vida tempora! para a eterna em 2 de Setcmbro 
de 1588. 

' Com mosmo cs[)!endor de virtudes viveiam, e {ìnalizàram san- 
tamente a Vida Soror* Unnla de Santo Agostìnko lilha de Paulo Anto- 
nio, e de Cathai'ina Correa, e Soroi* Maria da Madre de Deos fìlha de 
Sebastiao de Teve, e de Magdalena do (]outo ambas iiatuiaes da Pa- 
l'ochial do Patriarca S. Joseph desta cidade. A primeira faleceo a ii 
de Jrmho de 1617 e a segimda em 4 de Outubro de 1682. 

A estas servas do Serrhor imitaiam, e imitam outras muitas Re- 
lìgiosas do nresmo Mosteiro, cirjas vidas pódem servir de exemplar, 
aos que qiiizeiem seguir o^verdadciro caminlio da salvacao. Nesle 
convento està o corpo de Iruma incoi'iupto com todas a^s mortalhas, 
com que o sopullaram; e queiendo-lhe por repetidas vezes tirar o véo, 
nao puileram conseguir; porqiie pegando delle se esconrlia debaixu 
da terra; ignoia-se o seu nome, mas suppoem-se ser das primeiras 
fundadoras do convento. 



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Ar»CHJVO DOS ACORES 289 

No Mosleiro de Santo André desta cidade florecerani niuitas Reli- 
giosas em odoriferas virtiides, e conio flores do melJior jardiai da ter- 
ra foram transplantadas para o do Geo; entre todas avnltaram mais 
Iriiit» e Imma Religiosas, que corno radiante» estiellas serviram de 
esnialle ao ceo da sua Reli^iao, cujos nomes sao os seguinles. 

Soror Maria da Trindmie filha <le Antonio Jorge (Correa cìdadao da 
cidade do Porto, e da Veneravel Matrona Margarida de Cliaves, depois 
de ver o transito de sua niJi viveo alguns annos no secalo, e corno as 
reacs agnias nJio gerani inertes pombas seguindo o s.eu ex empio; e 
satisfazendo ao (|U8 nos ultiitios paracismos da vida llie pedio, so re- 
colheo a este Mosteiio; depois de professa passou ao Mosleiro de Sào 
Joao desta cidade para instnilìir no cammlio do eco cj^m o exem[>!o 
de suas raras virtudes ns novas plantas daquelle jardim da terra, 
Neste Mosteiro senio alguns annos de porteira, e rod(^ira, e depois de 
estarem as novas religiosas beni instrtìbidas no caminho da salvacao» 
voltou para o domicilio, cm qne foi creada, deixando-as sxMitidas da 
sua ausencia. Passou o restante da vida exercitando raras virtudes. 
Sua mai Ibe appareceo muitas vezes a confortalia em algnmas tribula- 
Coes. Nao relato as virtudes. em que se exercitou, nem os prodigios 
que obrou; porque llie nao cscrevo a vida; porém so individnarei bum 
caso, que Ibe succedeo para bonra, e gloria de Deos, e consolacào dos 
virtuosos. 

Vivia està Religiosa penalizada com bum grande desejo de ter 
nm dente de sua mai; pedio ao Ordinario Ibo mandasse dar, e nio o 
pode conseguir; porem corno Deos sem[)re acode às tribulacoes dos 
seus servos, em huma vespera de Pascoa, estando a Madre Beatris da 
Encarna^ao no coro de baixo Ibe appareceo nm menino junto a gra- 
do, que teria de idade tres annos. tao lindo que beni mostrava sc^i* 
nm aujo. Perguntou-lhe tres vezes pela Madre Maria da Trindade lì- 
Iha de Margarida de Cbaves, e dizendo-lbe a Religiosa, que Ibe na(> 
podia fallar, Ihe respondeo, que podia. e llia cbamasse; vendo a Reli- 
giosa a sua profia Ihe pedio Ibe dissesse o que Ibe queria, que ella 
Iho dina. Deu-lbe entao urna ebave da sepullura da mai, e desapare- 
ceo; entregou-lhe a ebave, e ficou adinirada por a ter na sua cella fe- 
cliada em um cofre. Abrio-o para ver se eia aquella a ebave que ba- 
via guardado, e acbou saltando dentro do cofre bum dente de sua mai 
satisfazendo Deos aos seus desejos com Ibe dar a reliquia ponpie tan- 
to snspìrava. 

No anno de 1634 tove bnma doen<;a, na qual a visitou a mai, e 
Ihe annunciou, que d ella bavia de morrer. Em 5 de Dezembro do mes- 
nio anno cbeia de merecimentos para lograr a imniortalì«lade da Glo- 
ria entregou a alma a seu Divino Esposo. Della Irata o Doutor Jorge 
Cardozo no scn Agiologio Luzitano em 25 de Maio. 

Soror Maria da Madre de Deos Alba de Sebastiao de Teve e de 

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290 ARCHIVO DOS ACOKES 

Magdalena do Conto, perenta da fundadora do sea convento, em toib 
discurso de sna vida exercitou varias virtudes. Em domingo da 
Trindade de 1633 passou da vida lemporal para a eterna; passado 
bum anno abrindo-se a sua sepuitnra sabio della huip suavissimo 
cbeiro: descobriram o corpo, e acbarara-no incorrupto com todas as 
mortalbas, e flores com que o tinbam sepultado tao frescas, corno se 
fossem colbidas naquella bora. Acbava-se buma criada do convento 
havia annos aleija^la de bum brac<), poz bum pedaco do habito, aonde 
tinba a dor, e recuperou repentinamente saude. mesmo fizeram 
muitas pessoas, e alcancaram saude de enfermidades varias. 

Soror ,i¥ana da Encarnagào tìiha do Licenciado Antonio Camello, 
e de Maria Correa mora^ores nesta cidade, fot buma das primeiras 
Religiosas, que professaram neste Mosteiro; e cofundàdora do de 
Sao Joao, e nelle exercitou o officio de rodeira com a Maria da Trin- 
dade, de quem acima tratàmos, voltou para o seu convento, e no anno 
de 1639 suspin-indo acabar a \1da, e resuscitar com Cbristo no dia de 
sua gloriosa Résurreicao, foi para o coro aquella noite, para ser corno 
anjo a primeira, que pedisse a Senbora alvicaras da Resurreicao do 
Filbo. Deu-lbe bum accidente de vomitos, e ao tempo que as Religiosas 
faziam a procissao da Resurreicao dando bum suspiro entregou a alma 
a seu Esposo, para resuscitar com elle uà Gloria. 

Com a mesma opiniao viveram, e finalizaram a vida em a primei- 
ro de Novembro de 1620 Soror Elma da Concetto filba de Jacome 
Leite de Vasconcellos, e de D. Catbarina Botelba moradores nesta ci- 
dade, e sua Irma Soror Jfana da Cruz em sete de Agosto de 1666. 

A estas servas do Senbor imitaram Soror Maria da Conceicàa fi- 
lba de Miguel de Figueiredo de Lemòs, e de Ignes Nunes Velba natu- 
raes de Santa Maria, e Irma de Dom Luiz de Figueiredo de Lemos 
Bispo que foi da cidade do Fimcbal da Uba da Madeira, e Soror Bear 
tris da Anminciacào, e Leonor do Paraiso filbas de Fedro de Teve, e 
Guiomar Soeira moradores nesta cidade, e Soror Maria de Santo An- 
dré filba de Gaspar Concai ves, e rfe Catbarina do Conto naluraes do 
lugar de Rosto de Cào. 

Soror Victoria da Ascencào filba de Antonio Pereira de Elvas, e de 
Apolonia da Silveira entrou neste Mosteno em 30 de Novembro de 
1639 tendo onze annos de idade; professou em 6 de Juiho de 1664 ^ 
corno Deos a tinba escolbido para si, logo nos primordios de sua i - 
fancia se inclinou aos exercicios espirituaes, gastando a maior pai > 
do tempo no exercicio da oragao: muitas vezes a viram arrebatad , 
outras em extasis. Hum confessor, com quem fez confissao geral, i - 
• iirraoa, (}ue nào perderà a gra^a baptismal. Abragada com bum Cr - 



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I ARCHiVO DOS ACOBES 21)1 

\ cifixo, e pondo a boca na chaga do Lado acabou a vida eia a de Agos- 
to de 1677 tendo 29 annos de idade. Coni a mesma opiniào acabou a 
Vida em 20 de Abrii de 1664 Soror Jzabel da Encarmmo filha de Joào - 
Rodiigues Pavao naturai do lugar dos Giaetes. 

Soror Maria da Annunciamo filha de Duilrte Boi'ges e do Maria de 
Sampaio eutiou neste Moi>teiro de itìade de vinte annos; tod^) o tempo 
qne viveo tbi muito retiiada dos tratos mundanos, e tanto que tendo 
nmitos parentes nao tratava mais que coni seu irmào o Padi^ Gonzalo 
de Àres, da Companhia de JKSUS, Na virtude da penitencia foi exces- 
siya; porque os cilicios, jejuns. e disciplinas eram continnos. a cari- 
dade para coni os pobres era mai re|evante, pois nào tinha consa al- 
guma, que coni ellas nào repartisse. Teve o dom de profecia, porijue 
disse nmitas cousas que ao depois se.viram cuuipridas; tendo oitenta 
annos de idade passou da vicla tempoial para a eteina no anno de 
1695. A certeza desta verdade nos mostrou Deos nos prodigios, que 
(lepois de morta obrou, dos quaes so dois relato. 

Hunia criada deste Mosleiro tinha unia grande apostema em bum 
dedo da mao, e pondó-o no pescoso desta serva de Deos por algum 
espaf/O, quando tirou d'elle a mào se achou de todo livre da enlermi- 
dade. Outra que no mesmo dia padecia huma grande dor de denles. 
tocando a face com a mào da defunta desta bemaventniada. lìcou logo 
livre da dor. 

Coni hiesnio resplendor de virtudes floreceram as inadres Maria 
das Chaga^ nhtuial do lugar de (]andelaria, e Amta de Scio Roqiiv, e 
sua irina Liizia de Sdo Bartftoloììuu naturaes desta cidade, a quem 
imitou tanibem Soror Izabel de Santa Barbara, 

Soror Maria do Nasciimmlo naturai da Villa da Lagoa, d^de sua 
infancia foi inclinada ao estado Religioso, pois querendo seus pais dai- 
Ihe outro o nào consentio; em todo o decurso de sua vida se exerci- 
tou eni raras virtudes. Menino Deos Ihe appareceo algumas vezes a 
confortala em algumas tribulafoes. Teve o doni de profeta, pois disse 
haviam succeder algumas cousas, que de facto se viram cumpridas. 
Passou da vida tenipòral para a eterna no anno de I(){)G. 

As virtudes desta serva do Senhor imitou Soror Cai barimi de Na- 
zareth filha de Joao Goncalves Teixeira, e de Maria de Araujo na- 
turaes da Villa do Nordeste chela de mei-itos para a Gloria; passou 
da Vida tenipoi*al para a eterna no mez de Marco do anno de 11)99. 

Soror Barbara de Santo, Anmro filha de Diogo Leite, e de Dona 
Maria do Canto, desde sua infancia foi inclinada ao estado de Reli- 
giosa vivendo no seculo corno se estivesse em clausura; depois de 
entrar neste Mosteiro seguio sempre o caminho da humildade exer- 

Vol. I— j>f.«4 -1879. 2 

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292 ARCHIVO DOS ACOKES 

citando as occupaQoes mais humiides. Na virtude da caridade para 
coni OS pobres foi muito excessiva; as penitencias, que fazia eram 
giandes; einflm, era ham epilogo de todas as virtudes. Teve algumas 
. lutas coni o coninium inimico das nossas almas, porém de todas sahio, 
conio a valerosa Judith, triumphante. Acabou a vida em 22 de Maio 
(le 1716 tendo 82 annos de idade, com tal socego, que foi comò sono 
a sua morte ficando-ihe o corpo fléxivel. 

extmplo que com suas virtudes deu a suas irnians as Madres 
Izdbel da Trindade, e Anna da Conmcào Ihes servio de idea para a 
direcijao da vida e com o mesmo socego entregaram as suas almas 
ao seu Divino Esposo; a primeira em 17 de Novembro de 1707 tendo 
06 annos de idade, e a segunda em 4 de Abril de 1717 com 78 an- 
nos de idade todos gastos no seivigo de Deos. 

Soror Izabel de S. Lniz lìlha de Manoel Cordeiro, naturai desta ci- 
dadi5, tod ) periodo de sua vida gastou no exercicio de raras virtu- 
des, e na da pimtencia foi mais excessiva: teUjdo 82 annos de idade 
passou da vida temporal para a eterna em 15 de Dezembro de 1718 
Sem que os annos, nem a doenfa Ihe debilitassem o entendimento; 
pois até OS ultinios paracismos da vida, teve as costumadas horas de 
oracjao mental. 

Soror Ursula de Santa Anna filha de Manoel Raposo Bicudo, e de 
sua primeira mulher D. Anna Leite de Vasconcellos nasceo no lugar 
de Rosto de Cao, desde sua infancia foi inclinada ao estado de Reli- 
giosa, tanto que a nào pode seu pae vencer a que tomasse o estado 
conjugal e contra a paternal vontade a meteu freira neste convento 
sua avo Cathaiina Botelha; nelle floreceo em grandes virtudes, e que- 
rendo-a fazer abbadega pedio a Deos a cegasse para se livrar do car- 
go. Despachou-lhe Deos sua petigSo, e vivia mais contente com a pri- 
va^ao deste sentido, que quando o logiava; deu-lhe bum estupor, com 
que viveo muitos annos de cama, e a molestia, que nella sentia era o 
nào poder fiequentar tantas vezes, comò desejava, o Sacramento da 
Sagrada Communhào, que as mais penitencias, e exercicios espirì- 
tuaes, OS fazia na. cama. Nella a visitou o BisfX) D. Antonio Vieira 
Leitao, e a confessori, de cuja virtude ficou muito agradado. Foi mui 
devota de S. Francisco Xavier, e dos religiosos da Companhia, a quem 
imitava nos exercicios espirituaes de Santo Ignacio. 

Himia Religiosa (ine tinha a seu cargo o tiatar della estando doen- 
te de huma niao, tanto que a nao podia mover, vendo-a bum dia estar 
molestada, e nao a podendo remediar por estar doente da mao com- 
padecida della a virou na cama pelo melbor modo que pode; succedeo 
ficar-lhe a mao enferma debaixo do co^po, e tirando-a se achou de 
todo livre com admiracSo, da queixa que padecia. 



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ARCHIVO DOS ACORKS 293 

Chegou finalmente aos ultimos paracismos da vkla; e depois que 
tomou o Santìssimo Viatico nao faliou mais, que cora o seu confessor: 
a 20* de Agosto de 1708 ao meio dia passou da vida temporal para 
a eterna flcando-lhe o sembiante tao alegre corno se estiverà viva. 

Maria dos Reis foi escrava de Doni Luiz de Figueiredo de Lemos, 
Bispo do Funchal; este vendo-a inclinada ao caminho do Geo a me- 
teo neste Mosteiro para o servilo de sua irma Maria da Conceicao; 
nao. Ihe pode o negro da cor eclipsar o resplandor de suas vijtudes, 
e corno Santa finalizou a vida em 28 de Marco tìe 1654. 

Joanna do Salvador foi naturai da Villa da Ribeira Grande, mo- 
Vida pela préga^ao do Padre Manoel Fernandes da Companliia de 
JESUS, se recolheo por criada neste Mosteiro, em que se exercitou 
sempre nos oflTicios de maior humildade, sendo extremosa a sua ca- 
ridade para cora as enfermas. Nao so castigava seu corpo conj as- 
peros cilicios, mas tambem com a aspereza dos jejuns, pois jejuava 
todas as quaresmas a pao e agoa, e comò pedia a Deos repartìsse 
com ella os tormentos da sua Paixao Sagrada padecia da quinta até 
à sexta feira humas grandes dores, que com a forca dellas se Ihe 
desconjuntaram os ossos dos pés, e màos, ficando milito tempo im- 
movel. Com o diabo teve visivelmente muitas lutas, de que sempre 
saliio triunfante. Na devoijào para com as almàs do Purgatorio foi 
extremosa mandando-lhe dizer muitas missas, Faleceo no anno de 
1690 em dia de S. Boaventura, tendo-!he Deos revelado o dia, em 
que havia de morrer. Estando, na bora em que espirou està serva 
de Deos, bum virtuoso Religioso em oracao em Lisboa vio em espi- 
rito huma solemne Procissao dos Cortezaos do Geo, que celebravam 
a festa do Santo Doutor, e neste tempo vio entrar de novo huma 
alma, que foi admittida com gosto de todos a mesma solemnidade, 
e fbi-lhe revelado, que naquella bora partirà aquella ditosa alma do 
Mosteiro de Santo André da cidade de Ponta Delgada: communican- 
do Religioso està vizao se mandou saber a està Ilha a certeza, e veio 
se ao conhecimento, de que fora na bora em que espirerà està Bem- 
aventurada. 

Com a mesma opiniao, e exercitando as mesmas virtudes viveram 
neste Mosteiro Barbara da Estrella e Joanva de Santo Antonio natu- 
raes da Villa da Ribeira Grande, e Izabd Baptista, e Ignez dos Neves 
naturaes desta cidade, e comò nellas perseveraram até os ultimos pa- 
racismos da Vida, piamente podemos crer estào gozando por premio 
de suas virtudes a vista Clara de Deos. 

Soror Faustina da Cniz filha de Manoel Rapozo Bicudo, e de Anna 
de Mideiros nioradores nesta cidade foi Religiosa multo exemplar, e 



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291 Allenivo B(JS ACOItES 

(!e grande idom^idacle {)aia o s^ivico da Religiao. Na virtude da cari- 
dade para coni os [xjhies tbi extreniosa, e com signais de predestina- 
da aoaboii a vida em 8 de Mairo de 1090 tendo 57 annos de idade. 

Soror Mariatiua do Lado fìllia do Antao Paclieco, e de Maria Car- 
neira, entrou neste Mosteiro de idade de doze annos, e logo princi- 
])iou a exercitar-sé em todas as es|)ecies de vii tude, e mais partico- 
larmente na da caridade {)arà com os pobres, rei)artindo coni elles as- 
sim a i^irriio, (jne Ihe dava a commnnidade., corno Imma tenca que Uie 
deixaram seus pais/e parece (jiie Deos Uia augmentava {>eias mnitas 
esmolas (jne fazia. Em certo dia querendo remediar a necessidade de 
lums pohi-es \hhì\o a Santo Antonio, de quem era mni devota, Ihe aco- 
disse: porcpie se acliava seni ter com que satisfizesse aqlieUa necessi- 
dade: hiìido acaso a cama acliou debaixo da cabeceira humas patacas, 
fez diligeiicia por toda a commmiidade, e nao ihe appareceo dona; 
vendo qne Santo Ihas dera para remediar aquelles pobres, as re- 
partio coni elles. Nào so està mas muitas vezes experimentou seme- 
Ihantes favóres de Deos. Cheia de merecimentos para lograr a Bem- 
aventaranca acabciu a vida em 29 de Juiho de 1719 tendo 68 annos 
de idade. Achava-se buina Religiosa molestada de dores de dentes, e 
cbegando ao esquife tirou com fé liuinas giestas, que estavani sobit 
o corpo, e iK)iKlo-as.na cabeca Ibe passaram logo as dores. 

No Mosteiit) de S. JoHo Ante Portam Latinam floreceram muitasi 
Religiosas em grandes virtudes, e as de que tive cabai noticia sao as 
seguintes: Soror Catharina de Christo m3e da fund adora do conven- 
to, que de idade de 80 annos professou neste Mosteiro com sua filha 
Maria de Christo, qne no seculo se chamava iltor/a Jaamie Bapòza, e 
com suas netas Amm de Sào Jòào. e Izàhel do Espirito Santo; e todas 
fmalizaram a vida com sinais de eterno déscanco. As virtudes destas 
servas do Senhor imitaram Soror Maria de Sao Jeront/mo fìiìvd de Fer- 
nando de Lima natnral da Uba Terceìra, Soror ilfor/a doEnpirito San- 
to Mu de Domiiigos d<3 Viveiros natnral desta cidade, e Soror J/aria 
da Trindade, e todas passaram da vida temporal para a eterna com 
sinais de predestinadas. 

Soror Maria da Apresentamo filhà de Nuno Barbosa, foi Religiosa 
de grande virtude, e nella pei-sevèrou até o ultimo prazo da vida. 
Muitas vezes a viram as outras Religiosas èm extasis. é tao levantada, 
que pegando nella para a despertar nào sentia a quem Ihe fallava. 

Soror Izabel da Trindade foi muito dada a vida C(mtemplativa, e 
muito devota de Christo Crucificado; estàndo nos uUimos alentos da 
vida (pierendo dar bum osculo nos pés de bum Crucifixo, (jue tirilva 
diante de si o nao pode fazer por Hie impedir a debilidade das foicas 
levantar a cabeca; neste tempo despregou ò Senhor os pés da cruz. 



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AUCHIVO J)OS ACOUKS 295 

e pondollios na boca espirou. Teve està Religiosa em vida graadés 
desejos de seu corpo ser sepullado debaixo do aitar maior dà sua 
Igreja, e iiao pode coikseguir a satisfanno delles; succedeo dahi a an- 
iios fazer-se de novo a Igreja, h mudando-se a capella flcou o aitar 
maior sobre sua sepultura. 

A està serva de Deos imitaram Soror Maria da Conceicào e So- 
ror Anna dos Serafins, e Soior Maria da Gloria; foi està Religiosa per- 
to de vinte annos cega: e valendo-se do patrocinio de Sao Gaetano pa- 
ra Ihe aicancar de Deos vista, mandou buscar Imma sua Imagem, e 
entrando-lhe està pela cella a vio, recupeiando com a presènza do 
Santo o sentido de que havia, tantos annos' vivia privada. 

Soror 'Anna da Ascencào foi bum epilogo de virtudes; e por ellas 
mereceo dar-lbe Deos o dom de profetizar, porque muitas cousas dis- 
se, que se viram cumpridas. Ilum anno no mez de Agosto houve 
grande secca de sorte, que nao corriam as fontes, e acbando-se as Re- 
ligiosas sem agoa Ihe pediram rogasse a Deos Iha mandasse do Geo. 
Respondeu-lhes, que a fossem colher em cantaros, porque logo havia 
de cliover; fizeram zombarla do dito por estar o sol bem intenso. Eis 
que de. repente veio tanta quantidade de agoa chovendo copiosamen- 
te, que superabundou para todas remediarem a sua falta. Outros ca- 
sos semelhantes Ihe aconteceram,- que nao escrevo por serem iden- 
ticos. 

Soror Juliana da Boa Nora filha de Francisco de Ritancurt, e de 
Dona Maria Rorges de Sousa, nos ultimos annos da sua vida se entre- 
gou toda ao servilo de Deos: teve tres annos huma tao grande enfer- 
midade, que apenas Ihe deixava mover as maos, e nao podia estar sem 
assistencia da^enfermeira: na quarta, quinta, e sexta feira da semana 
santa Uie nao*pode assistir por ser occupada no coro, e hindo saber 
corno havia passa do, Ihe disse, que multo alegre, porque naquelles 
(lias a estavam acompanhando tr^s meninos mui lindos, e mostrando- 
llios OS nao vio, e inserio serem tres Anjos. 

Coni as mesmas virtudes floreceiam neste Mosteiro Izabel da Cruz 
e Maria da Encarnamo, e Izahel dos Santos. 

No ■Mosteiro de JESUS da Villa da Ribeira Grande floreceram, e 
lltjrecem nmitas Religiosas em grandes virtudes, porem nao tive quem 
me noticiasse os nomes mais que de seis: forani estas Soi or Anna da 
Resurreieào, e l2fab€l Evangelista fllhas de Fedro Calvo,. e de Izabel Vaz, 
e Soror Maria da Visitamo, e Jeyronpna da Qraca filhas de Francisco 
Taveira, e de Izabel Galdeiia, e Soror Maria do Èspirito Santo, e Apo- 
Imiia dos Anjos. Nao relato alguus dos prodigios que obraram; porque 



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296 ARCHIVO DOS ACORES 

n3o achei quera com evidencia mos certificasse, por haver niuitas ve- 
zes descuido no que deve haver maior cuidado. 

Padre Diogo da Madre de Deos, que no secalo se chamou Diogty 
de Bairtvs, foi naturai da cidade de Faro do reino do Algarve; depois 
da perda de ElRei D. Sebastiao em Africa, vendo o reino na sugeigào 
de Castella, e julgando ser castigo de Deos pelos peccados dos portu- 
guezes, se resolveo a entrar Religioso de S. Francisco para fazer pe- 
nitencia pelos peccados alheios; communicou a sua resolugao a huni 
estudante seu amigo naturai da cidade de Evora chamado Maìwel Feì- 
nandes, que aprovando-lha tomaram ambos o habito de Sao Francisco 
no anno de 1590. Nesta religiSo floreceram em grandes virtudes a té 
anno de 1604 em cujo tempo se fez publico hum Breve, e muto- 
proprio dos Pontiflces Sixto V, Gregorio XIV e Clemente Vili em que 
se ordenava que na acceitagao dos Novicos fizessem as religioes certas 
deljgencias solemnes, e formais antes de os professarem com decreto 
irritante a todas as profissoes, que fossem feitas sem precederem as 
ditas diligencias. 

Acharam-se muitas profissoes nullas em muitas Religioes, e entre 
estas foram as destes dois amigos, por cuja causa tornaram para o se- 
culo em habito Clerical com honestissima patente do Padre Pròvincial 
Frey Lourengo de Portel dada em 25 de Janeiro de 1604. A muitos 
dos Religiosos expulsos se fizeram as diligencias na forma do Breve, 
e tornaVam a professar nas Religioes, de que tinham sido expulsados: 
porem estes dois julgando ser vontade de Deos, que nao perseveras- 
sem naquella Religi5o, se deixaram flcar no seculo. Nelle persevera- 
ram com exemplar virtude, e por ser notoria os aceitaram por Capel- 
laes do Hospital de todos os Santos da cidade de Lisboa; neste officio 
permaneceram dez annos com multa aspereza de vida, pedindo a Deos 
Ihes inspirasse hum lugar, em que mais retirados do commercio do 
mundo passasem o restante da vida. 

Determinaram fazer vida eremitica na Ermida de nossa Senhora de 
Mil Fontes, que està situada em huma serra do Algarve, e depois de 
terem as lìcengas necessarias, os divertio Deos da jornada inspirando 
ao Padre Luiz Ferreira naturai desta liha que Ihes noticiasse a solidao 
do Valle das Furnas, aonde estava huma Ermida de nossa Senhora da 
Consolagao, lugar apto para a vida eremìtica. Aceitaram o seu pare- 
cer comò enviado por Deos, e mèdando do que tinham tomado, se em- 
barcaram para està Ilha os tres companheiros no primeiro de Maio de 
1614 e com feliz viagem chegaram a Villa Franca a 8 do mez dia da 
apparigao do Archanjo S. Miguel, e desembarcando de tarde foram a 
Matriz do mesmo Santo renìder-lhe as gragas de os ter trazido a sal- 
vamento a sua ilha. 

A 16 do mez partiram para o Valle das .Furnas com licenza do Ou- 
vidor Ecclesiastico; nelle fundaram recolhimentc jvnto a Ermida, e to- 



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ARCHiVO DOS ACORES 297 

maram roupetas pardas com liceuQa do Ordinario. Eiegeram por Mi- 
nistro ao padre Diogo da Madre de Deos, que neste officio perseverou 
perto de desaseis annos, fazendo grandes penitencias, e dando a todos 
hum vivo exemplar de grandes virtudes. Com sinais de eterno des- 
cango acabou a vida em H de Abril de 4630 exhortando aos compa- 
uheiros, que perseverassem no mesmo modo de vida, tendo 63 annos 
de idade dos quaes passou i6 na soiidao das Fumasi IO no Hospital 
fte todos OS Santos, 14 na Religiao Seraflca, e 15 da sua infancia no 
seculo. 

Em 2 de Setembro do mesmo anno rebentou o f^go no Valle, que 
todo destruhio. p6r cuja causa vieram os Eremitas para o Val de Ca- 
bacos, ficando-lhe sepultado nas suas ruiuas o precioso thesouro do 
corpo deste servo de Deos, e anhelando terem em sua companliia as 
suas reliquias foram no mez de Setembro do anno de 1634 ao Valle das 
Furnas a buscalas. Cavaram com multo traballio a cinza, até que deram 
com a sepultura, e acharam o corpo incorrupto e da mesma sorte, que 
o tinham sepultado, tendo so os pés despegados pelos ternozelos, po- 
rem cubertos de carne mui alvos. Admiradps com a novidade, e jul* 
gando nao o poderem trazer comsigo pela aspereza dos càminhos o 
meteram em hum eaixao, que levaram para ver se o podiam condu* 
zir, que fizeram com tal suavidade, que todos se admiravam de o 
terem trazido. Deram-Ihe nova sepultura na crèdencia da parte do 
evangellio da capella maior da Igreja de nossa Senhora da Concei^ao 
do Val de Caba^os. 

Padre Manoel da Annunciacào, companheiro deste servo de Deos, 
e verdadeiro imitador de suas virtudes, Ihe succedeo no cargo de Mi- 
nistro, e nelle continuou até o anno de 1651 em que cheio de mere 
cimentos para a Gloria passou da vida temporal para a etema em 18 
de Fevereiro tendo 80 annos de idade; dos quaes passou 16 na soii- 
dao das Furnas, dois na Igreja do Salvador da Ribeirinha, e na Via- 
gem que fez ao Reino, 18 no Val de Caba^os, 10 no Hospital de to- 
dos OS. Santos, 14 na Religiao Serafica, e 20 no estado secular. Seu 
corpo foi sepultado na Crèdencia da Capella maior da sua Igreja da 
parte da Epistola em correspondencia da de seu companheiro 

Manoel do Rosario Irmao ,Leigo desta congrega?ao foi naturai da 
Ribeirinha, de idade de 45 annos tomou a roupela desta congregammo, 
nella viveo 35 annos fazendo grandes penitencias, e dando a todos 
grandes exemplos de excellentissimas virtudes; passou desta para a 
outra Vida em 26 de Outubro de 1651 tendo 80 annos de idade. 

Irmao Manoel de S. Joseph entrou por mo(jo desta Recolieta a me- 
recer a roupetà, que Ihe lan^aram pella sua muita virtude; viveu em 
hum, e outro officio 39 annos fazendo nelles tao grandes penitencias. 



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298 ARCHIVO DOS ACORES 

qiie nem nos^iltimos dias de sua vida consentio o deitassem em cania; 
pois sempre descangou sobre huma taboa. Preparou-se com todos os 
Sa€ramentos, e confortando aos companheiros a qae peiseveiassem na- 
quelle modo de vida, passou a iograr a Bemaventuranca da Gloria eai 
2i de Agosto de 1654 tendo 53 annos de idade, em os quaes conser- 
vou sempre a virginal castidade. Foi sepultado junto ao seu bom anii- 
go Manoei do Rozario. 

As virtudes deste servo de Deos imitou o Iiinao Paulo da Cmo.i- 
càOy e com. 38 annos de grandes penitencias passou a iograr uà ou- 
tra vida o premiò dellas em 24 de Fevereiro de rUGI tendo (>() annos 
de idade. 

PSiiìre. Manoei Rodrigiies fìllio de Agostinho Rodrigues, naturai 
da \illa de Agoa de Pào, foi cura na Matrlz da mesma Villa: dei- 
xando està occupagao tomou a roupeta eremitica, e se chamou Manuel 
de Xavier, foi homem penitente in summo. pois todos os dias, exce- 
pto OS festivos se adontava rigorosamente com humas disciplinas de 
ferro; trazia continuamente bum cilicio da mesma materia; jejuava t(r 
dos OS dias de preceito dos seus estatutos a pao, e agoa. comemlo 
huma so vez no dia; porque nao fazia collacao: nos mais dias nao co- 
mia carne. Na caridade para com os pobres foi excessivo, e na hu- 
mildade profundo; acabou cheio de meritos para a Gloiia em 14 A^ 
Julho de 1666 seu corpo foi amortalhado na roupeta eremitica coni 
alva, e estola a imitacao do Apostolo do Oriente S. Francisco Xavier, 
de quem foi sempre mui devoto: e sepultaram-no ante o aitar de nossa 
Senliora da Consolagao da grado para fora. 

P,adre Domingos do Namniento foi naturai da Villa de Cezimbia 
ordenou-se Sacerdote no anno de 1675 e fugindo a sua Mài veio para 
està Recolleta em companhia do Irmao Luiz de S. Vicente, aonde che- 
gou em 18 de Agosto do mesrao anno; nella viveo até 15 de Marco de 
1685 em cujo tempo nao teve outro modo de vida mais ([ue o levan- 
tar-se mui cedo a^fazer ora^ao montai; acabada ella recolhia-se a cella 
a rezar de joelhos o Officio Divino; e depois dizia Missa, e ouvia de 
joellìos todas as que se diziam na Igreja, sem nunca se encostar a 
cousa alguma; gastava as tardes na cella, e as noites a maior parte 
em oracao. Na abstinencia foi excessivo, e tanto que Ihe motivo» 
huma enfermidade ethica ajudada do dormir sempre vestido. (^liegado 
ao ultimo de sua vida (que parece Iho tinha Deos revelado) disse a 
hum Irmao, que Ihe assistia, que era chegado o dia do seu descanco, 
e pedindo-Uie a sua roupa, se amortalhou com a roupeta. e barrete 
eremitico; nao querendo ser amortalhado com as vestimentas sacerdo- 
taes, e de tarde com muito socego, e sinais de predestinado entregou 
sua alma a Deos tendo trinta e quatro annos de idade. 



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ARCHIVO DOS ACORES 299 

Padre Manod dos Prazei^es foi naturai da cidade de Portalegre; 
foi oito para nove annos soldado. Faleceu-ihe hum Irm3o mais velho; 
e ficando em companhia de hum sobrinho, se ordenou de Sacerdote. 
Veio a Lisboa com huns pleitos, e hindo aos santos exercicios da Con- 
grega^ao do Espirito Santo dos Padres Quentais, Ihe abrio Deos os 
olhos da alma para chorar a sua ma vida, que até alli tinba sido estra* 
gada, principalmente no vicio do jogo; pois nelle gastava os dias,e as 
noìtes, e quando na sua patria nao achava com quem jogar, vinha a 
Lisboa, sem tratar de obriga^ao alguma do seu crfllcio. Mudando-o Deos 
de Saulo em Paulo veio para està admiravel Casa para Ora^ao por . 
conselho do Padre Bartliolomeu do Quental, tendo jà cincoenta annos 
de idade; nella viveo doze para treze annos, dando a todos grandes 
exemplos de excellentissimas virtudes, e fazendo excessivas peniten- 
cias. A doenca com que Deos o levou para si, foi de voniitos, que Ihe 
duraram perto de quatro mezes. Fez seu testamento, que constava de 
dezoito viiitens, de que testou para delles se pagar ao officiai, que fi- 
zesse do seu cobertor huma saia para huma pobre, e huns calgoes 
para hum mendicante. Os seus livros espirituàes deixou a bum padre 
seu. companheiro. Revelou-lhe Deos a bora, em que havia de morrer; 
porque no dia 20 deSetembro do anno de 1693 estando com eye hum 
sacerdote (jocaram a Communidade, e nao querendo ir jantar por re- 
cear- que elle espirasse naquelle tempo, Ihe disse que fosse, poréto 
que acabaado de jantar nao tbssem dar gra(;as a Deos na Igreja, corno 
ehtre elies he costume, e que viessem todos para a sua cella. Fize- 
ram-no assim, e tanto que chegaram pedio hum Crucifixo, e toman* 
(lo*o na maQ inclinou a cabe^a, e espirou com muito soc^go. 

Irmao Luiz de Sào Vicente foi naturai da Villa de Cezimbra. 
De menino se creou no mar andando nas CaravjBllas. ^ anno de 1661 
sendo de idade de 22 annos veio a està Recolleta pedir a roupeta do 
Irmao, e conhecendo-se a sua singeleza, e boa inclina^ao Iha lan<;aram. 
£steve nesta casa tres annos, e no fim delles se embarcou para Per- 
nambuco a fundarcom dois padres, que là estavam buma« Congrega- 
<;ao. Passados dois annos, que là assìstio Ihe cativaram os Mouros hum 
irmSo, por cuja causa se passou a Lisboa a tirar esmolas para o resga- 
tar, comò fez, e sobrando-lhe cincoenta mil reis do resgate os deu para 
o de outro cativo. 

Neste tempo quiz o Padre Bartholomeu do Quental fundar a sua 
Congregando nas fangas da farìnha, que hoje he de nossa Senhora da 
Boa bora dos Capuchos de Santo Agostinho com elle prineipiou a 
fundacao, mas n3o perseverou com o dito Padre mais que hum anno, 
dando por razào, que tinha naquella Corte bum irmao cazado, que o 
buscava muitas vezes, e que elle nao queria tx^atar com seus paren- 
tes. Passou a Castella com intentos de se fòzer fi ade da mais aperta- 
da Religiao que achasse; andou sete para oito mezes naquelle reino 

Voi. I--N.«4 -1879. . 3 



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800 ARCHIVO DOS ACUKES 

sempre com a roiipeta de Eremita, sendo milito amado dos daf|uella 
nacao assim nas Religioes em que assidila, corno nas casas particula- 
res. Por causa de himias cezoes se retiroii pma a sua patria, aonde 
OS Irmaos da Misericordia daquella Villa o buscaram para habitar den- 
tro na Santa Casa dando-lhe quinhenlos reis cada semana par^ o seu 
sustento. Poz escola de Ora^ào mental, e tres dias disciplina na se- 
mana, a que assistia a maior parte dos moradores da Villa. Nas (jua- 
resmas vinha a Lisboa buscar Padres Missionarios, assim da Compa- 
nhia de JESUS corno de outras Religioes. De noite encommendc-na as 
almas lodo o anno pelo destrito da Villa, com cujos santos exercicios 
fez grandes servicos a Deos, e nelles se exerciton cinco arinos. 

Neste tempo soube o Padre Manoel da rtnilicacào. que Ibé tinha 
lanijado a roupeta, aonde estava: escreveu-lhe que acodisse coni alguns 
sacerdotes a està ReeoUeta, para que se nao extinguisse por falla del- 
les. Tiveram està noticia os moradores da Villa, e* rmpediram-Hie o 
einbarque; que tanto amaTam a sua assistencìa nelja, que nao podiani 
sentil-o auzente; porem^ passado bum anno se embarcou occultamente 
para està Uba com o sbbredito Padie Domingos do Nascimento, que 
era seu discipulo da Oracào, e cbegaram a Recolleta em 18 de Agos- 
to de 1675. 

Nesta Casa vivèo desta vez 40 annos, e tres mezes^porque passou 
da Vida temporal para a eterna em 15 de Novembro de 1715 tendo 7(5 
annos, e sete mezes de idade, exercitando-se sempre em relevantes 
virtBdes^ nao praticava senao em materias pertencentes ao espirito, e 
l)em das almas com tal foiTa, e alegria, que dava saltos de prazer: 
muitas vezes se metia em questoes mui proftuidas da Sagr-ada Theologia, 
e dizendo-se-lhe nao fallasse naquellas materias, respondia, que elle 
as<nao entendia, mas que Ihe deleitava a alma o fallar naquellas cou- 
sas.'O Padre Antonio Preire da Companhia de JESUS Lente de Theo- 
logia ìéor^U que foi nesta Uba confessava muitas vezes, que depois 
que Iralara com este Irmao, sabia mais Theologias, do que aprendera 
nas aulas, admirando-se nao so elle, mas tambem os padres do 5eu 
Collegio do aoerto, e ancia com que praticava em materias de. espiri- 
to, amando-o com particular affecto, e hospedando-o todas as vezes 
que vinha a cidade pelas snas tao relevantes, e confiecidas virtu- 
deSé 

Teve dom de profecia; porque disse muitas cousas, que se viram 
cumpridas, e para prova desta verdadé relato so huma, (pie basta para 
confirmamó do que digo. Estava nesta Uba de parlida para Lisboa o 
Padre Thomé da Fonseca da Companhia de JESUS a tempo, (|ue esta- 
vam treS' navios para fazer vlagem para aquella Corte, e hum delles 
era de maior lota^ao. Disse ao Irmao SOo Vicente que determina- 
va Wr nelle: respondeH-lhe, que nao fosse no navio maior, poique nao 
havia de chegar a salvamento; que fosse em qualquer dos outros; se- 
guio Padre o seu parecer, e depois de estar a salvamento em Lis- 



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AHCHIVO DOS ACORES 301 

Iioa Ihe cliegou a noticia que o navio, em que o irmao Sao Vicente Ihft 
(lissera nao fosse, se tinha perdido. 

Outros inilagres tambem fez em vida, de que so escrevo deus por 
sei eia os mais. evideiUes. Teve iii)ticia de que huma mulher andava 
em tialo illicito, foi a sua casa pernoitar, e o mesmo foi pernoitar em 
sua casa, que esquecer-se a mulher do complice do seu mau Irato, nem 
m\ todo mais tempo de sua vida toruou a offender a Deos, nenà {)or 
pensamento em tal preceito, 

lluui laviador desta cidade chamado Bartholomeu de Almeida por 
ulcunha o Rato, estava debuUiando Imm calcadouro de trigo a tempo 
(|ue este servo de Deos Ihe chegou a pedjr Imma esmola para o susten- 
to da siw Recollela, e mostrando-se molestado o lavrador, por'que Ihe ^ 

nào liavia render q que esjjerava, ' llie perguntou quanto queria que 
Ihe desse? Respondeo-lhe tantos moios: pois promele-me (Ihe disse o 
Irmao Sào Vicente) de dar de esiuola a nossa Senhora o mais que Ihe 
(ler? Respomleu-lbe que sim, Cresceram-lhe ^ vinte e cinco alqueires 
(le trigo, {K)rém nao Ihe dcu mais que a esmola- coslumada. Soube-o 
sei vo de Deos, e encontrando ao lavrador Ihe disse: Vossa mercé 
nao quiz dar o que sobrou do trigo, conio me prometeo, pois as suas 
cabras o pagarào: principiaram-lhe estas a morrer duas, e tres cada 
(iia, e coahecendo ser castigo, que Deos Ihe dava por enganar ao seu 
servo, o foi buscar pedindo-lhe Ihe nào matasse as suas cabras, poi- 
«|ue estava pronqjto para Ihe dar o seH trigo protnotido. Satisfez a. 
promessa, e apemis a cumprio cossou o castigo. 

Como seu mstume era fallar sempre de amores coni Deos-, pro- 
ferindo amorosos <x)lk)q«ios acabou a vida. Depois de mwto fez coni . 
seu txndào alguns prodigios. Estava Imma mulher na Villa da Ri- 
heira Grande nmi apertada de dores de parto, e com evidente perigo 
de vida, eucostou-se ao seu bordao, e logo pario. mesmo èuccedeo 
a Ursula de Medeiros da Villa de Agoa do Pào metendo no seio bum 
livrinho intitulado Thesourodescubeito de Indulgencias, por onde olle 
costumava ler. ^ 

Outros muitos servos de Deos tcm florecido nesta RecoHeia.e (^asa 
^le Ora^^ìio em raras virtudes, de que nao fajuo mencào por; me felta- 
lem as noticias necessaiias; e parece creou Deos este higar para-the- 
souro, e deposito dos seus escolhidos; pois todas as pessoas, que nelle 
habitaraui floreceram lodo o periodo^ de sua vidaem relevantes vir- 
tudes. " ■ : . 

No Mosteiro de Santo André de Villa Franca do(iampo floi'eceiam 
muitas Religiosas em grandes* virtudes; pornUj^-ou por incuria das 
Preladas, ou por quererem que as suas virtuites S4'> de Deos fossem 
conbecidas, se descuidaram em fazer assento dos prodigios que obra- 
ram, por cuja causa nào pude conseguir noticias certas dajv Religiosas 



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302 ARCHIVO DOS AgOBES 

mais antigas, que floreceram em virtudes, e so as alcancei desde o 
anno de 1660 a està parte. 

Soror Maria de Sào Boaimtura foi filha de hum N. BrandSo da Vil- 
la do Nordeste; todo o tempo de sua vida se exercitou em grandes 
virtudes; na carìdade para com os pobres foi excessiva, pois nSo sé 
repartia com elies tndo quanto the dava a Religiio; mas andava pelas 
cellas das outras Religiosas vendo o que Ihes sobrava do jantar, para 
que dando-lho o destribuisse pelos pobres. Tinha a sea cargo hrnna 
Ermida de nossa Senhora da Salva^So, que està na cerca do Mosteiro, 
aonde se retirava o tempo que Ihe restava do Coro, e de ouvir todas 
as Missas, que se diziam na Igreja, a fazer Óra(;3o mental. Indo certo 
dia para este santo exercicio achou a bum homem, que estava podando 
huma latada, contigua a Ermida, lastimando-se por ter quebrado o 
podSo com que tfabalhava: pedio-Ihe simplesmente, por conhecer a 
sua virtude, que Hie rezasse huma Ave Maria pelo seu podao. Com- 
padeceu-se delle, e pegando dos peda^os, e unindo-os Iho éntregou 
s3o, e sem Sinai que tivesse racha, ou estivesse quebrado. 

Teve dom de profecia, pois disse muitas cousas que evidente- 
mente se viram, e foi buma o pedir-lhe a Madre Maria de S5o Ber- 
nardo que rogasse a Deos Ihe trouxesse a salvamento a seu irmao o 
Padre Vicente Pacheco, que tinha hido ordenar^se a Lisboa, porque 
andavam naquelle tempo nmitos corsarios argelinos infestando os ma- 
res, e temia Ibo cativassem. Respondeu-lhe, que descangasse; porque 
irmao havia de vir a salvamento, e que tal dia tinha tornado ordens 
em Castella. Fez a Religiosa assento disto, e quando chegou o irm3o 
soabe ser certo o que a ser^^a do Sénhor Ihe tinha dito. 

No anno de i660 estando nos ultimos paracismos da vida Ihe che- 
garam hum Crucifixo para Ihe dar um osculo na Chaga do Lado, e o 
Senhor despregando os bra^os da Cruz se abracóu com ella, e nestes 
amorosos affectos acabou a vida. 

Soror Maria da Apresentofào fllha do CapitSo Francisco de Frei- 
tas, e de Izabel da Arnida naturaes de Villa Franca; foi muì dada a 
Vida contemplativa; e muitas vezes a viram arrebatada, outras em ex- 
tasis; acabou a vida com sinais de predestinada em 20 de Setembro 
de 1674. 

As virtudes desta Esposa de Christo imitaram suas irmaas Soror 
IzaM Baptista, e em 13 de Novembro de 1672 passou desta para a 
outra Vida a possuir o premio dellas, e Soror Barbara de S. Joào ei 
23 de Junho de 1671 tendo-lhe Deos primeiro revelado o dia, em qu< 
havia de morrer; e Soror Victoria do Paraiso em 28 de Setembro d 
1674 e Soror Sabina da Rosa em 14 de Dezembro de 1680. 

Soror Jfom de Sào Jeronymo fllha de Manoel de Andrade, e d 

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ARCHIVO DOS AgORES 303 

Jemniina Fernandes naturaes da liha de Santa Maria; lodo o tempo de 
sua Vida se exercitou ehi grande^ vìrtudes, e com inaior exce^ìiso na 
da homitdade. Poi devotissima das almas do Purgatorio; a quem fazia 
muitos suffragios, e todos os Sabbados rezava por sua tengao o Psal- 
lerio de David, para cujo firn se levantava às duas horas depois da 
meta noite, e às mesmas passou desta para a outra vìda em bum Sab- 
bado 15 de Dezembro de 1680 tendo 87 annos de idade. Com as mes- 
mas virtudes desta sena de Deos floreceo sua inn5 Soror Margarìda 
(los Serafhìs, e no mesmo dia 15 de Dezembro de 1682 a foi acompa- 
nhar na mitra vida tendo 84 annos de idade, e sua sobrinha Soror Ma- 
ria de JESUS em 23 de Outubro de 1717 sendo de 68 annos de idade. 

Soror Ursula das Virgens naturai da cìdade da Bahia, filha de Joao 
CoeHio, e de Izabel Correa de Mello veio para este Mosteiro de idade 
de nove annos, e logo da ternura desta idade se inclinou ao exercicio 
das virtudes, e com excesso ao da Ora^ao mental. Cbeia de mereci- 
luentos para a Gloria acabou a vida em trinta de Agosto de 1687 ten- 
do 25 annos de idade; suas tias Soror Luzia de Santo Antonio, e Bar- 
bara de Sào Mathms, e Cafharina de Sào Diogo a imitaram no esplen- 
dor das mesmas virtudes. e muito depois da sobrinha passaram a le- 
gnar o premio dellas. 

Em todo genero de virtudes floreceram neste convento as Ma- 
dres Margarìda da Conceicao filha de Belchior ManoeK e de Maria Pa- 
checa de Mello naturais do lugar da Maia, è Beatriz da Conceicao filha 
de Paulo da Ponte, e de Clara Cabeà Tavares, e Margarìda das Ne- 
res e Margarìda de Sctlutiago, e as Irmaas terceìras Jtor/a de Santo Ama- 
ro, Martha da Cruz, Barbara da Natividade, Luzia da Purificamo, 
e Maria de S. Pedro, e corno nellas perseveraram até o ultimo prazo 
de suas vidas piamente podemos crer, que estao logrando a Bemaven- 
turauQa da Gloria. 

Neste Mosteiro floreceram em grandes virtudes quatro Religiosas 
filhas de Antonio Gonijalves, e de Maria da Ponte naturaes de Agoa 
dalto, arrebalde de Villa Franca, chamadas Matiha de Ckiisto, Maria 
do Salvador, Izabd da Trindade, e Maria dos Martgres; todas se crea- 
ram em casa de seus pais com muito recolhimento, e fazendo grandes 
penitencias; tendo jà mais de 60 annos de Idade cada huma dellas, se 
recoUieram a este Mosteiro, e nelle acrescentaram o explendor ad ex- 
cesso de suas virtudes: porque de dia em dia cresciam nellas os exer- 
cicios espirituaes. Todas antes de finalizarem a vida sonhavam que o 
seu Anjo da Guarda Ihes offerecia bum ramo de a^ucenas, e em tendo 
este sónho se prcparavam para a morte. Na menor de todas Soror 
Maria dos Martyres foi mais prodigioso este sonho, porque tendo-o na 
noite de H para 12 de Junho deste anno de 1720 estando com boa 



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iU)4 . AKCHIVQ DOS ACOHKS 

(lisposi^^ào, scili embargo do passar de 84 annos de idade. levantou-se 
da caiiia; e lol {)ara o coro assistir às lioras.menores, e às Missas: re- 
collicu-se à cella, e dei)OÌs d(i a arrumar, ej>creveu huin esciito a huui 
seii iniiào Relitfioso Francisc>aiio desi)edimk>se delle; depois de jantar 
senlio Imma (alta de lespiraciio, Ibi a roda a mandar chamar o cirur-. 
giào, e recolhendo-se à cella Ilio quiz urna noviga armar as corlinas da 
crama, o (|iie ikìo cousentio dizeiulo ({ue mo hayia tempo {)or ser che- 
gada a liora de sua moi te, qiie llie cfianiasse o confessor, e a Abba- 
deca: fez zombaria do que lite dizia. i)oiéin ella lornou a instar ([ue 
llie chamasse o confessor, e a Prelada. Vieram^ e reconciliaiido-se tc»- 
mou Sacramento da Extrema uuciìo,^e nao o Santissimo viatico por 
laucar algum sangue pela boca, e coni mnito socego entregou a alma 
ae) seu Divino. Esposo às ties lioras da tarde. 

Soror Barbara da Trwdade.yìwo, ìa niorreo com opiniao de bem- 
aventurada em 17 de Janeiro de 16G7, e ticando sua Irma Soior Mar- 
(jarida da Amncào, em tiido imitadora de suas virtudes, desejosa de 
saber se se sjtlvaria a alma da irma,. pedio a Deos Ilio revelasse^ Sa- 
tisfez-lbe p Senlior oste desejo com Ihe mosti .ar ties vojxes Imma Es- 
trella na cortina da cama, com cujo sinal ticou socegada. • 

Passados ojto aniu)s depois da sua morte lUe abriram a j^epultura, 
e achando-se o VÀn'[}0 incorrupto' Ihe tìzeram as ceremonias costmna- 
das da Igreja, e lìcou da mesina sorte laucando algitm cheiio. Torna- 
lam-tio iì me tei' na s<?pultuia, e dahi a seis mezes, iku* ordeni do 
Padre Frei Fernando da Couceicruì Pi'ovincial, (pie uaquelle tei«ix) era. 
desta Provincia tornaram a ajjrir a sepultijra, e achando da'ni^sma 
sorte corpo meteram em lium gavctlo de bum almaiio do eoro, e 
nào cabenilo nelle Ibe disse a Abbadeca estas palavras: Minba ^i\3i 
de Deos Barbai a, sob pena de obediencia mando a V. Reverencia .^le 
ilobre corpo: Obedeceo promptamente a Prelada fazendo o qiie ibe 
mandava. Tiraram-lbe varias reiiquias, j)elas quaes obrou Deus mui- 
tos prodigios sarando varios.enfermos, piinci()almente de doresde ca- 
beca. A sua carne espremida kmcava bum oleo cor de saugae. 

Doutor GmparFrmtuom nasceu nesta cidade de Ponta Delgada- 
no anno de 13ti2„de pais mui nobres, e licos. Com a siìa boa incLoley.f 
e inclinacào i\ viitude tomou logo jior prianrira licao do Profeta. David.-, 
no principio (le seus estuilos o lemorale Deos, dedicando-se com es-^ 
pecial allecto a devono de sua Santissima Mài; coiMinuon-. na graiiuiia- 
tica, e Cvomo seu [)ai o inclinava ao eslado secular, o mandava a;:^sis-, 
tir inuitas vezes com os bomens (pie Uie cultivavam as terras, para, 
que traballiassein coni inaiòr cuidado, de.cujtus reconuiM:nMJa(;oes t()- 
talmente es(piecido, todo a) seu disveli^ [umba no estu(lo dos seus li-, 
viinbos, (jue cojnsigo levava; o (pi(* saliendo o pai, e l(Jva4ido> «i mal 
este seu descuido o repjcliendeo aspei aminiti», e -coidiecenda nelle. 



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AP.CHiVO DOS ACOaKS 305 

pouca agìlidade paia a agricnltuia, se rcsolveó a uìamlkk) às^Univ<^t- 
sidades. Coni effeito o embaicou i)aia Lisboa, e passando-so' a Sala- 
manca, ahi estndou Filosofìa coni ^^ngeiilio, e agudeza tao i)rofitnda, 
que nào so foi nella gradnado, mas ostiinado de tod'os os daTjueUà Dn- 
versidade. Voltou a sua i)atria à ordenaì-se de Saceidote, e corn ail- 
mirac5o' de todos os seus natiiraes o reconhecerani sahio, e nos C()s- 
tumes nnui exemplar; obrando sita virtude eni mnitos qne o tratavani, 
e llie commuuicavani siias consciencias, grande liuto. Vendo porem 
que ainda.lhe- faltava a sciencia da tliéologia, tornon para Salamanca, 
aonde apróveitou' tanto, (|ae eoncluindo brevemente seus estndos se 
graduott'iyontor eni Tliéologia, a[)pelidando-o os Hespanhoes daqnella 
Univeisidade pela grande sciencìa cpie' nelle admirayam: Et grande sa- 
bio de las IbMIas de Portugal, 

Vooù a fama de sua sciencia, e santidade, e tendo della noticia o 
Bispo Dom Juliào o mandou buscar para a sua DiqceìJe. Cotn effeito 
veio para Braganca, aonde lendo aHernativaineiite casos com os Reli- 
giosos da tompanliia, leve nelle o Bispo grande alivio rio governo d(r 
seu-Bispado. Nestè tempo falecendo Dom George Bis[)ò destas llbas. 
e succedendo-tlie Dom Manoel de Almoda, se enìpenbou e*ste em o tra- 
zer comsigo para este Bispado, escrevendo-lbe varias vezes. Besol- 
wi-se o Doutor Fructuoso por eritender lazia nisto maioi* ^servico a 
Deos, e despedindo-se coni bem sentimento de todos do novo Bis|)o 
D(Hn Antonio Pinlieiro, que liavia succedido (xmco teriij)a àiites rf Dom 
Miao, se veio para Lisboa a Dom Manoel de Almada. Récèben-o estc», 
com mnit?^ benignidade, e fazendo vai^ias experiencias da sua sciencia, 
e rara virtude, por sereni regularmente todas suas pi*aticas;em mate- 
rias ;<:jspirituaes, e que a sua presenca em nada diminuìa a sua fama, 
tpatou com EIRey que o nomea^se Bis[)0 das lllias: e que elle Doni Ma- 
noel se ficaiia em Lisboa, poréiu corno era tilo glande a sua virtiide, 
e tao [Kmca a sua ambicao, nSo foi jiossivel peisuadil-o a qne accei- 
tasse esia- olTerta, contentando-se so com o officio de Paroco da Matriz 
da Viltà da Ribeira Grande desta liba, ((ue naiinelle temj)o se achava 
vaga, com ser na renda mais limitada, 

Ct^egou a està liba seiido recebido com grande applauso dos seus 
naturais. Logo que tomou posse da sua Igreja tialou de a aceiar, e 
enriquecer de rieas pegas, e ornamentos, Na adininistiacao dos Sa- 
(Tamentos foi incancavel, im^ìs gastava as inanbaas ém (lizer Mis.<a, 
confessar, dar a (Joftmiunhao, e [»régar, sendo nesla materia ti5o dis- 
velado, que chegando a sua porta bruna velba pedindo-lbe a hsì^v Con- 
fessar a teinf^j qiie se acbava pondo-se a fneza com buns iKispedes 
pessoas gfraves, seni tornar bocado,'rogando-lbes jantassem os deixou, 
iùndo-se a Igreja a Confessar a veiba,'apien(féndo os seus Curas des- 
te, e .^emeiiiantes exejuplos licoens de perfeitos Parocos. Todo o 
tempo, que Ihe restSva do sua paroquial obrigacao gastata na coibpo- 
iiicrto de alguns iivrus, e a sua curiosidade devenr todas estas libas o 



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306 ARCHIVO DOS ACORES 

conservarem-^e escrìtas em hum grande tomo as verdadeiras noticias 
de seus descobrimenlos, e as genealogias dos seus primeiro^ povoado- 
res, escreyendo nesle particular de sorte, que a iiingueni dezagradou, 
sendo perigoso, e difiicil asssumpto o contentar a todos, cujo tomo com 
otitros dous manuscrìptos da sua propria letra, a que elle intituiou 
Saudades dà terra, e Saudades do Geo, e hum numeroso numero de 
volumes impressos deixou por sua morte aos seus amanles Relìgiosos 
da Companhia de JESUS desta lltia. 

Muito floreceu nas virtudes Theologicas. Na da viva Fé; porque 
sendo pergimtado qual era à razao porque mandava Pio V Pontìfice, 
que entao era da Igreja de Deos, que se nao ceiebrassem Missas pelo 
Padre Ignaciò de Azevedo, que havia padecido martyiio com seus 
(X)mpanheiros ? Illustrado pela Divina Fé, que tintia respondeo: que 
quem rogava pelo Martyr fazia injuria ao martyrio, e que a interces- 
sao do8 taes Santos haViamos nós implorar para que elles rogassero 
a Deos por nós. Na certa esperan^a em Deos; porque estando em Sa- 
lamanca, e seus companheiros em hum anno totalmente esterii, quasi 
em extrema necessidade, e requeridos pelo que Ihe haviam tornado 
liado, Santo Doulor os exhortou a que tivessem confian^a em Deos: 
I ècolheu-se a estudar; eis-que sem que se passassem muitas horas, 
Ihes entra pela porta dentro huma grande oiferta de mantimentos, 
que llies offerecia Imma sua devota esp.ìritual; do qual tirando o ne- 
cessario repartio o mais pelos necessitados. No exercicio da ardente, 
e perfeita Caridàde para com Deos, e o proximo foi raro; porque re- 
partindo com sua propria mao pelos pobres, no dia em que a Igreja 
todòs OS annos faz commemorammo pelas alma.s, nao so o pào das olfer- 
tas, que veio a sua Igreja^ mas ainda o proprio, que tinha em casa 
pa^a jantar, reprehendendo-o hum seu cunhado, de que muitos da- 
quelle,s nao eram pobres, e (|ue o enganavam. Ihe respondeo; que pe- 
diiim pelo amor de Deos, e que se o enganavam, o deixasse enganar 
pelo .amor de Deos. Outras vezes Ihe diziam: para que dava Uido 
pe^o amor de Deos, que podia nao ter com qtìe curar-se se adoecesse, 
ao que satisfazia: que se adoecesse, e nao tivesse com que se curasse, 
venderla o que tinha; e a té os proprios iivros, e que se nao bastassem 
hirìa para o hospital. 

Àssim viveo exercitando-se em virtudes, e sempre na devo§ao da 
Virgem Santissima Senhora nossa por cuja intercessao conservou até 
(» Ultimo da vida sua vìrginal pureza. Jejuava nas Quartas, Sextas, e 
Sabbados de todo o anno, e nas Sextas feiras de quaresma a pao, e 
agoa. Era tao paciente, que sendo achacado de Colica, quando està o 
apertava nao se Ihe ouvia mais que invocar a Paixìio de Christo, e o 
Santissimo nome de JESUS. Carregado jà de annos, ainda que quei- 
x)so foi dizer Missa, e rezando de tarde Vesperas, e Cpii^)ietas rece- 
b ^Q a Santa Ungao; e repetindo aquelle suave e Santissimo nome, e o 
di Maria Ihe entregou o espirito. Sendo no anno de 1391 a vista do 



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AHCHIVO P08 ACORES 307 

Senhor (conio piamente podemos crer) preciosa a morte deste seu ser- 
vo- Poi sepultado ao pé do aitar maior da sua Igreja com a assisten- 
cia do Illustrissimo Bispo, e de todo o povo, em cujo tumulo Ihe pu- 
zeram huma grande campa com esfte titulo: . 

Aqui jaz o Doutor Gaspar 
Fructuoso, que foi Vigario, e 
Prégador desta Igreja Vere 
Varao Apostolico, insigne 
em letras, e virtude. 

Nao quero deixar em silencio bum singular enigma, que este ser- 
vo do Senhor por sua morte deixou para que com o significado delle 
se animem a aproveitar nas sciencias os que cursam os estudos 

Em hum rìco frontal que mandou fazer para o aitar* maior da sua 
Igreja, mandou figurar no meio da parte do Evangelho hum arado 
com fio de ouro, e por baixo està inscrip?5o que dizia: Se soubera; e 
da parte da Epistola hmn livro tambem de fio de ouro com outra le- 
tra por baixo que dizia : Nào soubera. Leiam pois bem os que cursam 
inutilmente as aulas os principios da vida deste servo de Deos, e fi- 
car-llies-lia mais claro a intelligencia deste enigma, contentando-se por 
premio de o advinbarem o serem mais applicados às sciencias, que es- 
tudam. 

Veneravel Padre Barttèdmneu do Quental maturai desta Uba de 
S. Miguel, foi filho de Francisco de Andrade Cabrai. Criàram-no seus^ 
paes nos estudos, e depois de estar bem instruhido nas humanidades, 
foi ^studar Filosofia, e Theologia a Universidade de Evora, apnde foi 
CoUegial do Collegio da Purittca(j3o. Acabados os seus estudos veio 
para Lisboa, aonde levou por opposigao na Meza da Consciencia a Vi- 
gairarìa da Matrjz de Nossa Senhora da Estrella da Villa da Kibeira 
Grande, porem corno Deos o tinha destinado para maioreS' emprezas, 
corno a de? fundar buma CongrejjaQao efn que boje florecem muitos 
Varoes com o apellido de Quentais tao ennobrecidos de virtudes, comò 
enriquecidos de letras debaixo do instituto de Sao Felippe Neri, illus 
trado coni o prodigioso da sua doutrina: e o queria fazer grande na 
terra Uie inspirou, que desistisse da Igreja, e que nao voltasse a sua 
patria. Eu nao sei que simpatia he està, que a nossa patria tem com 
a ventura, pois vejo que ninguem póde ser grande na sua patria, neni 
ter OS seus maiores luzimentos, aonde teve o seu nascimento. sol 
tem no ceo o seu nascimento, porem na terra he que brilham os seus 
resplandores. Para Deos fazer grande a Abraham niandou-o sahjr da 
sua patria, e dos seus parentesi Egredere de terra tua, e de cognazione 

Voli— N.« 4-1879. 4 

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308 AacHivo DOS acoiiks 

ti(a... <& faciam te in gentem magnam. (!). Mostrariflo-nos com està 
condi'cào, que o vinculou a grandeza de Abraham, qiie a nossa grande* 
za na estimacao dos homens necessita sahirmos donde tivermos o nas- 
cimento; porque de ordinario ha muitos consanguineos, que eclipsam 
esplendor das virtudes dos seus paretites, e quasi sempre a hossa 
patria he madrasta das nossas vejituras. 

Desìstio da merce da Igreja, e ficando de assento na Corte de Lis- 
boa principiou nos Puipitos a dar mostra do seu glande talento, ser- 
vindo-lhe de angmento ao esplendor de suas virtudes o profundo de 
sua humildade; e comò estas eram tao grandes que avultavam no co- 
nhecimento dos Reis, o fez a Magesiade de ElRei Dom Joao IV Ca- 
pellao da sua Capella, e Confessor das Damas de Palacio, e querendo-o 
depois promover a dignidade de Bispo De3o da mesma Capella Real, 
e à de Bispo de outros Bispados, de tudo se eximio por querer so se- 
guir caminho da humildade. E comò o seu intento se encaminhava 
so ao bem das almas, fundou na cidade de Lisboa a Congrega^ao de 
Sao Felippe Neri do Oratorio, aonde floreceo em grandes virtudes, e 
acabou a vida com opiniSo de bemaventlirado. 

Nao escrevo com mais individuagao as virtudes em que floreceo 
este sen'O de Deos, por sereni mui rasteiros os voos da minha penna, 
e n3o se pódem remontar ao elevado de sua grandeza, e so os padres 
do seu Oratorio que com filial amor o pertendem por seu Patriarca, 
assim comò foram as aguias para examinarem os raios das suas vir- 
tudes, para serem seus verdadeiros imitadores, as pódem escrever 
com toda a elegancia, e energia. 

Estes foram os heroes, e heroinas mais illustres que com o res- 
plandor de suas virtudes engrandecéram a està Ilha, e ennobreceram 
aos seus descendentes, e ascendentes; pois so as virtudes, e santidade 
da alma he a mais qualificada nobreza, com que os homens ennobre- 
cem, e honram aos seus descendentes; e està a melhor fidalguia, de 
que elles se devem prezar; pois mais he o ter por ascendente a bum 
Santo, que a muitos Prìncipes, e Monarcas da terra; porque o Prin- 
cipe, ou Monarca pode-vos fazer grande na terra, mas nao no Ceo: 
e parente Santo faz-vos grande, e poderoso na terra: Potens in Ut- 
ra erit semen ejm: (2) dìz o Profeta Rei, e juntamonte bemaventnrado 
no Ceo: Generatio rcclortm benediceiur.,. ab auditione mala non ti- 
inebit. (3) 

Outras muitas pessoas de ambos os sexos florecéram nesta Ilha em 
grandes virtudes, de que a diutùrnidade do tempo tem riscado das me- 
morias as noticias necessarias para dellas fazer menijao, principalmen- 



(2) 



Genes. cap. 12. 
Psalm. m. 
(3) I!)idcm. 



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AKCmVO DOS ACORES 309 

te das que florecér am no seculo, pois nao houve curioso algum no tem- 
po, eni cjue estavam vìvas nas rnemorias as suas \irtiides, que dellas 
escrevesse huina breve noticìa, que. nas Religioes sempre se perpe- 
tuam mais as memorias dos justos. 

Muìtas graiidezas desia Uba deixo em silencio, para que nSo pa- 
recessem liiperboiicos os meus escritos, por cuja razao nào tratei de 
muitas aiimiuistra^oes, e Confrarias muito ricas, cujas rendas se 
destribueni para o culto Divino, e obras pias, comò sao o cazar orfans, 
e metter donzellas Religiosas, e outras cousas grandes, que ha nesta 
llha. E por mais, que escrevesse n5o se tiavia de verificar de mim, 
(|ue quaìquer naturai escreve da sua patria, por mais lìmitada que se- 
ja, cousas grandes, pois sempre ha via de ser diminuto: porque ha 
uesta liha cousas tao relevantes, que se nao pódem rezumir aos bre- 
ves periodos de bum discurso, nem cabem nos limites da eloquencia. 

E nao so por està' razao as occulto, mas para que se nao persua* 
(lam OS estranlìos, que eu tratava deste particular para mostar o quam 
(iimìnuto se mostrou, e sem razao contra està Uba, e seus babitadores 
quem ha poucos annos escreveo della. E se alguraa cousa escrevi, que 
eacontre a nossa Santa Fé, ou bons costumes, o bei por retratado, e 
comò se ojiao escrevéra. 



"^2^ 



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310 ARCHIVO DOS ACORES 



Indice alphibetieo das pessoas eontidas n>ste catalogo. 



A 

Aflfonso de Toledo . 287 

Alberto de Santo Antonio . . . . . . 286 

Anna da Ascenpao 295 

Anna da ConceigSo . . . , . . . . . . . : . . 292 

Anna da ResurreigSo 295 

Anna de S. Joao . . • . 294 

Anna de S. Roque 291 

Anna dos Serafins 295 

Antonio da Esperanga 286 

'Antonio de Jesus — oBulhoes 285 

Antonio de S. Boaventura 28S 

Apolinario de Guadelnpe 285 

Apolonia dos Anjos 295 



Barbara da Estrella ; 293 

Barbara da Natividade 303 

Barbara de Santo Amaro 291 

Barbara de S. Joao 302 

Barbara de S. Matheus 303 

Barbara da Trindade 304 

Bartholomeu do Quental . 307 

Beatriz da Annunciagao 290 

Beatriz da Conceicao 303 

Bento de Goes 287 

Braz Soares 286 



Calisto da Trindade 285 

Catharina de Christo 294 

Catharina da Nazareth 291 

Catharina de S. Diogo '303 



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ARCHIVO DOS ACOBES 311 



D 

Diogo deBairros'. . .296 

piago da Madre de Deus . • 296 

Domingos do Nascimento 298 

Domingos da Purificagao 286 



Faustina da Cruz 2&3 

Francisco de S. Fedro >. . • . 285 



G 

Gaspar Fructuoso 304 

H . 
Helena da Conceicao 290 



I 



\ 



Igùez das Neves 293 

Ignez de Santa Iria !.. 288 

Izabel Baptista 293 

baljel Baptista . 302 

kabel da Cruz 295 

Izabel da Encarnagao 291 

Izàbel do Espirito Santo 294 

liabel Evangelista 295 

Izabel da Madre de Deos . 283 

Izabel de Miranda . 283 

Izàbel de Santa Barbara . 291 

Izabel de S. Luiz 292 

Izabel dos Santos 295 

Izàbel da Trindade 292 

Izabel da Trindade . 294 

Izabel da Trindade 303 



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312 ARCHIVO DOS ACORES 



Jeronyma da Giaga ... ... • . , . . 295 

Joanna do Salvador . * . . 293 

Joanna de Santo Antonio . ....,...,. . 293 



Leonor do Paraiso 290 

Luiz de S. Vicente 299 

Imì'à dos Anjos 284 

Luzia da PuriJicagao 303 

Liizia de Santo Antonio 303 

Lnzia de S. Bartholomeù 291 



M 

Manoel da Annunciagao 297 

Manoel das Chagas 283 

Manoel das Enlradas . 28S 

Manoel Fernandes ..... 290 

Manoel dos Pr^zeies 299 

Manoel Rodrigues 298 

Manoel do Bosario 297 

Manoel de S. Joseph , . • . 297 

Manoel de Xavier 298 

Margarida da Ascengao 304 

Margarida de Chaves - . . . . 283 

Margarida da Conceicao 303 

Margarida das Neves . . • 303 

Margarida de Santiago . • * 303 

Margarida dos Seralins 303 

Maria da Annunciagao 291 

Maria da Apresentagaò . 294 

Maria da Apresentagao 302 

Maria das Chagas . 291 

Maria de Christo ..,.-... 294 

Maria da Conceigao 295 

Maria da Conceicao 290 

Maria da Cruz 290 

Maria da Encarna^ao 290 

Maria da Encarna^ao 295 



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ARCHIVO DOS ACOIIES 313 



M 

Maria do Espirito Santo 294 

Maria do Espirilo Santo 295 

Maria da Gloria 295 

Maria Jacome ftapoza 294 

Maria de Jesus 303 

Maria da Madre de Deos . ** 288 

Maria da Madre de Deos 289 

Maria dos Martyres * 303 

Maria do Nascimento 291 

Maria dos Reis . - • . 293 

Maria do Salvador 303 

Maria de Santo Amaro 303 

Maria de S, Boaventura 302 

Maria de Santo André 290 

Maria de S. Jeronymo 294 

Malia de S. Jeronymo 302 

Maria de S. Fedro * 303 

Maria da Trindade • . 289 

Maria da Trindade 294 

Maria da Visilacjao . . . • 295 

Martha de Christo , . . . . 303 

Martlia da Cruz 303 

Marianna do Lado 294 



P 

Paulo da Conceicao 298 

Rodrigo de S. Miguel Carrasco 286 

S 
Sabina da Roza 302 



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314 ARCHIVO DOS ACORES 



TI 

Ursula de Santa Anna 292 

Ursula de Santo Agostinho . • . 288 

Ursula das Virgens 303 



V 

Victoria da Ascen(jao ' . . . . , 290 

Victoria do Paraiso , . . . 302 



% 



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DOCIIMENTOS RELATIVOS AS MAS DOS AgOUES 



Carla regia de D. NaRoel, de IO de Fevereiro de 1498, eonlirmaii- 

do ontra de D. J«a» Il qae loneia Alonso Loureflco j^rocu-" 

rador de flumero na iiha de S. Miguel. 

Dom Manuell etc. A quantos està nosa carta virem.fazenios saber 
que por parte dAfomso Lourem^o morador em a Uba de Sara Miguell 
nos foy apresemtada huua carta delRey Doni Joham meu senhor, que 
a samta gloria aja, da quali o theor tali he: — «Dom Joham per gra^a 
de Deos Rey de Portuguall e dos Algarues daquera e dalem raar em 
Afrequa Senhor de Guiné. A quamtos està nosa carta virem fazemos 
saber que comfiamdo nós dAfomso Louremco morador em a iIha de 
Sam Miguell e seu l)om emtemdimemto e descripam e pprque emtem- 
(leraos que nos iJeruirà bem e comò, a noso serulfo compre e bem das 
partes e queremdo Ihe fazer gra<ja e meix^e, temos por bem e damollo 
em a dita ilba por procuradoi' tlo numero, asy e pella guisa que ho 
elle deue ser e o sam lios outros em nosos Kegnos. E porem Mamda- 
mos ao capitam, juìzes e oficiaes da iIha que (sk) ajam por procìurador 
do numero, comò dito he e o leixem do dito hoficio seruir e husar e 
aver os proes e percal^os, remdas e direitos que Ihe com elle dereita- 
mente pertemcerem, sem nenhnQa dmiìda nem embarguo que a elio 
ponhaes em maneira alguua que seja; o quali Afomso Louremco jurou 
era a nosa chancelaria Iiaos samtos avamgelhos que bem e direita- 
mente e corno deue hobre e buse do dito hoflScio e cumpra e guarde 
ho regimemto e hordenagam que mandamos ter aos outros e guardem 
era todo noso semino e às partes seu direito. Dada em a nosa cidade 
de Lisboa a xhj (13) dias do mes de julho. EIRey ho raamdou per o 
doutor Joham Teixeira do seu comselho e chamceler moor em todos 
seus regnos. Tome Lopez, espriuam de Pero Borjes fidalguo da casa 
do dito senhor e ^sprivam da sua chancelaria, a fez; anno do naci- 
raemto de noso sènlior Jesu Christo de mill uii^h bu (1497 sic) an- 
nós (l)-r» Pedindo nos por merce o dito Afomso Louremgo que Ihe 



(1) É erro do copista. No registo do reinado de D. Joào II (L. 5 f. 126) està: 
mill iiirtRiJ (1492, conio deve ser). 

Voi. I~N.« 4—1879. 5 

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3i6 ÀRCHIVO DOS ACORKS 

conifirmasemos a dita carta e nós visto seu dizer e pedir e queremdo 
Ihe fazer graca e mercee, temos por bem e Iha comfirmamos e avemos 
por comfirmada asy e na maneira que em ella se contem. E asy inam- 
damos que Ihe seja compridamemte guardada sem nenhuua duuida 
que a elk) ponhaes em maneipa alguua que seja. Dada èra a uosa ci- 
dade de Lixboa aos dez dias do mes de feuereiro. ElRey e primcepe 
ho mamdou pello doutor Ruy Boto, do seu conselho e chanceler moor 
em todos seus Regnos e senhorios. Trislam Luis espriuam de Pero 
Borjes, fidalguo da casa do dito senhor, espriuam da sua chancelaria 
a fez; anno do nacimemto de noso senhor Jezus Christo de mìll 
lìifLh Bili aim^^ (1498J. . . . *^* 

{Afch; Noe.,' Ckafìo. de D, Manoel, *Lii\ 40, f. 10, v.). 



Ordem regìa d« D. Joao IIL de S de Juliio de IS24, para o almo- 

xarife da iiha de S. Miguel» gastar 60$000 réìs qas obras do 

novo convento de Yilla Franca do Campo. 

Allmox.® da mynha liha de Sain Miguell: mando vos que os seseui- 
ta mili reis que vos ora mamdp entrepr pera a obra do moesteiro que 
se bade fazer em vila Framca desa Ilha no lugar do outro que cobryo 
a terra, vos os gastes no dito moesteiro per hordenam^a do gardiao 
delle, sendo sempre presemte as despesas que se Jfezerem pera a obra 
delle, de maneira que seja sabedor de todo comò se despende o dito 
dinheiro; e emcomendo vos que por ser cousa de seruyeo de nosso se- 
nhor tomes das obras delle muyto cuydado, fazendo sempre por aver 
as cousas pera as ditas obras pelos menos pregos que poderdes e 
nysso fares seruygo a Deus e a mym. Sprito em Euora a b (5) dias 
de Julho, AUuaro Neto o fez, de mi! b^xxhij (1524), E eu 'Amtam da 
Fonsèca sobscrevy. 

Rey . . . 

bara. 

Pera p alx.® de Sam Miguell que hoSìjirs(60&OOOrs.) que ha de 
reeeber pera o m/^ (Mosteiro) os despenda per hordenam^a do gardiao 
do dito m/^. 

(Arch, Nac, Corp. Chrm., Part. l.\ Mac. 31, Doc. 24). 

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ARCHILO DOS ACORES 317 



Carla regia de D. hm HI, de 21 A' inasta de ìWi, elevaodo A 
ealkegorHi de €ìdad« d villa dAiigra, nà illia Tereeira. 

Uom Johara etc. Aquamtos està niinba carta virem fa^o saber que 
vemdo eu corno na llha Terceyra de noso Senhor Je^su Christo a villa 
d Amgra he agora tam acrecentada em pouoacam e àSy nobrecyda, 
uoso Senhor seja louuado, homde beni mereese ser cydade avemdo a 
yso respeito e asy ao8 rauytos seruicos que dos moradores da dita villa 
tenho recebydos asy nos socorros e prouimentos que dam a minhas 
armadàs e naos da India quando ao pwto da dita villa vam ter, corno 
em outros seruicos em- que me sempre seruem quamto delles he ne- 
cesaryo comò boons e leaes vasalos que sara; e temdo por muy certo 
que sendo feita cydade e tendo os priuilegios e liberdades que tem as 
oatras cydades de meus Regnos ainda muito m^ys nobrecerà per onde 
eu receberey dos moradores della muytos mais e qnferendo a ac?re- 
centar asy por os ditos seruicos que deles tenho recebydos corno 
pelos que ao diante espero receber e por Ihe fazer gra^a e merce 
eu de meu propio moto, certa cyemcia, poder reali e àbsointo, sem 
elles mo requererem nem outrem por elles, ey por bem de a fa- 
zer e per està fa^o a dita villa d Amgra cydade e quero e me pra2 
que daqoy em diamte seja cydade e se chame a cydade d Amgra 
e Ihedou e. concedo todos os piiuilegios, lybei^àdes e premynen- 
cias que tem e, sara dadas e outorgadas às outras semelhantes cy- 
ilades de meus Reynos e aos (sic) cydadaos della gozaram deles asy e 
tani inteyramemte conio tem e gozam os outros mais cydadaos das di- 
tas semelhantes cydades. E porem mamdo aos corregedores que ora 
sam e. ^Q diante forem das minhas Uhas dos AQOres e a quaes (quer) 
(mtras justicas oliciaes e pesoas a que està mynha carta for mostrada 
e wtìhecimemto della pertemcer-, que ajam a dita villa d Amgra da- 
quy em diante poi* cydade o asy a nomeem e Ihe guardem e facjam in- 
teiraraemte Gomprir e guardar todos os priuilegios, liberdades, premi- 
uenciai^ que sam dadas e outorgadas às outra^s sanelhante:^ cydades, 
por quanto por està minha carta a face cydade corno dito he, a qual 
pera mays tìrmeza Ihe mandey dar asynada por mim e asellada do 
meu setto de chumbo pera a terem por sua guardai. Fernam da Costa 
a fez em a cydade d Evora a xxi -{21) dias do mes d agosto, anno do 
nacyraemto de. noso Senhor Jezu Christo de myll b.^ xwmi (1534) an* 

(Arch, Nac, Ghane, de />. Joào III, IJi\ 7, /'. 2Sò v.J 



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318 ARCHIVO DOS ACOWES 

Carta regia de D. Jolo Iti, de 5 de Setembro de IS34. tirando eer- 

tas lerras u iliia de 8. lìgnei aos iierdeiros de Martin Yaz, e 

razendo mereè d'dlas a Fernando AKares d'Aodrade. 

Doni Joham etc. a quamtos està minha carta vyrem, FaQO saber 
que Fernamd Aluarez d Andrade, fidallgo de minha casa e monteiro 
mor e escrivara de minha fazemda> me dise que eu tinha na liha de 
Sara Miguell em termo da villa de Pomta Dellgada hiiàs terras que fo- 
ram aforadas ao contad(M* Martym Vaaz com foro de seis moios de tri- 
gtto em cada huum anno, as quais terras estavam omde se chamavam 
as cruzes e partiam do levamte com terra de Pero Luis e cèm terra 
de Martym Annes e do sul! com canadas (1) dos gados e ao norte com 
quem de direito deviam de partir, em sima de toda a serra e que el- 
le comprara per minha Ucen(;a o senhorio proveytoso das ditas terras 
a Diogo Roiz. Pimto e que por asi serem foreiras se avyam d emcabe- 
garpor falecimento do dito comtador Martim Vaaz em huum dos her- 
deiros demtro de seis meses do dia que faleceo e que nam fo- 
rara emcabegadas e allguus dos herdeiros diziam ther parte separada 
nas ditas terras è estarem em pose dellas e bem asy que algOa parte 
das ditas terras nam fera aproueitada dentro dos v anos que satti da- 
dos pera se aproveitarem as sesmarias, e asi que algQas das- ditas 
terras amtes do falecimemto do dito comtador e depois se partiram e 
diuidìram sem minha liceraca, per ò que per tem das ditas causas e 
cada hua delas os posuidores e senhores proveitosos das ditas terras 
perdiam pera mim o senhorio proveitoso* que nelas tìiìham, pedimdo 
me que perdemdo os herdeiros do dito Marty Vaaz ou ouiros quaes- 
quer po^oidores das ditas terras o direito e senhorio proveyloso que 
nelas tiòham pellos dilos casos ou por outros quaisquer, que Bie fi- 
zese merce do tali direito proveitoso das ditas terras pera eie e pera 
seus herdeiros e sobcesoi*es e pagamdo o foro que pagana o dito coai- 
tador; pello quali, visto seu requerimento e avemdo respeito aos ser- 
vigos do dito Fernamd Aluarez, e por folgar de Ihe fazer merce, ey 
por bem e me praz de Ihe fazer, corno de feyto per està presemte 
fago doagam,e merce pera elle e pera todos seus herdeiros e sobce- 
sores das ditas terras asy comò as tinha e forarti aforadas ao dito con- 
tador Martim Vaz e milhor se com direjto milhor a mim pertemcem; 
e quero e me praz que elle e todos seus herdeiros e sobcessores as 
tenham pesuam e ajam pera pastos ou lanouras ou pera o que virem 
que he mais seu prov^yto, posto que has nam abram nem apiweytem 
demtro dos cimquo anos sem embargo da ordenagao, que manda que 



(1) Canada, nos Agores significa uni caminho estreito. 

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ARCHIVO DOS ACOHES 319 

dentro de riuquo aiios saproveitem as tais terras; e ey por bem que 
[K)r quallquer via ou maueira que as ditas terras a^mini e a coroa de 
meus Regnos perten?am e eu dellas poder fazer merce per quallquer 
causa ou rezam què ajam por omde os posuidores dellas ou quasqueri 
outras pesoas que as naiii pesuem ao presemte as percaSo pera mim 
de as dar ao dito Fernarad Aluarez e Ihe fazer delas merce corno dito 
he: e està doagam e todo o aqui comteudo ey por bem que se cumpra 
e goarde irateiraraente de meu propio moto, certa ciemcia, e poder 
absoluto asy ao dito Fernand Aluarez comò aos ditos seus herdeiros 
e sobcesores e esto seni embargo de quàisquet* leix, ordenagCes, di- 
rei tos, grosas e custumes, que em contrario desto aja ou posa aver 
per qualquer maneira que seja, as quais, neste caso, ey por deroga- 
das e casadas, e quero què nam ajam efeyto nem tenhaJo vigor all- 
guum posto que sejam tais que fose necesario fazer aqui expresa 
mem^aiii delas e da substancia delas e eSto sem embargo da ordena- 
cam do liuri> segumdo titulo coremta e nove, que diz que nam se em- 
temda ser derogada per mim nemhua ordenagam se dela e da sub- 
stancia dela nam fizer expressa memcam. Notefico o asy ao meu Com- 
tador, allraoxarife e oficiaes das ditas ilhas e aos corregedores, ouui- 
dores, juizes e justigas delas e de meus Regnos e senhoriife a que o 
conheciraemto desto pertemcer e mamdo a todos em gerall e cada bum 
em espìciall que cumpram e fagam imteiramemte coinprir e guardar 
està mhiha carta e todo o nela comteudo sera duuida nem embarguo 
algnm que Ihe a elio seja posto, porque asy he minha merce.' E por 
flrmeza dello Iha mamdey daar per mim asynada e asellada do meu 
sello petndemte. Manoel da Costa a fez em Evora a v dìas do mes de 
setembro, anno de noso Senhor Jezus Christo deTB^xxxnu {15S4\ 

(ArcL Noe., Ghane, de D. Joào III Ln\ 7, f. 169). 



Carla regia de D. Joao llMe 9 de JbIIio de IS4S, fazendo mercè de 
vaa porcào de terra na liha de S. Migael a Balthazar da Costa 

e Joào Roiz. 



Dom Joham etc. A quamtos està minha carta vyrem faco saber 
que a mym emvyaram dizer Balltezar da Costa e Joham Roiz. morado- 
res na liba de Sam Myguell que bum Pero Annes pydira h5as teras de 
sesmarya ou merce em mato manhynho per tìtollo ou titollos, as quaes 
teras estam na dita liha no sytyo e lladeyras das ffurnas, que partem 



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320 ARCHiyO DOS ACOHES 

do llevamte coin teras d Amador da. Costa e de Joam d Aruda e coin 
outras e com a seruyoitya que veiri dos garaminhaes (1) e do norte, 
com teras de Joam Gonsallues e do sull per homde os lytoUos do dito 
Pero Annes comfromtam e com quem mais de direito deuao partyr, o 
qual Pero Aimes era jà fallecldo e seu^ erdeyros trazyao mais teras 
da comteuda em seus titollos que poderya valler a dita tera que asy 
mais trazem ale quatorze mill reìs. Pedymdo me os sobre ditos Ball- 
tezar da Costa e Joam Roiz. Ih'e fìzese merce da dita demasya das di- 
tas teras pei' se asy he {sic). E visto per mym seu requerymemto te- 
nho por beni e Ihe fago merce das ditas teras que asy mais trazem os 
erdeyros do dito Pero Annes e isto se asy he comò me emvyaram di- 
zer e me peitencem as ditas teras e as poso com dii'eito dar, porem 
mamdo ao mou comlador em a dita liha e a quaesquer outras justy- 
gas a que esto pertemcer que semdo os ditos erdeyros peramte ellas 
citadós OS ougam judycjaHmemte com os ditos Balltasar da Costa e 
Joam Roiz. sobre p dito caso, imdo pelo feyto em diamte q)mo he or- 
denado e achamdo que he asy comò me emvj^aram dizer e me per- 
temce a demasya das ditas teras que trazem os ditos herdeyros allem 
de seus tytollos e a poso com aireito dar o julguem asy per sua sem- 
temga deSinetyua, damdo apellagam e agrauo às partes pera mynha 
fazemda e imdo a dita semtemga comfirmada da moor alidada, semdo 
asy condenados os ditos erdeyros, metani llogo em pose das ditas te- 
ras, que mais tiazem, aos ditos Balltesar da Costa e Joam Roiz. e Ihas 
deyxe ter e aver e posoyr conio cousa sua propya, por quamto eu Ihes 
faco dellas merce pela dita maneira. E pela dita guysa seram dellas 
metydos de pose queremdo os ditos herdeyros estar pela sentenza 
que Ila for dada semdo conidenados e os sobreditos pagarao de stimo 
isdlmo) em mynha chamcelaria dous mill reis, de quatorze myll reis, 
<|ue dyseram que poderya as ditas teras valler; e achamdo que valleni 
mais noni seram metydos em pose até nom vyrem pagar o setimo do 
que mais vallerem à dita chamcelaria e Ueuamdo certydao de comò 
nella pagaram o dito setimo dos offlciaes da dita chamcelaria e que 
fyca caregado em recepta sobre o recebedor della Ihes seraa dada 
pose. ElRey o raamdou pelo baram d AUuito do seu comselho e vedov 
de sua fazemda; Framcisco de Vargas a fez em Euora a none dias do 
més de julho de milPe V^kV (i545)'annos, ^; . i \ ;.,.??; 



(Arch. Nac, Ghane, Se IL Joà(( tll Lii\ 25, f. i40 /;.) 



*'*. 



(1) Parece sereni umas encostas da Serra do Tri^o, plantacJa« de piulieiros, 
perteiicentes. ao Ex.'»» Yisconde das Larangeiras. : . . 



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ARCHIVO DOS ACORKS 32 i 

Carla regia de D. Joào IH, de I de Abril de IS#, elevando a ea- 
thegoria de villa o iogar da Praia oa ilha lìraeiosa, coni o 
nome de villa da. t^raia«J 

Dom Joham étc. Aquaiitos està minha carta vyrem lago saber c|ue 
OS moradores do Ilugar da Piraya da Ilha Grackxsa me envyaram dizer 
que da dita pcuoragam a AjUa cfe^ Sanata Cruz da dita Ilha àvya hua le- 
goa e na dita Ilha nam avya outra yylla senam a de Samta Cruz e os 
Juizés e ofBciaes apremavam e fazyam ir a todas as preci^oes e audi- 
encias é ajumtamemtos de poto, e a testerrainhar imqnyrjgSes, e ou- 
Iras opriesoes a que os obrygauani pelo que perdiam muito e Recebyam 
gramde dano de suas fazemdas allem do que gastauatn e perda do 
tempo e tinhao muita necesydade de coregerera as femtes e tauques 
pera recolhérem as aguas e asy o porto da dita poueragam por ser 
necesaryo coreger se pera serem prouydos das cousas que pelo mar 
se auram de trazer pera seos mamtymemtos e nobreza da dita pouo- 
ra(jam e ouiras coùsas que alleguaram, o que nam podiam fazer seni- 
do termo da dita vylla e me pydìam ouuesse respeyto às necesydades 
que asy allegauam e aver no dito Uugar iiovenia e seis moradorei» to- 
dos freguezes da dita Prayba e pouoragam, coma constaua per lium 
estormemto que apresémtauam, eu ouuesse por l)em fazer vylla o dito 
Uugar da Praya e dar Ibe por termo a freguezya que tynhào demar- 
quada com a dita vylla de Samta Cruz da dita Ilha Graciosa. E visto o 
que me asy emvyaram dizer e a emformagam que dt) caso oime pelo 
Ucenceado Domingos Garcia, corregedor das llhas dos Acores, ouue 
por bem per meu alhiarà comceder Ihe que o dito Uugar da Praya 
fosse v)^Ha, e amtes de Ihe diso mamdar pasar carta quys aver emfor- 
raaijam sobre o termo que se Uje avya de dar e quamto avya de ser 
e perque comfromtacoes avya de partyr, e mandey fazer sobre yso 
dellygencia e que fosera sobre iso ouuydos os vereadores da vylla de 
Samta Cruz e oé moradores do dito Uugar da Praya; a qual dellygen- 
cia foy feyta pelo licenciado Gaspar {de) Touro, que ora he corregedor 
das llhas dos A(jores, segumdo vy per sua carta na qual fazya mengao 
que ho dito Uugar da Praya merecia ser \'ylla, e fiGai7a fora da sogey- 
Cam de irem hua legoa às audiemcias a dita vylla de Samta Cruz e às 
camaras e prycigioes e a outras seruyntj^as e taxas> e por se asy que- 
rem isemtar da dita vylla tinham os oflìciaes della com elles muitos 
debates e deffermugas e que mamdara aos oflìciaes da dita vylla e mo- 
radores do dito Uugar que declarassem por homde serya bem se dar 
termo ao dito Uugar e que elle com .elles o foi a ver e se asemtou 
que se Ihe deuya de dar por termo o que ao diamte vay declarado: o 
que todo visto per mym, queremdo fazer graga e merce aos morado- 
res do dito Uugar da Praya, eu de meu propyo moto fago o dito llu- 



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322 ARCHI VO DOS ACOIiES 

gar vylla, e ey por bem que d aquy em diamte pera sempre o seja e 
se chame a villa da Praya, e aparto e dismembro da villa de Samta 
Cruz e de sua jurdiQam de que atégora foy e ìhe dou e comcedo o 
termo seguiate, a saber: teda a freguezya da dita v)ila, que he da 
Cruz do quytadouro e d ahy pelo espygao do grotaò da serra da Irmi- 
da comtra a vylla ao mais alito da dita serra, e d ahy direito ao cas- 
tellete, que he na rocha do maar, e d ahy a roda do mar até tornar 
a dita Cruz do quytadouro, donide come^ou, e os pastos e agoas se- 
ram comus a bus e a outros e na dita vylla da Praya averà bum es- 
privam da camara e allmota^arya e sera iso mesmo tabelliam do pu- 
brico judiciall, e a pesoa que eu prouer nouamemte destes offìcios sa- 
tysfarà aos tabelliaes e esprivam da camara e allmota^arya da vylla de 
Samta Cruz, a perda que em seus offìcios receberem por cryar noua- 
memte OS ditos offìcios na dita vylla da Praya; a qual perda sera all- 
uydrada pelo cofregedor das Uhas dos A<jores e dous homes boos em 
que se as partés llouuaram e o que asy alluydrarera a pesoa noua- 
memte prouydo dos ditos offìcios da Praya a pagarà com hefeyio aos 
ditos tabelliaes e esprivaes da vylla de Samta CruZj e asy ey i>or bem 
e me praz que d aquy em diamte a dita \7lla da Praya e moradores 
della e do dito termo nom sejam obryguados obedecer a dita >7lla 
de Samta Cruz comò moradores de seu termo que até quy foram, por 
quanito os ey por lyvres e isemtos de sua jurdt^am e poderem elle- 
ger seus juizes e officiaes da notaneira que hos fazem e enilegem as ou- 
tras vyllas de meus Reynos, comforraamdo se com minhas ordenacjoes, 
que acerqua diso em todo guardaram; e mamdo aos Juizes e officiaes 
da dita vylla de Samta Cruz, que hos nani costrangam mais em cousa 
allgua corno nìoradores de seu termo, por quanto os ey de todo poi^ 
apartados e desmembrados da dita villa de Samta Cruz e àos morado- 
res da dita vylla da Praya poderam alleuantar e poer forqua e pelto 
urynho e ter bamdeyra e sello e as outras Imsynyas que tem as ou- 
tras villas de meus Reynos e gozaram de todollos pryuyllegios e llyber- 
dades que dantes tynhao por sereni termo da dita villa de Samta Cruz 
uotefico asy ao corregedor das ditas Uhas dos Agores que bora he e 
ao diamte for e aos juizes e officiaes da dieta vylla de Samta Cruz e 
a todollos outros corregedores, ouuidores, juizes e justycas e officiaes 
e pessoas de meus Reynos e senhorios, que conhecimento desto 
pertemcer, e Ihe mamdo que ajam d aquy em diamte a dita vylla da 
Praya por vylla com dito seu termo, por quamto eu a fa^o Vjlla e 
Ihe dou dito termo na maneira sobredita e Ihe cumpram e fagam 
imteyramemte comprjT e guardar està minha carta corno se nella com- 
tem sem Ihe nyso ser posto duuyda nem embargo, nem comtradiQam 
allgua poique asy ey por bem e asy mamdo ao dito corregedor que 
tamto que Ihe està for apresemtada meta llogo os moradores da Praya 
^m pose do dito termo e de todallas cousas sobreditas. E se pera isto 
ser mais firme e vallyoso aquy fallecer algua clausolla e a sollenydade 



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AnCHIVO DOS AC0RE5 323 

do direito eu as ey aqui por postai e declaradas corno se o fosem. 
E avendo algBas ordr najoes ou direitos que comtra isto sejam eu as 
ey por nentiQas e de nenhnm vygor e for<ja, posto que aquy nam se- 
jam expresamemte declaradas; e isto sem embargo da ordena^am do 
segumdo jyuro, tituk) coreuta e nove, que dìz, que se nam emtemda 
ser numqua per mim derogada ordena^am àllgQa se dà sostamela del- 
las nam fizer expresa mem^am. E por firmeza de todo Ihe mamdei dar 
està carta per mym asygnada e asellada do meu sello de chumbo. Da- 
da em^ a vylla d Allmeyrym ao prymeyro dia do raes d abryjl, Gaspar 
Pymemtel a fez, anno do nacimemto de noso senhor Jesus Christo de 
myll v/rbi. {1546) Bastiao da Costa a fez sprever. 

{Àrch. NaCs Cham, de /). Joao HI, Liv. 43, f. 25 i\) 



Carla nm de D. hm III, de ì de Abril de IS46, eievande à ealhe- 
twh le eida^e, a viHa de Peata Delgada, Ha liha de S. li^h 

Dom Joam etc. fa^o saber a quamtos està minha carta vireni, que 
vemdo eu comò a villa da Pomte Dellgada da Uba de Sam Miguell he 
agora tam acrecemtada em pouoagao e asy nobrecyda, que merece 
bem ser cydade, avemdo a yso respeyto e asy aos muytos serui^os 
que dos moradores da dita villa tenho recebidos, asy nos socorros e 
prouimemtos que dao a minhas armadas e nàos da Imdya quamdo à 
dita vylla vao ther, comò em outras cousas que me seruem quamdo 
cumpre meu seruy^o, comò boos e leaes vasallos: e porque semido fey- 
ta cydade se nobrecerya muyto mais e eu receberey dos moradores 
della muyto mais serui^os. E queremdo acrecemtar asy pelos dìtos ser- 
ui^os que delles tenho recebidos, comò porque ao diamte espero re- 
ceber e por Ihe fazer merce, eu de meu propyo moto, sem mo o elles 
requererem nem outrem por elles, ey por bem de fazer e por està fa(jo 
cydade a dita vila da Pomte Dellgada, equero e ey por bem que a dita 
cydade e cidadaos e moradores della gozem e usem dos preuilegios e 
iiberdades que Ihe per outra minha carta ser9o comcedidos e declara- 
dos e de que per direito poderem usar e gouuir. E mamdo ao corre- 
gedor das nhas do^ /|^res, que bora he e ao diamte forem, e a quaes- 
quer outras justi^a^, ^[^(icyaes e pesoas a que està minha carta fpr n[K)s- 
trada e o conheqmij^ della pertemcer, que ajam a d|ta villa da 
Pomte Dellgada dimy em diamte, por eydade, e asy a nomevi^ e Ihe 



Voli— N.« 4— 1879. 

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324 ARGUIVO DOS ACORKi^ 

guardem e fagao imteyramemte comprir e guardar UkIoUos |uÌMiiÌ4'^in>, 
liberdades que leuao pela dita minha prouisSo e de que i^er dindio 
poderem usar, porque asy he minha mercé, E pw lìrnit*/.a ih'llo lite 
mamdey dar està minha carta per mim asynada e aseiiad;i «lo iihmi 
sello de chumbo. Dada, em Allmeyrim a dous dias do mes d ;iIm il; 
Gaspar Plmemtell a fez, anno do nacymemto de iioso Sf^uhor J^ziis 
Christo de mill e quynhemtos e coremta e seis. Hastiàoda Giosia h IVz 
esprever. 

(Arch. Nac.y Chanceìlaria de D. JoÙ4t HI, Lir, 4:i, f*ti. -U. > 



"XE^ 



1 . • ' >^. 



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iiOLOMmi m mmu \m. 



Extracto do Roteiro de -Cliristovam Colombo na p*i- 
meira viagem de dejgK^òberta da America. 



Vienéf's lo de tkbrero. {149S) 

Avi «ii'spues d<*l sol puesto cortienzó a mostrarse darò el cielo dtJ 
la li;tiHl.M \M Oneste, y irioslraba que queria de bacia alli ventar: dio 
la hòiiria il) a la vela inàvoì': todavia era la mar altisima, aunque iba 
al^o bjijàiidose: andavo al Lesnordeste 4 millas por bora y en trece 
lioras d»' iMKtbe fiieron 1:{ ìeguas. Despùes del sol salido vieroa tier- 
la: [>a!vriales por proa al Lesnordeste; algimos decian.que ersija Isla 
do In Madera, otros que/ era la Roca de Cintra en PorUigal, jhnlo a 
Lisboa. Saltò luego el ^iento por proa Lesnordeste, y la mar vjBnìa 
niiiy alta del Oneste; habria de la car^bela a la tierra 5 Ìeguas. EÌ Al- 
miiaiite \m su navegaciòn se.ballàba estar con ìfjs I^la^ de Ifts. Azo- 
vk^i^, \ ereia que aquella era una dellas: los piloto.^ y rtiariiie|os sé hal- 
lalian va con lierra de ('astilla. , ' • V • ' • '.- • ' 



Srihado 16 de Hehrerdy ' ' ' 

T<Khi està noche anduvo dando boi'dos por. encabalgai* la tierra que 
va se rngiKKscia sei' isla: a veces iba al Nord'este, o^ras al Nornordes- 
le.. basta «pie saliò el sol que tornò la vuelta del Sur por lljegar^a la 
isla que va nò via h por la gran cerràzon, y vido por j)opa. otra isla 
(ine distarla 8 legìiàs. Desiines del' sol sftti(Ìd hjis^tà'ia nói^ììh anduvo 

(Il hiPiwfa. El [wm1;iz() de v«'la ó vela pequefK*'que oi*(liaariaoieyU>\iH,' CQiJaba 
la (1(1 lriiM|n(*te al teirio y la do la maVor al cuarto, y se . iiiiiùi p(0^'J(p^ fìllafp al 

]m|»:dii;'(i para andar mas'. " (Nota de Navarrete). 



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326 ARCHIVO DOS ACORKS 

dando vueltas por Ilegarse a la tierra con el mucho viento y mar que 
llevaba. Al decir la salve, ques à boca de noche, algunos vieron lum- 
bre de sotavento, y parecia que debia ser la isla que vieron ayer pri- 
miero; y toda la noche anduvo barioventeando y ailegàndose lo mas 
que podia para ver si al salir del sol via alguna de las islas. Està no- 
che reposó el Almirante algo porque desde el Miércoles no habia dor- 
mido, ni podido dormir, y qtted^ba inuy tollido de las pìerqas por es- 
tar siempre desabrigadd al frio y al agua, y por el poco corner. El sol 
salido (l)fiavegó al Sursuduest^, y à la noche Uegó a la isla, y por la 
gran cerrazon no pudo cognbscer qué isla era. 



Lunes 18 de Hebrero. 

Ayer despues del sol puesto anduvo rodeando la isla para ver 
donde habia de sorgir y tornar leBgua: surgió con una ancia que lue- 
go perdio: tomo à dar la vela y barloventeó toda la noche. Des- 
pues del sol salido Uegó otra vez de la parte del norte de la isla, y 
donde le pareció surgió con un ancia, y Qnvió la barca en tierra, y ho- 
bieron habia con la gente de la isla, y supieron corno era la Isla de 
Santa Maria, una de las de los Azores, y ensenàronles el puerto (2) 
donde habian de poner la carabela, y dijo la gente de la isla que ja- 
mas habian visto tanta tormenta corno la que habia hecho los quince 
diàs pasados, y que se maravillaban corno habian escapado; los cuales 
(diz que) dleron muchas gracias a Dios, y hicieron muchas alegrias 
por las nuevas que sabian de haber el Almirante descubierto las In- 
dias. Dice el Almirante que aquella su navegacion habia sìdo muy 
cierta, y que habia carteado bien, que fuesen dadas mqchas gracias a 
nuestro Senor, aunque se bacia algo delantero; pero tenia por cierto 
quéstaba en la comarca de las Islas de los Azores, y que aquella era 
una dellas. Y diz que fingió haber andado mas camino por desatinar 
a los pilotos y màrineros que carteaban, por quedar él senor de 
aquella derrota de las iDdias comò de hecho queda, porque ninguno 
de todos elios traia su camino cierto, por Io cual ninguno puede estar 
segnro de su derrota para las Indias. 



Hkirtes 19 de Hebrero. 

Despues del sol puesto vinieron à la ribera tres hombres de la is- 
la y llamaron: envióies la barca, en la cual vinieron y trujeron gallinas 
y pan fresco, y era dia de Garnestolendas, y trujeron otras cosas 



I) Esto ftie el Dominf^o 17 de Febrero. 

El puerto de San Lorenzo, (Nota$d0Navaìrete). 



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ARCHIYO DOS AgORKS 327 

que anvìaba el capitan de la isla, que ^e ilamaba Juan de Castane- 
da, (!) diciendo que lo conocia muy bien y que por ser noche no ve- 
nia a vello; pero que en amanecieodo vendria y traeria mas refresco, 
y traeria consigo tres hombres que alla qnedaban de la carabela, y 
que no los envlabà por el gran piacer que con ellos tenia oyendo las 
cosas de su viage. El Almirante mando hacer mucha ^onra à los men- 
sageros, y mandoles dar camas en que durmiesen aquella noche, por- 
que era tarde y estaba la poblacion lejos. Y porque el Jueves p^sado, 
cuando se vido en la angustia de la tormenta, hicieron el voto y votos 
susodichos, y el de que en la primera tierra donde hobiese casa de 
nuestra Senora saliesen en camisa &c., acordó que la mitad de la gen- 
te fuese à compililo a una casita questaba junto ma la mar corno er- 
mita« y él iria despues eoa la otra mitad. Viendo que era tierra segu- 
ra, y confiando en las ofertasdel capitan y en la paz que tenia Portu- 
gal con Castina, rogò a los tres hombres que se fuesen a la poblacion 
y hìciesen venir un clérìgo para que les dijese una misa. Los cuales 
idos en camisa, en cumpiimiento de su romena, y estando en su ora- 
cion, salto con ellos todo el pueblo a caballo y a pie con el capitan y 
prendiéronlos a todos. Despues estando el Almirante sin sospecha es- 
perando la barca para salir él a cumplir su romeria con la otra gente 
basta las once del dia, viendo que no venian sospechó c|ue los dete- 
nian ó que la barca se habia quebrado, porque toda la ìsla està cer- 
cada de penas muy altas. Esto no podia ver el Almirante porque la 
ermita estaba detras de una punta. Levante el ancia y dio la vela 
basta en derecho de la ermita, y vido muchos de caballo que se apea- 
ron y entraron en la barca com armas, y vinieron a la carabela para 
prender al Almirante. Levantóse el capitan en la barca y pidió segu- 
roal Almirante: dijo que se Io daba; pero ^qué inovacion era aquella 
que no via ninguna de su gente en la barca?; y anadió el Almirante 
qu^ viniese y entrase en la carabela, quel haria todo lo quel quisiese. 
Y pretendìa el Almirante con buenas palabras traello por prendello 
para recuperar su gente, no creyendo que violaba la fé dandole se- 
guro, pues él habiéiàole ofrecido paz y seguridad lo habia quebranta- 
do. El capitan, comò diz que traia mal proposito, no se fló a entrar. 
Visto que no se Uegaba à la carabela, rogóle que le dijese la causa 
porque detenia su gente, y que dello pesaria al Rey de Portugal, y que 
en tierra de los Reyes de Castina recebian los portugueses mucha hon- 
ra, y entraban y estaban seguros comò en Lisboa; y que los Reyes 
habian dado cartas de recomendacion para todos los Principes y Se- 
iìores y hombres del mundo, las cuales le mostrarla si se quisiese lle- 



(I) Alias lodo da CaMimkeira, de quem diz a Dr. Fructuoso fòra um dos pò- 
voadored da liha de Santa Maria, e n'esta po8suio urna dada de terras, que de- 
pois vendeo^ e se foi para Penta Beigada, da Ilha de S. Miguel, aonde teve o pico 
chamado da Castanheira^ nome que ainda hoje conserva 



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MH AliCIIlVO DOS ACOHES 

t»;ir: v quei era su Alinirante del mar Ocèano y Visorey de las Indias^ 
«|iu' ajiora eran de sus Altezas, de lo cual mostrarla las provisiones 
jiriiiadas.de sus firnjas y seHadas mn sus sellos, las cuales le ensefió 
di» lojiks; y (|ue los Heyes estahan en mucho amof y amistad con el 
IU»y de Porttigal, e le hahian mandado que lìicìese loda la honia qne 
l>ÌMliese à los navios qxw. lopase de Portugal; y que dado qne no le 
(|idsi(\<e darle su genie, no por eso dejaria de ir à Castilla, pues te- 
nia Ilaria gente i)ara navegar lìasta Sevdla, y serian él y su gente bien 
rasiigados, haciéndoles aipiel agravìo. Entonces respondió et capitan 
y Ihs denias no conocen aca H^^- é Reina de Castìlla, ni sus cartas, ni 
W liaUian miedo, antes les dariaii a saber f|ué erj^ Portugal, cuasi 
autcìtnzando. Lo cual oido. el Almiiante hol>o mucho sentiniiento, y 
diz (|'ue pensò si lìalna pasa<Ì(V. algun desconcierto entre un reino y 
olio despues ale su partida, y'no "se piido sìifrir que lìo les respon- 
dk'so lo que era razon. Despues tonióse diz que à levantar aquel ca- 
r'apitan desde lejos, y dijo.'al Almirante que se fuese con la carabela 
alpùerto, y que todo lo (|ue él bacia y liabia liecho el Rey su Senor 
se lo liabia enviado a mandar; de lo cual el Almirante tomo testigos, 
los <|mv^m fa caralnda estal>an, y tornò el Almirante a llamar al capi- 
tan y a todos ellos, y les dio su fé, y prometió, conio (juien era, de 
no descender ni salir <le la caralxda hasta que llevase un cienlo de 
IKMlugueses à (ùaslllla, y despoblar loda aqnella isla. Y asi se volvió 
à siìrgir en el puerto donde estaba primero, ponpiel tiempo y viento 
<Ma nuiy malo para hacer olia cosa. 



Miénotf'^ 20 de Hf'ÌH'hv, 

Vl.mdò aderezar el navio y bincliir las pipas de agua de la mar 
por lastre, por (jueslaba en nmy mal puerto, y lemtó que se le corta- 
sen jasiamarras, y asi lue; por io cual dio la vela bacìa la Isla de San 
Vliguf t; aun(|ue en ninguna de las de los Azores baybuen pùertó para 
(d lìenipo que entonces bacia, y no (enia otro remedio sinrt 'Iniir a 
la nini*. ' ^ : •' «' ♦ • ,' ' - 

...,;/ * ■ ' •' • • ■•''•-. ' ' ■ '•*!'• 

"■ ■ ' "■ ' ■ Jueres 21 tie fh^teìv, ^ ' '^ "- ' ' '. ■' '^^ ' ' 

, Piutio ayéi'.de aquella Isla de Santa Maria para la de Sau Miguel 
pai a ver si hallaba puerto para [MMlei* subir tan mal tienipq comò ba- 
cia, rou mticho viento y mucba mar, y anduvò basta la nocbe sin pò- 
dej* v«M- tierra una ni otra por la gran cerrazon y oscurana (1) quel 
viento y la mar causaban. El Almirante dice que. estaba ctui piyAiida- 
cer p(Mqueno teni;ì sino tres marineros so»losn|Hf« supìej^:*nUtó» k n^r.j 
■* • • . ' • '■'••'.■' ,***«•-*• '."• 

(1) Por oscnridad. ' (Nota di' Kamrretcj. *" 

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ARGUIVO DOS ACOIlF^i ^^2\^ 

porque los que mas alii estaban no sabiaii de la mar nada. Kshivo à 
la corda loda està noche con muy mucha toniienta y grande iM'Iij^rf^ > 
trabajo; y en lo que nuestro Sefior le bizo meiced tue (|ue la mar ó 
las ondas della venian de sola una parte, porque si cruzaian «oiuo las 
pasadas, muy mayor mal padeciera. Despues del j^ol salido: visto »|iif* 
no via la Isla de San Miguel, aconló torijarse.a la' Santa Maria [)oi 
ver si podia cobrar su gerite y la barca y las amarras y anr'las i\]\r 
alla dejaba. 

Dice que estaba maravillado de tan mal tiempo comò liabia ♦'n 
aquellas islas y partes, porquQ en las Indias navegó todo aquel invi«*r- 
no sin surgir, é habia siempre buenos tiempos, y (|ue una sola bora 
no vido.la mar. que no se pudiese bien navigar, y en aquellas jslas 
habia pa^ecido tan grave tornjerita, y lo, mismo le acaeció ;1 la ida 
basta las Islas de Canari3; pero pasada dellas siempre hallo los airrs 
y la mar con gran lemplanza. Ccmcluyendo, dice el Almirands que 
biein dijeron los sacros teólogos y los sàbios fllósofos, quel Pàraiso ler- 
renal està en el fin de Oriente, porque es lugar tempei adisimo. A si 
que aquellas tierras que. agora el habia descubierto, es (dice eh el tiìi 
del Oriente. - 



Viernes 22 (ì>e Hi'bnro, ^ » , 

^Ay^psurgió en la Isla de Santa Maria en el lugar ó puerlo «londe 
primiero habia surgido, y Inego vino un hombije à capear desd(^ nnas 
penas que alli estaban Vronteras, diciendo que no se fue;^en de alli. 
Luego vino la barca con ciuco marineros y dos clérigos y un escribano: 
pidieron seguro, y dado por el Almirante subieron à la carabela, y 
porque era noche durmreron alli, y el Almirante les hizo la honra qne 
pudo. A la manana le requirieron (pie les mostrase [K)der ile los 
Reyes de Castilla para que a ellos les constase conio con podei dellos 
habia hecho aquel viage. Sintió j^lmAlmirante (|ue aquello baciali por 
mostrar color que no habìan etii'l^'fiecho errado, sino que tnvieron 
razon, porque no habian podido fthber la persona del xVlmiranie, la 
cual debieran de pretender coger a las manos, pues vinieion ron la 
barca armada, sino que no vieron auel juego les saliera a bien, y <*on 
temor de lo quel Almirante habia dicho y amenazado, lo cual teiri;i 
proposito de hacer, y creyó que saliera con elio. Finalmente. |>or ha- 
ber la gente que le teniau hobo de mostralles la carta general «le los 
Reyes para todos los Principes y Senores de encomienda, y otras pro- 
visiones; y dióles de lo que tenia, y fi'iéronse a tierra contentos, y lue- 
go dejaron toda la gente con la barca, de los cuales supo (pie si to- 
maran al Almirante nunca Io dejaran libre, ponjuc dijo el ca[)it;jn (prel 
Rey su Senor se lo habia asi mandado. 



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■^ 



330 ARCHIVO DOS ACOHKS 



Sàbado 2S de Ikbrero. , 

Ayer comenzó a querer abonanzar el tiempo; levante las anclas y 
fue a rodear la isia para buscar algun buen surgidero para tornar lena 
y piedra para lastre, y no pado tornar surgidero basta horas de com- 
pietas. 



Domifègo 24 de ikbrero. 

Surgió ayer en la tarde para tornar lena y piedra, y porque la mar 
era muy alta no pudo la barca Uegar en tierra, y al rendir de la pri- 
miera guardia de noche comenzó à ventar Queste y Sudueste: mandò 
levantar las velas por el gran peligro que en aquellas islas bay en es- 
perar el viento Sur sobre el ancia, y en ventando Sudueste luego vien- 
ta Sur. Y visto que era buen tiempo para ir à Castilla, dejó de tornar 
lena y piedra, y hizo que gobernasen al Leste, y andarla basta el sol 
salido, que habia seis horas y media, 7 millas por bora, que son 45 
millas y media. Despues del sol salido basta ponerse anduvo 6 millas 
por bora, que en once boras fueron 66 millas, y 45 y media de la no- 
cbe, fueron HI y media, y por cònsiguiehte 28 leguas. 

(No 1.^ vd. pag. 300 da= CoUeccion de tos Viages y Desmbri- 
mentos == que hicieron por mar los Espafioks . . . par D. Martim Fer- 
nandes de NavarreteJ. 



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TESTAMENTO DO INEANTE D. HENRIQUE 



ffilTO AOS 



18 DE OUTOBHO BS 14«0. 



«Em nome de nosso gnor Deos, Trìndade perfecta o qiial creo sem 
duvida nenhua segando manda a sancta igreja de Roma que creamos. 
E em nome de nosso Snor Jesu Cbristo e ^ soa bemaventnrada ma- 
dre nossa snra sancta Maria. Eu e Iffante dom Amriqae governador 
da ordem da cavalaria de nos^ Snor Jesu Cbristo, daqne de Viseu, e 
snor de Covilhaa/ Estando em lodo meu siso: temSdo deos e a hora 
da morte que nQ sei quando nem onde sera, fa^^ o meu testamento 
segundo se segue. 

Prìmeiramente encomendo a alma minha e o corpo ao meu suor 
deos e Ihe peco que ante da resurreicom e des que resurgir, die me 
de saiva^^ e me fa^ do conto dos seus sanctos por a sua grande 
misericordia e piedade. E pe^ a minha «nra sancta Maria por ser ma- 
dre de miseiicordia, que peca misericordia a dèos por my que me de 
salva^om. E pe^o ao meu snor s3o Luis a que des minha nacen^a foi 
encoHiedado, que elle c5 todelos sanctos e sanctas e anjos da corte ce- 
lestiale roguem a deos por my que me de salva^m. 

Item mando que o meu corpo seja ian^o no moymento que estaa 
l>era my onde jaz eKRey meu snor e padre no moesteiro de «aiicta Ma- 
ria da Victoria. E i^ morrer fora, que seja là levado chamente, e assi 
seja soterrado e ^m deo que mandò que por my nom fa^o mas essa- 
mente e honestamente seja encomeodado a deos, éùm horas e missas 
acostumadals e oferta e falhas que o meu testamenteiro ouver por bem, 
o que farSo comprìdmiaite pagar, descargaudo minha concienda. 

Item mando que as tres capelias que se hSo de cantar pera semh 
pre neste moesteiro em que a deos prazendo intSdo de jazer, que se 

Vol.I— N.«4— 1879. 7 



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332 ARCHIVO DOS ACORES 

cautem vsegundo dello tem minha carta, e outra estaa no convento de 
Thomar, e assi estao todas as outras cartas das capellas que per my 
mando cantar: e mando que se cantem segundo que em as cartas he 
contheudo. E pego aos meus testamenteiros que ajao os trelados das 
ditas cartas, e que as fagao assi cantar, segudo em ellas he con- 
theudo. 

A.eUiev meu, spor prpuje ip mandar a$ reuda^.qiie delle taalio, 
dellaì( e|*;fj5ree;t^ ;dQU|s Xn| flìpji?. ylda, pori tiie?, .$ì(tfpj5^^4e^PPÌs de 
minlia morte pera descargamèto de minha consciencia. As quaes ren- 
das som as que se segue, s. o raeu asentamento, e as saboarias, e as 
Ilhas da Madeira e porto santo e deserta e Guinea com suas Ilhas e 
toda sua renda e o quinto das^^s^avegi^* e as corvinas e lagos e alvor. 
E destas rendas e de todo o q a my pertencer, a bora da minha mor- 
te, mando que se fagào estas despesas que se seguem. 

Item minha sepultura; segudo em cima fiz mengom. 

Item que se pagi»Kt iròÌi354iltì5C"flQe jOTiQ.sabidas per escri- 
pturas ou per outra certidoem, ou per juramento que honestamente 
deva ser creudo que eu devo decoisas que per meu comprador, ou 
per outros meus ofBciaes, ou per my forao tomadas, que se paguem 
compridamente, e assi dalgus servicos ou carretos que se pague assi. 
S^e;^taii diyidss s.^j5ai afsi.^paga^i primeiFO ique-al,^ fejto meu èterra- 

.. j^i^f^i^p^^isi^toiiwiijlo q $j^.pagu5 meiis^oraaores> am demo- 
riaj(M9!Si;4Gìoroo»iJp.rf«0.eiii^6: se^^^ d^^^mscyrwCOi s^gwdo re- 

.. .JttBin>m»wlo w«,depals ^«to, ^ifoien» a^^das.owtuaijf diTidas, 
qil^*^t^i^i«(4e qu|iJf]U^^ 9UizajiuQt6^a,.i6(H»llii^ta: que ^mào.c^las 
Item por quanto mujtos dos meus creados tem stìU>.|[aa5alJiam^n- 
tOSidetjflKJ de ts^s em que viviam e a |àcara.4e,minha' aK>rt^ sjeren- 
ìk^ i\f^Siì^^im^m,^m- gidin^ mm ai.mèàa^nsien^ia^iìcarro- 

gli4^;< jDoitfìm ::eì^ f^^^^-. m^i;aè ^.reUB^j? .meu ^mr Qi ao ^(faate dom 
fee«aiw>^eut,wWMt0;f«e^adci/ilbOi t^ ao que.<)uyèr omestrado d(^pois 
d^ ujjf,.,que.t|)oto-dfe,I^ewsv,(6k) apWfia mmufp^0iì&m^v^!^^ que a 
Qìl^Jl; urftif^cebajppp sea«j^ quifr^anda-ti^reìr- q»e la. ielle .per$eii5»v e Iha 
leixajara.stt* vidaj.aBaoeba'S^rJviCQ c^njodift^eii.GnwdQ^.E.aidi^ lou- 
vores, taes sao quj^,a¥.erao porbeniJjeiwprQgada.a.aijBiraeiqjJtì Ihe.fe- 

Z^j]Qm*ii<(- '5jrtit.'«.<n Mt; «ìIìi, «n»:' uj;*-, •»ji»5. irriti » ni;; '»'.>iih,ii m *i\ 

►.f/Hewid* neBdì^*J4P^Ie4^^a*Mgtl^^€ì.t*r-an€tì» jD5#<os.;e^fa?eF. e^npias 
|fcW;aMse»ipctìr-peQQii«a0,iiiieu:tóstii|ietìtw^ ciM»prJc. ,£ no 

con^enl^idei XIÀ^mai'i dcbar^à^ a)ioiv[te»aiica»4e.6aaiQ!4e\^.&ei: >f^tQ. . 
.:.4toin«pac^>ia ,^^eyiiwu.siic)(r^ip<Mri«mar^et4uorfettei^ ser.tue^ 

te^tauì^ii^eir^i^porvqii^tiimJìe .todo o 4^ (^e^eu.facf^.reste 4esta«$^uto, 
e l^xp4)or.meaJ)i^*deir(^da lodo o-^w ^my-.f^Hemer aa*boi;a de 
oMji^a w]^'t6,«]9iisi de iraiz coiiy;^ d« i&QvelVesalvandq b de (pe.fiz;her- 
deiro«<o ^^nar Jfi^nte djom femsmdo meu filbo^. E^idoqua ibe^ eUe. mais 



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ARCIWO DOS AeORHS ÌÌliÌi 

ciò que ficar de tny quizer dar, Iho terei em merce, resalvgdo Lslgos, 
e a Ilha da Madeira, e as outras coUsas (jue-lhe prométì de querér 
que flcassem pera a-* sua corca e .deseos soccessores. * •• ^ 

Item por que el-Rey men suor h5 po^è per si ser •teitaitteiTtfeli%, 
the pega por inerce, que elle escoltia hum* que eirtenda- que ò -beni 
saiba fazei*, e outro que sejaveador do lesUunehloVfe Ihe^ er/cjii^reg'ire 
que fa(jao, contentando-os do que for resom. * • »• • ^<- ♦• ' • 

Item- por t|ii»ntò eu a deofe louNfores tónho mujtó^ Ì€)re^dttfe;*^e os 
hus conteritei per comeudas, outros pe^r egrefast VJritlxìs per: ciìmàèn- 
tos, o\itro8 ipei' tencas, outros per offii^ios, òiJtros *Viver«<i^ ccmitìiio e 
nom merecer^O' o cfue lhé»tetìhO dado, poffern-^uiuaiido <i«) nitèw^teJ;- 
tamenièSro-qtìe ejilgttarde bem'iodo. E- se :tl«^ ■ qlie' em fefei'vi^O (lalgu 
sou encarregado que o contente segundo sua boa dìscrivom. ■ ■ ^ 

Item pdi* ^ue' pcìderar ser que-em «irnha-VM-a eu'*iitlsfereiy jft^ di 
vidas e ci^eados, e lel'xtHei'pera miRlm sepriRunBr (|de «baste, ainsrque 
el Rey meh siìor ^ém elio nom tante^ (jue fa^er^ eiv olei5cò pm^m per 
herdeiro, segiindo ehi 'Cinàafaico tnertcxini, l^-élle téK elic«n*ef(> de 
tìiandar ècfciprir miriha^ dapéllauia'^ e ìhe'plWo por ménce ipé^ assi 
mande a seus socces'sores Reys destes' fteinos; qiwf JW^ sua béncom 
aVsi oiriaude comnrirye et assi^ Iho jveco- pè*-* amor ite^-cleo*;'^ por 
merce. E por ^ueJ^st^' è ìiiihhìaHoffttKle, tifartdO'qué e^MMertha e^'Và- 
iha: E'pot wrtlhlSerf d^HO'O'-tó i^r wmihsimdoj'e o mtìntìei' fM^r co 
o ideilo de 'm^ *ì<àffti^ft^u e^róftì*^^ sfn^Ì^'*^è'Jmhiha^«'^ffì8s;'^'t()tìro 
orftrt) ' se^to gi^teìdè': ajisi Vie' «tìinhaV' Wriwii;, fe«tb »ila -intfa do^ffrtfrte'a 
vhitèe'oiW dtós! de ^drflubi'tl: lErb» <l€^ h*l qtóktmcett^ ^ t^éJ^HtG'. m'o 
as$inèf ^ j^hlarl de lìriilBa ine». : : • '' '^-i - ^-^-r-!:»^ ..simj- 

•E-em^j^ero' qiie óirtms' -^ii^ecfthd*' «d tej^meirtd^^tetìlict*'*^ 
matrdo qtt^ ift tafeiio & ffìie* es^ vitha'e t«fttì«:''' •" ' ' » ' ^' ''''■- 

E as capellanias que mando cantar/ Sto jit^Irta^^lTHìO'' «^«cripto* (foe 
vaj' cóf5iì*IOf eh ejlt^ ftteu tèsliarfttenl()rl><5^11iM'»ifiitt*ipt<«)^M^^^^ 
ho apVÌHbdhe*-e^èfqaés0'^égée'*^''j '•'^'-♦f ''^^J-n < ''I^ '^^twfM * 
' *Em- nome^e»De^ Attimi Ej§«a»^ht^*'ar»h«rriiai'rf' tiel^tóme*»* pwWteo 
e aberto ^\k'S Iffantf^-rtém «uritqH^ fé» e»lif«ii*tm'(<rtf*pf4»^ta*rte 
mf ptlbRcouWaitH) fe t^étìtettìftha^ àdl»!«é f!èdleà<tìs} '© !(*IW frey^f- 
iiamto Vfg^>è g0rtìda'iifBà'cte*'thOitfàì» ^45: (fife'^d ò(ÌKés^s>e*hf l?eii tes- 
tamento queT)er sua mào fìzera segudo a verba que o dito -s^W^tio 
diloHfc^tbméhttV-eschevGo^tpeH snir i*Qty. 'Oi(iuM'mtam«nlo* (5(Mn'>esto 
qufe to^ttì al*rw TÀafe ead6o,'>^tsbrt[|«^*ia'sfalp^iffrrt«l'é rJllifi(»e^liutf'Os 
•nttihiSs ttSJ pio^tft 'qtre'pjii^eisém,' fwr»;qui3!esl**¥<ia>pfastttt«fttraHì^ 
tatìfe. Bf^litietì*»meAt»'maiid(Mt'a(|wr pf>*HffWi'*t««to^q**lamm' ^''•''*^ 

Regedor e governador da ordem da cavalaria de iiosso suor Jesu 
christo puq^^ de.Yisey e spor.de. Cpvil^a(i,,estabele.ci^ Qj;(|ei^pi pera 
sempre em i^yerén^a elouvionr de^meù^sriQr iùm v'iìiiito^eidH'yirgeRi 
santa Maria sua madre minha senhora. * '*'• ' .n<i * • '- ,. 



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334 ARCHIVO DOS Af ORES 

Item primeiramente estabeled e ordenei a egreja de santa Maria 
dafrica sttuada na cidade de Cepta. 

Item estabeleci e ordenei a igreja de santa Maria de Bethlenn si- 
tuada em Restello termo da cidade de lixboa. 

Item estabeleci e ordenei a igreja de santa Caterina, que estaa 
fora da villa do Iflante. E a capeila de santa Maria» qne estaa dentro 
em a dita villa. 

Item estabeleci e ordenei a igceja de santa Maria da misericordia 
situada em a villa Dalcacer darfrica. 

Item estabeleci e ordenei a principal igreja de santa Maria da Ilha 
da Madeira, e des hi em diante as outras que se hi ordeoarom. 

Item estabeleci a igreja da iiba do Porto santo e a da Ilha De- 
serta. 

Item ordenei e estabeleci a igreja de sio Luis, na Uba de sao 
Luis, e a igreja de s3o Diniz na Uba de s3o Dini2: e a igreja de m 
Jorge na Uha de sao J^ge; e ^ igreja de sao Thomaz na lUia de sao 
thomaz: e a igreja de santa Etria na ittia de santa Eiria. 

Item ordenei e estabeleoi a igreja de Je$u ckmto na Vha de Jesn 
chriàlo: e outra iffreja na Ska gmeiasa. 

Item ordenei e estabeleci a igreja de sao Mignel na ilha de sao EU- 

l: e a igrga de sanUt Maria na ilha de santa Maria. («) 

Ilcan ordenei e estabeleci per oulorgamento do sancto padre Gal- 
lixto tercetro toda a spiritualìdade de Guinea ser outorgada aa ordem 
de cbri^tos. Polo (piai eu emcomedoe mando a quatquer qne fòr Vi- 
gairo 00 prior oo capeii3o soidadado per a dita ordem em cada um 
egrejatro d'aquellas terras, que Ihe praza cada som^na ao sabado por 
sen^e em minba vida e d^cns de minha morte dizer hSa mis^ de 
santa Maria, e a comemoracom seja de santo spiiito, com seu respon- 
so e a ora^jom seja fidelium Deus. 

Item oitleno e mando qn^.os freires do convento da minha villa 
de Thomar, ajio a renda das minhas boticas da feira da dita viUa que 
fiz per autóndade del iley meu «lor e padre que deos aja. E por a 
dita renda dirSo em cada um anno cem missas por minha alma, le- 
vando a renda da dita feira a prala emrespaUo de c$ missas resadas 
por cada marco de prata que em a dita renda mlHar^ ora anuito ora 
pooqao. 

Item ordMO-e mando q o lente da tbeologia da eatedra da prima, 
aja em cada hum^nno pera seiiq>re doze marcos de prata, por a prì- 
meira randa dos dizimos que a ordem de chrìstos ha na Ittia da Ma- 
deira, pollo qual Dira o principio no estodo^ e dira certas missas e pre- 
ga^^ segundo Uà deciara^om na carta minha que Ibe deb lei^o. E 



(•) É tanto mais interessante a noticia da ftindagào das prìmoiras égrejas nos 
AQorea» guanto a este respeito pooco ou nada se sabia, pnncipatmeute em rela- 
(§0 a S. Jorge e Graciosa. 



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ARGUIVO DOS ACOR£S 335 

e$to em renenbranoa da doacom que ihe fiz das casas em que estaa o 
dito estttdo. 

Item x>rdeno e mandò q a see de Viseu aja a renda da feira que eu 
mandei fazer dentro na cerca que estaa junto coni a dita cidade, co 
coiidi(om q o cabido a oàide arrecadar, e dee seìs on^a^ de prata a 
un capellSo» que diga todeios sabadOH do anno bua mi$8a resada de 
santa lf«ia em minha vida e depoi:» de mkiha morte segimdo se con- 
tem M carta que Ihe dello leixo. 

lUm estabele^o e mando que o moesteiro de santa Maria da Victo- 
ria aja pera sempre em cada bum anno xvi marcos de prata em pra- 
ta. Os quaes avera poUas randas das terraa de.Tarouca e de Valdi- 
gem* E esto por diserem per minha alma assim em ounha vida corno 
depois de minha morie trez missas cada bum dia no aitar de minba 
capella que estaa na capelia Del Rey domJohio meu suor e padre q 
deos aja, segundo he conteudo^ na carta nunha que Ibe deUo leixo. 

E por se todos estes beoeficios e missas dizerem por minba alma 
corno per my he ordenado» eu eseolbi per provedor dello sentindo que 
faria^bem e corno eompre por meu servilo e bem de n^inha alma, 
fn» Antao Glz. meu escrìvao de puridade, Aleaide moor do castello de 
Ttiomar e assi aes seus successores. Aos quaes eu ordeo» que ajam 
por seu iraiMilbo p^la vialena da spiritualidade de Guinea, sete mar- 
cos de prata, segundo se eontem na carta minha que ttie delio leixo. 
£ ordevo per wnba carta que leixo aos Mesitres» Regedores e gover- 
nadores 4a ordem de «bristos que depois de my iòrem que conslrajao 
dito prowdor e seus successores, quo fa^o comprir esto que por 
my he ordenado. E se negligentes forem a esto proverem, que os ti- 
rem e enlejao outros que sentirem que o fii^ bem e assi con¥> com- 
pre por sahra^om de minba alma, segundo he conteudo na carta mi- 
nha que dello leixo ao Mestre ou mestres, Regedores e govemado- 
res. 

Item ordeno e mando que todelos meos officiaes de minha casa e 
assi todelos meus Afaiioxarìfes e outras pessoas que minbas renda», 
dinbeiros^e outras coìsas receberio, ii5 embargante que me no tenbao 
dadas snas contas, a my praz principalmente pollo amor de Deos e 
por sahracom de minha alma avelos por quites e livres de todo o que 
assi por my receberSo e despenderio, a elles e seus bes e herdeiros. 
E mando a femio salgado meu e^rivao da caniara e publico notairo 
per minba autoridade em minha càza e em todas minbas terras, que 
Ihe dee assi dello senhos eslromeiitos de quttacom, assinados do seu 
publico suial, OS quaes eu ei por bos firmes e valiosos pera todo sem- 
pre. E peco per merce a el-Rey meu snor e ao snor Mante meu mul- 
to prezado e amado filho, e assi rogo e encomendo aos Mestres, Re- 
gedores, e govemadores da ordem de christos que depois de my hi 
forem que Ihe n9 vSo contra as ditas quita^Oes em parte ng em todo. 
Ante Ihas guardem e fa^lo comprir e guardar, por quato a my praz e 



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:M) archi VO DOS ACORFiS 

he miriha merce sem embargo de loda, realmente os dar por quites 
e livres corno dito he, e Ihes fazer merce, por o limito 6er«^ì?o qte 
delle*?. i^(5ebi". " ' » ♦/ ' - ' * • "^ ' : *"*- ' r '^ • ••^- •'» 

B pbreitì' pe^o jpK)r nteree «•'€*-R«fe measn^r e ^ ^norllftmlt^'tii^ 
mtilfò pr^a^e e amado'fWio, é«oott«do ihatido fe 'i^ogaaos'Mesfci^es, 
Hegéder€is iB'|[Wertii<dore« dà ordemdo-dirfetos-qìie^oié'de'ftìyj*!^ 
lèttì e'Cohi8dii«k)r€?sda éista^ordfem^'^iufe -eutfipi'aotie -fti^K) aoii#ir?>pìh 
gar, e guardar estas minbas quitaQoei per it^ ortìcii^dt^'^ cantar è 
e diàier as diftis hils^^as* mm(fàmmM,KtS(}oms e esuo^pér-fl* ^telfeuas 
das mltthaS HM, « d8i6iimea,'eir«wJds»ae 't«rra!i;.lgreja^ref domwi' 
tla^ i^'egiindof wftf (J)[)rldMM3»le'^ié c©!*«ido-»à«''c3ri»s? mkì^ qire 4e 
tòdo lèlxé feitHÉ^ Bfa^ÈM©da-^^ssf i(ìomprtr'eigtr»r4ir rejitalenÉé e»i*>m 
BiRiott) pòr'^mInba'a^lHa:mltlo^è*les^deséi8o (pie* oi^dwas^ ^efi- 
zesSèftiipoltosf sua9^pe*fo»i)te d a^fébènthiAèntpiS dWleiéK.t'c^^d^jiilii a^S'TWi- 
*das qne leitd e flk *pqra at:atdetìi^ d^ -ch^iw^tev fette fbJVlite doiiffiatìfe 
xirrdteis do me» 4©tìiilttbre'd« ara'ddhf«reitii€i*a rte»'Nés$»© Bwjrilesu 
chrtsttj-'dfe^ittii 'CécatÀ mtif^y 'JeBteitttìnlWte .Dbnrtlbey feffftiido Ti^iro 
g^erM dif tuia de.'Bhd,nottP,-^dasiBtes'*ec;. ey^.tU^it^'mi^iìmMgiM^lltGy 
•Jòlr5o* tató' q tof 'ceMfeéiwr éo.àìirì llftipld*effl*esttr sw»?i)Oàètimavi fc», 
^>(U>m Jf^rntììrfo deeca;'^Martì(fn Go^rtHgmrda'momyM^^io ì^l^t^'m^é) 
^eu 'CO<rtellio> '«f freyi Pèait> «fli< ci|qiilteitt)^*«fiftr} 'te»4io#J^^tto^w^ki '««- 
Vffleihv^a siia^ cazi^, e'teli6©'g«rnMi. tB^6tt'1ep«aiv»s»lg»do» fetffeHvfeo'-da 
vMvtm^ dcr Mfett^ft tìom '^N<iiie^:meù ^sh»|' e^pttbtiiteJi«ol»iiH^'fW^»*suii 

.. .-M., ,4* 4J.v.?^e,,s^nteR*.Enagntrfir5tita^J>tìy?t^^ 
. .1 ^ ^. , , mento. li'uin livido Uù l%re .(Jo Tòjnbq^^scppto. <ifti p(^;^n)if)hò cgm 
'' ' ■ letfraìIó'ebmèQO'dd i^od/xvi, e còirfendo hlóni'dó t^^^^^^ 

cartas relativas d espiritualidade de Guini*. Nao toni lìumero e igtlo»- 




'\V\*V'V *' ^" * »»r ' •" ^«•:».r • .•♦♦.•I*if't:**^»A'ir "* nf.T**d*;''Ht 7*11 l«»t| «>r!. 



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dp» % cl<«PMPj.Qtìh^iJp^ i*$^ett(erj;ar«nni/jfi: àdr/),. flU(fe. ^^tr^s ;;in>rriei;am 
I^\fagii;ein,p^ra.,i;i^^a;.^: muitK]p,e,:inais ftir?m.o^ que jleslai ipanei- 

ra piQir^ra^ii; m^ ^rQp4»\ «c«r^r«^::<ìet»i)|Qr(l^$afa2Pij;j)»a^i ^«5 ^^^ 
'àG\\m,\mi(^ dMàheiiì^ifl aqu^jyi(Wi4^/uirfas,iAl(¥Jfl/PQr mai49<ia,4fì,f^?p1- 
tao se depositava na 4WO,ideu^»n.4<^«Ì^2^Wf tflu^.'sQ Cha{p%Ya,Joao 
l<Qii(»f?.f? de. jqutftflg. pt€i^oa^ <....:, ...;..; r.;,,! ,,ij.: . r;ì<i v\ 
. ulfoj^qs }^»epft hflM^^aii>i,pel«f>ti4lO:Pk«^,t^ilue,.«Sicaj^^ 
(IjluYif? uìjprtai>rto.»fti|iMca.(Ì9uPWtó .coni, ui» »piach?d£),.»iquft]a coai o 
lodo a nao podia abrir, e fugio atolando-se i^.|jj^,tìiesaJo l^dft ató^^ 

.utl^li^i^p .m c»wa.>GiiftariPchftra»i Jiwri^. e fwjjjtier e, lìlhqs; tQdos 
(teiladQB ^Bi,ppm.C9ipa.;WW.;UtìMòUitWj à^,5iyje*^q4a,.ptìi: oÌqw^B ^W 
P^(¥«i>*» qw -tQd^*^.ftii>;afogOW; -!e,)P<|rgue. pancavam^.innUo p^^Iippieiìs 
cavando, todo o fato e dinheiro que tiravam' Ihe 4firy3m»4e ii^eiaj^i.iam 
^^^im. »i^iC9rptì^,i»or?^(^iW^»ft0i¥fìra,.a,i^reJa:^ a 

tWf5^» jaii^aiCQr^^o .sobre a vjlla d'ili 0s|Uijaitqs4i2i^»QfiWO,|e^p<da,e be- 



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338 ÀRCHIVO DOS ACORKS 

beda da agoa, pondo os pés em urna parte d'elia tremia em outra 
d'ali a certo espa^o, corno faz o caramello, e por isso andavam por 
cima de taboas, que punbam sobre ella em quanto esteva desta ma* 
neira branda e motie. 

Oatro Simao Lopes, homem soiteiro de ì)ra desta Uba, Qgou em 
urna caza, em que morava, debaixo da terra que correo, onde agora 
cbamam as hortas, e d'ali foi tirado vivo, e viveo depoìs muitos au- 
nos. 

Um Diogo Pinbeiro, Sacerdote, que depois foi capeliSo na caza da 
Misericordia da cidade, tambem escapou vivo; e um bomem por alcu- 
nha — calcafrades— que morava arriba da Villa, onde agora se cha- 
ma a Abegoaria, ali Ihe escapou a cai^a e curral com o gado sem 
morrer ninguem dentro, nem pessoa nem gado, porque cercou a ter- 
ra a caza e curral por toda^ as Qarjes j^m a cobrir, estando no prin- 
cipio da maior ^r^a da cqrrente^aJerrafKit èstar ao pé do pico que 
correo: o qual nao correo todo, mas uina peqnena parte, que seria 
corno a vigesima, e nao parece que sahìo debaiio do centro aquella 
terra, senao uma quebrada da fior 4lei)a, so da s«perficie, que fez urna 
cova, a qual pelas bordas sera em algumas partes da altura de uma 
lan^a. 

Andando cavando àaH a luis dias (porque du^qu a cava mais de 
um anno) furam dar em umà caza' onde em um vao della acfaarani 
uma muUier, que estava de parto, e a parteira debaixo della com a 
crean(^a nas maos jà nascida, todas moitas e por nao estarem afoga- 
0as com a terra se conjectura que morreram a fonie, e a mingoa de 
nao cavarem ali mais prestes. 

Uma negra por nome Luzia, captiva de Christovam de Braga, gen- 
ro de Gonfio Vaz Boteilio, que èra filho de Gonzalo \az, o Grande; 
e captiva de Heiena Goncaives,mttlber do dito Christovam de Braga, in- 
do a terra alagando a Villa, foi a dita negra naquella vcrfta sobre ella 
apegada em uma figueirà ter ao mar, onde escapou com a vida, e dis- 
se muitas vezcs, que vira seu senhor andar no mar vivo embrulhado 
n'aquella tei'i«n e da mesma maneira dous frades. 

For estar a terra feita lodo, depois de tres dias por diante da 
subversSo da villa come^ou a gente que esci^Kiu a andar por cima 
della, chorando seus peccados, e a ausencia e saudade de seus pais e 
maes, parentes, e fazenda. 

Um filho de Joao Goncalv^, do logar de Basto de Cao, estando 
acavalk) dentro na loja de seu pai aquella noite e bora da subversao 
da villa, com as esporas nos pés, e um aremesao na mao ja cavalga- 
do, qnerendo satiir pela porta fora cabio a caza, e o atopio a elle, e ao 
cavallo; por que assim se julgou, pelos que o acharam ioibre o cavallo 
da maneira sobredìta. 

Affirmam os antigos que ainda que loda aquella noite era mui se- 
rena e appareciam claras as estrellas, depois de correr a terra corno 



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ARCHIVO DOS ACORES 339 

ondas do mar urna diante da outra, sendo jà dia darò, cessando a 
terra de correr, chovia urna clmva miuda. 

Da caza de Antonio de Freitas, cavando tirarara uraa sua filha sol- 
teira raulher mo^a, achando-a na cama deitada de ilharga com a raao 
debaixo da face, e os toucados de dormir na cabe? a, e assim morreo; 
parece que nào sentio o tremor, e estando dormindo a tomou a terra, 
que correo. 

Como em Villa Franca estava o porto principal e alfandega, iam de- 
ferir a ella, e nella moravam muitos mercadores de fora da terra, on- 
de tinham multa fazenda, e diversas mercadorias, que ali iam comprar 
OS moradores de toda a ilha. Mandando o Gapitao Ruy Gon^alves ajun- 
tar muita gente de todas as' partes para cavarem, e desacravarem os 
mortos e muita fazenda dos naturaes, e estrangeiros. Dizem uns, que 
andando cavando, outros que indo em uma procissao cantando as la- 
dainhas, ouviram tom e grita de gente, comò chamando por misericor- 
dia: qual tom ouvindo o Capitao Ruy Gongalves entendeo que era de 
gente, que ali estava soterrada, mandou cavar no mesmo logar a 
grande pressa (era isto jà aos nove dias depois do tremor e subver- 
sao da villa, contando neste numero o mesmo dia da subversao) e ca- 
vando nao multo espago descobrira'm uma pouta de uma trave, que 
jazia encostada com outra a uma parede de uma caza de um ferreiro, 
sobradada, com as traves muita bastas, a qual cahindo com o tremor, 
araassando-se o telhado sobre o sobrado cahio a parede da banda, donde 
estava a ponta da trave, que descobriram, e cahiram tambem todas as 
traves d'aquella banda. Beando as outras pontas encostadas a outra pa- 
rede, que flcou em pé, e tiveram (detiveramj a madeira^i^fedraria que 
cahio, e a terra que correo sobre ellas, e o sobrado. Vmam n'aquella 
loja (que tinha o sobrado no andar da rua) tres homens, naturaes de 
Guimaraes, convem a saber: dois irmaos chamados Marcos Pires e Ni- 
colào Pires, os quaes estando para partir para a sua terra em um dos 
navios, que no porto estavam de partida, pousavam ali com um seu 
naturai, que estava com Lopo Annes, de soldada, e morava naquella 
loja que tinha uma porta da outra banda para a ribeira, ainda que o 
sobrado no andar da outra rua se servia por ella. Vindo o terremoto 
e terra que correo cahiram (comò tenho dito) as traves do sobrado, 
pondo as pontas no chao da parte da ribeira e ficaram elles ali debai- 
xo das traves do sobrado coberto de terra. Quando cavaram deram 
Ila ponta d'uma trave d'aquellas cahidas e fizeram um buraco para o 
vào por onde logo os ditos 3 homens sahiram, comò viram a luz pelo bu- 
raco; e alevantando as maos comegaram a dar gracjas a Deos de joelfaos, 
pasmados de ver gente, e a gente pasmada de ver a elles amarellos, 
mirrados, e quasi sem figura, com que se levantou entao um grande 
grito, choro, bradando todos a Deós por misericordia. Tinha o Marcos 
Pires em um saquinho tritita mil reis em dinheiro, e tornando a en- 
trar pelo buraco o foi tirar. Contam uns que o pae de Nuno d'Athou- 

Vol. I— N.«4— 1879. 8 

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340 ARCHIVO DOS ACORES 

guia Azera tirar do navio poucos dias antes de se alagar a villa por 
urna divida que Ihe devia; o qual vendo-se fora d'aquelle obscuro carcere, 
corno desenterrado, vendo o pae de Nuno d'Athouguia se foi para elle 
indignado dizendo: — ó homem, tu me matav;as, tu me matavas; — e 
que capitao Ruy Goncalves o quizera mandar prender, pois tirado da 
prisao de Deos. tinha indigna(j3o contra seu proximo, mas nao o cas- 
tigou entSo, sen3o com branda reprehensao: por que todos os cora- 
Qóes entao andavam brandos. Até o Capitao, chamando-lhe algum — se- 
nhor, — respondia, «nao me chameis senhor, que so Deos o é» . Per- 
guntados estes homens que pensamentos tinham, ou com que se man- 
tiveram debaixo da terra aquelles nove dias; responderam, que cuida- 
vam diversas cousas; ou que o mundo se acabara e fundira; ou que so 
a elles acontecera este desastre; e finalmente que nao sabiam o que 
cuidassem, tao confusos estavam sem saber o que acontecera, e que 
se mantiveram com biscouto, que tinham feito para a viagem do mar, 
e bebiam agoa que gotejava do lodo; e recolhiam em urna panella, a 
qual misturavam com um pouco de vinho que tinham em uma pipa, 
quasi jà feito vinagre: nem sabiam determinar as horas nem a manlia 
do dia senao pelo cantar de um gallo que comsigo tinham, e a maior 
pena que sentiam, èra por que das pessoas que no sobrado moravam, 
flcou uni homem meio mettido em um buraco delle, e gritou tanto que 
elles tiraram do buraco; e vivera com elles tres ou quatro dias; a- 
cababos os quaes falleceo; parece que de ir jà ferido ou pisado; e en- 
ire si tiveram os mais dias que ali estiveram, soffrendo com grande 
pena o seu fedor; o qual morto tambem tirou o povo logo e Ihe de- 
ram sepultura. De escaparem estes estrangeiros, e morrerem os na- 
turaes pare^^que para acoutar elles, mandou Deos este castigo e 
grande agoute por espelho e exemplo para uns e outros se verem, 
e todos juntamente temerem o juizo de Deos, e se emendarem. Como 
entao n5o havia nenhum dos que ali se acharam que nao estivesse 
mui contricto, porque com grande contricgao e dòr de seus peccados 
partiram d'ali com a quelles homens desenterrados, e com devota pro- 
cissao pedindo a Deos misericordia até uma ermida de Santa Cathari- 
na que no arrebalde ficou em pé, e Ihe ser\ia entao de parochia; onde 
todos deram gra^as a Deos por escaparem uns debaixo da terra; e 
outros sobre ella. Estes homens que sahiram vivos n'aquella loja se 
foram depois para Portugal, dizendo que nunca cà tomariam; e logo 
d'ali a um anno tomaram; tal esquecimento costuma trazer comsigo 
perigo passado. 

Um Jo5o LourenQO Tigao ftigìo da cama nù para a banda do arre- 
balde, onde escapou vivo comò outros alguns escaparam de que nao 
soube OS nomes. 

Uma mulher chamada Filippa Gongalves flcou debaixo d'uma caza 
soterrada, e tirada d'ali viveo 50 ou mais annos perdida a falla sem 
mais a cobrar, somente dizia tudo o que queria com està voz — te faz 



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ARCHIVO DOS ACORES 341 

te faz; — tambem sabia dizer sim e nao; sem mais poder pronunciar ou- 
tra palavra, e ainda cpie perdeo a falla, nao perdeo o juiso, nem o 
ouvir, e outros sentidos.. 

Como tentìo dito por haver muitos mortos debaixo da terra e mui- 
tos seus parentes, que ficaram vivos em outras partes da ilha, que 
pretendiam herdar suas fazendas, durou a cava d'aquella mina toda 
um anno, e andando cavando acudiam ao mais necessario; principal- 
mente aonde os caes uivavam, sentindo os homens que bradavam de- 
baixo da terra e alguns mortos. 

Uma mulher tirando de caza uma menina, que cria va, e nao era 
sua Alba, ouvindo o tremor a pós sobre um carro, que tinha a porta 
e tornando dentro a buscar outras crean^as, veìo a terra e levou a ca- 
za e a ella e ao marido e filhos, e escapou aquella menina ali sobre 
carro. 

Contador Martim Vaz Bulhao, mandou cavar em uma caza onde 
acharam uma moga pequena ainda vìva, aqual nao podendo comer llie 
deitaram leite de mama pela boca, e nao o podendo levar faleceo d'ali 
a pouco espaQo. 

Muitos pobres cavaram entao ali, que pela cobiija que Ihés creceo 
ficaram ricos do què escondiam, dinheiro, alfayas, roupa e vestidos 
que acharam, e algumas pessoas logo depois de correr a terra sobre 
aquella villa, viam de noite andar muitas lanternas, candeias e lumi- 
narias aj^cezas ao longo do mar de Villa Franca até Agoa d'Alto; e nao 
cahindo na conta do que era; uns diziam que seriam os fieis de Deos 
que ali andavam (comò supersticiosamente o povo ignorante costuma 
dizer) ou almas dos que ali morreram. Mas depois sé soube que eram 
homens que n'aquella praya andavam buscando alguma fazend^, di- 
nheiro ou pefas das que a terra levàra, que o mar depois ia desco- 
brindo. Desta maneira ficaram alguns pobres ricos d'aquellas mìnas, 
que as ondas, e mar, e nao seus bragos, cavaram, e outros muitos po- 
bres das outras partes. da Ilha ficaram tambem ricos còm as grossas 
fazendas que herdaram por morte de seus parentes ali mortos. Assim 
ficou aquella populosa Villa feita um campo raso, comò onde Troia es- 
tiverà; que depois servio' e serve de ricos pomares de fructas de di- 
versa pomagem, e a Villa se tornou a povoar mui lustrósa comò agora, 
é, da outra banda da ribeira da parte do ponente, onde o arrebalde 
estava, e ficou o arrebalde Villa e a Villa arrebalde, e para amimar 
OS homens que apovoassem e nao se apartassem d'aquelle logar com 
medo, eirei os dotou de, muitos e mui largos previlegios e Uberdàdès 
eguaes, e maiores ainda que os da sua nabré cidade do Porto em seti 
reino; pela qual causa se acabou de reediflcar e fazer mui prestes mais 
sumptuoza que a primeira; que agora florece habitada, povoada, regì- 
da e governada de multo nobres e honrados cidadaos e luzido povo. 

CDr. G, Fì'tictuoso, Saudades pa Terra, L.« 4.*^ Cap. 70 f. 344, M^.J 

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342 ' ARCHIVO DOS ACORES 



T)e outras perdas e damnos que o mefmo tremar da terra fe\ e caufou em 
outras partes da Ilha de S, Miguel. 

Nao sómente subverteo a terra, que correo, a Villa Franca, onde 
afogou todos OS seus moradores, e nao escaparam vivos (que se sai- 
barn) senao os que atraz tenho dito. Mas tambem quebrou terra (com 
impeto do espirito que causou o dito tremor) em outras partes da 
Uba, onde matou a muitos, corno foi na Ponta da Gar^a urna legoa da 
Villa Franca para o nascente alem da freguezia onde se charaa as Gro- 
tas-ftmdas, ali quebrou um grande pedalo de terra^ que levou casaes 
e gado, e quanto achou diante, e morreram alguns moradores, entre 
OS quaes foi um Joao Alfonso muito rico e de condigào com que nin- 
guem podia, todavia pode a terra com elle e foi este tremor a horas 
de terga, e indo ftigindo duas mulheres, nao poderam escapar; porque 
as alcauQou a corrente da terra; e assim em cima della (comò quem 
vae em corgao) a vista de muitos as levou ao mar. 

A quarta feira do diluvio de Villa Franca a horas d'almogo tornou 
a tremer a terra muito; e na freguezia da Ponta da Garga no logar 
que se chama as Grotas-flmdas arrebentou outra faldra de outro pico, 
que se chama o pico da Velha, porque era de uma velha viuva, aiu- 
jher que foi de Joao Aflfonsinho; e levou a caza da mesma Velha, e a 
^ca:?,a de Afifonso Raphael, e a caza de Pedro Affonso, end que morre- 
^raiQ 30 pessòas pouco mais ou menos; e Pedro Affonso sahindo foi ter 
;a urna caza, onde morava uma sua filha, e mettendo-se dentro com a 
filha, di&endo — metemo-nos, e nao vejamos a morte, — correo a terra, 
.e rodeaijclo a caza ali flcaram ambos e escaparam vivos. 

Neste terremoto no mesmo logar uma Alba de Affonso Raphael se 
vio vir enei ixtómgas de camisa viva sobre a terra até ao mar, e desap- 
ipareceo assfen. .«^m a mais verem. 

Logo aleopi dajB Grotas-ftindas aonde se chama o Loural, correo 
;tambem uma jQroibja, e morreo um Sim3o de Santarem rico lavrador, 
,que ali vivia, e loda a sua familia. 

Na Villa d'Agoa de Pan que està mais visinha de Villa Franca para 
a parte do ponente, c^io a egreja, e multa cazaria, e morreram nella 
14 pessoas; e na Bibeira Cbaa entre Villa Franca e Agoa de Pau, em 
uma caza que cahio, quatro, 

Na cidade à% Ponta Delgada que entao era Villa, cahiram muitas 
^azas, e morreram algumas pessoas. mesmo aconteceo na Villa da 
Lagoa. Na Villa da Ribeira Grande n3o cahio dentro nella senao um pe- 
dago de uma caza; mas na Lomba de uma banda e da outra nao flcou 
caza que nSo cahisse; e so uma pessoa morreo no Telhal, que foi um 
fllho de Balthazar Vaz de Sousa, ainda menino que andava na escola, 
chamado Nuno. ^ 

Na Villa do Nordesle cahio a Igreja Matriz de S. Jorge, e quazi to- 



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ARCHIVO DOS ACORES 343 

das as Igrejas desta Ilha cahiram, e muita cazaria em todas as Villas; 
onde morrerara muìtas pessòas, de que nao soube o numero. mes- 
mo estrago foi nos cazaes que estavam pelo campo, e nos iogares, ou 
aldeias, onde nao houve caza em que nao houvesse perdas e gemidos, 
e nao houve grota nenhuma assim da parte do Sul, comò do Nordeste 
por onde nao corressero ribeiras de lódOj que os homens nem as bes- 
tas podiam passar; porque atolavam nellas: mas deitando em cima paus 
e taboas conio por pontes até que depois seccou o lodo: e fizeram ca- 
minhos. Levou a terra que corria arvores muito grandes ao mar, 
paus, pedras, gados e cazas, e matou muita gente em muitas partes: 
movendo-se a terra com grandes abalos desfechando comò trovao com 
grande impeto, e furia, ferindo fogo com tanta forca, comò pelouro de 
bombarda corriam as pedras matando, e desbaratando quanto acha- 
vam diante. , 

Indo do Nordeste, que està ao Nascente, p^ra o Ponente, està pri- 
meiro o pico de D. Ignez, mulher que foi do capitao Jo5o Rodrigues 
da Camara: e apoz elle o pico do Barbosa, ambos no lemite dos Fe- 
naes da Maia, e logo outros dois picos de Luiz Fernandes da Costa es- 
tao no lemite da Maia, que é termo de Villa Franca da banda do Nor- 
ie, um dos quaes està ao Levante outro ao Ponente perto um do outro, 
Sem haver entre elles mais que uma ribeira que se chama a ribeira fun- 
da, por ser a mais alta que ha da parte doNorte: que ainda que a ribei- 
ra da Salga seja tambem alta e funda, é mais larga: mas a ribeira funda 
é mais estreita, pelo que parece mais funda. Esborralharam-se estes pi- 
cos, e correram, cobriràru e alagaram muitas terras de pao até ao mar; 
junlo do qual quebraram muitas rochas que dantes tinham tamujaes, 
azevinhos, urzes, e outras arvores; e todas quebraram desde o Nordeste 
até à Villa da Ribeira Grande, fìcando as rochas limpas, e esburgadas 
de todo arvoredo comò agora estao. Levòu a terra, que correo, 
muito gado e curraes ao mar, e os moinhos da Maya onde estavam 
dois cazaes, em que podiam estar nos moinhos e cazaes até quarenta 
pessoas, porque identro nos moinhos estavam sómente vinte e duas e 
escaparam so dois homens, Joao Luiz, e Amador Martins, filho de Mar- 
lim Lourenco, e com o tremor cahindo urna caza, colheo a parede de- 
baixo uma mulher prenha cazada com um calafate, chamada Cathari- 
na Affonso, e Ihe fez deitar a creaiiQa pelas ilhargas, e arrebent^ndo 
assim morreo logo. Chamavam a estes picos, e chamam hoje em dia 
picos escalvados comò agora estao pela terra que correo delles; e 
tambem picos dos Costas, por serem de Luiz Fernandes da Costa. 
Estao no termo da Maia comò jà disse, os quaes abriram e deitaram 
de si terra comò barro amassado, com a madeira que era si tinhaln, 
fìcando escalvados: e cobrìram quantidade de doze moios de terra ao 
redor desde a cumieira até ao mar, correndo mais quantidade para a 
banda do Norte e do Levante, que para o Sui, e ainda hoje em dia 
estao escalvados sem madeira, sómente com alguma herva, e nao tem 



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344 ARCHIVO DOS ACORES 

biiraco nem cova alguma, mas correo a capa da terra de cima comò 
pico do Rabagal que correo sobre Villa Franca no mesmo tempo e 
dia; e na terra corrida nasceo algum matto meudo, comò uveiras, 
louros, e tamujos, mas nao nos picos, que flcaram seni o matto que 
dantes tinham, e sem outro algum que depois nascesse. 

Tgmbem outro pico de grande altura nos Fenaes da Maia, chama- 
do pico do Barbosa, se abrio no cume delle, e correo terra por to- 
das as bandas, nao que abrisse boca, senao ficou, Beando em cima se- 
mente um taboleiro de largura de dez palmos, e de compridao de 
trinta, comò dantes estava; tudo o mais ficou esfolado, e correndo co- 
brio quantidade de terra lavradia até seis moios, enj tanta altura, que 
depois lavrando aquella terra nao apparecia a madeira. 

Outro pico chamado da Senhora, por ser de D. Ignez mulher do ca- 
pitao Joao Rodrigues da Camara, correndo tambem levou multa madei- 
ra, e cobrio quantidade de dois moios de tprra, e matto, flcando esfolado 
da superficie de cima somente, sem ter boca alguma; pelo que se ve 
claramente, que em todo aquelle tremor, estes picos e os de Villa 
Franca, n3o arrebentaram, mas coni o tremor sacudiram de si a capa, 
e solo da terra de cima d'altura de uma lang^; e ficaram n'aquellas par- 
tes, que quebraram, nùs, esfolados, e escalvados, comò hoje apparecem, 
onde semente criam algum azevem, e alfacinha, e alguma herva curta, 
comò trevina, e outras hervas, que o gado pasta: mas nao madeira 
alguma, comò dantes tinham. 

Estando os filhos de Luiz Fernandes da Costa, da Maia, ao longo 
da ribeira do preto; que eram quatro, Luiz Fernandes da Costa, Gas- 
par Homem da Costa, Balthazar da Costa, e Francisco da Costa, e coni 
elles um alfayate chamado Rebello (estando seu pàe ém Villa Franca 
onde morreo o dia da sua subversao) jazendo todos em uma cama dor- 
mindo em uma caza terrea pegada com uma torre sobradada, coni 
medo dos grandes tremores, que Ires dias antes haviam botado fora 
uma madre, que estava posta por baixo das paredes, corno seta ligei- 
ra, do solhado e traves da tena; con) aquelle grande tremor da iioite 
da quarta feira (em que se subverteo Villa Franca) cahio a torre so- 
bre sobrado, estando em cima delle um seu irmao chamado Belchior 
da Costa, de idade de 18 annos, e estando uma imagem de N. Se- 
nhora dependurada em urna parede da torre no sobrado, quando a 
caza cahio em cima delle na cama onde jazia, sé achou na rua corti a 
imagem de N. Senhora na mao; e assim escapou com uma feridà se- 
mente na maca do rosto; e o alfayate Rebello coin o medo que teve 
Ihe deu tao grande tremor que Ihe durou alguns (dias), sem podei* 
corner nem beber, até que por flm fallecéo, e os mais que estavam 
em toda a caza, homens e mulheres escaparam sem perigx). 

Defronte desta caza da outra banda da ribèira do preto, que està 
junto da ribeira funda, morava um Sebastiao Rodrigues com Izabel 
Teixeira sua mulher, naturaés da Villa de Guimaraes, do reino de Por- 



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ARCHIVO DOS AfORES 345 

lugal; e jazeado na cama dormindo com dois filhos de pouca idade en- 
tre si, vindo aquelle grande tremor, com que arrebentou a terra em 
um monte ali perto parlio a caza pelo meio; e cahindo um tirante so- 
bre pae, e mae, e flihos, os tomou pelas cabegas e ali os pizou e 
matou, passando a terra por cima delles: e assim os acharam deitados 
na cama mortos, e a trave em cima, e toda a bemfeitoria da caza foi 
na volta da terra caminho do mar Beando s6 um pedago em pé, onde 
escaparam um seu genro, e sobrinho, chamado Fedro Affonso, e Ma- 
noel Martins, e tambem um filho do mesmo Sebastiao Rodrigues, cha- 
mado Hieronymo Pegado; com a caza ficou tamanho espafo; comò seis 
cu sete varas de medir terra que se nao cobrio da enchente, onde es- 
caparam quatro bois sem perigo. 

Na mesma noite no logar da Maia (onde cahiram algumas cazas 
com tremor) se pegou fogo em uma caza de um Joao Lopes, pes- 
cador de batel, ónde estavam dois mil réis em tostoes atados em um 
panno em um escaninho de uma caixa que se acharam ao outro dia der- 
retidos feitos uma pasta. Este logar da Maia està sugeito a tres mon- 
tes e alturas de terra multo grandes, convem a saber: o pico do bar- 
beiro, e a Lomba do Funchal, e a um monte, a cujo pé nasce a fon- 
te das pombas, chamada assim por virem muitas de diversos logares 
a beber nella, de que se serve o dito logar; e nenhuns delles correo 
pela misericordia de Deos, mas outra terra arriba multo longe delles 
conlra a serra, e multo cha arrebentou e correo pela grota, que vae 
ao longo do logar até dar no mar? sem perigar caza, nem pessòa. 

Foi tanto o lodo, e terra branda e molle, comò lama, que deste 
diluvto correo, que nao ficou caminlio nem herdade, por onde se pu- 
dessem servir, nem andar. Estava ali um curral ao longo da ribeira 
de Lopo Dias, avo de Lopo Dias Homem, da Villa da Ribeira Grande 
onde estavam quarenta vacas paridas com outro multo gado para as 
ordinharem o dia seguinte; todas foram alagadas e afogadas da en- 
chente da terra com todo o outro gado, sem mais apparecer al- 
guma. 

No tempo da desolagào de Villa Franca se alevantou na Achada 
pequena um redemoinlio de vento tao grande, que se d^itavam as 
pessoas no chao, por o vento as nao levar: e levou duas raolheres, 
uma filha de uma Branca Gongalves, que chamavam Marqueza; e ou- 
tra de uma sua visinha; vendo-as muitos ir pelo ar, cahiram no mar, 
e nunca mais appareceram. 

Uma mulher, mae de uma Leonor de Proenga, que morava na 
Maia ficou debaixo da terra com um frade seu filho, sacerdote de mis- 
sa, alguns dizem que ciuco dias, onde o filho cónfessou a mae, e esfor- 
Qou, dizendo que o coragao Ihe dizia que haviam de sahir d'ali, e as- 
sim foi, porque no fim dos ciuco dias, cavando naquelle logar os tira- 
ram e viveram depois muitos annos. 

Um Gaspar Homem da Costa, filho de Luiz Fernandes da Costa, 



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346 ARCHIVO DOS ACORKS 

UHI dia de reis, na era de 1523 annos, perto de quatro mezes depois 
da subversao de Villa Franca, indo para caza de ouvir missa no logar 
da Maia, com seus criados a buscar de jantar, acharam treze alima- 
rias entre bois e vaccas atoladas ale o pescogo no lodo: e se occupa- 
ram grande parte do dia em as desencravar, e tirar, com do de as 
verem perecet*. E em outras muitas partes aconteceo n'aquelle inver- 
no mesrao, e nestas partes se alagaram e cobriram (a fora as cazas 
ditas) muitos pomares e colmeàes, que nunca mais appareceram. 

Nas Furnas estavam em urna cafua dezasete pessoas, e estava 
por senhor da cafua (que era caza grande) um Joao Delgado, homem 
preto, de muita verdade, e bom christao, que fazia muito gazalhado 
a todas as pessoas, que ali iam ter àquella criacao de seu Senhor cha- 
mado Fedro Annes Mago, pae de Fedro Annes Mago, Vigario que agora 
è da Villa da Lagoa: uns vardeavam, (1) outros eram gpastores, outros 
iam para outras partes da Ilha, e aquella noite acertaram de pousar 
ali; e com o tremor morreram todos, ficando so o preto Joao Delgado, 
vivo, que escapou mui escalavrado; e sendo depois forro falleceo no 
logar de Rabo de Feixe e foi enterrado por sua virtude dentro na igre- 
ja de cima, que entao servia de parochia. Na mesma noite da desolagao 
de Villa Franca arrebentou junto das mesmas Furnas. (onde se chama 
a Lomba das Camariuhas) terra de compridào de um tiro de arcabuz 
com tanta altura e concavidade que as arvores que nella estavam na- 
da se moveram nem arrancaram, mas assim pela ordem em que es- 
tavam correram por uma terra cha, passando duas ribeiras; a ribeira 
quente e a fria; e cobriram mais de vinte moios de terra: e ali cessou 
a corrente da terra, mais abaixo para a banda do mar, apartada do 
logar, onde dantes estava com as ditas arvores, que nella tambeni 
dantes estavam plantadas; algumas das quaes se cortaram depois, mas 
durou muitos annos uma grande fava, verde e fresca, junto da qual o 
negro Joào Delgado fez outra caftia; e na mesma faya que correo so- 
bre a dita terra dependurava os cabritos e cabras, e caine e pao, e 
miudos das rezes, que niatava: a qual faya, contam os antigos, que 
ia nn dianteira da terra corrida aquella noite de tremor. 

Um canario chamado Fedr'alvares (Fedro Alvares) naturai de Te- 
nerife, que foi de Joao Alvares do Sai morador na Villa da Lagoa, 
achando-se aquella noite no sitio das Furnas, deitou quatro centas ca- 
bras ao pé da rócha, que se chama pé de porco, da qual com o tre- 
mor quebrou e cahio um pedalo, e soterrou as cabras sem apparecer 
mais alguma. Desta maneira (ìzeram outras quebradas de terra em 
outras partes da Ilha grandes damnos, mataudo gente e gado, pelo 
que se chama nesta Ilha aquelle dia do tal tremor— Mandado de Deos. 
Outros Ihe chamam diluvio; outros mysterio; e outros nomes diversos, 
e todos Ihe quadram por diversas rasoes. A Deos que mandou este 



(1) Fazer médas de lenha. 

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ARcmvo DOS À(:oR£S 347 

casti|[0 prometteram os povos d'està liha fazerem procissoes no tal dia 
cada anno, corno sempre fazem. Dizem qae morreram em Villa Fraii- 
ca cinco mìl almas debaixo da terra, o que nSo parece poder ser 
nem baver ent3o na Vilta tanta gente; pelo qne dizem otitroé, que en- 
tra neste numero toda a mais gente que morreo em outras partes dà 
Uba. Mas o que a mim me parece mais certo é que neste numero de 
cinco mil almas entram tanóbem os que morreram na peste, que de- 
pois veio, e come^ou no amio seguinte. 

No mosteiro antigo de SSo Francisco de Villa Franca do Campo es- 
tava urna imagem de Nossa Senhora, de grandura de urna menina de 
quatro ou cinco annosi, a qaal no dia da subversio da dita Villa correo 
com a terra ou sobre a terra, do aitar onde estava até o mar; e d'abi a 
perto de um anno ou menos foi ter a Tenerife, urna das sete Ilhas das 
Canarìas, oùde ii^ «ns pescadores natur^es de Orotava da baad^ do 
Norte em um bftreo pescar a bftndado sul no rio de Adeixe, qae é 
ama fregnezia; andando pescando Tìpam ao longo da costa en uma 
praia de' area iNranca (éomo algumas ide PortugaL) entre o sarga^o^ 
que mar deità fóra ni aréa^ «n volto com 'fei^aa de cabe^a de 
pessòa. e pareceddó^lhl3-ierihometn-iDU iliuiher^ sabio do bahce lun 
dos companheiros fora a ter o que era e acbott scr mm teageqi 
de Nossa Senbora! e metendoia no bar^ sua ten^o ek^a levaNa a seii 
pn^rio^kig^F ide Ondtaya,^ onde elles mora^amc; indo psa*a là^ foram 
ter a lim retife^ que éiumaliahia no poniate édarAchtco, oittra Ire^ 
gueziai tainbetoi^a banda de norte corno quatr&leguas d'unifft a outra. 
Sahinde ali^ &>wndèndo>BeE> pescàdo^ tomMdo: refiiesce sema faliar^n 
iia^^al^ qoe levavam; quandoloìaieahidapeqft'fóraéeQBarachicQ^ 
ponmais que remavamo niapiMtoam «abir; pelotfmtu^tandto que a 
imagem, que levavam era catasà glisso; seiigiéarafn'b tarsie contai- 
fuift ^ipòYù' de tìuaraehioào '^eJbe liavkt; siMcadÌda;f>fat»odo^ sa- 
beikipa saoerdoteiv e j«$ti^ ^é€iilàfi»veiD l(ri6.6?fbiKH e entendénda 
tài^- qoe-era f^niùBsSo-e Toalade ée fi^s flcttr aTraqnèHa imagem 
de-N.:^nborai niaqoéHe logar^a levavam em pHocissSo muìlo solemne 
do»1>ai%b até a> igreja Lmaior qiie*étéaittT06aclk) de Santa: Anpa; e a)ì 
pqze^am mx aitar àtmagem da filbacénié fmtura da»liae Santa Anna 
onde agora està. Indo d^iatt>d4stai}tai>ra;un>faom€ìm! (cujo nome B3t> 
pude^saber) t^ a f4meriìè,r.àqualsi8gar'4e:Guairacbico, e Tendo ^ 
aitali moridfaquella igneja ddrSatlasJlflnaoaqttella timagem de N. Se* 
nliortf a coÉilìeocp pormn eertoitsigMly que iMia,; què era amesmai 
((bè ¥ira «o oposleipo de Sia i^aiicK»'4Q Villa Fianca do Caniipò de^ 
ta^ Hba de S^ Miguel aKtes ido tretnor de: ferra, 4ue a subvertera; e 
assim Odesse a todd pdvo de Guarachico: dòade oome^ou a» sér 
tida aquella iiMgém iemmais ven^^ao» qtie daiites; por saberem 
qué'de tal «femon e Ab tSo Idnge a levàra Deós «peiot tear équel^ 
las p4rtes> e se fòi^a («wfngira)' desta terra, comò se foi («ufogìo) 
Santo Sacramento^para outra parte, e levàra pelas aguas dò mar 

VoLI—N.^i— 1879. 9 

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348 ARCHIVO DOS ACORES 

a filba para a agasalhar é ap09^tar na <:^za de sua. mae Sàata 

t . (Or. Gaapar Fi^uctuimf obrof jpiié ' LJ 41^ Cap. Ti, f, S4& V4 do 
Uanmoripkf ùtUograpko'J: ' ;;• m -u ^^t'n : i - >. 

• -. •■ .• • ' •<.?.. '• Si?..; -'.W .51 ... • .. ' : • 



• IkL iaitsà deste' trerHor'dèrtèrf et/ ^è'-éuk^Meé Wlà*Fràtfcà, me. '" 

T«r e dlban pai^à està liba nfaqi^ieS'dipsc^- )COilM)<eita va esfeM^ 
assiip a lerfsr.do pao, eoitaoa do^miiUb/eipecifl^nìeitcl as d» ser^as, 
0oivid» ed> baiteiras e qsebradars, :¥enmi|)a8;t».paFda&/ lK;ia nmito 
espamto; e arada qlKf.algiids dìzeoavuipie ostpk^s esa^adoe correram 
aquelle idìa sòbré a Maia^ todftvia aÉ;r@t»iriBrinaiii^iié Jft oram esoal- 
T»lo& dadtes, e qtie^ na diaìda desotofaadr ViHdiFitaneai de urna boca 
qua esÉa iwìa Ugoa k banda da ^serra sabre a Lòural da Maia, que 
tera em redDudd qnatro ou (mooialqueHiagtde^ terra ameittipe^ c^ao, 
arrebeutòu a terr»^ queM^erreo, eJevebtdois nékibDsttai Miria^ etma- 
teit a »^te ati^ dita; lev^iadq e eobifadonmitas. poMtes» eifiguei- 
ras: :qu& por ali estayam e .'oq menno* tempé ^cobneu^ a quetiiiidai da ter- 
ra< héb 'FKff»a& evtt^i a tlwo» graDde<e;ae ^ita^Fiinias^ a le¥()aiiim 
graiide :e9pli9# é^f^wpmfSKABt^seìsr^ si bon^ias iarvi&iied «pp ariiaiesta- 
^am. plantaidaf; lle«i|80itqdai«tMiordeÉi»^^.^ 
mudar algmià daiMnlofir^eoma^tsté'^dìto.r ^ } .: / ^^ 
-i O^ MMte dasi Anna» pNirc«è,(}ta&MpandO'arrebei]itoit>no<tein|M^ ifae 
ee.déarebrìo 6$to Hbft, «taanfeerdctividesi^b^rta^cahiòé terra e pidme 
della jé ri^ pela niaitc^^^ ie «tetna /a Berrete,^ cpie^nasoa^ depd^ 
sobré B eit«fade> e-sebi^B-os motte9jmtaade'fM»iI<%aiiea; Qkncrànaio 
parece qué foi mitro m^^cfld6laff09à{eslita:^rand)$^ Lagoa da^Tur^ 
lus/ cotiio^iiK)Mrami aa qitpbrariasi e^ì^oiehas^ a^^ dellac e hF»iui 

destas parte.^ oa'*dairtPà9 ^raiitfifiiìpoiHié oólma ailtii|ui$simo8i terremo- 
tos óu:1rem(X'e8 asitJBs de^(ser:«(ri)ai»iQ8la lÉa^^ a terra e potane 
^efolNrio estes motiteq aorador ée^¥iUk Franoa^uctemo ferra; adven- 
ticift^er postica <s(^re''«itesy e ctNii4>^trffiior ^grande, q^e^lri no. ten^ 
éoidihiino^ide ViitaiFi4ndà,/(pÉebi«t <a»:lèhna^oim0&iey qne «stài sofa^ 
eltaNie' eorlB&cto aebre- vìTìM m^sabrìb toda; «Ma Peata 'flaKìaf^a» é na 
Maia ((»)mo tefuhò 4Mo) fes'^ mestoo^ ondefé a tèrra 

mie córreosóbrei Villa Franca icata «marJopwbiriidaide uai jrièe^ que ee- 
ta>i0br0^«lla a qualiafio èo^oto,t^!MrPiè da terra ; naturai' do pieo; 
toasié terrà» qne parece que oahio sobre-a^wlle piìito^-e eoreitor de 
Villa Franca no tempo quando arrebeufearam as Fntnas; iru oatro8t>i* 



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ÀBCHIVO D06 A{X)R£fi 340 

cos ^B tempo de outros terremotos^ qoe ^ntìgametite houve nesta liha; 
antes della ser desooberta^f nem jiovoaib^io qm Caramente $e ve; por- 
qae a terra qae còrrèo sobre Viiia Fr<iiica foi qaebrada da face do fin 
co, e d3o é a naturai; mas loda eomo cinseiro misiurado odm pedr a po^ 
mes^ qoaeìn oatroteibpoiobD^eo «dbre aqueUe yko, doade ella qae*» 
brpu. Queoi vir a ^fuebrada^^oia nóssf qne fea nopk» eem a quatta 
dade^espaf» e id^iwa^ ipUfteod» iogo )<ilgarìk> iffe basta |iara cdbrìii a 
\91a, e^fazer o dattD0;<pl6 fiaz^aMp sabiF ouira d6 oeutrOi pois nSo ha 
ab) nenbumainostxta hqhv biil«cp^|i!at QBdeA^aiM sabisse; e^^teda <|iié 
pai'eòe pQQca arUtiiitai que ^oorreo ^^ monterassìiii'piinece pmea pedra^ 9 
que tem uma^ cata iaita/ por quo eat&:>to(ia atfrnmada; nella, wm A^ 
M\à% aaaa^TQn aates^de fie^toer^Mbe^avraa^e^as, enio eabe>iiaa 
pragas. !Aswii!a terraiieataTatàb 'diFru^ada.afa^afiUo ei eapalbat 

da dali cobrio prafias^^ roas!d« ^xla a .vìila, e ^Ito que pairece éstar 
a terra «Mutatilo. «lof^^onde ffitè^noavaiidkva ae ^wiia tamida; à es- 
palbadà parMe dodo, comoifot! a kper. corrai \6obne/ Villa Branda Moadif 
daccm albini espirìloVov ^nUh qtie^ naoraabéndoi nda oaiterBas.d^ 
ierra^ andwa^bsscatadoi^oganitletiUB la^o pataioatro, fqseoddr tnwctir 
a'teìrpaip(Bn'a'tC0<iado«9 le QaOit6Ì|idO'4aRta f(wca^t^ leiEer lOt 

gar. e^fcoonkporiiOBde sibiaeia^! fezi.saottdiria: teqr^»do:i^ estat 

va j9^fe;yiUa*f!rattea'« O'^dài Peata da <j«n}a,'6ip im fiarsaa, e^o4a 
Malarie feqepeoiiOb datiuiod.<|i^e teiibQ4itotp9nqiie4Xìa)atliz iti^toteleu 
nb' aeguado*{}i«roi doenMetbeon^ ba diaas miputira». de^tteferneiinfe^ 
unar»qhai«e icto|DAi«tireiaoPr<jiiaiido «lei.inoye aiten>a pwa «a lad^s «om 
grawtef^s^pnritos ou/* vairtOi;' que^eat^ debais» da», eaiveraifi dettai 
qtifli(feaidìinnà>tirtaM>n «i qB&.aaenteef 'j^oiioaaiìtozebivponiiie' pMcas 
vezes is«i]ajBiita^ muitof efl|tir4to^',ou Tisuto^f qne >tàla «anaa* ,*•/■: 

i^l^ttlppA wariwra'deitrataQr bì ide^aiiàQ;fara««ìmft^ panfiia .aerxequer 
mtrild pfliDaìpi<»'eiDUiitaiei^$loi<)(ipgrie^da dfl^ 4^ S6|^da cosr 
ta dft (ieiT^para <iuealaoa'tfrreboi^^ s^lgruodo breimr'df 

terra Hea|a:ilha notesq^do-eapitl& SfemwL da iCaittflra (ìsopiii'a^seH 
tctaipahdirei) ofida atré>%ot0C9m 9& nmaim^'ei.ùe^ràa ifu^tévf^ 
defà, tomo^i(i^ìM^Oi{qmi}^imm^ Ainda 

que o arrebeotar da terra, que entao aconteceu, foi cauaadujnao^d^ 
eiialaN^a, aem iespi»tojoii^eBtovisai^ de^ saiiteò«iA en- 

xotntiqpeiemsùetdù ■tfilo^aa2ì;agisf6rjrai,'se(afi6eadeo^ poda san 
qae> aeaoprada .de^:al0m>asi texata^ lego ^ beo^ 

b^Rda deitos paraioìmaliala.iriteirna^ « ^ar^vctn^ quo solare al «dio 1^ 
mM|te tMiar OMiO' aaóftfeoofvmvdeata loatieina iqqaat todoa aa tenfe»- 
nioieaid«Bta4llha a8Éas*;(to!^ aebadai. que fpram tantpa ;tpMoi06.aab 
mi picoBi ideila; aM|o eUta^^ikaQ dando , testeiDÙiibo. com : as^ tocaaa' ^k^ 
leiaabertis. ;Mm dsltrt^iwioto de^X fin eausado por 

fe^»^ tseiiao iN)r far Mtariaìto uas* ^^cavìdades da . tepcit» qoe: tea^atdp 
respirac^o por onde resfolegar, lidando e pr,OQurjiHlQftee[porta!»piB a 
abràr» i^or.nlo Berem piuita qui^idade, g^eiidio. a còdea d^iterni do 



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3S0 ililCHIVO DOS AgORES 

monte, que tenho dito sotNre VtHa Franca; nSo correndo direita ao mar 
senio ^0 ponente (onde ^ monte està) para o oriente um .ponce es* 
paco, passando «id rStoira, até se por sobre a Villa ao pé da serra; 
e alag[ando «ti j^rimeiro o mosteim de 8. Francisco, come^on a descer 
direito^aomar, e de oiimiAo 0(Arìe »' ViUa. ; Nem terà mai« quanti- 
dlrie*toda està terra* corrida^ qoe a qne se ve fiittar no monte; o<|ue 
julgaiii qnem bèm Ofinaer considerar^ e afBrmarà qne nenhuma ter- 
ra sahia<dQ centro é^ dito monte, fieis^taidt^m aio està feita n'elte 
booca^ «ri^fuma,- por onde* kaliìs^e. lem pedia ser este trenior caosado, 
por^e>eo»irerter'algipma agoa,' ouilirimeriiias cavidades; e opacidades 
da 'tevr«, com* pr^pon^ diBctpia:, em dezj tantas de ar^ e n8o ca- 
bendotflo mesmo logar, -Jàzer Qremera tmra^ e^év grandes gol^s 
parìat'pS' lados^ boselaiidlo parte para s^in e>Bem a teensaeudio-a t^- 
ra dos lado^ de^ta^llhp nos If^ares que tenbo eoirtado. 

* A oaiwa^Kios vrnitos ^ dotrcmor da tara deelara maravflfaosanien* 
tè o Mestre AieilK)VYanbegas no sen^livronaturalaostrinta e d<MS ca- 
pitiiios,; dìzendo'qi^!àimQneira'*de animai vesfotèg^,- e arrota alterna, 
iineroidìter'qrie .oste^)ìrftQs qne estavamiencerrai&s nas ooaeavidades 
dà terra, nomo Usto pederameslfiriempeqnénologar, bnscaram sahida 
mmo bqscaf ^ «rote 'qne- nSio cabe no torpe. «do anknah f^ssm «^s veiir 
tos sSo «ns aìtoteis que foea^erra, <»9qnaes sobrai^éa meategiao 
do ary-qiik eitàtmin frìaipelo^qualnao^^ode «ahir é'aliì-e petoconsé^ 
gnÉfile reèatem*se^alt7para'09 lados comoH^fttno que itop& ao itahado 
e: se «iqiiebr» pan os^ tedos^ umas vezesi^e aemiala^ipara m lado^ e 
outriifs*>¥0flesi ne parte em 4nas partes'cosArarias; e Mtnis veases se 
redolnra eqi circiàa\derraniado por todas as partes do? dmtto. Dissta 
mesma maneiraaeiufia^ie.ou tento,^'qaosobe*da^terrav«Wfqii^ no 
mei0iteièrali(io,> lottmeia regiXo;><porqiie p^densidada # espessura 
^ (lìò^tiifo a poie pbssar,^ p^ se toma à terra; 

e tn^rnanlo lai^etta^, se< ve» peiat parte i do «of^ntc^t.chaffla^se leste, e 
Be^yemiipela parte do ponente cliama^setoe&|le,Me sevetti pela parte 
do< Septànptrìioi <diama-se iwHrte,'e se Tv^tai* pela pairte do mefetdia 
ehaiìla-se' sid, \e assim tambeiii^ cobra lOtttroemomestnndOipor mère 
este^-quàtro^ • ' ^< .«> •>•' •• •-'»' «'^ .'•;••. '^ {>\--.\ ^^:. • . 

Aljl^às yezeseale arroto que^fasta^tevra, estii^aoience^n-édo nas 
cavenlasi da inesma terra,' quo nio >{ióde sMiir fndlmente; e corno a 

fpientiM da^cA'pen^ra'aignma^eo«M do-coifN^da ter^a^tr^^ ^ 
hnmidadesdàs ccmcavìdades^ e Hxmionio^oriyem jontas cem^as exala^ 
{oes ^m um Iógar>i 3i3o' saberemissamrale eiMno os^ordinaito espiri- 
tòs, IMI T4N|fole^' de» fife se faaèm os fentds;mas «scÉbo detnasìado 
apressuraÉìentoiiulo >Ì8< dio e^Qo nem vagar;' e querem isàhir a* tro- 
pe), >daimaneJiiia*qiie sahe lo èl$|(irit0' dottimi d(l>hoaiMn>^:«iaiieira 
qte'pQrtémoy diaePk|uè os'^ventos s3o^i oraiKariais anrola^ e o tremiM* 
eqpttritd* qua «fesia* terra,' : • .Jt;».-»:'.!-^; mm.; .'»: .>-'.•:•:• 

' Se^dnehemòs urna atcanzia dei agna^, e a pomos ao fogo brando, 



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AM:H|V0 DOS ACOfOBS ^ 351 

pouco 6 ponce sahe pela abertura o nrapor, mas se soldamos o agu- 
Ibeiro e o pomos aa fogo rijo, antes 4{Qe ipasse orna hora saltarà e se 
farà pe(iafos; porque 6 maneirado e^vro salurào v^^r. que aqu^n- 
tara do fogo bavia levanttado 4a ago» assim o(M0 . direnios qu^ t(|m- 
bemespirra o^ vapor da castaidMi <iae se^eitou. inteira no fogo; por- 
que o bomor da castanha convertido ém va|K)r m9o cabe em tao pe? 
queno logar, corno é na casca. Tambem espirram os ovos, qae se poe 
a rìjo lume e quando uio se Ibe lin^ra mn pouco da casca, para que 
pela abertura saia o vapor, que nSo póde eabei; em forma de vapar 
em peqiieno logar. Desta mesma maneira diremos que espirra a ter- 
ra demasiado vapor, que o caior do sol gerou em suas concavìdades: 
e, assim corno o homem, dà um, deis, tres e quatro e mais tremores 
quando espirra; mas é de notar que se estes espirros n3o sahem dir 
rectamente para a face da terra senao para os lados (porque muitas 
vezes andam de coia^avidada firn ccmcavìd^de o$ vapores e)Lpess(^ das 
menores em as maioreiiX ^i^tio se à^ propriajwute iremor da terra, 
mas se nao acharam concavidade aos lados para se estenderem, e alar- 
garem senSo directamente, sabirao à face da terra, este tal espirro se 
diz terremoto, 4m evpln^to^ ou empuxao, QOWique a terra i^eal^a tao 
alta, qu« s&itirade .ma parte^-^ por grande espafiO uptav^hn^nte vae 
pelo ar à^riata^^SiOibes a-sa passa a outra: por.amte woutafie faze^ 
renMe montasse Talies onde nSo os havia; cerrarMi^a:>iunas^»t^s e 
abrirem-sBiMtraa; fiindirem«6e povos e quebrM^morae^as mcb^ de 
pedra «iva, eimudarQin aens caminhos os.jrio^^ a.T6Ìicplb^*^por 
urna parte o;fliar» :e.aIafgflr-M por outra; a.Qiiti^lcóilsa».«ei9elM^ 
tes aeatitt.' -. '.i.!-- "<--' U > .; v*- i.ìj: •:- ..» :.. 

Os trempresiietecremoloa aoem acontecer quaiì^rdiiuuÀfiiiailte pas 
(estasilo muy^e n^ Vbu^^ pela abundancia do kvm^M^Q^^^ÌW do 
sol soe neiolver emtvapor.' Naa partes seccas qua astio iwg^ 40 WT* 
poucas vaaea. acoiMece tratner a terra: mas se precadeaaeia a 3. w 4 
annos de* seccai iifuei sa tquebitaase e fendesse a tarr», e apóa t6l|f)$ gao 
cedeaaem outreb tantos>d*afliaa, e apóz elles succedejsatm.^r^i&desi.ial-' 
mas, logO'saaegaìrìam IrMuoràs e terremotoa^^ ' i . . .. / . . 

Estes periffosi exBogi ^s raios, ventos e ilravoes/iìos. estSpi 4^q4o 
brados quevi^mesrqttdnio^bemos o dia n^m a<ha(>aitepa qiil^ aos 
hio de cbaman. :. Aidda >60oi estas perìgos e outrpa roiii4os,.qi|iiì(^cam 
ao home}D,rjiila.fattai^0m)S« deite a dormm.Mù-dc9Ci^do; oqpo 
flzeram*^ da Vétta Fjrailoa aifEidlla noite do tremoti qm.iiiiara.;^ nao 
houvera pem^fò nai^vida,» je^riorreram todos os. haaiani^ jnorfQr^^CQ^ 
provaveliilenté senpóde coidar^ que amaiam<a<Deas/CQRi;f}ioo(i.:pei^C0- 
nario, a'^nio jQ|ram:bòQaiiAe>vontade até os si^iniiatewliii^feiii^ e 

prepara^aa^ qiie^aSiiiiartes Mturaes soemprecedeRt?iiltafkt$idA^ùt.<X>- 
mo quem eatauda jum fKmco o praso, a im(umsat:ra}a«V9ffdi«(^^^^ 
ordenau,i^ue: M^tierremotos precedessem sigMasrquejlio^-^r^iO qoar' 
$e levanta aejm Veìito, sa asaves andam atondeadaa por te^ra;\s^ a 



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3S3 



ARCHIVO DOS A(0R£6 



agna dos pogos sahe turva; e &ialsieQte firecede um estrondo e tom 
do an temo no ^egundo^ teiraaaoto que contareii se eayio d'aates^ um 
e^trondo pk) arii'como aves (foe y3o voasàe» e baiando as nu^-^e ms 
bomenìS.pre<9id6 TafMk> deeabega e^debiittagao dos^ menotbro^. para 
sé qùep dota e^tes signafes se prevejsanir ie Ihes peet^^do mal pa^sado, 
e értìéMto tì ponrir. ^■' » > <» 



ItbmÉsctiplìù uàtopmpkdij ' /-r i . / . ' 












=^;! ' - r 
Tj !..- 






què (fé Tirftfè t^rècédia 

Era^ée «fil e qwftìiefiKM? 5 
é lintè ft'déiw»que Gorrta, - 
Tiirfe « «Dil^^Hftì^ à'mimbro, 
quatro de lua seria; 

quarta* felra^^HsieiJdtti, ' ' 
EM<ib«k)il«^tóai# terrai» - ^ 
^'X)^<iéo'ifttì5èl''pDdte^ - 
liidà ^mfe^tffM^e letsffité ' ^ ^ 
n*éa^ tfc«8'M stìitìa, -5' ^ » -• 
N5o corre bafo de venlO' « ^^ ^ 
nkfi teHièk de arvoré ^biHia» 
Esfrétóflo^fefeW^a b'ceo; '^^ '* 

tittVotti ifflo eÈdtinctar^j» 

ktàé nìàhham daas ii9ra5<r,> ^ 
Indanao awfe»l»cià^- :r n * 
Gam<ìm irettier'attsefi*a. - f 

E artìa^tert* feaJm?»- - ^ 
paté<ie!ii]o^milfe:3a^: * ;•. - ' 

Nem àbrè'ìma ntóhnèia v 



^ espmtoi qm isto Ii2ia; - * 
SaaidiorSÓBiedteal;epfa . 
! dos>^lado8 m ^iie» feita^ 
SEaeode a lerrar dos hBmbmsi 
GoHifO^peiiÉ qae SMti» 
o frio gigMte AlmouroM 
que- dbohaAo ali jaiaia j t 
Movem-se todas as cmMès, 
qeaAdo:is«a^^rpo movìai <- 
EbtfoièdkKiicptte fezaierifa,^ - 
:renÀ)sisip de qiie 4oraiia; 
quB 'der^p veJkO'caMado-r 
p^noaiquaiicb adons^eia, 
GoiTOo'ar terra éeitim jBoote, 
qiidié^rfta: Sierra: peadia^ 
.^i§om<kopeto fturipsa « J 
Isebneta urinasse esteodia.^ 
Mhcmm^ 'dar gritQs> - 
a gente qae ^e^afflìgia/ > ^ 
Di^S' GhaviaT»»' por fi^os» 
deUes por^ Sqi^ MaBÌa; 
iquaiiokF xbègQu a sàanha * 
■nenMwft delles ^parècia^ 
IMos t(»b0rles é^ toif 
*q de gpaada: pebedia» :: < : 
^e €t)Eréo dìaqmlla jterrav 
qàe- sobre a Villa jMia, ' ^ 



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ARCHIVO DOS ACORES 



353 



Essa gente qua escapara^ 
comò pasHiada nK»rpia, 

outra que vira ? Scavai 

Tivendk) assim'^nao Tivia; ; 
Àqui chega iFi:èl AjBbaeO; 
com a tmi qua tram, : 
da ordente da Sae S)iomiBg[0& 
de Toledo, reliizia,'' 
Esse pa^e glcMrioae ^ * - 
que da glòria j)dt*eciar 
para ocrnsolar o perni 
assim fallava «-^Ijzia.- • 
Gonfes»aÉv«9i inttìm jneos,- 
emqMiitQ^ilo& dura 0!<lia, -.- 
Rezae todos oroìmo 
da Virgem Santa M8H!Ìa; • . 
Edificai-lhe mna caza i : • 
indo a eB»^in fomaria, i 
Tomai-a pov taledora* i • 
que ella por vós rogarla; . . 
Tende nella coifipn^a; ■ ■ ; 
que certo voa Valeria/ • * ■ 
Nao acaba de-fallir,* 
quando' » easa -se fazia^ - 
Uos acant^atam pedni;, . 
outros madeirai^iporfia, .-^ 
TrabaftMK BdOQQft e^niiltos ' 
pessoas-^e, grio, \9tti^ ^ m : 
Até as flfiferea noolìelw i 
senriafU^sam ftmeiiay « 
Trazem telba do9 ti$ihad€fe$- 
que no «rrehBddeihwia; > ' 
Como formigas^lijlfeipa» >!r 
andanau iqueniimais faria;* j 
Tanto qmìen^^irucòs^dìaa^ 
a ermifl»jjà éenrta) ^«i -.> » 
Ik celebraaà éiissa, nelfo, kl 
jà là yao em rismariai .n -• 
GapitSo Ruy ifionfiahictS' 
que da^Oàmarase tìzia,, ? 
Como soid^sevi. sua quinta^: 
desta terta^ qfae cornasi - 
Manda sellar im cavallo 
a espora fifa corriay . < 
por soccorrer « sseu^poYo: 



. f 



que esta^a nesta agonia; 
E chegando a. Villa ErfiPQa . - 
do Canij^r^flinpo^ via, :ìi. . 
Campo ea.^ftesteve .Troia, - 
que sobérba aer $Qìm; r 
De mui p0pt]lasa3 eas^s / . 
nenhnma sà.apparfiGia^^ / 
Seus pacca fo«to».pQfitòrra,. 
terra, quejaiate&^cobria. . : 
Um seu filbo e 4lia^lilhaa : - . 
a que nallaniiiftoiqHertfc. • 
Tambem idtti^ baftardQ»;: ^ 
que nio tinba Jut^ar^a) ; 
E uma su9;imni .. - ' 

Cbamada^Du M^at r.TT s | ^ 
Dissimula sim^r. 
inda qtie.iuuit^ a.»entia : 
Seus olbqa «0^rtrafifm:di'agp4> 
por nais §ne sd^eneobnia^. 
Com cora^^esfofoado . .. 
de Senbor èe^ìprao^ vaUa.i ^ 
Estof» tQdoiaeiiJMarOi .:> .^ 
que de |ia8iiD»fatecia.i 
Manda lo^oièiif argentea . 
onde aiiteB lefstae sà6a^ . 
Santiafiiitià SacRimeiito> 
GuidaiidQ4qBeaeadlan4». ,1 . < 
Vendo iViÀalai^ItaM^iiQima, 
quam grande. èwiitM^vwriiw 
que, querttdo.dar><Mt^ : 
Sobre ai Oitomapt, : 
Em to4(B'BDS(8o»ftvabaHio» : ., 
compaofaia. nos faria, . : i ; 
Dos acoutesiqiieiiOS;'davar : 
tand^ctm partieiparia; : ^ \ -, 
Sendo uma m& isepiiltaèh ^ 
ovink^e^sapnltana^,^ 7. ^ i 
por estsaoiiar.nott^a eolpasr . 
a si nvasMO^tef pania*, il : 
Mas t3o ebair*v8|i)a.eliaa$ . t 
que DesÈ dlafi aetdidcrviar - 
pois que^cavando a graoipceasa, 
ali jà nao aiq[iar8QÌa* ' 
A arca adiam.do. aitar» . 
mas sem eUe, :està yaida. 



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354 



ARGHITO DOS AC0R£8 



Nao sabem &e foi ao ceo 
Se na terra ficaria . . 

N'algum sacrario mettidp, • 
para qìial se nm^aria. ^ 

Àlguns signaes tiram dt^te 
a gente que ali aciklia, • i 
vendo daqiielle iogar 
urna nuVeiti qtte sabia» . < ; ^ -- 
ouvindo milito» tùintarefii 
de suave mdodta, > ' i 

Suspeitando ter ém^^nibs 
alguma gfio ccmipMÈòSi^ 
que da tèrra jp^^ra oa ceos .. 
a Deus aconoipanAiapìa) ^ : 

ou por mSos anffèiicaèai ^ 

noutra villa ^e {wria;- ^ ' - > 
Mas quando ii3o (biaobado 
um grande grìto se argilla 
D'aquella grande coiqpsfflib» 
que miserìeotdià pedtar' * 

Vendo urna tal maravilha» ^ 
com gritos ttiqgoein de Ovvia 
d'aquelle povol3b triste, 
quem eiìlao 09D^tada?> < 
Batendo ttìàùSr.impeìtifsy 
quem peìlds'iilo quebraria r 
em tem^^ aafutaApgilstfÉ 
poisf «?tlteiiPsfe«H)eife:l9fia/ ' 
pai^^ffiV ^mi^Éiedio 
n'aqaéIÉi'lf4)stir!atgoi». r; . 
Jà nao sentemtpeniér nàda^ - 
so n3d viir fìeti^ gè sentìà ' i 
este castigo lÀai^ ^onam;: 
este so mai^ Ihe doia^^^i^* « <vii 
Vendo apartar^se Deus; dcfldfi::i t 
quem nao eainorecefrisrad '{»n««ri 
Depois cavamém^batras- parti»,) 
por ver se algaem fkarid* ^ ir] 
Acbam mintosi pélas raas/n v< ; 
qne a terrà' aft4Fa*)ibàYia;*>>^ 
outros aehaml e«i seds ieittts : ; 
sem teindr4o qiie viria, ::; >- ' 
Guidando donmrdp;noi(«> r 
mas tambeanf dortnen de dia^ A 
Somno diurna àoite tò - 



para sempre duraria. 
Alguns vivos se (acbaram , 
pouco numero seria; : ! . 
Mas quem quer, que os^ vir4 vivos 
por mortes ós'jiugaria; 
Tinham todos oòr de terra, 
que loda a v31a eobria^ 
Mas nao cobre urna eretinca; 
que so tres anoos bavtiy 
A qual acbara folgaàdo 
sobre a taboa em quiB jaaa. 
Nove dias saò passadodi 
depois de moria a alegria : ; 
quando oom graò deligdtioìa^ , 
a gente cavando ia ^ 
Cousa de graùde tranor 
quem contar a ousaria» 
Indo povD em procis^o, 
que com choro sé fezia; 
ouvidafoi urna V02/ 
doutro mundo parecia, - 
Mui fraco verno lem delia, 
porque do centro isahia^i 
Muitos ouvém' o «om eonfoto 
mas ninguem pentendia: ^ 
Ali \em,€i^wffiSo^ '. - . 
que a^^tuilevsempre acofiia^ 
Manda cavar! à; giQa pressa^ 
onde aqueHeiflQin se davia. 
Entendenda ipiè i èra gtnte^ : 
que sotérrdttar geinia^ 
Depois de Biuito èatarems 
uma trave se dbèseobria^' : 
Com uma« ponta para;jO iChto' 
que eBCOstada a^im jaaa, > 
Fazem logo urna abertmta: 
em um \ibr qua i^ tevià, 
vao era, que fona Iqja, ^^ * 
onde S(^^do'C^ia:;( ; » ,. 
Sabem por ella tresrvivos^ 
mortos cada umi|^areeia>^ 
Com as mios alein^ntadtst .. 
comò cada um aahìa^ 'r. < i • 
Joelhos postoft nochio » - 
a seu Deos gra^as rendia 



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ARGUIVO DOS AgORES 



355 



pelo Uvrar de tal morte, 
que vivendo ali soffria, 
onde estavam mais confusos 
nao sabeodo o que seria, 
se era toda a gente morta 
ou se o mundo se fundia. 
Nao sabem quando amanhece» 
se um gallo ih'o nao diz|a, 
que cantava, às boras ^ertas 
que sempre cantar solua, ^ 
Mautinbam-se com biscoito, 
que para yiagem hjsiyia, 
que queriam navegar,, 
para onde o sol $ahia, 
onde tinbam suaierra^ 
mas a terra Iho empedia 
que correndo aquelia polte 
ali todos OS prendia. 
Bebeni agoa que do lodo 
gota e gota Ihe cabla, 
E tambem d'uma Amdagem, 
que vìnagre se fazia; 
Assàs de morte passava 
quem escuro ali vivia 
Gontavam isto cborando 
com eboro a poVo os onvia 
Tantas lagrimas chorav£im> 
que a terra se bumedecia 
Ja nao cboram seus parentes 
mortos, que a terra còbria 
Multo mais cboravam os yivos 
que mais morre o que vivia. 
Nao cboram amigos mortos, 
nada disto Ibe dola 
pois sabei9 que tarde ou cedo 
qualquer dos vivos morria; 
cboram nao saber da morte, 
<m que estadò o$ tomarìa: 
E mais cboram a si mesmos, . 
pelo que ainda se temìa: < 
Cboram seus prq)rios peccados 
de que o castigo nascia, 
que quem pianta culpas graves 
graves castigos colhia. 
Era tudo ali um grito 

Voi. I-N.« 4-1879. 



que ao ceo Empireo subia 
pedem misericordia a Deos 
cada um assim dizia: 
Senbor Deos misérfcortlìa/ 

. que eu, meu Deos, nao merecia. 
Tambem tiraram uin morto, 
que entre elles ali jàzlai 
que fallecéo às pscuras 
entre a viva cptìipanhia, 
A quem dava gran tràbalhò 
pelo multo qiié fedia, ' 
qual depois de enterràcJo, 
corno a oùfrós^^è fàsiia, 
vao tòdos em pròcissaò 
a mpa ernuda que havia, 
Da Virgém Santa Càtharina, 
que de parodila èèrViaJ 
Dao todojs gragàs à Dèos 
comò cada um podia, 
pelos Uvrar da :prìì^ao 
da terra que os cobria. 
Ciuco mil foram os mortos 
que em toda a liba baverìa 
por que afOrmam os antigos 
tantos morrerem tal dia. 
Outros eontam n'esta conta, 
OS que a peste feria 
Logo nps aìmos ségtuntes, 
em que entre os vivos ardia: 
que parece mais c^to 
qtìe entSo tantcfé ti5o havia. 
AlgUns mòrrem hos logafes 
debaixa da casairia, 
que com o tremor da terra 
epa todàs partes cabra, 
^rrerànà religiosos, 
morfeo multa cleresia. ' 
Bierre nmità gente nobre, 
que em toda a liba vivia. 
Qualquer rido e poderoso 
aem a riqueza partia 

• que poi^ ventura fica va 
a quem nSo lh*a agradecia, 
cuidando gozalla malto 
no melhor se despedia. 



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356 



ARCHiTO DOS ACOKE* 



Nao a lagrpu muitos aimos 
nem jàmais a lograria, 
Se fez alguns bens cóm ella; 
iste so Ihe Valeria. . 
Morreram.altps e baixós •.; 

sem Ihes v^Ier fldalguia 
Morrem grandes e pequenos, [ 
todos a morte offendia: * 

Mas mais morrem em Villa Francjt 
onde mais poyo Ifavia ' 

quasi to^dos aìli nfiorrem, ■ 

Se nSo àlgura que fògia: ' ' 
mas s3o ijpucos OS qiiie fógém ' 
porqiie cada um dòrmfa, ' ' 
poucps sao OS qae èscapa/airi . , 
debaixo da terra Ma, ' '/ ' ' 
E alguns ho arrébalde , v 
alera da agQa. (pie corna 



outros escapam nas quintas 
porque Deos assim queria. * 
Guidando ser acabado 
mal, que màis nao ^ria. : 
As nove horas sae passadas, 
depois qtie }à oso! satóa; 
Eis torna a tremèf a terra; 
mais (fue dantes parecia^ 
corre na Ponta da *Giir$a;'^ 
e na Maia o meàmo dia,' ' • 
terra j que matdu a muitos 
deste numero e quantia, ' j 
contando mo^ospeq^l^nos^' ^ 
de que contar nao sabia. 
Lembra-nfte drfs dores grandes, 
das pequenas 'me esquètia - 
onde houve magoàs setti contd . 
quem coniar as pòderia; '- * 



(Dr. G. Pruckm6, obré cit., Cap. 73, f.^SM.) 



S»o frequtìBlés: asitìR0ft9i(J«8-.«Je)apparecerem ,ve^Ì9^ da^autiga.e saterrada 
Villa Franca. QHaKteseiai^em excavagOes na parie deleslQW ^tual Vìiia, raro 
é, iiào se eacontrar .algum frqigrneiiU) das moradas, nténsifibs è è^ssadas de seus 
primeiros moracfoi*esl Éin ÌWI *abrindo-se os alicerces pM^* a coufitrUcfào 4e 
urna cazsi, tfHtòtitP&ra!H'4»é t^tos d^oulra, aonde tìe aGhou^uftìa forcap^ de^igp 
em grào, curboimario pel» ctcf^o da tempo, trigo.de.^ué vieriim. aléwiias amos- 
tras |)ai:a.Poqta Mg^da, a^dese^conservam. Por maridaclo dà M^e^'.if 5o das 
Obras Publicas s^ tiràxam em 187Sj^ alguns aférros fi*uM 'qilintàl ad S«l da ima, 
que condtiz da Matriz a Pra^a tlas Freiras, a V\m de concertar k meàina^rua, e 
mui proximo d*ei^la pra^à, appare^>èo a 6 palmo^ aJiv^o do^iùvel ^ tarrenOi, a 
parte 'superiot de um pequeiio ibi^ip de cai, cheio de pedm mal e©zJ4?i> com al- 
guns carvOes. na parte intjprior* ,, . . / . . ,' 

forno tinha aproximadament^/lois metros de diàmetro e outròWàttfo d^'al- 
tura. No terréno visinlio, èhcont]?aràm-se alguns cesoia -lllimanoKj'qUasi'i^^tQtìo 
consumidos'eralgUmas^òeda^tetiobre. . : . ; i «Ir. ' /. * 

Em. prindpio- de i8^R appar^^i^^^n'outra excaVagàjo. 4imaj,pa|^QUa cioqi algun? 
reaes de col^edos reinjid^s.^iiteriq^'es a D. ManocI, que foram mùitò .apréciadoè 
pelos cpUeclores riumismatic([>s, i^àto que pela'mafor t>ai*le*seacha8serrl'dfe t«l 
modo oxldiidos què*diflldlmenÌe*iié"l)odiam classificUr. -' 'à t ' : : .•.. 

Além d'er^tés TnuHostìuft-cfs fle&lidos terlo havido, Guj^ Bo4icia;tìào ten^.pasr 
sado do conhecimento dos VillMwquenses, e de que conyifia tornar nota, t«>- 
refa està, facH aqualquer de sgu* i^ioradores^ curiosò de. còns^^Var ài^ meraorìus . 
do passado. '. , * '/ . **' ' ''.' * ' ' -■ 



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ARCHIVO DOS ACOHES 357 



Obras que tnl»m d>sta eatastropbe. 



Codice 275— mss. do Cartono d'Alcobaca, a fol. 140. 

Ineditos— publicados pela Academia, T. V, p. 342 na Chronica dos Senhores Reis 

de Poìiugal, por G^^ouim IUyldgue&.Acenl)eiro. 
Chronica. .. de D. Joào /A-fP« p^rm'^ ^Wii if^ miscelanea foi. 116 v. da 

edìcào de 1752, LisDòa. "* vt? fi 

Eistoria Universal dos Terremotos é. . . — por Joaquiin José Moreira de Mendon- * 

ea, Lisboa 1758^ na p. 51 n.<> 263 e 264. 
Mem, chron, dos tieiXoré miiSt>tcàMJl nA^^A0C^.1^f9?^TT^i* ^^i^ ^^' 

tonio d'Araujo, Lisboa 1801; na p. 3. 
Hist InstUam,— pelo ?.• A. Cordeiro, Liv. V, Gap. 9, em que segue o D/ Gas- 

^ par Fruttuoso. 
Mar0ritd Ahrmaà/r— por F.*A? cte Chavee ^e Mie41o, a-^: 213 d'eate Aixlmay e p. 

237 da edigào 5de Lislióa 172^ '.r^-, ..... 
Relaqào do Terremoto. . . — Mss. no voi. 188 da Gollecyào historica do Gonde de 

Vimioso, de que se trata iia><i:QllecQàp de Doc. e Mem. da Acad. R. de 

Hist. Port., voi de 1726. 



f:»i:; 



•'II:-- •« 
*' t .** 



-;-.v:.::t|i' 



., I ... 



." . S'ó Liiiz Antonio 'd!ÀraUió tra sua Jìfemóika b^róriMo^kH dÒ9 ftTmàres ¥ em- 
j[i0^ifdé fa0.\''^s À{ot^;^'^;-mìAkìiiO'mq;midkÉ^a^^ na.ma 

PfÌeMQ^An0-mm'i'm^^; -atenlO: 909^ ^jplga t|ii^ o< jit]|)affeei:9)patQ.'^.u(natiU)a em 
ffherHe dasCftstti df)gt^lkiieteff,d^.j:iha.-de S. Miguel,: tevejogar em ÌS38j— lia porem 




.o^iw A. Ji. ila Silvew- 

ffuns terremotos effetto f* v,,,^ ^,»^y*^ f^fj^x,^,^^^ ,^ r»t«r p.^^.r..«/ L,.^.r,(^T>p v. i«^ 

gw^/ Podem ter iiavido alguns terremotos na Ilha do Fayal, n'este anno, mas 

4iao DOT effeito da supposta erup^ao .^uhmariQa em S, Miguel, que tao ^só^ente 
resuitou do lapso acira^ indìcado. - • ' 



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IV 

, > . 1 . . 

«mio DE IS47 

TERBimOTO NA ILBA TERCEIRA. («) 



Carta a Elni, do Csmtadcr d^Jlha de S* Migueii^ de ^y de MaioÀe ì547f 
noticiando o terremùio da ilka Tereeira, 

(Inedita) 



Senhor 

Aos dezasete dias deste mes de maio deste anno de 1547, amtre 
as omze e as doze oras do dia, ouirao na Ilha 3.* hnm muìto grande 
toni e logo supitamente a Uba toda' tremeo mHito grandemente, que 
foy multo grande espanto e duraria em quanto se poderSo dizer dous 
on tres credos. E dei\. a^t^ra tj[;es aballos tSo grandes que se virSo 
as casas aballar de bug ^^€f pef|aQ)utfdj^j|BÌ|^s pessoas, que dentro, 
estào, fugiao pera a rua que parécia se virem ao chao; corno de feito 
aligCas casas cairao e outras abrirao por muìtos lugares, be estSo de 
maneyra que .nSiffqusIp de dormir i^$.jca$a;^.e em, e$pkiiìl foy mais 
isto do cair e al>rir das casas da banda do nòrie, e mòrrerio alguas 
pessoas, s. cayo bua casa de Gomez Pamplona e matou Ibe bua filha 
Ae IX ou X annos e a bum Rui Gill; e nos Folbadais ha bum Joam 
Luis e a oulro^ que eu nao sei; aballou a igreja de Sam Rooue e Ihe 
deribou a samcrìstia; e abrio homa igreja de nossa senh(M*a a Ajoda e 
fìcou encostada pera bQa bamda è nSo ousSo entrar dentro, e da 
igreja de Pero Eanes do Canto caio bum pedalo e das casas de Pero 
Eaiies outro pedalo, tudo be da parte do norte, e daquella parte hom 
tìcou casa que nom quaisse ou abrise, quer fosem nouas quer velhas: 
e as paredes das vinbas e pumares dos bizcoyto^^todas quairio, de 
que està toda a gente comò pasmada. ^ 

Nestè dia se acbarao muita.s\pessoas no mato na mésma Hha, e di- 
zenii que faziao as arvores tSò grandes terremoto^, que fiigiSo dò mato 



(•) Apezar de nSio appàrecer noticia alguma d'este desastre nos historiadores 
agorìanos, o documento inedito suppre bem o seu silencio. 



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ARCHIVO DOS A(:ORES 359 

pera os escampados. E as pessoas que se achario nos bateis a pescar 
na mesma Uba semtiam no mar corno que Ihe passauam por debaixo 
dos bateis pexes grandes, que Ibos queriSo derribar e virar. Isso soo 
aconteceo na Uba 3.* e nas mais nio se semtìo nada. Isto sam obras 
do Senhor Deus, praza a elle sejam pera nossa emmenda corno nos 
saluemos. 

Item eu escpreui a^T. ^: qiìeH>s pMsiBséittSo qua baixos e frìos 
por OS muitos que qua for3o este anno. EUes todavia sairSo mais; 
com as agoas d^ti^jn^q .sai Hiejtamta monda que nas milbores ter* 
ras parece tudo'em de erVHbaqìra é óutras (ugldàdes^ que cobrem 
pam. E nas terras fraquas e somenos amostrSo milbores pSis, pò* 
nha Ihe o Senhor Deus o ffrSo, comò sabe que ho pouo ho ha mister^ 
porque atè passar omes de junbo, sempre qua esti em riscp.' Pizem 
que vinido dias de soli rauito quante se pode perder està menda^ ¥or 
nha-lhe o Senhor Deus sua bondade* Escprita da cidade da Pomta 
Delgada ha xxvn de-maio de 1547.; 

Teinuim as^gnéhirà fiw? brecé ifue jparieee tffaer^— Gaspa» ìk) Toi^ 

Sohrescripto—k El Rey nòso senhor etc. ".'"-' \ 

Do seu contador da ilha de Sam Miguell. 

(Mch. JfoQ., Corp-^ Chron., P. J.\ Mag 79, Doc. 37). ^ 



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IIINQ DE m 



'^- ftt]LA€ÌON ^tMj verdaftepa^ trayda poir Dinao iws^y . ìeAN Romi- 
^tÌEz j I^Ro ufoRziLLOi Mae$tfe eiptlolo ytafierLTdao.jiel.¥iaYid,Qobra^o 
9(U&stra Seft5ra de^ la iuz. Viriiendo ìie Sanoto donof ngi^ Y- prea{(iU|ida 
en la Giudad de Galiz y embiada p&r d muy magiikim.^òor Mipnio 
de Avalia juez óficial de Sa Magestad. A los muy magDificos Suores 
4e ila es^ade Ja £;o|nitaci^.^e S^vjUa. ^n, I9 mal se. irata del gran 
fuego y encedio que a^ ^jdo qh ppp I^U lì^a^ai él Kco qùe Tue en 
yeynte dias del mes de Sétiembro del Ano de m. d. Ixij. impressa en 
Sevilla en casa de Alonso de Coca Impres^or en Cai de la Sierpe. 
Con licecia. . - » ' . f ,. -^ 



En là ciudad de fcaliz lunes veinté diàs tol mes de ottibro de mil 
y quinientos y sesenta y dos Anos en presencia de mi el escrivano y 
testigos de yuso scriptos Diego diez maestre de la Nao nobrada Nu- 
estra Seiiora de la luz, y Juan Rodriguez tirado Piloto del navio, y 
Fedro morzillo escriuano del. Pareciero ant el muy magnifico Senor 
Antonio de Avalia juez oficiaf f(e-^ raagestade y le dieron y entrega- 
ron una Relacion flrmada de sùs .j|i)mbres del tenor siguiente : 

Domingo en la noche veynte dias del mes de Setiebre de mil qui- 
nientos y sesenta y dos anos viniendo de sancto Domingo el navio 
nombrado nuestra Seiiora de la lus en q yo Diego diez vezino de la 
ciudad de sancto Domingo venia por maestre y por piloto Jua Ro- 
drigues tirado vezino d'Huelva, y por escriuano Pedro Morzillo vezino 
de la ciudad d'Alcaraz corriendo por altura d'treynta y siete grados 
y medio. Estando dozientas y cincuenta legoas de la ysla tercera po- 
co mas menos, parecio en un instante ta gra claridad a manera de 
fuego, que parecia quemarse toda la mar y myrando tan graiv nove- 
dad vimos que està claridad o fuego procedia de una manera d'estrella 
rayo que se levanto de la parte de ocidente y venia corriendo por 
la parte de levante con tanta verocidad, comò la vista la podia yr mi- 



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ARGUIVO DOS ACORES 361 

raodo, y vìmos que de la parte de levante hizo su corso en nuestra 
orìsonte. Y al tk^o que se nos perdio de, vista vimos qué se hizò 
muehas partes, y cada parte ddua .muy gran resplaador y claridad 
qué par^ida penetrar et cStro; por que si vinieramos por parte que 
padieramos hediar fendo tenedios para nos(^ro& no dexaramos de 
ver et fondo en mas de ti^enta «bragas y fue tao grande el re^Idndor 
que miicheKs diel nauio no k> pocbeodo «omprebender se tapardn los 
ojos; y cahieron de pèebos sòbre las caxas y borda del navlo, y los^ (}e 
ma^ que 6e cobrieron los <^ Aieron priuados de vista pop algu^ 
tanto *de tieiiipa^ lodos ei^Kuitados de tan gran m^raviUay novedad j^ 
no sabiendo que cosa fuesse pFOde$utnio$ westra jornada. Y ante^ 
que reetoocieBsemòs^la y^ del Faydl vioio^ de mas de doze o.quìnze 
legoas de" ì^ mar tni gpan fioegd q«ie beehava dQ si muobas estaqfjpi- 
da$ nioéoti*os no sabiendo 4 <^^d («tesse oftro. dia por la manana mar;- 
tes veinte yjfiueve diasdel Ines tieiisetiembre deldicho ano vimos que 
aquel fuego que la noche antes aviamos visto salia de una ysla que se 
Uama el Pico que està junto a la dej^a^al, saltamos en tierra aquel 
dia en la ysla del Fayal, y preguntamos a los vezinos que aquel (nego 
que en aquella ysla avìa q de que procedia, e dellos fuymos informa- 
dos corno en vi)ynte y m dia del m^^ de setiembre del dicho Suo lu- 
nes por la man9na amdQécio eucendido el PicQ con tan grati /nego, 
que ^kìos lemorisaìlos no sabiendo qùe. còs^ fuesse en m instante 
despoblairon lijiego la yste dd Pico, porqùe venia el fueg:o corriéndo y 
creciencto-tàntp -que casi addava tanto conio ellos, y que én siete òcbo^ 
dias encendio y abraso mas de tres leguas de tierrsf. ,T eàte Hiego in- 
formaron nòs los vezinos que no es corno el qtìe nosotrbs ar ca lene- 
nos, sii^o a^H^aner^ de uor fu^go internai gi^ ^mp^endio jm^to^a una 
laguna qiiè eri là ysla àvià, y'todo àfrédoi-de tó ìaìgifna 'ésl* Hèno de 
bocas de fuegp, y de aquella laguna se reparte doze riberas de fuego 
q corre por -Isì'jnar ardiendo que pàrece agtìa, y ésle? felegó e§ tim es- 
pantoso y de tanta fnèrca '§ poV dónde va qtfeitìlfdo la pieftìra qìiallà 
aunque sea tan grade corno un nafuio'la btiéla eri arho, f la ihtlchà 
fuerca del (nego Ta tiene suspendida eri el siyre'hasfà tjaè tkìit h'echìi 
ceniza y tòdos Jos' vezinos del Fa^aì y de la ysla^ dte Sant jor^ vitìfidd 
està riiaravilla/y que el fùegó viene cada dia credendo mlas, y ^ si- 
endo el vieto cotrario viene en cima de sus casas: Està ya aqllas {aquel- 
los) dosyslas para se despoblar^ y.aun lo tienem por muy ciérto q si el 
fiiego aeude cosno twsfca agorCàÓ i%dù)^rkà,éh^^r. Ip^ 0l ftiego'frae 
a 4a mar por aqllas riberas^ de ii^.mwà % equine ^s urip tiérrà negra 
y ^tW UVìaftia q pàrece ^ì€6i^^^imm^^9Q^MéQiifàite q los vezinos 
POS i^fórmaròn q el fuegb*^rida'«i*teW5jffò, «f -a ta hwM ^ ftie hallamos 
ser qua procjedìo'aqbftiego de I§ esilr^la b rayo q àiiiài^ós yisiò,/pòr g 
nos4lro<^ to yimos dómingò alamedk noche^y Ibs ve^ihos del mesmb 
Pico infoi^màf on ^ a ias dos poco mas o menos ama empe(;ado (camegor 
do) a strde^j de tnaneraq el hrné« portó manana aftianecio ardiedo:-jn;i- 



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362 ARGHIVO DOS ACORES 

gado c9 juizio y mirando por razon nos parece q el mesmo fuego q a 
nosotros aparecio en el golfo fue este, por q la disticia q avìa de no^ 
otros al Pico eran doziStas y cinciientas leguas, e tardaua en llegar el 
tiSpo q ay dende poco de media noehe basta las dos poco mas o me- 
nos/y de aqlla tièrra q el fnego becha vimos iiittchas balsas por la 
mar q andan enìcima del agua y mi se vaft al fonda, este ftiego va tha- 
ziendo corso de Nonleste a sodneste, tlene-se por entendido q en pa- 
co tiempo se acabara de abrasar aqHa ysla segun lleva los principios, 
si Uro Sefior ein ella no pone atgQ remedlo, y assi lo& que saltamos en 
tierra en el Payal, vlmos tbazer processioaes por ^Hav .Diego Dìez, y 
Juan Rodrìgnez Tirado, Fedro morziUo, 

E assi presentada la dicba relacion el dlcho Senor jaez officiai re- 
cebio jnram@{o en forma de derecbo de los sosos dìchos.sa virtod del 
qnal diter5 q en lo en la dicba nelaci9 cStenido es la verdad por el 

juramento què tienem faecho, y flrmaron de su» nombres; («) 

• ' • ■ • . '. '.-..* ^ . , , , 

hÀJSS t)EO. 



È impressa està rddQào em caracteres gothicóè, tCuma pequsna 
foiba do formato de pàpàdmasso, seni numempào. 

No atto do folio ha urna gràvura em madeirà, tepr esentando Hercu- 
les deitàdo, e sendo penteado por urna mnlher. Està ^amra, qm occupa 
toda a largura 4o pape» é cortada no mesmo sentido por firn arco de cir- 
culo em que se le a isèguinte legenda: 

AUTDACES FORTVijiA ^ ATV : VAT POTRUS ALVAREZ I 

Abaixo, daprimeira grùvura ha urna outra vinheta pequenu, e des* 
tamda, com a represffniasao seguitile. Da bocca enorme d'um Dragao sa- 
he um recem-fiascido de màos postas, e de dentro da mesma bocca o està 
assoprando cm um fotte, urna figura do Diabo com muda e, comos: no 
canto esquerdo da mesmfk^vinhéa» no alto ve-se um Sacerdote, acompa- 
nhado de dm acd^os, reeaòendo o m^smo menino sob a sobrepétiz. 



(«) Està rela^aq, a muitos respeitos curiósa, mormente para Agorianos, é da 
maior rarìdade. A gratidiò pede que àrehiVéoios o acto generoso do dr.Gayan- 
ffos, possuidor do unico dxempliar eciobeciA) d'<e8ta memoria, a quem davemos a 
fioeza de nos permittlr què a ooyiaBsemKi. ll«bita?amos pàriz, e pouco d^is 
da publica(^ào da Bibliotheca de (mos raros e curiosos de Maliardo, fòlbeando-a 
com avidez, em procura de escrìptos sobre os Acorés, deparàmòs com o tiftdo 
d'està Rela^o^ que nos proVocou a maiór curiosiaade. Ali se notava a bthKotbe* 
ca aonde existia. Por este ibesmo tempo exfsti&o aÌQda«n<Pariz» os irmdos Tross 
negodantes de Iìtrw ant^gos^bem eoabocldos de todos os amadòres de randa- 
des bibliographicas, que tinliào muitas relac^ em Hespaoha, e tàobem com o 
sr. Gayangos, de quem erao fornecedores. Pedimos-lhea com instancia que nos 



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ARCHIVO DOS ACORES 363 

Deve leitor advertir na absoluta impossibilìdade de haver a menor conne- 
xào entre os dois phenomenos descriplos pela tripulaglto hes^nbola; o tempo» o 
logar e sua natureza, divergem por forma a destruir a identidade, que na Rda- 
don se indica. 

A duzentas e cìncoenta legoas a oeste do Pico, a bora da meia noite corres- 
ponde aproximadamente às il da noite n'a(|ueila ima, e nunca às duas bora» da 
madrugada seguinte. sol na sua mardia apparente de leste para oeste, alumia 
OS A^res, primeiro que o continente Americano, e por isso as horas se anteci- 
pam na propor^ào da distancia longitudinai. 

Relativamente aa logar, é igualmente evidente, que o metbeóro observado de 
la parte de occidente, ndo pode ser o mesmo, que mais tarde succedeo na Uba 
do Pico, a leste dos navegantes, e portanto em ponto diametralmente opposto 
ao primeiro. 

Quanto à natureza dos pbenomenos, tudo leva a crer, que o observado a 20 
de Setembro, seria um metneóro luminoso modernamente conbecido pelo nome 
de bolide, completamente diverso dos eifeitos luminosos produzidos pelos vulcdes. 

Offerece-se tlnaimente urna outra e grave objecgào, qiml a de ser completa* 
mente impossivel, ver a uma distancia superior a cincoénta l^oas, e ainda assim, 
é indispensavel, que tanto o observador corno o objectivo, se acbem a considera* 
vel altura acima do nivel do mar. A curvatura do jjlobo interceptando os raios 
visuaes, obsta à observa^4o de todos os objectos situados abaixo do borizonte. 

Se a claridade da erup^&o de i562 no Pico, chegou a S. Miguel, corno diz o D.' 
Fructuoso, foi isto devido à sua gi'ande altura, à grande intensidade do fòco lu* 
minoso, e certamente ao reflexo nas nuvens ainda muito mais altas. 
A bordo do navio Sr.« da Luz, à distancia de duzentas e dncoenta legoas, nunca 
a erup^So do Wco podia ser vista. 

E pois evidente, que da coincidencia e quazi simiiltaneidadede dois factos di- 
versos, deduziram os navegantes bespanhoes, uma identidade absurda, so origi* 
nada na sua ignorancia. 



1)o que aconteceu na Ilha do PicOf e de San Jorge no anno de j562, e d'ai- 
gumas coifas da do Pico. 

A Ì9 {alias 2d) d'este mez d'agosto de 1562, nesta villa das Vel- 
las, da Ilha de jsan-Jorge, domingo às duas horas da noite, andadas, 
tremeu a terra muito forteoiente, e dea trez abalos muito grandes. 



obtivessem uma copia da Relayào. A resposta prompta dò sr. Gayangos ao nosso 
pedido foi que em nreve visitarla Pariz, e nào se csqueceria de trazer o volume 
de mi^cellaneas, em que se ericontrava a rela^o, para a podermos examinar e 
copiar a vontade. Nào tinba deoorrido um mez, quando nos bateram a portai 
entregar o precioso volume, que revolvémos logo^ com o maior alvorogo, edo 
qual copidmos nào so està, mas outra relagào tiistorica) nào menos rara, sem 
que nos fosse nunca exigida a restituigào do livrò, gue so realisàmos, quando 
nos foi mais commodo. Està franqueza de verdadeiro homem de lettras para 
com um desconhecido obscuro é um exemplo, digno de comm^moragào^ e que 
nunca esquecerémos. , 

Voi. I— N.* 4—1879. . H 

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364 ABCfflVO DOS ACORES 

que foi senlido por loda a ilha, que cuidava a gente que todos eram 
mortos, e foi tao grande o espanto que logo aqnelia noite fizeram mui- 
tas procissoes. Na ilha do Pico tremeu a terra iodos os dìas até 17 
de septembro, e na mesraa ilha era. urna quinta feira tremeu a terra 
vinte quatro vezes; e ao domingo, que^foram 22 (aiiàs 20) do mez, 
estsrfido um padre dizendo missa, treraeu tao fortemente, que a gente 
loda ficou ateraorisada: e a segund'a feira, que foram 23 {21) de se- 
ptenabro, à meia noite, comecafam a cahir na propria ilha do Pico 
grahdes raios de fogo, qùe pareciam vir do ceu, com grande estrondo, 
e relampagos e tremor de terra: e nisto estando viram correr trez ri- 
beiras de fogo, as quaes nasciam do pico do Cavalleiro, e vinham cor- 
rendo ao mar para a parte da serra Ventosa: e no cume deste pìco se 
abriu urna alagoa de fogo, que o fez arrebentar e langar muitaìs pe- 
dras para o ar, muUo grandes, tamanhas comò casas; è estas pedras 
correm para o mar, assim ardendo, e fazem no mar grande arruìdo e 
estrondo^ e y5ò assim ardendo pelo mar um bom espa^o passante 
d'um tiro de besta; e estas pedras, que se ajuntam assim no mar, faz 
rocha neUe, que totre umas e oiitras r3}dras se fazem bàhias e por- 
tos, onde podeftì invernar navios, pelocrescimentò das pedras que 
vao correndo aò mar, que saem ardendo deste, pico.- 

A quarta feira 24 (23) do dito mez; depws de vesperaj cho- 
veu nesta ilha de san^Jorge pedra, assim corno polvora, é durou es- 
pa<;o de meia bora multa quantidade da dita pedra. ' 

Ao sabbado seguinte choveu nesta ilha area, corno terra, e toda 
vinha sem agua, e multa cantidade, de modo que despovoou a terra e 
chorava a gente que fez multo temor; e na mesma quarta feira choveu 
na ilha do Pico pedra comò nozes. 

A quinta feira 26 {24) do dito mez arrebentaram ribeiras multo 
grandes de fogo temeroso e espantavel, que vao d^r, no mar com 
muito estrondo, e faz niuìto tepior. 

Ao sabbado a noite se abriram dois fogos muito grandes na serra 
Ventosa, que pareciam que iam dar nas nuvens. Da naesma serra 
saiàmduas ribeiras de fògo multo temerósas, qùe correm ateo mar, 
que fazem grande nxedo. 

A 28 de Septembro de noite' deil nesta ilha de san-Jor'ge muito 
grande aballo, e fazem-se grandes procissoes de dia e de noite. 

A ilha do. Pico està despovoada, que fugiu .toda a gente della, e se 
acolheram a ésia ilha de san-Jorge, e a ijha do Fayal, e ^ ilha Ter- 
ceira, de maneira que estamos atemorisados. 
♦ Este pico, que assim arde com està bravura e impeto, langa de si 
oUtras muitas ribeiras de fogo, què ha oito ou nove mezes corriam 
quarenta e tantas ribeiras de fogo ao mar, que todas nasciam deste 
piccecorreram assim nesta fortaleza passante de dois annos. Jà ago- 
ra està mais-brando, e comtudo ainda arde, e se ve o fogo de conti- 
nuo das outras ilhas, que assim arde neste pico. 



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ARCHIVO DOS ACORES 365 

Està ilha do Pico é urna das nove ilhas dos Acores: a saber, a ilha 
de sanla-Maria, a ilha de san-Miguei, a ilha Terceira de nosso senhor 
Jesus Christo (em) que é a cidade de Angra, e a ilha de san-Jorge, a ilha 
do Pico, a ilha do Fayal, a iiha Graciosa, a ilbd das Flores, a ilha do 
Corvo. Està està ilha do Pica ao mi da ilha Terceira vinte e tantas 
iegaas, e està eQtre4 ilha de: san*Jorge, qne ihe fica ao norte, e a flha 
do Fayal, que està ao $ul- della; ^ de amas & OHtras serio ao mais 
loQgo seis leguas» que em partes é urna legna de urna a outra. Està 
ilha tem de comprido deseseis leguas e qiìatro de largo; corre o com- 
prìmento della do nascente* ao.po^te, e para a banda do nascente 
tem e^ta ilha um pico muito aito, qae-poacas veses ^G/bem tao alto as 
nuvens quelhe encobram o fumo do pico: chamam a cproa do pico^ 
por ser, mais agudo, e por as nuvens a nao cobrirera. Mnttas • vezes 
^ssim OS mareantes corno os povos das oatras iibas, nSo veem mais qae 
està coroa do pico, e o mais parece ceu, por aadarem as nuvens por. 
baixo por a frajda 4o pico^ Na coroa, (kste pico, no simo, é terra 
chao pouca quantìdade, que póde ser uni quarto de legna em largura 
e no maio é furaclo,^ e v^e ama concavtdaàe para baixo ao centro da 
terra, ou ao mar; onde se veem muitas vezes das outràs ilhas, e os 
mareantes veem sahir linguas de fiogo e continuamente fumos. 

N# verao os moradores da terra, e alguhs curiosos que vao deste 
reino, vao a riha a està coroa deste piquinho, e vao a tempo que pos- 
sam tornar a dormir a baixo às cafilas dos vaqueiros, pela frialdade 
ser tamanha que Ste.nao póde soffrer de noite. 

Ao norte deste, pico, nas suas fraldas, està um pice pequeno que 
se'chama do Cavalleiro. É o pico aonde se po^ o fogo, corno a traz se 
faz mencao,.e teme-se quo se o fc^ saltar neste pico grande, segon- 
do a sua altura e grandura, que queimarà estas duas ilhas, a ilha de 
san-Jorge, e a ilha do. Fayal, porque elle està no meioeas assombra. 
Nas fraldas deste Pico ha cria^oes de gados de toda a sorte. Aprovei- 
ta-se multo pouca terra desta ilha, e se semea multo pouca della por 
ser a terra multo brava de pedras e rpchas altas. Ha nellas multa 
fruta d'espinho, mais e melhor que em todas as outras ilhas. Os mo- 
radores della trazem sambarcos {alpargatas) de peUes de porco cruas, 
com Gabello, por a terra ser fragosa. Tem està ilha trez villas peque-r 
nas, e -sete ou oito logares. 

(^ifflioth. PublìQà'é lisboa, Salà4QsMS$.—B^ 4 36— J, 6Zv.) 



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366 ARGHIVO DOS ACORES 



^Defcripgao da me/ma en^gdo, na Ilh^ do Pico, pelo Dr, Ga/par Fructuo/o» 

Como tenho dito, na era de 1562, a 22 de Setembro, dia de Sao 
Matheas, urna legoa da \iUa de S. Roque camìnhada para a Prainha 
do Norie, em cima no cume da serra, quasi da banda do sul, corno 
espa^o de tres legoas da faldra do Pico, ficando ella para a banda do 
Loeste, tremendo primeiro a terra em um ter(^ de bora deseseis ve- 
zes, com continuos, borrendos abalos, e tSo grandes e^rondos, corno 
de grossas pe^as de artilberia, em um Lameiro arrebentou o fogo, fa- 
zendo ciuco bocas muito grandes; sendo urna dellas a principal e 
maior, de que manou urna grande ribeira de polme, que correo para 
a banda do norte, por espa^ de legoa e meia até cair pela rocha 
abaixo, e fazer um grande caes abaixo da rocha, aonde se espraiou 
aquelle polme^ e se tomou pedra viva, em que se nio pode por pé 
descalco nem se cria nenbum genero de berva, nem matto até hoje, 
senSo em alguma parte, aonde se nao acabou de cobrir d'aquelle pol- 
me; cobrindo muitas terras de bomens rìcos, que com issoficarao pò- 
bres, por perderem ali as fazendas, com que agora nem elies, nem se- 
US fllhos tem que comer; e com o grande fogo que ali se acendéo, se 
aUumiavao ali todas aquella^ Hhas ao redor, e a està de S. Miguel 
chegou a sua claridade, e parecia a noite dia, e com temer de se co- 
brir teda a Uba do Pico d'aquellas ribeiras de fogo, fugìndo d'ella 
muitos dos moradores se embarcavam para as outras Ilhas, com a 
mais pressa e diligencia, que cada um podia, com que quasi flcou en- 
tio despovoada, principalmente dos comarcSos, e visinhos d'aquella 
banda do norte, onde aconteceo a maior forga d'aquelle successo. 

(Saudades da Terra, Cap. 41, do Uv. 6.^), 



Comparando as datas das trez narrativas anteriores nota-àe divergencia em 
guanto ao dia do mez, sendo todavia conformed no anno e mez, corno porem do- 
is declaram ser n'uma segunda feira e o D/ Fructuoso ser em dia de S. Matheus, 
n'estas indicagoes se encontram elementos, para com exactidào fixar o dia. Pro- 
curando qual a letra Dominical correspondente ao anno de 1562 acha-se ser— D — 
com a qual se determina que foi Domìn^ o dia 20 de Setembro de 1562 e por- 
tanto a segunda feira ti, corno diz a Relacào hespanhola. A confusào teve ori- 
ffem provavelmente em o phenomeno ter logar proximo da meia noite em que 
nndou a se^unda-feira 21, e prìncipiou a terga 22. 

Na noticia impressa na Revista dos Agares ha datàs vizivelmente discordes en- 
tre si e a reproducgào feita na Historia das Quatro Bhas Està cometa no dia 23 
d'Agosto^ Domingo, na Revista diz-se erradamente 29; este e os restantes erros 
se corregiram segundo a exacta chronologia acima apontada. 

D/ Fructuoso, equivocou-se dizendo, 22 dia de S. Matheus, pois d'este reza 



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ABGHIVO DOS ÀCORKS 367 

a egreja a li de Setembro, o que corrilo Cordeiro, caliindo porem cm erro mais 
grave, qual o de confundir 15ft2 coai 1572, o que deu cau3a a muitos outros e8- 
criptores assignarem està data de i572, à erupQào que no Pico houve dez annos 
antes, taes comò Araujo, Moreira de Mendonga, o redactor do FaycAense (i7." an- 
no N.«» 2) e outros. ^ 



Iserìptores e obras \u tratM da Biteria. 



Frey À^ostinho de Monte Alverne— CAronica da Pr&cimia de S, Joào Evangelista 

aas Ilhas dos Aq^rres, L.« 4.» especie 2.*, Gap. 3.», MS. originai na Bibi. Pu- 

blica de Ponta Delgada. 
Padre José Pereira Bayào— Porfu^a/ cuidadoso e la^imado, Lisboa 1737, Gap. IO, 

p. 51. 
D. Manoel de Menezes (aliàz o mesmo P.« Bayào acima) — Gftronfra do mui alto 

principe D Sebastiao, Lisboa 1730, Gap. a, p. 269. 
Panonwwa— jornal iitterario e instructivo, voi XIII de 1856, p. 343. 
A. L. da Silveira Macedo — Historia dm quatro ilhas que formam o Districto da 

Horta, voi. I, Gap. X. e doc. N.« «). 

N'estas tres ultimas obras acba-se com peguenas differen^as reproduzida a re* 
lacào ms. existente na Bibi. Nac. de Lisboa, acima reimpressa, da que se 
aclia na Revista dos Agares, aonde tao sómente foi indicado o iogar em 
que existe. 

Luiz Antonio d* Araujo — impwionVw dos tremores — , p. 4. 

Jòaquim José Moreira de Mendonca — Hist, Univ. dos terremotos. . ., Lisboa 1758, 

noN.«284. 
Padre Antonio Cordeiro — Historia Insulana^ Liv. 8.*, Gap. 10 g 70, aonde errada- 

mente marca o anno de 1572 em vez de 1562, que se acha em Pructuoso^ 

que elle resumio e seguio. 



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ALLEGAGÀO DE SERVIGOS -^ 

o o 

FEITOS POR 

Jorg^ Coniavi ^J^imtntel 

Capi tao Mòr* da Ilha do Fayal. 
1660—1676 

Senhor — Diz Jorge Goulart Fimentel, Pidalgo da casa de V. Al- 
teza, Capitao raór da liba do Fayal, e Goveriiador da autra do Pico, 
corno consta da patente de f... e do alvarà de f..., e do HabHo da Or- 
dem de Christo, de qne é Professo oom iO^GQO rs. de telila com urna 
commenda da mesma òrderai, que se houver de pensionar, que nao 
teve eflfeito, tiido pelos servigos feitos desde o anno de 1650 até o de 
1660, corno se ve da portaria de fc.., e desde o dito anno até o de 
1676 tornou a continuar o servigo de V. Alteza com tanto zelo e des- 
vello, e despendio de sua fazenda, comò consta das certidoes que refere. 

No anno de 1666 fèz t(ma fortcdeza fechada com duas casas de re- 
colhimento com duas pegas d'artillieria cavalgadas com bombardeiras 
para outras mais, e por. falta de dinheiro para aeus gastos fez eìnpres- 
timo de 78;$416 rs., consta da certidao de f...; e por «o dito anno 
nao haver dinheiro para os petrechos necessarios, de que. multo se 
necessitava, fez emprestiirm de i280^940 l*s. ; consta da certidao ditas f... 

No anno de 1668 por nao haver dinheiro fez eniprestirno para os 
armazàes de 246^991 rs., corno consta a f..., e no mesmo fez urna gran- 
(k tniiralha da parte do sul do castello aonde assiste a infanteria pa- 
ga, e pegado a ella fez mn partào, e corre a dita muralha até cenar 
com portao de Santa Cruz, por ser muito necessaria; consta a f... 
E por sobrevìr no dito anno um grande temporal repentino, de tal qua- 
lidade que sahindo o niar de seu cnrso levòu quasi todas as muralhas 
situadas na praia da area; o que sèndo presente a V. Alteza foi ser- 
vido mandar que o Provedor da Real Fazenda fòsse a dita Ilha, e a 
custa da mesma Fazenda reformasse as taes muralhas pela conveni- 
encia da defeza da dita Ilha pelo risco que corria: e porque no dito 
tempo dito Piovedor tinha grandes occupagoes de muita importan- 
cia do servilo de V. Alteza, e assistir a S- Magestade, nao passou a 
dita Ilha; o supplicante com o limitado rendimento dos dois por cento, 
com parte de sua fazenda, e assistencia pessoal, reedificou e fez de novo 
outras muito necessarias; comò consta da certidao de f... 

No anno de 1669 fez de novo a fortaléza da piata fmma da Boa Via- 



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ARCHIVO DOS ACOBES 369 

gem, que o dito teinponal havia derrubado acrescentando-a para com 
largueza jugarem oito pegas de artilheria, que n'ella pòz cavalgadas, 
quatro de bronzo, e as mais de ferro; e por nào haver dinheii^o fez o 
supplicante einprestimo de sim fazenda de 223^351 rs. aos armazàes de 
V. Altéza coro mais 41iJ690 rs.; consta de f... 

No anno de ì^lOfez urna grande muralha com sua banqueta pela 
banda do mar atè ao nivel da area desde a fortaleza da boa Viagem, 
fazendo um portao até ao outro da alfandega, por ludo haver levado o 
mar; consta de f...; e no dito anno fez emprestinio aos amiazàes de 
120^011 rs,; consta de f... 

No anno de 1671 e 1672 fez a imiralha, que o mar ha/ma levado 
d^de a pUMforma para a parte do norie até a ma do porto novo, e 
por nao haver dinheiro para ella fez emprestimo Ae 130^7 13 rs.; con- 
sta de f ..; e no dito a>»«o teve a carta de V. Alteza a f...; sobreas ar- 
madas das na^oes dos Principes da Europa, e recommenda^ao da pre- 
vengalo com que se devia haver, e fazendo \TStoria nos artnazJes e 
achando falta de muilas c(msas, e nao haver dinheiro, por nao perm- 
ear servilo de V. Alteza, fez empre^imo de 93^057 rs., consta af..., 
com que se acudio a necessidade. E pela outra carta de V. Alteza de 
13 de Maio do dito anno se Ibe remettéo a copia das capitulagoes das 
pazes; e vindo a dita liha, e aneorando^ no porto d'ella, navios de guer- 
ra dos E^tados de HoUanda^ Franca e Inglaterra, «e houve «com ^lles 
com tao bom modo e agazalho, corno se contétn nas certidìies al*.. 

No anno de 1673 acudio ao reparo dos mnros de portò pim, corno 
tanabem ao das muralhas que o rigor do mar bavia hevado; consta a f... 

No anno ù^ i674 fez eìnprestimo aos armazàes para acudir a seus 
gastos e compra dumas pecas d'artilberia para ns fmialeza^i de réiis 
208^583, consta a f...; e no mesmo awào acafeou de fazer o cartello a 
onde se recoRie a infanteria paga, obrado tudocom toda a perfeigao e 
seguranga fazendo eftnprestimo para a dita obra ,de 164}5iOOO rs^. , consta 
da certidao a f... . ' ^ ; . . =: 

No anno de 1675 fez emprestimo ^os mesmos ammzàss parla seus 
gastos de 87^123 rs.; consta a f... Fez no porto- da area juilto ao ditel- 
lo urna muralha com dois portóes para a serventìa, correndo a^cortiha 
da dita muralha até a fortaleza nova por detraz do convento dè'Sao 
Francisco, para as quaes obras e9nprestou iiì^^'ìl rs.; consta a f... 

No dito anno de 1675 Ihe ordenou V. Alteza. por carta de 4 d'A- 
bril, cuja cc^ia vae a f*.. remettesse para o Grao Par*à cìncoenta ca- 
sàes, ctos quaes havia malto tempo susteroava é sua cmta a maior 
parte pelos ter promptos, qtìe constavam de 234 ahms; por estarem 
individados em rasao de Ihes fallar o sustento i^elo castigo do incendio 
dùs duas freguezias que na dita liba se queimaram no ann& de 1672, 
por haver contra elles muitas execu?oes para serem presos e pelos li- 
vrai* pagou de sua fazenda muito dinheiro por servir a V. Alteza; cons- 
ta da certidao de f... 



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370 AHCHIVO DOS A(:ORES 

E pela outra carta de V. Alteza de 23 de Juliio de 1676 Ihe orde- 
nou remettesse otUros dncoenta cazàes para o mesnio Para no navio 
de que era capitan Manoel Rodrigues, que chegando à Uba Terceira 
Ihe fez aviso o Provedor da fazenda, os tìvesse promptos, corno teve 
e consta vam de 219 alnìos, tendo-as alojadas em suas prqprìas casas, 
e chegando o dito navio a dita Uba o mandou ancorar debaixo da ar- 
tilheria e o mestre o niandou buscar a bordo coni as ordens de V. Al- 
teza, e por Almoxarife duvidar em dar urna ancbora para segurar o 
navio, ih'a deu elle supplicante por servir a V. Alteza, com a qual se 
amarrou o dito navio, e succedendo levantar-se com o tempo esteve a 
ancora com um barco oito dias no mar sem o navio tornar, tendo os di- 
tos casàes aviados e iestes para se embarcarem com o maneio de sea 
remedio vendido, sem terem com que se podessem sustentar, os sus- 
terUou elle supplicante d sua custa muìtos dias; consta a f. 

No anno de 1676 vìndo pela parte do norte um navio do Brazil, 
mestre Francisco Henriques, avistando uns navios de corsarios, cu 
turcos, se sahio d'elle toda a gente deixando-o desamparado tres lé- 
goas de terra, e tendo elle supplicante noticia o mandou logo soccer* 
rer com barcos e gente, e o recolheu descarregando por sua ordem, 
e pagou os direitos a fazenda de V. Alteza; consta a f... 

E no dec^u-so dos ditos annos vieram pela dita liha nàos da India, 
a cujo amparo acudio com todo o cuidado e zèlo do servilo de V. 
Alteza, comò consta a f... 

E com todo este disvello se nao esquecéo de acudir ao servilo de 
Deos Nosso Senhor, gastando nas egrejas das duas freguezias aonde 
succedeu o incendio, a sua cuisia, fazendo urna de nmyo, e outras na 
Uba do Pico; consta da certidao a f... 

E porque com os inuitos dispendios que fez no servilo de V. Alte- 
za, a custa de sua fazenda que pertencia a sua filha qm lem casada, 
da qual tem um neto, por elle supplicante admintstrar os bens que Ihe 
pertenciam desde o anno de 1674 em diante; e finalmente é elle sup- 
plicante um dos vassallos de maior preMimo e zelo que V. Alteza tem 
n'aquellas Uhas para seu servi^x); comò largamente consta das certi- 
docs de f..- 

E de todos os ditos novos servi^os nào teni recebido mercé alguma 
de V. Alteza, comò consta da certidao a f..., e tem foiba corrida que 
apresenta a f..., e em satisfa^ao d'estes novos servicos: 

Pede a V. Alteza Ihe faga mercé em satisfagao de seus servicos de 
2O4M1O0O rs. de tenga para os lograr em sua vida, com o Habito de 
Christo de que é Professo, pagos nos sobejos dos dizimos dos vinhos, 
e meungas da liha do Pico, com faculdade de os poder por sua morte 
nomear em um neto, e ao dito neto Ihe faga mercé do foro de fidalgo, 
e do Habito de Christo, para continuar com luzimento o servilo de V. 
Alteza. = E R. M. 

A Alteza de «jue aeiiua se falla èra— D. R'Jn), i*egente; e a Magestade—D, Affonso 0.'. 

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ARGHIYO DOS^àCfilES 



' UmiSPOIlTE D! tOLlllHinJi» HMt 

Anto qùiè maiiaotf fazlè)^ Jc^e CHraitiil^t t^imleÉtèl, Bobife 
a oonducgào dos' <8egtindOB BO baisaeé, ^«-Wi Payàl 
foram para b Gtfto' t*ài^à éod lttV7. • 

r : ■• ' > , ' »... . • .» , 

Aiiua (lo Na^si^ùnantQ .dn Nossp,^aubqr ìe^^np QhmU) de mU sèi^ cenr 
tos sateiiiUit e ^te aos vinJta ^einove dj^s do ni^z dje Màrn^o do djto auno 
fteBta* Villa da 'Horta dest? JilÌia,do Paya.linaji\ pjisj^^ de flaòracla de Jor- 
ge Guulart f ìBawitel, fW^lgo d» Casa de àuft AH^za, CayaUeiro pro- 
fesso <l4 Ordem de.Gbrij*o,,C||)itio Mó«l d^sta dit? Hha e Goyernadi)r 
da.do Pico, eqS'Officiftfsda.capiarà <Ji^sta dit?,Ilha a))?L\.a a^signa^òg 
aat^ dUa Cs^itao Mw, e GQvaruatJqr, ^pj^arecéo p^QapitJSo Manosi 
Rodrigues, raestre.qu^ era, do uaviq Jfesm J^arla Joseph «me fi està 
Uba vioUa para, teyar os segrados cmmita ^^k^% p qM nayio lai)* 
cando-o eift4^rra s6 elle dita mastre e capi tao, j?eIo qual fòi dito que 
por qikanto a dita géofce estavs^JuQita qu^e Qonstjrv'a.dé duzentm efiezè- 
wo«?e aUnas, qm K)doB ^sta^varu n^'olrppto^.para qmbarcareoi, epi tss^s 
e aioja^nfiiU)^ dqlle dito Gove^^nador. .c^Hl o ijwnejo. de que vlviam, 
vendidQ para.F3pafo de.^ua^ feliniiia^ K^pm ^er^rn copa de (m viver 
neiii swst^ntiar a. vid^i.pela qual razao Iha s^ria formoso espa^par.erarse 
cad^ um^para donda quizesse» q que.yao fQonyinba 90 servilo ^^ Su^ 
Alteza^'por tambem/terem ^m sija rec^bidp os 9/V0 milxéis d'ayuda de 
<5D*to, se offeii«e€|u dito Gqvernpd/CMf ppc servii, di^ <gua Altéza, a 
sui^;eiìtar toda a di|a gente até vir Dfi^vio a (iu^cal-oi^, que compcava a 
i-onìer dij!4).eo4io comadita geijlepip vi^te jìo me^^^de Novembro do 
amia ptìfssado d^,mil 5eJ^.-cQntos seitei^ta e $^is a^^iaò teippo presente 
e dia qius se embavcarem; e a ^Ue ^to I^apqel Rooriguas, Capìtaglhe 
ordenava fòsse a Uba Terceira ante Provedor da Fazenda destai 
Ilhas Agostinho Borges de Souza Zimbrón, a manifestar-lhe a sobredita 
faita (Ja di|o .navio, e far/er diligeopia sp.acjìaya outro.en^ que. poetesse 
conduzir a (^ta gente^. p%ra;cujo.effej(o Jfie deu'^.prdem que parados 
gastos que jà estavam fcili>s à.au;stà,de Sua Altejca eiubarbdqji uo ^i^ 
vio que nao tornou, pondo dito Provedor alguma duvida mandar 

Voi. I—N.o 5—1879. \ 

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372 ARCHIVO DOS ACOKES 



fazer seguf^dm jftÈ^ wdia fiU^jlito inestre d^ oarte d'elle dito Go- 
vernador ^iJJPhé MerdjMjéUispi^ nesta 

liha h^^eibèJkfmlS itjbiift^ ixìvHvW^^^^^ ^1^ 

dita gente; e por quanto inno o dito iiiestre a dita liha Terceira a in- 
stancia do dito Provedor da Fazenda offerecéra Francisco Ribeiro da 
Costa, inorador na mesma liha, a sua charrua, nomeada Nosm Senho- 
ra da Penha de Franca e S. Francisco Xavier, apareltiada e costeada 
a sua custa, para ir levar a dita gente, com condigao da dita charrua 
lograr a iFiyHegin cancerftfo «a ^moel tìodrigugs-i)ojM>vio, J?^i* Ma- 
ria JozvfJ^ de qte nÌo tiévia. ikMìì^ìI: p.qu^ .^ssyi) llié foi ipiximettido 
pelo Provedoi* da Fazenda, e elle dito Goveniador o aifirniava em no- 
me de Sua Alteza, quanto o direito llie dava logar para que o Gover- 
n^der dos £^^m)i^ i|o Miirp^ilo e^So Varia em t(^ ^ por todo^de^- 
se mt^rarCHinpcHnento ao piivitogii) 4^ ^M^ ca^icedìda por Sua Al- 
teza aò mestreJifanoel.^odrjgHBs, tre^passapa a cliarìna qué de pre- 
sente leva OS clitos casaes, e por quanto a dita charrtta é de muito 
maior [Kirte que o outro navio, e pela ordem de Sua Alteza se enteii- 
de que eHe dito Governàdor niandaria os AUisscini^tm 4^éàes ou os 
màis que podesse levar o dito navio, e se erflbreciam novamente al- 
guns casàes para que dando-lhe ^i otto mH rèis da ajrtdà de custo lo 
go enibarcarem, ordenara elle dito Govemador a n^irtì tabelliSo de- 
nunclar-se ao almoxarife da Paì/enda Retìl desta liha Joi»ge Furtado 
d'Arez, declaràsse Se (jtieria, oli podiài dar a <f»ta i^juda de custo aos 
mais que sé alislavàm para ir em a dita tìiarrrtia; e oiitro sim perante 
mira TabefliSo e <los meimos afflcìaes da Camaràf fez pergunta ao dilli 
Manoel ftodflgues da fótta que tif*a na dita<5harnia para af matdtotagem 
que tinha da gente que fosse, pdrque a lodos queri^. assìstir a suiì 
custa por serviQo de Sua Altera, ée que de totìb Itie datia vìa para 
àbaixo deste se escie>'er e assignar de couk) d'efle dTito Om^érnador o 
recebeu som ser a ciTsta Ai Fazetida Reàh'e de todò ma^itm fazer 
este atìfo para ao pé d'elle eu Escrirao latrar fé rf^ dita detiunetagSro 
feita ao Almoxarife e o ror dò dito ùiestre, e aqui w^iar a carta de 
Sua Alteza escripta a elle dito Govbrnador, e ao diante a lk*a da gen- 
te que vaé, para de tudo mandar a cclpia a Sua AHeza, e ao dilo. Go 
vernador do Mai'anhSo e Grao Para corno Ihe é ordenadó: de que Ite 
este auto para todos assignai^em — Pedro Leal tfOliveira, TabeBiao 
tllie escrevi=Jorge Gontert Pitnentel===Sebasti5o telxetratie Car- 
rascósa =^ Manoel Rodrigués == Antonio da - SBveira Arma« «Melchior 
de Serpa de Medeiros=Esta|Cio Machado Dutra=Francfsco Niines da 
Co'sta. "..'.''' ■ •^• 

TeiMio sido denunciado auto siq)pfa ao alnioxarife Jorge t'iulado 
d'Aréìl, respondeu qué nao tinha òrdem do Provedor da Fazenda para 
dar ajuda de custo a mais de cìnéoertta easaes, ao que tinha satis- 
feito. ' . 



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AUCHIVO DOS AfORES 373 

E logo no mesriìo dia, mez e anno atraz dito àendo nas cazas de 
niorada do dito Goveraàdor^ eslan^cj aiti o mestf* | capilao Manoel 
Rodrigttes, eu Escri^ao ite depunciei o 2^0 àttaz*, que li e 4edaret^ 
e por ette bem entendido me Ibi dado em re:>po8ta que elte tinha 
a l)ordo d^ dita Héo racebido na lltm TeK^ira e uesta do^^ayal poiror- 
dem do Pmvedor da Fassenda Agoslinho Borges. de-Settóa Ziitììmm^ 
biscoito, iegnines, bacaMo, vinagre, vinlio^ udìe drolìA^ doc6r galli*^ 
»has, mahnetada e sai, caldeira:»^ lenhas« que tudo pela ififcurma* 
<;ao <{tie imi é experierirà de viageoi ihe pareoe bsi^tantie, e so Ibe 
faltava diìcoenta e m\^ pipa» d'agoa^tqne coni vinte que ienudo me^ 
mo navio ite pdr*ece btars^lante, «^ an^ra ^m^ àoi^ bum i^ira »ete£ 
na cainara par^*02$ fnenino», seis pe(6» (h pào» oito eélha$ e a« caiv 
nes d€ duas; A^cca:«, a quat pipando caii>e«^ cétha$ a pcies U>e dera o 
dito Góverniwlor olTereeendo à sna custa por servilo de Saa Al^&d, 
com o ^ue se ^teva por satìsfeito, é de todo o sobradHo por enlregue, 
(le qnc fe mtw que a^signei coro o dito mastre e capUao. Redro Leal 
d'Otiveim, TabelKao qm etì€revi*=»Olheira=^Manoel Kodfigu^. 



Carta de Sua Alteza. 



Jorge Goulart Pimentel, En Principe vos envio muito saudar. Coni 
aviso qiie me fev. Pedro Cezar, Governador do Estado do Maranhào 
(le haver chegado a elle mestre capitSo Manoel ilo Valle, com os' pri- 
meiros dncoenta casaes que d'essa Ilha remetlestes, os quaes se repar- 
tirani no Para i>elos moradores, em quanto se Ihes nao nomeava sitio 
[)ara sua vivemta: fui fervido resolver se passassem os outros cincqmta 
casaes ou os mais que póde^se, levar navio Jesu8_ Meria Jmeph, mes- 
ti e e Capitao Manoel nódiignek, que està \t)s ìiad^* entrejgar, pela 
qual vos ordeno, que com a maior brevidade [)0ssivel facies partir 
desse porto com os ditos casaes na conformidade do procedimento 
que tlveifies imw 08 par^ado^ e a iig^sti«ho Porges file &),i^:a m^ndo 
oi'danar assìsia com 4ij!>p6ndju^. d'aquelWs eonsa^. que uà llh;9 Tej:cei- 
ria ^ hao, d0 prevenir e ajudf de custo qjue ahi ^f) l^ie ha de. 4ai; a 
cada calcai,, com a<ivei'te^i9 que qs do li^a^à me . re()i eseutara^i que a 
aiuclà de cjftsio se Ilie vmmyXrì^rsk ej» >ar sen^Q/ern generosa e cs- 
tes por prefos muila difliertnles dos 4^ te^T^; que nj^aijdo i^dvertu 
a Agostinho Borges, para que e^ranhe .muitp aspef aniente ao pis- 
ciai que correo com estas ajudas de custo, e ho tocante ao aviso que 
ine fizestes sobre as dividas que estes homens deverem fui servido re- 
solver que elles as satisfìzessem pelos bens que tiverem, que poderao 
noraear seus crédores, e nao os tendo, ou nao bastando, acceitem 
e&tes escriptos seos d'aqiieitos quantiav de que o§ pqdenj fefcer, e 
as que altararem sera por ^scripturas na forma da I^i, para .quo 



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374 ARCHIVOPQS ACORiìlS 

a lodo tempo ojae melhorarem de fortuna e poderem pagar o fa- 
^am; e em qu^Sl ao navtò que lor budeari os casaes nào levar 
caf^a assim o inan<tei ei|cutary e quando a» leve t ste, obrìgare^s 
ao nlestre que a> deixe enFteira poì^ se frotoa onavio . air ^rez para 
melhor c^nnnodo dos casaes, è podereìs ir pi^eveiitodo o$. cem que 
inai» die)»!» bavera ness^ iiha e ha do Pico para qw no mxm que vem 
sé possaitt passar ao Estado* da Maranbao aiMpée mando avisar ao Go* 
yemador se Ihe prepare sìtio e mantiaientos para que em ^ua, chega- 
da nao sintatn fatta; e yos agradego o zelo que tendes de n^eu servilo 
ne$le pai^tio^lar, que me fica em lembrao^,. para em vossos melbo- 
raineiitos niandar ter particular atieuf ao; e eka tereàs em^ que os ca- 
saes sejam d'oflìciaes depedreiros— earpii^etros© eutras officia^s pa- 
ra augmetiito d'aquelle estado donde ba tanta falU d'eUes» ;e do< que 
obraNes me darei$ m>Bta com:acopia ck instrucfao> e r^elsaflo im ca* 
saBS qfie Y&o> cerno o fizestesda outra Yézr.e-àos Qffiàaei^ daiCamara 
dessa Ithd,' e iAaì$ ministros agradeeereis da i»ình«> parte o scorvi^ 
que iiist9 flzeirem, e ^r està fbes ordeno cumpram e guaidem. vo$6a$ 
ordens, para melhor effeito d'estas eonducgifes. Escripta em Lisboa a 
vinte e tres de Julho de seis centos setenta e seis. 

*"^ * "* -*v ^ Principe. 

.>)!%:. ■ \ . , ^Cpnde de V^alle de Reis. * 

, , ParJii^jIorg^ óv^il^ir^ plmeiitèl* na Ilhaì do^ Fsiy^i- ^ . • Z 

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SfigMe afljli tt(ga'>iìsta dap iii<ìÌY^opkjgL gue seT^fere o auto a^tececj^iite com- 

§QSjta d^ 50 iiomeog, 47 qiylheres^ e, tpais 126 pessosjs defanjilia, acompànliada 
a oeclara^ào segpnte : ' '' •.,... ^/ 

' O'tapènSoila dHà !*ào'P*>'Ctflds d'AndfMeìi que fi pedldr> do Go- 
veriiadtìr tói ehi*'étìnipàilhìa désta gefntìè'; ^irébeo uhi ortiameiitp uovo 
e compre to'pàfra ffizef nrfs^ga "^é irdmitìistr^t* o§ y^fci^rtiéiitos nècessa- 
rios, pài^a éiìffef^ar trfdò oilife tfuèf (Jftè tìqtii^ h'tìtta g'ente ao pitolo 
do mesmò natia Atltòtiió Nunés, o què- tbtìò tertdèrà' e trarà em sua 
comparihia '^òr* cónta e risco' da' sua (rfo '^f(^&haà^) erraida de Kos- 
Sia' Setìhofa dà' tuia, qire Hs llsvè e^ traga a* safìvamentò. * - ' 



Si • t • 



*\ 



Moto do na'vio 'acima, fèz'um proteàtt) arrte^ de partii^ do porto 
da Horta, por Ihe fattàr urna amarra; e %er muìlo riiB?cessaria por ter 



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ÀRCHIVO -DOS ACORES 



37^ 



d'ancorar muitas vezes naxosta do Maranliao, requerendo que o^ dito 
protesto fosse ilemiucìa4;>^?K) proeijrador do ciono ,i|o dito naVìo Ra- 
pl^aal J)m CarvaltiQ^ ao (jn^neM^.dea eniT^^osta qne tmàò 9 dita 
oàQ Ires amarrai .dua$i de fiaho^juma d.^ piassava, etres ap^^ra^ e um 
aHoorete^ift um viradòr de cento aj^inte bra^jis, de linUó, ^marrà^ao 
baBtairte para a dita nào.^guirviag^ p^ra a& dita» pactes^ protesta 
de.o protesto do dito Piloto Ihe nao pr^judicar e^i caso que pbri- 
guam p^ fonja de levar a dita jim^rra por conta )da nào, e elle dito 
dono a iiie«^tre 4» 4ita ìiao naverem valor éjà dit$ aiv^rrà por cfuem 
de direito fór, porqitò seudo ca%(i que a.nào tiveé^e necessidi^de da 
dita amarra, a devia pedir piloto aos donos em aNCidade d'Angra^ 
ondoKtio: ttiDradores, oh ante ó Pr^vedor da Beai Fa^^a AgosMnho 
Borges^ ZimbnM, porque fòaende-oa^Siiin nSo prejijidicava :ajl|es, mes- 
tr^MdnoelRoddgues e >aQ procnradóc da nào fiUpbaal Dia^^arvaihd, 
pois nadita Ckkd^ d'Angra se labrìcóu ,a dita nào de todo q pèc^&sa- 
rio que se houve mister do que dito Piloto pedia. — Requerem se 
Ihe mande tornar este seu protesto juntando-o. ao do dito Piloto ==Ma- 
noei'fiodrìpies^iiaphael Dìas Carvaifao. . / 

Acrescenta dito R^baet Dia^ Carraiho, cpiei) ^enhori©: da dita 
nào Francisco Ribeiro da Costa, ofiferecèo ao Provedor da- Fazenda 
Real Agostinho Borges Zimbron, a dita nào para servilo de Sija Al- 
teza, a vir tornar os dìtos casàes a Uba do Fayal sem que lucrasse ne- 
nbum frete mais que por servilo do dito senbor, corno consta do au- 
to que dito Provedor fèz, e so para seguranga da viagem do servilo 
que vae fazer a Sua Alteza, for preciso a dita ariiarra deve sr. Al- 
tnoxarife da Uba do Fayal dal-a por conta do dito Senbor, para mais 
seguran^a em seu servico- _ » 

Raphael Dias Carvalho. ' 



Juramexxto ao esorivSLo das ra^Ses de bordo, Bartho-* 

lomeu Vieira. 



Em cinco d'Abril de mil seìs centos setenta e sete, na Villa da 
Morta, Uba do Fayal, nas casas de morada do Govemador Jorge Gou- 
lart Pìmentel, appareceu Bartbolomeu Vieira, um dos boraens dos ca- 
sàes contheudos na lista atraz, a quem dito Governador entregou a 
lista por menor dos casaes que v3o na dita cbarrua, com as pessóas 
qne cada um dos casaes tem, para que nas costas da dita lista fa^a os 
assentos do gasto que cada um dia fizer com a dita gente os quaes 



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HTp ARCHIVO DOS ACOHES 

asseI^os assignarj^ pelo cabo Fr'ancisco Alveniaz Pereira para confor- 
ma di.^pendió m- levado eni conta ao capHaó e meslie, e para que 
Olii tiidV pbre corno é obrigado e Sua Alteza eiicommenda, (he Qefn jnr 
rameiito <iJos Sanlos Evaiigelhos, sob cargo do qnal Ihe eiicari-egou 
(jue bem e N'erdadeiraincnte fizefsse a dita de^péza, o que assihi prò- 
metteu fazér^e «^rrtregar a dita Hsta com adita despéza ao Governador 
dos Estados do Matanhao para por ella tornar conta na forma que é 
obrigado; de (|ue liz este termo que assìgnou com o dito Goter nador- 
Pedro Leal d'Oliveira, tabelfiJo que o escrevi«^Jorg^ Goaiart Pinrien- 
tel = Barlholomenj Vieira = Manoel Rodrìghes: 

/ . • ♦ 

No iitesiiK>^a acima fdi tevrado um termo em qoe ó <'apilao do 
navio conferà ter l'ecebido a bardo duaenras e rime éum ahmi»^ (i) 
excepto /tf Ca()ett5o, i\nt^ s« dirigoìi a etitiM^gar a© Go\^riiàdor d^ Ma- 
v^\M(6 Pedm (]ezar de Menez*?^, Otì a quem «Ha» vèzt» fizesse. 



N. B. Ein consequoncia da erangao qu« hoiiVe proniim da freguezin^o Ca* 
|)cl!o eiii 1673 e d€fe$ ec^trfi^s por ella (xiuMdpi) i}^% jiixipriedadeg particu|;(iics f\-- 
(*aram i-^duadog ^ uiizeiiu pi gi'aiide iiumerò de ìi^bitantes, ^ por isso o Gover- 
no 08 fljjintiou traiisix>rtàr a sua custa ixira o Para, corno se yo a pag. S6^ d'es- 



(1) Na n^lacào (ni(k)ntran>se 123 alimi», rxccpto o capellJfo. 






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ARGHIVO DOS Af OHKS 377 

ProvigSio pegia ordexxando o transporte e .eatabeleoi- 

mento de colomoa a^orianos uà. lUia de Santa Ga« 

thax^tta^ no Bramii. 

DoM Joao pqr grati de Deos Rei de Poctii^al e dos Algarves, d'a- 
quem, e d aiem mar, mn Alìrica Seahor (ie Giimé &c, de. &c. 

Fato saber a vò^ Governador» e Capitao General da Capitania do 
Rio de Janeii'o, que em Con^uUa do Meu Conselho Ultramadnò de oi- 
to d^Agoftto do anno pa^sado ijjobre.a represeatacao dos moraclores 
da8lìha4 dos 4.CÒres, em ({iie me, pediuQ luaiklasse tirar dellas o nu- 
mero de CÉ|i»aei, que Me parecasse |/^ra serein transportados a Ame- 
l'ka: iiouve i>or barn re^iolver ^ luaudai^j^e trasportar até quatro'mil 
Casaeis piira asnarle^ do Ei-a^jU, que jw»e «lais preciso e convenien- 
te po^'oareui^i^ (ogo^ e qne taijabam pode^ii^eui Iììf Casaes de estran- 
gaif^ ()ue m0 kìsaem subdito:» a Soberanos que tenhao doaiinios 
ii'America a que possao passar, com tanto que sejào Catliolicos Ho- 
Bianos, e que &eiMlo^artì(icas se, lhe$. podesse dì^r.iÀ ciiegada ao Brasil 
huroa ajttdà de eusto» c^tiforuM^. a sua perveia^ que nao excedesse (xsta 
a mii e duj^nto^ réi^ a i;;|da» ìmn, confoip^e outras providencias in- 
^rtafif^ no £dJtol, de qiae com està «e tos reuietteo) dous exemplares. 
K representaudcNue die^ois o oiesoio Couseitio que seria conveniente 
exteuder^s^ a me^n^a grata a Uba da Madeira, a^im Houve por beni 
appiofvaJro: om virtude destas RbsoIuiqì^s se ordeiwu ao Goyerpador 
e.Capflao Genera 4^ Uha 44 Madeira, e aos Miuistros da Justica, e 
Fazenda daquella Ilha,.e.dai> dos A<gores fizesseiu fixar pelas babita- 
coes^ deUas o dito Kdits^, e aUMaasem ,t<^xla a gente, que se offerece^se 
para se traosportar k Uba de Santa Cl^tbarina, por onde parece con- 
veniente ùmìf^^r a iutrodue^ào dos Casaes para se estabelecerem as- 
siffl nella, corno na terra tivme, e seu contorno. 

E por quantjd^ das llhas dos A^res se recebérao ja uotfcias de 
acharrse grande numem de geote prompta; para este "trap^^^pirte se 
}ulgott a proposito nap deixar p^ssaiT estQ terao, seni cuidar com todo 
G caloT m (dmm^lQ delle. Pete que mandou-se por Editaes para 
selon^r por as46iìtao,dito trauspoile com as condicoes do contr^cto 
aan^ocQ, forJti^Bf)o<rSie juutaniente o Regimealo, de que tambem se yos 
remetle copiia: pai*a se observar a boa ordem precisa qos Navios que 
levarem as Ga«iaaf se arreiDatou o assenno a Feiicìano Yelho Otdenv 
bergjiejos preeos 4jw.no vàQifimì coptracto vereis, Dadas estasprovi- 
daMcias para a conduca da gente, pareceo ordenar-vos por està |*ro- 
v^o o^niaii^ que <)Oiwem di;sfv)r para.o estabelectmento dos ditos Ca- 
saess ndft iiitios, glie sé ihes distribuirem e.destinarem, e para .execucao 
das condìoues que seJbes o£fereeérao no refendo Editai, a cujo effei- 
to, Ilrml^e por bèiu em consulta do dito Conselho de vinte ^ seis de. 



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378 ARCHIVO DOS ACORE* 

Junho^ (leste j)resente anno determinar o seguinte: Que executareis no 
que vos locai*, e ^arlìéipàrelà 'ao Brì^flèii^o ^J&sé *à^ -Sita Paes*^àra 
que ihé de cunipriìhentió lia pairte.Hpte'ft« perteitcer, ^ em* ^a«l#ncia 
delle executarà o Officiiil quiapaest^yeri jspìiqr|iiindo a liha de Santa Ca- 
tharina. * . 

Ordenarei^, que se ponha prompta naquella Ilha, e mais partes 
da sua vizinlianga, aonde vos parecci^ nefcfessartoj a« Farinh^s |>ara a 
racao que mando dar liò primeiro flrnioi-' gente qwè «e trtosportarr 
este pfoviménto, Como tambeiii òs mai^; podeneis mandai fazer por 
assento, quando assim tò^ ji^^fe^^ maiS cotìvenieifìte. ' ^ ^ 

Nos portosi daquelle' (contorno sei feràlodds os mezeb, óu- uis t&n^- 
pos gue parecer mais oppoi-tuno, A pet^carila para por. f)ro!ìiptob»p€ii- 
xe tresco, ou secco* para às me^mas'r)a?oés nolf diafe* d€? J6|uteì. 

A 'Cada pessda de qiiiatorxeàtìftos para €*ma*se diarJteilreà^apta» 
de l^arinha pof mèi? da to^tf^déf. terra; è^hiinr itmeì de ^ììì^, m 
carne por dia; a pes^oaS'de (pitìtorzeiihAositè sete coftipletos, a me- 
tada da dita racSo, é aos tìè stelle atétres-aimos èoiripleto»* alterca 
pat*te> e aos rtienw^gs dfe trés antìbs? natìa. ' r » . ^ : ■ . • 

' Dévels faizer remetter parir ^ dltrt Ilha o dlhherrb lìeceSBario para 
se satiSfaizerem as ajudas^dé cù^tty prometliltes nb ditd EéHrt, e. a:^ 
màis que eli ofdetìa^ sé dirètti ^ sì^étid e^jtonos d6 maig mereeiinen^ 
to, e à« que s^e deterem dar aofs ArtiBòe»iCònfetmcf a fM j^erfcia^'co- 
mo acìitia fica apontado. *to' Brig'àtìeiii) porà lodò o caMafio era 
qu^ estes notó^ Co^ktoos sejaó bdm frhttìdos, e ag^allìddos; e aBsfm 
queMhSB cFfégaìr està prdem, pro^iurarìì esoollter ^ssìih na mesma Mba 
conio' nàHerra firme ^djacente desAe^t) BSo d^e^S; franciscodo Sqt até 
ao Sei^ró de S. Miguel, èno seiilio doi-netepondente n^ié élslrieto 
(ctìm attencaó potém à qute se nàci déjnsfara^ao de qtoeixa mi Hes- 
panhoes bonfinarites) bs'sittes màis pt(5I)rios pmà hindaretn Lugares, 
em cada bum dos quàes se estafcéle^a^, pobco mais ou iftenos, aes* 
s(Jnta^ Casaes dos que foreìtì chegarndo, e nò òontortìo de- cada* lagar» 
nas' terrai (}ue airida naò estiverén diadas de Sèsmiariff assignaJarà 
html quarto de legoa em quadro a cada hui» dos clftiegàs de Casal do 
mesmo Lugar na torma decfarada My,dftò Editai. Para a assento de Lo- 
gradqnròs piibUcos de cada Fram éestltìslrà- mela legoii em qttadno, e as 
derfiaica^oes destas porQ^ies de terrassé ftirSo por onde meftoro mos- 
trar é pérpfiffttir a commoiftdade dò terrigno; lìlO'jmpo^t^ttio que >*qiie 
eni quad^o, com fiiiilo qure a qu«ftìtidadfe detierra sej» a qoe^ fica dito. 
No sittò dèstfnado pari ò Lligar àsslgnàl^rà bum quadiMl para pr»<ja, 
de qtiirthénlos palmosde face, e' fem Wm «dos'iaé^s se- pori a* Igceja, 
a riia* tìif rna*s se démarcarSo aòcordfel tìomf largura ao mefiios. d^gna»- 
rèrftà palmos: por ellas, erios lado* da^Prà^a ^se poraoas mowidae^ein 
bòa otdeW, deixandò-entre humaà é òliti^ks, e para ^iraa togar^ suffi- 
ciente e repartido para Qulntaes. * Attetìctendo afesim ao cohìibÌkIo pvelf 
sente, 'comò poderao ampliar-seas casàs -para o futtiro destes toigàres 



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ARCHIVO DOS ACORES 379 

.para com os seus ranxos e casas de taipa cobertas de pallia, mandarà 
logo dito Brjgadeiro por promptos dous ou tres para nelles se ac- 
oommodarem os prinaeiros Càsaes, que forem chegando, e para que 
ìè& achem logo reparados das injurias do tempo, em quanto com a pro- 
pria industria se n^o provém dò raelhor commodo, e para seguranga 
destes ranxos se remettem entre as ìnàis ferramentas duas .fechadu- 
ras paca as portas d^ cada hum. 

Estabelecidosvos primeiros Casaes nos seus Lugares,, ordenarà o 
dito Brigadeìro, qne nos dias que Ihe parecer determinar-lhes cotti 
rrienos prQjuizo das suas proprias occorreiicias vao armar choupanas, 
e taipas nos Lugare^ que Ihe ficarem mais vizìnhos para se accommo- 
darem OS Casaes, que depòis delles chegarem, os quaes successiva- 
mente hirao preparando os commodos para os que se llies seguirem, 
de sorte que os moradores de cada Lugar sejao obrigados a arpiar 
para os d'otìtro Lugar vizjnho p mesmo commodo que a eiles se Ihes 
preparou. A cada hum dos Lugares, depois de povoados, farà o dito 
Brigadeiro Iranspòrtar todos os oito dias a farinha e peixe a propor- 
(;ao da gente que tiverem, e a mesma proporcjao farà passar a elles as 
cabegas de gado necessarias pafa o seu sustento, e com este provi- 
mento farà acudir sem fftlta a todos os ditos Colonos durante o pri- 
ni^iro aano do seu estabelecimènto. A cada hum dos Casaes mandarà 
dar logo que estiverem situados, duas vàcQas, e liunia egoa, qtié se ti- 
rarJU) das minhas Estanciàsl Em cadà.jLùgar em communi quatrp Tou- 
ros e dous Cavàllos; tambem manclarà dar a cada um Casal no tempo 
oppoi^tuno p^rja fa?er€;m à^.suas' sementeiras dous alqueires de ser 
meutes cóndiàidòs aos mpsw^ LUgares, para nelle^ se repartirem. 

Em cada, hum dos Nayios, que fizerem a conducQao da gente, se 
bade repjétter deste Bèftio próviniento de espingardais,' e ferramentas 
proporcio^.adb aosdas^es da sua lotagSò/a^ quaes .0 aito Brigad.§iro 
lh<?s farà (ìi;stribuir, tantp qfue estiveren^ assentados, a cada hum hUma 
espirigarda, huiiia fouce i^ogadora, e as mais ferramentas confornié Ihe 
for^Oj promettidas m, dito Editai, e procur;irà qiie as conserve'm, sèm' 
as ven4e^em^ es^ecialrnènte^a^ 

Em caàa lugar dos sobreditos fareis logq levantar Imma Co.mpanhia 
de Ordejiangas, nomeando-Ilié Oflìciaes no caso que nao vao de cà. 110- 
mQados • alguns Capjtaes, e nestas Compaohias se alìstarap todos os 
moradores casados^ e soUeiros,.e dareis <j|s ordéns parafa sua disci- 
plina na mesma forma que se pratica uaspùtras. terras do vesso Go- 
verno. 

. mesmo. Brigadeiro farà que em cada hum dqs ditos Ipgares se 
constitua logo Juiz na forma daj Or4ena(;.ap/^e anibos Me inforiMreis 
com vosso parecer, sé em razao da distancia da Ouyidoria de Per- 
naggà sera conveniente que em'algumas, povo^Qoesdas do dito^dìstri- 
cto se poriha Ouvidor separando a Administragào da fustiga. / 

E por quanto primeiro cuidado que deve ter-se, he ([ne todos ós 

Voi. I— N.° 5-.-1879. .2 



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380 ARCHIVO DOS ACORKS 

ditos Colonos* sejào assistidos de pasto espirituaU e de Sacramentos, 
em cada hum dos ditos Lugares farà lògo o dito Brigadeiro levantar 
huma Igreja da estatura que basta para este primeiro estabelecimen- 
to; e para o seii fornecimento, e exercicio do culto divino se reniette 
em cada Navio o preciso, calculando para sessenta Casaes, o que toca 
a huma Igreja. 

Ao Bispo de S. Paulo, a quem presentemente pérténce aquelle 
territorio Mando a este respeito avisar pela Mesa da Consciencia que 
se bade constituir em cada Igreja destas hum Vigario, ap qual no pri- 
meiro anno se darà o sustento, e mais comiùodos conio aos outros Co- 
lonos, e terà sessenta mil réis de congrua, e a Igreja se darao dez 
mil réis por anno para à Fabrica e gùizamentos,' huma e outra quan- 
tia paga pela Repartigao dos Dizimos daquelles distriótos. 

E para que nào succeda ao princìpio, comò he faqil, experimentar 
falta de Sacerdotes para estas \igararias. Mando pela dita Mesa avi- 
sar aos Bispos do Funchal, e de Angra, que cònvidem a algtms Cle- 
rigos daquellas Ilhas para hirem em companhia dos mesmos Casaes, 
comò tudo entendereis pelas Copìas que coni està vos remettem, do 
que se avisa aos ditos Bispos. A estes Sacerdotes se darao à sua che- 
gada dez mil re^s a cada hum de ajuda de custo, e terà p dito Briga- 
deiro particular cuidado que se n3o apartem das Igrejas em que forem 
postos para outras terras do Brazil nos termos exprèssados ao Bispo 
de S. Paulo; e quando a isto faltem, escreva ào Ordinario, a cuja Dio- 
cese bouverem passado, para que os obrigùem por todos os melos, e 
demonstraQoes convenientes a tornarein para as suas Igrèjàs. A ca- 
da hmn dos ditos Vigarios se derà tatnbèm huma data de bum quar- 
to de legoa em quadro para passaes da sua Igraja, e a lodas as des- 
pezas que occorrerem na execugao do que fica aito fareis actldìr des- 
sa Provedoria do Rio de Janeiro na fórma que ficareis èntendendo pe- 
la Copia que se vos remette dò que mandò escrevjer ao Pt-ovedbr da 
Fazenda. i ^ 

Ao Provincial da Companhia de Jesus Mandei escrevèr a Carta 
que vai inclusa para que envie àquellas terras dous Missionario^, can- 
forme ficareis instruido pela Copia annexa. 

Informareis com o vosso parecer quantos Casaes. sera conveniente 
passem à Uba de Santa Catharina, e para quaes oiitros conrirà répar- 
tir numero dos quatro mil, que tenho òrdenado se conduzao indivi- 
duando as conveniencias que nas mesmas partes se achàrab para o 
transporte, sustento, e commodo dos novos Colonos. 

Quando em alguma das ditas disposigoes se vos offereQa, ou ao 
dito Brigadeiro, inconveniente naò previsto, ou entendaes que por ou- 
tro modo se póde melhor conseguir o intento, deixo ao vosso arbitrio 
e prudencia, e ao dito Brigadeiro no que Ihe tocà, tomaréis o expe- 
diente que parecer melhor, dando-me parte assim do que se innovar, 
corno da execuQao que se der ao que nesta se contém. 



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AUCHIVO DOS ACORES 381 

E por quanto he conveniente que se fique conliecendo distincta- 
niente a utilidade que a Minha Fazenda receber no transporte destes 
£asaes, a proporgao da despe^^ que com elles flzer, Hei por bem or- 
denar, que n'Alfandega do Rio de Janeiro (e que. tanibem ]\Iapdo exe- 
cutar na de Santos) haja hum liyf*o separado de registo, em que se as- 
seutem todas as fazendas que.desses portos se trainsportàrem para 
OS da Costa do Sul do rio de S. Francisco para diante até o de S. Fe- 
dro inclusive, e que estas fazendas vao com guias ^os Juizes, ou Pi o- 
vedores das Alfandegas do Rio de Janeiro, ou Santos, sem a qual se 
llies nao perniitta a descarga nos ditos portos do Sul, e que os mes- 
mos Juizes, ou Provedores Me dem annualmente conta por este Con- 
celho do que importarao ànnujalriiente nà sua introducgao destes tlei- 
nos e Ilhas os direitos.das Fazendas assim transportadas, o que fareis 
pontualmente ohsenar pelo que toca à Alfandega dèssa Cidade, e en- 
tro sim que acabado, o contracto^^actual da Camara de S. Paulo em que 
presentemente se incluem os Diziraos daquelles districtos do Sul, se 
faga ramo a parte delle, de que pertencerà o rendimento a essa Pro- 
vedori/a do Rio de Janeiro^ da qual se pagarSo as, congruas dos Viga- 
rios, Igrejas, e Mìssionaribs do alio districto. 

Gonfio da int^Jligeucia e acerto com que costumaes obrar, e do te- 
lo, e ac^ividade cojift quefCumpris as vòssas obrigagoes; poreis parti- 
cular (Hiìd'adq ém regul^r esje injpo^tante, negocio,' conio pede a utili- 
dctdé :ào meli Seryico. ElRey ^Wso Senhor o mandou pelos Desem- 
b^'^adoves j^lexandre MetelIo.de Souza Menezes, e tliomé Gome^s 
Moréjiraj Consellieiros do seu (ionselho Ultramarino, e se passou por 
duas yias/.Ped'ro'Jose Correa a.fez em Li'sboa aos nove de Agosto de 
luil feete centos quareilta e sete. Haphad Pires Pardinho, 



Editai piiblicado nas ilhas dos Agores relativo ao 

transporte de colono^, a que se refere a Pro- 

visàó antecedente. 



ElRey Nosso Senhor attendendo as representa^oes dos moradores 
das Ilhas dos A^òres, que Ihe tem pedido mando tirar dellas o nume- 
ro dos Casaes que for servido, e transportal-os a America, donde re- 
sultare as ditas Ilhas grande alivio em naò ver padècer os seùs mora- 
dores, reduzidos aos males que traz comsigo a hidigencìa ém que vi- 
vem, e ao Brazil hum grande beneficio ém povoar de cultores alguma 
parte dos vastos Dominios do dito Estado, fdi servido por resolncao 
de 31 de Agosto do presente anno, posta em Consulta do seu Conse- 



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382 ARCHIVO DOS ACORES 

Iho Ultramarino de oito do mesmo mez fazer mercé aos Casaes das 
ditas Ilhas, que se quizerem hir estabelecer no Bi*asil de Ihes facilitar 
transporte, e estabelecimento, mandàtido-os transportar à custa da 
sua Real Fazenda, nao so por mar, mas tambem por tèrra até aos si- 
tios que se Ihes destinarem para suas'habitaoSes, nao sendo bomeus 
de mais de quarenta annos, e nào'sendo as'mulheres de' mais de triu- 
ta: e Jogo que chegarem a desembarcar ho Brasìl a cada mulher que 
para elle fòr das Ilhas de mais de doze aiinos, e de menos de vinte e 
cinco, casada, ou solteira, se darao dous mil e quatro centos réis de 
ajuda de custo, e aos Casaes gue levarem filhos se, Ihès darao para 
ajuda de os vestir mil réis por cada fllho, e logo que chegarem aos 
sitios que hao de habitar, se darà a cslda Qasàl huma espingarda, duas 
enxadas, huiu machado, huma enxó, hum,i1(iarteno, bum facao, duas 
facas, duas tesouras, dua;^ verrupilas, ò buìna, sèrra com sua lima, e 
travadoura, dous alqueires de sement^s,' duas yaccas, e huma egoa, e 
no.primeiro anno se Ihes darà a fariilha qué sef.entender basta para o 
sustento, que sao tres quartas de alquei^e da terra por mez para cada 
pessoa, assim dos homens, comò das mulheres, mas n3o as criangas 
que nao tiverem sete. annos, e aos que os tiverem até aos quatrirze se 
Ihes darà quarta e meia para cada niez. OS homens qile passarem 
por conta de S. Magestade, ficarao iseiitos de servir nas troJ)as pagas, 
no caso de se estabelecerem no termo de dous aiinos nos sitios que 
se Iheis destiuarem,'onde.se darà a cada Casal bum quarto de legoa 
tem quadro para principiar a sua cultura, sem que se Ihes leveto Di- 
reitos, nem salario algum por està sesmaria: e quando, pelo tempo 
adiante tenhao familia com que possao cultivai: mais terras, as pode- 
rao pedir ao Governador do Districto, que Ihas concederà na forma 
das Ordens que tem nesta materia. E aos Casaes naturaes das Ilhas 
que quizerem hir deste Reino (por se acharem nelle) se Ihes farao as 
raesmas conveniencias, comò tambem aos Casaes de estrangeiros, que 
nao forem vassallos de Soberanos, que tenham Dominios n' America 
a que possao passar-se, e aos que forem Artifices se Ihes/darà huma 

ajuda de custo, conforme, os requisitos que tivarem. . . . , » 

Manoel Cantano Lopes da Lavre. 



Aconteceo, que os casaes vindos dos Agòres trouxerao em sua 
companhia grande numero de individuos aggregados, è de creangas de 
ambos os sexos, que foram inuteis para a cultura das terras; sem du- 
vida por que nao se flxou o numero de pessoas de cada huma familia; 
e tambem porque se mandarao dar as ajudas de custo por cabega, e 
nao por familia; do que resultou que quanto maior numero de indi- 



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ARCHIVO DOS ACORES 383 

viduos trouxerào os casaes, tanto mais ajudas de custo estes recebe- 
rao na sua chegada a Santa Catharina. Alem disto resiiltou bum 
grande. ipal das pequenas doago^s de terrenos que entao se fize- 
rao aos easaes/que fol huià quarte de legoa (||iSidra(ib;Tppr quanto 
por motte dos^paisos filhos partilharao, e ccrube af cada hutn^em par- 
tilha hùma pèquena quota daquelle terreno, a qual quota alguns dos 
fllhos venderao, deixando os estabelecimentòs que os pais hayiao co- 
niegado, e abandonarao a rida de agricultores para se dedicarem a 
.outra.. Peste»' mates; e de outros qpaiielxo em silencio, provenientes 
dos erros que entao tiverao lugar, nasce em grande parte a falta da 
populagao e da agricultura, que hoje se observa e ve na Capitania de 
Santa Catharina. A vista pois destes males, que no paiz sao notorios, 
seria grande indiscricao nao evitar agora a repetigao delles. He ne- 
cessaria toda a previdencia nas medidas qtte se*^tomarém jJari povoar 
e cultivar o SertSio, a firn de que ós ^estftadbs, que- so podem appa- 
reeer'para o 'futuro, sejao aquelles que se desejarem, e forem uteis 
ao Estado: ....,, .« , 

(Estes tres docunientos acfiam-se /jÌ^ [^Memori a politica 'sóbre a 
CAPITANIA PE Santa Catharina ptyr Paulo' José Miguel de Brito, publi- 
cada em 1829 pela Acadeniia Beai das Sciencias, pag. 124, 172 a 181). 



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EniNCCllfl OOS J£SPIT»S llflS JlfllES 



Documentos sobre a sua; prlzfto ha Ilha de &.♦ -Mi- 
guel em 1760. ' 



Eu Ei-Rey Fago saber a vus g^Jiveniador da Iliia de Spo Miguel,, oa 
quem vesso cargo servir, q-ue pela cojlecc^o impressa» que recebereis 
com està, vos serao presentes os justoS:, e indispensavéiis .mplivos,! que 
obrigaram a minha Religiosa Piedade a ceder a urgencia da ajmha in- 
defectivel Justi^a para fazer expulsar, corno se tem expulsado de to- 
das as Provincias deste Reino os perniciosissimos Regulares da Com- 
panhia denominada de JESU. E porcjue na conformidade da minjia Lei, 
dada em tres de Setembro, e.publicada em très d'Oùtubr,ò 'do anno 
proximo precedente de mil sete centos cincoenta e nove, se devemter 
OS mesmos procedimentos com aquelles dos sobreditos Regulares, que 
vivem no Territorio d'essa Capitania: Para que a expulsào d'elles se 
possa fazer com a mesma tranquillidade e silencio, com que se execu- 
tou nestes reinos: Sou servido ordenar o seguinte: Logo que vos ins- 
truires do contheudo nesta carta, chamando à vossa presenta o Minis- 
tro e officiai de guerra que achares mais digno da vossa confiau^a fa- 
reis por elles embarcar logo na.Nau de Guerra Nossa Senhora da Na- 
Hvìdade, commandada por Joao da-Costa de Brito, todos aquelles dos 
ditos Regulares, que n'essa Cidade e seu Districto residirem; recrutan- 
do OS que fora da mesma Cidade se acliarem dispersos; de sorte que 
todos sejam embarcados na mesma Nau de Guerra; o que fareis exe- 
cutar denoite, por evitar escaudalo, sem que se Ihes possa permittir 
a menor communicacao com pessoa algiima. No dia proximo seguinte 
ao dito embarque, fareis entregar a Camara dessa Cidade a carta que 
Ihe vae dirigida debaixo do seu nome. Successivamente fareis publi- 
car a som de caixas, com as tropas formadas, e à testa dejlas as duas 
Leis, que ultimamente promulguei neste Reino; assim para a total ex- 
pulsào dos mesmos Regulares; comò para ser reposta e guardada no 
archivo da Camara a Collecgao dos documentos, que devem perpetuar 
piìra saudavel aviso dos vindouros os horrorozos factos, que deram 
tao indispensa veis e fufìéstos motivos a estas'demonstracoes do meu 
Real, Justo e Supremo Poder. Recommendo- vos um cuidado especial 
em fazeres remetter ao Juizo da Inconfidencia deste Reino, com toda 



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AUGHIVO DOS ACORBS 385 

a exactidao, e brevidade, o Inventario do sequestro, qua se houver 
feito^ e flzer aos sobreditos Regulares expulsos, com a declaragao das 
sommas que os bens vendidos e sequestrados houverem produzìdo e 
forem produzindo. que ludo sé entende deduzindo-se sempre o que 
necessario fór para se satisfazerem as obrìga^oes do Culto Divino, e 
as disposifoes testamentartas, corno pelas minhas Reaes Ordens està 
detérmìnado. As Igrejas, Collegios., è Noviciado, que forem càsas pu- 
ramente Religiosas, e immediatamente dedicadas ao Culto Divino e 
Exercicios Espirituaes, serao entregues a administraQ3o do Bispo ries- 
sa Diocese, ou quem seu cargo servir, na forma que tenho determi- 
nado. O que porem se n5o extenderà às Residencias, e Casas de 
grangearia, que impropria e abusivamente se chamavam Missoes. 
E tudo espero que executeìs com a fidelidade, zèlo e acerto com que 
vos empregais no meu Real servilo; de sorte que Eu tenha muittf que 
vos agradecer na éxtirpagao dessa parte d'urna Sociedade, que por 
tantos, execrandos è manifestos modos tem mostrado, que é commua 
de mrnha Real Pessòa e Dominios, e doslnteresses, e conservagao dos 
meus.fieis vassallos. Escripta no Palacip de Nossa Senhora da Ajuda 
a quatro de Julho de mil setecentos e sessenta (1760). 

Rey. (Com rubrica e guarda). 

Para o Governador da Ilha de San Miguel, ou quèm seu logar 
servir. 



Carta do Conde d'Oeiras ao Governador om S. Migmel, 
sobre os Jesnitas, em 1760. 



Na conformidade dà Carta Regia, mie V.*""® recebe'rà com està, re- 
metto a V.°**® OS dous massos dirigidos ao Bispo dessa Diocese,^ ou 
quem seu* cargo Servir, para serem entregues ao referldo Prelaflo, ou 
na sua falta ao Cabido, no mèsmo dia em que V.°*^ fizer publicas as 
duàs Leis\ que fc/ram pf omulgadas ■ para a expulsao dos Jesuitas, e 
pari èi custodia da còlleccao dos documentos, que devem pei*peti|ar os 
execrandos attentados dos mesmos Jesuitas para preventivo aviso dos 
vindouros: levando um dos ditos massos duas cartas Regias similhan- 
tes às que v5o compiladas debaixo dos numeros dezesete e dezoì- 
to,da dita collecQao; e outro um exemplar d'ella authentico para 
ser gnardado no archivo desse Bispado, segundo o espirito da Lei, 



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386 ARCHIVO DOS AfORES 

que tambem vae compilada debaixo do numero vinte da raesma col- 
lec^ao. 

Deos Guarde a Y."'^. Nossa Senhora da Ajuda a 5 de Julho de 1760. 

P. S. NaQ obstante o que acima reflro, é §. Magestade servido 
que y.?"^ encarregue o Gonde de S. Vicenie Manoel Carlos da Cunha 
da direiHjao do embarque dos Jesuitas; porque vae munidocom todas 
as orden^ do dito Senhor para ^ste effeito: e que sendo necessarios 
alguns mantimentos, ps mande V.'"^^ fazer promptos por conta da Fa- 
zenda Real. . , . 

CONDE DE OeIRAS. . 

Sr. Governador da llha de S. Miguel ou quem seu cargo servir. 



— ---e^-f-^ &^ — — 

■ » ■ 

Carta do Oonde d'Oeiras ao Governador em S. Miguel, 
sobre os Jesuitas, em 1761. 

Sendo presente a S. Magestade a Carta de V.""^^ de 27 de Qulu- 
bro do anno proximo passado, e as que tambem me tinha dirigido an- 
tecedentemente, dando conta do que obràra respectivo ao Leilao dos 
bens,*em que se fez sequestro aos denominados Jesuitas,- e que conti- 
nuava em fazer algumas cobrangas do que deviam os rendeiros, das 
quaes daria parte, justas que fossem as contas, e pedia resolugao do 
que deveria obrar quanto a cumprimento dos legados e pagamento 
das congruas aos assistentes do Collegio: mesmo Senhor approva o 
que -Vt^^Uem obrado a respeito da dita deligencia; e manda declarar- 
Ihe que quanto aos lr?gados pratique V."*^ o què se acha expressa- 
mente determinado na Carta coni data de 19 de Janeiro de 1759; que 
se expedio ao Desembargador Fedro Gon^alves Cordeiro Peì*eira, que 
vem na collecgao dos Bref es Pontificios, Leis, instituieoes, e mais^ pa- 
peis, que s« imprimio no dito anno, e pelo que toca às congruj\s ar- 
bitre ^.'"'^.seni excesso aos referidos assistentes (lo Collegio a s que 
Ihe .parecerem proporcionadas segando o estillo de^sa Iliia, e Ih'as 
mande. pqgar dando conta do arbitrio que fizer para que sendo pre- 
sente, a Sua Magestade, possa resolver o que for servido:— P^)S. Guar- 
de a.Y.""^* Nossa Senhora da Ajuda a. 3 de Janeiro de 1761. > 
■ • • • . > . ■ 

CoNDE DE OeIRAS. 

Sr. Antonio Borges de Bettencoiut. 



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ARCHIVO DOS ACORES ^ 387 

Carta de Francisco Xavier de Mtoura Furtado a, Antonio 

Borges de Bettencoùrt, éóbi*é os sacerdotes que foram 

niandados para ò Ooilpgio dos Jésuitas em 1761. 

Fói presènte a Sua Magestade a Carta de Vm.^ de 2i d'Agosto do 
anno proximo pastsado, emtque declàra »tudo o que praticàra quanto 
ao bloqueio, erabarque, è i^equestros dos Jesuitas, que assistiam no 
Collegio d'essa liba, ^ de se-acharem nelle oinco sacerdotes nomeados 
pelo Bispo para fazerém as tiinccoes, e mais òbrigacoes necessarias, 
OS quaes além de ìhé parecerem poucos se fazia necessario o estabe- 
lec/ereni-se-lbe congruas. 

Ordena o mesmo Senhor que Vni/^* dedale qujfes sao os exercicios, 
e as iucunibencias dos referidos ciuco sacerdotes na casa que foi Col- 
legio para sobre este darò conhecimento haver de tornar a resolu^ao, 
.que achar- mais conveniente assim quanto ao numero, corno pelo que 
respeita às congruas que devem vencer, no que Vm/® interporà o seu 
[jarecer.^ 

Tanibenl òrdéna Sua Magestade'; que Vm.^ informe com o seu pa- 
recer declarando a appTicacao mais util ao beuKiommum dos morado- 
res dessa liba, que se pòde fazer da referido Collegio e sua egreja. 
Deos Guarde a Vm/^ Nossa Se?nhora da Ajuda ali d'Agosto de 1761. 

. Francisco Xaviek pe Moura Fùrtado. 

Sr. Antonio Borges de Betteiicourt. 



Quitagaò ^assada a favor de Nicolàp Antonio de Scusa 
Medpirosi conio adijiinistra^or dq espolio dojs Jesui- 
. { tas em 1774:. -. . 

/ José Antonio d'Oliveira Macbado, Fidalgo da'cazji de Sua Mages- 
tade, do ieu Conselho, do de Sua Rea! Fazenda, Superintendertte ge- 
ral ilas Decimas e Juiz da Inconfidencia &.' ' 

' Fago saber aos que' està quìtaijao geral virem, que Nicolao Anto- 
nio de Spusa e Medeiros^ deu contas nei>te Juizo do tempo qtife foi 
adminisirador seu Pai Antonio Borges de Beltencourt, do espolio- que 
ficou dos "Regttlares proscrìptos da Companbia denominàda de Jesus, 
do Collegio da liba de San Migùd; ai^^fm* dO dinheiro que iaos'mesmos 
foi achado, e da produc^'ao das arrematà(;r)es dos moveis, l'endimentos 
das qurntas, casas, foros a dinheiro/ e trigo; comò da despésa de pa- 

Vol. I— N.05--I879: 3 

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388 ARGUIVO DOS ACOHKS 

gameiilos fixos; foros, pensoes, ordeiiadqs, e outros que se de- 

mwiatraram no contento de sua conta, o que tuìlo executou pelas or- 
dens Regias qiie recebeu dos annos do mil seteceatos e sessenta e «iti 
até ao .de.mit sete centos e sessenta e quatro, cuja conta Ihe foi toinadji 
pelo Contadòr e Escrivao do mesmo Juizo e jiilgada por boa, por sen- 
tenga minha, pelo que o bei por qiiite e desobrigado da mencionada 
adoìimstragaó do dito tempo e Ihe mandei passar a presente quitacao 
geral, que ,em tudo se cumprirà corno n'ella se contem i^.^. Dada eni 
Lisboa a quinze d'Abril de sete centos setenta e quatro annos. E eu 
Antonio d'Almèida Seabra, Escrivao do Juizo da Incoirfìdencia a tìz es- 
crever e subscrevi. = José Antonio d'Oliveira Machado. 

Curapra-se e registe-se onde convier. Ponta Delgada 28 de Junho 
de 1780==Bulhoes = Registada no L.^ actual do Registo a f. 31 v. eni 
28 de Junho de 1780 = Barros. 

{Copia! dos uripnaes e^n poth^ dos herdciros do Govifrmdor A. ii. d£ Bettmamrt}. 



Auto de entrega dos tadres da Oompanhia de JESUS. 
Horta 1 d'Agosto de 1760. 

Anno do Nascimento de Nesso Senhor Jesus Chiesto, de mil sete 
centos e sessenta annos sendo das duas para as tres horas depois da 
meìa noite no dia primeiro d'Agosto do dito anno^ na portarla do Colle- 
gio de S. Francisco Xavier desta mesma Villa, {da H(yrta) aonde residiani 
OS Padres da Companhia denominada de Jesus; ahi estando o Capi tao 
mórThoraaz Francisco Brum da Silveira Porraz Taveira, Cavalleiro Pro- 
fesso na Ordem de Christo e o Juiz Ordinario Antonio Soares d'Evora, 
Capitao mandante n'esta mesma Villa, em cumprimento das Regias 
deteruiinatoes d'EIRei Fidelissimo Nosso Senhor que Deos Guarde, Jì- 
zeram entrega, dos Padres que na casa se achavam ao lll.""^ è Ex."'" 
Conde de 'Sao Vìcente Manqel Carlos da Cunba, a saber : Padre 
Antonio d'Andrade , Reitor, quarto voto; o P.^ Joaquim José , quat- 
to voto; P.^ Domingos Antunes, quarto voto; o VJ" André Rebello, 
quarto voto; o P/ Diogo Alvares, procurador, quarto voto; o P.*" Ma- 
noel Moiu'ao, quarto voto; o P.^ José de Paiva, mestile de Latim, ter- 
ceiro voto; o P.® Luiz de Paiya, perfeito dos estudos, terceiro voto; o 
Irrapo Lobato, despenseiro; o Irm3o José da Cruz, procurador da Uh;, 
do Pico; Irmao, Luiz Ferreira, Sacbristao; o qual se déo d'elles en- 
tregue, e fez conduzir .com toda a solemnidade a bordo da Nào Nossa 
Smhora da Natividade, Commandada por Joao da Costa de, Brito, tudo 
na forma das ordens de Sua Magestade, e por assim passar na vér- 
dade raandàrao se fizesse este auto por mim Escrivao para todos no 
mesmo assignarem, de que para constar o fìz, e fica uma copia des- 



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ARGUIVO DOS ACOKES 389 

le uà mao do dito Capitao Mór. Elias Antonio tìe Souza, proprieta- 
rio Tabélliao publico de n(|tas,.EscriTad do Judicial'e Almotagaria, o 
escrevìi=-0 2,^ Capitao de Mài* "e (Ìué/Tà,-Condé^d^SSo ^iéentè, Ma- 
uoel Carios=Capitào Mór, Thomaz Francisco Brum da Silveira Poriaz 
Taveira==0 Juiz Ordinario, Antonio Soares d'Evora. 

{'Do origìmd em pmìer rfox fnwwfisora.^ de T. V. fìrum). 



AliVARA 

Paa*a (|ttO ilc|ue ila lllia <le H. Mlg^uel a «laarta parte cl<» 
Iriiffó fio cada eoìlieiUi." 

1S62. 

Eu EIRei laco saber aos'qae este Alvarà virem que os ofiìciaes da 
(Tamara da cidade de Ponta Delgada da Ilha de S. Miguel, e das mais 
villas da dita liba, me enviarain certos apontamentos pelo Liceiciado 
Fero Gago, seu procurador entre os quaes vinha mii de que o trasla- 
do é seguinte: — Item (lue fique todos os annos uà dita Uba a ter- 
<*eira part^ do trigo dos senborios que nella fem de renda por ser 
multo a coni o levai-em todo corno o levam por provisoes que apre- 
sentam de Vossa Alteza fica sempre a dita Uba em muita necessidade 
e no inverno vem a valer nmito e [K)r Ihe nào ii* de fora falta às ve- 
zes, ou ao menos que nao carreguem os ditos senborios suas rendtis 
Sem deixarem na terra tanto trigo (|uanto seus proprios rendeir'os bSo 
de baver mister para semear as terras de que Ibes bao de pagar ren- 
da e para comerem aquelle anno; alem disto mais imia certa qnantia 
ilas ditas rendas para se repartirem pelos pobres em tempo da neces- 
sidade quanto Vossa Alteza bouver seu servico: e visto seu requeri- 
nieiitio ba vendo respeito ao que no dito apontamento dizem bei por 
bem é me praz que d'aqui em dianté fique na dita ilba a quarta parte 
de lodo pao que quaesquer pessoas de qualquer qualidade que se- 
jam n'ella tiverem de sua renda para se baver de vender e repartir 
pelo rjovo e isto pagando-se às taes pessoàso pào da dita quarta par- 
te dentro d'bm mez aos preQos a que valer na teira e nilo Iho pagan- 
do no dito tempo l)oderair) lìvremente tirar sem Ibe nisso sei' posta 
duvida ìieim impedimento àlgum e mando ao cxntegedor das Ilbas dos 
Acores e aos Juizes e Ofiìciaes das ditas Camaras (jue cumpram e fa- 
cam inteiramente cumprlr este Alvarà Como se n'elle contém o qual 
bei por bem que valba e tenha fQr?a e vigor posto i\\u o efleito delle 
baja de durar mais d'uni anno ^m embargo da ordenacào é livro se- 
gundo, titulo vinte, que o contrario dispoe. Joào da Costa o fez em 
Lisboa a 17 de Maio de 1562— Jorìge da Costa o fez escrever. Rei. 



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mnm u uni da mw\ fiftMDi. 



Anno do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Clulsto do mil qui- 
nhentos cincoenta e cinco annos em os doze dias do mez de Maio do 
dito anno em a casa da camara desta villa da Ribeira Grande desia 
liha de S. Miguel, estando ahi IVIanoel Roiz, Juiz Ordinario e Joào 
Fernandes e Lopo Dias Homem, Vereadores, e Francisco d'Andrade 
procurador do concelho> qfeHiij|lo |hj|Vyonio da Costa Homem, pe- 
los oflìciaes foi assentado coni eUe Antonio da Costa Homem que le- 
vando-o Deus Nosso Senhor à-cid^da de Lisboa llie, mandasse . de» là 
urna banddra para o conceiho desta. Villa, de damasco vermelho coni 
suas franjas de retroz e fio de ouro e de oito palmos de comprido e 
da largura de tres paunos da mesma seda (jue serao seis varas do 
dito damasco, e de uma banda da bandeira terà Nossa Seniiora com 
seus vestidos d'azul com as estrellas que parecer que sào necessarias 
e un^a mais principal, e o vestido de Nos^ìia Senhora sera guarnecido 
de fio de ouro tanto tjuanlo fòr necessario e .conforme a obra: e da 
outra parte um escudo com as quinas d'Elrei de Portugal ^om sua co- 
ròa dourada, e as quinas serao da cor que parecer que é necessario e 
douradas com seus coidoes necessarios conforme a obra, e franjas: e 
sendo caso que se nao gastem na obra sobredita vinte mil réis, que 
para isso logo elle Antonio da Costa Homem recebeo d'elles afficiaes e 
procurador do conceiho em dinh'eiro die contado na sobredita obra no 
que Ihe parecer que é mais necessario e sendo caso que falle algum 
dinheiro para se acabar a dita obra sobredita alem dos vinte mil réis 
recebidos elle. Antonio da Costa Homem por amor desta Villa o porà 
do Sieu dinheiro e elles.oificiaes se obiigaram a o pagar e cumprir ,a 
tetra que elle Antonio da. Costa Homem i^a.ndar dizer que mais custou 
a .dita. bandeira com .... vir a dita bandeira con) a dita letra entiega- 
remos dinheiro que mais custar a dita J>a^deira a pesscKa, que elle 
Antonio da Costa Horj^ipm. mandar. ......... eutregue a dita. bandei- 
ra^ a qual bandeira elle Antonio, d;^ Costa. Homem seguraji'^ o custo 
que ella, custar o qua! seguro pagaremos com o mais cuslo que ella 
custar aleni dos vinte mil rais; e por o dito Antonio da Costco Homem 
foi dito que. elle se obrigava , a mandar a dita bandeira e segura 
comò. dito é e confessava terrec^bido de Frauci;^co d.Andra^e, procu- 
riidor do conceiho que. presente, estava .os-dtitos vii4e\mil réis em di- 
nheiro, contado. E ^elle mandaram fazer.este auto eo ai>signaram to- 
dos. E eu Roque Roiz que o ^screvi^^ Antonio da Costa Homem f= Joào 
Fernandes == topo Dias Homem = Manoel RoiZf^^Frani^isco d'Andra- 
de. , ' . . 
' (Do livro das. rereacòes de 1555 af, 49 virsq). 



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AftCHIVO DOS AOORKS * 391 

Carta monitoria do Licenciado Àseenoio Gon^alves, 

1593. 

Licenciado Ascericio Gongalves ouvidor geral ìio esimitiial e 
tempora! em roda està Illia de S. Miguel peto III.""* e Kevd.'"" sr: 
D. Manuel de Gouvéa, por mercé de Deus e da Santa Egreja de Roma 
Bispo de Angra e Illias dos Acores do conseiho de Sua xMagestade A-. 
A todas as pessoas.que està minha carta monitoria for moftrada sau- 
de em Jesus Christo Nosso èenhor que de todos he verdadeiro Reme- 
dio e salvacào. Paco saber que perante mini pareceram os ofliciaes da 
confraria de Nossa Senhoi*a do Rosario sita na egreja de Nossa Senhora 
da Estréllada Villa d» ^ibeira Grande e por eUes foinlito que tendo 
dado a fazera Lonreneo Teiiieira, ci n|o<io,.ii|i9^ìn;<r\o,^(}/etabìilo da di- 
ta confraria, sé obiigafa por xmn escriptùra (pie me presentaram, a 
fazel-o dentro d'uni anno o que nao cumprira. antes eram passados 
mais dois, e os trazia em delongas sem (juerer acabaro dito retabu- 
lo sendo muito necessario para a capella que estava feita da dita con- 
fraria em cuja causa o dito sr. bispo e eu os proveramos que servis- 
sem até agora para que assentassem o dito retabulo, pediiido-fne os 
provessé a algum,, remedio op[)ortuno: e visto por mim a informacào 
(jiie do caso tornei, mandei passar o' presente pelo qual mando em 
virtude de obediencia, a qualquer officiai d'ante m\n\ que a elle for 
reipierido, que notifique. ao dito Lourem'o Teixeira que llìe mando 
em virtude da inesma obediencia e sob pma de e.,Tcomm.nnhdo mcìwr 
que até dia de'S. Joao que vem desta presejite era. acabe o dito reta- 
bulo assim e da maneira que é obrigado pela dita escriptura, ò qual 
temjM) sendo passado e nao o cumpi'indo assim conio Ihe neste por 
mim émandado.ponho e bei por posta em sua pessòa sentenza de excom- 
munhSo nestes presentes escri[)tos. E outro sim pagara de pena djiìs 
mil réij5 do aijube em que o bei por condemnado nHo o cumprindo. e 
cito e cliamo para a aggravacào e reaggravacao dos mais procedi- 
iiieùtos, e da notiflcacao' se farà termo digrio de fé. Dado nncldade 
de Ponta Délgada, sòb meti signal sómente, aos vinte e oitò dias do 
mez d'AbriI, Alfonso de Góes i) fez, de mil e qlTÌnbentos e noventa e 
tres annos.' Pagou cincoenta réis -=' Ascendo Gimcalves^ 



L,5,V. 



Em OS Vìnte e oito di'as do mes dWbriI da era de mil (piinbentos 
e noYenta e tres annos notitiquei r^ti escrivào abaixo assignado este 
monitorio do Sr. oiividor. a Lourent:o Teixeira, o nioco, imaginario, 
nelle coutfiendo. tendo-lbo de verbo ad verbum. de que fiz o presente 
termo que. as;:^ignei — Affonso.de Góes o escrevi — pagou cincoenta 
réis — Alfonso de Góes. 

(Archiro da Matriz da Ribeira Grande, papel aviduo). 

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/gORIANOS ILLUSTRES 

I 

(Michaelense) 



Nasceu no lo^ar dos Feiiaes pouco distante da cidade de. Ponta- 
delgada, capital da illia de saii-Migirel a H de agosto de 1626, Foram 
seus pais Francisco de Aadrade (jal)ral, (1) e .V^ma do Quental de No- 
vaes descendentes ambos da mesnia antiga e (|ualilìcada nobreza d'a- 
quella illia. Na edade pueril dea evidentes signaes das virtudes chris- 
tans, qne na adulta liavia exercitar amvocando muitos nieninos para 
OS teniplos, e ensiuando-lties o Catecismo com nH)destia e gravidade 
niuito supeiior a espilerà de sens aiinos. liistmido na patria com os 
docuinentos da gianunatica desejando seus pais que aprendesse as 
sclencias maiores para as quaes proaiettia grandes progressos a vi- 
vesa do seu engenho o niandarani no anno de. 16i3 quando contava 
17 de edade à Oniveisidade de Evora onde se applicou de tal sorte a 
penetiar os niysterios da i)hilos(ipliia, que com geral acclaniacao dos 
Cathedraticos se gradnon Mestie em Artes a 30 de junlio de 1647. 
mftsnio a|)i)lauso consegnio o seu grande talento na esji-eculagrio da 
Sagrada Tlieologia pelo espago de ùes annos, no firn (jios quàes sendo 
Collegial do celebre (Collegio da Pnrifkagao, passou à Uwiversidade de 
Coimbra a continuar o estudo de tao sublime Faculdade, onde deixoii 
admirados e invVjosos os ì^caì^ maiores professores. Ordenado de pres- 
l)ytero deterniinou voltar para a patria, e oppondo-se em um grande 



(1) Frane-Iseo d'Aiidrade foi nutural ({eTrancoso j-ni Porlugal, .^eiulo seus pat*!?, 
Pedro Foi-reira Freire a Filipiia trAiidrade Cabrai, da inesnra Villa. (ìasou Fran- 
cisco em 16i9 na Matriz de Ponta Delgada coni Anna de Mattos imi primeira 
mullier, e depois coni tres outras. Foi Capitào, Lealdailpr Mór dos Pasteis, e 
pessòa muito bem considerada. 



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a 



\eniadeiray^f/iaie^ do Servo de Dei^s 



Muidcìidot da G}rufretìict<;^u? do Qralàrio 



i-I Tf'. aoa A<}oitefi — j; *( 



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Allenivo DOS ACOBKS 393 

concurso de pietendentes a vigaiiaria da egreja matriz de nossa se- 
nlìora da Estrella da villa da Ribeira-graiide foi nella [)rovido(l) coni 
geral sati^^fagao dos niinistrois do Tribunal da Mesa da Consciencia, nào 
coniente pela, sciencia com que excedia a todos os oppositores, mas 
pala virtude que ornava o seu espirito; porem conio Deus o tiriha des- 
tiqado para mais alta empreza, de que bavia de resultar grande gloria 
ao seu nome Ihe inspirou largarlo governo da egreja. CÓnliecend.o a 
magestade deirei D. Joào o IV a integridade da vida unida à profuii- 
didade da sciencia com que se distinguia entro todos os eix-lesias.Mcos 
nomeou ein o anno dp 1634. Confessor da Capella e Casa Real, e 
seu Pregador, ministerio que exeicitou com geral aecIamj\cào da Cor- 
te, pois uà vehemencia, dos affectos, eloquencia das palav'ras, e ener- 
gia das acgoes, se nào excedia, certamente eguaiava ao grande Viei- 
ra, que no mesmo tempo era ouvido corno oraculo da Rbetorica eccle- 
siastica. Aspirando o seu ardente zelo o promover o exercicio das 
virtudei^, instituiu uma Congregacào (que foi o primeiro desenho da 
que ao depois fundou neste reino e suas conquistas) eni uma casa si- 
tuada n^ Capella real com faculdade da rainha regente i serenissima 
Senhpra D. Luiza Francisca de Gusmao, com outros ecclesiasticos de 
exemplar vida, entre os quaes se distinguiam o Padre Joào Puarte 
. do Sacramento, que depois foi fundador da Congregagao de Fernam- 
buco, e bispo eleito deste estado, e Nicoiau Monteiro mestre de suas 
altezas o principe D. Affonso, e o infante D. Pedro, d onde subiii a mi- 
tra do Porto; e neste domicilio se praticavam coni grande fervor os 
exercicios daorai^àp mental, e conferencias espirituaes. Passados qua- 
torze aniios corno a casa fosse pequena para o numero das pessoas, 
que a ella corriam. se buscou outro sitio mais aujplo qual era o col- 
legio que tinbam babitado OS religiosos domuiicos bybernios, mas re- 
eeando prudentemente que polo discurso do tempo se poderia extin- 
guir uip In^tituto de que fora o i)rincii)al autor sera ser os fundamen- 
tos SiOlidos par*a a sua conservafào, alcancou do illustrissimo cabido 
de HsJ)oa Sede Vacante em 8 de Janeiro rie 1068, e do principe 1). Fe- 
dro, regente desta monarcliia em 3 de maio do dito anno faculdade 
para fuudar a Congregacào, e no dia IO de julbo vesliu a roupeta, 
juntamente coni o veneravel padre Fiancisco Comes, sacerdote de tao 
alta virtude, qiiie jà os seus. milagres se veem autenticados pelo Or- 
dinario do patriarchado de Lisboa. Langados os primeiros fundamen- 
tos da Congregagao do Oratorio, e coinpostos os estatutos parao seu 
governo, ao tempo que estavam confirmados pelo cabido em o 1.^ de 
feverejro de 1070 se armou uma terrivel tormenta movida pelo inimi- 
go copimum comò prevendo os. espirituaes fjuctos que se haviam co- 
Ibér com a nova Congregagào, porem brevemente se dissipou, sendo 



(1) No Archivo da Matriz da Ribdra Grande nào ha vesti^no ai^um da sua 
viuda. Parece pois (jue nunca cliegou a tornar posse. 



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394 AUCHIVO DOS ACOnKS 

cxmlìrniada pela saniidade de Clemente X a 6 de maio de 1671, a 
semelhanca da (jne tiuha fimdado em Roma o abrasado espirito de S. 
Filippe Neri, expediiido o mesmopontiflce outro breve a 24 d'agosto 
de 1(^7^ <-»i ^H*<' cónlll'iiiava especialmeute os eJ.tatntos particulares, 
qiie V. P. escrcvera para direcfào dos coitgregaklos, os quaes cres- 
cendo iinmero para o qual era o hgiìv em tjue assistiam pouco corn- 
niodo, se trarisferiram. para a egreja do Espililo Santo, qae Kberal- 
mente Ihe coriCedf^n a Innandade dos Homens de Negocio em 14 d'a- 
gosto de l()74, com imia sofómne procissJo em que levou o Sacra- 
mento bis|)o ca[)èlirMHnor Lm'z de Sonza, que depois foi arcebispo 
de Lisboa, e cardeal da Egreja romana, a qnem immediatamente se- 
guia acompanhado de tixla a coite o principe regente D. Fedro. Neste 
sagrarlo domicilio, am[)liado pela sua Incansavel diligencia proseguiu 
o V. P. a pratica dos ekercicios espiritnaes dirijiidbs para caltura das 
virtndes, e extiipatao de vicrios. As primeiras pessoas de urna e ou- 
tra gerarchia e^cclesiastica, e secntar, o.procuravani corno oracalo para 
a decisao das; dnvidas da C/Oiisciencia achando nàprndencia dos sens 
conselbos o riiai^ segnro norte [mronde diiigiam as accoes,\No tribu- 
nal'da penitencia; dei)osta a severidade de juiz, infiammava com tal 
brandura a dnreza dos cora(;oes, qne re|)cnlinamente se liqnidavaui 
em lagrimas. Foi cohì excesso iriimigo jai ado da gloria humana, des- 
presando heroicameiile- os honorificos logares de confessor deirei D. 
Pedhi II, e de bisfx)* de Lamego, e unicamente aceitaudo o logar de 
Deputado da'Junta das Missóes [>or ser conducente a salvagaa das ai- 
mas. Setido varias vezes c^)nsultado pela magestade de D. Fedro II em 
materias de gravissimas cousequencias nunca o respeito da soberaftia 
Ihe fez alterar a iiiteireza do voto, antes fallava com tao apostolica li- 
berdade que por conttssao do mesmo principe Ihe causava temor a 
sua iireseuca. Com o mais religioso culto " venerou a Christo sacra- 
menfado, explicaudo este affecto pela magnifica pompa com qne cele- 
brou o dia da luslituicao deste amoroso mysterio. Nao era inferior a 
teiultra com (| ne C(n'deaimente auiava a Maria Santìssima mandando 
em perpetuo argìunerito deste piedoso attecto aos congregados, que 
com jnramento se obrigassem a defender a imma^ulada puréza desta 
Senhora. e a rezar quotidianamente o seù rozario, e ladainha. e que 
nas suas mrssr)es sempie eiicommendassem elficazmente a w^ua devo- 
(;3o aos ouvintes comò penhor certo de conservarem a graca divina. 
Previn profeticamente muitos siiccessos enlrè os quaes se cumpriu in- 
fallivelmente uni que vaticinou a minha miie D. Catherina Barboza, 
sua filha espiritual ptdo espago de vinte annos. Abra-zatlo o seu cora- 
cào pelo fogo que alimentava o do seu grande patriarcha S/ Filippe 
Neri, discorria em perpetuo movinìento para beneficio dos proximos, 
visHand(» aos enfcrmos nos liospitaes, evitando a piostituicao das don- 
zellas, soccorrendo a miseria das viuvas, e dirigindo para- o caminlio 
da eternidade todo o genero d'almas, assim na cadeira, corno no con- 



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AKCHIVO DOS ACORES " 395 

fessionario. Em premio de virludes lào Iieroicas meieceu ver repro- 
duzido seu espirito nas Gongrega^oes furidadas em Vreixo d'E$pada 
cinta. Pollo, Braga, Vii^eu, Estremoz, e Pérnambuco, das quaes resul- 
tou egual gloria ao fundador, que espìritual emolumento aos seus rao- 
radoi'es. Chegada a bora de receber o premio por loda a vida mere- 
ndo adoeceu de iim pleuriz, e conhecendo ser a infermidade mortai, 
exortou com alegre aspecto aos seus, congregados (fue nao sentissem 
a sua ausencia, mas que perseverassem sempre promptos, e fervoro- 
sos para benefìcio dos proximos. Recebidos os Sacrameutos com egual 
ternura, que resighacào na divina vontade, pronunciando as palavras 
de David In te Domim speravi non conftmdar in (Pternum exalou o es- 
pirito erii uni sabbado 20 de dezembro de .1698, às seis hoias da noi- 
le, quando contava 72 annos de edade, e 30 depois de fundada a Con- 
gregacao. Poi notàvel a consternacào que houvp na corte com a sua 
morte, concorrendo grande copia de gente a venerar o seu cadaver, le- 
vando com reliquias algumas partes' dos seus vestidos. A magestade 
da serenissima lainha D. Maria Sophia Isabel de Neoliurg, que muito' 
respeitàra vivo, o venerou defunto, beijando-lhe com summa humil- 
dade os pés. Recolliido o corpo em um caixao foi depòsitado em urna 
tribuna i>obre a capella-mór da egreja, donde a 8 de dezembro de 
1708, sondo trasladado para urna das sepulturas do ciuzeiro foi acha- 
do incorrnpto, e sem a menoi* diminnicao em todas as partes do cor- 
po, cuja incorrup^ào se fez mais admiiavel quando por autoridade do 
Ordinario se fez nova inspecoào a 26 de abril de 1727 em ordem a 
sua beatificacào, assistindo a este acto o arcebisix) de Laeedemonia 
D. Joao Cardozo Castello provisot* do patriarchado de Lisboa, os juizes 
da cauza Fr. José de Liiua carmelita cal^ado, e Joào Comes Monteiro, 
o§ medicos Cypriano de Pina Pestana hoje physico-mór, e Antonio Fra- 
goso de Seqneira, Antonio Francisco de Oliveira, e Francisco da Sil- 
va, cifurgioes, e.dois notaiios àpostòlicos Antonio iìaptista Vinoso, e 
•José da^Neves. 

Na parede da escada que sóbe do clansti'O i)ar^ o coro da Congre- 
ga^ào do Oratorio desta coiste, està retratado o V. P. em um grande 
quadro que representa a sua naturai estatuia; e ao lado delle està mn 
genio sustentando na mao esquerda uma targe, e apontando com a 
direita para a inscrip(}ào seguinte, composta pelo P. Antonio de Paria 
filho da mésma Congregacao, e varao muito insigne em lettias divi- 
nas e humanas: 

Elegit Philippum, et Bartholomoeum, ille huic eripuit ne effet primus; hic 
ilH ne eÌTet solus. 

Na parte infiirioi* da retrato,s^. le p epi^f:q4P4 jde Marciai I. 10, 
epig. 32, venturosamente applieado: 

Ars utinam mores, animunque effingere poffet, 
Pulchrior in terris nulla tabella foret. 



Voi. I — N." fi— 1879. 4 



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39(5 ARCHIVO DOS AfiORES 

Junlo do mesmo retrato està posta urna targe quasi de forma eva- 
da, na qual se le o seguinle elogio,, que compendiosamente expoe al- 
gumas virtudes deste grande varao: 

V. P. Bartholomoeus Quentalius cujus veram intueris effigiem ex pnìeclaro, 
spectabilique genere in D. Michaelis Ini'ula natus: celeberrimus novae Congre- 
gationis Oratorii Inftitutor, vel potius, novis additis minifteriis, Auctor, doctus 
proinde in Regno coelorum, quia fimilis homini patri familias qui profert de 
thefauro fuo nova, et vetera: OcculilTimus omnium in hoc Regno ejufdem Con- 
gre^gationis Domuum Vifitator generalis: Regii Miflìonum concilii Confiliarius 
Sapientiflìmus, nunc vero Afiae, Americae que Gentibus defideratiflìmus: Olim 
a ^erenillimo Rege a concioriibus facris, et unus ex Sacrorum Concionatorum 
principibus primis, cujus in ore, ficut in Periclis labiis, fuada c^uaedam infidens, 
aculeos in auditorum mentibus relinquebat: indefelTus poenitentiae Praedica- 
tor, cujus Sermo vere vivus, et eflficax, et |>enetrabilior omni gì audio ancipiti 
ulque ad divifionem animae, ac fpiritus pertingebat. Eximius Ipiritualis vitae, 
et mifticae Theologiae Doctor, quo Auctore, et Magiftro Regiae pars Aulae diu 
publico mentalis orationis exercitio dedicata eft; Scriptor alcetius igniti eloquii 
vehementer, qui vero mifcuit utile dulci: mirabilis cogitatìonum, et intentio- 
qum cordis (ut mtdti atteftantur) Director; infignis paetentiae Sacramenti Ad- 
minifter, qui innumeras Chrifto animas lucrifecit: vir omnino magnus, in quo 
totus pene Chriftianus orbis raram inventu pr^udentiam, et miram conliliorum 
gratiam fufpiciebat: Qui infulas ita dexterì rejecit, ut vel rejectionis gloria fé 
humilis fubduxerit: qui ex thelauris fìdei fuae incredibilia fubfidia minimis 
Chrifti fubmittenda depromebat: cujus magnarum virtutum praéclarum Speci- 
men humilitas cordis, et mentis ab orbe m urbe multiplicitér honorata: qui vi- 
vens, Chrifti bonus odor fuit Deo in omni loco, fed poft mortem hominibus, q^ui 
quod fentiunt narrent, fuavior: poft ìnnumera Regali folio exhibita minifteria, 
poft multa Apoftolicae fedi praeftita obfequia, quae fanctae recordationis In- 
nocentius XI verbis ampliflìmis per litteras ornavit, hic cum pietate (ut pie ere- 
tur) dormitionem accepit die 20 Decembri§ an. 1698 aetatis vero 7:*. . 

Para eternizar a memoria de tao virtuoso pae, mandou P. Diogi) 
Curado, filho da Congregagao do Oratorio de Lisboa, grande theoio- 
go, e maior pregador, em anno de 1713 em que assistia em Roma, 
abrir em uma lamina outro retrato do P. Bartholomeu do Quental,. 
com titulo de Vmeravel concedido pela santidade de Clemente XI. 
Na parte inferior da lamina està gravada a seguinte inscripgào: 

Externa ne fiftas facie, introfpice quod intus latet. Quem hic intueris cla- 
rus fuit genere, f^d longe clarior virtute, infigni prudentia, fervida cantate, 
mirabili patientia, humilitate pro'unda, oratione allìdua, cujus et ftudii promo- 
tor mirihcus, zelo animarum aéftuans innumeris profuit verbo, facto, et saùpto. 
A Regibus, auorum concionator egregius, et a Principibus magnifactus. Ab 
Innocenti© XI felicis, et sanctae recordationis litteris decoratus: in omnium 
tandem aeftimatione, quem mortuus Philippus Pater ejus similem reliquit sibi 
post se. Obiit Ulyflipone die 20 Decembris anno falutis 1698, aetatis 72. 

Meditacoem da Infancia de Chriato Senhor nosso, da Encarnamo 
até OS trinta onnos da stia idade, com tnna direccào para a oracào 



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ARCHIVO DOS ACORES 397 

tfienlal, Lisboa por Doraingos Carneiro 4666, 8 — Lisboa por Miguel 
Deslandes 1682, 8 — e terceìra vez ibi na Officina da Congregagao do 
OiMtorio 1732, 8. Traduzidas na lingua Italiana por Ferrent Orselli da 
Forlì. Roma por Nicolao Augelo Tinassi 1675, 8. . 

Meditacoens da Sacratissima Pjayxào, e molate de Christo Senhar 
nosso, ^cmn a direccào para a oracào ìuental, e tnais exercicios espiri' 
tuaes. e dous quotidiùnos, Lisboa por Antonio Rodrigues d'Abreu 1575, 
8 — e ibi por Joao da Co^ta 1679, 8— e ter-ceirà vez Lisboa na Offi- 
cina da Coiigregacao do ^Oratorio 1734,8.— Traduzidas na lingua Cas- 
tdhana sem o nome do traductor, Madrid por Roque Rico de Miran- 
da 1686, 8 — e na It^liaiia por Fr. Jo3o José de Santa Thereza, car- 
melita clescàlgo. Roma apresso Rossati et Borgiani 1733, 8. 

Meditacoens da gloriosa Resurreicào de Christo, da sua Asceneào, 
rinda do Espirito Santo, e Santissimo Sacramento. Lisboa poi' Miguel 
Deslandes 1683, 8. 

Meditacoens das Dominga^ do anno, Iparte, Lisboa por Miguel Des- 
landes 1C95, 8. 

// Parte, Lisboa pelo dito impressor 1696, 8. ' ' 

/// Parte, Lisboa pelo dito impressor 1699, 8. 

Sennoens I Parte, Lisboa por Miguel Deslandes impressor de sua 
inagestade 1692, 4. Consta de 16 sermoes. 

Sermóens II Parte, Lisboa pelo dito impressor 1694, 4. Consta de 
16 sermoes. Sairam estes dois tomos reimpressos, Lisboa n^ Regia 
. Officina Sylviana, e da Academia Real 1741; 4: 

Serrnào Funebre nas Exequias da Excellentissìma Senhora D. Leo- 
nor Maria de Menezes, Condet^ de Atouguia, prégado no Convento jde 
S. Francisco de Xabregas no anno de 1664. Lisboa por Henrique Va- 
lente de Oliveira 1665, 4. 

Fazem honorifica niencào do V. Padre — Joao Marciano, da Con- 
gregacào de Napoles, nas Mem. Histmie. de la Congreg. del Otat. t. 5, 
1. 3, e. 15 — Fr. Manoel de Sa Mem. Hist. dos Arceb. e Bisp. Poftug. 
da Ord. do Carm. e. 16, n. 127 até 133 — Cordeiro Hist. Insulan. p. 
205 — Frane. Alfonso de Chav. e Mello Vida de Margar. de Chav. p. 
351— Franco iw^i. Glor. S. J. in Lusit. p. 676— e José Catalano doctor 
em ambos os direi tos. professor de theologia, na Vida que compoz do 
V. P. na lingua latina, impressa Roma; typis Antoni de Rubeis 1734, 8. 

. (Barbosa — Bibliotheca Luzitana.) 



retrato que acompanha està iioticìa foi reproduzido da gravura feila ])oi' 
Nicoiào Billii em Roma, que està jurita ò. vidado Veneravel, composta por Josó 
r.atalano, acima citada. 



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Il 



BISPO ELEITO (DE MELIAPOR?) 

(Miehaelens'e) 



Frei Affoiiso de Benevides, nasceu em urna das Ilhas dos Agòres. 
onde professou o Instituto Serafico. Eleito no anno de H)29, Custodio 
do Mexico, enlrou pela dilatada extensào das Indias Occidentàes acom- 
panhado de qiiai ent;r e nove Religiosps para annunciar o Evangelho 
aos Gentios, que jaziani sepnltados no abismo da sua cegueira; e tal 
foi ardor coni qne promovéo està sagrada empreza; que jà no anno 
de 1630 se tinbam agregadas ao greniio da Igreja Romana* mais de 
quinbentas mil ^Imas* Para augmentar o numero dos cultores Evan- 
gelicos necessarios a tao dilatarla vinha, voltou a Hespanha, e depois 
de discorrer por divérsas terras, cliegou a Porlugal, onde se encoipo- 
royi coni l)eneplacito do Geral em- a Provincia da Observancia. Nomoado 
Arcebispo de Gòa 1). Frei Francisco dos Martyres, se enibarcou a 4 
d'AbriI de 1636, coni seu conipanheiro, em cuja jornada acabou pia- 
mente a Vida. Delle fiiz memoria Frei Fernando da Soledade, Hist, Se- 
ra f. da Piwincia (ìe PorUixjal. Part. 5 liv. 3. cap. 4. n. 878. 
Escreveo: - * / 

Relacào dos progressos (la conversai) do Gmtio a rìossu Santa Fé, r 
outros serdicos -a Dem^ e ao Rei obrados vas Ivdias Occidevtaes. Ofl'e- 
recida no anno de 1630 a Filippe 4.". Desta obia faz mencao Fr. Gas- 
[)ar de la Fuente, Hist. do Gap. Gen. c^eUbrado im Saragocamncì 
de 163;], e da dita Relacao transcreve aignma parte desde foi. 75 
até 78.*' . 

j (Barbosa — Bihliothem Lusitanay, 

troclio que Barbosa cita, de Fr. Fernando da SòJedade é o seguinto: 

Anno de 1636 — Em 4 de Abrii se embarcou para a India em 
companJiia do Arcebispo de Gòa, D. Francisco dos Martyres, o devoto 
Religioso, e Bispo nomeado (de Meliapor?) (*) Fr. Affonso de Bene- 



(•) De Meliapor diz um manusciipto genoalof^ico que trata d'osta familia. 

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AHCIllVO DOS ACORKS 399 

vides, qual hia residir ria propria cidade, e no servilo do iiiesmo 
Arcebispo. Nasceo este zelosissinio \ar3o em urna das Ilhas d03 Aco- 
res (*) donde o escolheo o Altissimo para obreiro da sua messe Evan- 
gelica, levando-o pelos caminhos de virtuosos progressos ao empenbo 
de reduzir innumeraveis almas em o novo mundo. Este é o nome das 
Indìas Occidentaes por sua grandeza notavel, e tambem era o que 
competia ao mesmo mmido naquellas partes, em que com as persua- 
sivas (sic) e clamores d'este pregoeiro de Deos se renovou nas agoas 
do sagrado Baptismo. ^ • * 

Instituido Custodìo do novo .Mexico em o aimo de 1629 entrou pe- 
las suas regioes vastissinias acompanlìado de quarenta e nove frades, 
OS quaes seguindo os passos fervoroso» de seu espirito, trabalhavam 
com tanto cuidado na propagaQSo da Fé, que jà no anno seguinte de 
163Ò haviam edificado muitos tjonventos e convertido a obediencia de 
Christo mais de quinhentas mil almm das quaes eslavam jà baptizadas 
por elle e seus companbeiros aleni de oitenta mil. Parecendo-lhe po- 
rem que eram poucos os cultores para tao estendida ceara, determi- 
non voltar a Hespanba para conduzir outit)s tantos. Tendo-os prepa- 
rados, ao ponto que bavìa de embarcar-se com , elles, dispoz o Céo 
que.ficasse em terra para servir no aproveitamento de muitos Chris- 
taos, assim comò o agradàra no de tantos gentios. Discorrendo por 
varias partès de Castella, entrou ultimamente em Portugal, aonde que- 
rendo dar a, seu espirito o repouso da santa contemplagao, se encor- 
porou n'èsta Provincia (dos Franciscanos ) com beneplacito dos Pre- 
lados Geral e d'ella que Ihe assignou o convento de S. Francisco de 
Lisboa. 

Aqui perseverando alguns tempos em exercicios devotos, o veio 
buscar a Mitra, e com ella a obriga^ào de navegar outros raares, a 
qual sondo para todos molesta, era a melhor valla, com que o podiam 
mover a acceitar o cargo. 

Nao esperou que chegassem as lettras Apostolicas a este reino, 
por nao perder a mongào de ir na companbia do refendo Arcebispo, 
ou tempo de ganbar para Deus muitas alnias^ que era o flm unico 
de todos OS seas desejos. Mas o Céo, que os acceita comò se foram 
obras, mostrou que d'elle se pagava, cbamando-o para ,o premio e 
descango das suas fadigas, na mesma viagem por meio de uma dltosa 
morte. 

{Hist, Seraf. Park V p, 878), 

De Frey Affonso de Benevides diz Frey Gas par de la Fueritc na Histmia del 
Capitulo General, que celebrou a reJigiào'^ Serafica, en la Imperiai Toledo este 
anno de 1633— (Madrid Imp. Real 1633) 4.*^ a p: 75 e 75 v., 78 e 78 v. : 

«En el ano de mil seis cientos y vinte y nueve pororden de la Ma- 



(•) Na illia de S. Miguel corno adiante .se diz. 

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4(K> AR(.H1V0 DOS' ACORES 

jl^eslad Catolica eiitrarori en estas Provincia^ (del Nuevo Mexico), In'nh 
ta religiosios, (^ue con otros diezynueve que rtispomau està accion se 
congrega roli ({narenta y nueve a disposicicm del muy ReveFeiido padre 
(]iistodio Frey Alonso de Benevides; varon exemplarissinio, y miiy in- 
diL^lrioso en es^tas conversione» » 

(fLas conversione^ son El aiio de 1626 llegando algunos de 

k)s diclios religiosOvS con el Padre Beijevides a la Nacion de k)s Piros 
el mesmo ano »e reduxo loda a la^verdadera Fé dr. . . » 

«Toda^ estas cosas constan de una Relacion liecha ala Mageslad 
Catolica el ano de 4630 por el P- F- Alonso de Benevides Commissa- 
rio del Santo oficio y Custodio desta» conversiones, qne presento a su 
Mageslad, en qne afirnia a\er-se convertido, y rednzido a la obediencia 
de la Iglezia Romana' mas de (niinientas rnil almas, de las quales es- 
lavan entonces bantteadas mas de las 86 mil todas por solos auestros 
religiosos». ' , 

Na Bibliotheca Hiftptìj)a Nova sive liispamarom,scriptoruiny&, porD. Nicolào 
AntoQio— Madrid 1783— iio?^ Escriplores Agoriauos— se diz : 

c(Fr. Alfonso de Benevides, Pranciscanus observantia? Regularis 
Custos Provinciae, ac Conversiones Novi Mexici, dedid l^hilipi)0 IV 
Regi Nostro mipplicem liDelum super hac ipsa sacro expeditione, sive 
Maliomiii de mogìm Thesauris Spiritualibus , et temporalibus Deo 
adjuvante in novo Mexico Detectis— Madrid 1630 — 4.^ Deinde Lati- 
ne oi)era Joannes Gravindòne ibidem Franciscani Salisburgi anno 1634 
inS.S). 

Na Nouvelle Blogmhhìe Vnloerselle Finnin DiJot Freres — Paris 1853 no tomo 
5." pag. 327, estiV a'noticia d'este Fr. Affonso tirada da acima de D. I^icolào An- 
tonio. 



Afl'onso de Benevides foi fìlho de Fedro Aflbnso, Escrivao da Al- 
fandega de Ponta Delgada, e de sua mulher Anna Mojtnato de Benevi- 
des, neto pateiiìo de Affonso Annes (dos Arrifes) qne coni sua mu- 
Iker Anna Martins e tres filhos veio da Ilha da Madeira em 1521 por 
causa da peste que là havia. 



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Alvarà para o Oapltfio Manoel da Oamara e Si receber 

oom habito de Ohristo urna ten^a em premio de 

seus servi90S. em 1647. 



Eu EIRey, comò Govemador e Perpetuo ndrnìaistiador que sou do 
niestrado. Cavalaria e Ordem de uosso Senhor Jesus Chrislo; fngo sa* 
ber que tendo consideracao aos servicois de Mauoel da Carnara de Sa, 
naturai da Ilha.de S. Miguel. (*) e fiJho de Simam da Camara de Sa, 
lem feìto desde o anno de sei^ centos e vinte e quatro té o de qua- 
renta e seis, algum tempo à sua custa, assim nas armadas, corno em 
Flandres passando aquelles estados duas vezes em praga de soldado 
e de Capitào de huma companhia que levantou na liha Terceira, com 
a qual Ihe sinala vam seis escudos de vantagem, por mez, nos mes- 
nios estados, donde, tanto (jue teve noticia da recuperatilo do reìno, se 
veio a elle no anno de 1642, por cal)0 de quàrenta e tres soldados 
portugue2ei> (jue andavam nas partes do norte, e passando logo às 
fronteiras da Beira e do Alemtejo a occupar logo o mesmo [)OSto de 
Capitao de infantaria, e proceder em tiido comò devia, particularmen- 
te no governo das pragas Villar maior e Seguia e na maior parte das 
occasioes que pelos logares do inìmigo confmantes com a Beira, se 
exercitaram, achando-se no sucesso do Castello de Albergaria e nos 
mais que o exercito do Alemtejo obrou nas terras de Castella o 
anno de quàrenta e quatro sinalando-se na batalha de Montijo, e 
com egual valor se haver na primeira entrada de Valenca de Alcanta» 
ra, e incendio dos lugares.de S. Vicente e dcpoìs assistir de guarnì* 



( • ) Capitào I^anoel da Camara de Sa foi baptisado na Matriz de Forila Del- 
{jada a 18 de Feverciro de 1607, Cazou primeira ve? com I). Maria Coutinho, e 
destes descende o 1." Barào de IVo.ssa Senliora da Saude seu sexto neto. No Liv. 
das Varea(;óe.s da Camara de Poiita Delgada, do anno de 1664 se acba Mauoel 
da Caninra e Sa, Vareador mais velilo, com a designayao de Sargento Mór. 



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402 AHCHIVO DOS AGORES 

gam com sua companhia tres mezes e meió no prezidio do Castello de 
Alcouchel, e o anno de quarenta e cinco na praca de Olivenga em suas 
fronteiras, na occasiao em que o iniraigo veio airuinar a ponte, liei 
por bem de Ihe fazer mercé de promessa de cincoenta mil reis de 
pensam em huma das comendas que se houverem de porcipnar da 
ordem de Christo, para os ter com o habito d'ella que Ihe tenlio man- 
dado laudar e que em quanto nap for provido .f\a pensam j'.efe!ida se 
ihe paguera os mesmos cià(pentà:m|l/ nei? cada ahno,;no rendimento 
dà Alfandega da Ilha de S. Miguel, còni cl»HidJ[o do mhtistra *a cujo 
cargo estiver o despacho das Mercés de comò nao he provido, dos 
quaes cincoenta mi! reis se Ihe come^arao a fazer pagamentos de 2i 
de Outubro do anno passado de seis centos e quarenta e seis eni ipie 
ultimamente ibi respondido; e pera sua guarda e minha lembianca Ihe 
mandei passar o presente Alvarà * . . Nicolào de Carvaliio o fez aos 
quatorze de Janeiro de. mi! seis ceJito.s"e quarenta e sete. . . 

* '■■' ' Hev. 

D. Carlos de Noronha.' 

(Foi apreseniada por Jeronymo da Camara Couthiho, fif/ìo ih 
graciado, e registada no Llv, .4.^ da Alfand^^ga de Ponta Deìgada, /. 
517 verso). 






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IV 



( Michaelense ) 



NOTIOIAS E DOCUMENTOS. 



A priiicipal e quìisi unica fonte de noticias a respeilo do Dr. Gas- 
par Fructuoso é a biographìa escripta pelo P.^ Antonio Cordeiro no Ca- 
pituloILdo L.^ II, iìnHistoria Insulana. Esbogada ùm seciilo^ou ma- 
is, depois da morte d'gqnelle illustie varào, resente-se, em pontos es- 
senciaes, da falta de dados precisos e da deduccao chronologjca das ^ 
acfoes n'ella apòrilàdas. 

P.° Cordòird supprio a deficiencia de noticias com phrases. Dif- 
fuso em extremo, fatiga o leitor com mysticas digressoes e escassas 
idéas. 

Nao soube'dizer o nome dos paes do Dr. Fructuoso; sobre datas, 
so soube, que nascerà em 152i, ignorando o mez e dia, e morrera a 
^4 d'Agosto de 1591. Diz, que o benemerito doutor lV)ra Vigario na 
Matriz da Villa da Ribeira Grande 40 annos, quando os documentos 
demonstram que tao sùmente o foi 26 ! 

Encher tanlas lacunas seria ardua tarèfcV, senào in^ossivel; preen- 
cher algumas é o fini d'este trabalho. 

Dos documentos colligidos se deduz que: 

Presbytero e Bacharel em Artes Gaspar Fructuoso, -cursou a 
Universidade de Salamanca, nos annos escolares de 1553 — 1554 e 
1554—1555. (Doc. 1.) 

Tomou grao de Bacharel em Ttieólogià, na mesma Universidade, 
a 9 de Fevereiro de 1558, às 3 horas da tarde. • (Doc. II.) 

Servio de parodio na matriz da villa da Lagoa, pelo menos, de 
2 d'Outubro de 1558 até 16 de Margo de 15G0, corno se ve de varios 
termos de cazamentós, que ali lavrou e assignou no L.^ 1.^ da dita 
matriz. Sao quinze os termos ^ que aindà existiam em 1878, em al- 
guns fragraentos e folhas soltas do tal primeiro livro. É possivel 
que nas folhas perdidas se achassem outros, que alongassem mais 

Voli— N.° 5— 1879. 5 

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404 ARCHIVO DOS ACORES 

aquelle periodo. — Nem o P.^ Cordeiro nem outro qualquer, deu noticia 
de ter ali- estado o Dr. Fructuoso, quasi dois annos. De 1560 a 1565, 
é provavel, voltasse novamente a concluir os seus estudos e tornar o 
grào de doutor em Salamanca, comò conta o P.® Cordeiro no | 12. 
É porem notavel que nos livros de registos da Universidade de Sa- 
lamanca nao appareca nota d'aquelle importante acto. (Doc. III. ) 

Nos registos da Universidade de Coimbra nao apparece igualmen- 
te nome de Gaspar Fructuoso. (Doc. IV.) 

Da Universidade de. Evora nao restam livros de assentos senao de 
1608 em diante; fica portanto desconhecida qual a data e logar em 
que illustre michaelense tomou o grào de Douctor, parecendo fora 
de duvida aquella qualiflcagao, que Ihe é dada em documento offi- 
ciai. (Doc. VI.) 

Tomou posse do logar de Vigario da Matriz de Nossa Senhora da 
Estrella da Villa da Ribeira Grande, aos i5~ d'Agosto de 1565, corno 
se acha exarado a fol. 28 do L.^ 1 de Casamentos, da dita egre- 
ja. (Doc. V.) 

No dia 1 de Maio de, 1585 foi passado o Alvarà de accrescenta- 
mento de sua Congrua, pelo qual se Ifie manda pagar, mais 5^000 réis 
alem dos 10^000 réis e quatro moios de trigo, que até entào tive- 
ra. (Doc. VI.) 

primeiro assento feito pelo Dr. Gaspar Fructuoso, no L.** 1 de 
Casamentos, da matriz da Ribeira Grande, foi a* 7 de Janeiro de 1567, 
(a fol. 34 verso) e d'ahi em diante, continuou sem iuterrupgao até 
23 d'Outubro de 1580. (foh 74.) 

Cada lauda contem quatro a seis termos, algumas vezes sete, de 
letra miuda mas perfeitamente intelligivel. Os lanfamentos sao sem- 
pre completos nos seus dizeres essenciaes, em ordem a determinar a 
perfeita identidade das pessoas, o que so por mero accaso se encon- 
tra na maior parte dos registos parochiaes. 

No L.® 1 de baptisados da mesma Matriz (que comega a 11 de De- 
zembro de 1541) langou o Dr. Fructuoso o ultimo termo, de sua letra, 
aos 31 de Marg-o de 1591. 

Alem das Saudades da Terra e dos apontamentos para as Saiida- 
des do Geo, escreveo mais quasi todo o L.^ 1.® do lombo da Matriz 
da Ribeira Grande, no qual tinha consignado muitas iioticias histori- 
cas até a epocha da sua morte, noticias, que seus successores conti- 
nuaram até ao anno de 1674 em que comega o L.^ 2.^. Por 1854 ou 
1855 salilo dito Tombo do Archivo d'aquella Egreja, em conformi- 
dade com uma Portarla do Governo, sem que até ao presente tenha 
sido restituido, apezar dos exforgos empregados para o obter. 

Dr. Fructuoso deixou nas primeiras paginas das suas Sauda- 
des da Terra, testemunho irrefragavel da sua primorosa calligraphia. 
Uma absoluta regularidade na inclinagap e forma dos caracteres, pro- 
duz effeito mais de uma gravura do que d'um manuscripto. 



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ARCHIVO DOS ACOKES 406 

Os restos mortaes do Reverendo Dr. Gaspar Fmcluoso, forara 
trasladados, em 3 de Setembro de 1866, da capella-mór da Matriz da 
Ribeira Grande, para o cemiterio publico da mesma villa, aonde fo- 
raiù depositados, n'um monumento de marraore, levantado a expènsas 
da Camara Municipal, coadjuvada com os donati vos de alguns mi- 
chaelenses. 

Era a Capella-mor, sem duvida, o locai mais apropriado, para a 
colocagào e conservagao da lapide commemorativa da existencia do il- 
lustre varao, do vigario d'aquella matriz. 



p 



OCUMENTOS 



n;^ I 

UNIVERSIDAD DE SALAMANCA. 
_flECTORADO. 

Particular. i6 Deciembre 1875 

Exapiinados detenida y escrupulofamente los libros de matriculas de efta 

Universidad literaria que fé hallan en fu Archivo defde el ano 1546 a i565, re- 
fulta qpe' en el afio ó'curfo de i553 a i554, ^^ la foja 54 reverfo fé he el fegun- 
do nombre Gafpar Fructuofo Bachiller en Artes. En el de i554 a i555 en la fo- 
ja 40 reverfo tambien al nùmero treinta de los nombres fé be Gafpar Fru- 
ctuofo Prefbitero Bachiller. 

Examinados tambien con la mifma efcrupulosidad los libros de actos y gra- 
dos de licenciamientos é Doctoramientos en todas las facultades del ano de 1 548 
à i558 a 59 y de iSSg à i565 a 66, nada fé ha encontrado relativo al grado de 
lìcenciado ni de Doctor en fagrada teologia, ni en otra de las facultades que en 
efta Univerfidad literaria fé eftudiaban; por lo cual es de creer que dicho Sr. 
no curfara en la mifma mas que los dos ailos citados 

^ :* El Rector 

Mamés Esperabe Lozano (•) 

(•) Assir.ì parece se deve icr a a^signiìtura 



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406 ARCHIVO DOS ACORES 

N.^ II 

Carta do me/mo Sr, de 2 de Janeiro de iSjG. 

.... Pofteriormente a mi ultima fé ha encontrado en el libro de pruebas de 
curfos y bachilleramientos em teologia, que dà principio en 23 de AbriI de iSSy 
à 2 de Abril de 1 56o, en la pàgina 48 vuelta el acta del grado de Bachiller en 
teologia por eftà Universidad; y en ella (en latin) fé dice naturai de Puentà 
Delgada (una de las iflas Azores del reìno de Portugal); y que tomo diche gra- 
do el miei^coles nueve de febrero de i558 a las 3 de la tarde el dicho difcreto 
varon D. Gafpar Fructuofo Presbitero, prefìdindo dicho acto de Bachillera- 
miento en fagrada teologia el excelente Maeftro en Artes, en filofofia y teolo- 
gia D. Martin Vicente, y hallandose afiftentes al acto el Bedel lego Geronimo 
de Almaraz, el Doctor Domingo Perez, el Bachiller Manuel Fernandez, Crifto- 
bal de Madrigal y otros eftudiantes; y Andres de Guadalajara Notarlo de la 
Universidad — De lo cual dio fé Andres de Guadalajara. 

Refpecto al grado do Doctor en la facultad de teologia, siendo catedràtico 
fray Domingo Soto, y uno de los que pudieron graduarlo, hafta boy no fé ha 

encontrado nada 

El Rectob &. 

N.« m 

Carta do me/mo Sr^de 16 de Fevereiro de i8y6. 

. . .Tengo el gufto de acompafiarle la adjunta copia literal del grado de Bachil- 
ler del Dr. Gafpar Fructuofo. Hafta boy no ha pudido encontrar-fe la de Do- 
ctor, fi algum dia pudieramos dar con ella tendria muichifima fatiffacion en re- 
mitirfela. . . . 

El Rectoh a. 



UNIVERSIDAD DE SALAMANCA. 

(Lo^ar (lo sello 
da Univereidade; 

Bachilleramientos en la facultad de Tlieologia de este af/o de \^557. 

En el libro de ctirsos academicos y grados de Bachillet^ que comien 
za el 26 de Abril del aflo 1557, siendo Rectoì' de la Universidad de So 
lamunca el Muy ilustre Sefior D, Fedro Portocarrero, y escribano d ' 
Claustro de dicho estudio Andres de Guadalaxara , . . al folio 48 rue 
to existe.el acta que copiada a la tetra dice asi : 



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ARGHIVO DOS ACORES 407 

^6òcicDa?ctmeuA tu óactcu 'CDeotoa la uaòpa^ 3^^uctuoAòo 

y^eòvitet cioitattò* voute "Seiaoba ex iitòufa '^lo^ o/WoicbaefiA 

cftxcDaucjcft. vieaiii SuAilaiitai ut civitate SatM/iati/ttua eie 

ve^o Qill\5e^cu^i^ tioiia'?ie wieit,>u jeoxuaxtt auiit '^o^n^ill wii- 

^óAeHii C|uiiiaèitteA.>iiiit 0|UUicuaaeòniii octavt foota textia 

po4t Mi^ext^teui, ì)tcl:u.i ^i^cxefctió vix Wot/iitiiu^s ùouipax «Jru- 

ctuoòi>o ^eóSi/tex uxa&UHi ^achalcìltruatllS tu òacx.a "Cfceoto- 

cjtadut '&i4ctpf4iia eaxea it vixt (DoHiutt JllVjaxtiut ^iucetitu 

ut axtiuu,^ et pttCoopbtOL. ac dacxa ebcoioaia oliUaaii^txi xe- 

cepit et a64ii/Viipóit^ pxe,ieiitiDuó loibeHt nietoiianc ^e cfbiwia- 

xa^j^ (Bì!c)eto falco, et 'ì^cctc^e (Dohiihico yCexes^, et vacha- 

Carneo Evautaiiue^ìie t/exitait^ej^^ ( * ) et uacDatauxeo Cpxia- 

topboxo "J^e cillUaWtaaf .^cboKxxiuuój et afitó, et oi^itbxca ^e 

uuaWfaxaxa, 9 (£>otaxto puut^co. ,, 

^Pasó mite ilìL . . . I^ay una rubrica — Andrés de Guadalaxara — 
Notarlo, » 

És copia. El Rector &. 

N/^ IV 

Exame feito nos livros da Univerfidade de Coimbra pelo Paleographo do 

Archivo da me/ma. 

Examinei minuciozamente, os livros dos afTentos d'autos, e gràos, Doutora- 
mentos, e Licenciaturas, da Univerfidade de Coimbra, d'efde i558, até i565 in- 
cluzive, e nào encontrei, entre os diverfos Liceiiciados, e Doutorados (cujos 
nomes li, um por um) de todas Faculdades, que n'effa època fé curfavam, que 
eram fornente, as quatro — Theologia, Canones, Leis e Medicina, — nào encon- 
trei, repito, em nenhuma d'ellas, o nome de Gafpar Fructuozo: o que poflb 
afian9ar, com verdade. 

Durdo. 



(•) Este Manuel Feriìaiides parece sor o mesrno de que se tracia no DìccìO' 
noria Bibliographico, Toni. 5." pag. 419. 



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408 ARCHIVO DOS ACORES 



T^offe do *Z)r. Fructuofo corno Uigario da oMatri^ da ^beira Grande 
aos i5 de Agofto de j565. 

TituUo do Livro dos quafamt.''" do ano de 1 565 anos em o rpez d'agofto da 
dita era em ho quali mez o mt.** Revd.*» padre doutor gafpar fructuofo Vigario 
e pergador na igreija de nofla Sr.» da eftrella da r.* grande || da quali igreija to- 
mou poffe della por falicimento de frei manuell, que d." tem a xb (75) dias do 
mez d^agofto da fobre dita era (que foi dia de noffa Sr.«) de i || 5 || 6 || 5 pelo 
padre Amador Roiz. 

(Idvro 1,^ de Termos de Casanientos da Matriz da Ribeira Gran- 
de, fol. 28. J 



N.« VI 

oAlvard de acrefcentamento da Congrua do *Z)r. Fructuofo em i5S5. 

,Eu elRey corno governador &, fa^o faber aos que elle meu alvarà virem que 
avendo refpeito ao que na petÌ9am atras eferita diz o doctor Gafpar Fructuofo 
vigario e pregador da igrej^ de Nofla Senhora da villa da Ribeira Grande da 
ilha de San Migell e vifta a enforma^am que do cafo conteùdo nella fé ouve de 
don Manoell de gouvéa bifpo d'Angra do meu conselho e a que fé teve na 
mefa do defpacho dà Confciencia, e Ordeens e ao fruto que faz con fua doctri- 
na ey por bem e me praz que elle tenha p aja de feu acrecentamento cince 
mill reis cada anno alem dos dez mill reis e quatro moios de trigo que até ora 
ouve pera que d'aqui em diante tenha e aja quinze mill reis em dinheiro e qua- 
tro moios de trigo os quaes cinco mill reis que Ihe Ora acrecento come^arà a 
vencer de cinco dias do mez de abrill que ora pafou defte ano prefente de mill 
quinhentos oitenta e cinco em diante em que Ihe lìiz efta mercé e Ihe feram a- 
fentados e pagos no feitor de minha fazenda da feitoria da dita ilha afi e da ma- 
neira em que fé Ihe atee ora pagaram os ditos dez mill reis e quatro moios de tri- 
go pelo que mando ao feitor que ora he e ao diante for da dita feitoria ihe de 

. e page eftes cinco mill reis d'acrecentamento e Ihe fa9a d'elles bom pagamen- 
to por efte fó alvarà gerall fem mais outra provifào e pelo treflado delle que 

"fera regiftado no livro de fua defpefa pelo efcrivao de feu cargo e conhecimen- 
to do dito Gafpar Fructuofo mando que Ihe fejam levados em conta cada ano 
que Ihos afy pagar e efte alvarà fé afentarà no livro da fazenda da ordem o 
quali quero que valha tenha for9a e vigor comò fé fofe carta feita em meu n - 
me por mim afinada e pafada pela chancelaria della fem embargo de qua - 
quer regimento ou provifào em contrairo. Manuali Franco o ^qz em Lifboa a 
primeiro de maio de MV<=e LXXXV e eu Manuell d'Azevedo o fìz efcrever. 

(Arch. Nac, Liv. 6 da ChanceUaria da Ordem de Ckristo, f,212 ) 



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INDICE 

DAS 

SAUDADES DA TERRA 

DO 
Pr. pASPAI\ j^RUCTUOSO 

IilTRO I 

(A numeracào abaixo é a do mannscripto originai in-folio) 



Capitulo I — De uns queixumes qiie faz a Verdade estando solitaria 
em urna serra na liba de S. Miguel f. 7 

« li — De um sonho que sonhou a Verdade f. 9 v. 

« III — Como vio a Verdade figurada sua tcisteza em urna ri- 
beira f. 10 v. 

« IV — Como a Verdade vio vir voando a Fama e vendoa, a Fa- 
ma se desceu onde ella estava e da pratica que ambas 
tiveram f. 11. 

« V — Era que^a Verdade diz a Fama quem é f. H v. 

« VI — Como a Fama conhecéo a Verdade e Ihe disse tambem 
quem ella era f. 12 v. 

« VII-^Das novas que dea a Fama a Verdade e de seus ir- 
maos, temer de Deos e vergonha do mundo f. 14. 

« Vili — Em que a Fama pede a Verdade que Ihe conte as 
cousas das Ilhas, e a Verdade Ihe declara umas letras do 
Iriangulo que traz no vestido e a Fama a consola f. 14 v. 

« IX — Em que a Verdade respondendo a urna de duas per- 
guntas que Ihe fez a Fama; trata em geral do descobri- 
mento das Canarias e d'algumas cousas d'ellas f. 16 v. 

« X — Do que se diz das linguagens de todas estas Ilhas de 
Canarias f. 18. 



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410 ARCHIVO DOS ACORES 

Oapitulo XI — D'algumas coiisas que oiitros dizem das diias Ilhas For- 
teventara e Lanzarote f. 19. 

« XII — D'algiimas cousas da llha charaada Gran Canaria f. 20. 

« XIII — D'algumas cousas da Illia chamada Tenerife f. ?0.^v. 

« XIV —D'algumas cousas da llha de Palma principalmente 
de sua principal Cidade • f. 22. 

« XV — Como foì saqueada a Cidade de Santa Cruz da Palma 
por corsarios francezes . f. 23. 

« XVI — De Taca-cortè até Miraflores f. 24 v. 

« XVII — De Miraflores até ao Barranco oii Grota d'Agua, da 

Villa de Santo André f. 25 v. 

« X\TII — Do Barranco da. agua da Villa de Santo André ale 
Foncallente, firn da llha da parte do ponente f. 27. 

« XIX — Como foi achaflà e tomada a llha chamada Ferro e 
d'algumas cousas que ha n'ella f. 28 v. 

« XX — Como foi descnbeita e tomada a I!ha chamada Gomei- 
ra e d'algumas cousas d'ella f. :M. 

« XXI — Em que. brevemente conta a Verdade o (}ue pòde sa- 
ber do descubrimento das Ilhas de Cabo Veixie f. 3i. 

a XXII — Em que a Verdade respondendo a segunda pergunta 
conta descubrimento das Antilhas que agora se clia- 
mam Indias occidentaes, e corno os reis de Castella as 
possuem declarando a linha da reparticao da conquista 
entre elles e os Reis de Portugal f. 35 v. 

a XXIII — Da diiYerenoa que'houvé sobre a linha da reparti- 
cao da conquista da outra banda opposta à primeira 
atraz dita entre Portugal e Castelhanos nas Ilhas de Ma- 
luco onde se encontraram f. 38. 

« XXIV — Da tornada da Nào Victoria a Hespanha e doutras 
algumas diffeiencas que houve sobre as Ilhas de Maluco 
entre Portuguezes .e Castelhanos. e da razào porque 
as possuiram depois os Rèis de Portugal pacificamen- 
te f. 40 V. 

« XXV — Em que mostra a Verdade por experiencia de rao- 
dernos e alguma razào nào estar o estreito de Magalhàes 
entre duas terras flrmes mas ter da parte do Polo ar- 
ctico terra firme e da do ant'arctico semente algumas 
Ilhas f:42. 

« XXVI — Como parece que Christovam Colon coni sua via-, 
gem deu principio donde tomou o Imperador Carlos 5.^ a 



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ARCHWO DOS ACORES 4M 

empreza das columnas que poz em suas armas, e conti- 
nuando-a Ferflao ite *Magalha6ffi desejou de as por mais 
àvante em que se declaram algiimas outras insignias das 
armas imperiaes f. 43 v. 

Capitulo XXVII — De duas opiiii5es que ha d'estas Ilhas dos A^o- 
' • ' res f. 45. 

« XXVIII — Coritra as duas opinioes em que untando a Ver- 
dade os Reis atitigos de Hespanha até o tempo que Pla- 
tào^diz serem venèidos dos Réis da Uba Atlanta sem se 
achar tal Victoria, se prova nao haver sido tal Ilha, e por 
ojutras razoes nao serem estas Ilhas dos Agores em al- 
gum tepipo pegadas com a Europa f. 46 v. 

« XXrX — 'Em que pela historia dos mais Reis e successos de 
Hespanha, depois de ElRei Eritreo, até ao tempo de Pia- 
talo (que dizem que floreceu 450 annos antes do Nasci- 
mento de Nosso Senhor), nao se escreve, nem houve Vi- 
ctoria que Reis de Ilha Atlanta tivessem de Reis de Hes- 
• panha, nem subvèrsSo de Ilha Atlanta, nem signaes d'is- 
' ^o/hèm ^e estas Ilhas dos A^ores fo^sem pegadas com 
a terra de Portugal cujo mar juiitQ de sua costa n'aquel- 
' le tempo (sem se tal achar) era multo navegado f. 49 v. 

« XXX — Em que poe a Verdade outras historias d'outros 

tempos alem de Platao contra as duas opinjoes juntamen- 

. le contrariadas f. 51 v. 

« V XXXI — Em que a Verdade poe outras razoes e conjecturas 
por onde parece nao haver sido a Ilha Atlanta f. 53 v. 

« XXXII ^—Em que a Verdade poe a opiniao e parecei' que 
tem da fundacao das Ilhas dos Agores e d'algumas ou- 
tras, e de seus primeiros e mais antigos descobridores, 
e diz corno se perdeu a navega^So antiga em alguns tem- 
pos até se tornar a cobrar pelos nossos portuguezes, de 
que foi primgz ^ principio o Infante D. Henrique de glo- 
rioza memoria, que raandou de^cobrir as mesmas Ilhas 
dos AQores f. 56. 



Voi. I— N.°5— 1879. 6 

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4(2 ARCHIVO B05 ÀCORES 

IiITRO II 



Capitulo I — Do nascimento, progenie, authoridade e costumes do In- 
fante D. Henrique, que mandou descobrir as Ilhas do 
Pprto-Sancto, da Madeira e A?ores f. 63. 

« II — Do que escreve Joào daBarros do descobrimento das 

Ilhas do PortO'Sancto e da Madeira,- e de outras opinioes que 

delie tem outros authores f. 66. 

« IH — Do principio e fundamento, genealogia e fidalguia do 
primeiro capitani do Funchàl, da Uba da Madeira, Joào 
Gongalves o Zargo, L^ do nome, e de seus descenden- 
tes f. 68. 

« IV — Da historia mais verdadeira e particular corno o inglez 
Machim achou a Uba da Madeira f. 69 v. 

« V — Como Joao Gongalves Zargo, andando por capitam da 
costa do Algarve no tempo das guerras entré Portugal e 
Castella, tomou bum navio de Castelhanos, que vinbam 
resgatados de Marrocos, e entre elles bum piloto, que là 
ouvira aos qompanbeiros da liào de Macbim comò haviani 
acbado a Uba da Madeira: e, levando-o diante d'El-Rei e 
do Infante D. Henrique, alegres elles com estas novas, 
OS mandaram descobrir a mesma Uba, cuja sombra vi- 
ram,'e temeram do Porto-Sancto, onde cbegaram f. 70 v. 

« VI — Como valeroso capitam Joao Gongalves Zargo, contra 
b parecer de todos os que comsigo levava, somente com 
do piloto, cometeo o borrendo negrume que via; e achan- 
do ser a Uba, sahio com os seus em terra, e mandou di- 
zer missa nella sobre a sepultura de Macbim; e do que 
mais fez até se tornar aos navios f. 71 v. 

« VII — Como capitam Joao Gongalves Zargo, deixando os 
navios no Desembàrcadouro, foi descobrir a costa da ilha 
até Camara de Lobos, donde tomou suas armas; e vendo 
a sabida o Cabo do Gyrào, se tornou a dormir aos na- 
vios f. 72 V. 

« VIII — Como capitam Joao Goncalves Zargo, depois se de 
tornar aos navios, partio para o Reino cop a nova do des- 
cobrimento da ilba nova que acbou, com que El-Rei re- 
cebendo-o com multa bonra, mandou fazer muitas festas: 
e, dando-lhe armas de sua fidalguia, o tornou a mandar 
a povoal-a, concedendo-lbe com a Capitania do Funchal a 



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ARCHIVO DOS ACORES 413 

raetade da ilha; e com elle dous capitaes, hum de Ma- 
chico com a outra parte, eoutro da Ilha do Porto-Sancto, 
onde foram ter à tornada f. 74. 

Capitolo IX — Da descrip^ào da Ilha do Porto-Sancto, e da abundan- 
eia e moradores d'ella f. 75. 

« X — Dos illustres capitaes que houve naiiha do Porto-San- 
cto desde . o principio de sua povoa^ào até a era de 
1590 f. 77. 

« XI — Do que fi'zeram lium hòmem e huma mulher naturaes 
da Ilha do Portò-Sancto, enganados pelo Spirito mau, 
a quem o povo depois comumente, pelo nome da mesma 
ilha, chamou Prophetas do Porto-Sancto f. 78. 

« XII — Como chegaram os dous capitSes Joao Goufalves Zar- 
go e Tristam Vaz a Ilha da Madeira, e de algumas' cou- 
sas que fizeram, e casas de devoQao que n'ella ftinda- 
ram " f. 80. 

« XIII — Como capitam Joao Gon?alves Zargo correo grande 
parte da Costa da ilha, hindo tambem com elle o capitam 
Tristam Vaz para repartirem a Ilha; e do que Ihe acon- 
teceo até se despedirem f. 81. 

« XIV — De corno o capitam Joao Gongalves Zargo Iragou a 
Villa do Funchal, que se foi ennobrecendo com o cresci- 
mento dos fructos e moradores de toda a ilha; e foraes 
e liberdades que os Reys Ihe deram f. 82, 

«1 XV — Em que se cometa a descripgao da Ilha da Madeira, 
comeQando pela banda do Sul, da Ponta de S. Lourenco 
até à entrada da Cidade'do Funchal f. 83. 

« XVI — Da descripQao da nobre Cidade do Funchal, e do que 
ha pela costa, da igreja do Corpo Sancto, onde élla co- 
meta, até a Praya Fermosa, que està aiem della f. 84 v. 

« XVII — Em que se vai continuando a descripgao da Ilha da 
Madeira, pela banda da costà do Sul, desde a Praya Fer- 
• mosa, urna legoa alem da Cidade do Funchal, até a Pon- 
ta do Pargo, que he 9 firn da ilha da parte Occiden- 
tal, f. 86. 

« XVIII — Da descripQao da Ilha da Madeira pela costa da ban- 
da do Norie, tornando a comegar da Ponta de S. Lou- 
renco e a acabar na Ponta, do Pargo. f. 87 v. 

« XIX — Da descripQao da Ilha da Madeira pelo jiieio da ter- 
ra; e de duas cousas que fez hum Marcos de Braga, 
velho, de grande animo e forgas^ huma na serra, e ou- 



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414 ARCHIVO DOS ACORES 

tra na cidade; e de huma grandeza de animo que mos- 
trou Domingos de Braga^ seu filho f. 89. 

Capitulo XX — Dos eapitaes, fllhos e netos, è mais possuhidores, e 
goveruadores da jurisdi?3o de Machico, até à vinda de 
Tristam Vaz da Veiga. f. 90 .v. 

« XXI — Em que a Verdad^ oame?a a contar a progenie e he- 
roicos fertos de Tristam \^z da Veiga, quinto capitam da 
jiirisdigao de Machico, e ultimo possuhidor della, por 
mercé de Sua Magesti^de do. seu Gonseiho e; General da 
milicia em tpda a Ilha daJtfad^ira . i f. 92 v. 

« XXII — De diversos serviQOs que éapitam Tristam Vaz da 
Veiga fèz a coroa na India Orietitàl, no cerco de Maza- 
gao, e em outras partes. ; f. 93 v. 

« XXIII — De huma grande Victoria qUé ó capitam Tristam Vaz 
da Veiga teve na China de hiim poderoso Cossario Chini; 
e comò deixou quase acabada huma fortaleza no porto do 
nome de Ds. onde os porluguezes estào na China f. 94 v. 

« XXIV — De duas notaveis victofias qué Tristam Vaz da Vei- 
ga teve, huma da armada d^El-Rei do Achem, e outra 
dos Jàos que pozeram cerco a Malaca sendo elle capitani 
della. f. 96 

« XXV — De outra grande Victoria que o capitam Tristam Vaz 
da Veiga alcangou dos Achens uó sègundo cerco de Ma- 
laca ^ f. 98 V. 

« XXVi — De algumas cousas notaVeis que fez Tristam Vaz da 
Veiga; comò era tràqtado pélos Viso-Reis da India e por 
El-Rey, que b fez do seu conselho; corno os Governado- 
res flzeram CapitSo da Torre de S. Giao f. 99 v. 

« XXVII — Como' Sda Màgestade fez mercé a Tristam Vaz da 
Capitania de Machico, e o' fez General da Milicia em to- 
da a Ilha da Madeira; e de algmaas cousas insignes que 
elle té agora tem feitas com este cargo f. 100 v. 

« XXVIII — Das feicoes, condigoes, rendas, e armas de Tris- 
tam Vaz da Veiga f. 102 v. 

« XXIX — Dos irmaos do Capitam Tristam Vaz da Veiga, e 
serviQOS qùé flzeram a Coroa f. 103. 

« XXX — Dos filhos e filhas que teve o primeiro Capitam do 
Funchal Joao Gongalves Zargo f. 104. 

« XXXI — Da Vida e feitos do segundo Capitam do Funchal 
Joao Gongalves da Camara, segundo do nome, chamado 



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ARCHIVO DOS ACORES 415 

da porrirÈa; e ide algumas cousas que em seu tempo a- 
conteceram . :• . • .■ : f. 103 v. 

Capitulo XXXII — ^^De alguns feitesdo terceiro Gapitam.Simao Gon- 
^aJYBS da Gamara, chamado Magnifico, e de algumas 
C0]asa3 .que,em:spu t^mpo acontep^rana, e dos fllhos que 
houve de sjaa òrimek^ mnìh^ foi feita a Villa 

do Funchal, Cidade,/.. ;. , ,., , ; f. 108. 

« .XXXIII--D0S primeiros Bispos.quejibram a Ilha da Madei- 
' ra; e.ajuda que deo Capitafn Siifiap' Goiicalves na to- 

mada de Azamor; e da.criagào do Bispado.da Cidade do 
Funchal e primeiro Bispo proprietario della; e de huma 
esconjaragao que fèz primeiro Mestre èscola, a uma 
phantasraa ^ . !. f- **^- 

« XXXIV — Do soccorro que deo Cslpitam Sjmao^ Gongalves 

no terceiro cerco de Arzila,''hindo aggi*ayadb d'EI-Rey 

• para Castella e outras Vezes' outros e do 'presente que 

mandou ao Papa Leao X; e corno foi louvado seu esforgo 

doXarife f. IH. 

« XXXV — Dos fllhos que teve Capìtam Simao Gongalves da 
segunda mulher; e corno cessou milagrosamente a peste 
que houve na Cidade do Punehal por intércessSo de San- 
tiago Menor, que foi eleito por- padreeiro; e comò e onde 
faleceo Gapitam; e de outras consaa que na Ilha acon- 
teceram f. 112. 

« XXXVI — Do que fez Antonio Gongahres da Caràara, filho 
dà Camareira Mor da Raynha D. Catherina, na Uba da 
Madeira, e do que mais Ihe aconteceo casando nella e 
fora della f. 113 v. 

« XXXVII — Da Vida e feitos do quarto Gapitam do Funchal 
Joao GouQalves da Gamara, terceiro do nome 115. 

« XXXVIII — Dos fllhos que teve Joao Gongalves da Gamara, 
terceiro do nome, e quarto Gapitam do Funchal; e de 
outras cousas que em seu tempo fez e Ihe aconteceram 
até seu falecimento f. 116. 

« XXXIX — Da Vida e alguns feitos de Simao Gon?alves de 
Gamara, Cònde' da Calheta, e quinto Gapitam do Funchal, 
segundo do nome; e de seu casamento f. 117 v. 

« XL-— Do Arcebispo e mais Bispos qqe foram à ilha da Ma- 
deira, e houve nella atQO tempo do Bispo D. Hveronimo 
- Barreto " f . H8. 

« XLI— Da Vida e costumes do Bispo da IBia da Madeira D. 
Hyeronimo Barreto - f. 119. 



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416 ARCHIVO DOS ACORES 

Gapitulo XLII — Da vida de D. Luiz de Figueiredo de Lemos, Bispo 
do Funchal que ao presente Governa o Bispado f 120. 

« XLIII — De outros honrosos feitos do Capilam Sini3o Gon- 
Qalves, Conde da Calheta, e dos fllhos qne leve f. 125. 

« XLIV — Como foi saqneada a Cidade do Funchal por france- 
zes, eossarios Itìtheranoi; segnndo a informacao dos mo 
radores da parte do Sul , f. 125 v. 

« XLV — Da entrada dos cossarios na Cidade do Funchal, se- 
gundò a informacaò dos ' moradQres da banda do Nor- 
ie f. 127. 

« XLVI — De outros damnos e perdas que se acharam feitas 
na Cidade do Funchal, e do soccorro que chegòu aa ilha 
depois de partidos os inimigos f. 132 v. 

« XLVII — Como foi desencravada a artelharia da Cidade do 
Funchal por hum Gaspar Borges grande e engenhoso ar- 
tifice . f. 134 V. 

« XLVIII-— Do socorro spiritual que na armada de Portugal 
foi aa Ilha da Madeira, depois de saqueada a Cidade do 
Funchal f. 136 v. 

« L — Da Vida e alguns heroicos feitos do muito illustre Joào 
Gon^alveis da Camara, segundo Conde da Calheta e sex- 
to Capitam da Ilha da Madeira, IV do nome; e de seu fa- 
lecimento f. 137 v, 

« LI — Do doscobrimento das ilhas chamadas Desertas, e cu- 
jas sao, e do que nellas ha: e de algumas cousas de 
outras ilhas chamadas selvagens f. 138 v. 



Este Livro II foi impresso no Funchal em 1873 com copiosas iiotas pelo Sr. 
Dr. Alvaro Rodrigues d'Azevedo, in 4.« com 920 paginas. 



lilTRO III 



Capitulo I — Do motivo que se conjectura haver tido o Infante F. 
Henrique para o descobrimento das Ilhas dos Agores; 3 
comò mandando descobrir a Ilha de Santa Maria prime - 
ra d'ellas forào achados huns baixos a qué chamao Foi- 
migas f. 14 J 



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ARCHIVO DOS ACORES '^ 417 

Capitulo II — Como fòi achada a Ilha de Santa Maria por Frey Gon- 
gala Velho commendador Dalmourol que pelo Infante D. 
Henrique a seu descobriiqento foi enviado e feito Capitalo 
d'ella; e de alguns antigos, que no principio a povoa- 
rao f. 143 v. 

« III — Dos Velhos e Alpóe^, Faleiros, Fontes, Curvelos e Sar- 
naches que tambem povoarao do principio a Ilha de San- 
ta Maria e donde procederlo os Figiieiredos que ha 
n'ella f. 144 v. 

« IV— Do contraponto que fdzo insigne Doutor Damniel da Cos- 
ta sobre a vida, e custunaes e grandeza de D. Luiz de 
Figueredo deLemosBispo doFuuchal f. 148. 

« V — Em que se cometa, a desórever em circuito toda a Cos- 
ta maritinia da Ilha de Santa Maria com a distancia das 
povoaQ5es e mais notavéìs pMtas e bayas e Uhèos que 
ha nella, do Castellete que està ao Oriente, pela banda 
do Sul, até a ponta do Marv3o junto da Villa do Por- 
to f. 154. 

« VI — Da discripc3ò da Villa do Porto da Ilha de Santa Maria, 
e de algumas cousas que ha nella f. 156. 

a VII — Em que se prosegue a discripgao da Costa da Ilha de 
Santa Maria pela banda do Sul da Villa do Porto para a 
Ponta de Santa Anna; e da hi voltando ao Noroeste, e de- 
pois Nordeste ao Ilheo das Lagoinhas f. 157 v. 

« Vili —Da discripcao da Costa da Ilha de Santa Maria pela 
banda do Norte das Lagoinhas até o Castellete donde se 
comegou e acaba f. 159. 

« IX — Da Serra e alguns raontes e couzas que tem a Ilha de 
Santa Maria pelo melo e por dentro da Terra f. 160. 

« X — Da fertelidade da Ilha de Santa Maria assim de pao co- 
rno de criacao e de outras cotìzas f. 161. 

« XI — De couzas diversas que aconteceram na Ilha de Santa 
Maria f. 162. 

« XII — Da Vida e feitos do Illustre Fr. Gongalo Velho Com- 
mendador do Castello de Almourol e priraeiro Capitao da 
Ilha de Santa Maria e depois dà de Sao Miguel. pelas des- 
cubrir ambas e (segundo alguns dizem), algumas outras 
dos Agóres t 163. 

« XIII — Da Vida e feitos do illustre Joao Soares de Alberga- 
rla 1.° do nome e 2.° Capitao da Ilha de Santa Maria e 
dos filhos que teve f. 164 v. 



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418 ' ARCHIVO DOS ACORES 

Capitulo XIV— Da vida e feitos. do illustre Joao Soares de Souza se- 
gando do nomiB e tercéiro Gapitào da Uha de Santa Ma- 
ria e dos filhos.que teve > i f. 165 V. 

« XV — Da Vida e feitois dò mHitó illustre Fedro Soares de 
Souza 4.^ Gapitao da Ilha de Santa Maria unico d'este 
nome, e Ao^ filhos» (jue leve f. 167. 

« XVI— Da Vida e feitos ìdò inuito illustre Braz Soares de 
Souza 5.^ Capitao da Ilha de Santa Maria unico d'este 
nome f. 168. 

« XVU-^Em que a Verddde cometa a contar huma entrada 
que fizerao hrniS' Corsarios na Villa dò Pòrto da Ilha de 
Santa Maria i ' • f. 168 v. 

« XVIH-^Como. se despejou a Villa dos moradores, e foi to- 
mada dos Mimigos, 'Cbm o que mais passou em hum en- 
contrò queoom elles tiverao os da Ilha até que os outros 
desembarcàrao f. 170. 

« XIX — Cdriio Gapitao Petìro Soares de Souza mandou pe- 

dir soccorro a Ilha de S. Miguel e foi primeiro a elle 

Sangento:Mór somente com hum' seu fillio, e do que 

com sua ' Chegada se fez até se embarcarem os inimi- 

..,gos f. 171 V. 

« . X;X— Dp/S(>Gcorro com/ que foi Franci>xo d'Arruda da Cos- 

.4a,^d5t Wha de 3ao liligi^el à de Santa Maria, e do .que en- 

tao e .depois se passou f. 173. 

a . . X^--rDp bom esforco que mostrara o CapitafìiBraz Soares 

. ,4e Souza e os moradores da liba de Santa Maria contra 

duas nàos de Gossarids que commetterao a Terra f. 174. 

«, XXII ^- Da Vida e costumes de D. Luiz, Goutinlw 1.^ Gom- 
mendador da Ilha de Santa Maria f. 175. 

, f . XXIU— Que trata de D. Francisco Coutinho2.^ Gommenda- 
■ - \ dor da Ilha de Santa Maria e do^ filhos que teve f. 175 v. 

. « . XXIV — Dos costumes de D. Francisco Goutinho 2.^ Gom- 
mendador da Ilha de Santa Maria e de seu fallecimen- 
to . f. 176 V. 

« XXV— Da Vida e costumes de D. Luiz Goutinho 3.^ Com- 
niendador da Uba de Santa ]\([ari^.e dos Irmaos que 
teve f. 177. 

« XXVI — De D. Hieronimo Goutinho 4,"* Gommendador di 
Ilha de Santa Maria 7 . f 178 u 



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ARCHIVO DOS ACORES 419 

liITRO IT 



CapìtuloI - Como foi achada a ilha de S. Miguel poi'Fr. Gonzalo, 
commendador de Almourol, da qual foì feito capitao, sea- 
do-ò jà dà ilha de Santa Maria: enviado pelo iofanle dom 
Henrique a* este descobrimento f. 180. 

« ^ II — Da mais antiga e primeira povoaQào, e povoadores d'es- 
tà ilha f. 181 V. 

« III — Dos dous capitaes primeiros da ilha de Santa Maria e 
da de Sam Miguel. Da progenie dos Velhos, donde elles 
descendem, e os destas duas ilhas, que délles proce- 
dem f. 184. 

« IV — Da geracao e descendencia de Gtongalo Vaz Botelho, 
chamado o grande, mais velho e primeiro dos antigos 
povoadores da ilha de S. Miguel f. 189 v. 

« V — Dos Costas, Arrtìdas, Favellas, Mottas e Portos, leados 
coni OS Bòtellìos f. 192. 

« VI — Dos Cogombreiros, que agora coni vocabulo corrupto 
se chamiam Columbreiros, que primeiramente vieram pò- 
voar a ilha de Sam Miguel f. 194. 

« VII — Dos Teves, e dos Cordeiros antigos povoadores d'està 
ilha de Sam Miguel, e de alguns Mottas. f. 196. 

« VIII-T-De Jorge Velho antigo povoador da ilha de Sam Mi- 
guel, e dos Jorges seus descendentes f. 197. 

« IX — Da progenie dos Betancores, que vieram da ilha da 
Madeira povoar està de Sam Miguel, no tempo de Ruy 
Goncalves da Camara, terceiro capitao e primeiro do 
nome f. 199. 

« X — Da progenie dos Pachecos, que vieram a està ilha de 
Sam Miguel no tempo de Ruy Gongalves da Camara, ter- 
ceiro capitao d'ella e primeiro do nome f. 201. 

« XI — Dos Barbozas e Silvas, que vieram a està ilha de Sam 
Miguel f. 202. 

a XII — Dos Gagos, Bocarros e Rapozos, que vieram povoar 
està ilha no tempo de Ruy Gon^alves da Camara, tercei- 
ro capitao d'ella, e primeiro do nome f. 203 v. 

<r XIII — Da Vida e estado de Dom Juliannes da Costa, o ve- 
lilo, filbo de Dom Alvarinho, que por casar n'esta ilha, 
com uma filha de Joao do Outeiro e da mulher que foi 

Voli— N.« 5— 1879. ' 7 



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420 ARCHIVO DOS ACORES 

de Ruy Vaz Gago do Irato, herdou muita fazenda, que 
^ n'ella tem seus fllhos e herdeiros f. 206 v. 

Gapitulo XIV — Dos Camellos e Pereiras, fidalgos que vieram de Por- 
tugal a està ilha, sendo terceiro capitào d'ella Ruy Gon- 
galves da Camara, primeiro do nome f. 207 v. 

« XV — Da progenie dos Tavares, nobres fidalgos qùe vieram 
a povoar està ilha, quasi no principio de seu descobri- 
mento. f. 209 v. 

« XVI — Dos Furtados e Correas, nobres fidalgos, tambem po- 
voadores d'està ilha de Sam Miguel f. 213. 

« . XVII — Dos Cayados, leados com os Albarnazes; e dos Me- 
zas e Francos, leados com os Teves, Camellos, Velhos e 
Lobos ' f. 215 V. 

« XVIII — Dos Serroes, Novaes e Quentaes, que com vocabulo 
corrupto, se chamam Nobaes e Quintaes f. 216. 

«« XIX — Dos Med^iros, que tiveram seu principal assento na 
Villa da Lagòa f. 218. 

« XX — Dos Munizes, que vieram a està ilha, no tempo de 
Joam Roiz da Camara, quarto capitào d'ella, e unico do 
nome' f. 219 v. 

« XXI — Dos Carreiros, fidalgos que vieram a està ilha, no 
tempo do capitao Joam Roiz da Camara f. 221 v. 

« XXII — Dos Regos que vieram da cidade do Porto a està 
ilha de Sam Miguel, em tempo do capitao Joam Roiz 
da Camara, e dos Redovàlhos com os quaes se lea- 
ram f. 223. 

« XXIII — Dos heroicos feitos, e grandes serviQOs, que fez a 
coròa grande capitao Francisco do Rego de Sa f. 226. 

« XXIV — Dos Sousas, que vieram povoar està ilha no tempo 
do capitao Joam Roiz da Camara f. 229. 

« XXV — Dos Rochas, Machados e Paivas, que vieram a està 
ilha no tempo do capitao Joam Rodrigues da Cama- 
ra f. 230. 

« XXVI — Dos Costas d'està ilha de Sam Miguel, que povoaram 
na Maia, e banda do norte f. 231 v. 

« XX Vii — Dos Benevides leados com os Cordeiros. Teve 
com OS Velhos, e Pereiras, e com outros appellidos; 
dos Rezendes e Almeidas f. 232 v 

« XXVin— Da geracao dos Araujos, que povoaram primein 
em Villa Franca do Campo, e depois em outras par- 



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ARCHIYO DOS ACORES 421 

les: e vjeram a . està ilha no tempo de Ruy Gongalves 
da Camara, quinto capitao d'ella, e segundo do no- 
me, f. 234 V. 

Capitulo XXIX — Dos Pavoes, pòvoadores na villa de Agua de 
Pào f; 235 V. 

« XXX — Dos nobres Oliveiras: de Fedro. Annes Preto e Joam 
Alvares Cavalleiro, que fizeram seu assento na villa de 
Agua de Pào - f. 237. 

« XXXI — De Pedro Vaz Màrinheiro, e dos filhos que te- 
ve f. 238. 

« XXXII — Dos Frias, fldalgos, naturaes de Castella; dos Feios, 

que vieram a està ilha de Sam Miguel, no tempo de Ruy 

Goùcalves da Camara, quinto capitao d'ella, e segundo 

' do nome . f. 239 v. 

« XXXIII — Dos Gregorios, e dos Tòixeiras da Bibeira Gran- 
de f. 241 V. 

« XXXrV — Dos Ferreiras, nobres fidalgos, que vieram da 
ilha da Madeira, a està ilha de Sam Miguel, em tem- 
po do capitao Ruy Gongalves da Can^ara, segundo do 
nome • ^ f. 242 v. 

a XXXV — Dos Amaraes que tambem sao dos Mendes e Vas- 

concellos, que vieram a ilha de Sam Miguel, no tempo 

do capitao Ruy Gongalves da Camara, segundo do no- 

. me f. 245. 

« , XXXVI — Dos Albarnazes, Montes, Pereiras, Mendes, e ou- 
tros appellidos de gente nobre, que veio a està ilha no 
tempo antigo e de seus successores que agora moram 
n'élla f. 245 v, 

« XXXVII — Da figura que se imagina ter a ilha de S. Miguel 
do Gigante Almourol, que alguns fingiram ser guarda- 
da urna Donzella chamada Miraguarda n'aquelle castello 
assim chamado Almourol do seu nome, que diziam ser 
seu em que se descreve toda a sua costa maritima e a 
figura d'ella a modo d'este gigante deitado ah no mar, 
. Gom as povoagoes, cabos e enseadas que ao longo della 
correm comò membros e partes do seu corpo f. 250. 

« XXXVIII — Em que se comega a descripgad particular da 
ilha de S. Miguel, comegando da villa e morrò do Nor- 
deste, até o logar da Povoagao velha . f. 252 v. 

« XXXlX^Em que se. continua a descripgao da jlha pela cos- 
- ta da parte do sul do logar da Povoagao vélha até che- 



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422 ABCHIVO DOS ACORES 

gar a Ribeir^a Secca jà perto de Villa Franca f, 236. 

Capìtulo XL — Em que se vae continuando a descripQao da illia de 
San Miguel pela costa do sul da Ribeira Secca de vil- 
la Franca do Campo até ao porto' da villa d'Agoa de 
Pào f. 259. 

« XLI — Eni que se vae continuando a d^scripgao da ilha de 
S. Miguel pela costa do su! desde o porto da villa de 
Agoa de Pào até a villa da Lagoa f. 262. 

-« XLII — Eni qne se continua a desjcripcào da costa do sul da 
ilha de S. Miguel, da villa da Lagoa até a entrada da ci- 
dade de Ponta Delgada f. 265. 

« XLIIl — Da descrip^ao e grandeza da nobre, e populosa ci- 
dade de Ponta Delgada . f. 268. 

« XLIV — Da descripQao da costa da banda do sul desde a pon- 
ta de Santa Claia, quasi cabo da cidade, até os escalva- 
dos, firn da compridam da ilha ' f. 273. 

« XLV — Em que conta a Verdade a descrip^ao da Ilha de 
San Miguel pela costa da banda do norte, comecando da 
villa do Nordeste até à da Ribeira Grande f. 274 v. 

« XLVI — Da descrjpeao da villa da Ribeira Grande, e cousas 
defla f. 278. 

« XLVII — Em que se vae continuando a descrip^ao da costa 

da ilha de San Miguel pela banda do norte da villa da 

I Ribeira Grande até os escalvados em que se acaba toda 

a sua compridam f. 280. 

^ XL Vili — Da descripgào da ilha de San MigueK pelo maio 
da terra, comegando do Morrò do Nordeste, até às Fur- 
nas: em que se trata dos pastos que ha nella f. 282 v. 

« XLIX — Das Furnas da ilha de S. Miguel; a que alguns cha- 
mam bocca da inferno f. 284. 

« L — Em que se vae prosseguindo a descrìpgao da terra pelo 
meio d'ella onde se trata das caldeiras que estam acinia 
da villa da Ribeira Grande junto da serra; e da conca vi- 
dade a que chama o povo Sete Cidades, até os escalva- 
dos, firn da ilha da parte do ponente f. 288. 

« LI — Do que rende a ilha de San Miguel, e das grossas fa- 
zendas dos homens naturaes que ha e houve nella f. 300, • 

« LII — Da grande abundancia de trigo, que houve na illia de 
S. Miguel, e dos pre^os que teve alguns annos f. 308. 



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ABCHIVO DOS ACORKS 42'i 

Capitulo LUI — Da valia do trigo em tempos diversos de 1313 até 
1583 f. 311 V. 

« LIV — Da mnltiplicaQao de gado de toda a sorte, e do niuito 

• ' pescado, que houve na iiha de S. Miguel nos primeiros 

annos depois de ser descoberta f. 312 v. 

« LV — Da infinidade de aves diversas, que houve na ilha de 
S. Miguel nos primeiros annos de sua povoacao entre 
seu expesso arvoredo f. 314 v. 

« LVI — Da grande abundancia e fartura de vinl»o de fora e da 
terra, e doutras couzas diversas, e d'alguns costuines 
que houve na Ilha de S. Miguel f» 319. 

« LVII — Do pastcl que dà a Ilha de S. Miguel f. 321 v. 

« LVIII — Do assucar e batatas que ha na ilha de S. Mi- 
guel f. 322 V. 

« LIX — Das silvas que ha na ilha de S. Miguel, e dos pri- 
meiros que as trouxeram a ella f. 324. 

« LX — Dos tremocos, c(hii que se restauraram njuitas terras 
da ilha de S. Miguel, que jà se iam enfraquecendo f. 325. 

« LXI — Das forgas d'algumas pessòas da iììia de S. Mi- 
guel f. 326 V. 

« LXII — Da valentia, esforfo, raanhas e destrezas d'algumas 
pessòas da ilha de S. Miguel f. 329 

« LXIII — De cousas diversas, que aconteceram na ilha de S. 
Miguel, e pessòas quo nella houve de grande idade f. 332. 

a LXIV — D'alguns peixes que n'esta ilha sahiram à costa; e 
de montros que nasceram na terra f. 334 v. 

« LXV — D'alguns officiaes da justi(ja eccleziastica, e secular, 
e d outros cargos que houve na ilha de S. Miguel f. 335 v. 

« LXVI — Da progenie, vida e costumes do illustre Ruy Gon- 
Calves da Camara, terceiro capitao da ilha de S. Miguel, 
primeiro do nome, e dos tìlho (|ue teve f. 337. 

« LXVII— Da Vida do illustre Joao Rodrigues da Camara, 
quarto capitao da ilha de S. Miguel, unico do nome, e 
dos filhos que teve f. 340. 

« LXVlil — Da Vida do illustre Ruy Gon^alves da Camara, 
quinto capitao da ilha de S. Miguel, unico do nome, e 
dos filhos que teve f. 341. 

« LXIX — D'algumas couzas que precederao o tremor da teria 
quando se subverteo Villa Franca do Campo que acon- 



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424 ARCHIYO DOS ACORES 

teceo no tempo de Ruy Gwic^lves da Camara, quinto ca- 
pitào da Ilha de S. Miguel, segundo do nome f, 343. 

Cafitulo LXX — Do grande e furioso tremor, ou terremoto da terra 
que houve na Ilha de S. Miguel em tempo de Ruy Gon- 
galves da Camara, quinto capitao della e segundo do no- 
me^ com que se subverteo Villa Frauca a mais nobre e 
principal das villas que nella havia f. 344. 

« LXXl — De outras perdas e damnos que o mesmo tremor 
da terra fez e causou em outras partes da Uba de Sao 
Miguel ' f. 348 Y. 

« LXXII — Da causa d'este tremor da terra, que subverteo 
Villa Francale de um terremoto, que -aconteceo no anno 
de 1563 no tempo do capitao Manoel da Camara f. 351. 

« LXXUI — De um romance que se fez de algumas magoas e 
perdas, que causou este tremor em Villa Franca do Cam- 
po, e em toda a Uba f. 352. 

« LXXIV — De um jogo de canas que o Capitao Ruy Gongalves 
da Camara ordenou entre os moradores da liba de S. 
Miguel, para os animar e fazer esquecer dos trabalhos 
(]ue tremor causou na dita Uba e na destruicao de Villa 
Franca f. 354. 

« ^LXXV— Da peste que houve na ilha de S. Miguel no tempo 
de Ruy Gongalves da Camara, quinto capitao d'ella e se- 
gundo do nome f. 355. 

« LXXVI — Das primeiras freiras, e primeiro mosteiro de re- 
ligiosas que houve na ilha de S. Miguel, e em todas as 
ilhas dos Agores, no tempo de Ruy Gongalves da Cama- 
ra, quinto capitao da dita ilha, e segundo do nome f. 357. 

« LXXVII — Da Vida e costumes do illustre Manoel da Cama- 
ra, sexto capitao da ilha de S. Miguel, unico do nome, e 
dos fllbos que teve f. 359 v. 

« LXXVIII — Da Vida e costumes e fallecimento de D. Hyero- 
nima Alba do capitao Manoel da Camara f. 363. 

« LXXIX — De Joao Rodrigues; panellas de polvora, naturai 
da ilha de S. Miguel, e das cousas qne fez na India em 
servigo d'Elrei e^i tempo de Manoel da Camara,. sexto ca- 
pitao desta ilha, unico do nome f. 364. 

« LXXX — Dos heroicos feitos de Henrique Barboza da Silva 
filho de Heitor Barboza da Silva, naturai da jlha de San 
Miguel f. 365 v. 

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ARCHIVO DOS ACORES 425 

Capitulo LXXXI — Como veio ter a està ilha desconhecido D, Jorge 
Pereira filho naturai do Conde da Feira, no tempo do 
capitao Manoel da Camara f. 367. 

« LXXXII — Do que aconteceo em Villa Franca do Campo no 
tempo do 2-^ terremoto, que houve na ilha de S. Miguel 
no tempo do Capitao Manoel da Camara f. 369 v. 

« LXXXIIl — Do que se yio e aconteceo na villa do Nordesle 
e seù termo no tempo do segundo terremoto f. 373 v. 

« LXXXIV— -Do que aconteceo na villa da Ribeira Grande 
no tempo do segundo terremoto f. 375 v. 

« LXXXV — Como da parte do Nòrte com forf a de fogo arre- 
bentou outro pico chamado do sapateiro perto da villa 
dà Ribeira Grande, onde se declara a origem dos bis- 
coiftòs que ha nestas Ilhas e da pedra pomes f. 378. 

« LXXXVI — Da fuiidagao do mosteiro de Jesus da villa da 
Ribeira Grande; e coino as freiras com o segundo ter- 
remoto se sahiram delle, e quando tornaram para el- 
le f. 380 V. 

« LXXXVII — Do que aconteceo na cidade de Ponta Delgada 
no tempo do segundo terremoto f. 382 v. 

«* LXXXVIII — Dos primeiros montes" que arrebentaram com 
fogo que causou o segundo terremoto, e d'alguns dam- 
nos que iei na ilha f. 384 v. 

« LXXXIX — De corno se ia ver o logar do fogo e incendio 
da serra, depois de se mitigar sua ftiria, e do que nisto 
aconteceo f. 387 v. 

« LXXXX — Como depoìs do segundo terremoto, em tem- 
po do capitao Manoel da Camara, foram restauradas 
muitas terras de pao, que na banda do norte se co- 
briram com pedra pomes e cinzeiro; principalmente 
por industria de Manoel Vieira, cidadao de Villa Fran- 
ca ' f. 390. 

« LXXXXI — De uma . praga que commumente nesta ilha de 
S. Miguel se chama alforra, que depois do segundo ter- 
remoto faz grande damno nas searas e hortas f. 391 v. 

« LXXXXII — Como se descobrio e fez pedra hume na ilha 
de S. Miguel f. 394. 

' * LXXXXIU — De alguns mineraes que' ha, e se presume ha- 
ver na ilha de S. Miguel f. 396. 



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4:26 ARCHIVO DOS acores 

Capitilo LXXXXIV — Da viada do licenciado Marcos Teixeira, inqui- 
sidor, a està ilba no tempo do capitao Manoel da Cama- 
ra f. 396 v. 

« LXXXXV — Da virtude e santidade de Margarida de Cha- 
ves, viuva, miiUier que foi de Antonio Jorge Correa, mo- 
rador na cidade de Fonia Delgada, da ilha de S. Miguel, 
no tempo do capitao Manoel da Camara f. 397 v. 

« LXXXXVl — Da vida e costuraes do Illustrissimo Senhor 
D. Ruy Gongahes da Camara, Conde de Villa Franca; 
do Conselho de S. Magestade; capitao e Governador da 
iUia de S. iVIiguel, deste nome o terceiro; e dos capitaes 
setimo; e dos filhos que tem f. 399 v. 

« LXXXXVII — Como S. Magestade depois de estar de posse 
do reino de Portugal mandou Àmbrozio d'Aguiar Couti- 
nho, por Governador e capitao mór àsilhas dos Acores; 
e nào querendo recolher na itha Terceira se foi apozen- 
tar na de S. Miguel; e d'alguns melos que procurou pa- 
ra reduzir a Terceira a servilo de S. Magestade, seni 
alcan(;ar effeito f. 403 v. 

« LXXXXVIII — Da vinda do capitao Alexandre a està ilha de 
S. Miguel, donde é natura!; quando veio o Governador 
Àmbrozio d'Aguiar, e db esforgo e valentia, que em di- 
versas parteà, e batalhas sempre mostrou f. 405. 

« LXXXXIX — De duas armadas que mandou S. Magestade 
em diversos tempos (sendo Governador Àmbrozio d'A- 
guiar Coutinlio) para tornar a ilha Terceira, que estava 
rebellada: 43 do que nisso aconteceo f. 408. 

« C — Como mandou S. Magestade à ilha de S. Miguel urna 
armada ligeira; cujo capitao mór èra Pero Peixolo onde 
. estando surta no porto da cidade de Ponta Delgada, 
veio outra franceza a pelejar coni ella; e do que aconte- 
ceo na batallia f. 409 v. 

« CI — De quatro nàos de hiscainhos de Guipuscòa que depois 
mandou S. Magestade a està ilha de S. Miguel com qua- 
irò companhias de soldados; cujo cabo era D. Lourengo 
Cenoguera; e do que aconteceo até entrarem eni* terra 
OS francezes, que D. Antonio trazia, e chegar em soc- 
corro outra grossa armada de S. Magestade f. 412. 

« CU — Da cruel e espantoza bataiha naval, que houve entie 
as duas armadas, hespanhola e franceza, defronte da 
ilha de S. Miguel, da parte do sul e da gloriosa Victoria 
que houveram os hespanhoes dos francezes f. 415. 



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ARCHIVO DOS AgOHKS 427 

Capitllo chi — Dos raortos e feridos de ainbas as parles nesta bata- 
Iha, e dos frs^ce^ Kjjje a^q^la^foram prezos f. 422 

\ a (JV — De algumas cousas que passaram em terra em quan- 

[ lo no mar andavani as duas armadas pelejando f. 423 v. 

I « CV — Dos'fraacezes •que maudou o Marquez de Santa Gniz 

i / degolar e- enforcar em Villa Franca (io r40mpo f. 426. 

[ « evi — Em que se declàraoque aconteceja às tres nàos, que 

\ sahiram da barra de Lisboa um (jia depois de sahida a 

^ armàda; e da vinda da oiitra armada de Sevilha: e do 

' que* nlaiS i^e pjas^u, atétorìiarem ambas as armadas de 
Hespanhà a Lisboa* f. 429. 

\ « CVU — De Manoel Correa, sargento mór da Uha de S. Mi- 

h , guel: e.seus berpicos feitos , » . f. 431 v. 

' « CVIII— rDe .uma cruel batalha que boUye junto do porto da 

cidade de Ponta Delgada entre uma nào bespanhola e 
, duas inglezas de corsarios f. 432 v. 

l « €IX — De qu^tro valèrosos capitaes portuguezes que em 

f • tempo perigoso por mandado de S. Magestade vieram a 

! està Hhà' de S. Miguel a peticao do Conde de Villa Fran- 

ca D. RiLV Goncalves da Camara, setimo capitao del- 
k • ' . f. 435 V. 

f ,« CK — De uma nova corapanhia de avantureiros. que erigio 

de novo o Conde de Villa Franca uà cidade de Ponta 
I Delgada: afora uma de gente de cavallo: e das de infante- 

f. ria, que darites havìa e ha nella, e seos termos e nas duas 

villas principaes. E dos capitaes da fortaleza, gente 
d'armas e outras cousas eni soma que ha em loda a 
f /ilha ^ f. 438. 

[ :« C^l — Dos dois capitaes da fortaleza da cidade de Ponta 

^ Delgada da ilha de S. Miguel, e seus alferes e sargen- 

tos f. 439 V. 

« CXII — ^^ De Gonfialo Vaz Coutinho que agoì^ é general da 
r • milicia na ilha de S. Miguel f. 441 v. 

■' « CXIII Da gente d'armas e outras cousas em soma que ha 

na ilha de S. Miguel f. 441 v. 



. • .• - , ■ : .. ■■ ■-= -K : , ■ i -, 

Voi. I-.N.«5— 1879. 8 

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428 ARCHIVO DOS ACORKS 

lilVUO V 



Capitulo I — Corao a Fama pedio à Verdade qiie Ihe contasse a historia 
dos dois amigos da Ilha de S. MigiieU e a Verdade se 
offereceó a contar-Iha f. 444. 

« 11 — Como Pae ule Philomesto o mandou a terras eslra- 
nhas em companhia.de um mercador para là a[)render. e 
conio coni urna tormenta se..apartou do mercador ficaudo 
so em um termo f. 44;). 

« IH — Do que passou Philomesto ficando so na serra e de 
corno foi achado de ims pastoresque o agazalharam comsi- 
go ' f. 446 V. 

c< IV — Corao por conseUio do, maioral do fato foi le vado Phi- 
lomesto [lelos pastores a corte de Narfendo (Feì-Tìarìdoi 
onde foi creado e ensinado: e de()Ois armado cavallei- 
ro f, 441 

« V — De urna aventura que aconteceo a Philomesto no castel- 
lo de Ricatena ' • ' ' f. 448v. 

« VI — Como Philomesto venceo tres cavalleiros irmàos den- 
tro no castello de Ricatena e a livrou d'elles f. 449 v. 

« VII — Como Philomesto livrou d'uns salteadores um irraào 

do meroador que o leverà de sua terra, que depois achuii 

e conheceo era caza de sf^u Pae sendo seu hospe- 

• de • • ^ i - . f. 450 V. 

« Vili — Das novas que leve Philomesto do ftilecimento de 
seu Pae; com que se tornou a sua terra ver sua Màe e 
seus amigos, e da occaziào que leve para ijer conhe- 
cido e amado de Philidor, e d'outros cavalleiros f. 43i 

« IX — Corao Philomesto indo a capar em uma serra foi ter 
aos pagos do Pae de Thomariza, e vendo-a se namoroii 
d'ella, e do modo que intentou para Ihe fallar e descf)-^ 
brir seu amor f. 453 v. 

« X — Pe uma AEgloga que se fez sobre bs amores de Phil« 
mesto com Thomariza f. 45'> 

« XI — De uma triste invengào com que salilo Philomesto ei 
um dia de festa, sera com ella {)oder abrandar a Thomariza 
pelo que se foi fora de sua terra com Aenio; e sabeii 
do-o Philidor seu amigo os fci buscar f. 438 



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ARCHIVO DOS ACOHfcS 429 

Caiutitlo XII — Dq cantar qu^. lìcou da partida dos tres atìiigos Phi- 
lomesto, Aenift e Philifì^r " f. 459 y. 

« XllI — De um^ aventura que acabàram Philomesto, e Aenio 
no Lago das Rans, donde^ livraram ulna espoza de um 
lavrador, e do que mm- Ihe aconteceo* f. 460 v. 

a XIV — Como andando PhiHdor. em busca de Philomesto, foi 
ter aos pagós de Lamentor, onde vendo e^criptas as Sau- 
dades de Bernardini Ribeiro, que pot^ oulro nome se 
chamou Bernardor. fow Bernarder) iei -uns versos em 
seu louvor f. 462. 

« XV — Como indo ter, Philidor ao Bosque de Bulcao, onde, 
tambem estava embuscado Garcilasso de la Vega, fez em 
louvor d'arabos uns sonetos f. 164. 

« XVI — Como Philidor livrou a uma donzella cliamada Guar- 
daritna, de um cavalleiro f. 465. 

XVII — Como Philidor por uma aventura foi ter ao reino de 
Narfendo. onde foi d^lle bem r^ebido e festijado por 
amor de Philomesto ... f. 465 v. 

XVIII — Como Philidor acordando dum sonho triste ouvio 
ùm homem eslar chorando sobre um penedo ao longo do 
rioTormes, que coni o grande frio estava òoalhado f. 467. 

XIX — Como Philidor conheceo sér aqueUe que lamentava 
Philomesto: e c\o que anjbos p^ssàram determinando el- 
les è Aeniò de se tornarem a sua terra e de dois sone- 
tos* que pòz Philidor ria È?à ciò Principe I). Joao, fillio de 
Eirei de Portugal D. JoSó 3.^ do nome em umas exequi- 
as funebres que n'aquella estranha terra por sua morte 
se fìzéram < f. 468. ^ 

« XX^^t)e urna aventura que acaBaram os dois amigos Phi- 
lomesto e Phitìdor nas torres de Grimaldo e Mira- 
bel ' f. 468 V. 

XXI — De còrno Philomesto e Philidor loram tidos por la- 
dtòes ei saJteador»^*, ^ por urna aventiit^à se apartaram; 
e Philidor foi ter entre um arvoredo corno alamo, onde 
a Nympha tiuba escripto a Egloga de chrisfal / f. 469 v. 

XXII ~f De uma aventura que «conteceo a Philomesto em 
que foi causa de* Narfendo seri g^atìde^amigo vencer a 

.^ .seus inimigos;.e do que am)>as paissarpm, atjè.se torna- 
rem a despedir para sempre . .. j f. 470. 

XX^Il,— Dq iQùyor de chrisfal, que philidpr eweveo ao pé 
; do alaiuo em que estaya escrijjtì^ A iwa JEgtoga f. 471 v. 

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f . 



430 ARCHIVO DOS ACORES 

Capituj.o XXIV — Qomo Philìdor soccorreo a urn cavalleiro qiie achou 
pelejando conira outros, e sendo seii hospede, conheceo 
ser NatonÌQ seu amigp, e corno depois fallecendo a mo- 
!h.er de Natonio se despediram ambos min proposito de 
tornarem para sua terra f. 474 v. 

« XXV V-- Como i»e despediè PhiMor. de Natonio, e de um so- 
(iieto que fez em louvor do grande poeta Luzitano Luiz 
de Camoes, e depois 'foi ter a «da terra, onde achou a 
Philomesto, que deixando o'amor de Thomariza, se na- 
niorou de Gurioma que logo a morte Ibe'levou f. 475 v. 

. SONETO.'- ' 

Com teu grave estylo, alto e sobérano 
Em tua mais doce lyra, que.de Orplieo 
Cantando as Herculeas Lutas com Antheo, 
Realcsindo Luiz o nome Lusitano, 
Cortando as'inchadàs otidas' do Oceano, ' 
Rompendo da inculta poesia todo véo/ 
Descohrindoftovas ter ras novo ceo 
Posestes o itisco sobre o eogenho humano: 
És uro poeta eseolhidoem alto ponto ^ 
Éntre cento nos segres ce)ebrados, 

* Estes cento de mil sendo escòlhidos, . 

, tirados outra yez os mii de„um conto 

j Pela segunda especie descpn^ados, . , 
E conto de entre todos *6s paspidos. , 
, » ■ • 

, . « XXVI — Como Philomesto depois de enterrar a Gurionia, 

indo por um valle fallou com a Nympha Echo^ f. 476 v. 

, to XXVII T-Em que. se escneve urna lamentagao que Philomesto 
... j fez junto de uma ribeira pela morte de Gurioma f. 477 v. 

<< XXVIU — Como Plìilidor cousolou a PliilomestO' na morte 

. de Garioraa e de um epitapbìo que pòz ^m sua sepultu- 

ra. . * f. 480 v. 

« . XXlX —Comò se apartaram Philomesto e Philidor em uma 
. ,i: serra a fezer vtda solitaria; e de uma elegia que mandou 
I f lOtcavalleirQ da Roehaa Philidor ; f 481 

<( , XXX^-Pa resposta que mandou Philidor àò Cavalleiro d; 
' . Rocha f-482. 

A' 'XltXJi— t)ò que s« dizia de Philomesto e Philid&>, que sf 
^** 'Tóf^abi desta liha a tonges terras fa:fcer penitencia, e de 



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ARCHIVO DOS AGORE» 431 

um romance antigo que d'aquelle temix) (ìcou de sua his- 
toria f. 483. 



lilTRO TI 



r4APiTur.o ì - Das opiaioes diversas que ha dos nonies e descobrimen- 
to duvidoso da liha Tei*creira' cabèca do Bispado das nove 
Ilhas dos A^ores f. 486. 

« II — Da descripgao da Ilhji Tercéìra da Ponla da Serra de 
Santiago ou de Joàó de teves d^ parte do oriente pela 
banda do sul aie a cidade d'Angrà ' f. 489 v. 

« IH — Da descriptao da nòbre e populosa cidade d'Àngra ca- 
bec-a do Bispado de todas as ìlhas dos Agores, e d'ahi 
por diante da costa da Uba da banda do sul ale a Serre- 
rà, <5abo oceid^ental d'eUa. (Pallaena Seba^tiào Merens dos 
nobres da terVa, e no capitJo Donatario Manoel Corte 
Rea! e sua irma D. Iria casada coni.Pei;o de Goes, nobre 
lìdaigo, e em Braz Pires do Canto, p^droeiro do con ven- 
to de S. Gongalo d*Angrà, e agora D..Diogo seu genro 

' casado corri sua filha D. Maria do Canto e em Pedro de 

Castro do CantO; ' f. 494. 

« IV — Da descripcao da costa da ilha Terceira da banda do 
' nqrte da Serreta até à villa da Praia " '" f. 498 v. 

<( , V — Da descripgào da Ilha Terceira pelo meio e interior 
d;ella , , - . , f. 503. 

« VI — Da fertilidade e rxnisas notaveis que ha na Ilha Tercei- 
ra f. 50S. 

« VII — Do primeipo capitao da Uba Terceira f. 507 v. 

« Vili —Dos capitaes da capitania da Praia da banda do nor- 
ie da «ha Terceira f. 510. 

«. ' li Dos corte reaes capitàes que foram da parte d*An- 
gra f. 511 V. 

« /X'— Da doacao dà capitahià d'An'^ra qne fez' a Infanta D. 
, , Beatriz ao capitao JoOo Vaz (^rtife Beai f, SIo v. 

, « Xf — De D. Christovam de Moura, ultimo capitao de toda a 
Ilha Terèeira e Ilha de S. Jùrge, qu€ aó presènte as pos- 

'■"'-'• 'r'me'- •■ • f. 517. 



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4Uà ARCHIVO DOS ACOHKS 

(]aimtulo XII- Dos Corregedores , Desembargadores e Provedores 
da fazenda, e alguns outros cargos de justiga que houve 
nestas Ilhas dos AQores f. 318. 

« XIII — Da creacao e erec§ao do Bispado d'Angra cabcca de 
todas as Ilhas dos Acores, e dos Bispos d'ella até D. Fe- 
dro de Castilho inclusive f. 522. 

« XIV — Do Bispo D. MaPhòel de Gouvea, e dignidades que 
até ao presente houve na Sé d'Angra f. 525. 

« XV — Dos prelado:^ da orcjein de S. Francisco que pòde 

saber a verdade qiie vieram a estas Ilhas dos A^o- 

- . ; res . ; f. 526. 

« XVI —Da fundagao do Collegio^ dos Padres ila Conipanhia 
de Jesus na cidade d'Angra, e do martyrio. que padece- 
ram os que iam para o BraziI f. 528 v. 

« xyil — Do que mais succedeo no collegio até a vinda do Go- 
vernador Ambrozio d'Aguiar . 530 v. 

« XVIll — Dos trabalhos que os Padres da Companhia de Je- 
sus padeceram no tempo da alteragio da Uba Terceira, 
e do mais que Ihe succedeo ale o anno de 1589 f. 534. 

c( XIX ^^- Da fundagào do Mosteiro de N. Sr.* d? Graga da Or- 
dem da. Cor ri già de Santo Agostinho, na cidade dWn- 
gra , ' f. 537. 

« ^ XX — Da prisao e morte de Jo5<>> (ieBatteneoart de Vascon- 
cellos, fidalgo mui exemplar e de grande virtude, e amo- 
tinagao do i)Ovo na cidade d'JLUgra , f. 538, 

« XXI — Da desembarcagao que fìzeram certos hespanhòes dia 

. . ' de Santiago 25 de Juiho de 1581 annos ha liha Tercei-. 

ra, e corno foram mortos pela gente de terra, e da moe- 

• '^ « da que mandou fazer Manoel da Silva, depois que chegou 

*^* .: a Terceira f. 539 v. 

.«• XXII — Como D. Antonio fòi ter à liha Terceira 43 do rece- 

, t , bimento que Ihe fizeram e d'algumas vjsitagoes que elle 

/ * fez ' / f. 542. 

« XXIII ^— Come se descobrio uma trai(;ao conti:a D. Antonio, 
e foi castigadoo autor d'ella " ^ f. 544 v. 

r « XXIV — Como D.. Antonio se partio da ÌIha, X^rceira com a 
armada.sobre.a de S. Miguel, e tornando a ella com tor- 
menta se embarcou para Franca " t. 646. 

A . .^XX V 7^^ (>)a\9; (oi^ tomada a liha TerceiiiivtPf Ifi; Marquez de 
Santa Cruz D. Alvaro de Bagam, Commé^ador mór de 



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ARCHIVI) DOS ApORES 433 

Leao e Capìt5o General de Sua Magestade f. 546 v. 

CAracu) XXVI — Das iiàos e oulros baixeis que se tomaram da ar- 

niada de Fj:anta culo capilao Geral èra Mònsieur Chatres 

e da armada que tinha D. Antonio cujo capitalo Geral 

• èra Manoel Serradas, portuguez, e a artilheria e muni- 

C5es que na llha Terceira se àcharam f. 348 v. 

« XXYH — Como os visinhos tomaram a suas cazas e os fran- 
cezes se entregaram, e foi preso Manoel da Silva f. 351. 

« XXVIIl — Como foi tomada a JIha do FayaJ por D. Pedro de 
Toledo * ' f. 332. 

« XXIX — Das pessoas em que se fez jnsticja na pra^a pnbli- 
ca da ctdade d'Angra, e comò poslas em paz e ordem as 
(U)usas da Ilha^ Terceira e mais Ilbas se tprnou o Mar- 
quez para o Beino f. 332 v. 

« XXX — Como Marquez de Santd Cruz por mandado de 
Sua Magestade levou a D, Violante do Canto da Silva, da 
llha Terceira para castella e das bonras que là Ihe lize- 
ram e de todo o processo de sua jornada até que Sua 
Magestade a cazou • ' ' f. 334 v. 

^ XXXI — De Joao de Urbina Goverjnador, e Mestre de Campo 
na Uba Terceira e suas adjacehtes ^f. 538. 

« XXXII — Da graduagào.das Ilbas de baixo dos A^ores e de 
um dos primeiros antigos povoadores da Uba de S. Jor- 
ge f. 339. 

« XXXIII — Da descriptao da Uba de S. Joi'ge f. 5G0 v. 

« XXXIV — De um espantoso terremoto que aconteceo na 
Uba de S. Jorge (a 28 d'Abrif de 1380) f. 563 v. 

\X\\ — (Nao ha) 

« XXXVI — Do descobrimento da liba do Fayjil e de seus pri- 
meiros e mais antigos povoadores entre os quaes foi um 
mais principal'cbamado Gnilberme Silveirarde que pro- 
cedem OS Silveiras ' f. 364 v. 

XXXVII — Da descripcao da Uba do Payal f. 368 v. 

« XXXVIII — Dos capitaes da Uba do Fayal, e da gente illus- 
tre que ba nella f. 371. 

« XXXJX~tD€. um motim de alguns soldados que ficaram do 
guarnifjao na Uba do Fjiya( .... f. 373 v. 

« XL — Do incerto descobrimento da. Uba do Pico e de sua 
descripcao pela costa em circuito f. 374 v. 



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434 ABCHIVO DOS ACORES - 

Capitulo XLI — Da descripcao da Ilha. do Pico pelo meio da terra e 
de um incendio que nella houve f. 576 v. 

« XLIl — Dos primeiros capitàes que (segando dizem) desco- 
Jbriram a Uba Gracipsa, e de sèiis filhos e descendentes, 
e alguns Ulustres e antigos povoadores f. 579. 

« XLlII-^Da descripoào da Ilha Graciosa pela costa maritima 
em circuito comegando dos Uheos dos omisiados que es- 
tao ao oriente pela banda do sul até pela do norte tor- 
nar a elles f. 582 v. 

i . . • . 

« XLIV — Da descripcào da Ilha Graciosa pelo meio da terra 
e de algumas cousas que ha nella (incompleto) 585 v. 

« XLV e.XLVI (Faltam no .originai, e beni assivi quatro folhas), 

« XLVH — De algomas cousas que ha pela tèrra dentro em lo- 
da a Ilha das Flores, e corno foi saqueada dos corsarios 
inglezes (em 25 Junho i587) f. 589. 

« XLVIII — Da descrip^ao do llheo chaniado — Corvo — e de 
algìimas cousas que ha nelle. f. 590 v. 

« XLIX — De algumas Ilhas que por. provaveis conjecturas se 
suspeita estarem^por descobrir neste grande mar oceano 
occidetrfal pereto das Ilhas dos A^ores ' f. 59!^. 



Jndice das |5audad5:s do ^eo 

CAprruLO I — Como a Verdade eslaudo solitaria na serra da Uba de 
S. Miguel chorando tornòu a ver a Fama f. 5. 

« II — Era que a Verdade conta a Fama urna consideracào qne 
de noite te ve ' f. 5 v. 

« III — De outras couzas e razoes que dà a Verdade à Fania 
de seu continuo choro e comò a seu rogo se oflferece a 
contar-lhe as Saudades do Geo f. IO v. 

<( IV— Em que cometa a Verdade a contar a Fama as Saudades 
do Ceo e comò os dois amigos Philomesto e Philidor indo 
por um ermo ouviram echo que parecra de um peccador 
arrependido que come^ava a fazer penitencia f 12 v. 

Lembrangas para as Saudades do Ceo f. 17 a 19. 



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^A 



Ilt^rtk §tóm 



O SEU GLOBO DE I^^UREMBERG. 



Mui circunscripto era o (juiidro dos conliecinieatus scieutificoj' , 
quando no espirilo do Infante D. Henriqne se originou o elevado pen- 
samento de mandar explorar novas regioes. Nem as fabulosas tradì- 
Coes da antiguidade, nem os perigos reaes, puderam desvial-o de sen 
intento, fecundo de inesperados saccessos. 

A sua pertinacia, às suas repetidas tentativas, devéo Portugai a 
gloria de ser o primeiro a devassar os segredos do oceano, descoTjrin- 
do novas ilhas, novas plagas, e mais tarde o caminho da India. 

Para taes emprezas, cercou-se de todos os elementos coiiducentes 
ao seu fini, reunio junto a si intrepidos marinheiros, dedicados, capa- 
zesde arrostarem todos os perigos, estimnlados por valiosos. premios. 
Foi da experiencia colhida n'aquellas viagens que so fbrmaram os pri- 
meiros rudimentos da nautica moderna. 

Apezar dos portuguezes terem jà antes de 1336 navegado ale às 
Canarias, (1) nem por isso se Unliam avantajado a ir' mais longe. 
supersticioso horror da zona torrida subsistia, vedando mais avancada 
derrota a totìos os nautas. Foi o Infante, que desliuio aquelle fan- 
tasma pavoroso, alargando assim os limites da navega^'ào nos mai'es 
africanos. 

A escola practica de Sagres foi o foco primeiro em qne se concen- 
traram as. escassas luzes d'entao e donde, poiico a pouco, surgio o 
facho brilhante, que esclaraceo e g,uion Christovao Colombo', Vasco da 
Gama, e outros muitos. ^ 

Morto Infante, nao morréo o seu pensamento, beni reatfado por 
mais de trìnt'annos de descobertas importantes; sobievìveo-lhe, ainda 



(i) Joaquim José da (^oslà de Macedo, Memoria em que se pevtemk itrorar 
que OS Arabes nao conhecemm as Canarias antes dos l^rtn^neze^: Lisboa 18U, 
pag. 6i. 

Voi. I— X.»5— 1879 r" ^ T 

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436 ARCHIVO DOS ACOKES 

que uni pouco offiiscado coni os fulgorès belicosos do Africano D. Af- 
fonso V, para renascer mais vivido em D. Joao II e produzir os dese- 
jados fructos no reinado de D. Manoel o Afortunado; revelando assira 
ao mando» quanto valìa o povo portugiiez, pequeno em extensao, mas 
grande no e^forgo e nas emprezas. 

A gloria da descoberta da India, pertence mais a D. Joao II, que 
a D. Manoel; foi durante o leinado d'aquelle, que se estudou e prepa- 
rou feliz exito de tal commetlimento. (2) Ao Infante D. Henrique, 
iniciador do progresso maritimo, cabe contudo um nao pequeno, qui- 
nhao d'aquelia gloria. Foram os seus pilotos, quasi sem outros recur- 
sos alem da coragem, que dissiparam as trevas da ignorancia e as 
suàs caravellas, que cortaram as ondas de mares nunca d:antes nave- 
gados. 

A actividade concentrada tanto tempo nas descobertas maritimas, 
elevou a nautica portugueza a uma perfeigao até ali desconhecida e deu- 
Ihe uma primazia indisputavel. Nao é pois de admirar, concorressem 
a Portugal quantos estranhos buscavam aventuras, gloria ou premios, 
certos de ali encontrarem a satisfagao de seus desejos, ou occasioes 
de saciarem a ambigSo. 

Affluiram uns para alcangar gloria, outros riquezas; uns pedindo 
instrucgào, outros mais illustrados, offerecendo sua sciencia a quem 
melhor a podia apreciar. Perestrello, Nolli, Cadamosto, Christovam 
Colombo, Vespucio, Martini Beheim sào, alem d'outros, exemplos con- 
cludentes, de que na convivencia com os pilotos portuguezes e nas 
suas viageus havia que aprender. 

Foi na escola portugueza que alguns d'elles beberam a sciencia e 
arte, que os habilitou a executar gloriosos feitos, famosas descobeWas, 
das que mais honram a humanidade. Injusto seria esquecel-o. 

Martira Beheim (3) foi um d'^stes que attrahidos pela merecida 
fama, veio a Portugal. seu nome occupa uma pagina da historia^ 
comò obreiro pacifico nas lides da sciencia. Nao ganhou ephemeros 
louros em campos de batalha, fez multo melhor do que isso, trabalbou 
para o mais proficuo adiantamento da civilisacao. Como tal, comò fi- 



3: 



(2Ì A Carta do Dr. Monetario, que adiante se reproduz, prova à evidencia, 
alerà ae muitos outros testemunhos, quanto iouvor cane a D. Joao li. 

(3) Martini participou da condigào de seu sogro, em relagao às varianles com 
<me se teni escripto o seu nome. A. Herrera e Joao de Barros chamam-Ihe Martim 
de Bohema, o Dr. G. Fructuoso (L.° 6, cap. 38) e Gordeiro (L.* Ò, cap. 91) ihe 
chaniam de Boemia, outros dizem Behaim, Behains, Beham, Behem, Beheim. C 
proprio Martim eserevendo em 1594 a seu primo Miguel Beheim, Uie recommendi 
nos sobrescriptos das cartas escreva=^Z)wò Martino Boheimo Milite, In Vlii 
bona demano, regni partìigaiie, genero Capitany Insulan^tm Azores fatai et pico t 
Insuìarum flamengorum tiòiiibi s/t(Murrp. 123 da tradugào franceza, Paris 1802) 
Beìmm, segundo Ghillanv, é o preferivel; Bekaim, comò diz Humboldt, é uma de 
rivagao de Bohmen ou Boheimyque sif^nifica filho da Bohemia» donde està famili 
era oriunda. 



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ARCHrVO DOS A€IORK;< 437 

Iho adoptivo dos Afores, corno autor de qlgumas noticias para a Iiis- 
toria d'estas ilhas, merece ser commemorada sua pessoa e obras. 

Depois das extranhas e falsas glorias coni que alguns qurzeram 
abrilhantar a vida de Martini Belieim, (4) tei?i a critica moderna cone 
seguido descriminar qual o quinhao, que Ihe cabe nos progressos mo- 
demos. (5) Restituida assim às suas verdadeiras e exactas proporgoes 
a parte que Itie pertence, é ainda sufficiente, para o tornar illustre 
entre os contemporaneos, e benemerito para os vindouros, corno Cos- 
mographo. Astronomo, Mathematico e Nauta ! , . 

Explorando os mares, deseobrìndo ignotas regioes, estudou practi- 
caraeHte os meios de facilitar novas excursoes, tornando os astros por 
guias seguros, das invìas solidofes do Tasto oceano. 

A existencia dos Agores seria completamente ignorada de grande 
numero de individuos; se conjuncta a memoria de Beheim, nào andas* 
se sempre a das illias em que vivèo por alguns annos. Este filho ado- 
ptivo dos Afores. e especialmente do Fayal, paga-llie assira em cons- 
tante recordaQao atravez dos seculos, o bom acolhimento que recebeo 
na sua segunda patria. 

Martim Beheim nasceo pelos annos de 1430 a 1436, na cidade, 
entao Imperiai, de Nuremberg (Capital da Franconia; foram seus paes, 
outro Martim Beheim. Conselheiro da mesma cidade, e sua mulher 
Agnés Schopper de Schopperhof. A familia Beheim figurava nos annaes 
de Nuremberg desde epoca iiiui remota; alguns de seus membros ali 
se distinguirani no decurso de dois s^eculos. 

Existeili ainda cartas de Martim Beheim das quaes se deprehende, 
que fora a Veneza coni fins comnierciaes em 1457, e que pelos annos 
de 1477 a 1479 viajàra por Malìnes, Anvers e Vienna. 

Poi multo beni recebido na corte de D. Joao II de Portugal aon- 
de se demorou (6) de 1580 a 1584 corno membro da Junta do astro,- 
labio, a que'foi agregàdo por causa dos seus conhecimentos scientifi- 
cos. 'A Junta era composta pelos Medicos^do Paco, Mestre Rodrigo e 
Mestre Jusepe, com o lìm de applicarein o astrolabio a navega^ào comò 
instrumento appropriado para tornar a altura dos astros. (7) 



(4) Alem de outros, Wagenseil, Ricioli, Stnvernus, Doppelma^r e OUo perten- 
deram, que Bebèiin fora descobridor de parte dos Agores, conhecora a existen- 
cia da America antes de Colonibo, e o e^treito de Mairalhaes antes d'este. 

(5) Muri-, Hist. Dipfoìnatica de Martim Beìmim, Glirisrobal Ciadera, Investiga^ 
tiones Historicm, Seb. Francisco de Mende Trigoso, Menmia sobre Martim de Bohe- 
ma (no voi. 8.** Mera, de Liti, da Academia), Humboldt, Exm/ien Cntique voi. I, 
e finalmente a Meni, em allemào do I)r. Gbillanv publicada em Nuremberg, 1853. 

(6) Provavelmente pouco depois da sua cfiegada a, Portugal teria cohheci- 
mento da Nanativa de Diogo Gomes, De pnma Inventiom Guinea — quam in" 
ventionem retuìit Diogo Gomes Ahtwxeriff palata Sintei^ìi, Martino de Bohemia in" 
dito milite Alemamt, corno se ve a p. 18 da Mem. do Dr. Sehemeller, Ueffer Va- 
lentin Femandes Alema. Muuchen 1845. 

(7) Barros Dee. 1.* L.« 4. Gap. 2. 



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438 ABCHIVO DOS ACORES 

Regiomontauo (Camille ^ean Muller de Monte Regio) tendo inven- 
tado OS instrumentos denominados Metheoroscopo (8) e Astrolabio Armil- 
kir, é naturai qiie Beheim seu discipulo (9) conhecesse nao so esles 
instrumentos, mas ainda os principios em que se baseara a sua cons- 
truc^ao, e deligenciasse imital-os applieando-os a navega^ao (10) para 
com a pratica, sanccionar os resultados da theoria. Partio em 1484 
com Diogo Cao, em viagem de descoberta ao longo do continente afri- 
cano; chegaram até ao rio Zaire ou Congo, que entao ficou conhecido 
pelo nome de rio do Padrao, por ali terem erigido um com as armas 
portuguezas. No firn de dezoito a dezanove mezes voltaram a Portu- 
gal, com a gloria de terem rasgado mais o denso véo, que .enco- 
bria tao desejado e desconhecido caminho da India. Assira alcanfou 
Beheim renome e premio; D. Joao II o armou Cavalleiro da Ordem de 
Christo e porventura Ihe faria outra;s mércés de que nao restam ves- 
tigios. Dizera os papeis de sua familia que fora armado cavalleiro aos 
18 de Fevereiro de 1483, o que é evidentemente errado, porque entao 
estava de viagem na costa d'Africa, donde voltou em Abril ou Maio 
de 1586; nao deve j^orem merecer duvida, que elle foi Cavall(?iro, 
pois ontra coisa nao exprime o termo milite, que elle proprio jmitou 
ao seu nome. ( Vide Nota 3). 

N'este mesmo anno de 1486 casou com Joanna de Macedo, filha 
de Jobs Van Huerter, l.** Capitao donatario das Ilhas do Fayal e 
Pico, e de sua mulher Beatriz de Macedo. D'este casamento nasceo 
em 1489 um fillio, do mesmo rM)me do pae, por quem o Senado de Nu- 
remberg intercedeo em 1318 e 1520, pedindo a D, Manoel o mandas- 
se soltar da prisao em que se achava, por cauza de um homicidio in- 
voluntario praticado em Lisboa. 



, (8) Instruujento proprio para medir as longitudes e latiludes, por melo d,a 
òbserva(:ào das estrelias. 

(9) Àssini (liz Barros Dee. 1.*, L.° 4, Gap. 2. Humboldt apezar das objecc5e.s 
de Murr, mostra a i)ossibilidade de Beheim ter assistido às ligòes de Regio Mon- 
tano quando este ésteve em Nureraberg de 1471 a 1475 {Examen Crìtique voi. l 
p. 269 e 275. 

(iO) Sobre a remota origem do Astrolabio «interessante a nota que se segue, 
trauscripta da Hist. Geral do Brazil, por F. A. Varnhagen voi. I. pag. 446: 

« A perteÌQào de alguns astrolabio» bastante antigos que vimos na Hes- 
panha, e que tivemos por dias em nesso podér nao nos deixa a menor dùvida de 
que este instrumento ja existia na antiguidade, e talvez, antes do geographo 
Ptolomeu, no auge em que o apreserrtam os tratados especiaes, de entre outro: 
OS de Stofler, e de Galucci. — E a perfeigào de execugào e de invengào é tal qu' 
iios faz crer que os mathematicos que faziam uso de tal instrumento tao compi' 
cado deviam conhecer os mappas e a agulba. 

«De tres de taes instrumentos todos com inscripcòes arabicas,- ora daremo 
conta. maior que é o mais antico, fbi Gpnstruido em 1107 por Ibrahim Bensa 
e pei-tenre a Bibliotheca Nacionafde Madrid, onde se mostra. — segundo é d 



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ARGUIVO DOS ACOBES 439 

Desde o seu casamento até 1490, residio Martim Beheim, na^ ilh^ 
do Fayal. . 

No anno de 1491 foi a Nuremberg visitar a sua familia e là se de-, 
inorou até 1493. 

Foi durante a sua residencia ali, que construio o afamado Glo- 
bo terrestre, em que desenhou a terra segundo a cosmógraphia d« 
Ptolomeo, aperfeiQoada com as nogoes colhidas por Marco Polo e.JoSo 
de Mandeville, na Asia, e pelos navegadores portuguezes, na Africa 
até o Cabo de Boa Esperanga. Globo de Nuremberg, fabricado ao 
mesmo tempo, que se descobrio a America, é corno marco, que extre- 
ma velho do novo mundo, e comò tal, monumento scientifico de su- 
bido valor. 

, Depois de ter àssim dotàdo a patria, com o precioso Globo, regies-' 
sou em 1493 a Portugal e sem demora seguio para a liba do Fayal, 
corno consta da carta para seu primo Miguel Beheim escripta aos 11 
de MarQO de 1494, (li) a que posteriormente juntou um additamento 
em que diz : Dr, Jeronymo nào ddxarà de te dar noticias minhas. 
Murr julga ser a reférencia ao Dr. Jeronymo Monetaritis ou Mònzer, 
medico, de Bamberg. Torna-se està supposifao muito provavel em 
vista d'uma carta do Dr. Monetarius'^ abaixo transcripta comò docu- 
mento precioso a varios respeitos.. É muito importante para a bis- 
torta de Beheim, comò escripto desconhecido de todos os seus bio^ 
graphos. 

Foi a carta escripta aos 14 de Julho de 1493, e recommendando-se 
n'ella a aptidao de Martim de Bohemia, nao sera temerario suspéitar, 
que seria elle o portador da mesma e partirla para Portugal no firn de 
Julho ou principio d'Agosto. 

. Da carta do sabio allemao a D. Joao IL se deduz claramente, ter 



Sr. Ribadeneyra, editor coiihecido, e foi feito por Alimed Ben Hosayn em 1276. 
terceiro é do Sr. Gayangos, arabista célèbre, e foi construido em'Guadix no 
principio do seculo immediato por Ibrahim Ben Mohamad. No momento de en- 
trar està follia no prelo nos cousta que o Sr. Gayangos possue outro astrolabio 
um pouco mais moderno. 

«E mais notavel é que essès astrolabios feitos pelos Arabes da Peninsula, 
comtéem gravadas taboas, que provam que elles .deviam servir, nào so em diffe- 
rentes paragens do Mideterraneo, comò até do Mar Vermelho e da India, e vém ain- 
da muito confìrmar quanto o trato dos Arabes da Europa a Asia pelo Egypto de- 
via ser frequente. —Pelo exame desses instrumentos, e de seus diflerentes circulos 
concentricos, e de sua alidada com graduacào, se prova evidentemente comò os 
antigos conheciam perfeitamente o artifìcio que depois se denominou noniOy por 
Ihe naver Pedi'o Nunes restaurado o uso, segundo talvez aprendera dos roatne- 
niaticos orientaes.»:. . 

(41) Està carta està nas pag. J21 a 125 da traducgào franceza, que Jansen Itez 
da Hùtoria Diplomatica de Murr. 



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440 ARCHIVO.DOS AC0HE8 

sido éste rei convidado pelo Impeiador Maximiliano', por intermedio 
do seu deputado^ Marlim Beheim, a empreheiider a descoberla do orieti- 
te pelo occidente e m mesmo tempo indicar Beheim sùìgularmente pro- 
prio para està acabar. 

Pela sna parte o autor da carta exforca-se em accumular louvores 
e argumentos a favor da pretendida proximidade das costas orkntaes 
da China, às occidentaes da Europa, en^ conformidade com o desenho 
do Globo de Beheim. Este devia presumir grave diflìculdade de fazer 
prevalecer a sua théoria, na corte portugueza, aonde era bem conheci- 
da desde 1474, pela celebre carta de Toscanelli, e na (|ual fora jà regei- 
tada, qtiando expressa nas propostas de Colombo. Preparou-se portaii- 
10 com valioso patrocinio de Maximiliano Rei dos Romanos e com o 
oiBcioso apoio da sciencia, representada pelo Dr Monetario, para as- 
sim mais facilmente conseguir o seu firn. 

So pela carta do Dr. Monetario se podem determinar os planos e 
ambicSes de Beheim, quando regressava a Portugal em 1493. — N'el- 
la se torna bem evidente ser Beheim, comò Colombo, apostolo da 
mesma idèa. Ambos nutriram o mesmo pensamento; a palma da Vi- 
ctoria coube porem àquelle, que primeiro podé obter meios de o rea- 
lizar. 

Se accaso tivesse malogrado a viagem de Colombo, Beheim, cren- 
te na mesma theoria, poderia ter descoberlo a America demandando 
as costas da Asia, se para tanto alcan^asse o iudispensavel auxilio. 

Grande devia ser o descor^oamento de Beheim, ao aportar a 
Lisboa, sabendo que Colombo, mais feliz, tinha realizado sua gloriosa 
empreza ! 

Desde aquelie momento deve ter cessado a sua actividade mariti- 
ma, faltando-lhe o estimulo. 

Pouco se demorou no Fayal o malogrado emissario de Maximi- 
liano: logo em 1494 foi chamado por D. Joào II para por sua vez o en- 
carregar de urna importante missao diplomatica j unto a seu primo 
Maximiliano (12). 

Alimentava D. Joào li o vehemente empenho de habilitar seu fillio 
D. "Jorge, a succeder-lhe no thrpno portuguez; a isto se oppunha a 
Curia Romana, negando-lhe a necessaria legitiraacào d'aquelle fi- 
Iho, que amava còm vivo aflfecto. Sendo vaos seus exfor^os, re- 
solveo pedir a intercessao de Maximiliano, cujas instancìas espera- 
va sei'iam meUior succedidas. Beheim mereceiido a confianca dos 



(12) proprio Beheim, uà sua carta de U de Mar(;o de i494 diz: Enviadi) 
pelo Rei, mmi para Flandres para Junto do fUho do Rei. (Doc. IV, de Mnrr.) 

Murr juiga que se referia a D. Jorge liiho illigitimo do D. Joào U; iiào constii 
porem, que àquelle fosse nunca a Flandfes. Como Maximiliano ainda entào so 
era Rei dos fìomauos,, pode euteiider-He que Beheim alludia a um filho d'este, o 
nao ao de lì. Joào IL 



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AHCHrVO DOS ACOHES ' 441 

dois monarehas, deveria ser um bom negociador, se por extranhos e 
variados infortunios que Ihe retardaram a viagem, (13) a sua missào 
nào fosse frustrada. Por taes cauzas recefbeo ordera. para se retirar, o 
que eflfectùou volvendo mais urna vez ao seio da sua familia da Ilha 
do Favai.— N'esta ilha permaneceo até 1506, anno em que, acompa- 
nhado de Joanna de Macedo e de seu fliho, foi pela ultima vez para 
Lisboa, aonde falleceo aos 29 de Julho do mesmo anno, segundo Murr. 
Foi sepultado na antìga egreja de S. Domingos. 

Em 1519 Ihe erigio seu fllho, no coro da egreja de Santa Calhari- 
Ila, de Nuremberg, a direita do aitar mór, urna lapide sepulchral, or- 
nada com as armas do fallecido e cora urna inscripcao em que se di- 
zia ter morrido n'urtm quinta fdra 29 de Jtdho de 1507, -Humboldt e 
o representante da familia Beheira, julgam ser esteo anno exacto, 
contra a òpiniao de Murr. 

Aos argumentos d'estes, poderia ainda addicionar-se outro, dedu- 
2Ìdo do calculo chronologico, que mostra ser o dia ^9 urna quinta fai- 
ra no anno de 1507, e nao era 4506. 



Descripgfio do Qlobo de Nuremberg, e reproduogao de 
algrumaa notas, que n'elle se acham. 

Tem Globo melo metro de diametro, assenta sobre uma alta tri- 
pode de ferro, com meridiano do mesmo metal, o horisonte é de latao, 
e foi fello multo tempo depois, corno se le na inscripcao Anno Domine 
1510, DIE 5 NovEMBKis, que foi gravada na sua borda. 

A nacionalidade de cada paiz està indicada pelas respectivas ban- 
deiras coloridas, bem comò as moradas e figuras dos habitantes de 
cada regiao, tudo desenhado com multo esmero na superficie do dene- 
grido pergaminho que reveste exteriormenle o Globo. 

Os nomes dos logares foram escriptos com tinta vermelha e ama- 
rella. 

Conserva-se ainda este Globo no archivo da Familia Beheim em 
Nuremberg, de que era representante am 1836 o Barao Frederic 
Charles de Beheim. 



(i3) Foi tornado por um corcano, quo o levou para Inglaterra, aonde adoecéo 

travemente, por espago de tres mezes. Partindo de là, tornou a cahir nas màos 
'outro corsario, que o levou a Franga, iazendo-lhe pagar resgate. Poi finalmen- 
fé d'ali que pode airigir-se a Anvers e Bruges, em procura de Maximiliano. (Doc. 
nr, de Murr.) 



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442 ARCHIVO DOS ACORES 

Nos espafos nào occupados pelos desenhos geographicos se acham 
varias rtotas explreativas e entre ellas tres em qiie se falla dos Afores: 
a primeira diz: (14) 

. « A requerimento dos sabios e veneraveìs Magistrados da nobre 
Cidade Imperiai de Nuremberg, que actualmente a governào, chama- 
dos Gabriel Nutzel, P. Wolkamer, e Nicolào Groland. Poi inventado 
e executado, òste Globo, conforme os descobrimeiitos, e indicagoes dq 
Cavalheiro Martini Behaim, peritissimo na Arte da Cosmografia, 6 
qual navegou a roda da ter?a parte da Terra. Tudo extrahido com 
summo cuidado dos Livros de Ptolomeo, Plinio, Strabao, e de MarcQ 
Pgulo; e tudo disposto, tanto mares corno terras, segando a sua figu- 
ra e situa^ao, corno foi ordenado pelos ditos Magistiados a Jorge Holzs- 
chuer, que concorreo para execugao. deste Globo em 1492. E foi 
deixado pelo sobredito Sr. Martim Behaim a cidade de Nuremberg, 
corno bum penhor e homenagem da sua parte, antes de voltar para a 
coinpanhia de sua mulher, que habita em huma Ilha na distancia de 
700 legoas, àonde elle fixou a sua residencia, e onde se propoe de 
acabar seus dias. » 

que acaba de ler-se està escripto em cinco linhas a loda de um 
circulo de 7 polegadas de diametro, junto ao pollo antartico, dentro 
do qual se acha pintada a Aguia de Nuremberg com a cabega de vir- 
gem,.e por baixo. as Armas da Familia de Nut^el; a direita a da Fa- 
milia de Volkamer, e de Behaim; e a esquerda as das Familias Grò- 
land e de Holzschuer. 

A segunda nota que tracta dos Acores, diz assim: 

«As Ilhas dos Agores fbram habitadas em 1466 quando ElRei de 
Porlugal as déo, depois de muitas instancias, à Duqueza de Burgo- 
nha, sua Irma, por nome Izabel. Havia entao em Flandres huma 
grande guerra, accompanhada de huma ex trema fome; e a Duqueza 
mandou para estas Hhas grande quantidade de homens, e mulheres de 
todos OS officios, e igualmente Sacerdotes, e tudo o mais que perten- 
ce ao (Julto religioso; tambem mandou vaiios navios carregados de 
moveis, è o necessario para a cultura das terras, e edilìcacao das ca- 
sas, e Ihes fez dar durante dois annos tudo aquillo de que podiao ter 
necessidade para subsistifj a firn de que pelo tempo adiante, em todas 
as Missas; cada huma pessoa rezasse por ella huma Ave Maria, e sii- 
biao estas a duas mil: de sorte que, com aquelles que ali passarao e 
nascerao depois, formarao alguns milhares. Em 1490 havia ainda al- 
guns milheiros de pessoas, tanto Alemans corno Flamengas, que ali 
tinhao vindo com o nobre ('avalheiro Job de Huerter, senhor de Moer- 



I i4) As prinieiras duas notas foram reprodiizidas da citada Mem. do sr. Tri' 

gOSO. , u; . *• 



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AKGHIVO DOS A€ORKS 443 

kirchen èm Flandres, meo caro Sogro, a qneia ostas Ilhas foiào «ladas 
para elle e seus descendentes, pela dita Duqueza de Bnrgonha. (Ries- 
ce nellas o afucar de Portugal: os fructos amadurecern duas vezes por 
anno, porque nao ha Inverno; e todos os viveres silo baratos, de sor- 
te qtie maita gente ix)deria là achar a subsìstencia. 

«No anno de 1431 depois do nascimento de N. S. Jesu Chiislo, 
reinando eroi Portngal o Infante l). Pedro, armarao-se dois navios, 
mnnidos das cousas ileces^aiiàs para dois aimo^ de viageni, por or- 
dem do Infahte D. Henrique, Irmao do Rei de PorUigaU e isto paia 
bireni ao dcscobrimento dos Paizes que se achavào atóm do (]abo de 
Finisterra; os quaes assira apparelhados fizerào sempre vela para o 
Poente, poocò mais on menos na dislancia de 500 legoas, e fi- 
nalmente desc(Arirao estas dez Hhas, e tendo desembarcado !u;l- 
tes, nao acharSo senao desertos, e aves tao doniesticas, quo nàofn- 
giSo d« niilgùem; pois corno nSo havia vestigios de liometis neni de 
quadrupede^, està era -a causa de nSo serem as aves espantariicas: e 
assìm derao a estas Ilhas o nome dos Acores. Depois para satisfazer 
às ordens tfElRei de Portugal, mandarao no anno seguintè desaseis 
navios coni toda a especie de animaes domesticos, e lan^arao hnma 
porgao em cada Ilha para nmltipljcarem.» 



Il e . . ^ . •- ^Snsideragòè's sàbre (ù natas ite Behèihi. " 

Enganou-se Beheini no nuniero e na posicào dns ilhas dos A(;v}- 
res, pondo-as entre 28." e 40.'' de latitude norie, e IH'ì,'' e :)55;' de 
longitùde Occidental. - ' 

Errou na grandeza e posi^ao relàtha de cada innii. 

A parte historica foi escripla de C()r; confundio daias e nomes. 

Elle mesmo refatou a opinìao d'aquelles que innis linde quizeram 
àtlribuir-lhe a dé^coberla das ilhas do Fayal e Pico; declaiando: que os 
Acores tinhani sido em 143-1. isti) é, aproximadamente no anno em 
que elle nascéo. 

rei de Portugal fem -1466 er^ D. Aflònso V, sobrinbOj e nao ir- 
mao, de D. Izabel, fllha de D. Joào I. casada coni o Duque de Borgo- 
nha, Philippe IL 

Bos archivos nào consta ter havido doafào à Dnqneza de Borgonha 
nem que està a transmittisse ao 1.*' donatario; pefo contrario na deman- 
da, que suslenlou Jerónjmo Dntia;!)isnel<) do ininieiro donatario Jobs 
Van.Huerter, sp allega, r|ue a esle loia fcila a doacào pelo lufaate I). 
Fernando» comò se provava pela Carta, que se juntou ao processo e 
em vista da qual se lavrou a senlenca. 

p processo ainda existe na Torre do lombo (na gavetà 15, Macjo 
16, N.^ 5), ma.s jà ià nao apparece, ao presente, a dita carta, 0. modo 
de conciliar a asser^-ao de Beheim, é siq)j)or, qn(t fior instancias da 
- Voi. I— X«o— i879 10 



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444 ARCHIVI) DOS ACORES 

Duqueza, foram dadas as duas ilhas do Fayal e Pico ao seu protegido^ 
flaniengo Van Huerter. 

As quioas portuguezas pintadas pelo proprio Beheina sobre algu- 
tìias das illias demonstram bem a quem ellas pertenciam. 

Equivocou-se dizendo — 143 1 em que reinava.o InfaMe D. Fedro. 
Este Infante governou mas nao reinou, depois da morie de D. Duar- 
te seu iimao, desde 1438 a 1449, comò tator de D. Alfonso V, nas- 
cido em 1432. Em 1431 vivia ainda D. Joao I, que so morreo em 
1433. Fructuoso diz: que em 1431, mandou«o infame D. Henrique 
pela primeira vez, Concaio Velho descobrir as ilhas, e^queeste so des- 
cobrira as Formigas, e semente em 1432 descobrira Santa Maria. 

sr. Trigoso diz acima, na sua traduc<;ào, 600 legoas\m^s na traduc- 
gao franceza por Jansen, Paris 1802, terceira edigao, diz-se: óOOlieues 
d'Allemagne. A la pM ih découvrirent un joiìr us dix ìles: o que sera 
traducgao mais litteral, mas menos exacta, por ser completamente im* 
possivel ver todas as ilhas end um so dia, mesmo coni o auxilio do 
vapor. . 

E» DO Canto. 



Carta do Dr. JeronTino Monetario a D. Jo&o n 

1493. 

(^arta q enuiou Hieronimo mofitaro doutor alema da cidade de noru- 
berga em Alemanha ao' serenissimo Rey do Jobam segudo de 
Poftugal. Sobre o descobrimeto do mar Oceano e prouincia do 
gram Cam de Catay tyrada de latim em lingoagem por mastre 
Aluaro da torre, mestre em theologia, da ordem de sam< donaio- 
gos, pregador do dito senhor Rey : : : (1) 

Ao serenissimo e inuictissiino Johane Rey de portugal e dos àlgar- 

(1) A mui importante e curiosa carta do Dr. Monetario, faz parte de urna ra- 
rissima, obra impressa; cujo unico exemplar conhecido existe na Bibliotheca 
Pubiica de Evora, que teni por tiXìiÌQ^ Tractado da Speta do mundo tirada do 
latim em Hnguagem portugtteza. Com urna carta que um grande dout&r AUemào 
matìdou a eirei de Portugal D. Joào o segìindo : Por Fr. Alvaro da Torre. Im- 
presso em caracteres gothicos, 18 folhas in 4.« sem logar nem data; presume- 
fttf que inipressor seria German Galharde. A carta comega a f. 17. Fot pela 
primeira vez reimpressa wd Folha do Sul, n.*» 88 de 15 de Margo de 186S; corno 
porem, n'este joroal de Evora, sahisse com muit03 erros, Ibi lìovamente dada 
a luz» em limitada edigao, pelo distincto Bibliophilo Fernandes Thomaz em 
CoimbrJ, 1878, a cuja benevolencia somos deveaores do exemplar n.« 6 com 
que nos presejnteou. 



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ABGHIVO DOS ACORES ^ 445 

ues e da raauritania maritana, e inuentor pihneyro das yllias fortuna- 
das Canarias, da madeira e dos a?ores. Hieronimo mofitario (2) doutos 
alema muy humildòsatlàente se encomenda. Poiq atee qiie este loiiuor 
recebeste do serenissimo Infante do Anriqne teu tio (3) que nuca per- 
doaste a trabalho -nem despesas perShdescobrir a redondeza das terras 
e pera tua industria fezeste tribntarios atee os ponos miiritimos da 
Ethiopia e ho mar de Guine atee ho tropico do Capricorno (4) co suas 
mercadurias: assi a)mo Ouro, Graos de pai'ayso, Pimenta, Escrauos e 
outras cousas. Coni o ho qual ingenho ganhaste pera ti lonuor im- 
mortalidade e gloria e tambem muy gram proueito, e nam he duui- 
da que em breue tempo os de Ethiopia quasi bestas em semelhan^a 
humana, alietiados ilo cuha diaino dispa per tua industria sua bes- 
tiaiidade e renhàm a guardar a i-ellgiam catholicà. Considerando es- 
t»s C50ttsas, Maximiliano inuictyssimo Rey de Romano^^ (5) quis con- 
iridar tua inag8&tffée(6) a buscar a. terra orientai de catiay muy rica.- 
porqiie' ArisloteJes confej^sa em firn do liuro segundo de celo et mun- 
dov E tambe Seneca qnto (^^wm^^) liuro dos naturaes e Fedro de 
aliaoo «ardeàl muy Jetrado na sua ydade e outros muytos varoes es- 
clarecidos cofessam diguo ho principio do oriente habitauel: ser ache- 
gado assaz ao firn do occidete habitauel, sam sinaes os elefantes que 
a (Aa) muitos aqui nestes dous lugares, e també as canas que a tormen- 
ta la^a da pràya do oriente as prayas das ilhas dos acores (7) sii 



(2) Dr. Scheitìeller na Ménoria sobre a Collea^ào de Reìardes (le Valenim 
Femandès (em'nììemhù) pag. 9, chàma-lhe Hieronymus Mmzmeister bu Milnt' 
zer (Mmutarim), e dà -BOticia de alguns c^criptos do Dr. Monetario entre o.s 
quaes avulta p Iteneranwn $ive peregnnatio per Hespaniam , Frmìciam el Ale- 
maniam de 1494— 1495. N^esta obra se descreve ,a sua viagem a Portugal e 
bs éntrevistas que tere coni D. Joao li. ' 

erbosa na mUìMeca Lusitana tìa-JIie (E5r radameli te o nome de^H. Montano. 

(3) Expressao ambigua, que «nào póde acedtar-se no sentido'^liueral, por 
ter D. Joào II, unicamente ciuco annos, quando morreo o Infante. IK Ht^nrique 
em 1460; talvez do originai latino se pudesse mejlior traduzir: riue até este me- 
redmento kerdaste ou imitaste do In fante... 

ih) Testiemunho irisuspeito da prioridade da navegagOlo portugucza na Cos- 
ta d'Afrka. 

(5) Maximiliano invictìssiino Rei dos liómanos (eleito em 1486), assim diz do 
rnesrtio, que depois por morte de seu pae.em Agosto qu Selembro.de .1493, foi 
àcclàmado Imperador, com o nome de Maximiliano I. 

(6)^©*esta passagem s*e deprèhende^ que Maximiliano Instigado por Beheim 
pedia ao xei portugùez ihe incumbisse a exploragào do occidente comò meio 
de chegar focilmente à Cbina, segundo a systematica Cosmographia antiga e 
completa ìgnorancia da existencia d'uni continente intermedio, qual o da Ame- 
rica. Idéas estas que Beheim acabava de consignar no sou Globo de Nurem- 
becg, identicas à« de Toscanélli e de Colombo. 

(7) As canas qjte a tonnenta lanca nos Amres. . . Estes indicios reveladores da 
existencia de regiOes occidentaes, que tem side postos em duvida, comò inven- 
tados para diminuir a gloria de Colombo, ficam assim e.-stabelecidos em insus- 
peito testemunho, e codfirmam o que disse A. de Heitera, a este respeito, na 
sua Historia-genèral de tos heehos. . : en fas lifas. . . L.*» I, cap. U. 



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446 AfìCHIVO DQS A€Ofì£S 

tambè inlindos, portj assy ho diga, miiy ceitos argumetos, polios qes 
(quaes) demostraliuos se prona aquella maar em poucos dias naue* 
gar-se contra (]atay orietal e no se Irouue AlftagàiK) a outros sem 
speiiecia os qes (quaes) disera soomeiite huma quarta parte da terra 
eslar descobeita ao maar, e a terra segudo as tres partes estar ala- 
gada sob o mar j^orque iias cousas que pertencem a habitagam da 
terra mays se a de creer a esperieucia e as prouauees estorias que 
as ymaginag^jes fantasticas. Por que certo sabeys que muytos autoriza- 
dos astronomos negarom ser alguua habita(jam dehayxo dos tropicos e 
equinocios. A as quaes cousas tu achaste serem Vas e felsasp (por) 
tua experiencia. Nam seja duuida que a terra uam està alaguada sob 
ho mar: mays pello contrayro ho maar està imùaerso» E ainda a re- 
dondeza orbioilar della. Abondam tambem a ty as. abastàgas erique- 
zas, e sam a ty mannheyros .«luy sabios os qeiS:(^mm) assy mesmo 
desejà gaynhar immortaiidade e glia (glmid). quanta gloria alcao- 
Caras se fexerai> ho oriente habitauel ser conhecido ao teu occidente, 
e tambem quanto proueyto os comercios te daram: O.ue (ome) mays 
faras as ilhas do oriente tributarias, e muytas vezes.os Reys maraui- 
Ihados se sogigara muy leuemente ao teu senhorio(8). Ja te louuampor 
grande principe os Alemaos e ytalicos e os Rutanos, Apolonìos scitos 
OS que moram debayxo da Seca estreila do pollo artico. Com ho gran- 
de duque de Moscauia, que na ha muytos annos que debayxo da se- 
quedade da dita esti ella foy nouamente sabida a grande llha de Grji- 
landa, que corre por costa trezentas leguoas, na qual a (ha) grandisima 
habitagam de gente do dito senhorio do dito senhor duque. Mays se 
està espedifam acabares a leuàtarteam em louuores corno deos, ou 
outro Hercules e teeras tambem se te apraz pera estè caminho por 
companheyro depulado do nosso rey Maximiliano ho senhor martinho 
boemio singularmente pera esto acabar, (9) e outros muytos n>ari- 
nheyros sabedores que nauegaram ha largura do mar, tornando cami- 
nho das ylhas dos apores per sua industria per quadrante chiltndro e 
astrolabio e outros ingenhos onde nem frio nem calma os anojara; e 
mais nauegaram a praya orientai sob hùa temperanca muy temperada 
do aar, e do mar muytos infindos argumentos sam pellos quaes tua 
magestade pode ser estimada. Mays que aproueyta esporear a quem 
corre. E tu mesmo es tal que todalas cousas com tua industria atee a 
vnha examinas. E por tanto escreuer muytas cousas desta cousa he 
impedir aquem corre que nam achegue ao cabo. Ho todo poderóso 



(8) Notavel previsao do que mais tarde succedeo. 

(9) Este periodo poderin talvez ter sido traduzido, com mais clareaa, pela 
se^uinle torma: e teràs tàobem^ se te aprouveì; para està viagem (do Catay, co- 
nio disse acima) jar companheiro Martinho Boemo, o deputado do nosso Rey 
Maximiliano, pavticulannente apio para a levar a bomfim». D'estas palavras 
e da data de 1493, se pode presumir ser està carta trazida pelo proprio Be- 
lu ini, a quem servia de recoramendagào, alem da outra de Maximuiano. 



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ARGUIVO DOS ACORKS 447 

Gonserue a ti em leu proposito e acabado ho caminho do mar d teus 
caualleyros sejas celebrado co immortalidade. Vale de Noruberga villa 
de alta Alemanha a quatorze de Julho salutis de mil e quatrocentos e 
nouetìta? e tre^ ^nnos (H^- : ; j ■: J •* '' f 



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